Onze campeões, 26 títulos e muito equilíbrio nas oitavas de final da Libertadores

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Seis brasileiros, seis argentinos, dois paraguaios, um equatoriano e um chileno. Os 16 times classificados às oitavas de final da Libertadores da América estão divididos entre cinco países, com amplo domínio de Brasil e Argentina.

O pote 1 tem Atlético Mineiro, Palmeiras, Racing-ARG, Barcelona-EQU, Flamengo, Argentinos Jrs-ARG, Fluminense e Internacional, exatamente a partir da melhor campanha. Já o 2 soma mais títulos de Libertadores (17 x 9) com São Paulo, Boca Juniors-ARG, Vélez Sarsfield-ARG, Cerro Porteño-PAR, Defensa y Justicia-ARG, River Plate-ARG, Universidad Católica-CHI e Olimpia-PAR.  Haverá confrontos pesados.

Dos cinco times que jamais foram campeões, somente dois não possuem ao menos uma final da competição no currículo - Cerro e DyJ, na comparação com Barcelona (vice em 1990 e 98), Universidad Católica (1993) e Fluminense (2008). Os argentinos, ao menos, ganharam recentemente Copa Sul-Americana e Recopa, enquanto os paraguaios nunca passaram de qualquer semifinal continental e amargam o recorde de participações na competição sem título (41). Já entre aqueles que mais jogaram finais de Libertadores, ninguém supera o Boca com 11 (seis títulos), seguido - entre os sobreviventes - por River e Olimpia com sete (quatro conquistas millonarias, três do Decano).

Diferentemente de anos recentes, em que Flamengo e River destoaram dos demais tecnicamente, com times bem superiores, não há uma equipe com esse status. O Galo é fortíssimo e obteve a melhor campanha, com Nacho Fernández e Hulk como destaques. O São Paulo, segundo em seu grupo, priorizou a reta final do Campeonato Paulista em detrimento de alguns jogos na Libertadores e está em clara evolução. O Barcelona, talvez o menos badalado integrante do Pote 1 por não ser brasileiro ou argentino, tem uma ótima equipe e um veterano que desequilibra, Damián Díaz.

Há ainda boas surpresas, como a classificação da Católica do técnico Gus Poyet, uruguaio que estreia na América do Sul após comandar Brighton-ING, Sunderland-ING, AEK-GRE, Betis-ESP, Bordeaux-FRA e Shanghai Shenhua-CHN. Outros menos surpreendentes como o já citado Defensa y Justicia, do sempre-opção-para-os-clubes-brasileiros Sebastián Beccacece. Veteranos de peso também, como Daniel Alves, Fred, Nenê, Roque Santa Cruz, Carlos Tévez e Enzo Pérez (como meio-campista, provavelmente).

O sorteio dos confrontos no mata-mata continental acontece na próxima terça-feira e não possui qualquer trava. Ou seja, times do mesmo país ou que estiveram no mesmo grupo podem se enfrentar. O intervalo até as oitavas de final, porém, será longo. Por aqui, o Campeonato Brasileiro terá início e verá muitos times desfalcados logo nas primeiras rodadas, por causa da disputa da Copa América. Partidas de Libertadores, novamente, apenas em meados de julho.

Até lá, dos pampas gaúchos, passando pelo litoral brasileiro, até a Cordilheira dos Andes, muita coisa ainda pode mudar para estabelecimentos definitivos de favoritos. Afinal de contas, "la Copa se mira y no se toca". Ao menos até vencê-la.

Palmeiras vai defender o título conquistado em 2020
Palmeiras vai defender o título conquistado em 2020 Staff Images/Conmebol

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Com Piqué de centroavante e 54 cruzamentos na área, Barcelona empatou em casa com o Granada

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

No fechamento da quinta rodada de LaLiga, o Barcelona teve uma de suas piores atuações nos últimos anos. No Camp Nou com pouco mais de 27 mil pessoas nas arquibancadas, empatou em 1 a 1 com o Granada em noite heróica de Ronald Araujo.

A rodada teve ainda vitória de virada do Real Madrid sobre o Valencia, que deixou a equipe merengue isolada na liderança de LaLiga. Confira abaixo resumos dos dez jogos - a sexta rodada já começa nesta terça-feira.

Barcelona e Granada empataram em 1 a 1 no Camp Nou, com 27 mil torcedores nas arquibancadas
Barcelona e Granada empataram em 1 a 1 no Camp Nou, com 27 mil torcedores nas arquibancadas Barcelona

Celta 1x2 Cádiz

 

 

Jogo muito bom no Balaídos, que abriu a quinta rodada de LaLiga. Primeira vitória do Cádiz na temporada, e primeira de outras que acontecerão com o mesmo roteiro: muita marcação e bom aproveitamento dos erros adversários. Esse é o Cádiz do técnico Álvaro Cervera, que começou no 4-1-4-1 na fase defensiva e terminou com linha de cinco defensores. Fez 2 a 0 no primeiro tempo com um gol em jogada de bola parada e outro em rebote de um polêmico pênalti marcado - e, na minha avaliação, gol irregular por o lateral Alfonso Espino pisou na linha da grande área, o que configura invasão.

Já o Celta tem um péssimo início de temporada, com quatro derrotas em cinco rodadas. Havia enorme necessidade de somar três pontos na sexta-feira por jogar em casa e contra um adversário que tem como objetivo principal, a permanência em LaLiga - antes perdera para Atlético, Athletic e Real Madrid. Eduardo Coudet viu um time inoperante no primeiro tempo se transformar na segunda etapa, contando também com suas substituições - principalmente Nolito, que entrou muito bem. Diminuiu, criou várias oportunidades, teve 78% de posse de bola, mas parou na trave ou no goleiro argentino Jeremías Ledesma, eleito melhor em campo. 

Rayo Vallecano 3x0 Getafe

 

 

Foi uma tarde de sábado muito especial em Vallecas. Diante de seus torcedores, o Rayo Vallecano venceu o rival regional Getafe por 3 a 0 e comemorou a segunda vitória na temporada. Além disso, a torcida ainda celebrou a tão aguardada estreia de Radamel Falcao García, que saiu do banco aos 26 minutos e marcou aos 36. Já o Getafe permanece sem vencer em LaLiga, ainda carente de José Bordalás e com um trabalho bastante contestável do técnico Míchel.

Em campo a posse de bola ficou totalmente equilibrada, 50% para cada lado, assim como o número de finalizações (11 x 13). O aproveitamento do Rayo, no entanto, foi excepcional com três gols marcados em cinco arremates certos. Aos poucos a equipe do técnico Andoni Iraola vai encorpando e jogando bem. Bebé foi titular, de maneira merecida após as últimas boas atuações; Óscar Trejo mantém o nível alto no meio-campo; Dimitrievski tem sido um goleiro bem seguro; e agora, com a chegada de Falcao, o time ganha mais uma boa opção para o ataque, além do francês Roger Nteka.

Atlético de Madrid 0x0 Athletic

 

 

Diego Simeone mudou o time. Com os desfalques de Thomas Lemar e Koke, Geoffrey Kondogbia e Rodrigo de Paul começaram entre os titulares; além disso, Renan Lodi voltou a ganhar oportunidade na ala esquerda do 3-5-2, que teve Ángel Correa e Antoine Griezmann no ataque. Não funcionou. O Atlético foi apático no ataque e praticamente não criou chances de gol no primeiro tempo, enquanto o Athletic, sempre bem organizado no 4-4-2 de Marcelino García Toral, não correu grandes riscos.

No segundo tempo, cinco mudanças para cada lado e um jogo bem mais aberto. O Atlético aumentou a pressão e passou a tocar melhor a bola no ataque, já com Luis Suárez e Yannick Carrasco em campo, além de Héctor Herrera. Marcos Llorente mandou uma bola na trave, só que o Athletic teve as duas melhores chances da partida: dois gols perdidos por Iñaki Williams e Asier Villalibre. João Félix, que também entrou na segunda etapa, foi expulso e deixou o Atleti com um a menos nos últimos 15 minutos, mas não mudou muito o cenário. Empate sem gols, segundo consecutivo contando a Champions League, e algumas vaias no Wanda Metropolitano.

Elche 1x1 Levante

 

 

Na estreia de Javier Pastore, que entrou no segundo tempo, o Elche não conseguiu vencer o Levante em casa pela quinta rodada de LaLiga. O empate em 1 a 1, no final das contas, é um resultado ruim para as duas equipes, já que o Levante ainda não ganhou e o Elche vinha da primeira vitória na rodada passada. Lucas Pérez marcou pela segunda partida seguida, aos 33 minutos, mas o veterano José Luis Morales deixou tudo igual aos dez do segundo tempo - em uma das seis finalizações certas, que obrigaram Kiko Casilla a trabalhar bastante.

Alavés 0x2 Osasuna

 

 

O Alavés está com uma partida a menos que o Getafe, mas o mesmo aproveitamento na temporada de LaLiga: 0%. O Osasuna, fora de casa, impôs a quarta derrota para a equipe de Vitoria-Gazkeis e subiu para a sétima posição. David García e Roberto Torres, cobrando pênalti, marcaram para o time comandado por Jagoba Arrasate, que teve menor posse de bola (44%), mas arriscou mais a gol (13 x 8 nas finalizações, 5 x 3 no alvo) dentro da proposta de transição - o jogador do Osasuna com o maior número de passes foi o lateral-direito Nacho Vidal, com somente 38.

Mallorca 0x0 Villarreal

 

 

Unai Emery mexeu no time titular do Villarreal, até mesmo pela sequência pesada de jogos desde o final de semana passado. Danjuma foi titular no ataque, Dani Parejo ganhou descanso no meio campo, Francis Coquelin ficou responsável pela saída de bola... E mais uma empate, o quarto em quatro jogos disputados pelo Submarino Amarelo na competição. O Mallorca, de ótima campanha até aqui, se armou no 4-4-2, acertou o gol defendido por Gerónimo Rulli apenas uma vez e saiu de campo satisfeito com o ponto conquistado, contra um adversário tecnicamente superior.

Real Sociedad 0x0 Sevilla

 

 

Pela qualidade das duas equipes, havia bastante expectativa para um bom jogo entre Real Sociedad e Sevilla. No final das contas, o 0 a 0 foi decepcionante, mas não surpreendente. No total, foram 22 finalizações - 11 para cada lado, assim como quatro certas para cada equipe. Sem David Silva, lesionado, Imanol Alguacil optou por armar o time com quatro atacante e a entrada de Alexander Sorloth para atuar ao lado de Alexander Isak, com Portu e Mikel Oyarzabal pelos lados. De qualquer modo, sequência pesada para os espanhóis que também estão nas competições continentais, casos de Real Sociedad e Sevilla.

Betis 2x2 Espanyol

 

 

Um dos jogos mais emocionantes da quinta rodada de LaLiga aconteceu no estádio Benito Villamarín. O Espanyol fez 1 a 0, levou a virada do Betis e buscou o empate aos 52 minutos do segundo tempo. Willian José marcou pela primeira vez pelo Betis, que buscou muito mais o gol do que a equipe de Barcelona: foram 23 finalizações contra apenas nove do Espanyol (mesmo número de finalizações certas do time de Sevilha). Apesar da comemoração no final, o Espanyol ainda não sabe o que é vencer no Campeonato Espanhol. Já o Betis perdeu a oportunidade de vencer pela terceira vez seguida e subir na tabela.

Valencia 1x2 Real Madrid

 

 

Em um dos jogos mais aguardados da rodada, no duelo entre José Bordalás e Carlo Ancelotti, o técnico italiano comemorou muito no final. Virada e vitória emocionante do Real Madrid no Mestalla sobre o Valencia por 2 a 1, que deixou a equipe merengue como líder isolada de LaLiga após cinco rodadas. Para completar, mais uma grande atuação da dupla Viniciuss Júnior e Karim Benzema.

O 4-4-2 foi repetido no Real Madrid, com Federico Valverde e Vinicius pelos lados, Luka Modric e Casemiro por dentro, tendo Eden Hazard como segundo atacante ao lado de Benzema. A rigidez tática do Valencia foi mantida, mas com a força na transição ofensiva apresentada nesta temporada. Hugo Duro colocou os donos da casa à frente aos 21 minutos do segundo tempo e depois o Valencia tentou se defender até o final com todas suas armas. Vinicius marcou aos 41 e Benzema virou aos 43, com assistência do brasileiro.

Barcelona 1x1 Granada

 


 


No sufoco, o Barcelona salvou um ponto em pleno Camp Nou contra um adversário que ainda não venceu em LaLiga. O gol marcado por Ronald Araujo, melhor em campo, garantiu o empate em 1 a 1 com o Granada em noite de muitas críticas a Ronald Koeman, que optou por terminar a partida com Gerard Piqué como centroavante. Foi uma atuação muito ruim do Barça, que piora a imagem do time após o 3 a 0 do Bayern e aumenta as dúvidas sobre a capacidade do treinador.

O Barcelona voltou ao 4-3-3, com os jovens Alejandro Baldé e Yusuf Demir ganhando oportunidades entre os titulares, assim como Philippe Coutinho. Com dois minutos já perdia por 1 a 0, e apenas no final do primeiro tempo reagiu - já com Mingueza na lateral-direita e Sergiño Dest improvisado na esquerda, após a lesão de Baldé. No segundo tempo colocou Luuk de Jong e Riqui Puig em campo, além de Piqué no ataque. No final das contas, em um dos 54 cruzamentos na área, a bola achou a cabeça de Araujo. Único jogador que se salvou em um (mais) dia de absoluta falta de inspiração barcelonista. Em muitos momentos, o Barcelona parecia um catado de jogadores lançando a bola para o ataque.

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Ayrton Lucas prevê enorme dificuldade na Europa League em grupo com Legia Varsóvia, Napoli e Leicester

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

A fase de grupos da Europa League começa nesta quarta-feira com um jogo isolado e bastante pesado no Leste Europeu. O Spartak recebe, em Moscou, o Legia Varsóvia, da Polônia, pela primeira rodada do Grupo C. Em campo, certamente, estará escalado pelo técnico Rui Vitória na equipe russa o lateral brasileiro Ayrton Lucas.

Apesar da tradição de jogadores brasileiros no maior campeão russo, há apenas Ayrton no elenco atual. Desde 2018 no clube, o ex-lateral-esquerdo do Fluminense está muito bem adaptado ao país. Acostumado também aos torneios continentais, tem agora a Europa League pela frente. Antes da estreia, conversou com exclusividade com o blog.

O Spartak Moscou recebe o Legia Varsóvia, nesta quarta-feira (15), em sua estreia na Europa League. A partida terá transmissão ao vivo pela ESPN no Star+. Clique aqui e veja mais informações. 

Ayrton Lucas defende o Spartak Moscou desde 2018
Ayrton Lucas defende o Spartak Moscou desde 2018 Di

O Spartak Moscou está no Grupo C da Europa League, chave complicada com Legia Varsóvia, Leicester e Napoli. Qual é a expectativa do clube diante de tamanha dificuldade?

Sabemos que estamos em um grupo muito forte, mas a gente vem de uma vitória no Campeonato Russo, o que nos dá um um pouco mais de confiança para fazer uma estreia boa na Europa League e ir em busca dessa vitória, que nos daria ainda mais confiança e seria o começo perfeito pra fazer um bom campeonato e quem sabe buscar a classificação.

O que vocês sabem sobre o primeiro adversário, também muito tradicional no Leste Europeu, o Legia?
A gente sabe que é uma equipe forte, só de estar disputando a Europa League já prova que é uma grande equipe e não só nesse primeiro jogo, mas todos os jogos vão ser difíceis. Vamos treinar na terça, um dia antes da partida, então vamos estudar os pontos fortes e fracos deles, o que podemos explorar e com muita concentração vamos buscar colocar isso em campo para buscar a vitória.

Premier League: Manchester City vence o Leicester fora de casa; veja os melhores momentos


         
     


Com a chegada de Rui Vitória, o que mudou na ideia de jogo do Spartak e o dia a dia de treinamentos?

O Rui Vitória é um treinador vitorioso, respeitado e pra mim me ajuda muito pela questão da língua. Não tivemos um começo muito bom de campeonato, mas temos muita confiança nele, estamos vindo de uma vitória e quem sabe daqui pra frente possamos manter essa sequência de bons resultados, para que no final da temporada a gente esteja comemorando títulos.

O Spartak é o maior campeão russo de todos os tempos, com 22 títulos. Há muita pressão para derrubar o Zenit e voltar a ser campeão após cinco anos?
Sim, o Spartak é o maior campeão da Rússia, mas já faz um tempo que não somos campeões. Com certeza pensamos em ser campeões, não começamos bem a temporada, mas ainda está no início e só depende da gente para melhorar e encontrar o caminho das vitórias para brigar pelos títulos, que é o que o Spartak merece. Temos que seguir trabalhando forte, com muita concentração nos jogos e sempre buscando as vitórias para quem sabe acabar com essa sequência do Zenit.

Esta é sua quinta temporada no Spartak. Quais são seus planos para a sequência da carreira?
Já estou há bastante tempo aqui, estou sempre jogando, que é o que todo jogador busca. Esse ano vou ter a chance de disputar a Europa League, nos outros anos joguei apenas a pré, então espero que seja uma temporada muito iluminada, que seja uma das melhores temporadas da minha vida, porque jogar Europa League é o sonho de qualquer pessoa, então é a realização de mais um sonho para mim. Espero terminar essa temporada com um título, vamos muito concentrados para fazer bons campeonatos, pois além da Europa League também tem a Copa da Rússia e o Campeonato Russo, e ser campeão é o que todo atleta quer.

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Real Madrid brilhou na rodada de LaLiga; Valencia é o destaque da temporada

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Valencia goleou e manteve excelente início de temporada
Valencia goleou e manteve excelente início de temporada Valencia

São os três líderes de LaLiga e conquistaram vitórias de maneiras bem distintas na quarta rodada. Com emoção, altos e baixos ou grande desempenho, Real Madrid, Valencia e Atlético de Madrid somaram três pontos e se destacaram no final de semana.

Foi também uma rodada esvaziada pelo adiamento de Villarreal x Alavés e Sevilla x Barcelona, devido ao aumento da Data FIFA, algo que foi muito contestado por LaLiga - que ainda não anunciou quando esses dois jogos acontecerão. Abaixo o resumo das oito partidas que aconteceram.

Levante 1x1 Rayo Vallecano

Se não fosse o gol marcado pelo estreante Sergi Guardiola aos 47 minutos do segundo tempo, falaríamos em uma derrota muito dolorida para o Rayo Vallecano. A equipe de Madrid, mesmo jogando em Valência, dominou o Levante do início ao fim, criando diversas oportunidades de gol. Levou um a zero aos 39 minutos com Roger Martí. Quando sofreu o gol, o Rayo - que ainda não contou com a estreia de Radamel Falcao García - tinha domínio absoluto da partida e já tinha obrigado Aitor Fernández a fazer algumas defesas importantes.

No segundo tempo, ao pressionar pelo empate, acabou oferecendo espaço para o contra-ataque granote, mas mesmom assim foi pouco ameaçado. Terminou a partida com 22 finalizações contra apenas sete do Levante (6x2 no alvo). O francês Roger Nteka mais uma vez foi titular no Rayo como referência ofensiva do 4-2-3-1, que tem Óscar Trejo (eleito melhor jogador em campo) como principal jogador de armação no esquema de Andoni Iraola. 

Rayo Vallecano busca empate no último minuto com o Levante; veja os melhores momentos


         
     

 Athletic 2x0 Mallorca

Os primeiros 45 minutos foram equilibrados, mas desde o início havia uma equipe bem mais objetiva no ataque. Bem ao estilo Marcelino García Toral, com muita velocidade nas transições e pressão sem a bola, o Athletic enfrentou um duro adversário e impôs a primeira derrota do Mallorca na temporada de LaLiga. Grande partida de Iker Muniain, jogando aberto no 4-4-2. No Mallorca, Take Kubo desta vez não teve destaque.

Os bascos melhoraram na segunda etapa quando Nico Williams, irmão do titular Iñaki, entrou aos 18 minutos, assim como Asier Villalibre e Zarraga. A partir daí o Athletic passou a ser superior ao Mallorca e fez o primeiro cinco minutos depois, com Daniel Vivian. O segundo surgiu em recuperação de bola de Muniain no ataque e cruzamento (terceira assistência dele na temporada) para Iñaki Williams. Após 45 rodadas de LaLiga e pela primeira vez desde julho do ano passado, finalmente o Athletic voltou a vencer duas partidas seguidas.

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 Espanyol 1x2 Atlético

Para encaixar Antoine Griezmann no time, Diego Simeone voltou a utilizar uma variação tática da temporada passada. Saiu de cena o 3-5-2 e o 3-4-3 foi utilizado, com o francês formando o trio ofensivo com Ángel Correa e Luis Suárez. Com isso, Thomas Lemar perdeu posição no meio-campo... E o time perdeu a força no setor. O Espanyol se aproveitou disso e fez um bom primeiro tempo, vencendo por 1 a 0 com o gol marcado por Raúl de Tomás aos 40 minutos. Simeone percebeu o que estava acontecendo e decidiu mudar já no intervalo.

Geoffrey Kondogbia, Renan Lodi e Lemar entraram nas vagas de Mario Hermoso, Kieran Trippier e Correa,  alterando a tática para linha de quatro defensores, três meio-campistas e três atacantes. A equipe melhorou e passou a criar mais chances, até empatar com Yannick Carrasco - atacante pela esquerda - aos 34. O tento da vitória foi histórico: aos 54 minutos e 55 segundos, marcado por Lemar, foi o gol de vitória mais tardio na história de LaLiga. O Atlético está mais forte com os reforços, mas precisará de algum tempo para encaixar todas as novas peças.

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 Osasuna 1x4 Valencia

A defesa do Valencia tem funcionado como já imaginávamos, sob o comando de José Bordalás - apenas dois gols sofridos em quatro jogos de LaLiga. Já o ataque tem sido a grata surpresa, com nove gols anotados até aqui, quatro contra o Osasuna neste final de semana. Os dez pontos conquistados deixam a equipe ao lado de Real Madrid e Atlético no topo da tabela. Depois de muitos meses de turbulência no relacionamento entre comissão técnica e diretoria, a calma parece reinar no Mestalla novamente.

Saiu o primeiro gol de Maxi Gómez na temporada, mais duas assistências para Carlos Soler, boa atuação de Gonçalo Guedes, enfim, apenas boas notícias para o Valencia. Omar Alderete, de cabeça, fez o quarto da equipe, seu primeiro com a camisa do Valencia. E o entrosamento dele com Gabriel Paulista na defesa só aumenta, garantindo ao time uma das melhores duplas de zagueiros de toda LaLiga. Na próxima rodada tem Valencia x Real Madrid.

Veja os melhores momentos da vitória do Valencia sobre o Osasuna


         
     

 Cádiz 0x2 Real Sociedad

Após a derrota na estreia para o Barcelona, por 4 a 2, a Real Sociedad venceu todos os três jogos que disputou. Neste domingo, fez 2 a 0 no Cádiz, fora de casa, com dois gols de Mikel Oyarzabal, que já soma quatro na temporada de LaLiga. A única finalização certa do Cádiz em toda partida - amplamente dominada pelos bascos - aconteceu aos quatro minutos, com Álex Fernández, para defesa tranquila de Álex Remiro.

No primeiro terço do jogo, houve equilíbrio, ainda com uma bola na trave mandada pelo Cádiz; depois, principalmente no segundo tempo, o que se viu foi amplo domínio da Real Sociedad, dentro da sua variação tática do 4-3-3 na fase ofensiva e 4-1-4-1 na defensiva - apesar de uma bola na trave mandada pelo Cádiz ainda no primeiro tempo. Oyarzabal e Portu jogaram abertos, com Alexandert Isak na referência e David Silva e Mikel Merino cada vez melhores no jogo pela faixa central, tendo Ander Guevara como meio-campista defensivo. No final das contas, 78% de posse de bola e 16x6 em finalizações. Aos poucos, e distante de lesões, a Real Sociedad vai recuperando o bom futebol apresentado em 2020-21.

Oyarzabal marca doblete, e Real Sociedad bate o Cádiz fora de casa; veja os melhores momentos


         
     

 Real Madrid 5x2 Celta

Jogo de extremos do Real Madrid. A volta ao Santiago Bernabéu, após 560 dias, foi marcada pelos piores 45 minutos merengues na temporada (primeiro tempo), assim como pelos melhores 45 minutos (segundo tempo). Carlo Ancelotti mudou taticamente a equipe, posicionando-a no 4-4-2, com Eden Hazard ao lado de Karim Benzema e Vinicius e Federico Valverde pelos lados na segunda linha. Foi um desastre defensivo, muito bem explorado pelo 4-1-3-2 de Eduardo Coudet, que posicionou sua equipe de maneira muito inteligente em campo, aproveitando as falhas madridistas - principalmente pelo lado esquerdo com Nacho e Miguel Gutiérrez (Alaba foi desfalque e Mendy continua fora).

Após o intervalo, o Real Madrid voltou de maneira mais compacta, diminuindo o enorme espaço que havia entre as linhas e que era bem explorado por Iago Aspas, Santi Mina e companhia. Subiu as linhas, pressionou muito mais e conseguiu o gol de empate logo com um minuto, diante da mudança tática de Coudet, que alterou o Celta para o 4-4-2 com a saída de Renato Tapia e a entrada de Fran Beltrán. Partida sublime de Benzema, que anotou hattrick (não conseguia desde abril de 2019) e soma agora cinco gols e quatro assistências na temporada, participação direta em nove dos 13 gols da equipe. Grande atuação de Vinicius também, com muita confiança, muitos dribles, um gol e um pênalti sofrido. Houve ainda a estreia de Eduardo Camavinga com gol!

Vinicius Jr. faz belo gol, Benzema anota hat-trick, e Real Madrid goleia o Celta; VEJA como foi!


         
     

 Getafe 0x1 Elche

O estreante Lucas Pérez marcou o único gol do jogo, primeira vitória do Elche na temporada. O atacante espanhol entrou na vaga de Lucas Boyé, no segundo tempo, para atuar ao lado de Darío Benedetto no 3-5-2 do técnico Fran Escribá. Já do outro lado, Míchel também armou o Getafe com linha de cinco defensores, mas não teve a mesma sorte - ou, no caso, não possui a mesma qualidade individual para definir os 11 titulares.

Após quatro rodadas, com quatro derrotas, o Getafe tem a pior campanha de LaLiga, ainda com um único gol marcado e cinco sofridos. Contra o Elche, teve maior posse de bola com 56% e finalizou mais vezes ao gol (10x8), mas teve péssima pontaria (somente uma finalização certa). No final do jogo, as primeiras vaias no Coliseum surgiram para o trabalho de Míchel, substituto de José Bordalás - que faz grande campanha com o Valencia, para, indiretamente, aumentar a pressão sobre seu sucessor.

Fora de casa, Elche surpreende Getafe e vence a primeira em LaLiga; Veja os melhores momentos


         
     

 Granada 1x2 Betis

Se mais cedo na segunda-feira o Elche conquistou o primeiro triunfo na temporada, na partida de encerramento da quarta rodada o Betis alcançou o mesmo feito. Após empatar nas duas primeiras partidas com Mallorca e Cádiz e depois perder para o Real Madrid, finalmente os comandados de Manuel Pellegrini venceram a primeira. Com um gol marcado por Sergio Canales aos 44 minutos do segundo tempo!

A notícia ruim para o Betis - que teve maior posse de bola (57%) e mais finalizações (19 x 11) foi a lesão muscular de Bartra, que jogava seus primeiros minutos da temporada, e saiu logo aos 14, substituído por Germán Pezzella - que descansaria após a Data FIFA. O jogo marcou também a estreia de Willian José com a camisa verdiblanca, ao entrar no intervalo na vaga de Borja Iglesias. O Granada, por sua vez, ainda não venceu após quatro jogos, com dois empates e duas derrotas.

Betis vence Granada com gol no fim; veja os melhores momentos


         
     
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Muitos gols e muita história para contar em um clássico armênio

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Ararat e Alashkert se enfrentaram no sábado, pelo Campeonato Armênio
Ararat e Alashkert se enfrentaram no sábado, pelo Campeonato Armênio Ararat Yerevan

Pela sexta rodada do Campeonato Armênio, oficialmente Armenian Premier League, o Ararat Yerevan recebeu o Alashkert, no sábado, e venceu por 3 a 2. Foi a quinta vitória da equipe na temporada, e que manteve o rival ainda sem somar três pontos, mas com duas partidas a menos. Muito além do futebol, vale conhecer um pouco mais sobre a história da dos dois clubes e, consequentemente, compreender melhor a formação da própria nação.

O Alashkert tem história única e ligada à geopolítica da região. O clube foi fundado em 1990 na cidade de Martuni, na província armênia de Gegharkunik. Seus fundadores foram descendentes de refugiados do Genocídio Armênio, cometido pelo Império Otomano durante a Primeira Guerra Mundial, que viviam na cidade de Eleskirt, à leste do território turco. O nome do clube tem origem na cidade turca de onde partiram seus fundadores.

O Genocídio Armênio é motivo de disputa internacional entre Turquia e Armênia. Atualmente, 33 países, entre eles o Brasil, reconhecem a morte de cerca de 1,5 milhão de armênios como um genocídio. O Governo Turco, herdeiro histórico e cultural dos otomanos, permanece com a alegação de deportação em um período de guerra. Os relatos de mortes, estupros e assassinatos em massa de homens, mulheres e crianças são aterrorizantes e podem ser encontrados em pesquisas um pouco mais aprofundadas sobre o tema. Há gerações de armênios espalhadas pelo mundo, em variados países, por conta dos conflitos no início do século passado.

Na década de 1990 o Alashkert chegou a fechar as portas, mas a partir da chegada do empresário Bagrat Navoyan, em 2011, e a mudança para a capital Yerevan, dois anos depois, o clube mudou de tamanho. Foram quatro campeonatos nacionais conquistados, incluindo a temporada passada, além de uma Copa. O investimento possibilitou também a contratação de jogadores estrangeiros como o lateral-direito brasileiro Tiago Cametá, ex-Ceará, que defende o clube desde o ano passado e foi titular contra o Ararat Yerevan.

Os clubes da capital dominam o futebol armênio, ao todo sete das dez equipes da primeira divisão - disputada em quatro turnos, com 36 rodadas - são de Yerevan. Historicamente, o Shirak, de Gyumri, segunda maior cidade do país, sempre competiu com o Pyunik pela soberania. No entanto, seu último título foi em 2012-13. De lá para cá, apenas representantes de Yerevan foram campeões.

Monte Ararat visto a partir de Yerevan
Monte Ararat visto a partir de Yerevan Serouj Ourishian

Se Alashkert remete à história da Armênia, Ararat é outro termo importante para o país e que nomeia, além do Ararat Yerevan (fundado em 1935), também o Ararat-Armenia - líder do campeonato com 100% de aproveitamento após seis rodadas e bem mais novo (2017). A referência é, na verdade, gerográfica, já que o Monte Ararat é um vulcão composto e inativo, localizado na fronteira de Turquia e Armênia. Há referências bíblicas à região que tratam o local como último paradeiro da Arca de Noé e também descrito como "montanhas de Ararat", em Gênesis 8:4. Trata-se do principal símbolo da Armênia, presente também no brasão de armas do país. Historiadores armênios entendem que o significado de "Ararat" seja "terra da criação".

Em campo, no estádio Republicano Vazgen Sargsyan ainda sem torcida, o atacante bósnio Aleksandar Glisic abriu o placar do clássico para o Alashkert aos 29 minutos, de cabeça. No ataque seguinte, porém, o marfinense Serge Deblé empatou com um lindo chute na entrada da área e virou para o Ararat aos 44. Sua expulsão aos 25 minutos da segunda etapa aumentou a emoção da partida, que era dominada pelo Alashkert em busca do empate. As esperanças sumiram seis minutos depois, quando outro marfinense, Dognimani Silué, fez o terceiro para os donos da casa. O português José Embaló ainda descontou nos acréscimos e definiu o placar em 3 a 2, cobrando pênalti.

O título armênio em 2020-21 colocou o Alashkert na primeira fase qualificatória da Champions League, onde a equipe empatou na ida com o Connah's Quay Nomads, no País de Gales, em 2 a 2, e depois garantiu a classificação na volta ao vencer, na prorrogação, por 1 a 0. A segunda fase foi mais dura, e o clube acabou eliminado pela sensação Sheriff Tiraspol, que avançou até a fase de grupos da Champions. Enviado então para a terceira fase qualificatória da Europa League, o Alashkert surpreendeu o Kairat, do Cazaquistão e de Vágner Love, com uma vitória por 3 a 2 em casa e na prorrogação, na volta após empate em 0 a 0. Nos playoffs, bateu na trave: derrota por 1 a 0 para o poderoso Rangers, na Escócia, e depois empate sem gols na Armênia. A histórica campanha, de qualquer modo, garantiu vaga na fase de grupos da Conference League, onde enfrentará Maccabi Tel Aviv-ISR (já nesta quinta-feira), LASK-AUT e HJK-FIN.

Apesar das melhores condições financeiras, a estrutura do Alashkert é muito simples, bem distante, por exemplo, de clubes médios brasileiros. Foi o que relatou ao blog, em entrevista no ano passado, o lateral-esquerdo Bryan, ex-Ponte Preta e América-MG, que passou pelo time na última temporada e atualmente defende o Atyrau, do Cazaquistão. "A estrutura é muito abaixo. O presidente é aquele cara que diz que a preocupação dele é pagar e você tem que jogar. Ou seja, não se preocupa com coisas básicas, mas que fazem diferença. Houve um amistoso em um dia muito quente, e pedimos para molhar o campo para a bola rolar mais, já que nosso time tem mais qualidade que os adversários. Ele nos disse que não molharia, porque ia estragar a grama. Quando acabou o amistoso, ele ligou a irrigação", lembra Bryan. "A qualidade do jogo é bem inferior ao Brasil. Penso que se os times daqui jogassem a Série C, passariam dificuldade. A diferença é muito grande".

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Muitos gols e muita história para contar em um clássico armênio

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LaLiga volta com novidades na luta pelo título e atrações no escalão de baixo

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Tanta coisa aconteceu de 31 de agosto para cá, que muita gente já nem se lembra da insanidade que foi o fechamento do mercado nas principais ligas da Europa. Em LaLiga não foi diferente, e o retorno da competição neste final de semana com TODOS os jogos AO VIVO pela ESPN no Star+ traz novidades na disputa pelo título e nos outros escalões da tabela.

O retorno de Antoine Griezmann ao Atlético de Madrid, logicamente, é a principal delas. Emprestado pelo Barcelona, com opção de compra estabelecida em 40 milhões de euros (), o atacante francês está de volta após apenas duas temporadas completas na Catalunha. Acima de tudo, retorna pela necessidade que o Barça tem de reduzir a folha salarial e o desejo de Diego Simeone em contar novamente com ele.

Griezmann treina pela 1ª vez no Atlético de Madrid após a volta; assista

Atual campeão, o Atlético já era o favorito ao título pela manutenção do elenco. Com o reforço de Rodrigo de Paul, melhorou consideravelmente seu meio-campo e a profundidade do plantel. Agora com Griezmann, dá ao treinador argentino mais força ofensiva com um dos melhores jogadores do Campeonato Espanhol. Apesar de não ter se tornado um protagonista culé, o francês estava jogando bem e era titular com Ronald Koeman - no total, foram 102 jogos pelo Barcelona, com 35 gols e 17 assistências.

Luis Suárez, Ángel Correa, João Félix e Antoine Griezmann são excelentes opções para o ataque, além do brasileiro Matheus Cunha, confirmado como reforço no dia 25 e que já atuou. A baixa colchonera foi Saúl, negociado com o Chelsea, mas o meio-campista estava insatisfeito pela forma como estava sendo utilizado no Atleti, muitas vezes como ala.

Griezmann jogará ao lado de Luis Suárez no Atlético de Madrid
Griezmann jogará ao lado de Luis Suárez no Atlético de Madrid Atleti

Dividindo o favoritismo com o Atlético aparece o Real Madrid, de Carlo Ancelotti. Duzentos milhões de euros foram oferecidos ao Paris Saint-Germain por Kylian Mbapppé, mas a equipe francesa optou por recusar e permanecer com o atacante em seu último ano de contrato. A partir de janeiro, Mbappé já pode assinar com qualquer clube do mundo, caso queira, e a expectativa é ele se tornar jogador do Real Madrid a partir da temporada 2022-23. 

No fechamento do mercado, de qualquer modo, o clube da capital buscou uma promessa para seu meio-campo. O jovem Eduardo Camavinga, de apenas 18 anos e que era desejado pelo PSG, assinou com os merengues até junho de 2027. Meio-campista de enorme talento, estava em último ano de contrato com o Rennes e custou 30 milhões de euros, além de outros possíveis 15 milhões em bônus. Chega para rejuvenescer o setor ao lado de Federico Valverde e garantir substitutos para o experientes Luka Modric e Toni Kroos. Outra atração merengue será o retorno ao Santiago Bernabéu, já neste final de semana, após 560 dias - obras ainda acontecem.

Camavinga não chega para ser titular no Real Madrid
Camavinga não chega para ser titular no Real Madrid Real Madrid

Quem tem muito a lamentar é o torcedor do Barcelona. Afinal de contas, foi o pior verão do clube em mercados de transferências em todos os tempos. Apenas pela saída de Lionel Messi, pela forma como aconteceu, já garantiria essa condição. Só que a degradante situação financeira do clube, desesperado em cortar gastos e reduzir a folha salarial, fez com que Griezmann fosse negociado por valor muito abaixo do que custou há três anos (120 milhões de euros), o talentoso Ilaix Moriba deixasse o Barça rumo ao RB Leipzig-ALE, Emerson mal conhecesse sua casa na Catalunha e o reforço do dia 31 fosse Luuk de Jong. Houve ainda a saída de Miralem Pjanic para o Besiktas-TUR, já no último dia 2, e a permanência de Samuel Umtiti, praticamente contra a vontade dos dirigentes.

De qualquer modo, o clube não diminuiu de tamanho. Muitos confundem a trágica situação gerada pelas administrações anteriores com um apequenamento do Barcelona, que simplesmente não existe. Mesmo com tudo que está acontecendo, o time é competitivo com o treinador holandês e tem em Memphis Depay um candidato a estrela de LaLiga. Sem ignorar o talento jovem presente em Pedri, Frenkie de Jong, Ronald Araújo e Eric García. Há enorme necessidade de bom rendimento de Philippe Coutinho e Ousmane Dembélé para que o time renda e evolua - sem falar na plena recuperação de Ansu Fati.

Luuk de Jong deixou o Sevilla e agora defenderá o Barcelona
Luuk de Jong deixou o Sevilla e agora defenderá o Barcelona Barcelona

Além dos três favoritos (mais o Sevilla, que conseguiu segurar Jules Koundé), LaLiga terá atrações nos outros escalões. 

Radamel Falcao García, aos 35 anos, está de volta ao Campeonato Espanhol. Após deixar o Galatasaray, o atacante colombiano acertou com o Rayo Vallecano, do técnico Andoni Iraola. Héctor Bellerín, lateral da seleção espanhola, foi emprestado pelo Arsenal ao Betis - aqui é um caso curioso, porque muitos imaginam que Bellerín seja um veterano, mas está com apenas 26 anos. A chegada do norte-americano Matthew Hoppe gera expectativa no Mallorca, pelo talento do jovem de 20 anos. Até mesmo Javier Pastore, que há muito tempo não consegue jogar em alto nível, gera curiosidade pelo acerto com o, cada vez mais argentino, Elche, assim como Shkodran Mustafi, campeão do mundo em 2014, com o Levante.

A quarta rodada de LaLiga começa neste sábado com Levante x Rayo Vallecano e Athletic x Mallorca. Já o domingo reserva Espanyol x Atlético de Madrid, Osasuna x Valencia, Cádiz x Real Sociedad e Real Madrid x Celta. Por fim, na segunda, Getafe x Elche e Granada x Betis. Duas partidas foram adiadas por LaLiga, que recorreu ao Conselho Superior do Esporte (CSD) da Espanha, pelo aumento da Data Fifa. Barça e Villarreal entram em campo na terça-feira (14) pela Champions League contra, respectivamente, Bayern de Munique e Atalanta.

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10 transferências alternativas que merecem destaque no fechamento do mercado

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Após este maluco 31 de agosto de 2021, o mercado de transferências nas principais ligas europeias está fechado até a metade da temporada. Alguns países, como a Rússia, mantém datas diferentes dos demais, mas nas cincos grandes ligas o assunto está encerrado até janeiro. Bem além do retorno de Antoine Griezmann ao Atlético de Madrid, a contratação de Saúl pelo Chelsea ou a chegada de Eduardo Camavinga ao Real Madrid nas últimas horas, houve centenas de outras transferências concretizadas.

Muitas também merecem destaque, apesar de não movimentarem necessariamente dezenas de milhões de euros ou envolverem clubes gigantes do continente. Uma, por exemplo, ainda nem aconteceu: Radamel Falcao García acertou a rescisão com o Galatasaray neste 31/ago e deve ser anunciado pelo Rayo Vallecano nesta quarta-feira. Enquanto o atacante colombiano não oficializa o retorno à Espanha, fiquem com dez transferências alternativas deste último dia de mercado europeu para observarmos na temporada.

Nikola Vlasic: CSKA Moscou - West Ham

Vlasic é agora jogador do West Ham
Vlasic é agora jogador do West Ham West Ham

Foram 30 milhões de euros pagos pelo West Ham ao CSKA Moscou pelo ótimo meia-atacante Nikola Vlasic. Desde 2019 no clube russo, o jogador croata de apenas 23 anos teve uma passagem apagada pela Premier League, quando foi contratado pelo Everton em 2017. Retorna à Inglaterra mais maduro e após boas temporadas de futebol russo. Contrato de cinco anos, com opção de mais um assinado por ele com o West Ham - que ainda levou o meio-campista tcheco Alex Král, do Spartak Moscou.

Matthew Hoppe: Schalke - Mallorca

Apenas 20 anos, bastante talento e boas atuações na Alemanha. Schalke e Mallorca não divulgaram os valores do acordo, mas o clube espanhol acertou por quatro anos com um jogador bastante promissor. Na temporada passada, ele se tornou o primeiro norte-americano a marcar um hattrick na Bundesliga: foi na goleada por 4 a 0 sobre o Hoffenheim, em 9 de janeiro, que encerrou a série de 30 jogos sem vitória do Schalke na primeira divisão alemã. Chega para um bom time do Mallorca em LaLiga.

Odsonne Édouard: Celtic - Crystal Palace

O negócio final, entre Celtic e Crystal Palace, pode chegar a 21,5 milhões de euros com os bônus pelo bom atacante francês Odsonne Édouard. Quatro anos de contrato, com opção para mais um, para o atacante de 23 anos, formado na base do PSG que se cansou de marcar gols nas últimas temporadas escocesas - 77 em 150 jogos pelos Bhoys. Centroavante de boa técnica, que se movimenta abrindo os espaços para os companheiros. Terá a chance de se provar na Premier League.

Carlos Vinícius: Benfica - PSV

Após disputar a última temporada pelo Tottenham, emprestado pelo Benfica, Carlos Vinícius agora encara outro empréstimo, desta vez de dois anos, e vai defender o PSV. Foram 22 jogos e dez gols marcados na Inglaterra, agora na Holanda o atacante de 26 anos tem tudo para reencontrar o bom futebol apresentado em Portugal. O PSV, comandado por Roger Schmidt, tem pretensões altas na temporada e é uma equipe forte o suficiente para conquistar a Eredivisie e também sonhar na Europa League.

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Héctor Bellerín: Arsenal - Betis

Héctor Bellerín está com apenas 26 anos e defendia o time principal do Arsenal desde 2013. A mudança de ares, através do empréstimo de uma temporada, deve lhe fazer bem, até porque a situação no Emirates Stadium não anda muito tranquila... Antes de chegar aos Gunners, ainda adolescente, era atleta da base do Barcelona. Jogará profissionalmente pela primeira vez por um time espanhol - que está bem montado pelo Manuel Pellegrini e deve fazer boa temporada de LaLiga.

Mattia Zaccagni: Verona - Lazio

A transferência de Mattia Zaccagni do Verona para a Lazio por somente 7 milhões de euros, além de bônus que podem variar de 2 a 3 milhões a mais, tem tudo para ser uma das barganhas do mercado. O jogador de 26 anos pode atuar como trequartista ou mesmo aberto pelo lado, oferecendo mais opções ofensivas ao técnico Maurizio Sarri, após a saída de Joaquin Correa para a Inter. Também pela idade, não deve ter dificuldades para se adaptar ao novo clube e vai oferecer ajuda imediata.

Reiss Nelson: Arsenal - Feyenoord

Este será o segundo empréstimo de Reiss Nelson, de apenas 21 anos, desde que subiu para os profissionais do Arsenal em 2017. Em 2018-19 jogou pelo Hoffenheim e teve bom desempenho na Bundesliga, além de ter feito parte da seleção inglesa na base de 2014 até este ano. Vai jogar pelo Feyenoord a Eredivisie, uma liga extremamente voltada para a formação do jovem talento. Por isso a expectativa é de evolução para Nelson, ou ao menos é o que espera o Arsenal.

Lembrando que você, fã de esporte, acompanha Premier League, LaLiga, Campeonato Francês, Italiano, Holandês e Português após a Data Fifa e com todos os jogos disponíveis AO VIVO pela ESPN no Star+.

Dennis Praet: Leicester - Torino

O meio-campista belga viveu bons momentos com a camisa do Leicester, mas acabou perdendo espaço na equipe pela ascenção de outros jogadores como Youri Tielemans. Está com 27 anos e retorna ao futebol italiano, onde defendeu a Sampdoria, emprestado pelos ingleses por uma temporada e opção de compra estabelecida em 15 milhões de euros. Praet não chega em um time com grandes aspirações na Serie A, mas confiante em conseguir boas sequências na equipe.

Juan Ignacio Ramírez: Liverpool-URU - Saint-Étienne

Nas últimas duas temporadas, sempre que pesquisávamos sobre os jogadores que mais marcaram gols no futebol uruguaio o nome de Juan Ignacio Ramírez aparecia. Foram 84 em 166 jogos pelo Liverpool, que renderam várias convocações para as seleções de base do país. Ainda não teve oportunidade na Celeste Olímpica, mas muitos gols anotados na Ligue 1 podem chamar a atenção de Óscar Tabárez. Chega emprestado por uma temporada, para confirmar as expectativas.

Will Grigg: Sunderland - Rotherham

Já começou a cantar? A contratação de Will Grigg pelo Rotherham, da terceira divisão, assim como o Sunderland, ficou para o final da lista com o objetivo de deixar a música do atacante norte-irlandês na cabeça de todos vocês por algumas horas. Desde que deixou o Wigan, em 2019, o jogador marcou apenas 16 gols, oito pelo Sunderland e oito pelo Milton Keynes Dons, emprestado na temporada 2020-21. Enfrentará os dois clubes pelo Rotherham na dura briga pelo acesso à Championship.

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Um conto fantástico de transferência em 31 de agosto: a incrível história de um brasileiro que recusou o Real Madrid

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Trinta e um de agosto é um dia extremamente importante no calendário do futebol europeu. Não por qualquer jogo de futebol, mas pela loucura que acontece nas últimas 24 horas de negociações no mercado de transferências do continente. Negócios são fechados a poucos segundos do horário final, contratações bombásticas se concretizam e a imprensa esportiva trata o dia de maneira especial, com coberturas on-line de tudo que está acontecendo. Naturalmente há grandes histórias, e uma delas envolve um ex-jogador brasileiro que negou o Liverpool e estava certo com o Real Madrid, mas acabou dizendo "não" ao gigante espanhol e sendo contratado pelo Benfica dentro de uma sala de aeroporto

Guilherme Siqueira, natural de Florianópolis, teve carreira de destaque no futebol europeu. Revelado pelo Figueirense, jamais atuou profissionalmente no Brasil, onde passou também pela base do Avaí, já contratado pela Inter de Milão. De Milão se mudou para Roma, envolvido em um negócio com a Lazio. Só disputou a primeira partida na Europa, porém, quando estava na Udinese, em 2006. Chegou a passar pelo Ancona, na segunda divisão italiana, até ser contratado pelo Granada em 2010 e, a partir daí, apenas evoluiu. E é justamente a história sobre a saída dele do pequeno clube espanhol que merece ser contada.

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O sucesso na Espanha

Foram três temporadas em alto nível no Granada, subindo da segunda divisão espanhola para LaLiga. Guilherme disputou 108 jogos pela equipe e ainda marcou 13 gols, contando campeonatos e copas. Sempre demonstrou muita qualidade na fase ofensiva, era um jogador extremamente técnico - com o selo de qualidade do futebol brasileiro, apesar da formação praticamente europeia. As boas atuações despertaram interesse de grandes clubes não apenas da Espanha, mas de todo continente. Seus empresários, Álvaro Torres e Loren del Pino, passaram a receber chamadas de equipes importantes, e uma delas foi o Liverpool.

Durante a pré-temporada para 2013-2014, o Granada optou por deixar Guilherme treinando à parte, justamente para evitar qualquer risco de lesão. O clube, presidido então por Enrique Pina Campuzano, pretendia negociar o brasileiro de qualquer modo. O interesse oficial do Liverpool surgiu muitos dias antes do fechamento do mercado, para concluir a negociação de maneira tranquila. Só que a cabeça de Guilherme Siqueira já estava em outro lugar: nesse mesmo período, o Real Madrid iniciou contatos. 

Guilherme Siqueira defendeu o Granada entre 2010 e 2013
Guilherme Siqueira defendeu o Granada entre 2010 e 2013 Granada

Apenas vivendo na Espanha para se dimensionar, efetivamente, o tamanho gigantesco que o Real Madrid tem no país. Guilherme já sentia diretamente aquilo. "Eu estava no Brasil de férias. O meu empresário me ligou para falar que o Real Madrid tinha entrado em contato com ele. O Marcelo era o titular e o Fábio Coentrão iria sair, eu era a primeira opção caso o Coentrão saísse. Claro que eu nem acreditei! Poxa, que bacana, o Real Madrid me queria! Mas eles falaram desde o início que seria uma operação complicada para liberar o Coentrão, porque ele tinha sido comprado por 30 milhões de euros", contou Guilherme Siqueira ao blog.

Terminadas as férias na capital catarinense e já de volta à Espanha, com sondagens do Valencia também, chegou a proposta do Liverpool. "Eu voltei na primeira semana de julho e o mercado só terminava no final de agosto. Fui para a pré-temporada já sabendo dessa situação, e que o presidente do Granada pretendia levar até o final para ter boa margem de negociação. Sabia também do risco de o negócio com o  Coentrão não dar certo e que eu iria somente se acontecesse. Fiz a pré-temporada toda cuidando muito da minha parte física, mas sem disputar amistosos, sem contato com bola para não sofrer uma lesão", seguiu. 

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"Foi quando recebi a proposta do Liverpool. Os diretores ingleses viajaram até à Espanha, se reuniram com o presidente do Granada, com meu representante e eu tive que recusar, porque queria esperar o Real Madrid. Recusei com a proposta na mesa para assinar. Foi uma decisão difícil, meus representantes passavam os prós e os contras de cada situação. Na prática era uma situação certa e outra incerta e eu tinha que tomar a decisão. Conversei com meu pai e com a minha mãe, com toda minha família, e acabei recusando o Liverpool para esperar o Real Madrid", detalhou Guilherme. Quem acredita que esse seja o ápice da história, não sabe o que é um 31 de agosto na Europa.

As negociações com o Real Madrid

A partir daí o foco ficou no Real Madrid e também no início de LaLiga, ainda pelo Granada. A essa altura, Jorge Mendes, poderoso empresário português e que cuidava da carreira de Fábio Coentrão, já estava em contato com Álvaro Torres. Os negócios - a saída do português e a chegada do brasileiro no Santiago Bernabéu - estavam totalmente conectados. E os dois jogadores estavam cientes do que acontecia. Faltando cinco dias para o encerramento do mercado, Granada e Real Madrid se enfrentaram pela segunda rodada do Campeonato Espanhol em 26 de agosto de 2013. Coentrão e Guilherme não tinham atuado nas estreias de suas equipes, contra Betis e Osasuna, respectivamente, e seguiam afastados, mas o brasileiro foi ao estádio Nuevo Los Cármenes para acompanhar o duelo contra os merengues. 

"Como eu não fiz treinos com bola na pré-temporada, presidente e treinador estavam com medo que eu me lesionasse e inviabilizasse a venda. Fui assistir ao jogo e no estádio conversei com o Marcelo sobre toda a negociação. O Cristiano Ronaldo foi falar comigo e me perguntou quando eu chegaria! Foi engraçado, falei que estava à espera do que aconteceria com o Fábio. Aquele dia foi bacana", lembrou o ex-lateral. Um personagem importante em toda essa história ainda não foi citado. Durante a temporada 2012-2013, representantes do Benfica foram assistir Guilherme Siqueira algumas vezes em Granada também e analisavam a movimentação do brasileiro no mercado. 

Um episódio marcante começou a dar novos rumos para o destino do lateral. Em coletiva de imprensa, o técnico do Real Madrid, Carlo Ancelotti, questionado se o elenco ganharia reforços, foi enfático ao responder que contava com todos os jogadores para a temporada e que o plantel estava fechado, ninguém chegaria ou sairia. Guilherme assistia à coletiva ao vivo e, imediatamente, ligou para seu empresário. Do outro lado da linha, ouviu palavras de conforto, lembrando que no futebol as coisas podem mudar radicalmente rápido demais e que muitas vezes nem sempre o que é dito para a imprensa corresponde à verdade. Quando o dia 31 chegou, no entanto, Guilherme não tinha qualquer proposta. Absolutamente nada.

Guilherme acordou ansioso. Afinal, não pretendia mais seguir no Granada, tinha recusado o Liverpool e não permitiu que uma nova investida do Valencia avançasse. Tudo pelo Real Madrid, mas àquela altura não havia mais negociações com o clube da capital. Eram 11 horas da manhã e o jogador decidiu ligar para o presidente do Granada. 

"Liguei para desabafar, discuti com ele, foi uma loucura, e ele não tinha culpa de muita coisa. Eu estava tão louco nesse momento que cheguei a falar para renovar meu contrato então, por mais um ano." A ligação seguinte foi para Álvaro Torres, e a informação que surgiu o pegou de surpresa: "Gui, estou conversando com o Benfica." Se no café da manhã não havia propostas para Guilherme Siqueira, na hora do almoço o maior campeão português se tornava opção para empréstimo de uma temporada.

Fábio Coentrão foi contratado pelo Real Madrid em julho de 2011
Fábio Coentrão foi contratado pelo Real Madrid em julho de 2011 Real Madrid

Reviravolta total

Parecia que tudo estava novamente no caminho certo. Guilherme conversou com amigos do Granada que conheciam o Benfica, casos do português Carlos Martins e do goleiro Júlio César, atualmente no Grêmio. "Não pensei duas vezes e falei para o Álvaro tocar o negócio", recorda-se. O fuso-horário passa a ganhar importância na história, já que Portugal está uma hora atrás da Espanha. As negociações avançaram super-rápido e Guilherme acertou um bom salário com o Benfica, assim como o Granada o valor do empréstimo, com opção de compra após um ano. O brasileiro preparou uma mala pequena, já que voltaria a Granada no dia seguinte para acertar toda mudança, e seguiu para o aeroporto, onde um avião fretado pelo clube espanhol o esperava. Já passava de meio-dia em território espanhol. A tensão a partir daqui começa a aumentar.

Já na pista, prestes a embarcar, o celular de Guilherme Siqueira toca. No outro lado da linha era Enrique Pina Campuzano, presidente do Granada. "Ele me liga e pergunta onde eu estava. Como assim, onde estou? No aeroporto, embarcando para Lisboa", respondeu quase em tom de indignação. Só não estava preparado para o que ouviria do presidente. "Ele me avisou que, chegando em Lisboa, como o avião era privado, eu teria uma sala à disposição no desembarque. Mandou que eu ficasse nessa sala e não saísse de lá. Não deveria atender qualquer ligação com prefixo +351, de Portugal, e muito menos falar com a imprensa que me esperava no saguão. E desligou o telefone na minha cara." Ainda sem entender o que estava acontecendo, Guilherme ligou novamente para Álvaro. Ao atender, o empresário foi direto ao assunto: o Real Madrid tinha voltado para o jogo.

Ainda atordoado com tudo que acontecia, Guilherme embarcou na pequena aeronave ao lado de um amigo, que o acompanhava, e os dois pilotos. Estava literalmente nas nuvens, pensando na possibilidade de concretização de seu maior objetivo, que era vestir a camisa blanca de Madri. Mas como assim estava a caminho de Lisboa e não de Madri? "O voo leva uma hora, quando você chegar em Lisboa já teremos novidades", avisaram ao brasileiro. Ao desembarcar, o único destino possível era a tal salinha. Para lá ele foi, acompanhado dos tripulantes e de seu amigo. "Ninguém sabia da questão do Real Madrid fora dali. Quando cheguei, já tinha ligações no meu celular de todo mundo. Meu empresário falou que as coisas estavam andando, que o Fábio Coentrão sairia e eu seria jogador do Real Madrid." O final de tarde já se aproximava, e Guilherme foi orientado a permanecer na sala reservada e aguardar o fax, com o contrato para assinar.

Às nove horas da noite, na Espanha, a negociação efetivamente começou a avançar. Uma hora depois o contrato preparado pelo Real Madrid chegou para Guilherme. "Assinei o contrato e mandei uma foto da assinatura para alguns amigos íntimos. Já estava comemorando com meus pais, não estava preparado para aquele momento. Eu não tinha nem roupa para aquilo! Caramba, eu era jogador do Real Madrid!" 

Quando o relógio bateu as doze badaladas na Espanha, ainda 23h em Portugal, a comemoração aumentou. O presidente do Granada ligou para parabenizá-lo e informou que o Real Madrid aguardava apenas um documento do Manchester United, que estava levando Coentrão, para depositar em LaLiga. Os canais esportivos espanhóis anunciavam o negócio. A programação do dia seguinte já estava sendo traçada, com o retorno imediato para Granada. Enquanto isso, a notícia gerava enorme confusão em Portugal, onde jornalistas ainda aguardavam a saída de Guilherme Siqueira do aeroporto. À 0h15 no relógio espanhol, 23h15 no português, uma ligação mudaria totalmente a vida do jogador.

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Lisboa? Sim, Lisboa

"Quinze minutos depois da meia-noite, até os pilotos se emocionaram. Ligaram para as esposas para contar toda aquela saga, afinal, viveram comigo o minuto a minuto. Ligo para o presidente para saber o que eu tinha que fazer. Estávamos ali todos parados, esperando as coordenadas. O presidente me avisa que está aguardando o diretor do Real Madrid, o José Ángel Sánchez, diretor executivo, para passar a programação. Nesse exato momento, esse executivo liga para o presidente, que me pede para aguardar na linha e me coloca no viva voz, já para ouvir tudo, porque imaginava que era para dar as boas-vindas. 'Quique, você não vai acreditar', disse o diretor para o nosso presidente, e eu ouvindo tudo. 'Isso nunca aconteceu na história do nosso clube, e não foi por culpa nossa. Um documento que faltava chegar de Manchester demorou, fomos agora depositar na Liga e não estão aceitando por causa do horário. Então, não consigo trazer o Siqueira e nem negociar o Coentrão'. Eu continuava a ouvir."

Nesse momento, José Ángel Sánchez foi informado que Guilherme Siqueira estava no viva voz e, então, pede para falar com ele. "Calma. Pega o avião e volta para Granada, que eu assino um pré-contrato contigo agora para janeiro, daí você vem no meio do campeonato." Um filme de toda aquela situação passou na cabeça do jogador. Foram muitos contratempos, diversos problemas, enormes decepções. Algo lhe dizia para permanecer em Lisboa. Foi quando Guilherme Siqueira disse não ao Real Madrid. Agradeceu o dirigente, que ficou alguns segundos mudo, surpreso com a decisão do jogador, e desligou o telefone. Agora havia outro problema para ser rapidamente resolvido.

Faltavam 30 minutos para o fechamento do mercado em Portugal. Enquanto todo imbróglio com o Real Madrid acontecia, os empresários de Guilherme Siqueira conseguiram manter o acordo com o Benfica vivo. Ele se despediu dos pilotos, que voltaram para Granada com a aeronave vazia, e pegou um carro para seguir em direção ao Estádio da Luz. "Assinei meu contrato com o Benfica às 23h58!" O presidente do Benfica na época, Luis Filipe Vieira, e o eterno ídolo benfiquista, Rui Costa, o aguardavam em uma sala bem maior e mais bonita do que aquela no aeroporto, onde Guilherme passara as últimas horas. 

A promissora carreira terminou antes do que deveria. Uma grave lesão no tornozelo esquerdo obrigou o jogador a se aposentar em 2018, depois de ter defendido o Valencia na temporada 2015-2016 e após longos meses de tentativa de recuperação. Atualmente com apenas 35 anos, Guilherme Siqueira se tornou sócio dos empresários espanhóis que sempre cuidaram de sua carreira. Formou parceria com Sávio e hoje em dia é representante da You First Sports no Brasil. 

Foi ele quem intermediou a ida de Filipe Luís para o Flamengo, por exemplo. Sem a mesma emoção que viveu naquele inesquecível 31 de agosto de 2013. Depois da temporada 2013-2014 em Portugal, Guilherme foi contratado por um clube madrilenho: o Atlético. Só que desta vez, a negociação foi bem mais tranquila... Em julho, durante férias em Punta Cana, na República Dominicana. O que aconteceu um ano antes, de qualquer modo, ficou marcado para sempre. "Vivenciar essa história foi uma grande loucura da minha vida em um 31 de agosto."

Guilherme Siqueira com a camisa do Benfica
Guilherme Siqueira com a camisa do Benfica Benfica

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Maior número de gols e muita emoção nos últimos minutos: resumo da terceira rodada de LaLiga

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Foram 25 gols nas dez partidas da terceira rodada de LaLiga, maior marca da temporada até aqui. Não há mais times com aproveitamento de 100%, após os empates de Sevilla e Atlético de Madrid, e seis "dividem" a liderança com sete pontos, cada.

Goleada do Rayo Vallecano, grande desempenho do Valencia de José Bordalás, Memphis Depay mais uma vez marcando, assistência de Karim Benzema e minutos finais emocionantes para Atlético e Osasuna. Confira análises de todos os jogos de LaLiga, que agora faz a pausa de 11 dias da Data FIFA - contra sua vontade.

Luis Suárez foi titular e marcou pela primeira vez pelo Atlético na temporada
Luis Suárez foi titular e marcou pela primeira vez pelo Atlético na temporada Atleti

Mallorca 1x0 Espanyol

Campeão e vice da segunda divisão na temporada passada, Espanyol e Mallorca se enfrentaram na sexta-feira nas Ilhas Baleares. Vitória por 1 a 0 dos mandantes, que mantém o Mallorca invicto e com ótimo início de temporada. Apesar do placar magro, o sistema ofensivo da equipe do técnico Luis García funcionou bastante.

Take Kubo foi titular aberto pela direita no 4-2-3-1 e fez ótimas parcerias com Dani Rodríguez, autor do gol, e Fer Niño. Já o Espanyol fez um jogo de pouquíssima criatividade dentro de seu 4-4-2, tanto é que ainda não marcou em LaLiga após os empates em 0 a 0 nas duas primeiras rodadas e pouco ameaçou os donos da casa, apesar da maior posse de bola (53%). Do que se viu dos dois times até aqui, a perspectiva do Mallorca é melhor do que do Espanyol.


         
     

Valencia 3x0 Alavés

O Valencia, de José Bordalás, vai cada vez mais ganhando forma. A solidez defensiva do seu tradicional 4-4-2 já era previsível, e o time sofreu apenas um gol em três rodadas. A novidade é a qualidade com a bola que os Ches demonstram, por mais que dentro da objetividade das ideias de jogo de Bordalás.

Carlos Soler como meia avançado, aberto pelo lado direito, foi uma ótima solução criativa; Denis Cheryshev começou bem a temporada pelo outro lado; Daniel Wass rende como meio-campista centralizado; e o time funciona bem - Marcos André estreou também. Diante do Alavés, partida super controlada defensivamente e somente nove finalizações, com 49% de posse de bola, mas três gols anotados - sendo que, destas nove, oito foram de dentro da área. O Valencia permanece invicto e mostra que será um adversário duro de ser batido em toda temporada.


         
     

Celta 0x1 Athletic

O Athletic venceu a primeira na temporada e manteve o Celta sem vitórias após três rodadas. Jogando no Balaídos, na Galícia, os bascos contaram com a péssima pontaria dos jogadores de Eduardo Coudet, que em 13 finalizações (sete a mais que os visitantes) não acertaram o gol. Enquanto Iñaki Williams, em uma das duas certas do Athletic, definiu o placar no primeiro tempo.

Taticamente as equipes mantiveram seus padrões: 4-1-3-2 do Celta e 4-4-2 do Athletic; Coudet ainda promoveu a estreia de Thiago Galhardo faltando dez minutos. Marcelino García Total manteve sua equipe com linhas baixas, esperando o adversário com maior posse de bola (61%). Na prática, foi um jogo de muitos erros cometidos pelos dois times - tanto é que o gol surge de uma bola perdida pelo zagueiro ganês Joseph Aidoo e recuperada na intermediária ofensiva por Sancet.


         
     

Real Sociedad 1x0 Levante

Partida de pouquíssimas chances de gol. A Real Sociedad é melhor do que o Levante e conseguiu mostrar isso em campo, apesar da absoluta falta de inspiração. Ao menos a criatividade apareceu na hora do gol, em jogada bem trabalhada por Ander Barrenetxea e David Silva, que terminou com a finalização do garoto de 19 anos - que mais uma vez foi titular e não sai mais do time de maneira justíssima. Vale destacar que o gol surge da recuperação de bola a partir da marcação alta de Imanol Alguacil no campo do adversário.

Na prática, o Levante de Paco López não criou qualquer jogada perigosa em ataques posicionais e encaixou um único contra-ataque um pouco mais ameaçador. A movimentação de Barrenetxea, Mikel Oyarzabal, David Silva e Alexander Isak pode não ter sido a melhor do quarteto, mas teve qualidade suficiente para controlar o jogo, ainda com Mikel Merino e Zubimendi no meio-campo. Nas estatísticas, somente 13 finalizações em toda partida (7x6 para os bascos) e nenhuma correta do Levante.


         
     

Elche 1x1 Sevilla

Desta vez, Erik Lamela não salvou o Sevilla. Após ser decisivo nas duas primeiras rodadas com três gols, diante do Elche o argentino mais uma vez saiu do banco, mas não conseguiu garantir a terceira vitória seguida para a equipe de Julen Lopetegui. O Elche, por sua vez, termina uma sequência inicial bem complicada de campeonato com dois pontos - empatou ainda com o Athletic e perdeu para o Atlético.

Em campo se viu o roteiro previsto para o jogo, com o Sevilla dominando as ações ofensivas no seu 4-3-3 e com maior posse de bola (71%), contra o 5-3-2 do Elche, com Iván Marcone na proteção da defesa e Darío Benedetto como titular pela primeira vez. Só que o início de jogo dos donos casa foi melhor, tanto é que abriram o placar em jogada do ótimo Fidel, que achou Enzo Roco na área. O empate saiu ainda no primeiro tempo, com En-Nesiry, em uma das 18 finalizações do Sevilla.


         
     

Betis 0x1 Real Madrid

Carlo Ancelotti mudou as duas laterais para enfrentar o Betis. Ricardo Carvajal recuperou a posição e o jovem Miguel Gutiérrez voltou a ser titular na esquerda, movendo David Alaba para a zaga ao lado de Éder Militão. Vinicius Júnior também ganhou a posição de Eden Hazard no ataque e mais uma vez jogou bem. Participou da jogada do gol madridista, marcado por Carvajal com assistência de Karim Benzema - terceira dele nesta temporada de LaLiga para o melhor ataque de LaLiga (8 gols).

Foi um jogo equilibrado, com boas oportunidades para as duas equipes. Depois que sofreu o gol, o Betis passou a pressionar mais os merengues, tanto é que viraram na posse de bola (51%), sempre com Nabil Fekir participando dos melhores lances. Segue sem vencer a equipe de Manuel Pellegrini, que empatou nas duas rodadas iniciais. 


         
     

Barcelona 2x1 Getafe

Foi um Barcelona bastante modificado. Sem Gerard Piqué e Eric García, a dupla de zaga foi formada por Ronald Araujo e Clément Llenglet. Emerson ainda ganhou a lateral-direita de Sergiño Dest e Pedri descansou, dando lugar a Sergi Roberto, que abriu o placar logo aos dois minutos. Sandro Ramírez, fazendo valer a Lei do Ex, empatou aos 18 e já aos 30 Memphis Depay colocou o Barça na frente novamente. Depois de 30 minutos iniciais movimentados, os outros 60 foram bem diferentes.

Quase não houve mais chances de gol para os dois times. O Barcelona, mantendo o 4-3-3- padrão desta temporada, terminou o jogo com somente sete finalizações, sendo que estava com três até vinte minutos da segunda etapa. O "quase" no início do parágrafo está lá por causa de um gol perdido por Depay aos 40, após cruzamento de Dest, que entrara na segunda etapa. O Getafe, do técnico Míchel, ainda não sabe o que é somar ponto após três rodadas de LaLiga.


         
     

Rayo Vallecano 4x0 Granada

O Rayo Vallecano foi o responsável pela maior goleada de LaLiga até aqui. Pela primeira vez venceu em seu retorno à primeira divisão e ainda fez quatro gols no Granada, do técnico Robert Moreno. Domínio absoluto do Rayo desde o primeiro minuto, explorando muito bem os espaços deixados pela defesa do Granada - e foram muitos.

Grande atuação de Óscar Trejo, como meia avançado no 4-2-3-1, que marcou o segundo de pênalti e distribuiu duas assistências. Uma delas para o centroavante francês Randy Nteka, que também jogou muito bem. No Granada, nada funcionou; poderia ter voltado para casa com goleada ainda maior.


         
     

Cádiz 2x3 Osasuna

Cinco gols e grande virada do Osasuna para cima do Cádiz. Foi sem dúvida um dos jogos mais movimentados e agradáveis da rodada, com as duas equipes buscando o ataque o tempo todo. Taticamente atuaram espelhadas, na variação do 4-3-3 na fase ofensiva e o 4-1-4-1 na defensiva, montados por Álvaro Cervera e Jagoba Arrasate.

O Cádiz vencia por 2 a 1 até 46 minutos do segundo tempo, quando levou o empate com Roberto Torres de pênalti (terceiro do jogo); quatro minutos depois, Torres deu assistência na cobrança de escanteio para David García fazer o gol da vitória do Osasuna, que pressionou muito durante toda partida, com bem mais posse de bola inclusive (73%). Aliás, após três rodadas, o Osasuna é o time com a melhor média de PPDA (passes per defensive action) de LaLiga com 6,51 - número de passes que o adversário troca por posse.



         
     




Atlético de Madrid 2x2 Villarreal

No melhor jogo da rodada, o Atlético de Madrid arrancou o empate do Villarreal nos últimos segundos, com um gol contra incrível do zagueiro Mandi. Dando, inclusive, um mínimo de justiça à partida, totalmente dominada pelos colchoneros. Assim, Diego Simeone ampliou sua invencibilidade sobre Unai Emery, que jamais venceu o argentino, para 11 jogos.

As estatísticas oficiais ajudam bem a entender o que foi o confronto: 23 x 2 nas finalizações para o Atlético, ampla superioridade. O Submarino Amarillo marcou nas duas únicas chances que teve, sendo que a segunda surgiu de uma falha de Giménez e Savic. O Villarreal fugiu um pouco do padrão de 4-4-2, se armando no 5-3-2 na fase defensiva em vários momentos, já que Yeremi Pino - um dos destaques do jogo - fechava a primeira linha pela direita, mantendo Juan Foyth como zagueiro. No Atleti, Luis Suárez começou como titular, Yannick Carrasco voltou para a ala esquerda e Matheus Cunha estreou saindo do banco.


         
     
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Maior número de gols e muita emoção nos últimos minutos: resumo da terceira rodada de LaLiga

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Quando o futebol se transforma em uma incrível aula de história

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

A região de Nagorno-Karabakh, localizada entre Azerbaijão e Armênia, é um território disputado pelos dois países há décadas. Internacionalmente é reconhecida como parte integral do Estado azeri, mas na prática é controlada pela República de Artsakh - que, por sua vez, também faz parte do território do Azerbaijão. No final de 2020, os conflitos se intensificaram novamente e as nações, com o apoio da Rússia, assinaram um tratado de paz. A tensão, de qualquer modo, permanece na região.

E qual é a relação possível entre a guerra que acontece em uma montanhosa região do Cáucaso, já quase na Ásia, e as competições da UEFA?

Mapa da região onde se encontra Nagorno-Karabakh
Mapa da região onde se encontra Nagorno-Karabakh Riskline

Nesta sexta-feira, em Istambul, antiga Constantinopla, aconteceu o primeiro sorteio da fase de grupos da Conference League, cuja final inaugural será em Tirana, na Albânia. A competição foi criada por Aleksandr Ceferin, presidente da entidade europeia, para incluir os clubes de nações menos poderosas ao cenário internacional. No evento desta sexta, havia um único impedimento de cruzamentos de times: Alashkert, da Armênia, e Qarabag, do Azerbaijão, por causa do conflito entre os países, não poderiam cair na mesma chave. Especificamente no caso do Qarabag, a guerra obrigou o clube a se mudar para a capital Baku e transformou seu local de origem, Agdam, em uma cidade fantasma.

Esse é apenas um exemplo da importância e do valor, além do futebol, que os torneios continentais possuem. O esporte será sempre o principal assunto, afinal de contas é um jogo, mas é possível buscar mais conhecimento com os muitos exemplos de geopolítica e história presentes nos confrontos.

Ainda na Conference, o PAOK é uma aula de história permanente. O clube foi fundado em 20 de abril de 1926 em Tessalônica por refugiados da guerra Grego-Turca (1919-22), expulsos de Constantinopla. Milhões de pessoas envolvidas em um dos episódios tristes da história europeia no século passado, a troca de populações entre Grécia e Turquia. O PAOK caiu no grupo F, ao lado de Copenhagen (Dinamarca), Slovan Bratislava (Eslováquia) e o histórico Lincoln Red Imps, primeiro clube de Gibraltar - território com pouco mais de 30 mil habitantes - a alcançar uma fase de grupos da UEFA.

A política ainda é vista na presença de Israel como país-membro da entidade europeia, ao invés da asiática. Como nações árabes não reconhecem o estado de Israel, jogos de futebol entre equipes dos países do Oriente Médio com os israelenses seriam impossíveis. Maccabi Tel-Aviv e Maccabi Haifa estão na Conference e enfrentarão, respectivamente, LASK Linz, da Áustria, e Union Berlim, da Alemanha, em seus grupos. 

Crianças judias refugiadas da II Guerra jogam bola em uma cidade na Holanda
Crianças judias refugiadas da II Guerra jogam bola em uma cidade na Holanda JTC

Se algum professor de história se interessar, a introdução à Segunda Guerra Mundial em sala de aula pode ser feita, até mesmo, pelo futebol. O Slavia Praga, que está na mesma chave do Maccabi Haifa e também jogará na Berlim Oriental, foi fechado na década de 1940 pelos nazistas durante a invasão ao território tcheco.

As histórias prosseguem e são muitas, as quais certamente contaremos nas próximas semanas nas transmissões dos canais ESPN e FOX Sports, além do Star+. E não estão restritas à Conference League. Basta olhar para os grupos sorteados na Europa League e aguardar confrontos como Olympiacos x Fenerbahçe e Spartak Moscou x Legia Varsóvia, além da possibilidade de Estrela Vermelha x Dinamo Zagrebe e Rangers x Celtic nas fases de mata-mata.

O futebol é muito mais do que um jogo porque, para muitos, se torna a melhor forma de expressão da própria identidade.

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Vinicius Júnior foi o destaque da segunda rodada de LaLiga; apenas Atlético e Sevilla mantém 100% de aproveitamento

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Depois de duas rodadas de LaLiga, somente Atlético de Madrid e Sevilla mantém 100% de aproveitamento. Barcelona e Real Madrid, após boas estreias, ficaram no empate com Athletic e Levante, respectivamente. De Madri, de qualquer modo, vem o destaque do final de semana: Vinicius Júnior, artilheiro do campeonato ao lado de Ángel Correa e Erik Lamela com três gols cada.

Confira abaixo resumos das dez partidas na Espanha entre sexta e segunda, além dos gols - que, é bem verdade, foram pouquíssimos; a média só aumentou um pouco graças aos 3x3 de granotes e merengues.

Betis 1x1 Cádiz

O estádio Benito Villamarín voltou a receber público, primeira vez desde o início da pandemia: ao todo, 23.745 torcedores nas arquibancadas. Em campo, um jogo bem previsível, com o Betis tendo maior posse de bola (75%) e o Cádiz jogando em transição. No final das contas, mais um empate em 1 a 1 para os dois times.

No primeiro tempo, domínio do Betis, mas uma falha individual resultou no pênalti convertido por Álvaro Negredo - duas vezes, já que o primeiro, perdido, voltou porque rui Silva se adiantou. O Cádiz, com seu 4-1-4-1 defensivo com linhas baixas, não chegou a 100 passes nos 45 minutos iniciais, mas mesmo assim fez o seu gol e criou outra chance clara. Levou o empate graças ao jogo ofensivo e de maior qualidade dos donos da casa. Na segunda etapa, o Betis atacou bem mais, principalmente com Nabil Fekir centralizado no 4-2-3-1 de Manuel Pellegrini, mas falhou nas conclusões.


         
     

Granada 1x1 Valencia

Jogo de alto nível entre as equipes de Robert Moreno e José Bordalás, disputado em ritmo intenso. O Valencia teve um pouco mais de posse de bola, com 53%, e se viu obrigado a pressionar mais o adversário. O Granada, com linha de cinco defensores no 5-3-2 da fase defensiva, se mostrou um time extremamente veloz e eficiente nas transições com os colombianos Carlos Bacca e Luis Suárez no ataque. Aliás, a combinação dos dois resultou no primeiro gol. Curiosamente, um gol de contra-ataque bem ao estilo Bordalás.

Desta vez com 11 jogadores do início ao fim, diferentemente do que aconteceu na primeira rodada, o Valencia teve Carlos Soler atuando aberto na segunda linha do 4-4-2 pela direita - plano também para a estreia, modificado pela expulsão de Guillamón com poucos minutos. Essencialmente o jogo ofensivo dos Ches passa pelos pés de Soler, que melhora a cada partida. Foi com ele, novamente de pênalti, que o Valencia conseguiu o empate já aos 43 minutos do segundo tempo, de maneira justa. 


         
     

Espanyol 0x0 Villarreal

Espanyol e Villarreal seguem sem marcar em LaLiga! Duas rodadas, dois empates sem gols para as duas equipes. Neste final de semana em Barcelona, uma partida com chances para os dois lados. Os jogadores de Unai Emery ficaram mais com a bola nos pés (60%), mas finalizaram pouco menos que os adversários liderados por Vicente Moreno - que, depois do jogo, lamentou muito na coletiva de imprensa as oportunidades desperdiçadas. Aliás, taticamente, os dois treinadores espelharam seus times em campo no 4-4-2.

Jogo histórico para o goleiro do Espanyol, Diego López, que aos 39 anos e 284 dias se tornou o jogador mais velho a entrar em campo pelo clube na primeira divisão espanhola. Superou Alfredo di Stéfano, que após 11 defendendo o Real Madrid, jogou pelo time catalão de 1964 a 66 e era o recordista com 39 anos e 273 dias.


         
     

Athletic Bilbao 1x1 Barcelona

Após a grande partida na estreia, o Barcelona não conseguiu repetir o mesmo nível de atuação na segunda rodada. O Athletic, extremamente eficiente dentro da ideia de marcação forte e ataques velozes (16 x 9 em finalizações, 33% x 67% em posse de bola), muito bem implantada por Marcelino García Toral no seu 4-4-2, foi superior na maior parte do jogo. Pelo menos até fazer 1 a 0, aos cinco minutos do segundo tempo. A partir daí, o Barça reagiu, também pelas substituições de Sergi Roberto por Pedri e Yusuf Demir por Martin Braithwaite - este último, perdeu uma chance clara na etapa inicial.

Ronald Koeman manteve o 4-3-3, com Memphis sendo a referência na criação ofensiva. O atacante holandês não conseguiu participar tanto do jogo, mas quando recebeu assistência de Sergi Roberto, foi muito bem no domínio e melhor ainda na finalização para empatar a partida no San Mamés. As baixas para o Barcelona foram Gerard Piqué, que saiu lesionado no primeiro tempo, e Eric García, expulso já nos acréscimos. Pelo Athletic, Iñaki Williams infernizou a vida dos defensores culés.


         
     

Real Sociedad 1x0 Rayo Vallecano

Desde o início a Real Sociedad tomou a iniciativa, atacando e pressionando bem mais. Com a volta de Alexander Isak ao comando de ataque, o 4-2-3-1 montado por Imanol Alguacil ficou equilibrado, tendo o sueco como referência, David Silva na armação e Mikel Oyarzabal e Ander Barrenetxea (que ganhou a titularidade após a boa estreia contra o Barça) pelos lados do campo.

O Rayo Vallecano depende demais do argentino Óscar Trejo na armação, mas teve como principal destaque o goleiro macedônio Stole Dimitrievski, que só não conseguiu defender a cobrança de pênalti de Oyarzabal. No final das contas, apesar de uma tentativa de pressão nos últimos minutos, o Rayo Vallecano terminou a partida com apenas uma finalização certa, contra oito dos bascos. Assim, a equipe do técnico Andoni Iraola segue sem vencer no retorno à primeira divisão espanhola.


         
     

Atlético de Madrid 1x0 Elche

Diego Simeone repetiu a tática e alterou a escalação para a segunda rodada: Geoffrey Kondogbia foi um dos três zagueiros; Rodrigo de Paul começou jogando pela primeira vez; Yannick Carrasco mais uma vez foi atacante ao lado de Ángel Correa, com Saúl pela ala esquerda. O Atlético encarou um adversário que saiu para o ataque e encarou os atuais campeões, mesmo jogando no Wanda Metropolitano. No final da partida, o Elche terminou com mais posse de bola (58,2%).

Fran Escribá armou sua equipe no 5-3-2 na fase defensiva, mas não contava com a falha de Kiko Casilla. Por mais que o passe de De Paul tenha sido sensacional, o goleiro do Elche errou na saída e permitiu que Correa marcasse seu terceiro gol na temporada - artilheiro de LaLiga ao lado de Vinicius Júnior. No segundo tempo, o Elche buscou bem mais o ataque, mas com pouquíssima criatividade e efetividade, tanto é que terminou o jogo com somente quatro finalizações.


         
     

Levante 3x3 Real Madrid

Melhor jogo da rodada, com sobras. O Real Madrid foi melhor no primeiro tempo e abriu o placar logo aos cinco minutos, com bela jogada de Benzema e finalização de Bale. Tomou a virada com 12 minutos no segundo tempo, em muitas falhas defensivas - Lucas Vázquez no primeiro gol e Gareth Bale no segundo. Tudo mudou com a entrada de Vinicius Júnior e a saída de um apagado Eden Hazard. O brasileiro marcou dois lindos gols e ainda causou a expulsão do goleiro Aitor Fernández no finalzinho. Rúben Vezo foi para o gol, já que o Levante fizera as cinco substituições, mas não fez qualquer defesa.

Paco López organiza muito bem a equipe de Valência, que perdeu o quarto gol quando estava 3 a 2 de maneira incrível, com Cantero - a história poderia ser bem diferente. O 4-4-2 na fase defensiva vira 4-3-3 na ofensiva em diversos momentos, sempre liderado pela movimentação de José Luis Morales. Partida extremamente agradável! Certo é: Ancelotti não pode começar novamente com Hazard e deixar Vinicius no banco contra o Betis na próxima rodada.


         
     

Getafe 0x1 Sevilla

Assim como na primeira rodada, Erik Lamela saiu do banco no intervalo para garantir a vitória do Sevilla, que segue com 100% de aproveitamento. Desta vez com bem mais emoção, já que o gol salvador saiu aos 48 minutos do segundo tempo, após rebote na trave em finalização do estreante (e ótimo reforço, assim como Lamela) Rafa Mir.

Não foi uma boa partida do Sevilla, atuação abaixo do potencial da equipe. Ficou mais com a bola (62%), mas errou muito no ataque, principalmente nas transições. Finalizou pouco também, pelo volume de jogo que teve - somente nove vezes, três corretas. Ao menos defensivamente, com sua linha formada por Jesús Navas, Jules Koundé, Diego Carlos e Marcos Acuña, não foi seriamente ameaçado pelo Getafe, de Míchel. A novidade foi Papu Gómez entre os titulares.


         
     

Osasuna 0x0 Celta

Quinto empate em 20 partidas de LaLiga na temporada, índice alto de 25% do total. No primeiro tempo o Osasuna foi superior ao Celta, pressionando mais. Tanto é que os os visitantes tiveram 54% de posse de bola, mas uma única finalização (errada), enquanto os donos da casa acertaram o gol do argentino Matías Dituro. Taticamente, variação do 4-3-3 para o 4-1-4-1 pelo lado de Jagoba Arrasate, contra o tradicional 4-Tapia-3-2 de Eduardo Coudet.

O roteiro do jogo não mudou no segundo tempo, com o Osasuna em cima do Celta, buscando o gol - que ainda não saiu nesta temporada, assim como não sofreu. E os torcedores rojillos têm muito a lamentar, porque a equipe realmente desperdiçou chances muito boas, principalmente com Chimmy Ávila, que mais uma vez entrou muito bem na partida. 

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Futebol, rock e rúgbi: começou a temporada 2021-22 do Campeonato Sul-Africano

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

O final de semana marcou o início da temporada 2021-22 do Campeonato Sul-Africano, oficialmente chamado de DSTV Premiership. O atual campeão, Mamelodi Sundowns, estreou na sexta-feira com vitória por 1 a 0 sobre o vice, AmaZulu, em casa. Já o Orlando Pirates, em Joanesburgo, ficou no empate em 2 a 2, no sábado, com o Stellenbosch. No domingo, foi a vez do Kaizer Chiefs iniciar a jornada, após o decepcionante oitavo lugar na temporada passada: não começou bem, ao empatar em 0 a 0 com o TS Galaxy. Todas partidas ainda sem público nas arquibancadas.

A competição é uma das mais organizadas de todo continente africano, além de possuir melhor condição financeira que a maioria. O Mamelodi Sundowns, de Pretória, não é apenas o campeão vigente, mas o maior vencedor na história (11 títulos) e atual tetracampeão. Os dois rivais de Joanesburgo, Orlando Pirates e Kaizer Chiefs, possuem uma das maiores rivalidades da África, mas ficaram para trás nas últimas disputas pela taça sul-africana. Principalmente o clube que também se tornou conhecido mundialmente pela banda britânica de mesmo nome.

Kaizer Chiefs ficou no empate em 0 a 0 na estreia da temporada
Kaizer Chiefs ficou no empate em 0 a 0 na estreia da temporada Kaizer Chiefs

Antes de focarmos no futebol, vamos ao parágrafo musical: os cinco integrantes do grupo são de Leeds e torcedores do Leeds United. Todos cresceram assistindo o zagueiro sul-africano Lucas Radede, ex-capitão do Kaizer Chiefs, defender suas cores de 1994 a 2005. Em homenagem ao ídolo, alteraram o nome da banda ainda antes da fama de Parva para Kaiser Chiefs, trocando o "z" pelo "s".

A expectativa para essa temporada é de maior competitividade dos Chiefs, para ao menos brigar efetivamente pelo título, como na temporada retrasada - Mamelodi 59 pontos, Kaizer Chiefs 57 e Orlando Pirates 52. A explicação pelo oitavo lugar em 2020-21 passa pela excelente campanha na Champions League africana, onde a equipe foi vice-campeã, batida pelo Al Ahly, do Egito, na final.

O técnico escocês Stuart Baxter, que esteve à frente da seleção sul-africana entre 2017 e 2019, foi contratado e retornou ao clube onde trabalhou de 2012 a 2015 com enorme sucesso (dois títulos nacionais e duas copas). Aliás, já que a origem musical dos Kaiser Chiefs foi explicada, vale também mencionar a própria origem do nome Kaizer Chiefs: o fundador do clube é Kaizer Motaung, ex-jogador do Atlanta Chiefs, clube da finada North American Soccer League, nos Estados Unidos. Ficou fácil, né?

Os cinco torcedores do Leeds United e integrantes da Kaiser Chiefs
Os cinco torcedores do Leeds United e integrantes da Kaiser Chiefs Kaiser Chiefs

No Mbombella Stadium, em Nelspruit, interior do país, devidamente marcado com as linhas do rúgbi, o Kaizer Chiefs enfrentou um adversário novo ainda na Premiership sul-africana, fundado em 2015. Tanto é que foi apenas o terceiro confronto entre os clubes na história da competição, e os Chiefs ainda não sofreram gol do Galaxy. O empate fora de casa pode não ser considerado um resultado ruim, até mesmo por ser apenas a primeira rodada, mas o problema é que o Kaizer Chiefs abriu oficialmente a temporada com eliminação.

Na África do Sul, além do campeonato em pontos corridos e da Copa em mata-mata tradicional, há ainda uma terceira competição com os oito primeiros colocados da temporada anterior. Também em eliminatórias simples, como na Copa, mas de tiro curto. No final de semana retrasado, o Kaizer Chiefs empatou em 2 a 2 com o Mamelodi Sundowns e perdeu depois nos pênaltis.

Há muitos estrangeiros africanos nos times, mas poucos atletas de fora do continente. O centroavante do Kaizer Chiefs, o sérvio Samir Nurkovic, é um desses exemplos. Há também um único brasileiro na liga: o zagueiro Ricardo Nascimento, de 34 anos e desde 2016 no Mamelodi Sundowns. Vale ressaltar, também, a influência histórica dos britânicos sobre os esportes praticados na África do Sul. Futebol, rúgbi e críquete formam a trinca das modalidades mais praticadas e acompanhadas pelos sul-africanos - nas duas últimas, o país está entre os melhores do mundo. 

Imagem da transmissão de TS Galaxy e Kaizer Chiefs, com as linhas de rúgbi
Imagem da transmissão de TS Galaxy e Kaizer Chiefs, com as linhas de rúgbi SuperSport

Em campo, no confronto entre Galaxy e Chiefs, os visitantes assumiram postura mais ofensiva desde o início, tanto em posse de bola como nas chances criadas. Taticamente Stuart Baxter montou seu time no 4-2-3-1 com a bola e no 4-4-2 na fase defensiva, pressionando o Galxy em muitos momentos do jogo. Já o Galaxy, treinado pelo sul-africano Owen da Gama, atuou no 4-4-2. Os dois times, no entanto, erraram muito e praticamente não tiveram oportunidades claras para marcar. Foram apenas três finalizações corretas em 90 minutos, somando TS Galaxy e Kaizer Chiefs. 

O show de Vinicius Jr. em jogo do Real Madrid: tapa à la Romário, arrancada e expulsão de rival; assista

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Bem que o Paços de Ferreira avisou que ganharia do Tottenham...

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Quando ficou definida a participação do Tottenham na Conference League, o novo torneio de clubes criado pela UEFA, automaticamente a equipe de Londres se tornou uma das favoritas ao título. Porém, para efetivamente se candidatar à competição, é necessário primeiro garantir classificação à fase de grupos. Isso porque não há vagas diretas para a Conference, todos jogarão, ao menos, uma fase qualificatória dela ou da Europa League.

O sétimo lugar na temporada 2020-21 da Premier League colocou o Tottenham já nos playoffs, último degrau antes dos grupos. Pelo sorteio, o Paços de Ferreira foi o adversário definido. A pequena equipe da região do Porto entrou na terceira fase qualificatória e eliminou o Larne, da Irlanda do Norte, antes de entrar em campo na última quinta-feira, no estádio da Mata Real, diante de 2284 torcedores para encarar os Spurs. A histórica vitória por 1 a 0, gol do jovem atacante brasileiro Lucas Silva, de 23 anos, ex-Flamengo, provocou euforia no clube. Isso porque, durante a semana, o Paços de Ferreira produziu um vídeo tirando sarro do Tottenham, garantindo, em tom de brincadeira, que "ganharia fácil".

Além de Lucas, outros quatro brasileiros estiveram em campo pelo Paços de Ferreira, entre eles o zagueiro Flávio Ramos, ex-Náutico e Paysandu, que expressou bem em palavras a importância da partida. "Sem dúvidas, um jogo para ficar marcado na história do clube e também na carreira de cada um de nós que esteve em campo. Com certeza vou levar para sempre esse jogo na memória. O Tottenham é um grande clube, todos sabem disso, e conseguimos um grande resultado".

Por mais que os ingleses não tenham mandado a Portugal o time mais forte possível, Nuno Espírito Santo escalou uma equipe bastante forte, com os reforços Cristian Romero e Bryan Gil entre os titulares, além de Matt Doherty, Harry Winks e Giovani Lo Celso.

Alô, Kane! Son faz golaço, e Tottenham bate o Manchester City em jogaço na Premier League


         
     

A partir desta temporada, a UEFA aboliu o gol marcado fora de casa como critério de desempate. Assim, o Paços de Ferreira se classificará com empate e qualquer derrota por um gol de diferença leva a partida para a prorrogação. Antes do confronto em Londres, na próxima quinta, o time entra em campo na segunda-feira, pela Primeira Liga, contra o Estoril. "Temos esse próximo jogo na nossa casa e vamos focar em conquistar mais uma vitória, depois a gente vira a chave para o próximo jogo. O pensamento tem que ser em um de cada vez. A gente sabe que ainda tem mais um jogo, em Londres, mas essa vitória nos dá confiança para a próxima partida. Vamos sonhar e lutar muito por essa classificação".

Já dá para imaginar o vídeo que o Paços de Ferreira produzirá, caso conquiste a inesperada classificação diante do Tottenham.

Lucas Silva comemora o gol marcado contra o Tottenham
Lucas Silva comemora o gol marcado contra o Tottenham Paços de Ferreira

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Vitórias dos favoritos e boas estreias na primeira rodada de LaLiga

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

A temporada 2021-22 de LaLiga começou, após toda reviravolta na negociação do Barcelona com Lionel Messi, que resultou na ida do atacante argentino para o PSG. E justamente o Barça foi o grande destaque, com atuação em alto nível contra a Real Sociedad. 

Goleada do Real Madrid, vitória difícil do Atlético de Madrid e ótimo início do Sevilla completam as manchetes principais. Aliás, desde a temporada 2004-05 os quatro não venciam na rodada inicial. Abaixo, resumo das dez partidas.

Valencia 1x0 Getafe

Na abertura de LaLiga, o esperado reencontro de José Bordalás com o Getafe terminou com vitória da nova equipe do treinador, bem ao seu estilo. Ao perder Hugo Guillamón - escalado como meio-campista no 4-4-2, que virou 4-4-1 - expulso aos três minutos, organizou a equipe defensivamente e venceu com um polêmico pênalti convertido por Carlos Soler aos 11.

Pouquíssima eficiência do Getafe, que agora é comandado por Míchel, de volta ao Campeonato Espanhol. Escalado no 3-5-2, com 74% de posse de bola, 22 finalizações e apenas quatro certas. Quando acertou o gol, lá estava Giorgi Mamardashvili, jovem goleiro georgiano de 20 anos, contratado ao Dinamo Tbilisi para ser reserva de Jasper Cillessen e Jaume Doménech, com grandes defesas.


         
     

Mallorca 1x1 Betis

Partida de pouquíssimas tentativas de gol e, consequentemente, de oportunidades. Somando o número de finalizações de Mallorca e Betis chegamos a somente 13, com uma no alvo para cada lado - no caso do Betis, não foi a finalização que virou gol, que foi contra. O índice de expected goals (xG) ajuda a explicar tudo isso: 0,28 e 0,39.

Estreia decepcionante da equipe da Andaluzia, acima de tudo, pela expectativa que há com Manuel Pellegrini e o sexto lugar obtido na temporada passada. Pelo Mallorca, de volta à elite espanhola, a novidade foi o retorno de Takefusa Kubo, emprestado pelo Real Madrid, que entrou no segundo tempo. 


         
     

Cádiz 1x1 Levante

Foi com muita emoção! A estreia do Cádiz na temporada 2021-22 de LaLiga começou com total domínio do adversário, o Levante, que fez 1 a 0 com José Luis Morales aos 39 minutos, e terminou com um gol salvador de Pacha Espino aos 52 minutos da segunda etapa. Antes disso, a equipe de Valência perdeu boas oportunidades para fazer 2 a 0 e garantir a vitória.

Como padrão, taticamente Cádiz e Levante usaram linhas de quatro defensores, mas atacaram de maneiras diferentes. Os visitantes pressionaram bem mais, com 11 finalizações contra cinco dos mandantes.


         
     

Alavés 1x4 Real Madrid

Vitória convincente e tranquila do Real Madrid no Mendizorrotza, em Vitoria-Gaskeiz. Goleada construída com todos os gols no segundo tempo, equipe armada no 4-3-3, com a trinca de meio-campo formada por Casemiro, Luka Modric e Federico Valverde, já que Toni Kroos está lesionado. No ataque, Carlo Ancelotti apostou em Eden Hazard e Gareth Bale pelos lados, com Karim Benzema na referência.

O atacante belga jogou 66 minutos em bom nível e rotação bem acima do que apresentou na temporada passada. O francês marcou dois gols e abre essa temporada de LaLiga como principal candidato ao estrelato da competição. Viníciu e Rodrygo saíram do banco e o primeiro fechou o placar já nos acréscimos. Pode não ser um time brilhante, mas certamente o Real Madrid será mais uma vez extremamente competitivo novamente com Ancelotti à frente - e na expectativa de Kylian Mbappé.


         
     

Osasuna 0x0 Espanyol

O retorno do Espanyol à primeira divisão espanhola foi marcado pelo primeiro empate sem gols da temporada de LaLiga. Apesar do menor índice de posse de bola (47%) e da inferioridade nas finalizações (dez contra 14), a equipe da Catalunha foi superior ao Osasuna. As melhores chances de gol foram todas do Espanyol.

Ante Budimir, que jogou a temporada passada emprestado pelo Malloca no Osasuna, para esta foi o grande investimento do clube. Acabou sendo pouco acionado e foi substituído aos 27 minutos da segunda etapa por Chimmy Ávila, que ficou machucado na maior parte de 2020-21 com lesões seguidas no joelho. Na parte tática, dois times montados no 4-4-2.


         
     

Celta de Vigo 1x2 Atlético de Madrid

Ótimo confronto entre Eduardo Coudet e Diego Simeone, dois dos melhores treinadores de LaLiga. Bom duelo tático também, entre o 4-1-3-2 já marcante nos trabalhos de Coudet e as variações criadas por Simeone desde a temporada passada. Desta vez, os colchoneros entraram em campo no 3-5-2, com Marcos Llorente na ala direita e Saúl pela esquerda, o que provocou o deslocamenteo de Yannick Carrasco para o ataque, ao lado de Ángel Correa - Luis Suárez começou no banco.

Os galegos tiveram um pouco mais de posse de bola, com 53%, mas menos finalizações totais (10x13) e no alvo (2x4). Correa foi o nome do jogo com dois gols marcados, enquanto Iago Aspas - ídolo absoluto do clube - marcou de pênalti. A partida marcou também a estreia de Rodrigo de Paul, excelente reforço oriundo da Udinese para uma base campeã mantida da temporada passada.


         
     

Barcelona 4x2 Real Sociedad

A primeira partida da era pós-Messi foi o destaque da rodada de abertura de LaLiga, e a impressão inicial deixada pelo novo Barcelona foi muito boa. A linha de cinco foi deixada de lado por Ronaldo Koeman (que usou no final do jogo, apenas como recurso) e o 4-3-3 voltou a ser o esquema tático. Sergiño Dest foi a opção pela direita, com Emerson estreando e saindo do banco na segunda etapa. Pela esquerda, Jordi Alba segue com muita liberdade para avançar e, agora, com Memphis como articulador.

O atacante holandês foi o cérebro criativo no setor de ataque, construindo as principais jogadas a partir da movimentação de referência central para a intermediária. O trio com Antoine Griezmann, bem mais confiante, e Martin Braithwaite, dois gols e uma assistência, funcionou bem demais. Vale ressaltar a estreia segura de Eric García na defesa e mais uma boa partida de Pedri e Frenkie de Jong no meio. As duas equipes tinham muitos desfalques, e a Real Sociedad pode apresentar muito mais com Mikel Oyarzabal e David Silva, acompanhados de Alexander Isak que ficou de fora.


         
     

Sevilla 3x0 Rayo Vallecano

Julen Lopetegui escalou o Sevilla no 3-5-2 e deu muito certo. O trio de zagueiros formados por Jules Koundé, Diego Carlos e Karim Rekik teve atuação segura, contra uma equipe que pouquíssimo fez no ataque. Até mesmo pela expulsão do goleiro Luca Zidane aos 16 minutos, que deixou o Rayo Vallecano com um a menos até o final do jogo. O meio-campo teve Fernando e Joan Jordán, com Óscar Rodríguez à frente deles. En-Nesyri ganhou a companhia no ataque de Oussama Idrissi, de volta ao clube após empréstimo ao Ajax. A amplitude foi garantida com Jesús Navas e Marcos Acuña.

O retorno do Rayo à primeira divisão acabou sendo decepcionante, mas o técnico Andoni Iraola já sabia da enorme dificuldade de uma partida no Ramón Sánchez Pizjuán desde os tempos de lateral-direito do Athletic. Para completar a excelente estreia do Sevilla, Erik Lamela entrou no intervalo e marcou dois gols em seu primeiro jogo com a camisa nervionense.


         
     

Villarreal 0x0 Granada

Decepcionante primeira partida do Villarreal em LaLiga. Depois de jogar a Supercopa europeia em alto nível contra o Chelsea, dominou o jogo contra o Granada, que teve o estreante técnico Robert Moreno, mas falhou muito nas finalizações. A boa notícia foi o bom começo do atacante Boulaye Dia, que veio do Reims, com a camisa do Submarino Amarillo.

Unai Emery mantém o 4-4-2 para esta temporada, mas neste primeiro jogo usou Alfonso Pedraza na lateral-esquerda e Alberto Moreno na segunda linha, que não funcionou. O desfalque de Dani Parejo foi muito sentido no meio-campo, assim como a velocidade de Samuel Chukwueze pelos lados do campo. Gerard Moreno, com Dia no ataque, teve algumas oportunidades, mas o time falhou demais na conclusão dos lances, contra o 4-1-4-1 montado pelo Granada.


         
     

Elche 0x0 Athletic Bilbao

Na noite de segunda-feira, em Elche, o Athletic iniciou sua campanha em LaLiga com empate sem gols. Esta é a primeira temporada inteira do time com Marcelino García Toral, o que aumenta a expectativa depois do bom desempenho apresentado desde a chegada do treinador. Do outro lado, Fran Escribá, após salvar o Elche do rebaixamento, permanece no cargo.

Terceiro zero a zero da rodada, com os donos da casa lamentando o resultado pelas boas chances criadas, principalmente com o argentino Lucas Boyé. Com uma marca importante, porém, para Iker Muniain, que se tornou, com 28 anos e 240 dias, no jogador mais novo a alcançar 350 jogos por LaLiga com o Athletic. Mais novo que ele apenas Iker Casillas(28 anos 123 dias).


         
     
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Vitórias dos favoritos e boas estreias na primeira rodada de LaLiga

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Na Suécia, polêmica no clássico entre Malmö e IFK Gotemburgo aconteceu pela falta do VAR

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Vice-campeã mundial em 1958, duas vezes terceira colocada (1950 e 1994) e semifinalista da Euro na edição de 1992. Produziu, ao longo da história, grandes nomes do futebol como Henrik Larsson, Gunnar Nordahl, Tomas Broolin, Zlatan Ibrahimovic, Nils Liedholm e Thomas Ravelli. Faltou realmente um título para uma mudança de patamar para a Suécia, mas a relação do país com o esporte mais popular do mundo merece muito respeito. Quando partimos para os clubes, nenhum possui fama além das fronteiras suecas. A Allsvenskan é um campeonato extremamente bem organizado, mas de alcance internacional pequeno. Em um passado não tão distante assim, porém, representantes suecos eram adversários duríssimos para as grandes potências do continente. Malmö e IFK Gotemburgo, que se enfrentaram no último sábado (14), são dois ótimos exemplos.

Atual campeão, o Malmö foi batido em casa pelo IFK por 3 a 2, com um gol sofrido aos 54 minutos do segundo tempo, em pênalti muito polêmico, pela 15ª rodada. Resultado que ficou pior com a vitória no domingo do Djurgårdens por 1 a 0 sobre o Mjällby, abrindo três pontos de vantagem sobre na liderança. Enquanto no Brasil polêmicas surgem por causa do VAR, na Suécia o problema foi justamente a falta dele neste final de semana.

Malmö e IFK se enfrentaram no último sábado pelo Campeonato Sueco
Malmö e IFK se enfrentaram no último sábado pelo Campeonato Sueco Malmö

O tamanho do Malmö poderia ser bem diferente para a comunidade internacional. Na temporada 1978-79, alcançou a final da Copa dos Campeões da Europa. O gol marcado por Trevor Francis deu o primeiro título da Champions ao Nottingham Forest, do técnico Brian Clough, e fez do time inglês um clube conhecido por todos que apreciam o futebol europeu. Já o IFK pôde comemorar duas vezes conquistas continentais: foi campeão da Copa da UEFA em 1981-82 e 86-87. Os dois clubes são os maiores campeões da Suécia, com vantagem para o IFK (21x18), além de nutrirem rivalidade nacional.

Os melhores times suecos costumam apresentar boa organização tática. Não foi diferente com Malmö e IFK. O técnico dinamarquês Jon Dahl Tomasson, que foi um bom centroavante nos anos 1990 e 2000, montou os donos da casa no 4-2-3-1 na fase ofensiva e no 4-4-2 sem a bola, de maneira bastante tradicional. Já Mikael Stahre escalou a equipe de Gotemburgo na variação do 3-5-2 para o 5-3-2. Aliás, quando pensamos em futebol sueco, a própria seleção do país é um exemplo de táticas bem executadas.

Aqui no Brasil falamos muito em "calendário europeu", como se todos países da Europa seguissem as mesmas datas em seus respectivos campeonato nacionais. Não é assim. Na Escandinávia, por exemplo, a Dinamarca é exceção na utilização do calendário gregoriano. Suécia, Noruega, Finlândia, Islândia e Ilhas Faroe têm suas competições com início e fim no mesmo ano, assim como no Brasil. Isso se deve pelo frio extremo no inverno dessa região, que impediria os 16 clubes da primeira divisão de disputarem partidas no inverno, por isso jogam as 30 rodadas da Allsvenskan em turno e returno, entre abril e dezembro.

Braithwaite tem dia de gala, e Barcelona vence a Real Sociedad; assista

No campo do Eleda Stadion, o Malmö abriu o placar logo aos sete minutos com o atacante croata Antonio Çolak, em falha da defesa do IFK. Os donos da casa perderam pelo menos mais duas ótimas oportunidades para marcar o segundo, antes de também falharem na defesa e entregarem o gol para o veterano Marcus Berg, de 34 anos, de volta ao clube após 14 anos, empatar. Ele e Oscar Wendt, que retornou ao IFK depois de 15 anos, são as figuras mais conhecidas das duas equipes.

Até o final da primeira etapa o Malmö desperdiçou mais algumas oportunidades e aos dez minutos do segundo tempo, falhou de novo na defesa - Eric Larsson marcou contra, de cabeça. A partir daí, o Malmö iniciou enorme pressão sobre o IFK. Os próprio números finais do jogo demonstram isso: foram 32 finalizações contra apenas seis, sendo 10 a 3 no alvo. O empate surgiu em uma dessas 32 finalizações, com o atacante ganês Malik Abubakari aos 41 minutos, que entrara pouco antes na mudança tática para o 3-4-3, em bela cabeçada após escanteio.

Quando tudo já parecia encaminhado para o empate, o árbitro Glenn Nyberg se complicou. Aos 50 minutos, Berg recebeu lançamento no campo de ataque e foi atingido, no peito, pelas travas da chuteira de Peter Gwargis, do Malmö. Lance claríssimo para expulsão, que Nyberg não viu. Assim que a jogada parou, o assistente que estava na outra intermediária chamou o árbitro e avisou da gravidade do lance - Gwargis foi corretamente expulso. Se tivesse ficado apenas nisso... Só que o assistente indicou pênalti também, cometendo erro absurdo, aceito pelo árbitro principal. Claramente Berg estava fora da área, mas como não há VAR na Allsvenskan, Tobias Sana fez o gol da vitória do IFK - agora nono na tabela - aos 54 minutos, cobrando a penalidade máxima.

O Malmö se concentra a partir desta semana nos dois jogos contra o Ludogorets, pelos playoffs da Champions League. A partida de ida acontece já nesta terça-feira.

Sana comemora o polêmico gol de pênalti que garantiu a vitória do IFK
Sana comemora o polêmico gol de pênalti que garantiu a vitória do IFK IFK

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Na Suécia, polêmica no clássico entre Malmö e IFK Gotemburgo aconteceu pela falta do VAR

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E agora, LaLiga?

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman


Neymar em 2017, Cristiano Ronaldo no ano seguinte e agora Lionel Messi. As três grandes estrelas de LaLiga na última década não estão mais na Espanha. Aliada à saída do craque argentino, há uma rota de colisão pública entre a liga e os dois maiores clubes do país, Real Madrid Barcelona. Com a aprovação em assembleia do acordo com a CVC Capital Partners, excluindo ambos por opção própria, LaLiga abre a temporada 2021-22 de maneira menos turbulenta do que parecia há alguns dias e com previsão de muito equilíbrio.

O Atlético de Madrid, atual campeão espanhol, olha sem alardes para todo imbróglio envolvendo seus rivais e o presidente de LaLiga, Javier Tebas. Manteve praticamente a mesma equipe da temporada passada e ainda se reforçou com Rodrigo De Paul, campeão da Copa América com a Argentina e que vem da Udinese. Diego Simeone sabe que terá mais uma ótima oportunidade para lutar pelo título, e espera também contar com o apoio dos torcedores nas arquibancadas do Wanda Metropolitano. Ele será um dos cinco treinadores estrangeiros de LaLiga, ao lado de Ronald Koeman (Barcelona), Carlo Ancelotti (Real Madrid), Manuel Pellegrini (Betis) e Eduardo Coudet (Celta).

Bem além dos três favoritos ao título, LaLiga apresenta equipes de altíssimo nível. A "quarta força" é o Sevilla, do técnico Julen Lopetegi, que diante das dúvidas que existem sobre o desempenho de merengues e culés nesta temporada, buscará ótimo desempenho para, quem sabe, tomar o lugar de um deles. O atual campeão da Europa League, Villarreal, precisará dividir as atenções com a fase de grupos da Champions, mas permanece forte com Unai Emery no comando. Isso sem falar na força dos bascos, principalmente da ótima Real Sociedad, de Imanol Alguacil, e com a expectativa de crescimento do Athletic Bilbao - que também não aceitou o acordo com a CVC - com Marcelino García Toral desde o início.

Ainda com restrições devido à pandemia, LaLiga abre com o Atlético, de Simeone, em busca do bicampeonato
Ainda com restrições devido à pandemia, LaLiga abre com o Atlético, de Simeone, em busca do bicampeonato Atlético de Madrid

Oito das 17 Comunidades Autônomas da Espanha estarão representadas pelos 20 times da temporada 2021-22 de LaLiga - comunidade de Madrid e Andalusia possuem mais equipes, quatro cada. São quatro também os clubes que mudaram de técnico: o Valencia contratou José Bordalás, que deixou o Getafe e foi substituído por Míchel; o Real Madrid se despediu de Zinédine Zidane e saudou novamente Carlo Ancelotti, enquanto no Granada Diego Martínez optou por não renovar o contrato e deu lugar a Robert Moreno. Não há estreias de clubes em LaLiga neste ano, mas retornos de velhos conhecidos: Espanyol, Mallorca e Rayo Vallecano.

Nove empresas de material esportivo vestem os 20 clubes de LaLiga 2021-2022
Nove empresas de material esportivo vestem os 20 clubes de LaLiga 2021-2022 Dalton Cara/Arte ESPN

A técnica é a principal característica de LaLiga, uma das cinco principais ligas do mundo. O jogo bem trabalhado, cadenciado muitas vezes, é uma marca do vitorioso futebol espanhol nas duas últimas décadas. Tudo com muita organização tática e padrões bem estabelecidos. Há enormes desafios pela frente para os dois gigantes. Koeman e Ancelotti possuem os mesmo objetivos, mas com missões bem diferentes. Enquanto o holandês precisará criar um "novo Barcelona" pós-Messi, o italiano precisa evoluir o trabalho feito por Zidane. Mais uma vez, Simeone apenas observa e sorri.

O Barcelona perdeu sua referência, seu maior e melhor jogador em todos os tempos. Haverá uma inevitável transição e a consequente pressão de torcida e imprensa. Desde sua chegada, no início da temporada passada, Ronald Koeman pensa o Barça com Messi. Começou no 4-3-3, mudou para linha de cinco defensores com o 3-4-3 e terminou no 3-5-2, sempre com o meia argentino livre de responsabilidades defensivas, solto no ataque e ganhando vários jogos para o time. Esse protagonista não há mais, e o posto será disputado por Antoine Griezmann, Frenkie de Jong e pelo reforço Memphis Depay. O time está bem distante de ser ruim, como muitos apontarão, mas sofrerá até se encontrar sem o histórico camisa 10 - e também até conseguir inscrever todos os reforços, como Eric García e Memphis Depay.


Lionel Messi faz primeiro treino como jogador do Paris Saint-Germain 


  


         
 


    

 
 

 

No Santiago Bernabéu, ou melhor, no Alfredo di Stéfano até meados de setembro pelo menos, por mais que Sergio Ramos não esteja mais lá, sua saída foi bem menos traumática, assim como o adeus a Raphaël Varane. A dupla de zagueiros titulares será substituída por David Alaba, excelente contratação a custo zero, e Éder Militão, que terminou a temporada passada em altíssimo nível. Nos outros setores, Ancelotti terá o retorno de Gareth Bale e a necessidade de evolução de Federico Valverde, Vinícius Júnior e Rodrygo, além do trabalho de convencimento de Martin Odegaard. Casemiro, Luka Modric e Toni Kroos continuam, sem falar em Karim Benzema - ah, Eden Hazard também. Ainda em Madri, o Atleti terá Luis Suárez pela segunda temporada e seus principais companheiros do título de 2020-21, como Jan Oblak, Koke, Marcos Llorente e Ángel Correa. 

Por tudo que apresentou na temporada passada e também pelos reforços que chegaram, o Sevilla tem pleno direito de se colocar na briga com Atlético, Barcelona e Real Madrid. A negociação com o Tottenham envolvendo Bryan Gil trouxe para o Ramón Sánchez Pizjuán o meia Erik Lamela, que reforça o setor ofensivo. Nos últimos dias, mais um argentino confirmado: o lateral-direito Gonzalo Montiel, ex-River Plate, titular da Argentina na final da última Copa América, assim como Marcos Acuña. Por fim, Monchi, diretor do Sevilla, ainda tenta a contratação do mexicano Tecatito Corona, do Porto, e fica no aguardo da proposta do Chelsea por Jules Koundé. Vale destacar também a Real Sociedad, que sofreu com muitos desfalques na temporada passada, mas se colocou entre os primeiros colocados nos meses iniciais de LaLiga. Graças ao excelente desempenho de David Silva, Mikel Oyarzabal e Alexander Isak com o técnico Imanol Alguacil.

Lamela já está integrado ao núcleo argentino do Sevilla
Lamela já está integrado ao núcleo argentino do Sevilla Sevilla

Apesar da enorme dificuldade financeira imposta pelo período de pandemia, alguns clubes conseguiram se movimentar com bastante qualidade no mercado. O Villarral, por exemplo, buscou no Nice por 12 milhões de euros o bom atacante senegalês Boulaye Dia. O Granada acertou com o veterano colombiano Carlos Bacca, de 34 anos, que deixou justamente o Submarino Amarillo e substituiu Roberto Soldado, que seguiu para o Levante. O Celta, de excelente desempenho desde a chegada do técnico Eduardo Coudet, se reforçou com o português Franco Cervi, ex-Benfica. No Getafe, soluções nacionais, com Carles Aleña, Sandro Ramírez e Vitolo. Até mesmo o Valencia, em eterna economia sob propriedade de Peter Lim, conseguiu melhorar a defesa com a chegada por empréstimo do zagueiro paraguaio Omar Alderete, do Hertha Berlim.

Tradicional reduto de jogadores brasileiros na Europa, LaLiga permanece com alguns dos principais jogadores convocados por Tite nos últimos anos. O principal deles é Casemiro, titular inquestionável de Real Madrid e seleção brasileira. Terá como capitão oficial pela primeira vez Marcelo, que herdou a braçadeira de Sergio Ramos - no Real, o capitão é o jogador com mais tempo de clube, e no caso do lateral-esquerdo são 14 anos. Militão aguarda a oportunidade de jogar uma temporada inteira como titular, após o ótimo nível apresentado nos últimos meses. Vinícius Júnior e Rodrygo precisarão lutar por minutos com a chegada de Ancelotti. No rival colchonero, Renan Lodi perdeu a posição na temporada passada e Felipe deve ser um dos três zagueiros titulares.

Situação indefinida para Neto e Philippe Coutinho no Barça. O goleiro quer sair, já que é reserva absoluto de Marc-André Ter Stegen, mas com a lesão no joelho direito do alemão, ele abre a temporada como titular. Coutinho está na lista de saídas planejadas por Joan Laporta para reduzir a folha salarial do time. Apenas Emerson tem permanência garantida até o final, e o ex-jogador do Betis tem um importante desafio pela frente: provar a Tite que pode ser um dos dois laterais-direitos do Brasil na Copa do Mundo de 2022. No Sevilla, Diego Carlos e Fernando possuem status de absolutos na formação principal, assim como Gabriel Paulista, de cidadania espanhola desde 2020, no Valencia. Por fim, fechando a lista de brasileiros, Willian José retornou à Real Sociedad após empréstimo ao Wolverhampton e o zagueiro Sidnei permanece no Betis.

A "liga das estrelas", como LaLiga se auto denomina, já não está mais tão estrelada assim. De qualquer modo, Barcelona, Real Madrid e Atlético não se tornaram clubes menores, e a tendência é de recuperação para os próximos meses com o retorno do público aos estádios e restabelecimento de maiores arrecadações. Além disso, o acordo que criou LaLiga Impulso vai injetor pouco mais de 2 bilhões de euros entre os clubes espanhóis. Talvez esta seja uma temporada de transição após todos acontecimentos dos últimos meses, mas deve ser também uma das mais equilibradas das últimas décadas - assim como já fora a passada.

Cristiano Ronaldo e Messi fazem parte do passado de LaLiga agora
Cristiano Ronaldo e Messi fazem parte do passado de LaLiga agora Getty

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O dia em que Terra parou por Messi

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Cinco de agosto de 2021. Se estivéssemos em uma série, teríamos a imagem de Lionel Messi tenso, apreensivo, ao telefone. Na sequência, uma tela preta, com o cronômetro em regressiva, nos conduziria 72 horas antes. Veríamos um sorridente Messi, ao lado de Neymar e amigos, aproveitando as férias em Ibiza. A surpreendente reviravolta, que culminou com o anúncio oficial do Barcelona de que seu melhor jogador em todos os tempos deixaria o clube, pegou o mundo do futebol de surpresa.

Há algumas semanas a notícia sobre o imbróglio garantia: acordo total entre Messi e Barcelona. Josep Maria Bartomeu ja não estava no clube, Joan Laporta sempre garantiu ter excelente relacionamento com Leo, reforços chegaram para garantir um projeto esportivo melhor. Tudo levava a crer em um iminente anúncio de novo contrato para Lionel Messi. Tanto é que, nos últimos dias, Harry Kane, Romelu Lukaku e Jack Grealish dominaram o noticiário de mercado no futebol. Ninguém falava mais em Messi, porque simplesmente parecia não ser assunto.

Lionel Messi, o melhor e maior jogador na história do Barcelona
Lionel Messi, o melhor e maior jogador na história do Barcelona Divulgação

"Apesar de haver acordo entre Barcelona e Leo Messi e com a clara intenção de ambas partes em assinar um novo contrato no dia de hoje, isso não poderá se formalizar devido a obstácilos econômicos e estrauturais (regra de LaLiga espanhola)". O primeiro parágrafo do comunicado barcelonista já indica o caminho tortuoso que o futebol espanhol seguirá daqui em diante - contando, inclusive, o outro comunicado do dia: o posicionamento contrário do Real Madrid ao acordo de 2,7 bilhões de euros firmado por LaLiga com a CVC Capital Partners.

Quando o Barcelona entrou em campo no dia 16 de maio contra o Celta, com as arquibancadas do Camp Nou vazias, pela penúltima rodada do Campeonato Espanhol, o melancólico fim de temporada já era evidente. Esse foi o último jogo de Messi com a camisa blaugrana. Ele marcou 1 a 0 aos 28 minutos do primeiro tempo e viu a equipe galega virar com dois gols de Santi Mina, um em cada tempo. Na última rodada, contra o Eibar fora de casa, Messi já tinha partido - e, agora sabemos, para nunca mais voltar.

É curioso que, em meio a tudo isso, ele tenha conquistado algo extremamente importante para sua carreira. A esplendorosa Copa América de Messi nos lembrou dos melhores momentos dele com a camisa do Barcelona. Dribles sensacionais, arrancadas impressionantes, protagonismo absoluto em gramados brasileiros com o desfecho vitorioso no Maracanã. Messi deixou sua marca, assim como no gol "Maradoniano" contra o Getafe, na finta desconcertante em Jérôme Boateng, na cabeçada contra o Manchester United ou no primeiro gol como profissional, com assistência de Ronaldinho Gaúcho.

É complicado imaginar o Barcelona sem seu camisa 10. Foram 778 jogos como jogador do Barcelona, 542 vitórias, 142 empates e somente 94 derrotas. Incríveis 672 gols marcados, que o colocam como maior artilheiro em todos os tempos do Barça, assim como recordista em partidas - sem falar nas 266 assistências. Dos 26 Campeonatos Espanhóis conquistados pelo clube, dez foram com Messi em campo; das cinco Champions, apenas uma não teve o argentino no elenco. Se Johan Cruyff é a pessoa mais influente na história culé, não há jogador maior ou melhor do que Lionel Messi.

Não há ruptura possível maior que essa. Com 34 anos completados em junho, Leo ainda é o jogador mais talentoso do mundo. Na temporada passada marcou 38 gols e distribuiu 14 assistências em 46 jogos entre LaLiga, Copa do Rei e Champions League - ganhou várias partidas para o Barcelona. A partir de agora, o contestado Ronald Koeman passará a pensar o Barcelona sem sua referência.

Marc-André Ter Stegen permanecerá responsável por muitos pontos na temporada. Pedri, Sergio Busquetes, Frenkie de Jong também serão extremamente importante. Há dúvidas se a linha de cinco defensores será mantida, mas a variação tática de 4-3-3, 3-4-3, 3-5-2, não será mais pensada em torno de um jogador - no caso, o melhor de todos. Kun Agüero não terá Messi ao lado, mas sim Antoine Griezmann, Memphis Depay, Ansu Fati ou Ousmane Dembélé ao lado - se todos estiverem regularizados.

Será uma temporada de transição, e transições de eras tendem a ser muito complicadas e dolorosas. Ainda mais no cenário de ruptura com LaLiga reforçado com os comunicados do dia. Na prática, o Barcelona não pôde acertar novo contrato com Messi pelo modelo preventivo de Fair Play financeiro da Espanha. Diferentemente do que fazem UEFA e Premier League, por exemplo, cujo modelo pune posteriormente quem não se adequar à própria realidade financeira, LaLiga busca evitar os excessos. Assim, os clubes precisam comprovar receita para o que a liga chama de "limite de custo de plantel esportivo" - por isso as transações de Eric García, Depay, Agüero e Emerson ainda não foram concluídas, efetivamente. A própria LaLiga passará por enorme provação daqui em diante, ainda com o fantasma da Superliga mantido por Real Madrid e Barcelona.

Além de tudo isso, a partir do momento que Messi começar a marcar gols e derubar adversários pelo caminho, seja lá onde estiver, a pressão na Catalunha vai aumentar. Chama atenção, neste momento, não haver a possibilidade de enorme briga pelo livre Messi. Na Itália, a Inter deve perder Lukaku por dificuldades financeiras. Bayern e gastos exorbitantes em reforços não combinam. Entre os ingleses, o Manchester City acaba de gastar 118 milhões de euros em Grealish e estava atrás de Kane. Não necessariamente o destino mais provável, mas talvez aquele com menos barreiras seja o Paris Saint-Germain.

De qualquer modo, o que decidir Lionel Messi pode provocar enorme efeito "cascata" nas transferências globais. Se você tem mais de 100 milhões de euros para tirar um atacante do Tottenham, não vale a pena investir esse dinheiro em salários para o jogador mais talentoso do planeta? Ainda mais se há a possibilidade de reencontro com seu melhor técnico na carreira - foi com Pep Guardiola que Messi mais disputou jogos (219) e mais marcou gols (211) e deu assistências (79). E se alguém duvidar da capacidade de Messi, aos 34 anos, seguir como um ET, vale recordar que ele anotou ao menos 30 gols em cada uma das últimas 13 temporadas.

Ainda é difícil digerir tudo que aconteceu, de maneira tão repentina. Seria lindo vê-lo para toda vida com o uniforme azul-grená do Barça, o que não irá mais acontecer. É triste, também, saber que não haverá uma despedida digna de sua importância, como aconteceu com Andrés Iniesta e Xavi. Bastidores de toda essa história surgirão nos próximos dias e, naturalmente, ouviremos o que têm a dizer Messi e o Barcelona. Fato é que o legado de "La Pulga" para o barcelonismo será eterno, e esse cinco de agosto será lembrado para sempre não como um sonho de sonhador, mas como o dia em que a Terra parou para saber que Messi não seguiria no Barcelona.

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O dia em que Terra parou por Messi

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Dos fiordes noruegueses ao palco da eliminação brasileira na Copa de 2018, está definida a 3ª fase qualificatória da Conference League

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

As fases qualificatórias das competições europeias são verdadeiras aulas de cartografia. Passeamos pelos pontos extremos da Europa e, à medida que avançam, ganham relevância futebolística. Isso já acontecia com a Champions e a Europa League, mas com o acréscimo da Conference League ganhou condições de doutorado em geopolítica. A terceira fase qualificatória da nova competição da UEFA reserva confrontos que renderiam temas para belas produções acadêmicas.

O Prishtina, atual campeão kosovar, apenas pela sua origem já rende boas dissertações. Desde a independência de Kosovo em 2008, após a guerra com a Sérvia, 96 membros das Nações Unidas reconheceram o país como estado soberano. Recentemente houve enorme polêmica no jogo entre Espanha e Kosovo, pelas eliminatórias para a Copa do Mundo, quando a televisão estatal espanhola tratou o adversário da Fúria como território e não nação. Nos jogos contra o Bodo/Glimt não haverá esse problema.

O Bodo/Glimt se classificou para a terceira fase da Conference ao eliminar o Valur, da Islândia
O Bodo/Glimt se classificou para a terceira fase da Conference ao eliminar o Valur, da Islândia Kent Even Grundstad

A Noruega reconhece Kosovo desde março de 2008, e proporcionará ao Prishtina uma das viagens mais ao norte possíveis no continente. A cidade de Bodo está distante cerca de 700km do Cabo Nordkinn, ponto mais extremo ao norte de todo continente europeu, considerando terra firme. Será também mais um adversário de maior nível para a equipe kosovar, que passou pela fase preliminar na Champions e caiu na primeira qualificatória para o Ferencváros, da Hungria. Já na Conference, deixou o Connah's Quay Nomads, de Gales, pelo caminho.

Da própria Hungria, citada acima, vem um representante que fará confrontos de maior nível futebolístico contra o tradicional Basel, do atacante brasileiro Artur Cabral - que marcou um golaço de bicicleta na fase anterior contra o Partizani, da Albânia. O Újpest é o terceiro maior campeão húngaro com 20 títulos. Nos anos 1970, chegou às semifinais da Copa dos Campeões da Europa - que se tornaria a Champions - em 1975, caindo para o Bayern Munique; nas duas edições anteriores, caiu nas quartas de final.

 Com Gerson e Benedetto de titulares, Olympique de Marselha vence o Saint-Étienne em amistoso


  


         
 


    


Há ainda a história do Qarabag, clube do Azerbaijão, que não joga em casa desde 1993. A equipe é de Agdam, cidade que ficou completamente destruída e foi abandonada durante a Guerra de Nagorno-Karabakh entre azeris e armênios. Com isso, o Qarabag, clube fundado em 1951, foi obrigado a se mudar para Baku, capital nacional, onde permanece até os dias atuais. Em 2020, a região onde hoje estão as ruínas de Agdam voltou a estar sob controle do Azerbaijão, que em maio deste ano anunciou que irá reconstruí-la. Na Conference League, o adversário do representante azeri será o AEL Limassol, do Chipre, outro país que sofre com conflitos locais há muitas décadas - neste caso, com os turcos.

Ruínas da cidade fantasma de Agdam
Ruínas da cidade fantasma de Agdam Reza Photography

Alguns jogos, porém, reunirão times de nações historicamente ligadas. Caso, por exemplo, de Sochi e Partizan Belgrado, de Rússia e Sérvia, respectivamente. Os povos russos e sérvios se identificam culturalmente e religiosamente, mantendo vínculos fortes entre os estados. O Sochi é um exemplo da presença marcante de Vladimir Putin no esporte nacional, já que fez da cidade um centro de atração esportiva desde os Jogos Olímpicos de Inverno. Os partizans foram grupos de resistência e luta contra o nazismo durante a II Guerra Mundial, vinculados ao Partido Comunista da Iugoslávia.

Remanescências da segunda grande guerra estão presentes em todo continente e, consequentemente, no futebol. Slask Wroclaw, da Polônia, e Hapoel Be'er Sheva, de Israel, se enfrentarão pela terceira fase qualificatória da Conference League. Estima-se que três milhões de judeus foram mortos em campos de concentração entre 1939 e 45. Além disso, pelo não reconhecimento do estado de Israel por nações árabes, a Federação Israelense de Futebol é filiada à UEFA e não à AFC.

Dezenas de outras histórias estão presentes nos 32 confrontos desta fase da competição. Algumas já contadas aqui no blog, como do Velez Mostar, da Bósnia, um símbolo da divisão histórica que existe no país e de sobrevivência às guerras nos Balcãs. Outras apenas curiosas, como o Aberdeen, clube onde Alex Ferguson fez enorme sucesso na Escócia e de lá partiu para reescrever a história do Manchester United e do futebol inglês. E o confronto entre Bohemians, da Irlanda, que chama atenção pelo nome, e PAOK, da Grécia, clube com origem nos refugiados de Constantinopla na Guerra Grego-Turca? Até mesmo o palco da eliminação do Brasil na Copa de 2018 estará presente!

A Kazan Arena, palco de Brasil x Bélgica na Copa de 2018, é a sede do Rubin Kazan
A Kazan Arena, palco de Brasil x Bélgica na Copa de 2018, é a sede do Rubin Kazan Divulgação

Enfim, um verdadeiro convite aos curiosos e interessados em história. Os jogos, em confrontos de ida e volta, acontecem nos próximos dias 5 e 12 de agosto.

Maccabi Haifa (Israel) x BH Tórshavn (Ilhas Faroe)
Linfield (Irlanda do Norte) x Fola Esch (Luxemburgo)
Shamrock Rovers (Irlanda) x Teuta (Albânia)
Riga (Letônia) x Hibernians (Malta)
prishtina (Kosovo) x Bodo/Glimt (Noruega)
Dinamo Batumi (Geórgia) x Sivasspo (Turquia)
KuPS (Finlândia) x Astana (Cazaquistão)
Sochi (Rússia) x Partizan (Sérvia)
Slask Wroclaw (Polônia) x Hapoel Be'er Sheva (Israel)
Santa Clara (Portugal) x Olimpija Ljubljana (Eslovênia)
Újpest (Hungria) x Basel (Suíça)
Elfsborg (Suécia) x Velez Mostar (Bósnia)
Kolos Kovalivka (Ucrânia) x Shakhter Karagandy (Cazaquistão)
Paços de Ferreira (Portugal) x Larne (Irlanda do Norte)
Luzern (Suíça) x Feyenoord (Holanda)
Rigas (Letônia) x Gent (Bélgica)
Hibernian (Escócia) x Rijeka (Croácia)
Breidablik (Islândia) x Aberdeen (Escócia)
Trabzonspor (Turquia) x Molde (Noruega)
Bohemians (Irlanda) x PAOK (Grécia)
The New Saints (Gales) x Viktoria Plzen (Tchéquia)
Raków Czestochowa (Polônia) x Rubin Kazan (Rússia)
Lokomotiv Plovdiv (Bulgária) x Copenhagen (Dinamarca)
Cucaricki (Sérvia) x Hammarby (Suécia)
Tobol (Cazaquistão) x Zilina (Eslováquia)
CSKA Sofia (Bul?aria) x Osijek (Croácia)
Vojvodina (Sérvia) x LASK (Áustria)
AEL Limassol (Chipre) x Qarabag (Azerbaijão)
Spartak Trnava (Eslováquia) x Maccabi Tel Aviv (Israel)
Rosenborg (Noruega) x Domzale (Eslovênia)
Laçi (Albânia) x Anderlecht (Bélgica)
Vitesse (Holanda) x Dundalk (Irlanda)

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Dos fiordes noruegueses ao palco da eliminação brasileira na Copa de 2018, está definida a 3ª fase qualificatória da Conference League

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Argentina campeã: bastidores de uma Copa América diferente

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

A expectativa era enorme na recepção do Windsor Brasília, na capital federal, bem próximo à Esplanada dos Ministérios. Crianças e adultos, camisas da Argentina e do Barcelona no corpo e nas mãos, olhavam para o vazio esperando Lionel Messi. Os argentinos chegariam apenas à noite, mas desde a manhã a guarda já estava montada.

À medida que as horas passavam, a ansiedade de todos aumentava, assim como os aparatos de segurança exigidos pela AFA. O desejo de todos se tornou frustração, com pedidos da segurança do hotel para não fotografarem, além de biombos colocados no caminho dos atletas para evitar qualquer contato. Esse foi o padrão das passagens da seleção argentina por Rio de Janeiro, Brasília, Goiânia e Cuiabá durante a Copa América.

Recepção do hotel onde a Argentina se hospedou em Brasília
Recepção do hotel onde a Argentina se hospedou em Brasília Gustavo Hofman/ESPN

A pandemia exige protocolos mais rígidos, mas a maior preocupação sempre foi o camisa 10. Se muitos ali, que eram hóspedes apenas porque sabiam que a Argentina ficaria no hotel, se frustravam, do lado de fora um simples aceno dos jogadores nas chegadas e saídas dos ônibus geravam euforia. Messi foi sempre simpático, assim como Ángel di María. Já Sergio Agüero não se importava tanto assim. Eram os três que mais provocavam gritos e pedidos de um simples olhar.

Essa relação foi uma marca da passagem da seleção argentina pelo Brasil, na vitoriosa campanha da Copa América 2021. Relatos de seguranças contratados pela Conmebol e espalhados pelos hotéis onde os argentinos ficaram, confirmam a simpatia da maioria dos jogadores. No Rio de Janeiro, no hotel da mesma rede na Barra da Tijuca e última hospedagem antes da final, Lionel Messi ficou no décimo andar, quarto 1012, de frente para o mar. Cumprimentava a todos no corredor e chegou a tirar uma foto com um segurança mais ousado, que descumpriu a ordem expressa passada a todos eles de não incomodar qualquer pessoa das delegações.

Copa América: Argentina vence o Brasil com golaço de Di María e é campeã no Maracanã




Já as atitudes de membros da parte administrativa e de segurança da AFA, totalmente ao contrário dos jogadores, desagradaram muita gente. A reportagem da ESPN ouviu de dois gerentes desses hotéis relatos de antipatia e pedidos exagerados na estadia, principalmente na comparação com as demandas de outras seleções. Os uruguaios, por exemplo, costumavam tirar fotos com todos nas recepções e chegaram a usar as piscinas de onde estavam. 

Dia a dia

A pandemia impediu que dezenas de jornalistas, como seria habitual em uma grande cobertura, saíssem da Argentina e viessem para o Brasil. Assim, além da equipe da ESPN Brasil, apenas mais duas emissoras de televisão estavam desde o início da cobertura argentina, ambas de fora, além de um jornal espanhol. Em uma Copa América marcada pela desistência de Argentina e Colômbia em sediá-la, a corrida contra o tempo exigida pela decisão brasileira de trazer a competição para cá teve um preço na organização.

Arena Cuiabá foi um dos palcos de jogos da seleção argentina
Arena Cuiabá foi um dos palcos de jogos da seleção argentina Gustavo Hofman/ESPN

Nos primeiros jogos, os funcionários contratados para trabalhar nos estádios ainda estavam muito confusos quanto às informações. Os jornalistas se acostumaram a perambular de um portão para o outro, sempre com orientações incorretas. As próprias chegadas e partidas da seleção argentina nos hotéis estavam desorganizadas no início, sem qualquer preocupação com os jornalistas que ali estavam para transmitir as imagens para os torcedores. À medida que a competição avançou, tudo melhorou. Os periodistas, por exemplo, ganharam cercadinhos nas portas dos hotéis para não precisarem "brigar" por espaço com os torcedores.

Curioso que, em um torneio que recebeu torcedores apenas na final, muitos deles se tornaram grandes personagens. O principal deles foi Igor Magalhães, um apaixonado por Lionel Messi e que surpreendeu uma TV argentina, que fazia uma entrada ao vivo, com enorme tatuagem do jogador do Barcelona nas costas. A imagem chegou até Messi, que disse desejar conhecê-lo. A assinatura foi o complemento necessário na tattoo.

Isso fez com que os argentinos começassem a se interessar pelo tema "brasileiros torcendo para a Argentina" - que se tornou a principal pauta no Brasil nos últimos dias, enquanto a final da Copa América era tratada como decisão de Copa do Mundo na Argentina. Encontramos o sósia (mais ou menos) do craque em Goiânia, assim como um  Lionel Messi Gomes Ciqueira, de apenas três anos. Mais tatuagens e homenagens apareceram e encantavam a imprensa argentina, boquiaberta pela admiração de brasileiros.

Duas variantes brasileiras de Lionel Messi
Duas variantes brasileiras de Lionel Messi Gustavo Hofman/ESPN

Enquanto o pequeno Messi não entendia o que estava acontecendo ali, apenas se divertia com o microfone da ESPN, as incontáveis crianças em todas cidades por onde passou a Argentina, com camisas principalmente do Barça, mas muitas também de Manchester City e Paris Saint-Germain, evidenciavam - para quem ainda não aceita - a presença do futebol europeu entre os fãs brasileiros. Essa é uma realidade pouco debatida entre os clubes nacionais, que perdem espaço nas camadas jovens.

A própria torcida a favor da seleção argentina tem muito a ver, também, com a idolatria por jogadores de clubes europeus. Obviamente não é o único fator, e as questões políticas envolvendo o Brasil atual, o distanciamento dos torcedores da seleção que acontece há anos e as críticas ao estilo de jogo da seleção brasileira e ao técnico Tite fizeram parte do contexto explicado aos argentinos.

Garotos no aguardo da seleção argentina em Cuiabá
Garotos no aguardo da seleção argentina em Cuiabá Gustavo Hofman/ESPN

Protocolos e pandemia

Foi possível ver, também, como a pandemia é tratada de maneira muito distinta em capitais brasileiras. A Conmebol aplicou seus protocolos e exigiu testes RT-PCR negativos de todos jornalistas. Inicialmente, se acontecesse na Colômbia e na Argentina, a própria competição ofereceria estrutura de testagem a todos. Com a mudança repentina para o Brasil, a entidade decidiu que cada jornalista teria que fazer o teste por conta e subir o resultado no site resultados.copaamerica.com, 48 horas antes de cada partida.

Esse controle foi bem feito. Havia uma equipe, Covid Control, que cuidava apenas disso durante toda Copa América e, caso houvesse algum problema no arquivo, a pessoa precisava apresentar o resultado na porta do estádio para conseguir entrar. A boa organização apresentada nesse controle não foi repetida no acesso dos torcedores no dia da final. A Conmebol lavou as mãos na distribuição das entradas para Argentina x Brasil, no Maracanã, em 10 de julho. Argentinos e brasileiros se aglomeraram no portão 7 do estádio, sem qualquer orientação de pessoas da entidade, seguranças ou stewards. Ninguém se importou com a bagunça que acontecia do lado de fora.

Questionada pela ESPN, a assessoria de imprensa da entidade informou que assim que entravam no estádio, os torcedores ficavam em filas bem organizadas. Além disso, informou que as pessoas sabem que não podem se aglomerar. Todos os torcedores precisavam apresentar teste negativo, além do convite distribuído por AFA e CBF para conseguirem as credenciais.

Faltou organização para a retirada dos ingressos para a final
Faltou organização para a retirada dos ingressos para a final Gustavo Hofman/ESPN

Um episódio isolado de descontrole do protocolo aconteceu com a seleção argentina em um treino no estádio Ciro Machado, em Brasília, no dia 19 de junho. O motorista do ônibus que levou os jogadores, após o início do treinamento, deixou o local e se dirigiu a uma lanchonete ao lado para beber um cafézinho.

Foi cercado por curiosos e passou a mostrar, no celular, fotos dos jogadores. Sem qualquer constrangimento, tirou a máscara e passou a conversar com todos, alguns sem máscara também. A reportagem da ESPN alertou os seguranças que estavam na porta do estádio, e uma funcionária informou seus superiores sobre o que estava acontecendo. No dia seguinte, véspera da vitória sobre o Paraguai por 1 a 0, a cena se repetiu.

Motorista de ônibus da Argentina, sem máscara, conversa com pessoas fora do treino da seleção
Motorista de ônibus da Argentina, sem máscara, conversa com pessoas fora do treino da seleção Gustavo Hofman/ESPN

Felizmente, a delegação argentina, diferentemente de outras nesta Copa América, não apresentou casos positivos de coronavírus durante a competição. Justamente por causa da pandemia, a Argentina adotou estratégia pouco usual em grandes torneios. Ao invés de permanecer em território brasileiro, optou por retornar a Buenos Aires nos intervalos maiores entre os jogos e seguir os treinamentos em Ezeiza. Já nos hotéis, reservavam entre três e cinco andares, quartos individuais, e não dividiam o elevador com os hóspedes - neste caso, mais uma vez, postura diferente de jogadores e integrantes da deleção, já que alguns atletas não se preocupavam com essa determinação.

Foi, de maneira  geral, uma Copa América fria, que se transformou na última semana. Com as semifinais definidas e a real possibilidade de Argentina e Brasil na final, o próprio interesse das pessoas nas ruas surgiu. No início da Copa América, nos arredores dos estádios, era comum pedestres e motoristas de carro interpelarem a equipe da ESPN sobre qual jogo iria acontecer. Foi também um torneio que rendeu boas lembranças, como por exemplo a passagem de Diego Armando Maradona por Goiânia durante a Copa América de 1989. Isso porque os argentinos, agora em 2021, se hospedaram no mesmo hotel.

A próxima Copa América acontecerá em 2024, caso a Conmebol não crie uma edição extraordinária por qualquer motivo aleatório. Se isso realmente não acontecer, o Equador deve receber a 48a edição do torneio de seleções sul-americanas. Antes disso, no final de 2022, a Copa do Mundo já nos brindará com grandes histórias no campo e também nos bastidores de uma cobertura jornalística.

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Brasil x Argentina, Neymar x Messi: análise da grande final da Copa América

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Quando a Copa América começou, o favoritismo era da seleção brasileira. O trabalho de longo prazo de Tite, a invencibilidade, a segurança defensiva, tudo isso fazia do Brasil o time mais forte, indiscutivelmente, da América do Sul. Passadas quatro semanas, a disputa aumentou.

Por mais que muitas pessoas critiquem a forma de jogo do Brasil, a consistência e o equilíbrio dessa equipe permanecem intactos. O que mudou, no entanto, foi a avaliação do rival deste sábado (10), na final da Copa América, em pleno Maracanã. A Argentina é um time, hoje, melhor do que era no início da competição.

São os dois melhores ataques, com 12 gols para o Brasil e 11 para a Argentina - pouco abaixo da média de expected goals (xG) criada pelas equipes: 13,94 para os argentinos e 13,83 para os brasileiros, as duas maiores da competição. Foram os dois times que mais finalizaram (86 e 76, respectivamente) também.

Brasil x Argentina é Neymar x Messi na final: os absurdos números dos dois craques da Copa América; assista

Na posse de bola, Equador (56,8%) e Chile (56,7%) encerram a Copa América nas duas primeiras posições do ranking. Na sequência, vêm Brasil (55%), Paraguai (51,4%) e Argentina (50,9%). No caso argentino, reflexo claro da queda de rendimento do time em segundos tempos. Isso pode ser averiguado por outra estatística também, de passes para o último terço, onde há diferença grande entre os finalistas: 50,59 x 38,01. A Argentina, porém, cruza bem menos bolas na área do que o Brasil. Foram 55 até aqui contra 96 dos brasileiros. Em dribles e ações de 1x1 novamente se igualam, com 226 para Neymar e companhia e 208 para Messi y los compañeros.

Estão também entre as melhores defesas. Brasil e Uruguai sofreram somente dois gols, enquanto a Argentina concedeu um a mais. Duas equipes bem equilibradas na média de idade, balanceando bem jovens e veteranos: 27,7 anos para a Albiceleste e 27,1 para a Canarinho. Em quesitos defensivos ainda, apenas o Uruguai sofreu menos finalizações no total (32), mas também se despediu antes da competição. Foram 36 contra os brasileiros e 44 contra os argentinos no total.

A seleção comandada por Tite pressiona mais o adversário quando não está com a bola do que os jogadores comandados por Lionel Scaloni. A média de PPDA (Passes per Defensive Action), que mede o número de passes do adversário com a posse, foi de 8,54 contra 10,57 dos rivais deste sábado.

Individualmente, esta é a Copa América de Lionel Messi e Neymar. Os dois são os protagonistas da competição em todos aspectos de análise possíveis, inclusive nas estatísticas. São os dois que mais participaram de gols, nove e cinco respectivamente, contando gols e assistências. Além disso, lideram em vários índices como finalizações, dribles e arrancadas.

As estratégias serão extremamente importantes nos dois lados. Tite e Scaloni têm dúvidas e problemas para definir as equipes titulares. Pelo lado brasileiro, sem Gabriel Jesus, ao menos quatro jogadores disputam a vaga. Everton Cebolinha é o favorito, com Everton Ribeiro em segundo lugar. Roberto Firmino aparece com menos chances, assim como Gabigol.

Neymar e Messi brigam pela bola em um Brasil x Argentina
Neymar e Messi brigam pela bola em um Brasil x Argentina Getty

Cebolinha é a opção natural, sem esforço tático. Fecha o lado e ataca o espaço com a bola, além de possibilitar inversões de lado com Richarlison. O meia do Flamengo também faz essa função, mas com características diferentes, por jogar mais por dentro. A entrada de Firmino ou Gabigol demandaria mudança de posicionamento de Lucas Paquetá para o lado, o que parece absolutamente improvável neste momento, pelo bom rendimendo do jogador do Lyon por dentro.

Já a Argentina vai para a decisão deste sábado com dúvidas em mais de uma posição. Cuti Romero segue com um problema no joelho esquerdo e não deve jogar, mantendo assim Germán Pezzela na defesa ao lado de Nicolás Otamendi. Nas duas laterais há disputa: Nahuel Molina é favorito sobre Gonzalo Montiel pela direita e Marco Acuña pode recuperar o lugar que foi de Nicolás Tagliafico contra a Colômbia.

O meio-campo terá Giovani Lo Celso ao lado de Guido Rodríguez, muito provavelmente, com Leandro Paredes sendo a outra opção. O 4-4-2 argentino ainda contará com Rodrigo De Paul pelo lado direito e Nicolás González pela esquerda. Com a bola, a movimentação é grande já que Nico é um atacante pelo lado e De Paul um meia que fecha bastante, além da referência de movimentos ser Messi. A equipe evoluiu e ganhou mais opções, inclusive com Ángel di María saindo do banco de reservas, além de Papu Gómez.

É o maior clássico do futebol sul-americano, um dos maiores do futebol mundial. Se o Brasil está invicto há 13 jogos, a Argentina não perde há 19, segunda maior sequência na história da equipe - fica atrás apenas dos 33 jogos entre 1991 e 93 com Alfio Basile. A última derrota brasileira foi no amistoso de novembro de 2019, 1 a 0 para os argentinos. Assim como o último revés da Argentina foi para o Brasil, na semifinal da Copa América de 2019.

Messi e Neymar não ganharam a Copa do Mundo. O argentino chegou perto em 2014, mas ainda não possui qualquer taça com a seleção principal. O atacante brasileiro ganhou a Copa das Confederações em 2013 e, assim como seu amigo, ainda luta por uma Copa América. Aos 34 anos, Messi não deve ter outra para jogar. Neymar, aos 29, quer o título que não pôde conquistar há dois anos. Será um jogo maravilhoso.

Fonte: Gustavo Hofman

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66 curiosidades sobre os 66 times inaugurais da Conference League (para você se tornar especialista em futebol alternativo)

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Finalmente começou a UEFA Conference League
Finalmente começou a UEFA Conference League UEFA

Começou a Conference League! Para quem não sabe, a UEFA inverteu a importância das competições e decidiu, finalmente, privilegiar o futebol alternativo, em detrimento da Champions League e da Europa League, duas "modinhas". Bem, não é exatamente assim... Mas fato é que agora temos uma nova competição internacional para viajarmos pela Europa.

Nesta semana, terça e quinta-feira, aconteceram as partidas da primeira fase qualificatória da Conference, torneio voltado para os países de  menor expressão no futebol. Ainda haverá mais três até a fase de grupos. São 66 times e muitas histórias. Abaixo, você encontrará uma para cada um dos 66 clubes inaugurais, no formate "tuíte", para espalhar o futebol alternativo por aí.

Slask Wroclaw: Slask é a palavra em polonês para Silésia, região onde está o time e dividida entre Polônia, Tchéquia e Alemanha.  Pronúncia em português: "Xiláunski". Wroclaw (Vratislav) ficou em primeiro lugar no ranking da fDi Magazine sobre "Cidades Globais do Futuro 2021-22".

Spartak Trnava: 5x campeão tchecoslovaco, esteve perto da glória maior na Europa. Na semi da Copa dos Campeões de 1968-69, perdeu na ida para o Ajax, de Cruyff, por 3 a 0, e na volta em casa fez 2 a 0. Em 66-67, conquistou a Mitropa Cup batendo Honvéd, Fiorentina, Lazio e Újpest.

Žilina: clube que leva o nome da cidade eslovaca, quarta maior do país. Em 2009, a Kia Motors inaugurou enorme fábrica no local, com investimento de € 1,6 bilhão, transformando Žilina em seu hub europeu. Cerca de 60% das vendas da montadora coreana no continente partem de lá.

Maribor: Marcos Tavares, atacante brasileiro de 37 anos, ex-Grêmio e Athletico, é o maior artilheiro e ídolo na história do clube. Está no Maribor desde 2007 e se tornou também uma celebridade nacional em toda Eslovênia. Conquistou oito títulos eslovenos e quatro Copas.

Domžale: apenas 13 mil habitantes vivem na cidade, que empresta o nome a este clube esloveno. Com capacidade para 3 mil torcedores, o Športni park comporta quase um quarto da população, mas dificilmente tem mais de mil pessoas nas arquibancadas.

Puskás Akadémia: em homenagem ao maior jogador húngaro da história, o clube, fundado em 2005, leva seu nome. Por trás está o primeiro-ministro, Viktor Orbán, que cresceu em Felcsút, cidade da equipe, que ganhou um estádio (Pancho Arena) com capacidade para 2x a população local.

Fehérvár: trata-se do antigo Videoton, vice-campeão da Copa da Uefa em 1984-85. No primeiro jogo da final, 3 a 0 para os merengues na Hungria. Na volta, no Santiago Bernabéu com 98.300 torcedores, histórica vitória contra Míchel, Valdano e Butragueño, insuficiente para o título.

Swift Hesperange: há na cidade de Hesperange uma ponte estaiada bastante parecida com a existente sobre a Marginal Pinheiros, em São Paulo. Possuem extensões parecidas (260 e 290 metros, respectivamente). A luxemburguesa é mais antiga (1993) do que a paulista (2008).

Racing Union Luxembourg: clubes com presidentes mulheres já não são novidade há muito tempo. A advogada Karine Reuter preside o Racing-Union desde 2016, e antes disso se tornou celebridade na TV luxemburguesa em um programa onde ela resolvia problemas jurídicos para a população.

Suduva: o técnico espanhol Víctor Basadre, 51 anos, foi assistente técnico de Unai Emery no Valencia. Assumiu o Suduva neste ano, seu terceiro clube no terceiro país diferente nos últimos três anos (Volos na Grécia e Formenteras na Espanha foram os outros).

Kauno Žalgiris: o basquete é o esporte mais popular da Lituânia. O Kauno Žalgiris é a divisão de futebol do Žalgiris Kaunas, clube mais popular e maior campeão do país, um dos mais importantes de toda Europa no basquete. No futebol, ainda luta pelo primeiro título.

Ararat Yerevan: um dos maiores clubes da Armênia, é o único a ter conquistado o Campeonato Soviético em toda história. Em 1973, superou todas as potências russas e ucranianas, incluindo o Dinamo Kiev, do artilheiro do campeonato Oleg Blokhin, que ficou com o vice.

Noah: com quatro anos de existência, este clube armênio já mudou de nome (surgiu como Artsakh), cores, escudo e conquistou a copa nacional em 2020. A República de Artsakh (Nagorno-Karabakh) é um dos locais de maior tensão geopolítica no mundo, envolvendo Armênia e Azerbaijão.

Urartu: antigo FC Banants, desde 2019 FC Urartu, que remete ao termo assírio para designar a região onde hoje está a Armênia. O clube informa em seu site oficial possuir vagas para treinadores na base. Interessados devem enviar currículo para fcurartuacademy@mail.ru.

Liepajas: o clube pertence a Maris Verpakovskis maior artilheiro na história da seleção letã com 29 gols, que é da cidade com o mesmo nome do time - que, na verdade, é a versão refundada do tradicional Liepajas Metalurgs, dissolvido em 2013 por problemas financeiros.

RFS: o Rigas Futbola Skola está em uma das mais belas cidades presentes na Conference League. Riga, capital da Letônia, foi apelidada de "Paris dos Bálticos" e foi declarada pela Unesco Patrimônio da Humanidade. No futebol, o RFS é potência no futebol nacional feminino.

Valmiera: Janis Dalinš conquistou a medalha de prata na marcha de 50km nas Olimpíadas de 1932, em Los Angeles, e se tornou o primeiro letão medalhista olímpico. Ele nasceu em Valmiera, no interior da Letônia, e empresta o nome ao estádio onde joga o time de futebol da cidade.

Vllaznia: clube de futebol mais antigo da Albânia, fundado em 16/fev/1919. Porém, é somente o quarto maior campeão com nove títulos nacionais. Durante a II Guerra, o Campeonato Albanês foi disputado e em 1940 o time foi campeão, mas essa taça não é reconhecida oficialmente.

Partizani Tirana: apenas o Partizani, clube historicamente ligado ao exército da Albânia, terá a oportunidade de decidir a primeira Conference League em casa. A decisão está marcada para 25/mai/2022, em Tirana, na Arena Kombëtare - Air Albania Stadium, pelos naming rights.

Laçi: cada um tem o 7 a 1 que merece, certo? Pois o Laçi possui dois, para não esquecer! A maior derrota do clube como mandante, na história, foi em 18/dez/2004, 7 a 1 para o Vllaznia. Já a maior lembrança negativa internacional foi um 7 a 1 para o Dnepr MOgilev, de Belarus.

Sileks: está na segunda divisão macedônia! Foi rebaixado na temporada passada, mas conquistou a Copa do país, ao bater o Akademija Pandev na decisão. Nesta primeira fase da Conference, apenas Sileks e Gagra, da Geórgia, não estão em suas primeiras divisões nacionais.

Shkupi: em 2012 o Slogan Jugomagnat, clube tradicional do país, se fundiu ao FC Albarsa para criar o Shkupi. Por questões políticas, envolvendo as relações entre Macedônia do Norte e os albaneses que vivem na região, essa sucessão não é reconhecida pela federação local.

Struga: a cidade de Struga, localizada na região sudoeste da Macedônia do Norte, banhada pelo lago Ohrid, é um destino turístico e cultural. Lá acontece um dos principais festivais de poesia no mundo, que já premiou grandes nomes do gênero na história, como Pablo Neruda.

Sarajevo: a rivalidade com o Željeznicar é uma das maiores dos Balcãs, o dérbi reúne as duas maiores torcidas da Bósnia. Na temporada passada, ambos foram superados pelo Borac Banja Luka, que voltou a ser campeão após dez anos. O Sarajevo foi vice e o Željeznicar somente sétimo.

Velež Mostar: em Mostar está um dos principais destinos turísticos da Bósnia. A Stari Most é uma ponte que sobreviveu a 427 anos de história, sobre o rio Neretva, até ser destruída na Guerra da Iugoslávia em 1993. Foi reconstruída e se tornou um símbolo para toda nação.

Široki Brijeg: a cidade de mesmo nome é de maioria croata, localizada no sul da Bósnia, no Cantão Ocidental de Herzegovina. O clube representa para seus torcedores o nacionalismo croata, e a torcida é conhecida como Škripari - termo usado por uma guerrilha fascista nos anos 40.

Sfîntul Gheorghe: o clube ainda é jovem, tem apenas 17 anos, mas os últimos têm sido bem marcantes. Atual campeão da Copa da Moldávia, após dois vices seguidos, venceu também a Supercopa neste ano. Só não conseguiu levar ainda o Campeonato Moldavo, onde bateu na trave em 2019.

Petrocub Hînce?ti: são três temporadas consecutivas caindo na primeira fase qualificatória da Europa League, com eliminações para Osijek-CRO, AEK Larnaca-CPR e Backa Topola-SER, ainda sem uma única vitória. Buscará a primeira contra o Sileks, da Macedônia.

Milsami Orhei: em 2015, ao conquistar o Campeonato Moldavo, se tornou o primeiro clube fora da capital, Chisinau, e de Tiraspol, cidade do Sheriff, a ficar com o título nacional. Não venceu mais depois disso, apesar de ter levantado o troféu da Copa da Moldávia em 2018.

Dundalk: fundado como um clube de rugby pelos trabalhadores da Great Northern Railway em 1883, adotou o association football vinte anos depois e não se arrependeu. Tornou-se um dos maiores times da Irlanda. Nos últimos anos, disputou duas vezes a fase de grupos da Europa League.

Bohemian: a origem do Bohemians, como é chamado por todos, é extremamente nobre. O clube foi fundado por membros da Real Escola Militar Hibernian, instituição que surgiu para cuidar de órfãos de militares. Disputa o Dublin Derby com o Shamrock Rovers, principal clássico irlandês.

Sligo Rovers: o jogador mais famoso que já atuou pelo Sligo Rovers é o lateral Séamus Coleman, atualmente no Everton. Coleman, que jogava futebol gaélico antes, foi descoberto pelo clube ainda na base, quando defendia o St Catherine's, na cidade de Coleman, a litorânea Killybegs.

Inter Turku: "Desenvolver jogadores para clubes europeus e ensiná-los a jogar um futebol atrativo e agressivo com a bola, baseado em um jogo fluido de passes". Essa é a ousada estratégia deste clube finlandês. Atualmente é comandado pelo técnico espanhol José Riveiro.

KuPS: Kuopion Palloseura é o significado das quatro letras que compõem a forma mais comum de referência a este clube. Kuopio é a oitava cidade mais populosa da Finlândia com 121 mil habitantes. Palloseura não possui tradução literal, mas significa "clube de esportes com bola".

Honka: o brasileiro Lucas Kaufmann, de 30 anos, é um dos grandes ídolos na história do clube. Desde 2017 no Honka, o meia, que passou pela base do Internacional, já tem mais de 100 jogos pela equipe finlandesa e mais de 20 gols marcados. Lucas joga e mora na Finlândia há uma década.

Gagra: a cidade de Gagra fica na Abkhazia, parte integrante da Geórgia, mas reconhecida como república independente pela Rússia. Há enorme tensão na região, e por isso o clube nunca pôde atuar em casa, mandando seus jogos desde o início, em 2004, na capital georgiana, Tbilisi.

Dinamo Batumi: o Batumi Stadium é uma belíssima arena inaugurada em 2020, ao custo de 36 milhões de euros e que atende aos padrões exigidos pela UEFA. Está construído em uma área de 30.660 m2 e possui ainda 1200 vagas de estacionamento, além de capacidade para 20 mil torcedores.

Dila Gori: Dila é o nome de um poema escrito por Joseph Stalin, que nasceu e viveu a infância em Gori, no interior da Geórgia. Há um museu na cidade sobre Stalin e em frente à assembléia municipal uma estátua dele, que chegou a ser removida em 2010, mas recolocada após dois anos.

Gzira United: Gzira é uma minúscula cidade de Malta de apenas 1,5km², mas com população de 11 mil habitantes. Gzira significa "ilha" em maltês, e a nomeia por causa da Ilha Manoel, localizada à frente no mar. Mais adiante, no outro lado da baía, fica a cidade murada de Valletta.

Birkirkara: a poderosa Associação Europeia de Clubes, agora presidida por Nasser Al-Khelaifi após a destituição de Andrea Agnelli, surgiu em 2008 e possui ao menos um representante de cada uma das federações filiadas à UEFA. O Birkirkara, de Malta, é um dos membros fundadores!

Mosta: o atacante Nixon, revelado pelo Flamengo, está no Mosta desde o ano passado (ao menos assim consta). O futebol maltês é um caminho para vários jogadores brasileiros nos últimos anos. Na temporada passada, 52 deixaram o Brasil para atuarem em Malta, quinto principal destino de brasileiros.

FH: o glorioso Fimleikafélag Hafnarfjarðar, ou simplesmente FH, é um clube com várias modalidades esportivas na Islândia. Apesar dos oito títulos nacionais conquistados desde 2004, o futebol não é o esporte mais vencedor do clube, bem atrás do handball masculino (16 taças).

Stjarnan: a série televisiva infantil LazyTown se tornou famosa internacionalmente e passou também no Brasil. Foi produzida entre 2004 e 2007, totalizando 78 episódios. Misturava bonecos com atores de verdade. Pois bem: foi gravada em Garðabær, na Islândia, cidade do Stjarnan.

Breiðablik: quem assistiu a série Katla, no Netflix? Se você ainda não viu, pare de ler porque há spoiler na sequência. Parou? O Povo Oculto é uma lenda urbana de Kópavogur, cidade que é a casa do Breiðablik, campeão islandês uma única vez, em 2010.

The New Saints: Llansantffraid-ym-Mechain, em Gales, e Oswestry, na Inglaterra, são cidades distantes apenas 13 km. O clube é o representante das duas desde 2006, quando o Oswestry Town fundiu com o Total Network Solutions e, três anos depois, mudou de nome para The New Saints.

Bala Town: duas mil pessoas vivem em Bala, no leste de Gales. No Canadá há outra Bala, em homenagem à cidade galesa. O ator Christopher Timothy, famoso na televisão britânica pela série All Creatures Great and Small, produzida pela BBC entre as décadas de 1970 e 90, nasceu lá.

Newton: para celebrar a participação na Conference, quarto torneio internacional na história do Newton AFC, o clube vai lançar um Programa de Jogo especial - colorido e em formato A4. Interessados em patrocinar a publicação devem procurar o Barry Gardner pelo +44 0793914941.

Coleraine: poucos clubes no mundo jogam em um estádio com um nome não chamativo: The Showgrounds. Lá, em 15 de setembro de 1982, o Tottenham enfrentou o Coleraine diante de 10 mil torcedores. Recorde até hoje do clube norte-irlandês, da cidade de mesmo nome.

Glentoran: a temporada 1973-74 foi inesquecível na história do Glentoran. Após conquistar a Copa Norte-Irlandesa, garantiu vaga na Recopa europeia e caiu apenas nas quartas de final para o Borussia Mönchengladbach, de Jupp Heynckes e Berti Vogts.

Larne: o cenário é espetacular, digno do Senhor dos Anéis. Pela cidade passa a rodovia A2, mais conhecida por Antrim Coast Road. A maior parte de seus 385km é beira-mar, nas colinas cinematográficas do Condado de Antrim. Um local marcante fica em Larne, o Blackcave Tunnel.

Europa: o tradicional Europa FC, tradicional ao menos em Gibraltar, tem uma disputa pela própria história. Fundado em 1925, por muito tempo fez parceria com o College FC e se chamou College Cosmos, mas quando isso acabou, em 2013, a disputa começou, já que existe o College 1975.

St. Joseph's: o técnico do St. Joseph's é o ex-zagueiro espanhol Jaime Molina, de carreira respeitável na Espanha nos anos 1980 e 90, tendo defendido Málaga, Espanyol e outros clubes menores. Ele assumiu o comando da equipe gibraltina em junho deste ano.

Mons Calpe: a federação de Gibraltar se filiou à UEFA apenas em 2013, mas o futebol é jogado neste território ultramarino britânico desde o início do século passado. O Mons Calpe, porém, é um dos clubes mais novos, fundado justamente no ano da filiação continental.

Sutjeska: a Batalha de Sutjeska foi um confronto em 1942, durante a II Guerra, entre o Eixo e a resistência comunista na Iugoslávia, os Partisans. O FK Sutjeska Nikšic possui esse nome desde 1945 - até então fora Hajduk e Hercegovac - em homenagem a todos os mortos iugoslavos.

Decic: Refik Šabanadžovic, lateral-direito campeão europeu com o Estrela Vermelha em 1991, começou na base do Decic e é de Tuzi, cidade no interior de Montenegro, sede do clube - que, aliás, jamais conquistou um título na elite montenegrina ou iugoslava.

Podgorica: a cidade de Podgorica, capital de Montenegro, foi chamada de Titograd entre 1946 e 92. Grandes nomes do futebol mundial surgiram lá, como Predrag Mijatovic e Dejan Savicevic na base do Buducnost. O FK Podgorica é um time pequeno, refundado em 2014 a partir do OFK Mladost.

Levadia: segundo maior campeão estoniano com nove títulos, atrás apenas do rival Flora, nem sempre o Levadia esteve na capital Tallinn. O clube era de Maardu e se chamava Olümp, até ser patrocinado pelo grupo empresarial Levadia em 1998 e se mudar para Tallinn em 2004.

Paide Linnameeskond: o clube surgiu como base para o Flora, da capital Tallinn. Evoluiu, desenvolveu vida própria e nos últimos anos foi vice-campeão da Copa da Estônia (2014-15) e vice nacional neste ano. Na temporada passada jogou a primeira fase qualificatória da Europa League.

Llapi: em Podujevo, cidade do Llapi, está localizado um dos principais destinos dos kosovares nos feriados. O Lago Batlava foi construído no período iugoslavo e se tornou também a maior fonte de água para a população de Podujevo e também da capital Pristina.

Drita: um dos maiores clássicos do Kosovo é disputado entre Drita e Gjilani, ambos da cidade de Gjilan, no interior do país. O jogo é chamado de Kosovo Derby pela enorme rivalidade que existe entre as torcidas, com alguns grupos de ultras nos dois lados.

Runavík: as Ilhas Faroe, como o próprio nome indica, são ilhas (jura, gênio? Auto-ironia com o autor). Eysturoy, onde fica Runavík, é a segunda maior em tamanho (286,3 km2) e em população com menos de 12 mil pessoas. Algumas costuma ir aos jogos do Runavík.

: Klaksvíkar Ítróttarfelag. Fale rápido agora o nome completo do glorioso KÍ. Difícil, não é mesmo? Porém, a tradução do faroês é bem simples: Esporte Clube de Klaksvik - segunda maior cidade das Ilhas Faroe com cinco mil habitantes (10% da população nacional).

Sant Julià: uma única vez em toda história o Sant Julià avançou da primeira fase de uma competição continental. Na temporada 2009-10, o clube de Andorra jogou contra o Tre Fiori, de San Marino, pela primeira qualificatória da Champions e passou nos pênaltis. Depois perdeu para o Levski.

Santa Coloma: não há clube maior em Andorra do que o Santa Coloma. São 13 títulos nacionais, em um campeonato criado em 1995. Se bem que o FC Andorra, propriedade de Gerard Piqué, joga no futebol espanhol, possui mais qualidade e atualmente já está na terceira divisão.

La Fiorita: a única universidade de San Marino, país com 33 mil habitantes, está em Montegiardino - que não possui nem mil pessoas morando lá. No futebol, San Marino ocupa a lanterna no ranking de coeficientes da UEFA.

Tre Penne: Maicon, ex-lateral da seleção brasileira em diversas competições, incluindo duas Copas, está no Tre Penne, de San Marino. Aos 39 anos, esteve em campo na estreia da equipe na Conference League, goleada sofrida por 4 a 0 para o Dinamo Batumi.

Fonte: Gustavo Hofman

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