Brasil não precisa dos 'gringos' para as eliminatórias

Fábio Sormani
Fábio Sormani

ASSISTA: Gabigol, Claudinho, Weverton... BB Debate escala versões da seleção só com jogadores que atuam no Brasil 



Com a resistência de alguns treinadores europeus (entre eles o alemão Jürgen Klopp) em ceder seus jogadores para a seleção brasileira, a questão é: teríamos um time com atletas atuando no Brasil para encarar os dois próximos jogos pelas eliminatórias?

Os dois compromissos serão contra a Colômbia (26/3), fora, e Argentina (30/3), em casa. Há dúvidas, é bom dizer, se os jogos acontecerão por causa da pandemia da COVID-19 (eu já dei minha opinião sobre o assunto, leia aqui)

Eu acho que tem uma rapaziada aqui no Brasil que segura a onda, tranquilamente. E montei minha seleção no 4-2-3-1:

Weverton

Rafinha
Rodrigo Caio
Luan Peres
Guilherme Arana

Gerson
Edenilson

Marinho
Claudinho
Bruno Henrique

Gabriel Barbosa

Marinho artilheiro isolado do Santos na temporada
Marinho artilheiro isolado do Santos na temporada Twitter Conmebol Libertadores

Que tal? Concordam? Qual seria a sua?


Fonte: Fábio Sormani

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Brasil não precisa dos 'gringos' para as eliminatórias

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A diferença entre CBF e NBA não é só uma sigla, é um país

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Rodada de sexta (2) da NBA. Deem só uma olhada nisso:

Utah 113 x 106 Chicago (Público: 5.546)
Toronto 130 x 77 Golden State (Público: 3.085)
New York 86 x 99 Dallas (Público:  1.981)
Memphis 120 x 108 Minnesota (Público:2.987)
New Orleans 103 x 126 Atlanta (Público: 3.700)
Phoenix 140 x 103 Okhahoma City (Público: 3.422)

Sim, há público em jogos da NBA. Não como era antes, mas já é alguma coisa.

E sabem por que há público nos jogos da NBA? Porque os EUA trocaram de presidente, e a pandemia de COVID-19 passou a ser tratada com responsabilidade, respeitando a ciência e mostrando às pessoas a importância do distanciamento social, do uso da máscara, do álcool em gel e de não se aglomerar. E, claro, vacinação em massa, ritmo galopante.

Top 10 da NBA está recheado de enterradas desmoralizantes; veja


Segundo o site "Our World In Data", 158 milhões de pessoas receberam ao menos uma dose da vacina nos EUA; ou seja, 31% da população. Destas, 58 milhões já foram totalmente vacinadas, o que dá um percentual de 17,7%.

Resultado: o número de infectados caiu dramaticamente.

Os EUA eram o país onde mais se morria por conta do novo coronavírus no mundo. Em janeiro, a média era de 3.422 mortes por dia. Nessa sexta, segundo o The New York Times, morreram 961 pessoas.

Assim, aos poucos, com responsabilidade e uma política sanitária efetiva, a vida começa a voltar à normalidade nos EUA.

No Brasil

Enquanto isso...

Enquanto isso, aqui no Brasil, os números de infectados e de óbitos não param de crescer. O país está mergulhado na maior crise sanitária de sua história. Brasil, é bom deixar claro, que sempre teve tradição de vacinar seu povo e sempre foi referência mundial.

Eram outros tempos.

Brown, dos Celtics, dá cravada brutal em ala dos Rockets; veja


Uma obra magnífica que não podemos ver

Hoje, sábado  (3), um dia antes de os cristãos celebrarem a ressurreição de Jesus (domingo de Páscoa), não podemos, por exemplo, visitar o Masp (Museu de Arte de São Paulo) e contemplarmos o impactante quadro Ressurreição de Cristo, pintado por Rafael; Rafael que ao lado de Da Vinci e Michelangelo formam a Santíssima Trindade dos pintores renascentistas. Sim, esse quadro magnífico está aqui, o único do pintor no Brasil e no hemisfério sul, mas não pode ser admirado pelos brasileiros.

Reprodução da obra Ressurreição de Cristo, pintada entre 1499 e 1502, do artista italiano renascentista Rafael
Reprodução da obra Ressurreição de Cristo, pintada entre 1499 e 1502, do artista italiano renascentista Rafael Divulgação/Masp

O Masp está fechado por correta decisão do governo estadual. Temos que ficar em casa, pois estamos perdendo a guerra para o vírus.

Segundo dados do consórcio de veículos de imprensa referentes à sexta-feira 2 de abril, 2.807 pessoas morreram em 24 horas aqui no Brasil, elevando nossa média diária para 3.119 mortes — superamos três mil mortes/dia pelo segundo dia consecutivo. São  328.366 óbitos desde o início da pandemia.

Leio no portal Metrópoles que "o Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde, da Universidade de Washington, projeta que o Brasil atingirá a marca de 562,8 mil mortos pela COVID-19 em 1° de julho deste ano. Os pesquisadores consideram que o número pode ser ainda maior: em um cenário mais crítico, o país se aproximaria dos 600 mil óbitos de infectados pelo novo coronavírus".

O cenário é desolador. Todos temos algum parente e/ou conhecido que nos foram tirados pela COVID-19.

Mesmo num cenário desses, irresponsáveis seguem desafiando a ciência e o vírus. O futebol é um desses casos.

A CBF insiste em manter a Copa do Brasil, com viagens de equipes pelo território nacional, como se nada estivesse acontecendo e fôssemos, por exemplo, o Reino Unido (onde a Inglaterra está inserida), onde ontem morreram apenas DEZ pessoas em 24 horas, o menor número desde setembro do ano passado. Insensível aos nossos números, a entidade garantiu que o Campeonato Brasileiro começa no dia 29 de maio.

Mais viagens pelo Brasil doente, que não para de matar seus filhos.

Campeonatos seguem sendo jogados por aqui, mas ao contrário da NBA e dos principais campeonatos na Europa, os portões dos nossos estádios seguem fechados. Não por decisão dos clubes, federações e da CBF, mas sim por atos responsáveis de prefeitos e/ou governadores, pois estamos num país adoecido e não no Reino Unido.

Hoje teremos o Gre-Nal 430. Poderia haver presença de público, como ocorre na NBA e Europa. 20% da capacidade e teríamos cerca de 12 mil pessoas na Arena do Grêmio na noite deste sábado. E lembre-se que os estádios de futebol não são fechados, o que diminui segundo os médicos o risco de contaminação. Os ginásios da NBA, ao contrário, são fechados. E 20% é o que algumas arenas norte-americanas cedem de assentos para os torcedores.

Mas lá, como vimos anteriormente, já é possível fazer isso, pois o país encarou a pandemia como gente grande. Na NBA, mesmo em ginásios fechados, praticamente inexistem casos de jogadores infectados. A liga testa seus atletas a cada duas semanas e nesse período o resultado dos exames mostra que de dois a três, entre todos os que disputam o campeonato, apresentam resultados positivos.

Aqui no Brasil...

Aqui no Brasil os times são testados, é verdade, mas são surpreendidos com número grande de infectados porque a pandemia segue sem controle. O episódio mais dramático aconteceu com o Marília, que teve 16 casos de infecção pelo coronavírus (entre funcionários e jogadores) depois de o time viajar mais de dois mil quilômetros cortando três estados brasileiros, à procura de um local para  enfrentar o Criciúma pela Copa do Brasil, que a CBF insiste em dar sequência.

Nossos campeonatos parecem circos mambembes. E isso ocorre, como já disse, pela irresponsabilidade de quem deveria ser responsável e saber cuidar de seus filhos.

O Brasil continua doente. Os brasileiros seguem morrendo. E o futebol segue como se vivesse em uma bolha — mas não vive.

Poderia ser diferente se tivéssemos feito a lição de casa. Não fizemos. Não o fizemos porque achávamos que era apenas uma "gripezinha".

Doncic tenta bandeja pelos Mavericks na temporada 2020-21 da NBA
Doncic tenta bandeja pelos Mavericks na temporada 2020-21 da NBA Getty
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A diferença entre CBF e NBA não é só uma sigla, é um país

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Os números de Westbrook, mais Magic, Oscar Robertson e histórias da NBA

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Fala aí, garoto; tudo bem?

Tudo. Posso?

Claro. Sente-se. Toma uma breja comigo? Já tem idade, né?

Sim.

Garçom, mais um copo aqui pro meu amigo, por favor. Viu a rodada de ontem?

Caramba, era disso que eu queria falar. Westbrook fez  outro triple-double: 35 pontos, 14 rebotes e 21 assistências! Nunca vi nada igual. West é f...!

Eu me lembro do Magic fazer isso em 1988 contra o Philadelphia: mais de 30 pontos, 10 rebotes e 20 assistências em uma partida. Foram exatamente 32 pontos, 11 rebotes e 20 assistências. Earvin era demais. Embora Russ tenha sido o terceiro jogador na história da NBA a ter esses números, ele não divide uma mesa de bar com o Magic.

Ah, Magic... Concordo, de outro planeta. Não o vi jogar, mas os livros e as reportagens que leio me transportam àquela época. Showtime!

Eu agradeço a Deus por ter visto o Magic em quadra, mas The Big O eu não vi. Esse eu queria ter visto.

Se você não viu, imagina eu (risos).

Mas aí eu faço como você: deixo-me levar pela história... Sabia que eu tenho em casa um livro autografado por ele? "The Art Of Basketball". Ele escreveu para mim: "Best wishes, Big O". Garoto, emocionante. Quando eu o vi pessoalmente fiquei boquiaberto. Afinal, estava diante de um dos grandes da história da NBA.

Mas me conta como você conseguiu um livro assinado por Oscar Robertson?

[]

Foi no All-Star Game de 2001, em Washington. O lançamento do livro era um dos eventos do evento.

E o livro? É legal?

É didático, ensina como se fazer todos os fundamentos do basquete. A capa é uma foto dele sendo marcado pelo Lou Hudson, usando um fardamento esverdeado do Atlanta.

Jura? Não sabia que o Atlanta chegou a jogar de verde.

Sim, foi no começo dos anos 1970, quando recrutou Pete Maravich. Outro tremendo armador. Do mesmo calibre desses que estamos falando. Pistol Pete. Também não vi jogar, mas vou te contar uma história que eu não sei se você vai acreditar. Eu mesmo não acredito... (Risos). Um amigo meu jura pra mim que tomou um chope com Pete Maravich num bar em Bauru chamado G Petisco. Nem existe mais.

Em Bauru?

Sim, ele me conta essa história, mas, já te disse, acho que é mentira. Ele me falou que foi nessa época, começo dos anos 1970. O Atlanta veio ao Brasil para ser o adversário dos Harlem Globetrotters numa excursão. Meu amigo era um moleque. Tinha acabado de chegar dos EUA depois de um intercâmbio. Inglês fluente. Jogava basquete no Luso, um clube da cidade. Juntaram o útil ao agradável e perguntaram se ele podia ser o intérprete naquela viagem dos Globetrotters a Bauru e ele topou. Mas não sei se é verdade. Ele jura que é, e que no dia que todos chegaram a Bauru, depois da entrevista, apresentações ao prefeito, todos foram ao G Petisco almoçar. E meu amigo me disse que  ficou conversando com Pistol Pete. E tomaram um chopinho juntos.

Caraca, que história!

Sim, se for verdade, uma p... história (risos).

Os caras hoje chamam Stephen Curry de Black Pistol Pete...

Pelos vídeos, há muitas semelhanças entre eles. Habilidade, o jeito de arremessar, pontuação, velocidade... Sabia que o nome do ginásio de basquete de LSU é Pete Maravich? Ele jogou o college por LSU, assim como o Shaq. Eu fui lá em meados dos anos 1990. LSU fica em Baton Rouge, capital da Louisiana. Foi uma das poucas cidades dos EUA que eu não gostei. Sei lá por quê. Talvez porque eu tenha ido lá depois de ter ficado uma semana em New Orleans. Só pode ser isso (risos).

Que viajada que a gente deu, hein? Começamos a falar do triple-double do Westbrook e fomos parar em Baton Rouge (risos).

Pois é, e nem chegamos a falar que The Big O também foi um dos únicos, junto com Magic e West, a anotar um triplo-duplo com mais de 30 pontos, 20 assistências e 10 rebotes. Antes de você chegar eu estava lendo uma matéria no celular que falava sobre isso. Oscar Robertson foi o primeiro a atingir essa façanha. Já nem me lembrava mais. Anotei aqui, no guardanapo... Está aqui: 11 de dezembro de 1961, ele jogava pelo  Cincinnati Royals — hoje Sacramento Kings. Foram 32 pontos, 15 rebotes e 20 assistências! Era apenas o segundo ano dele na NBA.

O cara teve um triple-double de média numa temporada!

Correto, ele era f... Foi na temporada 1961/62: 30.8 pontos, 12.5 rebotes e 11.4 assistências. O primeiro a fazer isso. Westbrook deixou ele pra trás: já teve triplo-duplo de média em três temporadas e nesta caminha para o quarto.

Leio que muita gente não respeita esses números do Westbrook por conta dos turnovers dele.

[]

Não só por isso, mas principalmente porque eles dizem que Russ é um cara que fica correndo atrás apenas das estatísticas em detrimento do time. Chamam ele de “stat chaser”. Mas ele tem mesmo um número alto e TOs. Sem contar a ineficiência nos arremessos de dois, três e nos lances livres. E nunca foi campeão da NBA.

The Big O não era assim?

Imagina, longe disso! Na época dele não se computava os TOs, mas ele era quase que perfeito. Ganhou um título da NBA com o Milwaukee, junto com o Kareem, na época Lew Alcindor, antes de se converter ao islamismo. Fez parte de um time norte-americano que dizem que seria o único a confrontar com o Dream Team.

Jura?

Sim, foi nos Jogos Olímpicos de Roma, em 1960. Eram todos universitários, na época os profissionais não jogavam. Oscar Robertson, Jerry West, Jerry Lucas, Walt Bellamy, Adrian Smith, um p... time. Foram oito jogos e oito vitórias, uma delas contra o Brasil, por 90 a 63. Um ano antes, no Chile, o Brasil tinha sido campeão mundial pela primeira vez. Bateu exatamente os EUA na final e o Wlamir Marques foi eleito o MVP do torneio.

Você acha que aquele time encarava o Dream Team?

Isso fica pra outro dia. Preciso ir embora. Vou ler um pouco. Garçom, a conta, por favor.


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A impaciência com Billy Donovan e a frustração com o Chicago Bulls

Fábio Sormani
Fábio Sormani

No começo da temporada, mandei e-mail para a NBA e cancelei meu League Pass. Perguntaram o motivo. E eu disse: sou torcedor do Chicago e não aguento mais ver meu time apenas participar do campeonato, não passar de um mero coadjuvante.

Sou Chicago assim como sou Santos. Sou Santos por causa do Pelé; sou Chicago por causa do Michael Jordan. Fui forjado torcedor desses dois times com vitórias espetaculares e títulos inesquecíveis.

Mas vamos nos ater ao basquete.

Começamos a ver NBA no Brasil a partir de meados da década de 1980. O visionário Luciano do Valle foi quem trouxe as primeiras imagens ao vivo da maior liga de basquete do planeta através do Show do Esporte da Rede Bandeirantes. Depois vieram mais jogos: todas as sextas-feira. Eu não saía de casa nas sextas; via tudo.

Jordan estava dando seus primeiro passos na NBA. Mas já se percebia que ele era completamente diferente do que qualquer outro jogador que um dia pisou numa quadra de basquete. E olha que naquela época, desfilavam pela tela da Band jogadores como Magic Johnson, Kareem Abdul-Jabbar e Larry Bird, por exemplo.

Mas MJ era diferente.

Pelo SporTV eu cobri três finais da NBA: contra o Seattle (1996) e Utah (1997 e 1998). Vi Michael Jordan ao vivo em 16 oportunidades — coloque-se aí, também, três All-Star Games e algumas partidas da fase de classificação para os playoffs. E presenciei, ao vivo e pela televisão, incontáveis jogos daquele que para mim foi o maior time da história do basquete.

Arremesso final

Em 98 eu estava no Delta Center (hoje Vivint Smart Home Arena) de Salt Lake City e vi MJ desafiar Bryon Russell nos segundos finais do último jogo do NBA Finals e despejar, depois de um drible desconcertante em seu marcador, a bola que deu ao Bulls seu sexto título da NBA. Que poderia ter sido o oitavo se MJ não tivesse parado com o basquete para brincar de jogar beisebol.

Tenho muitas histórias para contar daquela época — mas isso, se for do interesse de vocês, eu conto outro dia.

Eu dizia que cancelei minha assinatura do League Pass no começo desta temporada porque não aguentava mais ver o tricolor de Illinois ser apenas coadjuvante de campeonatos atrás de campeonatos. Mas ontem, sábado (27), eu reativei meu League Pass!

Fiz a assinatura apenas dos jogos do Bulls; afinal, não sou mais analista de basquete; sou um torcedor. Quero ver apenas o Chicago jogar. Os demais times, quando for o caso, eu assisto aqui na ESPN e em outros lugares.

Reativei minha assinatura porque o Bulls, no último dia de trocas na NBA, adquiriu o pivô montenegrino Nikola Vucevic. 2,11 metros de força defensiva e ofensiva, muita vitalidade, agressividade e inteligência, e que ao lado de Zach LaVine e da promessa Coby White, penso eu, tem tudo para mudar o Bulls de patamar e transformá-lo em um time de playoff — e acabar com essa história de ser apenas um coadjuvante.

21h30 de Brasília e eu, ontem, estava na frente da televisão, ansioso, esperando pela estreia de Vucevic e de um novo Chicago — sabia que era o primeiro jogo do time, mas torcedor é assim, impaciente, quer resultado para ontem. E aos poucos o que era alegria foi se transformando em decepção.

Massacre

O Chicago foi engolido pelo San Antonio: 120 a 104. Pelo San Antonio, um time que não tem nenhum franchise player, composto por jogadores comuns, mas que é organizado e sabe se defender. Protege seu aro sem fazer faltas; ataca o aro adversário com todos pontuando.

Ao contrário do Spurs comandado por Gregg Popovic (ontem atingiu a marca de 1.300 vitórias na carreira juntando-se aos lendários Lenny Wilkens e Don Nelson), um time organizado e que sabe se defender, esse Chicago é uma bagunça, atacando e defendendo.

O adversário quase nunca pega a defesa do Chicago bem postada — por isso pontua com facilidade. O Bulls  sofre em média 114 pontos por jogo e está na 24ª posição no ranking das defesas. Não tem, igualmente, organização ofensiva. Vive das individualidades, especialmente de LaVine. Jogo apertou? Passa a bola pro Zach que ele resolve.

Mas nem sempre isso é possível. Quando pega um time como o San Antonio, ele sofre demais.

Falta de postura defensiva; falta de organização ofensiva.

Claro que o jogador é que joga, é quem está na quadra, mas num esporte tão tático como o basquete, a figura do treinador é importantíssima. Dele e de seus ajudantes. E Billy Donovan, que chegou esta temporada, tem decepcionado até o momento.

Além de não conseguir fazer do Chicago um time, ele também irrita o torcedor quando coloca em quadra um cara limitadíssimo como o Denzel Valentine. Ontem, Donovan deu a Denzel quase seis minutos. Mas a média dele na temporada é de 18 minutos por jogo. Será que a ficha está caindo? Espero.

Eu estava todo entusiasmado, na frente da televisão, esperando pela estreia de Vucevic e pelo começo de um novo Chicago. Mas, como falei, o que era fervor foi se transformando em angústia.

"Calma", disse meu filho, hoje pela manhã em conversa pelo WhasApp. "O time vai melhorar", complementou ele.

Não sei se vai, acho que pode. São duas situações diferentes.

Eu sei que foi apenas o primeiro jogo do montenegrino Vusevic nascido na verdade na Suíça. Sei que ele nem sequer tinha treinado com o time. Mas não é disso que falo: falo de um time desorganizado desde o começo da temporada, cujo treinador me parece perdido.

Um técnico que coloca Denzel Valentine na quadra tem que ser demitido — disse para o meu filho, que prontamente respondeu: "Esse cara é fraco mesmo, mas já ouvi alguns comentaristas elogiando ele". Não é possível alguém elogiar Denzel!

Concordamos nesse ponto (Valentine); e concordamos também que há times com elenco inferior ao Chicago e que fazem muito mais. "O técnico precisa fazer o time jogar", reconheceu meu filho, que jogou basquete até a idade adulta e conhece o jogo como poucos. "Veja o que o Thibs (Tom Thibodeau) está fazendo em NY. O time é limitado. Ele está tirando leite de pedra".

Promessa de torcedor

San Antonio, New York, Charlotte, Utah, Phoenix, Atlanta, Denver. Times ali, do mesmo nível ou inferior ao Chicago, mas que jogam um basquete consistente porque foram forjados pela inteligência e trabalho de seus treinadores e assistentes.

Eu sei, eu sei; é o primeiro ano do Billy Donovan em Chicago, o time está sendo reconstruído e há que se ter paciência e complacência com a equipe e principalmente com o treinador. Mas eu sou torcedor, lembra-se?

Mas tudo bem, vou esperar um pouco mais. Até porque Donovan tem dois títulos do Final Four (06 e 07) com Florida Gators no currículo e ninguém é bicampeão no college à toa.

Vou esperar, eu já disse, mas se esse time não chegar aos playoffs, cancelo novamente minha assinatura do League Pass e mandarei um e-mail para o Jerry Reinsforf (dono da franquia) e pedirei a cabeça de Billy Donovan.

Torcedor é assim, impaciente; quer o resultado para ontem. E escrevo essas mal traçadas linhas, repito, na condição de torcedor. Mas como torcedor também espero não ter que me comunicar com Reinsdorf e nem cancelar novamente meu NBA League Pass.

Go Bulls!

O arremesso final de Michael Jordan diante de Bryon Russell que deu o sexto título ao Chicago Bulls
O arremesso final de Michael Jordan diante de Bryon Russell que deu o sexto título ao Chicago Bulls Reprodução TV
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Uma bolha, e o Santos não precisaria se deslocar até Atibaia

Fábio Sormani
Fábio Sormani

O futebol está parado no estado de São Paulo. Medida corretíssima, diga-se, tomada pelo governador João Doria (PSDB).

O futebol está parado no estado, mas o Santos Futebol Clube, que é de Santos, carro-chefe das cidades da Baixada Santista, está disputando a primeira fase da Conmebol Libertadores. Libertadores que é um torneio internacional e que não está sujeito a decretos baixados por governantes brasileiros.

O Santos tem um calendário a cumprir. Depois de eliminar o Deportivo Lara-VEN, terá pela frente o San Lorenzo-ARG. Serão dois jogos: o primeiro, dia 6 de abril próximo, fora de casa, e o segundo, uma semana depois (13), em local ainda não determinado, pois o futebol, lembre-se, está proibido de ser jogado em São Paulo.

Para complicar ainda mais a situação do clube, o prefeito da cidade, Rogério Santos (PSDB), determinou na última sexta-feira (19) lockdown no município a partir desta segunda-feira (22). Proibiu, entre outras coisas, a realização de qualquer tipo de evento esportivo, inclusive treinamentos. E o Santos foi atingido pela medida, diga-se, corretíssima.

Para driblar esse problema (precisa treinar e se preparar para os dois confrontos contra o San Lorenzo), o Santos pretende se deslocar até Atibaia (cidade do interior paulista) para treinar. Isso a partir desta terça-feira (23).

Teve golaço de Soteldo; veja e relembre como foi Lara 1 x 1 Santos


Precisaria? Claro que não

O confinamento determinado pelo prefeito santista tem como objetivo evitar a circulação de pessoas e o colapso do sistema de saúde da região. Segundo ele, em entrevista à CNN Brasil nesse domingo (21), há duas semanas a ocupação dos leitos das cidades da Baixada era de 44%; atualmente está em 80%.

Todos devem ficar em casa, ele disse. Sair apenas para o necessário.

Não há número estipulado de pessoas para viver em uma casa. Na minha há três, na sua podem ser seis, na do vizinho, dez, 12, 20; sei lá. O objetivo do lockdown é evitar a circulação das pessoas.

O Santos poderia perfeitamente estar em sua casa, o CT Rei Pelé. Não haveria necessidade alguma de se deslocar até Atibaia se o presidente Andrés Rueda tivesse feito uma bolha no CT (nos moldes da NBA na temporada passada).

Ah, mas quando o Santos eliminou o Lara não havia lockdown. Sim, é verdade, mas qualquer pessoa bem informada, atenta ao que vem acontecendo a esse desgraçado país, sabia que mais cedo ou mais tarde lockdowns aconteceriam.

Desta forma, no dia seguinte ao da classificação para o enfrentamento contra o San Lorenzo, os jogadores se apresentariam e seriam testados — bem como os funcionários que possibilitam que o CT viva. E todos seriam imediatamente recolhidos. Ficariam em uma bolha.

Ninguém entra; ninguém sai. Nem jogadores, comissão técnica e funcionários do CT; nem seus familiares.

Haveria, de fato, monitoramento 24 horas por dia — o que não ocorre nos chamados protocolos de federações e da CBF.

Alisson avisou no vestiário o que não poderia acontecer contra o Lara-VEN, pela Libertadores; assista abaixo


Nada a contestar

O prefeito Rogério Santos, evidentemente, nada contestaria, pois os moradores da casa CT Rei Pelé não estariam circulando pela cidade. Estariam confinados, como ele acertadamente quer.

Com isso, a equipe estaria no seu local de treinamento e os jogadores próximos de seus familiares. Sem contato com eles, é verdade, mas próximos. Qualquer emergência, chegariam em casa em dez minutos .

Lá ficariam, treinariam, descansariam; se alimentariam e se divertiriam; e um dia antes do jogo na Argentina, entrariam no ônibus, iriam até Guarulhos e de lá para Buenos Aires.

Mas não: por falta de planejamento, o Santos vai se deslocar até Atibaia e gastar um dinheiro que não tem. Tudo porque não fez o que deveria ter feito: se planejar.

E essa decisão santista, quem sabe, poderia 'contaminar' os demais times e consequentemente o futebol brasileiro, que se estivesse recolhido em uma bolha neste momento poderia estar em ação. O neurocientista Miguel Nicolelis, uma das autoridades mundiais sobre a pandemia da COVID-19, afirmou isso em entrevista ao SporTV: uma bolha, e o futebol brasileiro estaria monitorado de maneira segura.

Simples, não é mesmo?

O problema é que, para algumas pessoas, pensar dói.

Andrés Rueda, presidente do Santos
Andrés Rueda, presidente do Santos Divulgação/Santos

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Acorda, futebol brasileiro! Só a vacina salva!

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Acordamos com uma grande notícia nesta quarta-feira (17): após vacinação, cai em 51% o número de mortes de idosos entre 85 e 89 anos por COVID-19 na cidade de São Paulo.

Em Israel, a população está nos cafés, restaurantes, parques e trabalhando quase que normalmente porque o país vacina alucinadamente seus cidadãos.

Os EUA, com a troca de presidente, batem recordes de vacinação e veem queda de 22% nas mortes pela pandemia.

Paulista? Governo de Minas proíbe jogos de outros estados


Então, senhores dirigentes do futebol brasileiro, deixem de ser calhordas. Ao invés de pressionarem governadores para liberar o futebol, pressionem o governo federal para a aquisição de mais e mais vacinas. Cobrem vacinação num ritmo frenético como é feito nos EUA e em Israel.

E não me venham com essa de que todos são testados no mundo do futebol. Testar não é vacinar.

Só a vacina salva; só a vacina vai restabelecer a normalidade; só a vacina nos fará voltar a sorrir novamente.

Vacinação, já!

Pacaembu recebeu leitos para pacientes infectados com coronavírus
Pacaembu recebeu leitos para pacientes infectados com coronavírus Getty Images
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Viva Cristiano Ronaldo!

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Cristiano Ronaldo fez um hat-trick na vitória desse domingo (14) da Juventus sobre o Cagliari por 3 a 1. Com esses três gols, em partida válida pelo Campeonato Italiano, o português chegou a 770 na carreira em jogos oficiais, ultrapassando Pelé, que anotou 767.

Mas é bom lembrar o seguinte: entre esses 770 gols oficiais de CR7, 18 foram feitos em jogos amistosos da seleção portuguesa. Mas como era data Fifa, os europeus reconhecem.

Ou seja: vale ou não vale gols de partidas amistosas? Deixa isso pra lá.

A canalhice europeia contra Pelé 

Vamos discutir outra coisa: a canalhice desta nova geração de europeus que tenta surrupiar na cara dura os gols marcados por Pelé nos amistosos feitos pelo Santos. Eles querem apagar parte importante da história do mais valioso jogador de futebol de todos os tempos.

Mas enquanto eu estiver trabalhando, prometo que não deixarei isso acontecer. Vou gritar para que minha voz seja ouvida.

Ninguém vai me convencer que esses gols marcados por CR7 diante de equipes inexpressivas da Série A italiana, por exemplo, valem mais do que gols que Pelé anotou em amistosos diante de gigantes europeus, em estádios com gente saindo pelo ladrão, gente que queria ver em ação... Pelé!

Vamos olhar em retrospecto...

CR7 faz hat-trick em 22 minutos, e Juventus vence; assista


Alguns exemplos

Maio de 1961. O moçambicano Eusébio e o seu Benfica venceram o Barcelona (3 a 2) na final do que hoje chamamos de Champions League  e ganharam pela primeira vez o título europeu. Destronaram o poderoso Real Madrid de Di Stéfano e Puskás; Madrid que tinha conquistado os cinco primeiros títulos da principal disputa europeia de clubes.

No mês seguinte, esse mesmo Benfica foi disputar o tradicional Torneio de Paris. Do Brasil vinha o Santos, campeão da edição do ano anterior. E com o Santos vinha Pelé, que três anos antes tinha sido campeão do mundo com a seleção brasileira na Suécia, quando tinha apenas 17 anos. Pelé, então com 19 anos, já era cantado em prosa e verso como o melhor jogador do planeta e os europeus pagavam fortunas ao Santos para ver o seu camisa 10 em ação.

O mundo do futebol, naquele momento, só falava de Pelé e Eusébio. E quando eles entraram em campo para se enfrentar pela primeira vez, ninguém obviamente queria perder, pois era como se fosse um concurso de braço-de-ferro. Quem seria o vencedor? Quem era o mais forte?

Quando o árbitro francês Pierre Achinte apitou o final da partida, os 36.364 torcedores que foram ao Parque dos Príncipes olharam inebriados para o placar do estádio que marcava Benfica 3 x 6 Santos. Pelé fez dois gols neste amistoso, que, repito, ninguém queria perder.

Esses dois gols de Pelé valem menos do que os três que CR7 fez neste domingo no Cagliari?
 
Vamos agora avançar no tempo. Nova York, 21 de agosto de 1966...

Vinte e oito dias antes, o Brasil tinha acabado de ser eliminado por Portugal (3 a 1) na fase de grupos da Copa do Mundo disputada na Inglaterra. Aquele tinha sido o quarto encontro entre Pelé e Eusébio, que até então só tinha perdido (os outros dois foram pela final do Mundial Interclubes entre Santos e Benfica, em 1962). O Randall´s Island Stadium de Manhattan abrigava 25 mil torcedores, a maioria portugueses, cuja colônia era muito grande em Nova York. Eles ainda estavam extasiados com o desempenho de Portugal na Copa da Inglaterra (acabou em terceiro lugar) e imaginavam novo triunfo diante dos brasileiros.

O Benfica entrou em campo com sete jogadores de sua seleção, sendo que do meio-campo para frente, todos titulares dos encarnados foram titulares do time português no último Mundial: Jaime Graça, Coluna, Zé Augusto, Eusébio, Torres e Simões. O Santos colocou para jogar três titulares que enfrentaram Portugal em Liverpool: Orlando Peçanha, Lima e Pelé.

Final da partida: Santos 4 x 0 Benfica. Pelé marcou um dos gols santistas. E o jornal Folha de S.Paulo, em sua primeira página, destacou: 'Santos vai à forra e goleia Portugal'.

Esse gol anotado por Pelé vale menos que o tento feito por Cristiano Ronaldo, por exemplo, na vitória da Juventus diante do Spezia (3 a 0) pelo Italiano no dia 2 de março passado?

Dei exemplos falando dos portugueses por conta da efeméride criada envolvendo Cristiano Ronaldo e Pelé. Mas há muito mais para ser contado, muito mais.

Mais um exemplo? Vamos lá...

Pelé marcou quatro gols na vitória do Santos sobre a Inter de Milão por 7 a 1 em junho de 1959, em jogo válido pelo Torneio de Valência (Espanha). A partida foi vista por 60 mil pessoas. A mesma Folha de S.Paulo relatou: 'Ao término da fase inicial o placar era de 2 a 0, gols de Coutinho aos 17 e Pepe (penal sobre Pelé) aos 30. No período complementar, o fabuloso Pelé se agigantou em campo e com ele toda a sua equipe, partindo-se então para a goleada. Neste período, Pelé marcou quatro gols seguidos, aos 3, aos 8, aos 23e aos 24 minutos'. Pepe completaria o marcador anotando o tento final santista aos 31 minutos. Uma goleada histórica diante da Inter, que, assim como o Benfica, ganhou a Liga dos Campeões duas vezes naquela década.

Esses quatro gols de Pelé, num jogo apreciado por 60 mil pessoas, valem menos do que o gol que Cristiano Ronaldo marcou diante do Crotone (em 22 de fevereiro último) na vitória da Juventus também por 3 a 0 pelo Italiano?

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Exemplo com derrota santista? Ok, vamos lá

Vamos com mais um exemplo, agora com uma derrota santista — assim eu tento evitar os maledicentes.

Neste mesmo junho de 1959, mais precisamente no dia 17, o Santos enfrentou o poderoso Real Madrid, que tinha acabado de conquistar seu quarto título europeu, batendo na final o Stade Reims por 2 a 0.  O jogo foi no Santiago Bernabéu e colocou frente a frente pela primeira e única vez Pelé e Di Stéfano. O Santos entrou em campo depois de 13 partidas em solo europeu, em excursão que começou em 23 de maio com um amistoso diante da seleção da Bulgária (3 a 3). 

Dois dias antes do jogo na Espanha, o Santos estava na Holanda (vitória de 5 a 0 diante do Enschede). A delegação pegou o avião, chegou em Madri, treinou e foi para o hotel descansar. No dia seguinte encarou o Real. Placar da contenda: Madrid 5 x 3 Santos. Os brasileiros, feridos em seu orgulho, pediram revanche, mas os espanhóis negaram. Vinte e quatro horas depois da partida, a Folha de S.Paulo estampava: 'Real Madrid confirma seu interesse pelo avante Pelé'. Desejo que nunca se concretizou.

Volto a perguntar: vocês vão me dizer que esse gol que Pelé marcou no encontro das duas maiores equipes do planeta naquele momento vale menos do que o gol que CR7 fez diante do Sassuolo em 10 de janeiro passado (vitória da Vecchia Signora por 3 a 1)?

Se formos cotejar, aquelas partidas do Santos de Pelé eram muito mais difíceis e adversas dos que os jogos que Messi e Cristiano Ronaldo fazem hoje em dia em seus respectivos débeis campeonatos nacionais.

História é história

Não se pode apagar o passado.

Por isso, fico admirado de ver essa nova geração de panacas europeus tentando apagar o passado. Seguramente, seriam advertidos pelos seus antepassados, pois o velho, bom e culto europeu sempre preservou a história, antagonizando com os atuais obtusos.

O que seria de monumentos extraordinários como o Arco do Triunfo, Notre Dame, Coliseu, Partenón, Big Ben, Vaticano, Catedral de Colônia, Santuário de Lourdes, Palácio de Versalhes, Fórum Romano, Torre de Pisa, Acrópole se dependessem da cabeça desses lorpas de hoje em dia? Onde estariam os quadros de Da Vinci, Van Gogh, Picasso, Dali, Monet, Michelangelo, Munch, Renoir, Rembrandt, Rafael, Boticelli, Vermeer, Velázquez? Obras como as de Shakespeare, Dostoiévski, Kafka, García Lorca, Saramago, Camões, Baudelaire, Hugo, Goethe, Mann, Cervantes, Tolstói, Joyce, Woolf, Austen, Proust seriam queimadas simplesmente porque foram escritas com canetas e não com um computador?

O ser-humano de hoje, infelizmente, se boçalizou. Nos quatro cantos do planeta.

Viva, Cristiano Ronaldo!

Mas, felizmente, ainda há gente lúcida. Querem um exemplo? Cristiano Ronaldo!

CR7 foi sábio em seu post no Instagram nesse domingo ao dizer o seguinte sobre o feito alcançado: "(...) O mundo mudou desde então e o futebol também mudou, mas isso não significa que podemos simplesmente apagar a história de acordo com os nossos interesses."

Cristiano faz parte de uma espécie de ser-humano que não vai deixar esse planeta se embrutecer.

Viva, CR7!

Cristiano Ronaldo em ação pela Juventus
Cristiano Ronaldo em ação pela Juventus Federico Tardito/Getty Images
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Viva Cristiano Ronaldo!

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A festa dos Meninos da Vila não pode esconder o que fizeram com o Santos

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Os torcedores do Santos fizeram uma festa. Apesar do sufoco, o time ganhou sua primeira partida nesta temporada e deu um passo importante em direção à próxima fase da Conmebol Libertadores.

Com gols de duas joias de sua base, o time brasileiro venceu os venezuelanos do Deportivo Lara por 2 a 1 nesta terça-feira (9), na Vila Belmiro. Os tentos foram marcados no segundo tempo: Balieiro e Kaiky.

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Dos titulares que entraram em campo, nada menos do que sete jogadores saíram da base: João Paulo, Balieiro, Kaiky, Alison, Sandry, Ângelo e Marcos Leonardo. E durante o jogo entrou mais um menino da Vila: Pirani.

Foi uma festa. O torcedor santista ficou orgulhoso — e não era para menos.

Mas a atuação destas crianças — sim, alguns são crianças ainda — não pode nos fazer esquecer que isso ocorre porque é a única opção que o clube tem neste momento. Estes meninos não estão sendo lançados com critério, sem a preocupação de não se queimar etapas, com um plano bem elaborado com suporte físico, técnico e psicológico. Eles estão sendo lançados, repito, porque não há o que fazer. Estão sendo jogados na fogueira.

A água da Vila é diferente! Ângelo, brasileiro mais jovem a estrear na Libertadores, dá show de habilidade e ousadia em estreia

Odílio Rodrigues, Modesto Roma Junior e José Carlos Peres, os três últimos presidentes do Santos, são os responsáveis por isto. Eles levaram a instituição a um estado de extrema pobreza. E isso já foi dito pelo novo presidente, Andrés Rueda, que assumiu há pouco mais de dois meses.

Por conta de irresponsabilidades — para dizer o mínimo — deste trio, o Santos está proibido pela Fifa de contratar. Não pode contratar porque deve na praça. Deve na praça porque contratou sem poder contratar.

Gol do Santos! Kaiky, de 17 anos, cabeceia com estilo e comemora 'pedindo calma'

Outro reflexo deste caleidoscópio assustador é que o clube tem parte de seus parcos recursos retidos na Justiça porque é devedor. Por conta disso não consegue honrar pagamentos — e o elenco também sofre. E a conta nunca fecha no final do mês.

A solução é vender, como ocorreu com Lucas Veríssimo e Diego Pituca. Vender e rezar para a Justiça não bloquear a grana, para, assim, poder pagar parte das dívidas. Vende, paga dívidas e o elenco, que já não é nenhuma maravilha, e fica ainda mais debilitado.

E dá-lhe invocar o mantra de que a base sempre salva. Mas deveria ser assim? Claro que desse jeito, não!

Abusado! Nascido em 2004, Ângelo brinca no campo de defesa, dá caneta, deixa outro no chão e lança Soteldo

É bacana ver o Ângelo em campo com 16 anos, Kaiky com 17 e Sandry com 18? Sim, é muito bacana, mas é preocupante, porque o desespero da situação pode fazer com que alguns deles sejam queimados desnecessariamente e levá-los a não vingar na carreira.

Mas eles são obrigados a jogar como se fossem arrimo de família, tentando resolver um problema que não deveriam equacionar. O certo seria ter em campo um time com jogadores rodados mesclados com esta molecada, que assim jogaria sem esse fardo de ter que atuar como se fossem homens.

Mas são meninos, não se esqueçam.

Odílio Rodrigues, Modesto Roma Júnior e José Carlos Peres afundaram o Santos. E ninguém faz nada. Isso vem acontecendo, senhores, desde 2013! Lembrem-se que o  estopim dessa crise foi a contratação de Leandro Damião, feita por Odílio.

Gol do Santos! Alisson cruza de primeira, zaga rebate e Vinicius Balieiro bate sem chances para o goleiro

E eu me pergunto: por que o Conselho Deliberativo do Santos não faz nada? Vai apenas se limitar a expulsar este trio do quadro associativo? Isso é suficiente?

Claro que não.

Uma investigação criminal se torna necessária. Uma devassa tem que ser feita nas contas de todas as pessoas suspeitas que passaram por essas três gestões — sim, porque eles tiveram "colaboração" para fazerem o que fizeram.

E ao final dessa investigação, que tem que ser executada pela Justiça e não pelo Conselho Deliberativo, os que não tiverem culpa no cartório que sejam absolvidos. Os que tiverem culpa, que sejam punidos. De preferência, com cadeia.

Mas como esse é o país da impunidade — não, não se trata de um mero clichê —, nada vai acontecer. Os exemplos estão aí para quem quiser ver.

Sendo assim, crianças e mais crianças continuarão sendo jogadas na fogueira, quando deveriam estar apenas se divertindo, jogando bola, vestindo com regozijo o imaculado manto sagrado branco.


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Palmeiras: uma temporada quase perfeita

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Abel cita coragem do Palmeiras em contratar treinador sem títulos e relembra: 'Não prometi ser campeão, prometi qualidade, dedicação, futebol...'

O Palmeiras bateu o Grêmio por 2 a 0 no Allianz Parque (agregado de 3 a 0) e ganhou seu terceiro troféu na temporada 2020. Anteriormente, havia amealhado a Libertadores e o Paulista.

Foi uma temporada incrível, quase perfeita. Só não o foi não por conta do fiasco do Mundial (acabou num pífio quarto lugar, mas, convenhamos, ganhar o torneio da Fifa hoje em dia é quase impossível), mas porque não conseguiu ser campeão nacional.

O Palmeiras tinha elenco para não ter encostado o Brasileiro. E poderia ter sido campeão, já que o Flamengo, o campeão, só o foi porque o título caiu no seu colo. Jamais jogou futebol para ser campeão. E já que dava para ganhar assim, o Palmeiras, com um pouquinho mais de atenção, poderia ter ficado com o troféu do Brasileiro também.

E aí 2020 teria sido perfeito.

Ranking

O Flamengo fechou o ano como primeiro colocado no ranking da CBF. Esse ranking leva em consideração o desempenho dos times nos últimos cinco anos. E só são computados os títulos do Brasileiro e da Copa do Brasil.

O Flamengo fechou o ano como primeiro colocado no ranking da CBF, mas no meu ranking e no ranking de qualquer pessoa de bom senso, o Palmeiras fecha 2020 como o melhor time brasileiro.

Tem o melhor time? Não, não tem; mas acaba como o melhor de todos porque os dirigentes do Flamengo se encarregaram de descartar uma temporada que tinha tudo para ser histórica ao perder Jorge Jesus e se confundir nas contratações de Domènec Torrent e depois Rogério Ceni.

Conclusão

Portanto: 1) que o Palmeiras entenda que é preciso reforçar esse time se quiser continuar no topo; 2) que o Flamengo não cometa as bobagens que cometeu neste 2020.

Se os dois entenderem isso, 2021 vai pegar fogo! Palmeiras e Flamengo têm tudo para continuarem duelando pelo lugar mais alto do pódio não só nacional, mas sul-americano também.

Discreto

Abel Ferreira é o exemplo mais bem acabado da humildade misturada com conhecimento e, principalmente, inteligência. O português foi campeão pela segunda vez com o Palmeiras. E foi, também, o segundo título de sua carreira.

Abel conhece futebol, não é alienado e demonstra muita inteligência. Não apenas quando o assunto é futebol, mas também quando é instado a falar de qualquer assunto.

E o fala com propriedade, pois, como disse, não é alienado.

Se ele conseguir abrir os olhos dos jogadores do Palmeiras mostrando que há um mundo além do futebol, ele conquistará, talvez, seu maior troféu no Brasil.

Wesley comemora após marcar para o Palmeiras na final da Copa do Brasil
Wesley comemora após marcar para o Palmeiras na final da Copa do Brasil Cesar Greco/Ag Palmeiras

Grêmio

Foi a terceira temporada que o Grêmio passou em branco quanto a títulos importantes. Sua última grande conquista foi a Libertadores de 2017.

Fez água em 18, 19 e 20.

O time é ruim? Longe disso; o Grêmio tem elenco para, se bem treinado, ser campeão novamente.

É preciso, também é verdade, rejuvenescer em algumas posições. E perguntar a Jean Pyerre se ele quer ou não entrar para a história como uma espécie de novo Luan.

Mas, o mais importante de tudo, que Renato Gaúcho fale menos e trabalhe mais.

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Chorem haters; chorem europeus. Pelé é o maior de todos os tempos

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Quase meio século depois de ter pendurado suas chuteiras, o mundo ainda fala de Pelé. Comparações são feitas — e sempre tendo ele, o Rei, como referência. E a consagração do momento — do momento — vem com um documentário feito pela Netflix.

Não estarei vivo para comprovar, mas se daqui meio século alguma plataforma de filme fizer um documentário contando a vida, por exemplo, de Maradona, Messi ou Cristiano Ronaldo, aí eles poderão ser comparados a Pelé. Comparados, eu disse; e não superado.

E falo da vida — e não de momentos.

Pois é, meus amigos, tentam, mas não conseguem, pois nada cola. Nada cola.

Começou com Maradona. Agora são Messi e Cristiano Ronaldo. No futuro eu não sei quem será — ou serão.

Mas ninguém vai se igualar. Pelé é inigualável.

A comparação será sempre com ele, o maior de todos. O Rei do futebol.

Católico, temente a Deus, Pelé jamais quis ser chamado de deus. Preferiu ser rei, pois deus é apenas Deus.

No documentário da Netflix está cravado: único jogador do futebol a ganhar três Copas do Mundo. Único jogador a fazer mais de mil gols. O maior de todos os tempos.

Chorem haters. Chorem europeus desta nova geração, que não se conformam de alguém ser o melhor de todos os tempos sem ter jogado por nenhum time de lá.

Os europeus da velha guarda viram Pelé. Viram Pelé jogando aqui como lá. E decidiram: é o Rei do Futebol.

Veio dos franceses a alcunha. França que de arte conhece, pois ela pariu Zidane, Platini, Fontaine, Cantona, Thuram, Henry, Vieira, Flaubert, Balzac, Victor Hugo, Montaigne, Voltaire, Proust, Stendhal, Baudelaire, Monet, Manet, Renoir, Matisse, Toulouse-Lautrec, Godard, Truffaut, Resnais, Renoir, Malle, Bresson, Rampal, Legrand, Reinhardt, Deneuve, Binoche, Bardot, Delon, Belmondo, Chevalier, Piaf, Chabrol, Ardant, Lelouch, Caron... Quer mais? Procure no Google.

Tá bom, só mais um: Paris.

Mas voltemos a Pelé. O maior de todos os tempos, em qualquer modalidade, pois foi rei num esporte que é jogado em todo o planeta — e não apenas em um país.

Pelé foi deus — perdão, rei — sem ter a tecnologia a seu lado e sem jamais ter jogado em um time da Europa, como já disse.

Por isso foi deus — perdão, rei.

Vida longa ao Rei.

Batuque na caixa de engraxate — quem viu o documentário sabe ao que me refiro.

Paticaritumbumbugurundum; paticaritumbumbugurundum; paticaritumbumbugurundum...

Pelé: LuvU4ever!

Pelé sorri após a conquista de sua primeira Copa do Mundo, em 1958
Pelé sorri após a conquista de sua primeira Copa do Mundo, em 1958 Getty Images
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Estamos perdendo de goleada

Fábio Sormani
Fábio Sormani

O Brasil bateu mais um recorde nesta terça-feira. Não, não me refiro a qualquer modalidade esportiva; refiro-me aos mortos pelo coronavírus.

Foram 1.726 pessoas que perderam a vida em apenas 24 horas — o maior número desde o início da pandemia, no ano passado. Foi também o 41° dia seguido em que o Brasil ultrapassa mil mortes diárias.

O estado de São Paulo lidera a contagem de óbitos em um dia. Nada menos do que 468 pessoas perderam suas vidas nesta terça-feira.

Em Porto Alegre, o Hospital Moinhos de Vento instalou um contêiner refrigerado para acomodar corpos se funerárias atrasarem para retirar os mortos pela COVID-19. Tem muita gente morrendo.

Por conta disso, o sistema de saúde do país entrou em colapso. Quase todos os leitos de UTI dos hospitais brasileiros estão ocupados — a maior parte por conta dos doentes do coronavírus. Se continuar assim, alguém pode morrer em casa, asfixiado, porque não tem para onde ir.

Como o futebol não é num mundo à parte, 19 funcionários no Corinthians estão contaminados. Oito são jogadores.




O mesmo Corinthians viu seu time feminino impedido de entrar na Argentina para disputar a Libertadores por conta da gravidade da doença no Brasil. Até o momento em que escrevo esse texto, os dirigentes não tinham conseguido contornar a situação.

Em Santa Catarina, 30 funcionários do Joinville estão infectados pelo coronavírus. O clube pediu para a Federação Catarinense de Futebol o adiamento da partida desta quinta-feira (04) contra o Metropolitano, mas, pasmem, a entidade respondeu: "O Joinville poderá contratar novos atletas e inscrevê-los para o jogo contra o Metropolitano”.

Na sede da CBF, no Rio de Janeiro, foi feito o sorteio dos confrontos da primeira fase da Copa do Brasil. Essa etapa (outras virão adiante) terá a participação de 80 clubes. Muita pompa e festividade na sede da entidade.  

Pare o Brasil porque eu quero descer! Minha gente, vivemos uma tragédia!

Os campeonatos deveriam, TODOS, ser suspensos até que a maior parte do país esteja vacinada. Estamos longe disso, pois apenas 3,36% da população receberam a vacina. Não, você não leu errado: apenas 3,36% das pessoas foram vacinadas.

O Brasil deveria estar em lockdown — mas não está. O Brasil deveria estar vacinando em ritmo aceleradíssimo seus filhos — mas o faz em doses homeopáticas. O Brasil deveria estar ofertando aos brasileiros várias opções de vacina — mas só disponibiliza dois tipos. O Brasil deveria estar ampliando seus leitos hospitalares — mas está preocupado com a economia.

Infelizmente, a preocupação no mundo do futebol parece ser quem vai entrar em campo pelo Corinthians contra o Palmeiras; quem o Vasco vai enfrentar na primeira fase da Copa do Brasil; se o Grêmio vai conseguir reverter sua situação e ser campeão da Copa do Brasil da temporada passada.

E nos divertimos, como se a pandemia do coronavírus não passasse de um filme de ficção em cartaz nos melhores cinemas das principais cidades do país.

Fonte: Fábio Sormani

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Palmeiras já poderia ter sido campeão

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Podia ter sido mais fácil. Não foi porque o Palmeiras perdeu duas chances de ouro e o placar do primeiro jogo da decisão da Copa do Brasil contra o Grêmio ficou em 1-0.

Poderia ter sido de três. E se isso tivesse acontecido, babau: o título estaria praticamente resolvido.

Por conta destes desperdícios, a vantagem que o Palmeiras construiu neste domingo (28) em Porto Alegre não é suficiente para decretar que, mesmo fora de casa, os paulistas deram um passo importante para levantar seu terceiro troféu na temporada — já ganharam o Paulista e a Libertadores.

Gustavo Gómez comemora gol da vitória com Luiz Adriano
Gustavo Gómez comemora gol da vitória com Luiz Adriano Cesar Greco / Palmeiras

Por isso, digo: domingo que vem tem mais. E o Grêmio pode perfeitamente reverter essa situação.

Raphael Veiga foi o melhor jogador em campo. O meia definiu a vitória palmeirense.

Ao contrário de Jean Pyerre, o seu equivalente gremista, Veiga joga à frente dos dois volantes (Felipe Melo e Zé Rafael) e torna-se o vértice superior do triângulo que ganha a forma de uma pirâmide. Deu a assistência para o gol de Gustavo Gómez e dois passes preciosos para Luiz Adriano e Rony definirem esta decisão. Mas ambos mandaram por cima do travessão do goleiro Paulo Victor bolas que deveriam ter sido endereçadas para as redes gaúchas.

Resultado justo. Justo porque o Palmeiras jogou bem. E isso não pode passar despercebido nesse texto que eu espero que tenha leitores, pois a última grande exibição palmeirense foi na goleada de 4-0 diante do Corinthians, no Allianz Parque, pelo Campeonato Brasileiro, em 18 de janeiro.



De lá para cá, até chegar este primeiro confronto da decisão da Copa do Brasil, foram 12 desempenhos ruins. Nem mesmo a conquista da Libertadores diante do Santos (1-0) deu-se com uma grande apresentação. Além disso, houve o fiasco do Mundial de Clubes da Fifa.

O retrospecto neste período: duas vitórias, quatro empates e seis derrotas.

A decisão, como disse, está aberta. Mas o jogo que o Palmeiras mostrou foi alentador.

E o torcedor palmeirense espera que tenha sido um presságio do que vai acontecer domingo que vem. Desde que não apareça outro Luan para colocar tudo em risco.

Jean Pyerre

Mais uma partida apagada. Além da lentidão, parece que perdeu a confiança.

Ao invés de ser a parte superior do triângulo meio-campista, tendo Matheus Henrique e Maicon alinhados mais atrás, sua timidez, lentidão e falta de iniciativa fazem essa pirâmide ficar invertida, pois Pyerre atua atrás dos dois volantes, quando deveria acontecer o contrário.

Um desperdício de talento.

Pepê

Jogou?

Renato Gaúcho

O treinador não pode cometer mais equívocos se quiser ganhar esta decisão. E precisa ser corajoso. 

O que ele tem que fazer?

1) Jean Pyerre não pode ser titular; 2) Ferreirinha não pode ser reserva; 3) A marcação a Gustavo Gómez, o principal jogador do Palmeiras em bolas aéreas, tem que ser bem feita — foi dele o único gol do jogo, de cabeça, aos  32´1T.

Conclusão

Como eu disse acima, domingo que vem tem mais. Aproveitem para curtir, porque depois teremos quatro meses com os brochantes campeonatos estaduais.


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O sonho de quem quer ser Gabriel

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Gabriel — me recuso a chamá-lo de Gabigol ou Gabi, como agora assim ele o quer — está causando por conta de duas declarações dadas depois do octacampeonato brasileiro conquistado pelo Flamengo. O ex-atacante santista disse: 1) que merece uma estátua na Gávea; 2) que todo jogador gostaria de jogar no Flamengo, pois o rubro-negro é o Real Madrid brasileiro.

Exagerou? Depende do tamanho do coração de quem avalia.

A primeira argumentação causou incômodo àqueles que gostariam de ter sua imagem perpetuada na sede flamenguista e lá não estão. Quem são essas pessoas? Ora, não é difícil detectar, pois a muitos que vociferam neste momento a carapuça serve. Merecem estátuas essas pessoas que se encapuzaram? Talvez um ou outro, mas a maioria, com certeza, goteja inveja por ver o camisa 9 fazer tanto sucesso.

Quanto a segunda assertiva; ora, minha gente, Gabriel usou de hipérbole para desnudar o sentimento da esmagadora maioria dos jogadores que atua no Brasil. Obviamente não seriam os 100% dos atletas a desejar vestir o manto rubro-negro. Mas, com certeza, a esmagadora maioria faria qualquer coisa para que isso se concretizasse.


         
     


O Flamengo é hoje sinônimo de sucesso. É um clube que paga muito acima da média nacional, e em dia. Sua estrutura é de causar inveja. Tem a maior torcida do Brasil. E uma mídia que faz um barulho danado. Além disso, está no Rio de Janeiro.

Mesmo não sendo nem de longe aquele Rio de Tom e Vinícius, o Rio segue sendo o Rio. Quem não gostaria de morar no Rio? Ora, quem não o conhece ou bom sujeito não é.

O escritor James Baldwin, nova-iorquino do Harlem, que viveu boa parte do século passado, disse em um de seus romances: "O objetivo de um sonhador é meramente continuar sonhando e não ser incomodado pelo mundo. Seus sonhos são sua proteção contra o mundo. Mas os objetivos da vida são a antítese dos objetivos do sonhador, e os dentes da vida são afiados".

Gabriel não é um sonhador — e se o for, usa essa imagem onírica não para se proteger do mundo, mas sim para desafiá-lo e mostrar a ele que não tem medo de nada, nem das botinadas adversárias e nem dos ataques dos que o invejam.

Gabriel vive, não sonha.

Gabigol comemota título do Brasileiro
Gabigol comemota título do Brasileiro Wagner Meier/Getty Images
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Futebol brasileiro não passa de pit-stop para jogadores ambiciosos

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Soteldo disse a um site venezuelano: “Meu sonho é saltar para um time importante da Europa — e tenho a certeza que este ano isso vai acontecer. Depois da Copa América, com certeza.”

Mencionou também a dificuldade financeira do Santos, que não pagou o chileno Huachipato, seu ex-clube. Além do sonho do atacante em jogar em um grande da Europa, esse também seria um impeditivo para ele seguir na Vila Belmiro.

Um misto de tristeza e ódio tomou conta dos torcedores santistas. Tristeza porque Soteldo disse que deste ano não passa: vai mesmo embora. Ódio porque charlatões que presidiram o Santos ultimamente deixaram o clube numa situação de extrema pobreza — ou de miséria, se você preferir. Não haverá saída a não ser vender o jogador para quitar esta entre tantas outras dívidas que a agremiação tem.

Gols e assistências de Soteldo pelo Santos na Libertadores; veja


Mas obviamente o motivo principal da saída de Soteldo será o desejo do jogador em atuar em "um time importante da Europa". 

Há pouco mais de uma semana, o Flamengo contratou Bruno Viana do Braga, equipe portuguesa. Mal desarrumou as malas, e o zagueiro disse na entrevista de apresentação que quer jogar bem por aqui pra voltar para lá.

Só um pit-stop

Soteldo e Bruno Viana escancaram, uma vez mais, o que de fato o futebol brasileiro é para qualquer jogador que atue aqui: nada mais do que um pit-stop para uma rápida troca de pneus e reabastecimento. Feito isso, eles partem com tudo para a pista; ou melhor, para a Europa.

Infelizmente, esta é a nossa realidade. Histórias como a do zagueiro chileno Elias Figueroa, que em 1971 recusou uma proposta do Real Madrid para atuar no Internacional, pertencem ao passado. O Brasil tinha acabado de conquistar o tricampeonato mundial no México e a nata do futebol mundial desfilava sua genialidade por aqui. Entre esses jogadores, o rei Pelé. Ninguém ia para a Europa.

Hoje, lamentavelmente, o Brasil é um atalho que se pega para se chegar à estrada principal. Soteldo e Bruno Viana estão nos boxes. Rapidamente irão para a pista, competir.

Soteldo, do Santos
Soteldo, do Santos Divulgação
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Cada vez que o Atlético de Madrid, retranqueiro e covarde, perde, o futebol ganha

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Cada vez que o Atlético de Madrid perde, o futebol ganha. Time retranqueiro, adepto do antifutebol, que especula porque é covarde, que prefere o caminho dos medíocres para chegar às vitórias — que, por isso mesmo, são raras.

Gol do futebol!

Pelo investimento feito — uma das maiores folhas da Europa e o técnico mais bem pago da elite do futebol mundial —, este Madrid envergonha os madrilenhos, que forjaram sua história em cima do outro Madrid. Que não à toa é chamado de Real.

Os merengues são, ao longo de sua história, o retrato mais bem acabado da paixão pelo futebol — e dela eu JAMAIS vou abrir mão. Os colchoneros, no momento mais esplendoroso desde seu nascimento, no fulgor de seu endinheiramento, escolheu o caminho que inevitavelmente desembocará no abismo — como tem desembocado.

Giroud faz de bicicleta, e Chelsea vence Atlético de Madrid; veja


O Atlético de Madrid perdeu para o Chelsea por 1 a 0, em casa, nessa terça-feira (23) pela ida das oitavas de final da Champions League. E eu celebrei. 

Para seguir na competição europeia mais importante entre clubes, a equipe de Diego Simeone terá de vencer o rival inglês em Londres, no dia 17 de março. E, para isso, não poderá se comportar como o medíocre que vem sendo ao longo dos anos dirigidos pelo o argentino, um botinudo que distribuía pontapés nos adversários porque com eles não podia competir e que se tornou treinador démodé porque genial nunca soube ser.

Conseguirá este Madrid?

Se conseguir, é porque jogou bola. Num jogo desses, depois desse resultado adverso, especular não será permitido. Há que se colocar a cara a tapa.

Terá colhões para suportar os bofetões?

Se tiver, o futebol vence; se não tiver, o futebol vence também.

Diego Simeone durante partida do Atlético de Madrid na Champions League
Diego Simeone durante partida do Atlético de Madrid na Champions League Getty Images
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Cada vez que o Atlético de Madrid, retranqueiro e covarde, perde, o futebol ganha

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