O coronavírus, a vacina e o goleiro

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Você já ouviu falar da Drª. Natalia Pasternak? Não? Em tempos de pandemia, você deveria conhecê-la. Drª Natália é bióloga e uma das pessoas que mais conhecem sobre a pandemia do novo coronavírus no planeta. Portanto, você deveria conhecê-la.

Nesse final de semana que agora pertence ao passado, em entrevista ao site da revista Exame, ela fez uma analogia muito interessante da vacina com o futebol para explicar como ela atua. É importante a gente saber como a vacina funciona, pois muitos acham que ela não é infalível, que vai nos proteger assim que formos vacinados.

Vacinados estamos? Então tudo pode. Não, não pode. A vacina contra a COVID-19 não é garantia de que não vamos contrair o vírus.

"Uma boa vacina é como se fosse um bom goleiro", comparou a doutora, que seguiu: "E como sabemos que o goleiro é bom? Vamos olhar o histórico dele. A frequência com a qual ele faz defesas. Se ele defende com frequência, ele é um bom goleiro. Isso não quer dizer que ele é invicto, que ele nunca vai deixar de tomar gol. Mas, mesmo se tomar gol, ele não deixa de ser um bom goleiro."

Armani 'muralha', Jean 'milagroso' e mais: as melhores defesas da 1ª rodada da Libertadores; assista


Aí é que está o cerne da questão: se o melhor goleiro do mundo jogar num time que tem uma defesa ruim, o que vai acontecer? Ele vai tomar gols, muitos gols. E o que significa uma defesa ruim se formos fazer uma comparação com a pandemia do coronavírus?

Defesa ruim, segundo Pasternak, é não usar máscara, é aglomerar. "Se houver aglomeração, haverá muito mais vírus circulando; ou seja, mais bolas para o gol, então a probabilidade de ele tomar gol é maior. A mesma coisa acontece com uma vacina (...) A vacina diminui o seu risco de ficar doente, agora se você estiver numa área onde a defesa do time é ruim, onde o vírus está circulando muito, a chance de você ficar doente aumenta. Ou seja, as bolas ao gol. E a vacina é o goleiro", explicou ela

Como conclui o texto da revista Exame, "as vacinas funcionam, mas não são infalíveis". Como Neuer, o grande goleiro do Bayern de Munique, por exemplo, também não é.

Portanto, rapaziada, mesmo vacinado, há que se ter cuidado. Primeiro, lembrar que a imunidade vem depois de pelo menos três semanas após se tomar a segunda dose da vacina. E mesmo depois de vacinado, mesmo depois de passadas essas três semanas, não ache que seu gol será intransponível, pois gol intransponível não existe – nem mesmo o do Neuer.

Não abuse, por favor. Use sempre máscara, evite aglomerações, mantenha distância das pessoas e tenha sempre à mão o álcool gel.

Se você fizer isso, dificilmente seu gol será vazado. E você estará conquistando a vitória da vida.

Manuel Neuer, goleiro do Bayern de Munique
Manuel Neuer, goleiro do Bayern de Munique Getty Images
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O coronavírus, a vacina e o goleiro

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Com show de Neymar, Brasil sapeca Venezuela e os alto-faltantes do Mané Garrincha nos mandam recado

Fábio Sormani
Fábio Sormani

O Brasil estreou na Copa América. Sapecou 3 a 0 na Venezuela. Com novo show de Neymar. E um gol de Gabigol.

Depois do jogo, com todo mundo no vestiário, campo vazio, ainda iluminado e molhado pela chuva que gentilmente umedeceu os ares secos de Brasília; depois do jogo, eu dizia, retumbava nos alto-falantes do Mané Garrincha, como que a gingar diante do enfado do usurpador, trovejava no Mané Garrincha, espalhando-se pelos ares da capital federal, a canção "Apesar de Você", de Chico Buarque de Holanda.

Neymar e Gabigol marcam em vitória do Brasil por 3 a 0 na estreia

Premonitório? Espero — esperamos.

Vejam só...

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu
Você que inventou esse estado
E inventou de inventar
Toda a escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar
O perdão
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar
Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Inda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear
De repente, impunemente
Como vai abafar
Nosso coro a cantar
Na sua frente
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai se dar mal
Etc. e tal

Time do Brasil que disputa a Copa América
Time do Brasil que disputa a Copa América Lucas Figueiredo/CBF

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Com show de Neymar, Brasil sapeca Venezuela e os alto-faltantes do Mané Garrincha nos mandam recado

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Os três blocos que dividem o Brasileirão. Veja onde está o seu time

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Uma rodada é pouco? Sim, é pouco, mas a divisão que faço dos 20 times que disputam o Campeonato Brasileiro tem a ver muito mais com o seu histórico atual e recente do que com a primeira das 38 rondas que vão dar forma ao campeonato mais importante do nosso país.

Dividi nossas duas dezenas de times em três blocos. E coloco os times em ordem alfabética para evitar melindres. A divisão é esta:

BLOCO DE CIMA (os que vão brigar pelo título)

Atlético-MG — Grande elenco, um técnico (Cuca) competente e dois jogadores desequilibrantes: Nacho Fernandez e Hulk.

Flamengo — O técnico (Rogério Ceni) ainda não convence, mas tem o melhor grupo entre todos e três jogadores desequilibrantes: Gérson, Arrascaeta e Gabriel.

Sormani: 'Flamengo tem três craques, e o Palmeiras não tem nenhum!'


         
     

Grêmio — Técnico novo e ainda promissor (Tiago Nunes) e uma turma bem calejada. Douglas Costa, sem dúvida, é jogador desequilibrante.

Internacional — Técnico capaz (Juan Pablo Ramirez) e um rol de jogadores de um nível bem interessante, mas nenhum jogador desequilibrante. Ouvi alguém dizer Taison? Quem sabe...

Palmeiras — Elenco igualmente musculoso, técnico acima da média (Abel Ferreira), mas nenhum jogador desequilibrante.

São Paulo — Treinador muitíssimo promissor (Hernán Crespo) e cheio de ideias, mas também não conta com nenhum jogador desequilibrante. Daniel Alves? Acho que não.

BLOCO INTERMEDIÁRIO (os que vão brigar pela Sula)

América-MG — Grupo homogêneo e um comandante (Lisca) que amadureceu demais.

Athlético-PR — Entidade muito bem administrada e um elenco que está junto há um bom tempo.

Bahia — O nordestino com melhor situação financeira e uma administração invejável.

Bragantino — Embora pertença ao Bloco Intermediário, tem um jogador desequilibrante: Claudinho.

Ceará — Seu treinador (Guto Ferreira) é um dos mais longevos entre as agremiações da Série A. Sequência de trabalho (bem feito) conta muito.

Fluminense — Num primeiro momento, está entre os intermediários, mas, com o passar do tempo, pode perfeitamente pular para o bloco de cima, pois tem um grupo de jogadores bem equilibrado.

Fortaleza — Um dos nordestinos que mais investiram em infraestrutura. E isso, no frigir dos ovos (desculpem o clichê) conta muito.

BLOCO DE BAIXO (os que vão lutar para não cair)

Corinthians e Santos no meio! Sormani lista sete times que vão brigar contra o rebaixamento no Brasileirão


         
     

Atlético-GO — Presidente não deixa o treinador trabalhar. Isso é problema.

Chapecoense — Elenco deficiente que precisava ser vitaminado.

Corinthians* — Leia abaixo.

Cuiabá — Inexperiência em uma competição importante como essa pode atrapalhar muito.

Juventude — Time que não pode ver uma gangorra pela frente que já vai brincar.

Santos— Clube sem dinheiro, presidente inexperiente, técnico apenas mediano (Fernando Diniz) e elenco fraco.

Sport — Está aí um nordestino que tinha tudo para estar entre os melhores, mas não consegue se firmar.

O asterisco que coloco no Corinthians é porque o técnico Sylvinho acabou de chegar e a gente não tem a menor ideia do impacto (para o bem ou para o mal) que ele pode causar ao time, Todavia, num primeiro momento, com o elenco que tem, com o clube desgraçado em dívidas e mal administrado ao longo de suas últimas gestões, o Corinthians pertence a esse temido bloco.

 

Sylvinho em sua estreia como técnico do Corinthians contra o Atlético-GO
Sylvinho em sua estreia como técnico do Corinthians contra o Atlético-GO Victor Monteiro/W9 PRESS/Gazeta Press
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Os três blocos que dividem o Brasileirão. Veja onde está o seu time

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Se o Santos fosse uma empresa séria...

Fábio Sormani
Fábio Sormani

1) Fernando Diniz jamais seria contratado para ser seu treinador;

2) Pará, Felipe Jonatan e Jean Motta seriam demitidos por justa causa;

3) Alison seria aposentado;

4) Kaiky, Marcos Leonardo e Ângelo voltariam para o sub qualquer coisa;

5) Lucas Lourenço, Allanzinho, Ivonei e Sandro Perpétuo seriam dispensados depois de cumprido o estágio;

6) O funcionário que avalizou a contratação de Bruno Marques seria também demitido por justa causa;

7) Kaio Jorge passaria por um teste psicotécnico;

8) Marinho, o melhor ativo da empresa, seria negociado pois não tem mais vontade de trabalhar e pode gerar dividendos;

9) Arzul nunca estaria na galeria dos imortais e passaria por uma reciclagem, pois os goleiros têm defeitos de fabricação;

10) Uma empresa de auditoria já teria sido contratada para fazer uma devassa nas contas das últimas três administrações;

11) Depois de tudo auditado, o relatório final seria entregue a um escritório de advocacia especializado em fraudes e crimes contra o patrimônio para que ele formalizasse acusação contra os investigados e lutasse para colocá-los atrás das grades, bem como os seus asseclas;



12) ...;

13) ...;

14) ...;

15) ...

Fique à vontade e preencha os outros itens. Não se limite a 15, pois cheguei a 11 num piscar de olhos. Uma análise mais profunda e detalhada vai encontrar outras mazelas.

Se não cair este ano, não cai nunca mais. Pelo menos é essa a conclusão que a gente chega depois de ver Bahia 3 x 0 Santos na estreia da equipe no Brasileiro e olhar em retrospectiva este primeiro semestre de 2021.

Pobre Santos.

Marinho pode gerar bons dividendos ao Santos
Marinho pode gerar bons dividendos ao Santos Ivan Storti/Santos FC


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Renato, gaúcho, é carioca e o Corinthians é paulista

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Renato disse "não" ao Corinthians. Estava na cara que esse seria o fim desta short story.

Renato tem gaúcho no nome, mas tem sangue carioca. E alma também.

Renato tem casa no Rio. Seu quintal é Ipanema. Sua diversão é a praia.

Renato está milionário — e com todos os méritos. Trabalhou muito para isso. E agora pode escolher o que quer fazer da vida.

Ceni pode ser demitido se perder final do Carioca: 'Renato está de olho no Flamengo', diz Sormani; assista

Renato nunca se identificou com a cidade de São Paulo. Chegou a ser contratado pelo São Paulo e posou até com a camisa tricolor. Mas ao fazer o trajeto de Congonhas até o Morumbi, deprimiu-se.

Renato não é bobo — ao contrário. Por isso, também é certo dizer que não foi apenas a opressora São Paulo que o afastou do Corinthians.

Renato está de olho no Flamengo. Ele é ambicioso.

Renato, como todos nós que gostamos e entendemos o futebol, viu que o novato Rogério Ceni, sem muito conhecimento da matéria treinador e sem estrada nesta nova profissão, pode conquistar amanhã (22) seu terceiro título como comandante do Flamengo. Para isso precisa passar pelo Fluminense e adicionar o Carioca ao Brasileiro e a Supercopa do Brasil. Três títulos em menos de um ano e conhecimento como treinador questionável.

Renato vislumbra, como comandante do Flamengo (é bom deixar claro que ele não está trabalhando para derrubar Ceni, o que acontece é que a torcida e a mídia flamenguista não podem nem ver o ex-goleiro do São Paulo como técnico do time da Gávea), ganhar um Brasileiro (que ele nunca conquistou), bisar a Libertadores e a Copa do Brasil e, por que não?, ganhar o Mundial de clubes.

Renato sabe que o Flamengo é o melhor lugar para a realização desses sonhos. É o clube mais bem estruturado do país, que tem o melhor elenco, a maior torcida e a maior mídia no Brasil. Então, a única resposta a dar ao Corinthians seria mesmo "não".

Renato sabe que o Corinthians, além de estar em São Paulo, está numa pindaíba danada, não tem elenco competitivo e não tem um futuro promissor a curto prazo. Além disso, é refém de sua torcida, que entra no clube e no CT a hora que bem entender — e não tem técnico que gosta disso.

Renato, portanto, será visto ainda mais algumas semanas (ou dias?) sentado em sua cadeira de praia em Ipanema ou então, quando estiver em pé, jogando vôlei na areia, dando um mergulho no mar e olhando as meninas do Rio desfilarem à sua frente.

Renato vai dar tempo ao tempo.

Renato não é bobo.

Renato quer ser campeão — e no Corinthians isso, a curto prazo, não vai acontecer.

Renato é gaúcho, mas é carioca de corpo e alma, já disse. Tem 30 anos de praia.

Reprodução/Instagram
Reprodução/Instagram Renato Gaúcho e sua filha, Carol Portaluppi
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Jogo aéreo é mal que acomete Flamengo e TODOS os times brasileiros

Fábio Sormani
Fábio Sormani

A torcida e a mídia flamenguista estão enfurecidas com a zaga do time. Muros pichados, redes sociais transformadas no repositório de frustrações e da dor do coração de seus seguidores e os meios de comunicação bradando indignação.

Rapaziada, vamos devagar; a zaga do Flamengo é vulnerável na bola aérea? Sim, é — mas todas são.

O jogo aéreo é o recurso mais fácil para se atacar. É a principal arma dos times pequenos e médios. Eles trabalham à exaustão essa jogada, porque é a única que eles têm, pois tecnicamente seus jogadores são fracos para tentar agredir os adversários no jogo rasteiro. E como os times fortes são minoria, é natural que haja um grande número de gols sofridos dos grandes nesse tipo de jogada.

Mas, volto a dizer, isso não é um mal que acomete apenas o Flamengo. Todos — repito, TODOS — os times sofrem com esse tipo de jogada. 

Por conta de mais um gol sofrido em jogada aérea no empate de ontem (19) diante da LDU (2 a 2), a deficiência — que é de todos, repito; de TODOS — volta a se escancarar. E mídia e torcida (que são poderosas, torno a dizer) abrem as pastas que contém estatísticas e as escancaram para justificar sua indignação. E o barulho é grande.

Gustavo Henrique sobe para cabecear no jogo contra a LDU
Gustavo Henrique sobe para cabecear no jogo contra a LDU Marcelo Cortes / Flamengo

E o que dizem esses tais arquivos? Mostram que o Flamengo sofreu 20 gols nos últimos 13 jogos (só não foi vazado na vitória diante do Volta Redonda por 3 a 0), o que dá uma média de um gol e meio sofrido por jogo. Dessa quantidade de tentos contra, diz a mesma estatística, dez foram em bolas aéreas — a metade.

Mas volto a dizer: TODOS os times padecem desse mal. O foco está no Flamengo por conta do jogo de ontem.

O que precisa é mapear (e eu me penitencio por não tê-lo feito, mas em minha defesa digo que essa não é a minha praia) o desempenho de todos os times. O Flamengo está dentro ou fora da curva?

Quando alguém trouxer esses números, a gente volta a discutir. Enquanto isso, vejo que esse problema do Flamengo é um problema que faz parte de todas as equipes brasileiras.

Sofram menos, flamenguistas.


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É míope quem culpa Mancini e os jogadores pela crise do Corinthians

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Quer dizer então que os jogadores e o técnico Vagner Mancini são os culpados pela humilhação que o Corinthians passou ontem (13) à noite no Uruguai? Ah, conta outra; aquela do papagaio é melhor.

Só míope atribui a eles a sova sofrida em Montevidéu (4 a 0 para o Peñarol) que eliminou o time da Sul-Americana. Os jogadores fazem o que podem; Mancini também.

O que devia estar sendo discutido agora não é o desempenho de jogadores e treinador, e sim como é que eles estão no Corinthians.

Você não sabe? Simples: eles estão no Corinthians porque o Corinthians é hoje um clube quebrado, uma instituição falida. Com o dinheiro que tem (e eu me espanto quando me dizem que tem), o que dá para contratar é o que está aí.

Veja os melhores momentos da derrota do Corinthians para o Peñarol!

E quem quebrou o Corinthians? Ah, isso é o que os corintianos e a mídia corintiana deveriam estar discutindo neste momento.

Depois de um início auspicioso, levando o Corinthians a ganhar tudo o que aparecia pela frente, Andrés Sanchez e seu grupo revelaram uma face que até então era desconhecida: a face da incompetência.

A dívida do Corinthians atualmente está na casa dos R$ 950 milhões — isso sem contar o estádio. Enquanto o clube vê seus principais rivais contratarem, melhorarem seus elencos e ganhar títulos, o Corinthians chafurda na mediocridade e na humilhação.

E isso acontece também com a conivência dos conselhos que deveriam fiscalizar — e não fiscalizam — e punir — e não punem — essas gestões. Isso acontece porque o Corinthians não tem oposição. Andrés e seu grupo comandam o clube desde 2007.

Culpar Mancini e os jogadores é empurrar a sujeira para debaixo do tapete.

O buraco é muito mais embaixo. E parece não ter fundo.

OBS: essa camisa é tão pesada que não me espantaria o Corinthians ganhar o Paulista.

Corinthians levou 4 a 0 do Peñarol pela Sul-Americana
Corinthians levou 4 a 0 do Peñarol pela Sul-Americana Getty Images


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Livre da humilhação do rebaixamento, Santos tem agora que punir quem o levou a esta situação

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Ao vencer o São Bento por 2 a 0, o Santos escapou do vexame histórico de ser rebaixado no Campeonato Paulista. Seria a maior humilhação de um time grande no futebol brasileiro. Outros já foram rebaixados, é verdade, mas nunca em um campeonato estadual. Cair no Brasileiro, no qual o nível de disputa e qualidade dos concorrentes é muito maior, é uma coisa; mudar de divisão no estadual é outra completamente diferente.

Mas esqueçamos isso. O Santos não caiu e fim de história.

Agora, o que se tem que discutir é por que o Santos chegou nesta situação. Não precisa ser nenhum Sherlock Holmes para se encontrar os culpados. E nesse caso, é mais do que um: são três. Odílio Rodrigues, Modesto Roma Junior e José Carlos Peres, ineptos em suas missões de comandar o clube, eles levaram o Santos a essa situação de extrema pobreza em que se encontra neste momento.

Santos vence 'final' contra o São Bento, evita rebaixamento e manda rival para a Série A-2; assista

Santos, que por culpa desse trio, vende o almoço para poder almoçar. Que não paga salários em dia, que deve a fornecedores, que foi proibido de contratar pela Fifa exatamente porque não cumpre suas obrigações, que está numa cidade pequena do litoral paulista cujo mercado consumidor não entusiasma potenciais patrocinadores, que não tem mídia como os demais grandes do nosso futebol — e por não aparecer tanto na mídia não desperta a atenção de patrocinadores —, cuja torcida — à exceção de uns poucos apaixonados — não anda de mãos dadas com o time e o deixa caminhar sozinho por campeonatos e o coloca lá no fundo da classe dos sócios-torcedores, e que por tudo isso é um milagre ainda não ter sido rebaixado e continuar disputando campeonatos, na esmagadora maioria das vezes, na parte de cima da tabela.

Odílio e Modesto já foram expulsos do quadro associativo do Santos por "gestão temerária" e também por "causar dano ao patrimônio". Peres sofreu impeachment e não conseguiu terminar sua gestão.

É obrigação

Mas isso é muito pouco. O Santos, representado pelo seu atual presidente, Andres Rueda, e pelo seu Conselho Deliberativo, tem a obrigação de levar essas três administrações ao crivo da Justiça. Quando digo Justiça, é a criminal, pois crimes foram cometidos, segundo relatórios apresentados. Se serão condenados ou não, a Justiça, a Justiça, repito, vai decidir. O santista quer que essas três administrações não sejam julgadas apenas pelo Conselho Deliberativo, no qual o compadrio pode livrar alguém de situação onde dois mais dois são quatro e o cara colocou cinco.

E esses crimes não prescreveram. Há que se julgá-los, mas, como disse, não pela camaradagem do Conselho, mas pela Justiça. Ela tem que "puxar a capivara" de quem estará sendo objeto de investigação, trazer à tona todos os acontecimentos que incomodam e deixam desconfiados os torcedores para se saber do envolvimento desse ou daquele personagem.

O Departamento Jurídico do Santos tem que trabalhar. Tem que defender seu patrimônio. E há muito o que se fazer, pois essas administrações foram marcadas por uma série de desconfianças — conforme os relatórios dessas gestões comprovam. E não deve ser muito difícil, como disse acima, achar as armas dos crimes e nelas encontrar as digitais de quem as usou. E no caso do Santos, várias armas foram usadas, várias digitais estão lá, até hoje, visíveis a quem for olhá-las. Basta querer.

Os crimes são de fácil solução. Como disse acima, não precisa ser nenhum Sherlock Holmes, Hercule Poirot, Nero Wolfe ou o comissário Jules Maigret para encontrar os responsáveis por eles. É preciso apenas boa vontade. E amor ao Santos, o mesmo amor que temos por nossas coisas, que nos deixam indignados quando alguém as surrupiam.

Ninguém pediu para Andres Rueda, Celso Jatene e os membros do Conselho Deliberativo ocuparem os cargos que eles ocupam atualmente. Eles estão lá porque optaram por estar, pelo inequívoco amor que eles têm pelo Santos. Portanto, agora, que eles cumpram o que se espera deles e comecem, finalmente, a investigar pra valer quem tem que ser investigado.

A torcida, com certeza, vai agradecer.

Vila Belmiro, casa do Santos Futebol Clube
Vila Belmiro, casa do Santos Futebol Clube GazetaPress

 

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Livre da humilhação do rebaixamento, Santos tem agora que punir quem o levou a esta situação

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Santos: se perder, merece ser rebaixado

Fábio Sormani
Fábio Sormani

O São Bento fez cinco jogos fora de casa neste Campeonato Paulista. Não ganhou nenhum.

0 x 1 Ituano
0 x 0 Guarani
0 x 0 Santo André
1 x 1 Corinthians
0 x 2 Botafogo

Foram três empates e duas derrotas.

Um, unzinho só, gol marcado fora de Sorocaba.

Se o Santos perder no domingo (9), merece ser rebaixado.

OBS 1: se você não sabe, o Santos precisa ao menos empatar domingo contra o São Bento para evitar o rebaixamento e a humilhação histórica de disputar a Série A2 do Campeonato Paulista no ano que vem.

OBS 2: na segunda-feira (10) postarei novo texto fazendo uma análise mais profunda sobre o que acontece com o Santos.

Luan Peres e Marinho, do Santos
Luan Peres e Marinho, do Santos Getty Images

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Santos: se perder, merece ser rebaixado

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O estranho caso do "pouquinho de multa" que o Santos pagou a Holan e a inércia do presidente Rueda

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Disse Andres Rueda, na segunda 3 de maio, em entrevista ao site Meu Peixão: "(...) Ainda tive que pagar um pouquinho de multa". O presidente do Santos estava se referindo à saída do técnico Ariel Holan e seus auxiliares.

Como assim? O gringo pede demissão e o Santos ainda tem que pagar "um pouquinho de multa"? Não deveria ser o contrário?

Ah, essa multa se refere aos auxiliares do argentino que não pediram pra sair e o Santos se viu na obrigação de demití-los —  alguém pode responder. De fato, não faz mesmo sentido eles continuarem se Holan pegou o boné e foi embora.

Mas vamos lá...

Trabalho/trabalhei com ex-treinadores que me disseram que o montante dado a um treinador é sempre muito maior, mas muito maior, do que aos auxiliares. Desta forma, se Holan pagasse os quatro salários de multa para deixar o Santos, esse valor seria, ao que tudo indica, maior do que os quatro salários que o Santos teria que pagar de multa para seus auxiliares. Mas como não sei os vencimentos de todos, digamos que ficasse no zero a zero. Técnico pediu demissão, seus auxiliares ficariam sem função na nova comissão que será formada quando um novo treinador for contratado; enfim, um bom negociante diria: ninguém paga nada a ninguém.

Andrés Rueda, presidente do Santos
Andrés Rueda, presidente do Santos Divulgação/Santos

Mas não, Holan abandona o Santos, deixa o time na mão às vésperas de um jogo importante contra o Boca Juniors pela Libertadores, deixa terra arrasada e Rueda conseguiu a façanha de fazer o Santos pagar "um pouquinho de multa". Santos, que todos sabemos, vende o almoço para poder jantar.

Ao se contratar treinador estrangeiro e seus auxiliares, o bom senso indica que o acordo fosse feito da seguinte maneira: saiu um, saíram todos. Isso é o mínimo que se espera de quem faz um negócio e queira proteger seu patrimônio. Ou seja: Holan pediu demissão? Seus auxiliares automaticamente também embarcam na mesma canoa.

E todos pagam multa; todos!

Outra coisa — que não tem nada a ver com esse absurdo de se pagar "um pouquinho de multa": não caiu o Transfer Ban do caso Soteldo? Por que então o Santos não se reforça para encarar essa temporada que começou muito mal? Está esperando o quê? Um novo Transfer Ban da Fifa por conta dos casos Cueva e Gabriel Barbosa e ficar novamente impedido de contratar?

Time sem técnico há mais de uma semana, praticamente eliminado do Campeonato Paulista, em situação delicada na Libertadores e que não se reforça. O futuro (Brasileiro e Copa do Brasil) não é nada animador.



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COVID-19 segue fazendo estragos no futebol

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Tomei ontem (29), finalmente, a primeira dose da vacina contra a COVID-19. Se não houvesse negligência por parte do governo federal, creio que ontem eram os meus filhos que tinham se vacinado. Se não houvesse negligência do governo federal, muitos que ainda esperam pela segunda dose (acabou a vacina em alguns lugares!) já estariam imunizados.

Tem até uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar esse desleixo por parte de quem deveria estar zelando por nós. E se não for uma CPI de araque, vai sobrar pra muita gente — e gente graúda.

Pois bem, prelúdio feito, leio no portal UOL matéria comovente com o técnico Paulo Roberto Santos. Ele foi contaminado pelo vírus em 23 de março passado, afastou-se do comando do Santo André para tratamento, passou dois dias de cão no Hospital Samaritano de Sorocaba, no interior de São Paulo, mas conseguiu driblar o vírus.

A história do técnico Ruy Scarpino, mais uma vítima da COVID-19 no esporte; assista


Mas o patógeno deixou sequelas. Entre elas, o comprometimento do pulmão do treinador em 50%. Resultado: pneumologistas disseram que o resguardo seria necessário. Não poderia voltar a trabalhar à beira do campo. 

O treinador, todavia, seguiu dirigindo o time do ABC paulista à distância, usando seu auxiliar, Alan Dotti, para dar os treinos e dirigir a equipe nos jogos. Todavia, os resultados não vieram. O Santo André está ameaçado pelo rebaixamento no Campeonato Paulista. Por conta disso, Paulo Roberto deixou o comando do Ramalhão em "comum acordo", como diz nota publicada pelo clube e confirmada pelo treinador.

A saída dele era importante para que o Santo André busque uma reação? Com certeza, pois um time não pode ser treinado à distância. Mas a pergunta que fica é: o ex-comandante está amparado pelo seu ex-clube?

Paulo Roberto está impedido de trabalhar por conta da pandemia. Arriscou-se, foi contaminado, flertou com a morte, está debilitado a ponto de não poder sair de casa, tudo por conta da pressa dos dirigentes em fazer o futebol voltar.

Discorda? Leia o depoimento que ele mesmo deu ao portal UOL, no qual foi claro como água cristalina: "Com relação ao futebol, se falou muita coisa que não é verdade. Não existe protocolo 100% garantido, 100% seguro, em relação ao coronavírus no futebol. O contato que temos com as pessoas, cada uma de um lugar que você não sabe onde passou antes, é muito grande, principalmente quando viajamos e ficamos em hotel. Fomos jogar contra Ponte Preta e Red Bull Bragantino e nos hospedamos num hotel perto de 40 pessoas. Mas circulando no hotel, em restaurante e elevador, tinha umas 150 a 200 pessoas. Quem te garante que todos estão negativados? Houve uma pressa muito grande para se voltar o futebol".

O técnico Paulo Roberto Santos, vítima da COVID-19 e agora sem emprego
O técnico Paulo Roberto Santos, vítima da COVID-19 e agora sem emprego Gazeta Press

O Brasil segue matando seus filhos — mas é bem verdade que muitos amalucados desafiam a morte como se estivessem brincando de um prosaico par ou ímpar e nada fosse acontecer a quem perdesse. Mas esses alienados contam com o combustível da negação por parte do governo federal, que agora vê seu ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, tentando mudar a situação e ir mendigar nesta sexta-feira na OMS (Organização Mundial da Saúde) por doses de vacinas a países que as têm sobrando. Humilhante.

O país já ultrapassou a barreira dos 400 mil mortos desde o início da pandemia; já viu quase 15 milhões de brasileiros contraírem a doença; e abril, tristemente, foi o mês mais letal desde o início da pandemia no Brasil.

Enquanto isso, nos EUA e em boa parte da Europa os casos de contágios e mortes estão em declínio, conforme comprova o gráfico da agência noticiosa Reuters. E o resultado disso é que o público começa, aos poucos, a voltar aos estádios e ginásios.

Aqui, não só a volta do público não passa de delírio de quem imagina isso, mas profissionais estão sendo afastados e outros mortos pela pandemia do coronavírus. O depoimento do técnico Paulo Roberto Santos, além de comovente, é revelador e desmascara dirigentes do futebol brasileiro que insistem nesse papo-furado de que o futebol tem protocolos que protegem seus empregados.

Não tem, pois o vírus é invisível e ainda estamos longe de vencê-lo.

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COVID-19 segue fazendo estragos no futebol

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Ao pedir demissão, Ariel Holan fez um favor ao Santos

Fábio Sormani
Fábio Sormani

A melhor frase que ouvi nesta segunda-feira (26), dia em que o Santos amanheceu sem treinador, foi pronunciada pelo meu colega Celso Unzelte. Ele foi cirúrgico no Bate Bola Debate — não à toa é chamado de "Professor".

Disse nosso mestre da ESPN: "Sou a favor de dar tempo a técnico que você vê que tem algo a oferecer".

Perfeito!

De um (longo) tempo pra cá, tornou-se politicamente correto defender treinador aqui no Brasil. Pega bem. Mas, por conta disso, noto que estamos perdendo o senso crítico.


Sormani aprova saída de Ariel Holan: 'Pede demissão e resolve um problema imenso para o Santos'


Ariel Holan é indefensável no comando do Santos. Ele mostrou nesses 12 jogos que dirigiu o time que não tinha ideias e nem planejamento.

Não, não estou cobrando resultado, quero que isso fique claro. Estou cobrando ideias, planejamento, como disse acima. E um pouco — um pouco, repito — de desempenho.

Nesta dúzia de partidas dirigindo o Santos, o ponto fora da curva foi a vitória de 3 a 1 fora de casa diante do San Lorenzo, pela Libertadores. As demais foram apresentações sofríveis.

Estava mais do que claro que Ariel Holan não conseguiria fazer o Santos jogar. Ele é passivo no banco, equivocado nas escalações e confuso nas substituições.

Não foi o Santos que tomou a decisão de trocar seu treinador; foi o próprio treinador que percebeu isso. E caiu fora, abandonou o barco usando como desculpa rojões que estouraram na sua residência.

Repudio isso; isso é selvageria. Mas, infelizmente, faz parte do mundo do futebol. Um técnico que não suporta isso não pode ser técnico.

Holan fez o mesmo quando dirigia o Independiente. Por conta de pressões, pulou do barco — depois acabou subindo novamente.

Assim como o Professor Celso Unzelte, sou a favor de se dar tempo a técnico que mostra que tem capacidade para fazer um time prosperar.

Exemplo: Jorge Sampaoli. Ele não obteve resultados no início de seu trabalho no Santos. Foi eliminado pelo River Plate do Uruguai na Sul-americana; pelo Atlético-MG na Copa do Brasil; e pelo Corinthians no Paulista.

Mas o time jogava bem, encantava. Você via com muita clareza que estava no caminho certo. Não conquistou título algum no Santos, mas o Santos de Sampaoli fez uma campanha no Brasileiro, no qual terminou em segundo lugar, que orgulhou o torcedor. Somou 74 pontos, a maior pontuação de um segundo colocado na história do Brasileiro em pontos corridos.

Holan não é um Sampaoli. Holan está muito mais para um Jesualdo Ferreira.

Felizmente para o Santos ele pegou o boné e foi embora.

Ariel Holan ficou apenas dois meses no comando do Santos
Ariel Holan ficou apenas dois meses no comando do Santos Ivan Storti/Santos FC
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Ao pedir demissão, Ariel Holan fez um favor ao Santos

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Santos vende Soteldo e cai o Transfer Ban da Fifa

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Solteldo não é mais jogador do Santos. O atacante venezuelano de 23 anos foi negociado esta madrugada com o Toronto FC, time canadense que atua na Major League Soccer, a liga norte-americana de futebol.

Os canadenses pagaram USD 6 milhões pelo jogador, divididos meio a meio entre Santos e Huachipato. O Santos pegou seus USD 3 milhões e repassou ao Huachipato. Como devia USD 3,5 milhões aos chilenos (de quem o comprou sem ter pago nem um centavo sequer), ficou acordado que os USD 500 mil restantes serão pagos em três parcelas iguais a partir de julho.

Com a venda de Soteldo, cai o Transfer Ban imposto pela Fifa ao Santos. A partir de agora, o time pode contratar quem quiser.

Mas é bom lembrar que a punição da Fifa não se limitava apenas às contratações. À reboque viriam perda de pontos em campeonatos e até rebaixamento.

O exemplo é o Cruzeiro, que foi punido com o Transfer Ban, não pagou e perdeu seis pontos no Brasileiro da Série B do ano passado, o que dificultou seu retorno à Série A. Já pensaram esse time do Santos com menos seis pontos no Brasileiro deste ano? Seria uma tragédia.

O Santos ficou com 12,5% de uma futura venda de Soteldo. O jogador embarca neste sábado (24) para o Canadá.

A seguir, a nota publicada pelo site do Santos:

Nesta madrugada (24 de abril), o Santos Futebol Clube acertou a venda do atleta Soteldo ao Toronto FC, do Canadá, equipe que disputa a Conferência Leste da Major League Soccer (MLS). Com a transferência, o Peixe conseguiu a liberação do Transfer Ban, imposto pela FIFA justamente pela dívida com o Huachipato, do Chile, pela compra do atacante venezuelano.

O Clube santista repassou sua parte na venda para o time chileno e pagará US$ 500 mil, para saldar o valor total, divididos em parcelas a partir de junho. Além disso, os empresários não receberão comissão por essa venda e o jogador abriu mão de seus pagamentos devidos pela rescisão do contrato. Também ficou acertado que o Santos terá direito a 12,5% de uma venda futura do atleta, caso ele seja transferido em definitivo para algum clube de fora da MLS.

Para o presidente do Santos FC, Andres Rueda, a venda de Soteldo foi importante, por encerrar uma pendência financeira, que impedia o Clube de realizar contratações, o Transfer Ban. “Foi uma proposta que o Huachipato também aceitou e, principalmente, que o atleta queria. Não podíamos segurar o Soteldo, diante desse cenário. Na verdade, o Santos comprou, mas nunca pagou”, disse Rueda.

“Com este Transfer Ban resolvido, abrimos uma janela para podermos considerar a contratações pontuais, dentro da responsabilidade financeira que assumimos no Clube, de atletas para encorpar o elenco, dada a participação em muitas competições de forma simultânea”, destaca o presidente.

Yeferson Soteldo, 23 anos, chegou ao Santos em janeiro de 2019, vindo do Universidad do Chile, e logo se tornou ídolo, sobretudo entre as crianças. Fez seu primeiro gol com a mítica camisa 10 no dia 24 de janeiro, no Paulistão. Até hoje foram 104 partidas pelo Peixe, balançando as redes 20 vezes. “Temos de agradecer ao Soteldo por esse período no Santos, que tanto nos trouxe alegrias e por sua combatividade em campo. Certamente gostaríamos que ficasse mais e fizesse história com a nossa camisa. Desejamos sorte em seu novo clube”, finalizou Rueda.

Soteldo, Santos
Soteldo, Santos Santos
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Renato Gaúcho durou muito no Grêmio; não deveria

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Renato Gaúcho não é mais o técnico do Grêmio. Deixou o comando do time na tarde desta quinta-feira (15), um dia após o clube tricolor gaúcho ter sido eliminado na terceira e última fase pré-grupos da Conmebol Libertadores ao ser derrotado, em sua arena, pelo Independiente del Valle, do Equador, por 2 a 1.

Renato durou demais no Grêmio. Os resultados e o futebol minguaram com o passar do tempo, embora ele sempre dissesse o contrário.

Na verdade, Renato delirava, pois o Grêmio que relatava nas entrevistas coletivas existia apenas em sua cabeça. Dentro de campo, o que se via era um time que sucumbia sempre que cruzava com outros do mesmo patamar. E perdia de maneira humilhante, como aconteceu diante do Flamengo (em 2019) e do Santos (2020), ambos pela Libertadores.

Gustavo Berton dá todos os detalhes da saída de Renato Gaúcho do Grêmio; assista


Por falar nela, o último título importante que o Grêmio de Renato conquistou foi exatamente a Libertadores de 2017. Lá chegou porque um ano antes ganhou a Copa do Brasil.

Depois disso foram três anos de seca. Teve a Recopa Sul-Americana em 2018, é verdade, mas, convenhamos, é um título de dois jogos.

Nesses quatro anos e pouco como treinador gremista, Renato, além de falar muito, cometeu um erro crasso: desprezou o Brasileiro, o segundo torneio mais importante que os times mais importantes do Brasil disputam. Não deveria, mas, é bem verdade, contou com a conivência do presidente tricolor, Romildo Bolzan.

Renato Gaúcho era o técnico mais longevo do futebol brasileiro
Renato Gaúcho era o técnico mais longevo do futebol brasileiro LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

Agora é pensar no futuro, e há dois destinos que gostaríamos de saber neste momento.

1) Quem será o novo treinador do Grêmio?

O cargo é tentador. O clube está saudável financeiramente e tem um dos melhores elencos do futebol brasileiro. Quem não gostaria de assumir a equipe? Só um maluco recusaria. Fala-se em Tiago Nunes, isso em se tratando de treinador brasileiro, mas não se pode fechar os olhos aos estrangeiros.

2) O que Renato Gaúcho vai fazer agora?

Depois dessa quase meia década à frente do Grêmio, ele mudou de patamar com as conquistas da Copa do Brasil e da Libertadores. Ficou milionário; pode-se dar ao luxo de um período sabático e depois ver o que vai fazer da vida, pois os melhores times brasileiros estão com o cargo de treinador preenchido. Renato não pode descer a escada; ele tem que continuar subindo. Por isso, o melhor mesmo, agora, é observar.

Renato Gaúcho sai do Grêmio após mais de 4 anos: relembre frases marcantes do técnico


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Santos: uma singela homenagem ao maior de todos

Fábio Sormani
Fábio Sormani
Arte usada pelo Santos para celebrar seus 109 anos
Arte usada pelo Santos para celebrar seus 109 anos Divulgação/Santos

Se não fosse o Santos, o futebol seria inanimado, pois o Santos não é efêmero, não é fugaz, ele não caduca. O Santos é duradouro, imperecível, por isso ele dá vida ao futebol e o faz interminável.

E se ao futebol pudesse ser feita a pergunta sobre qual o time que melhor o representa, ele diria com todas as letras: Santos Futebol Clube.

Fica aqui a minha singela homenagem a esse que é o maior time de futebol de todos os tempos e que neste 14 de abril de 2021 completa 109 anos.

Sormani reprova atuação do Santos contra o San Lorenzo e questiona improvisações de Ariel Holan: 'Estou preocupado'


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Santos: uma singela homenagem ao maior de todos

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No sufoco, Flamengo é campeão da Supercopa do Brasil

Fábio Sormani
Fábio Sormani

O Flamengo é novamente campeão da Supercopa do Brasil. É bi. Ano passado, na mesma Brasília, venceu no tempo normal o Athlético-PR; neste domingo (11), precisou dos pênaltis para superar o Palmeiras depois de um empate em 2 a 2 durante os 90 minutos mais os acréscimos.

O Palmeiras foi, para mim, uma surpresa. Não esperava que ele oferecesse tanta resistência e ameaçasse o Flamengo. O Flamengo é muito melhor — já disse isso várias vezes.

Mas essa superioridade teórica não se traduziu em futebol bem jogado neste domingo basicamente por dois motivos: 1) Gerson e Éverton Ribeiro jogaram muito mal; 2) Rogério Ceni demorou para mexer no time e, quando o fez, mexeu mal.

Diego Alves brilha, Flamengo bate o Palmeiras nos pênaltis em jogaço e leva a Supercopa do Brasil; assista


Eu não mexeria jamais no Bruno Henrique, um jogador que com uma jogada, umazinha só, pode definir o campeonato. Ah, ele pediu pra sair, pois estava cansado. Ceni deveria ter dado um sabão nele e ter dito: "É decisão. Nós precisamos de você!" Mas Ceni curvou-se ao pedido de Bruno Henrique. Errou também ao tirar o Diego Ribas, que para mim fazia uma grande partida: jogava por ele e pelo Gerson. Quanto a Gerson e Éverton Ribeiro, eles passearam em campo, deveriam ter saído bem antes. Se isso tivesse acontecido, quem sabe esse título não tivesse vindo sem as necessidades dos pênaltis?

Mas foi um grande jogo. Os números comprovam o que os meus olhos me contaram. Foram 35 finalizações dos dois times (18 a 17 para o Palmeiras), duas bolas na trave (ambas do Flamengo), Diego Ribas tirando um gol do Palmeiras em cima da linha e o goleiro Weverton teve que puxar duas bolas que estavam entrando, mostrando uma vez mais por que é o melhor goleiro brasileiro.

Quanto ao Palmeiras, o time é muito combativo, tem ótima intensidade, sabe marcar, mas muitas vezes mostra-se lento com a bola e sem muita imaginação porque dois jogadores do seu meio-campo, Felipe Mello e Zé Rafael, não deveriam estar onde estão. O melhor jogo que o Palmeiras fez na temporada passada — e um dos melhores dos últimos tempos — foi diante do River Plate, na Argentina. O meio-campo tinha Danilo, Gabriel Menino e Patrick de Paula. Os três juntos com Raphael Veiga deixariam Veiga mais solto para se somar aos dois atacantes, Rony e Luiz Adriano (que não jogou neste domingo por conta de ter sido contaminado pelo coronavírus).

Essa formação, para mim, é a ideal para o Palmeiras. Mas eu não sou o técnico.

Grande jogo, repito, mas eu esperava mais do Flamengo. Não imaginei que o time rubro-negro carioca (ou brasileiro por conta do tamanho de sua torcida?) fosse dar tanta chance para o adversário surpreendê-lo. E deu.

Se não fosse o Diego Alves...

Abel Ferreira se revolta e reclama 'forte' após expulsão na final da Supercopa; assista


Melhor em campo

Depois do jogo o uruguaio De Arrascaeta foi eleito o melhor da decisão. Não teria o meu voto, embora o gol que ele marcou tenha sido um gol de craque, que ele não é.

O melhor jogador em campo, para mim, foi Diego Alves. Ele definiu esse título para o Flamengo.

Fez defesas importantes durante a partida e nos pênaltis, quando o Flamengo estava em desvantagem em 1 a 3, defendeu uma penalidade cobrada por Luan (o Palmeiras precisa urgentemente de outro beque para jogar ao lado de Gustavo Gómez) e desestabilizou Danilo, que chutou na trave.

Se o Palmeiras tivesse marcado um desses dois pênaltis, teria sido campeão — mas não foi.

E não foi por causa do Diego Alves. Este sim, para mim, o melhor jogador da final da Supercopa do Brasil.

Ceni elogia 'predestinado' Diego Alves e celebra: 'Mais uma vez, somos campeões'; assista


Comportamento

Concordo com quem disser que Leandro Vuaden não tinha tamanho para apitar essa final. O lógico seria Anderson Daronco, o melhor árbitro brasileiro.

Mas, inacreditavelmente, a CBF elegeu Vuaden o melhor árbitro da temporada passada. Como prêmio, ele apitou a decisão. Foi mal. Não teve critério na aplicação dos cartões e isso irritou os dois times. Abel Ferreira, técnico do Palmeiras, acabou expulso de tanto reclamar.

Aí nós chegamos aonde eu queria chegar...

Vuaden é um árbitro mediano, que não consegue se impor em campo. Mas muito de sua atuação ruim teve a ver com o comportamento dos jogadores e das comissões técnicas. Eles não ajudam — ao contrário, só atrapalharam, pilhando demais um árbitro que claramente não tem estofo para apitar uma decisão envolvendo dois dos times mais badalados do país. Dois times, diga-se, que neste momento formam a maior rivalidade do Brasil.

Filipe Luis passa como quer por Gustavo Gómez, e Gabigol faz; assista


Detalhe...

Vocês repararam que nos dois títulos que o Rogério Ceni conquistou no Flamengo ele não ganhou o jogo final? Foi batido pelo São Paulo na última rodada do Brasileiro do ano passado e empatou com o Palmeiras na decisão desta Supercopa do Brasil.

Diego Alves, do Flamengo, pega pênalti contra o Palmeiras na Supercopa do Brasil 2021
Diego Alves, do Flamengo, pega pênalti contra o Palmeiras na Supercopa do Brasil 2021 Edu Andrade/Gazeta Press
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No sufoco, Flamengo é campeão da Supercopa do Brasil

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Flamengo é muito mais time que o Palmeiras. Alguém ousa discordar?

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Flamengo e Palmeiras vão decidir domingo a Supercopa do Brasil. Todo mundo já sabe do que se trata, mas se você está chegando agora da Mesopotâmia, eu explico: o campeão do Brasileiro (Flamengo) enfrenta o vencedor da Copa do Brasil (Palmeiras) e quem ganhar leva o troféu.

Os dois times são tidos por muitos como os dois melhores do Brasil. Não é verdade: o Flamengo é melhor que o Palmeiras.

O Flamengo está na parte de cima da prateleira; o Palmeiras não está. Como eu disse no Bate Bola Debate desta quinta-feira (8), existe o time do Flamengo, um grande espaçamento e aí aparece o Palmeiras, que pra mim está no mesmo nível de Grêmio e Atlético-MG.


         
     

Sormani detona 'futebol raquítico' do Palmeiras: 'Não está no nível do Flamengo'

Discorda? Então vamos lá...

Dos onze jogadores que compõem uma equipe, eu digo que apenas dois o Palmeiras conseguiria colocar numa suposta seleção entre os times: o goleiro Wéverton (pra mim superior a Alisson, do Liverpool, e Éderson, do City) e o zagueiro Gustavo Gómez. Nas demais posições, só dá jogador do Flamengo.

Wérverton; Isla, Rodrigo Caio, Gustavo Gómez e Felipe Luís; Diego e Gérson; Éverton Ribeiro, Arrascaeta e Bruno Henrique; Gabriel.

Até compreendo alguém argumentar que o Viña é melhor do que o Felipe Luís — o que eu não concordo —, mas de resto, quem do Palmeiras barraria qualquer jogador do Flamengo? Alguém ousa citar outro nome? 

A diferença entre as equipes é grande.

Agora, o Flamengo já ganhou? Claro que não, futebol não é matemática; futebol tem o imponderável.

Um jogo apenas. De repente, o Palmeiras faz um gol, defende-se o resto da partida, sustenta o resultado e é campeão.

Isso é futebol.

Mas que o Flamengo é muito mais time que o Palmeiras, isso é. Assim como a seleção brasileira de 1982 também era mais time que a Itália, mas ficou no meio do caminho e os italianos acabaram campeões mundiais.

Gabigol comemora com Gérson. Dois dos melhores jogadores do do Flamengo
Gabigol comemora com Gérson. Dois dos melhores jogadores do do Flamengo Alexandre Vidal / Flamengo
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A diferença entre CBF e NBA não é só uma sigla, é um país

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Rodada de sexta (2) da NBA. Deem só uma olhada nisso:

Utah 113 x 106 Chicago (Público: 5.546)
Toronto 130 x 77 Golden State (Público: 3.085)
New York 86 x 99 Dallas (Público:  1.981)
Memphis 120 x 108 Minnesota (Público:2.987)
New Orleans 103 x 126 Atlanta (Público: 3.700)
Phoenix 140 x 103 Okhahoma City (Público: 3.422)

Sim, há público em jogos da NBA. Não como era antes, mas já é alguma coisa.

E sabem por que há público nos jogos da NBA? Porque os EUA trocaram de presidente, e a pandemia de COVID-19 passou a ser tratada com responsabilidade, respeitando a ciência e mostrando às pessoas a importância do distanciamento social, do uso da máscara, do álcool em gel e de não se aglomerar. E, claro, vacinação em massa, ritmo galopante.

Top 10 da NBA está recheado de enterradas desmoralizantes; veja


Segundo o site "Our World In Data", 158 milhões de pessoas receberam ao menos uma dose da vacina nos EUA; ou seja, 31% da população. Destas, 58 milhões já foram totalmente vacinadas, o que dá um percentual de 17,7%.

Resultado: o número de infectados caiu dramaticamente.

Os EUA eram o país onde mais se morria por conta do novo coronavírus no mundo. Em janeiro, a média era de 3.422 mortes por dia. Nessa sexta, segundo o The New York Times, morreram 961 pessoas.

Assim, aos poucos, com responsabilidade e uma política sanitária efetiva, a vida começa a voltar à normalidade nos EUA.

No Brasil

Enquanto isso...

Enquanto isso, aqui no Brasil, os números de infectados e de óbitos não param de crescer. O país está mergulhado na maior crise sanitária de sua história. Brasil, é bom deixar claro, que sempre teve tradição de vacinar seu povo e sempre foi referência mundial.

Eram outros tempos.

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Uma obra magnífica que não podemos ver

Hoje, sábado  (3), um dia antes de os cristãos celebrarem a ressurreição de Jesus (domingo de Páscoa), não podemos, por exemplo, visitar o Masp (Museu de Arte de São Paulo) e contemplarmos o impactante quadro Ressurreição de Cristo, pintado por Rafael; Rafael que ao lado de Da Vinci e Michelangelo formam a Santíssima Trindade dos pintores renascentistas. Sim, esse quadro magnífico está aqui, o único do pintor no Brasil e no hemisfério sul, mas não pode ser admirado pelos brasileiros.

Reprodução da obra Ressurreição de Cristo, pintada entre 1499 e 1502, do artista italiano renascentista Rafael
Reprodução da obra Ressurreição de Cristo, pintada entre 1499 e 1502, do artista italiano renascentista Rafael Divulgação/Masp

O Masp está fechado por correta decisão do governo estadual. Temos que ficar em casa, pois estamos perdendo a guerra para o vírus.

Segundo dados do consórcio de veículos de imprensa referentes à sexta-feira 2 de abril, 2.807 pessoas morreram em 24 horas aqui no Brasil, elevando nossa média diária para 3.119 mortes — superamos três mil mortes/dia pelo segundo dia consecutivo. São  328.366 óbitos desde o início da pandemia.

Leio no portal Metrópoles que "o Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde, da Universidade de Washington, projeta que o Brasil atingirá a marca de 562,8 mil mortos pela COVID-19 em 1° de julho deste ano. Os pesquisadores consideram que o número pode ser ainda maior: em um cenário mais crítico, o país se aproximaria dos 600 mil óbitos de infectados pelo novo coronavírus".

O cenário é desolador. Todos temos algum parente e/ou conhecido que nos foram tirados pela COVID-19.

Mesmo num cenário desses, irresponsáveis seguem desafiando a ciência e o vírus. O futebol é um desses casos.

A CBF insiste em manter a Copa do Brasil, com viagens de equipes pelo território nacional, como se nada estivesse acontecendo e fôssemos, por exemplo, o Reino Unido (onde a Inglaterra está inserida), onde ontem morreram apenas DEZ pessoas em 24 horas, o menor número desde setembro do ano passado. Insensível aos nossos números, a entidade garantiu que o Campeonato Brasileiro começa no dia 29 de maio.

Mais viagens pelo Brasil doente, que não para de matar seus filhos.

Campeonatos seguem sendo jogados por aqui, mas ao contrário da NBA e dos principais campeonatos na Europa, os portões dos nossos estádios seguem fechados. Não por decisão dos clubes, federações e da CBF, mas sim por atos responsáveis de prefeitos e/ou governadores, pois estamos num país adoecido e não no Reino Unido.

Hoje teremos o Gre-Nal 430. Poderia haver presença de público, como ocorre na NBA e Europa. 20% da capacidade e teríamos cerca de 12 mil pessoas na Arena do Grêmio na noite deste sábado. E lembre-se que os estádios de futebol não são fechados, o que diminui segundo os médicos o risco de contaminação. Os ginásios da NBA, ao contrário, são fechados. E 20% é o que algumas arenas norte-americanas cedem de assentos para os torcedores.

Mas lá, como vimos anteriormente, já é possível fazer isso, pois o país encarou a pandemia como gente grande. Na NBA, mesmo em ginásios fechados, praticamente inexistem casos de jogadores infectados. A liga testa seus atletas a cada duas semanas e nesse período o resultado dos exames mostra que de dois a três, entre todos os que disputam o campeonato, apresentam resultados positivos.

Aqui no Brasil...

Aqui no Brasil os times são testados, é verdade, mas são surpreendidos com número grande de infectados porque a pandemia segue sem controle. O episódio mais dramático aconteceu com o Marília, que teve 16 casos de infecção pelo coronavírus (entre funcionários e jogadores) depois de o time viajar mais de dois mil quilômetros cortando três estados brasileiros, à procura de um local para  enfrentar o Criciúma pela Copa do Brasil, que a CBF insiste em dar sequência.

Nossos campeonatos parecem circos mambembes. E isso ocorre, como já disse, pela irresponsabilidade de quem deveria ser responsável e saber cuidar de seus filhos.

O Brasil continua doente. Os brasileiros seguem morrendo. E o futebol segue como se vivesse em uma bolha — mas não vive.

Poderia ser diferente se tivéssemos feito a lição de casa. Não fizemos. Não o fizemos porque achávamos que era apenas uma "gripezinha".

Doncic tenta bandeja pelos Mavericks na temporada 2020-21 da NBA
Doncic tenta bandeja pelos Mavericks na temporada 2020-21 da NBA Getty
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Os números de Westbrook, mais Magic, Oscar Robertson e histórias da NBA

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Fala aí, garoto; tudo bem?

Tudo. Posso?

Claro. Sente-se. Toma uma breja comigo? Já tem idade, né?

Sim.

Garçom, mais um copo aqui pro meu amigo, por favor. Viu a rodada de ontem?

Caramba, era disso que eu queria falar. Westbrook fez  outro triple-double: 35 pontos, 14 rebotes e 21 assistências! Nunca vi nada igual. West é f...!

Eu me lembro do Magic fazer isso em 1988 contra o Philadelphia: mais de 30 pontos, 10 rebotes e 20 assistências em uma partida. Foram exatamente 32 pontos, 11 rebotes e 20 assistências. Earvin era demais. Embora Russ tenha sido o terceiro jogador na história da NBA a ter esses números, ele não divide uma mesa de bar com o Magic.

Ah, Magic... Concordo, de outro planeta. Não o vi jogar, mas os livros e as reportagens que leio me transportam àquela época. Showtime!

Eu agradeço a Deus por ter visto o Magic em quadra, mas The Big O eu não vi. Esse eu queria ter visto.

Se você não viu, imagina eu (risos).

Mas aí eu faço como você: deixo-me levar pela história... Sabia que eu tenho em casa um livro autografado por ele? "The Art Of Basketball". Ele escreveu para mim: "Best wishes, Big O". Garoto, emocionante. Quando eu o vi pessoalmente fiquei boquiaberto. Afinal, estava diante de um dos grandes da história da NBA.

Mas me conta como você conseguiu um livro assinado por Oscar Robertson?

[]

Foi no All-Star Game de 2001, em Washington. O lançamento do livro era um dos eventos do evento.

E o livro? É legal?

É didático, ensina como se fazer todos os fundamentos do basquete. A capa é uma foto dele sendo marcado pelo Lou Hudson, usando um fardamento esverdeado do Atlanta.

Jura? Não sabia que o Atlanta chegou a jogar de verde.

Sim, foi no começo dos anos 1970, quando recrutou Pete Maravich. Outro tremendo armador. Do mesmo calibre desses que estamos falando. Pistol Pete. Também não vi jogar, mas vou te contar uma história que eu não sei se você vai acreditar. Eu mesmo não acredito... (Risos). Um amigo meu jura pra mim que tomou um chope com Pete Maravich num bar em Bauru chamado G Petisco. Nem existe mais.

Em Bauru?

Sim, ele me conta essa história, mas, já te disse, acho que é mentira. Ele me falou que foi nessa época, começo dos anos 1970. O Atlanta veio ao Brasil para ser o adversário dos Harlem Globetrotters numa excursão. Meu amigo era um moleque. Tinha acabado de chegar dos EUA depois de um intercâmbio. Inglês fluente. Jogava basquete no Luso, um clube da cidade. Juntaram o útil ao agradável e perguntaram se ele podia ser o intérprete naquela viagem dos Globetrotters a Bauru e ele topou. Mas não sei se é verdade. Ele jura que é, e que no dia que todos chegaram a Bauru, depois da entrevista, apresentações ao prefeito, todos foram ao G Petisco almoçar. E meu amigo me disse que  ficou conversando com Pistol Pete. E tomaram um chopinho juntos.

Caraca, que história!

Sim, se for verdade, uma p... história (risos).

Os caras hoje chamam Stephen Curry de Black Pistol Pete...

Pelos vídeos, há muitas semelhanças entre eles. Habilidade, o jeito de arremessar, pontuação, velocidade... Sabia que o nome do ginásio de basquete de LSU é Pete Maravich? Ele jogou o college por LSU, assim como o Shaq. Eu fui lá em meados dos anos 1990. LSU fica em Baton Rouge, capital da Louisiana. Foi uma das poucas cidades dos EUA que eu não gostei. Sei lá por quê. Talvez porque eu tenha ido lá depois de ter ficado uma semana em New Orleans. Só pode ser isso (risos).

Que viajada que a gente deu, hein? Começamos a falar do triple-double do Westbrook e fomos parar em Baton Rouge (risos).

Pois é, e nem chegamos a falar que The Big O também foi um dos únicos, junto com Magic e West, a anotar um triplo-duplo com mais de 30 pontos, 20 assistências e 10 rebotes. Antes de você chegar eu estava lendo uma matéria no celular que falava sobre isso. Oscar Robertson foi o primeiro a atingir essa façanha. Já nem me lembrava mais. Anotei aqui, no guardanapo... Está aqui: 11 de dezembro de 1961, ele jogava pelo  Cincinnati Royals — hoje Sacramento Kings. Foram 32 pontos, 15 rebotes e 20 assistências! Era apenas o segundo ano dele na NBA.

O cara teve um triple-double de média numa temporada!

Correto, ele era f... Foi na temporada 1961/62: 30.8 pontos, 12.5 rebotes e 11.4 assistências. O primeiro a fazer isso. Westbrook deixou ele pra trás: já teve triplo-duplo de média em três temporadas e nesta caminha para o quarto.

Leio que muita gente não respeita esses números do Westbrook por conta dos turnovers dele.

[]

Não só por isso, mas principalmente porque eles dizem que Russ é um cara que fica correndo atrás apenas das estatísticas em detrimento do time. Chamam ele de “stat chaser”. Mas ele tem mesmo um número alto e TOs. Sem contar a ineficiência nos arremessos de dois, três e nos lances livres. E nunca foi campeão da NBA.

The Big O não era assim?

Imagina, longe disso! Na época dele não se computava os TOs, mas ele era quase que perfeito. Ganhou um título da NBA com o Milwaukee, junto com o Kareem, na época Lew Alcindor, antes de se converter ao islamismo. Fez parte de um time norte-americano que dizem que seria o único a confrontar com o Dream Team.

Jura?

Sim, foi nos Jogos Olímpicos de Roma, em 1960. Eram todos universitários, na época os profissionais não jogavam. Oscar Robertson, Jerry West, Jerry Lucas, Walt Bellamy, Adrian Smith, um p... time. Foram oito jogos e oito vitórias, uma delas contra o Brasil, por 90 a 63. Um ano antes, no Chile, o Brasil tinha sido campeão mundial pela primeira vez. Bateu exatamente os EUA na final e o Wlamir Marques foi eleito o MVP do torneio.

Você acha que aquele time encarava o Dream Team?

Isso fica pra outro dia. Preciso ir embora. Vou ler um pouco. Garçom, a conta, por favor.


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Os números de Westbrook, mais Magic, Oscar Robertson e histórias da NBA

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A impaciência com Billy Donovan e a frustração com o Chicago Bulls

Fábio Sormani
Fábio Sormani

No começo da temporada, mandei e-mail para a NBA e cancelei meu League Pass. Perguntaram o motivo. E eu disse: sou torcedor do Chicago e não aguento mais ver meu time apenas participar do campeonato, não passar de um mero coadjuvante.

Sou Chicago assim como sou Santos. Sou Santos por causa do Pelé; sou Chicago por causa do Michael Jordan. Fui forjado torcedor desses dois times com vitórias espetaculares e títulos inesquecíveis.

Mas vamos nos ater ao basquete.

Começamos a ver NBA no Brasil a partir de meados da década de 1980. O visionário Luciano do Valle foi quem trouxe as primeiras imagens ao vivo da maior liga de basquete do planeta através do Show do Esporte da Rede Bandeirantes. Depois vieram mais jogos: todas as sextas-feira. Eu não saía de casa nas sextas; via tudo.

Jordan estava dando seus primeiro passos na NBA. Mas já se percebia que ele era completamente diferente do que qualquer outro jogador que um dia pisou numa quadra de basquete. E olha que naquela época, desfilavam pela tela da Band jogadores como Magic Johnson, Kareem Abdul-Jabbar e Larry Bird, por exemplo.

Mas MJ era diferente.

Pelo SporTV eu cobri três finais da NBA: contra o Seattle (1996) e Utah (1997 e 1998). Vi Michael Jordan ao vivo em 16 oportunidades — coloque-se aí, também, três All-Star Games e algumas partidas da fase de classificação para os playoffs. E presenciei, ao vivo e pela televisão, incontáveis jogos daquele que para mim foi o maior time da história do basquete.

Arremesso final

Em 98 eu estava no Delta Center (hoje Vivint Smart Home Arena) de Salt Lake City e vi MJ desafiar Bryon Russell nos segundos finais do último jogo do NBA Finals e despejar, depois de um drible desconcertante em seu marcador, a bola que deu ao Bulls seu sexto título da NBA. Que poderia ter sido o oitavo se MJ não tivesse parado com o basquete para brincar de jogar beisebol.

Tenho muitas histórias para contar daquela época — mas isso, se for do interesse de vocês, eu conto outro dia.

Eu dizia que cancelei minha assinatura do League Pass no começo desta temporada porque não aguentava mais ver o tricolor de Illinois ser apenas coadjuvante de campeonatos atrás de campeonatos. Mas ontem, sábado (27), eu reativei meu League Pass!

Fiz a assinatura apenas dos jogos do Bulls; afinal, não sou mais analista de basquete; sou um torcedor. Quero ver apenas o Chicago jogar. Os demais times, quando for o caso, eu assisto aqui na ESPN e em outros lugares.

Reativei minha assinatura porque o Bulls, no último dia de trocas na NBA, adquiriu o pivô montenegrino Nikola Vucevic. 2,11 metros de força defensiva e ofensiva, muita vitalidade, agressividade e inteligência, e que ao lado de Zach LaVine e da promessa Coby White, penso eu, tem tudo para mudar o Bulls de patamar e transformá-lo em um time de playoff — e acabar com essa história de ser apenas um coadjuvante.

21h30 de Brasília e eu, ontem, estava na frente da televisão, ansioso, esperando pela estreia de Vucevic e de um novo Chicago — sabia que era o primeiro jogo do time, mas torcedor é assim, impaciente, quer resultado para ontem. E aos poucos o que era alegria foi se transformando em decepção.

Massacre

O Chicago foi engolido pelo San Antonio: 120 a 104. Pelo San Antonio, um time que não tem nenhum franchise player, composto por jogadores comuns, mas que é organizado e sabe se defender. Protege seu aro sem fazer faltas; ataca o aro adversário com todos pontuando.

Ao contrário do Spurs comandado por Gregg Popovic (ontem atingiu a marca de 1.300 vitórias na carreira juntando-se aos lendários Lenny Wilkens e Don Nelson), um time organizado e que sabe se defender, esse Chicago é uma bagunça, atacando e defendendo.

O adversário quase nunca pega a defesa do Chicago bem postada — por isso pontua com facilidade. O Bulls  sofre em média 114 pontos por jogo e está na 24ª posição no ranking das defesas. Não tem, igualmente, organização ofensiva. Vive das individualidades, especialmente de LaVine. Jogo apertou? Passa a bola pro Zach que ele resolve.

Mas nem sempre isso é possível. Quando pega um time como o San Antonio, ele sofre demais.

Falta de postura defensiva; falta de organização ofensiva.

Claro que o jogador é que joga, é quem está na quadra, mas num esporte tão tático como o basquete, a figura do treinador é importantíssima. Dele e de seus ajudantes. E Billy Donovan, que chegou esta temporada, tem decepcionado até o momento.

Além de não conseguir fazer do Chicago um time, ele também irrita o torcedor quando coloca em quadra um cara limitadíssimo como o Denzel Valentine. Ontem, Donovan deu a Denzel quase seis minutos. Mas a média dele na temporada é de 18 minutos por jogo. Será que a ficha está caindo? Espero.

Eu estava todo entusiasmado, na frente da televisão, esperando pela estreia de Vucevic e pelo começo de um novo Chicago. Mas, como falei, o que era fervor foi se transformando em angústia.

"Calma", disse meu filho, hoje pela manhã em conversa pelo WhasApp. "O time vai melhorar", complementou ele.

Não sei se vai, acho que pode. São duas situações diferentes.

Eu sei que foi apenas o primeiro jogo do montenegrino Vusevic nascido na verdade na Suíça. Sei que ele nem sequer tinha treinado com o time. Mas não é disso que falo: falo de um time desorganizado desde o começo da temporada, cujo treinador me parece perdido.

Um técnico que coloca Denzel Valentine na quadra tem que ser demitido — disse para o meu filho, que prontamente respondeu: "Esse cara é fraco mesmo, mas já ouvi alguns comentaristas elogiando ele". Não é possível alguém elogiar Denzel!

Concordamos nesse ponto (Valentine); e concordamos também que há times com elenco inferior ao Chicago e que fazem muito mais. "O técnico precisa fazer o time jogar", reconheceu meu filho, que jogou basquete até a idade adulta e conhece o jogo como poucos. "Veja o que o Thibs (Tom Thibodeau) está fazendo em NY. O time é limitado. Ele está tirando leite de pedra".

Promessa de torcedor

San Antonio, New York, Charlotte, Utah, Phoenix, Atlanta, Denver. Times ali, do mesmo nível ou inferior ao Chicago, mas que jogam um basquete consistente porque foram forjados pela inteligência e trabalho de seus treinadores e assistentes.

Eu sei, eu sei; é o primeiro ano do Billy Donovan em Chicago, o time está sendo reconstruído e há que se ter paciência e complacência com a equipe e principalmente com o treinador. Mas eu sou torcedor, lembra-se?

Mas tudo bem, vou esperar um pouco mais. Até porque Donovan tem dois títulos do Final Four (06 e 07) com Florida Gators no currículo e ninguém é bicampeão no college à toa.

Vou esperar, eu já disse, mas se esse time não chegar aos playoffs, cancelo novamente minha assinatura do League Pass e mandarei um e-mail para o Jerry Reinsforf (dono da franquia) e pedirei a cabeça de Billy Donovan.

Torcedor é assim, impaciente; quer o resultado para ontem. E escrevo essas mal traçadas linhas, repito, na condição de torcedor. Mas como torcedor também espero não ter que me comunicar com Reinsdorf e nem cancelar novamente meu NBA League Pass.

Go Bulls!

O arremesso final de Michael Jordan diante de Bryon Russell que deu o sexto título ao Chicago Bulls
O arremesso final de Michael Jordan diante de Bryon Russell que deu o sexto título ao Chicago Bulls Reprodução TV
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Uma bolha, e o Santos não precisaria se deslocar até Atibaia

Fábio Sormani
Fábio Sormani

O futebol está parado no estado de São Paulo. Medida corretíssima, diga-se, tomada pelo governador João Doria (PSDB).

O futebol está parado no estado, mas o Santos Futebol Clube, que é de Santos, carro-chefe das cidades da Baixada Santista, está disputando a primeira fase da Conmebol Libertadores. Libertadores que é um torneio internacional e que não está sujeito a decretos baixados por governantes brasileiros.

O Santos tem um calendário a cumprir. Depois de eliminar o Deportivo Lara-VEN, terá pela frente o San Lorenzo-ARG. Serão dois jogos: o primeiro, dia 6 de abril próximo, fora de casa, e o segundo, uma semana depois (13), em local ainda não determinado, pois o futebol, lembre-se, está proibido de ser jogado em São Paulo.

Para complicar ainda mais a situação do clube, o prefeito da cidade, Rogério Santos (PSDB), determinou na última sexta-feira (19) lockdown no município a partir desta segunda-feira (22). Proibiu, entre outras coisas, a realização de qualquer tipo de evento esportivo, inclusive treinamentos. E o Santos foi atingido pela medida, diga-se, corretíssima.

Para driblar esse problema (precisa treinar e se preparar para os dois confrontos contra o San Lorenzo), o Santos pretende se deslocar até Atibaia (cidade do interior paulista) para treinar. Isso a partir desta terça-feira (23).

Teve golaço de Soteldo; veja e relembre como foi Lara 1 x 1 Santos


Precisaria? Claro que não

O confinamento determinado pelo prefeito santista tem como objetivo evitar a circulação de pessoas e o colapso do sistema de saúde da região. Segundo ele, em entrevista à CNN Brasil nesse domingo (21), há duas semanas a ocupação dos leitos das cidades da Baixada era de 44%; atualmente está em 80%.

Todos devem ficar em casa, ele disse. Sair apenas para o necessário.

Não há número estipulado de pessoas para viver em uma casa. Na minha há três, na sua podem ser seis, na do vizinho, dez, 12, 20; sei lá. O objetivo do lockdown é evitar a circulação das pessoas.

O Santos poderia perfeitamente estar em sua casa, o CT Rei Pelé. Não haveria necessidade alguma de se deslocar até Atibaia se o presidente Andrés Rueda tivesse feito uma bolha no CT (nos moldes da NBA na temporada passada).

Ah, mas quando o Santos eliminou o Lara não havia lockdown. Sim, é verdade, mas qualquer pessoa bem informada, atenta ao que vem acontecendo a esse desgraçado país, sabia que mais cedo ou mais tarde lockdowns aconteceriam.

Desta forma, no dia seguinte ao da classificação para o enfrentamento contra o San Lorenzo, os jogadores se apresentariam e seriam testados — bem como os funcionários que possibilitam que o CT viva. E todos seriam imediatamente recolhidos. Ficariam em uma bolha.

Ninguém entra; ninguém sai. Nem jogadores, comissão técnica e funcionários do CT; nem seus familiares.

Haveria, de fato, monitoramento 24 horas por dia — o que não ocorre nos chamados protocolos de federações e da CBF.

Alisson avisou no vestiário o que não poderia acontecer contra o Lara-VEN, pela Libertadores; assista abaixo


Nada a contestar

O prefeito Rogério Santos, evidentemente, nada contestaria, pois os moradores da casa CT Rei Pelé não estariam circulando pela cidade. Estariam confinados, como ele acertadamente quer.

Com isso, a equipe estaria no seu local de treinamento e os jogadores próximos de seus familiares. Sem contato com eles, é verdade, mas próximos. Qualquer emergência, chegariam em casa em dez minutos .

Lá ficariam, treinariam, descansariam; se alimentariam e se divertiriam; e um dia antes do jogo na Argentina, entrariam no ônibus, iriam até Guarulhos e de lá para Buenos Aires.

Mas não: por falta de planejamento, o Santos vai se deslocar até Atibaia e gastar um dinheiro que não tem. Tudo porque não fez o que deveria ter feito: se planejar.

E essa decisão santista, quem sabe, poderia 'contaminar' os demais times e consequentemente o futebol brasileiro, que se estivesse recolhido em uma bolha neste momento poderia estar em ação. O neurocientista Miguel Nicolelis, uma das autoridades mundiais sobre a pandemia da COVID-19, afirmou isso em entrevista ao SporTV: uma bolha, e o futebol brasileiro estaria monitorado de maneira segura.

Simples, não é mesmo?

O problema é que, para algumas pessoas, pensar dói.

Andrés Rueda, presidente do Santos
Andrés Rueda, presidente do Santos Divulgação/Santos

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