Real Sociedad vai se manter na briga pelo título de LaLiga até o final?

Gustavo Hofman
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Essa é a pergunta de um milhão de euros, ou melhor, cerca de 160 milhões de euros já que o assunto é LaLiga Neste domingo, a Real Sociedad venceu o Osasuna por 2 a 0 e se manteve na liderança do Campeonato Espanhol, agora com 28 pontos em 13 rodadas. Após a derrota na estreia para o Barcelona, a equipe basca não perdeu mais em LaLiga.

Na temporada passada, a Real Sociedad também liderou no início da competição. No entanto, lesões de alguns dos seus principais jogadores derrubaram rapidamente o time da primeira posição. O quinto lugar na classificação final ficou de bom tamanho pelo desempenho, principalmente nos confrontos diretos com Sevilla, Barcelona, Real Madrid e Atlético de Madrid. Agora a história parece ser diferente.

Januzaj marcou o segundo gol na vitória da Real Sociedad por 2 a 0 sobre o Osasuna
Januzaj marcou o segundo gol na vitória da Real Sociedad por 2 a 0 sobre o Osasuna Real Sociedad

David Silva, Alexander Isak, Ander Barrenetxea, entre outros já se machucaram, perderam jogos, mas a Real Sociedad não perdeu rendimento. Imanol Alguacil conseguiu, até aqui, mesmo com os desfalques, manter sua equipe com a mesma intensidade ofensiva e a característica regularidade defensiva - o ataque é o quarto melhor de LaLiga e a defesa a terceira menos vazada com dez. Além disso, apresenta variação tática, deixando em vários momentos o 4-3-3 de lado para usar dois centroavantes, com a entrada de Alexander Sorloth. Apesar da derrota para o Barça, empatou com Atlético e Sevilla; enfrentará o Real Madrid em 4 de dezembro, em San Sebastián. Esse será um confronto decisivo para demonstrar as reais pretensões bascas.

O Real Madrid, que tem uma partida a menos e está com 27 pontos, evolui a cada jogo, mesmo sem brilhar. Vinicius Júnior e Karim Benzema somam 17 gols, menos apenas que Robert Lewandowski e Serge Gnabry (19) nas cinco grandes ligas europeias. Passa a impressão de equipe mais regular, em uma temporada totalmente aberta na Espanha. Com a irregularidade do Atlético, que no papel é o time mais forte, a disputa fica mais equilibrada também considerando o Sevilla, que é outro time que está com uma partida a menos e 27 pontos.

No entanto, se deixarmos de lado a briga pelo título e pensarmos em classificação para a próxima Champions, a vantagem da Real é olhar o Barcelona bem distante neste momento. Situação que, naturalmente, pode mudar com a chegada de Xavi, mas fora os culés, é improvável que Betis, Rayo Vallecano, Athletic ou Osasuna entrem nessa disputa. Vale lembrar também, que a Real Sociedad está na Europa League e briga pela classificação para a próxima fase com PSV e Monaco.

Abaixo está o resumo da 13a rodada de LaLiga.

Athletic Bilbao 0x1 Cádiz

O Athletic voltou a decepcionar. Após boa sequência de resultados e um empate emocionante com a Real Sociedad na última rodada, a equipe do técnico Marcelino García Toral, mesmo com 70% de posse de bola, fez outro jogo ruim em LaLiga e perdeu para o Cádiz por 1 a 0. Esta foi apenas a segunda vitória do time comandado por Álvaro Cervera, conquistada graças ao gol solitário marcado por Salvi logo aos seis minutos.


         
     

Espanyol 2x0 Granada

Na rodada passada, o Espanyol garantiu ao Getafe sua primeira vitória na temporada; nesta, não vacilou e confirmou o favoritismo contra o Granada. Para variar, Raúl de Tomás marcou mais um gol (sétimo dele) e foi decisivo no 2 a 0, contra um adversário que também criou boas oportunidades. No final das contas, o Granada terminou a partida com maior posse de bola (57%) e mais finalizações (18 x 17).


         
     

Celta 3x3 Barcelona

Xavi terá muito trabalho pela frente. No segundo e último jogo de Sergi Barjuán como técnico interino, o Barcelona abriu 3 a 0 e levou o empate do Celta no segundo tempo, com o gol decisivo marcado por Iago Aspas aos 51 minutos. A equipe de Vigo pressionou muito na segunda etapa e foi bem superior, tendo inclusive maior posse de bola que os catalães (52%). Para piorar para o Barça, Ansu Fati sofreu uma lesão muscular e deve ficar fora por algumas semanas.


         
     

Alavés 2x1 Levante

Está mais do que confirmada a reação do Alavés. São três vitórias e um empate nas quatro últimas rodadas, sequência que colocou o time na 14a posição. Joselu é o maior responsável com os dois gois diante do Levante e cinco dos oito que a equipe de Vitoria-Gasteiz marcou até aqui. Aos poucos o Alavés vai se colocando em uma situação mais condizente com o time que tem. Por outro lado, o Levante permanece como único time que ainda não venceu na temporada de LaLiga.


         
     

Real Madrid 2x1 Rayo Vallecano

O dérbi madrilenho entregou o que se esperava: um grande jogo. Venceu o melhor time, que tem mais talento e criou mais oportunidades, mas que não soube "matar" a partida e levou sufoco no final. O trio de ataque madridista funcionou muito bem, com Asensio-Benzema-Vinicius; o brasileiro quase marcou um golaço, arrancando com a bola no meio-campo. O Rayo melhorou na segunda etapa com as substituições de Andoni Iraola e viu Falcao García entrar, marcar e sair machucado depois de 11 minutos. 


         
     

Villarreal 1x0 Getafe

Eram quatro rodadas em LaLiga sem vitória e uma semana que começou com a possível saída de Unai Emery para o Newcastle. Finaliza com vitórias sobre  Young Boys, pela Champions, e Getafe, pelo Campeonato Espanhol, além da certeza de continuidade do treinador. De qualquer modo, o Submarino Amarelo precisa jogar mais; ganhou sem grande atuação contra o Getafe, que na rodada passada vencera pela primeira vez na temporada e pouco criou contra o Villarreal - somente cinco finalizações na partida. 


         
     

Valencia 3x3 Atlético de Madrid

Depois da emoção em Barcelona no sábado, o Valencia foi o responsável pela partida espetacular de domingo. O Atlético fez 1 a 0 com Luis Suárez (14o dele contra os Ches, sua principal vítima na carreira), no primeiro tempo, em bela jogada trabalhada com Antoine Griezmann e Ángel Correa - Atleti no 3-4-3 mais uma vez. Os colchoneros levaram o empate no início da segunda etapa, mas logo na sequência marcaram dois gols (um golaço de Griezmann) e retomaram a vantagem. Já nos acréscimos, Hugo Duro marcou duas vezes e garantiu a igualdade. Foi a primeira vez na história de LaLiga, que o Atlético com Diego Simeone como treinador não ganha um jogo após abrir dois gols de vantagem.


         
     

Osasuna 0x2 Real Sociedad

Não era um bom jogo da Real Sociedad, que mais uma vez não conseguiu marcar no primeiro tempo - isso aconteceu em 11 das 13 partidas. O Osasuna, já na etapa final, tinha as melhores chances e chegava com perigo no ataque. Isso até 27 minutos, quando Mikel Merino finalizou de fora da área, a bola desviou e nada pôde fazer Sergio Herrera. A partir daí a equipe basca foi bem superior e ampliou dez minutos depois com Adnan Januzaj, cobrando pênalti que ele mesmo sofreu. Mais uma vitória e manutenção da liderança de LaLiga garantida.  


         
     

Mallorca 2x2 Elche

Mais uma partida de LaLiga decididas nos acréscimos. O Elche perdeu a chance de voltar para casa com três pontos, graças ao gol marcado por Pablo Maffeo aos 50 minutos do segundo tempo. Resultado, no final das contas, ruim para as duas equipes, que não vencem há quatro rodadas - pior para o Elche, primeiro na zona de rebaixamento. O atacante argentino Lucas Boyé marcou os dois gols dos visitantes e chegou a quatro na temporada.

Betis 0x2 Sevilla

Primeiro tempo muito bom, com chances para os dois lados. O Sevilla esteve melhor desde o início, assumindo o controle com maior posse de bola, mas foi ameaçado pelo Betis. Tudo mudou com a expulsão de Guido Rodríguez, que recebeu o segundo cartão amarelo aos 45 minutos. No intervalo Manuel Pellegrini sacou Willian José, colocou William Carvalho, reorganizou o meio-campo, mas levou o 1 a 0 logo aos dez em um golaço de Marcos Acuña. Jogando no 4-2-3-1, com Ivan Rakitic como meia avançado, o Sevilla dominou até o fim e fez o segundo com a ajuda de Héctor Bellerín.

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Sobre seleção brasileira, esquemas táticos e responsabilidades do jornalismo

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Alisson, Danilo, Marquinhos, Thiago Silva e Guilherme Arana; Casemiro e Fred; Antony, Lucas Paquetá e Vinicius Júnior; Neymar. Essa será a formação titular do Brasil contra o Chile nesta quinta-feira, no Maracanã, pelas eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo. Há algumas novidades.

A começar pela presença inédita de Antony iniciando uma partida pela seleção brasileira. Com o corte de Raphinha, desconvocado por ter testado positivo para COVID-19, o atacante do Ajax ganhou a oportunidade para fazer o lado direito do ataque. Em grande fase na Holanda, Antony tem enorme concorrência por um lugar no setor ofensivo entre os convocados para o Mundial.

Casemiro será titular mais uma vez no meio-campo da seleção brasileira
Casemiro será titular mais uma vez no meio-campo da seleção brasileira Lucas Figueiredo/CBF

Na frente, ainda, Neymar atuará mais uma vez como "falso 9". Partirá de um posicionamento central, abrindo espaços para os companheiros e oferecendo o jogo apoiado, com muita liberdade de movimentação. Já na defesa, Guilherme Arana foi o escolhido para começar na super concorrida lateral-esquerda e ser testado em uma partida com nível maior de enfrentamento.

Movimentação ofensiva

Desde quando Tite assumiu, no segundo semestre de 2016, a seleção brasileira já apresentou muita variação tática. Tudo que é executado em campo passa por intenso debate entre os membros da comissão técnica, que inclui avaliação dos adversários, observação dos atletas brasileiros em seus clubes e, acima de tudo, muito estudo. Nada é feito por mera intuição. Há razões e motivos para cada decisão tomada.

Contra o Chile, o plano tático estará baseado na plataforma do 4-2-3-1 e suas variações possíveis. Haverá muita similaridade com a partida contra o Uruguai na forma como a seleção atacará os chilenos: na construção de jogo o 3-3-4, com Danilo sendo um zagueiro pelo lado direito e Arana se posicionado próximo a Casemiro e Fred. Antony e Vini serão os responsáveis pela amplitude, o jogo forte pelo lado buscando o um-contra-um; Paquetá e Neymar atacando por dentro.

À medida que o time avança com a bola em campo, Arana e/ou Fred sobem e reforçam a construção ofensiva em linhas médias ou altas, tornando-se quinto e/ou sexto jogador no ataque (3-2-5 e 3-1-6). Tudo depende muito, também e obviamente, do posicionamento do adversário e como este vai se comportar nas fases do jogo: defensiva, transição defesa-ataque, ofensiva e transição ataque-defesa. Sempre, de qualquer modo, pensando em potencializar as individualidades dos jogadores brasileiros.

Mais detalhes táticos

A saída de bola, chamada pela comissão técnica da seleção brasileira de "iniciação sustentada", segue o padrão destas eliminatórias: sete jogadores, somando o goleiro, os quatro defensores e os dois meio-campistas centrais. Bola no chão e passes curtos, se aproveitando da qualidade técnica dos jogadores.

O Chile deve atuar dentro da plataforma do 3-5-2. Ciente disso, a comissão técnica realizou movimentações específicas no treino de terça-feira, na Granja Comary, para anular pontos fortes do adversário. Atenção especial foi dada aos atacantes de lado de campo para pressionarem o Chile no campo de ataque e cortarem as linhas de passe para os alas chilenos, que devem ser Mauricio Isla e Gabriel Suazo.

Na marcação alta, o Brasil pressionará no 4-2-1-3, justamente com Antony e Vini adiantados. A partir daí, de acordo com o avanço do adversário, o sistema defensivo é alterado para o 4-2-3-1 na marcação média, com os externos na linha do Paquetá, e o 4-4-1-1 no bloco baixo.

Deveres do jornalismo

Cada vez mais, dentro dos estudos de futebol em universidades ou nos cursos de formação de treinadores, a especificação dos desenhos táticos tem aumentado. No Brasil, historicamente, o 4-4-2 sempre foi o esquema tático padrão. Nas últimas décadas, mesmo com as equipes alterando suas formações, nas transmissões televisivas e nas escalações divulgadas no rádio, a leitura dos nomes seguia o desenho das duas linhas de quatro e dois atacantes.

Há, hoje, quantidade de informações disponíveis que não havia em um passado nem tão distante assim. Para explicar sobre posições, funções e as já citadas fases do jogo, tornam-se necessário tantos números e combinações. O jogo mudou. Nos quatro campos principais de análise - tático, técnico, físico e anímico - houve mudanças naturais aos nossos tempos: evolução tecnológica, aprimoramento das ciências, inovações digitais e novas formas de relações pessoais. Como escreveu Belchior, o novo sempre vem. 

Assim como não podemos olhar para o passado com os olhos do presente na análise de futebol, não devemos analisar o futebol atual somente com as ideias do passado, o que demanda maior preparação. Tudo isso sem jamais descartar, naturalmente, a experiência de profissionais que viveram outras épocas do esporte e do país ou ignorar que o futebol, para a maioria, seja somente entretenimento.

Termos considerados "chatos" por muitos estão cada vez mais presentes em entrevistas de treinadores e jogadores. Nesse contexto, cabe ao jornalismo esportivo explicá-los ao invés de ironizá-los. É necessário, sempre, transmitir a informação da maneira mais clara possível, sem reduzi-la a discursos comuns se esta exigir maior complexidade.

A opinião é livre, mas se torna mais completa quando baseada em informações bem apuradas ou estudadas. O puro "achismo" pode gerar grandes debates e polêmicas fáceis, mas carece de responsabilidade no trato.

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Recomendado por Van Basten, jovem brasileiro do PSV pode se tornar reforço da seleção holandesa

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Quando Marco van Basten aparece na TV e afirma que determinado jogador merece uma chance na seleção holandesa, todos param para prestar atenção. Se ele for estrangeiro e estiver prestes a adquirir a cidadania do país, a situação se destaca ainda mais. É o que acontece com Mauro Júnior, jovem brasileiro de 22 anos, que defende o PSV e em breve estará elegível para ser convocado pela Holanda.

Desde 2017 o polivalente jogador atua pelo PSV, quando foi contratado logo após completar 18 anos. Mauro foi formado pelo Desportivo Brasil e teve convocações para as seleções brasileiras de base, além de ter sido lembrado por André Jardine na equipe olímpica recentemente. Nos últimos dias, com a notícia de que obterá o passaporte holandês após cinco anos como residente, a imprensa na Holanda passou a cogitar a possibilidade do jogador defender a Oranje.

Mauro Júnior é um dos destaques do PSV nesta temporada
Mauro Júnior é um dos destaques do PSV nesta temporada PSV

"Eu, meus agentes e o clube estamos trabalhando na solicitação desse passaporte até julho. Pra mim será muito importante pelo mercado aqui na Europa, até mesmo pela possibilidade de jogar uma Copa do Mundo. Na seleção brasileira está um pouco difícil agora e tenho essa porta aberta, não posso fechar", explica Mauro. "Meu sonho sempre foi jogar pela seleção brasileira, disputar uma Copa do Mundo pelo Brasil. A camisa da seleção brasileira é a mais pesada que existe. Na base e também na seleção olímpica vi isso, faz a diferença vestir a amarelinha. É diferente. Tenho tempo ainda para pensar sobre Holanda e Brasil, mas acho que primeiro preciso focar no momento que estou vivendo".

Não houve contato da federação holandesa, mas internamente no PSV ele recebe apoio total da diretoria e também de André Ooijer, zagueiro da Holanda nas Copas de 1998, 2006 e 2010, que atualmente faz parte da comissão técnica chefiada pelo alemão Roger Schmidt. "Saiu muito na mídia aqui. Alguns ex-jogadores famosos como o Marco van Basten, além do Piet de Visser, comentaram na televisão, disseram que seria uma boa opção para a seleção holandesa. Dentro do clube treino com o André Oojier, que faz parte do nosso staff, e deixou bem claro pra mim que jogar pela Holanda é muito gratificante. Também me deu algumas dicas, querendo me arrastar um pouco para a Holanda, dizendo que eu estava sendo muito bem falado aqui, que estou com moral", garante o jogador brasileiro, natural de Palmital, no interior de São Paulo, e que renovou recentemente seu contrato com o PSV até 2025. Sobre Piet de Visser, ele foi o olheiro que indicou Ronaldo ao PSV em 1993.

Já Schmidt é o responsável pela mudança de posição. Na temporada passada, Mauro, que é meia-atacante, treinou como lateral, mas não chegou a ser aproveitado na função. Na atual, sem tantas oportunidades no ataque do PSV, o brasileiro foi extremamente receptivo quando o treinador o procurou e conversou sobre a possibilidade de ser fixado na lateral. "Ele me perguntou se eu tinha interesse em treinar na lateral e respondi que meu objetivo era jogar. A partir daí comecei a ganhar confiança nos jogos e graças a Deus estou nesse nível atual, graças ao Roger também que me ajudou nessa evolução. Nesta temporada sou oficialmente lateral". Canhoto, Mauro começou na lateral-esquerda, mas com problemas de lesão na equipe, passou a ajudar também pelo lado direito.

Veja o gol de Gotze pelo PSV!


         
     

O atual camisa 17 do PSV ainda não fala holandês fluentemente, até mesmo porque o inglês é praticamente a língua oficial no vestiário, pela grande quantidade de estrangeiros. Em todo país é bem possível viver o dia a dia com a língua inglesa também. "Gosto muito da Holanda, estou há cinco anos e gosto de tudo do país, menos da temperatura. É bem frio... É um país que me abraçou, desde quando vim pela primeira vez, com 14 anos, e esse é um dos grandes motivos por estar aqui há tanto tempo", lembra Mauro, que chegou a ser emprestado ao Heracles Almemo na temporada 2019-20, citando as viagens na base. 

No final das contas, como o próprio jogador cita várias vezes na entrevista, cabe a ele seguir com o bom rendimento e aguardar. "Acredito que as duas portas estejam abertas pra mim, na hora certa terei que escolher um dos lados com certeza e precisarei estar preparado para tomar a decisão certa e madura para a minha carreira, o meu futuro". Isso já poderia acontecer neste ano? "2022 também pode ser realidade, nunca se sabe, no futebol as coisas mudam muito rápido. Ainda sonho com a Copa do Mundo deste ano".

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Por pouco tempo de liberação dos jogadores, seleção descarta Teresópolis e fará toda preparação para a Copa fora do Brasil

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

A seleção brasileira fará toda preparação para a Copa do Mundo deste ano fora do Brasil. Diferentemente do último Mundial, quando a equipe se concentrou inicialmente em Teresópolis e depois partiu para a Europa, desta vez, por causa do curto prazo de liberação dos atletas, não trará os convocados para a Granja Comary.

Ainda não está certo se a seleção iniciará os treinamentos na Europa ou diretamente no Catar. O que definirá isso é o sorteio da Copa e quando acontecerá a estreia do Brasil.

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A FIFA exige que as seleções participantes do Mundial estejam no país sede ao menos cinco dias antes da primeira partida. Neste ano, por causa da pandemia e o período incomum de realização da Copa, entre novembro e dezembro, os clubes precisam liberar os atletas apenas sete dias antes do início da competição.

O Brasil será cabeça de chave, e caso caia no Grupo B, por exemplo, já estrearia no dia 21 de novembro e seria obrigado a chegar no Catar no dia 16, pelo menos, sendo que os jogadores serão liberados apenas no dia 14. Nesse cenário, há duas opções: reunir o grupo na Europa e seguir para o Oriente Médio ou todos fazerem a viagem direto de suas localidades e se reunirem já no país árabe.

Se o sorteio colocar a seleção no Grupo H, tudo muda drasticamente, uma vez que a estreia seria em 24 de novembro e a chegada no Catar apenas no dia 19. Nesta situação, a comissão técnica estuda a possibilidade de treinar em algum CT da Europa, antes de seguir viagem definitiva para o Oriente Médio.

Como a Copa acontecerá no meio da temporada europeia, por decisão da FIFA para fugir do verão na região, os jogadores que atuam no Velho Continente estarão em plena disputa dos campeonatos nacionais e das taças continentais. No Brasil, os atletas estarão em reta final de temporada - o Brasileirão tem rodada final marcada para 13 de novembro. Dificilmente haverá liberação por parte dos clubes de seus jogadores antes do período mínimo de sete dias.

Nesta quinta-feira a CBF divulgou os planos de hospedagem e treinamento da seleção brasileira no Catar. Após vistoriar 17 locais, escolheu o estádio Grand Hamad, casa do Al Arabi para as atividades diárias, e o Westin Doha Hotel & Spa, distantes apenas 4 km entre si. 

Tite durante partida entre Brasil e Venezuela
Tite durante partida entre Brasil e Venezuela Getty

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Com zagueiro brasileiro em campo e Domènec Torrent no banco, Galatasaray tentará surpreender o favorito Barcelona

Gustavo Hofman
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Campeão da Europa League em 1999-2000 e maior vencedor na história do Campeonato Turco, o Galatasaray vive temporada turbulenta e muito abaixo das expectativas de um clube tão grande. A péssima campanha na Super Liga turca fez com que a diretoria demitisse o histórico técnico Fatih Terim, que estava há pouco mais de quatro anos no cargo, e anunciasse a contratação de Domènec Torrent, ex-Flamengo, em janeiro.

O início do espanhol foi péssimo, com três derrotas nas três partidas iniciais. A primeira vitória veio apenas no sexto jogo, há poucas semanas, e nesta quinta-feira terá pela frente o compromisso mais difícil de toda temporada. No estádio Camp Nou, o Galatasaray enfrentará o Barcelona pelo jogo de ida das oitavas de final da Europa League. Preocupação para muitos, motivação para outros.

"É um jogo muito difícil, mas para nós, jogadores, quando vamos enfrentar uma equipe como o Barcelona, é uma motivação a mais. Precisaremos de um nível de concentração muito grande, mas creio que estamos preparados para esse desafio", afirma o zagueiro Marcão, que desde 2019 defende a equipe turca e surgiu com destaque no Brasil pelo Athletico-PR.

Ao todo, com Dome, o Galatasaray soma apenas duas vitórias em oito jogos oficiais. Marcão faz a própria avaliação dos problemas que ocorreram nos últimos meses. "Quando cheguei no Galatasaray, havia uma forma de pensamento da diretoria. Antes queriam jogadores mais experientes e agora resolveram mudar, trazer jogadores mais jovens para fazer dinheiro com eles no futuro. Se você oscila muito no Campeonato Turco, fica bastante difícil. O fato de termos tantos jovens pesou muito", explica.

Já sobre a chegada de Dome, que conhece muito bem o Barcelona por ter sido assistente-técnico de Pep Guardiola na Catalunha por cinco anos, o defensor brasileiro cita as dificuldades  na transição de profissionais e assimilação de novas ideias. "Como os jogadores aqui passaram muito tempo com o Fatih Terim, um cara fora de série, quando você fica muito tempo com um treinador e depois muda, é difícil para alguns. Há também a diferença da língua com os turcos, mas agora as coisas estão se encaixando, os jogadores estão entendendo mais o que o Dome pede. Ele gosta que fiquemos mais posicionados, não deixemos tanto espaço. Apesar de termos perdido o último jogo do Campeonato Turco, os jogadores já estão entendendo muito mais o que ele quer", finaliza, citando o 2 a 0 para o Konyaspor, fora de casa, no último sábado.

Marcão foi contratado pelo Galataasaray em 2019
Marcão foi contratado pelo Galataasaray em 2019 Galatasaray

Apesar do péssimo desempenho no Campeonato Turco, onde ocupa somente a 12a posição, o Galatasaray - ainda com Fatih Terim - foi muito bem na Europa League. Três vitórias e três empates em um grupo com Lazio, Olympique de Marseille e Lokomotiv Moscou lhe deram a primeira colocação e classificação direta para as oitavas de final. No sorteio, porém, deu azar ao encarar o Barcelona, que mudou muito na última janela de transferências e evoluiu bastante desde a chegada de Xavi como novo treinador. Marcão sabe disso, e faz apostas sobre quais atacantes terá pela frente. "Acredito que o ataque que vai nos enfrentar seja o mesmo que jogou contra o Napoli, e acho que é o que eles têm de melhor, com Adama, Aubameyang e Ferrán".

Em busca de título inédito, Barcelona enfrenta o Galatasaray pelas oitavas de final


         
     

Ciente dos problemas enfrentados pelo time na Turquia, a diretoria se movimentou no mercado também. O retorno do veterano atacante francês Bafétimbi Gomis, que defendeu o clube de 2017 a 2019 e estava desde então no Al Hilal (Arábia Saudita), causou impacto imediato. Já são três gols em quatro jogos para o jogador de 36 anos. De qualquer modo, todos em Istambul e em Barcelona sabem do favoritismo do time catalão no confronto, ainda mais pelo bom momento vivido em LaLiga, onde é terceiro colocado - melhor posição desde a primeira rodada nesta temporada.

Demanda muita análise por parte do adversário? "De vídeo nem precisa tanto... A maioria dos jogadores gosta de assistir grandes jogos, e o Barcelona é uma grande equipe. Todo mundo conhece o Barcelona e assiste seus jogos", diz Marcão, que conheceu o adversário nestas oitavas de final da Europa League de maneira inusitada. "Eu estava dirigindo. Temos o grupo aqui do clube e os caras começaram a escrever 'vamos, Barça' e eu pensei 'ué, o que eles estão falando', e aí vi que caiu o Barça. Fiquei feliz demais! Particularmente quero disputar esses grandes jogos, é um grande desafio, quero competir com os melhores".

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Vivemos a era de dois dos maiores e melhores centroavantes da história, e é possível provar

Gustavo Hofman
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A mudança do futebol nas últimas três décadas tem sido enorme. Pela evolução da ciência esportiva, o jogo se tornou mais físico, distâncias maiores são percorridas em 90 minutos e tudo isso interfere diretamente na intensidade de uma partida. Jogadores são capazes de executar várias funções em campo e algumas posições clássicas, no mais alto nível, correm risco de extinção. A era dourada do futebol espanhol, capitaneada pelo Barcelona de Pep Guardiola e seu jogo de passes, fez muitos acharem que o centroavante tradicional, por exemplo, havia se tornado memorabília futebolística. Não é bem assim.

Aquele atacante pesado, que joga como referência, não volta para marcar, contribui pouco com passes e quase nada faz fora da área realmente se tornou item raro entre os melhores times. Hoje em dia, o centroavante é móvel, tem muita qualidade para jogar em toda intermediária ofensiva, colabora na marcação e segue fazendo muitos gols. Os dois melhores exemplos da atualidade tiveram, sem qualquer receio de exagero, uma semana histórica.

Na terça, Robert Lewandowski marcou os três primeiros gols na goleada do Bayern Munique sobre o Red Bull Salzburg por 7 a 1. A classificação para as oitavas de final da Champions veio com sobras, após o 1 a 1 no jogo de ida, assim como o polonês aumentou sua lista de recordes pessoais. O hat-trick alcançado nos 23 minutos iniciais na Alemanha foi o segundo mais rápido na história da competição, atrás apenas dos 22 minutos de John Eriksson, pelo Djugardens (Suécia), contra o Gwardia Warsawa (Polônia) em 12 de outubro de 1955, na primeira Champions da história. Lewandowski ampliou sua marca pelo Bayern para 336 gols, segundo maior artilheiro em todos os tempos do clube bávaro.


         
     

Já no dia seguinte, esta quarta-feira, Karim Benzema entrou em campo com tarefa mais árdua. Reverter a vantagem obtida pelo Paris Saint-Germain na ida, com o 1 a 0 na França. Quando seu companheiro de seleção francesa, Kylian Mbappé fez 1 a 0, o objetivo ficou ainda mais difícil. Benzema precisou de exatos 1001 segundos no segundo tempo para marcar três gols e dar a classificação impactante para o Real Madrid. Além disso, ultrapassou Alfredo di Stéfano e se tornou o terceiro maior artilheiro na história do Real Madrid com 309 gols - está a 14 do segundo na lista, Raúl González.


         
     

Percebem o tamanho desses dois jogadores? Lewandowski e Benzema estão no top 3 da artilharia de dois dos maiores clubes do mundo. De certa maneira, pela avalanche de programas de debate nos canais esportivos, banalizamos praticamente tudo que se refere à história. Qualquer derrota de torna o maior vexame da história, qualquer classificação vira a maior da história, um jogador já entra na lista dos maiores de todos os tempos... No caso do polonês de 33 anos, desde 2014 em Munique, e do francês de 34, há 13 anos em Madri, não há exagero porque os números provam. Ninguém se torna o segundo maior artilheiro do Real Madrid e o terceiro do Bayern, prestes a assumir o segundo lugar, por acaso (ao menos Gerd Müller, com 563 gols, e Cristiano Ronaldo, com 450, estão ainda distantes). 

Joga-se mais atualmente do que no passado e isso favorece recordes pessoais? Sim, mas ao mesmo tempo a exigência física e a pressão midiática são ainda maiores. Os feitos do presente não apagam tudo que outras lendas do futebol já fizeram, mas ao mesmo tempo é necessário reconhecer o nível absurdo de talento reunido nas grandes equipes europeias, o que também eleva o nível de dificuldade para esses atletas que disputam as grandes ligas do continente. Fora isso, a preocupação e o cuidado dos dois com a durabilidade e a longevidade das respectivas carreiras são fatores notórios. Ambos são atletas profissionais, que respeitam o torcedor e o clube que investe muito neles.

Robert Lewandowski e Karim Benzema são dois dos melhores e maiores centroavantes do futebol, e a história deles continua sendo escrita.

Lewandowski e Benzema, os centroavantes que dominam o futebol atual
Lewandowski e Benzema, os centroavantes que dominam o futebol atual Getty
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Real Madrid e PSG se preparam para duelo tático, repleto de dúvidas nas escalações

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Há muitas histórias em Real Madrid x Paris Saint-Germain, que acontece nesta quarta-feira, no Santiago Bernabéu. Desde questões práticas, como a definição de substitutos dos jogadores ausentes, até o futuro de Kylian Mbappé. Além, é claro, de valer vaga nas quartas de final da Champions League, prêmio máximo para dois clubes que devem reconquistar seus campeonatos nacionais nesta temporada.

Na ida, em Paris, o PSG foi muito superior. Venceu por 1 a 0, gol de Mbappé, mas poderia ter construído vantagem bem superior. Karim Benzema não estava 100% fisicamente, Vinicius Júnior vivia um momento de baixa técnica, Carlo Ancelotti recuou demais o time... No final das contas, pela história contada na capital francesa, a derrota por apenas um gol de desvantagem foi bem assimilada pelos merengues, mas os os desfalques gerados para a partida de volta preocupam muito.

Mbappé comemora gol do PSG contra o Real Madrid pelas oitavas de final da Champions League
Mbappé comemora gol do PSG contra o Real Madrid pelas oitavas de final da Champions League Loic Baratoux/Anadolu Agency via Getty I

Ferland Mendy e Casemiro estão suspensos. A partir daí há um quebra-cabeças de opções para o treinador italiano com um elenco sem tanta profundidade, apesar da enorme qualidade. No meio-campo, a ideia inicial era recuar Toni Kroos para a função do brasileiro e colocar Federico Valverde para atuar ao lado de Luka Modric no 4-3-3, pressionando o adversário. O meio-campista uruguaio consegue subir muito bem a marcação, com toda sua potência física e velocidade.

Toni Kroos treinou com o grupo merengue, mas não teve a escalação confirmada
Toni Kroos treinou com o grupo merengue, mas não teve a escalação confirmada Real Madrid

No entanto, Kroos se tornou dúvida por causa de uma lesão muscular. Treinou nesta terça-feira com os companheiros, mas não tem escalação confirmada. "Se Kroos estiver 95%, não joga", Carlo Ancelotti na coletiva de imprensa. Por conta disso, há um cenário onde Eduardo Camavinga começa o jogo para o Real Madrid como primeiro jogador de meio-campo, atrás de Valverde e Modric. Após ótimo início, o jovem francês de apenas 19 anos, reforço desta temporada, viveu um período de baixa e poucos minutos em campo. Nas últimas semanas se recuperou e, no final de semana, marcou um golaço na goleada do Real Madrid sobre a Real Sociedad por 4 a 1- jogando, porém, à frente de Casemiro, como gosta mais.

O desfalque do jogador da seleção brasileira e a possível ausência de Kroos são duros golpes para o meio-campo merengue. Projetando, também e principalmente, os duelos e a forma de jogo do PSG para o confronto. Após abrir 1 a 0, não precisará se expor tanto e, certamente, utilizará muito a velocidade de seus jogadores. Nesse ponto, a dúvida sobre a escalação de Mbappé é um fator de equilíbrio na partida.

O atacante francês levou uma pancada no treinamento de segunda-feira. Inicialmente o PSG temia uma fratura, algo que foi descartado nos exames. Viajou com o grupo para Madri e treinou normalmente nesta quarta - deve jogar. Ele é o melhor jogador dos parisienses na temporada e fará muita falta caso não atue, mesmo que por 90 minutos, inclusive pelo espaço que haverá para as transições do PSG. Há algum atacante no mundo pior para se enfrentar no 1x1 em velocidade? 

Mbappé no embarque para Madri
Mbappé no embarque para Madri PSG

Mauricio Pochettino sabe que precisa reduzir o problema defensivo da equipe. Desde o início do trio Messi-Neymar-Mbappé, o Paris Saint-Germain sofre sem a bola. Por uma questão simples: os três não entregam tanto para o time na fase defensiva. Ao atacar a partir do 4-3-3, a recomposição defensiva deveria acontecer no 4-1-4-1, com os atacantes de lado fechando a segunda linha por fora, ou até mesmo no 4-4-2, com um dos três auxiliando na segunda linha. Não é o que acontece, e na prática o PSG marca com sete jogadores nas duas linhas baixas de marcação, sem exercer pressão sobre o adversário no campo de ataque, quando perde a bola - algo que nenhum time de ponta no mundo faz. 

Sem uma das três estrelas, Ángel di María entra e compõe bem o setor ofensivo e colabora sem reclamar na fase defensiva, deixando o PSG sem a bola no 4-4-2, com Marco Verratti, Danilo, Georgino Wijnaldum ou Idrissa Gueye na segunda linha. Só que no final de semana, na derrota por 1 a 0 para o Nice, o problema foi justamente a falta de criatividade ofensiva. Sem Mbappé, suspenso, o time não funcionou e teve menos finalizações do que a equipe do ótimo treinador Christophe Galtier, campeão na temporada passada com o Lille. Imagina-se que, diante do Real Madrid, os níveis de concentração, motivação e dedicação dos jogadores em campo sejam bem diferentes, ainda mais com a presença novamente de Lionel Messi no Santiago Bernabéu.

Há ainda mais dúvidas nas escalações. Ao perder Mendy, Carlo Ancelotti pode optar pela alteração simples e escalar desde o início o capitão Marcelo. É notório que o brasileiro já não rende como em outros tempos, mas ofensivamente ainda pode ajudar muito e, com toda sua experiência, poderia colaborar em uma partida de tão alta tensão - mesmo que defensivamente não tenha o mesmo rendimento do titular francês. Caso decida pelo aspecto defensivo como prioridade, o treinador italiano pode improvisar - como já fez várias vezes - Nacho na posição ou escalar o zagueiro ao lado de Éder Militão e deslocar David Alaba para a função. Este último caso pode soar natural, mas desfaz uma das melhores duplas de defesa da Europa e ainda tira a imprevisibilidade de movimentação que Alaba tem como zagueiro partindo para o ataque.

No PSG, Pochettino tem dito que Sergio Ramos, que não atua há sete jogos, poderia aparecer em campo também. Parece algo improvável diante do cenário que se aproxima, por mais que o histórico decisivo do ex-capitão merengue deva ser considerado. A tendência é Marquinhos começar jogando ao lado de Presnel Kimpembe. Naturalmente, também, muito se falará, com a atuação (ou não), de Mbappé e seu futuro como possível madridista, graças a tudo que aconteceu no início da temporada e o desejo do atacante de se transferir para o Real Madrid. O resultado final destes playoffs influenciará a decisão do jogador? Não parece provável, mas também não se deve duvidar de qualquer situação no futebol.

O roteiro principal do jogo tem o Real Madrid com maior posse de bola, pressionando o Paris Saint-Germain, em busca da vitória que o classifica ou que ao menos leva a decisão para a prorrogação - não há mais o gol marcado fora de casa como critério de desempate. O PSG vai certamente explorar as transições, com ou sem seu trio de estrelas no ataque, e não deve apenas se defender, permitindo total imposição dos espanhóis. Será um jogo de trocação, grande tensão e de enorme qualidade técnica, em um dos cenários mais emblemáticos da Europa, com alguns dos melhores jogadores do mundo. Compromisso imperdível para todos que apreciam o esporte mais popular do mundo.

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Real Madrid e PSG se preparam para duelo tático, repleto de dúvidas nas escalações

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Consequências da guerra na Ucrânia ao futebol: campeonatos suspensos, eliminatórias em risco, brasileiros isolados e clubes sancionados

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

A invasão da Rússia na Ucrânia gera gravíssimas situações para o povo ucraniano. Em conflitos bélicos, a população vulnerável é sempre quem mais sofre. Milhares buscam fugir do país pelas fronteiras com Polônia, Eslováquia, Romênia e Moldávia. Tantos outros simplesmente não conseguem deixar Kiev, capital do país, para onde as tropas russas avançam. Várias cidades estão sendo atacadas desde as primeiras horas desta quinta-feira (24). Inevitavelmente, o esporte é atingido.

O Campeonato Ucraniano foi oficialmente suspenso por 30 dias. Retornaria, após a longa pausa de inverno, nesta sexta-feira (25). Praticamente todos os times retornaram ao país, depois de intertemporada na Turquia. O que, infelizmente, provocou o isolamento de vários jogadores em locais atingidos pelo conflito.

Desde o início da guerra, em 2014, com a revolução ucraniana chamada de Euromaidan e a declaração de independência das repúblicas de Donbass, no leste, o país está dividido. O Shakhtar foi obrigado a deixar Donetsk, um dos epicentros das batalhas, e se mudar inicialmente para Kharkiv, depois Lviv e, por fim, Kiev, desde 2020. Lá estão, agora, todos os 12 jogadores brasileiros do clube, além de Júnior Moraes, naturalizado ucraniano. Ao lado de Vitinho, do Dínamo de Kiev, e todos familiares, os atletas estão em um hotel na capital aguardando alguma solução.

Na Ucrânia, jogadores brasileiros fazem apelo por ajuda: 'Não temos como sair; pedimos apoio ao governo'

Sem o mesmo apelo ou condição financeira privilegiada estão jogadores brasileiros de outros clubes. Guilherme Smith, Cristian e Juninho são atletas do Zorya, que também abandonou sua cidade em 2014, deixando para trás Luhansk e se estabelecendo em Zaporizhzhia, cerca de 400km a oeste. Em Kharkiv estão Derek, Fabinho e Marlyson, sem poder sair. Neste momento, de absoluta incerteza com o futuro da Ucrânia, todos precisam apenas de ajuda do governo brasileiro para conseguirem retornar.

"As famílias de funcionários, que possuem uma questão financeira mais abaixo, sofrem bastante. Os jogadores podem correr para outro país próximo, mas as pessoas daqui em dificuldade financeira, não. São cidades pobres, fica muito difícil para essas pessoas. A gente fica preocupado com elas, porque são pessoas do bem, só querem ser felizes, andar pelas ruas igual no resto dos países", afirmou com exclusividade para o blog Guilherme Smith, ex-Botafogo e desde o ano passado na Ucrânia. Já Fabinho, também em testemunho para o blog, disse que em Kharkiv as coisas ainda estão "aparentemente tranquilas", mas ele e os companheiros de Metalist seguem muito tensos.

Outros estrangeiros passam por situações semelhantes. O jogador argentino Claudio Spinelli, do Oleksandria, conseguiu fugir com os companheiros pela fronteira polonesa, confirmou o pai do atleta nas redes sociais: "Está escapando, pegou suas poucas coisas no apartamento e está tratando de escapar. Está em uma rota até a Polônia."

A Uefa, surpreendentemente e diferentemente do que aconteceu em 2014, quando a Rússia anexou a Crimeia, se posicionou a favor da Ucrânia. A final da Champions League desta temporada, marcada para São Petersburgo, será retirada, já informam diversas fontes internacionais. Nesta sexta haverá uma reunião extraordinária da entidade para confirmar e anunciar tal decisão. Há outros problemas por vir ainda no campo do futebol internacional.

Em 24 de março, a Rússia receberia a Polônia - adversária política do governo de Vladimir Putin - em Moscou, pela repescagem europeia para a Copa do Mundo. Se vencesse, jogaria a decisão da vaga novamente na capital russa contra Suécia ou Tchéquia. As três seleções adversárias já divulgaram manifesto conjunto contrário à realização desses jogos em território russo. Há possibilidade real de suspensão da seleção russa, como já aconteceu com a Iugoslávia na década de 1990.

Vale lembrar que a seleção ucraniana também está na repescagem, com partida programada contra a Escócia, fora de casa. A base da equipe é formada por Dínamo de Kiev e Shakhtar Donetsk, que não terão mais atividade até lá. Oleksandr Zinchenko, jogador do Manchester City e da seleção ucraniana, publicou em suas redes sociais mensagem contra o presidente da Rússia: "Putin, espero que morra sofrendo a morte mais dolorosa."

Quem também se manifestou foi Andriy Shevchenko, maior ídolo do futebol ucraniano. "Ucrânia é minha pátria. Sempre tive orgulho do meu povo e do meu país. Passamos por momentos muito difíceis e nos últimos 30 anos nos formamos como nação. Uma nação de cidadãos sinceros, trabalhadores e amantes da liberdade." As manifestações não foram apenas do lado ucraniano. Fyodor Smolov, jogador da seleção russa, através de seu Instagram, escreveu "Não à guerra."

A maior empresa russa é a Gazprom, uma das principais patrocinadoras da Uefa. Também estava na camisa do Schalke 04, da Alemanha, que anunciou nesta quinta a retirada da marca de seus uniformes e futuras conversas sobre o acordo.

"Tenho medo também. Muito mais do que no futebol, tenho medo da guerra. Tenho muitos amigos em Kiev e, mesmo que não tivesse, não queria a guerra. A maioria dos russos também não quer", afirmou também ao blogo o jornalista russo Grigory Telingater. "Não sei o que vai acontecer. Não sei. Amigo, é difícil dizer, depende do que os outros países acham. Tenho dúvidas que outros países queiram enviar suas armas e seus soldados para a Ucrânia."

Enquanto isso, clubes russos também sofrem com a decisão de seu presidente em invadir a Ucrânia. Estados Unidos, União Europeia e Reino Unido anunciaram uma série de sanções econômicas a empresas russas. O CSKA Moscou, do lateral Mário Fernandes, tem como maior acionista o bance VEB, punido pelos norte-americanos. Por isso, na lista divulgada pelo governo dos EUA, o clube moscovita apareceu oficialmente entre os citados.

Até então, apenas o Akhmat Grozny, clube da Chechênia, era o único na Rússia com sanções dos Estados Unidos, acusado de vínculo com movimentos terroristas na região. Além das perdas econômicas, o Akhmat perdeu também o direito de manter um canal no YouTube, por exemplo, uma empresa de capital norte-americano. O Sochi, que atualmente briga por um lugar na próxima Champions League, também deve sofrer consequências. A equipe pertence a Boris Rotenberg, bilionário amigo do governo russo e sancionado pelos Estados Unidos

Aliás, a cidade de Sochi é um dos maiores exemplos de como futebol e política estão tão alinhados na Rússia. O local é tratado com enorme carinho por Putin, que há muitos anos destina recursos para a região para transformar Sochi em um enorme pólo turístico. Esportivamente, ganhou as Olimpíadas de Inverno, a prova de Fórmula 1 e um time profissional de futebol.

Nas últimas semanas, com o acirramento das tensões, antes ainda da invasão, muito se falava sobre a possibilidade de Shakhtar e Zorya passarem a disputar o Campeonato Russo. Isso jamais iria acontecer, pela falta de reconhecimento internacional das ações russas. Logo, Fifa e Uefa lavariam as mãos, como fizeram na questão da Crimeia, onde os clubes hoje são praticamente apátridas - estão proibidos de se vincular à federação russa e não fazem parte da estrutura ucraniana. 

Agora, porém, a preocupação é outra. Trata-se da própria sobrevivência dos clubes ucranianos com o país sendo invadido por outra nação. Inicialmente, imaginava-se apenas a anexação dos territórios de Donetsk e Luhansk, até por isso as equipes passavam para os jogadores brasileiros mensagens de tranquilidade. As últimas 24 horas se tornaram um turbilhão político e bélico.

No final das contas, fica cada vez mais claro como governos jogam com a vida das pessoas no tabuleiro de geopolítica internacional.

Atacante Fernando, um dos vários jogadores brasileiros do Shakhtar Donetsk, da Ucrânia
Atacante Fernando, um dos vários jogadores brasileiros do Shakhtar Donetsk, da Ucrânia Genya Savilov/Getty Images
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Consequências da guerra na Ucrânia ao futebol: campeonatos suspensos, eliminatórias em risco, brasileiros isolados e clubes sancionados

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Conflito entre Rússia e Ucrânia atinge diretamente o futebol da região

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

No próximo dia 25, Minai e Zorya entram em campo pela 19a rodada da Premier League ucraniana. Será a partida de retomada da competição, após a longa e necessária pausa de inverno. Ao menos isso é o que está previsto na tabela. Com os últimos acontecimentos na tensa relação entre Ucrânia e Rússia e o risco iminente de invasão dos russos, é impossível prever qualquer coisa em território ucraniano.

O líder do campeonato, Shakhtar Donetsk, está na Turquia, onde realiza intertemporada costumeiramente. No último sábado enfrentou o Shakhter Karagandy, do Cazaquistão, em amistoso e venceu por 2 a 1. David Neres, reforço de 15 milhões de euros desta janela de transferências, esteve em campo. Nos próximos dias, jogadores e comissão técnica seguirão para suas casas em Kiev, capital ucraniana, e não para Donetsk, cidade do clube na região de Donbass. Desde 2014, quando a guerra no leste da Ucrânia começou, com grupos pró-Rússia se rebelando contra o governo ucraniano, o Shakhtar passou a ser um clube refugiado, sem direito a retornar para sua cidade, um dos epicentros do conflito.

Tanques russos realizam treinamento em Belarus, próximos à fronteira com a Ucrânia
Tanques russos realizam treinamento em Belarus, próximos à fronteira com a Ucrânia AP

Os torcedores pelo mundo já se acostumaram às "travas" da UEFA em seus sorteios de Champions League e Europa League: clubes ucranianos e russos não ficam no mesmo grupo e todos esforços possíveis são feitos para evitar cruzamentos em fases de mata-mata. Donbass é uma região ideologicamente ligada à Rússia, onde o russo é a primeira língua. O Shakhtar não é o único atingido diretamente pela guerra; ainda mais à leste está o Zorya Luhansk, obrigado a mandar seus jogos em Zaporizhzhia, 400km à oeste de Luhansk e distante da fronteira com a Rússia.

"Estou acompanhando tudo. Meus amigos, meus familiares, algumas pessoas sempre me perguntam como estão as coisas aqui. Todos ficam preocupados, porque é algo que está passando em todos os lugares, é o assunto mais comentado no mundo no momento. Procuro estar focado em treinar e trabalhar, mas claro que a gente pensa o que vai acontecer, o que pode acontecer conosco... E isso envolve muitas famílias, muitas pessoas do bem. A gente torce para não acontecer nada, fica em oração, pedindo a Deus, para não acontecer nada", relata o atacante Guiherme Smith, ex-Botafogo, contratado pelo Zorya em junho do ano passado. "O clube informa para não ficarmos preocupados com isso, só para trabalhar nesta inter-temporada e fazermos um resto de campeonato ótimo", completa o jogador, que neste momento realiza a intertemporada com o Zorya também na Turquia.

Guilherme, de apenas 18 anos, é um dos três brasileiros do clube de Luhansk. Já no Shakhtar são atualmente 12 jogadores oriundos do Brasil, além de Júnior Moraes, naturalizado ucraniano. Curiosamente, na prevista retomada do Campeonato Ucraniano, Zorya e Shakhtar atuarão como visitantes em regiões extremamente nacionalistas da Ucrânia, próximas às fronteiras com Polônia e Eslováquia. No entanto, com o aumento das movimentações militares da Rússia, o cerco já feito através de suas próprias divisas e também pelo território de Belarus e da Crimeia e o fracasso de negociações conduzidas por Estados Unidos e aliados europeus, o ápice desta guerra que começou em 2014 parece se aproximar. Se isso acontecer, inevitavelmente o futebol será ainda mais atingido.

"A gente fica com medo, apreensivo, porque não sabe realmente o que está acontecendo. Por causa da língua, não temos muita informação, mas se acontecer algo mesmo o clube vai nos informar. De qualquer modo, é claro que a gente fica apreensivo. O povo ucraniano é um povo muito querido, as pessoas me acolheram muito bem e eu tenho um carinho muito grande pela Ucrânia. Não só por estar jogando aqui, mas por realmente terem me acolhido muito bem. Isso que está acontecendo envolve muitas famílias que eu conheço, pessoas que viraram meus amigos", conta Guilherme.

O jovem Guilherme, de 18 anos, defende o Zorya desde o ano passado
O jovem Guilherme, de 18 anos, defende o Zorya desde o ano passado Zorya

O que acontece com os clubes em caso de invasão?

Desde a anexação da Crimeia pelos russos em 2014, os clubes da península se tornaram, praticamente, apátridas. Não jogam na Ucrânia e foram proibidos por FIFA e UEFA de participarem das competições russas - basicamente para evitar maiores crises diplomáticas para as duas entidades, já que a comunidade internacional, na maioria, não reconhece a Crimeia como parte do território russo. Há o caso específico do atual FC Simferopol que ajuda a entender a complexidade de tudo que envolve esse conflito.

Primeiro campeão na história da Premier League ucraniana, em 1992, logo após a dissolução da União Soviética, o Tavriya Simferopol deixou de existir com o início da guerra em 2014 e foi refundado apenas como FC Simferopol. A federação ucraniana, no entanto, decidiu manter a história do clube em seu país ao criar um novo Tavriya Simferopol e alocá-lo em Kherson, maior cidade próxima à fronteira com a Crimeia, no sul da Ucrânia. Assim, o FC Simferopol joga atualmente a liga da Crimeia e o Tavriya Simferopol disputa a segunda divisão ucraniana.

Portanto, a eventual invasão russa em território ucraniano e a anexação das regiões de Luhansk e Donbass não colocariam Zorya e Shakhtar no Campeonato Russo imediatamente, como muitos poderiam imaginar. A pressão internacional é enorme, com os Estados Unidos, através de seu presidente, Joe Biden, ameaçando sérias consequências para a Rússia. A escalada da tensão na região é cada vez maior, com várias nações já orientando a saída de seus cidadãos da Ucrânia. Como não haveria grande reconhecimento internacional em relação à ação russa, FIFA e UEFA não entrariam no imbróglio geopolítico. Lavariam as mãos, como no caso da Crimeia.

Conflito bem distante da solução

Análise divulgada na semana passada pelo Stratfor, renomado centro norte-americano de estudos globais de geopolítica, indica o enfraquecimento dos Estados Unidos como potência negociadora de crises. "Sob essas circunstâncias, os EUA – não querendo uma guerra na Ucrânia, mas se sentindo compelidos a se envolver de qualquer maneira – estariam enviando uma mensagem muito clara: 'Conhecemos seus planos e atacaremos você'. O problema com essa teoria é que, se os EUA pretendessem combater um ataque russo por outros meios que não as sanções, teriam deixado claras suas intenções muito antes da véspera de uma invasão. Mais importante, os russos teriam visto os preparativos americanos. A Rússia seria claramente capaz de reconsiderar seus planos se estivesse genuinamente preocupada com a resposta dos EUA".

O artigo é bastante crítico à postura norte-americana com o conflito. "Os EUA se abstiveram de dizer abertamente que a guerra está chegando e que responderá com todo o poder à sua disposição. Anunciou apenas as 'intenções' da Rússia, sem qualquer sugestão pública de que os EUA pretendem fazer algo a respeito. É como se os EUA quisessem que o mundo soubesse que a Rússia em breve atacará sem fazer nada além de dar um alarme. Esta é uma maneira estranha de construir credibilidade. Se você não pretende agir, seria melhor fingir surpresa. Ter conhecimento e ainda ser derrotado é uma má opção".

Vladimir Putin, presidente da Rússia, torcedor do Zenit São Petersburgo e entusiasta da utilização do esporte como ferramenta de propaganda, não aceita a inclusão da Ucrânia na OTAN - Organização do Tratado do Atlântico Norte, aliança militar criada em 1949 após o fim da Guerra Fria. Historicamente, a Ucrânia é considerada o coração da nação russa, elemento central de sua identidade.

Volodimir Zelensky, terceiro presidente da Ucrânia desde a deposição de Viktor Yanukovich, que desencadeou todo conflito em 2014, afirma que as pretensões russas ferem a autonomia de seu país. Durante o período soviético, milhões de ucranianos morreram de fome entre 1932 e 33 no que ficou conhecido como Holodomor, ou a Grande Fome, e marcou para sempre gerações de famílias ucranianas.

Dodô chegou ao Shakhtar em 2018 e não conhece Donetsk
Dodô chegou ao Shakhtar em 2018 e não conhece Donetsk Shakhtar

Rinat Akhmetov, bilionário e proprietário do Shakhtar, foi acusado nos últimos anos de financiar grupos pró-Rússia durante o conflito. A Arena Donbass, em Donetsk, estádio de 400 milhões de dólares erguido por Akhmetov para o Shakhtar em 2009, está fechado há oito anos. Nesse período, mais de uma vez foi avariado por bombas. Desde então o Shakhtar passou a mandar jogos em Lviv, depois Kharkiv e em 2020 se estabeleceu em Kiev. Isso cria situações inimagináveis, como por exemplo com o lateral brasileiro Dodô, ex-Coritiba, contratado pelo clube em 2018, que simplesmente não conhece Donetsk.

"Quando cheguei, fomos direto para a cidade do rival, jogamos no estádio do rival. Em Kiev, não temos o número de torcedores nas arquibancadas que desejamos, porque está fora da cidade, mas na Champions ao menos lota. Isso é algo bem incomum, sentimos falta da torcida. Eu nunca peguei um jogo com toda torcida do Shakhtar como em Donetsk, com o estádio lotado", contou Dodô em entrevista à ESPN em maio do ano passado. Na época, Akhmetov desejava retornar o mais rápido possível a Donetsk. Diferentemente dos jogadores, que se sentiam seguros na capital ucraniana.

Passados oito meses desde então, o sonho de voltar a atuar na Arena Donbass é algo cada vez mais distante. Assim como a solução para um conflito que fortalece o ego dos poderosos e atinge a população vulnerável da região.

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Arthur Cabral e Bruno Guimarães sobem o nível e terão grandes e bem diferentes desafios

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Quando o Palmeiras anunciou a negociação de Arthur Cabral com o Basel, em junho de 2020, o destino chamou atenção. Apesar de não possuir grande histórico de jogadores brasileiros - Arthur se tornou o 13o na lista do clube - o Basel é uma equipe que desenvolve muito bem jovens talentos. O recrutamento promovido na Basileia é de altíssima qualidade e grandes atletas tiveram espaço para esse desenvolvimento jogando na Suíça. Dezoito meses depois, é possível afirmar com tranquilidade que a mudança fez muito bem ao atacante formado no Ceará e pouco aproveitado no alviverde.

Foram 106 jogos, com 65 gols marcados e 19 assistências em 7960 minutos. O título em campo não veio, bateu na trave com o vice-campeonato suíço na temporada passada. O que veio foi a classificação para a Conference League, onde o time segue vivo e já classificado para as oitavas de final, muito graças aos cinco gols marcados por Arthur. Em termos financeiros, os seis milhões de euros investidos em 2020 foram suficientemente pagos com o desempenho esportivo e os 14 milhões de euros pagos pela Fiorentina na semana passada.

Arthur Cabral e Bruno Guimarães
Arthur Cabral e Bruno Guimarães Divulgação/Fiorentina/Newcastle

Já Bruno Guimarães deixou o Brasil em situação bem diferente. Foi negociado pelo Athletico-PR por 20 milhões de euros com o Lyon e saiu do país já na condição de um dos mais promissores meio-campistas do futebol brasileiro. Desembarcou na França pouco antes do início da pandemia, aproveitou o período de confinamento para aprender a falar francês e se tornou titular absoluto no meio-campo lyonnais. Despede-se do Lyon com 71 jogos, três gols, oito assistências e o carinho do torcedor francês.

Em comum, os dois terão enormes desafios pela frente, mas bem diferentes. Arthur Cabral troca a Basileia por Florença com a responsabilidade de substituir Dusan Vlahovic, atacante sérvio de 21 anos, autor de 17 gols na temporada do Campeonato Italiano, negociado por 75 milhões de euros com a Juventus. Chega em um time que funciona muito bem com um centroavante, o que vai lhe ajudar na adaptação tática, acima de tudo. Pela expectativa, o brasileiro foi contratado para ser titular, mas haverá concorrência com o polonês Krzystof Piatek.

Já Bruno desembarca em um projeto audacioso e ao mesmo tempo conflituoso neste momento. Após ser adquirido por um fundo de investimentos árabe, bancado na prática pela Arábia Saudita, o Newcastle pretende bater de frente com os mais poderosos clubes do mundo. Precisa agora, no entanto, garantir permanência na próxima temporada da Premier League, já que luta contra o rebaixamento. O clube do norte da Inglaterra é apenas o 18o colocado com 15 pontos conquistados após 21 jogos.

Chris Wood e Kieran Trippier chegaram antes e já melhoraram a equipe treinada por Eddie Howe, outro que chegou no meio da turbulência. Foram contratações bem específicas, de jogadores que conhecem o campeonato e garantiriam auxílio imediato, sem necessidade de adaptação - assim como o lateral Matt Targett, do Aston Villa, contratado no último dia deste mercado. O meio-campista da seleção brasileira entra em outra categoria de reforço. Bruno pode ser considerado, na prática, a primeira grande contratação da era milionária do Newcastle, em acordo que, somando cláusulas de bônus, poderá chegar a 50 milhões de euros.

Aos 24 anos, é um jogador para o futuro, com enorme potencial de evolução, mas que obviamente precisará também ajudar de maneira imediata. Está claro que não há meio-campista melhor do que ele no clube, e Bruno aterrissará em Newcastle upon Tyne com a missão de ser um dos principais jogadores do time no distanciamento da zona de descenso - algo que parece ainda mais provável após esta janela de transferências, mas que está longe de ser garantido. Jogar a Championship, a segunda divisão inglesa em 2022-23, não está nos planos de qualquer um envolvido na negociação.

Tanto Bruno Guimarães como Arthur Cabral sobem o nível de competição. Enquanto o atacante troca a Super Liga suíça e a Conference League pela Serie A, uma das cinco ligas mais fortes da Europa, o meio-campista vai para a liga mais forte do continente. Ambos terão a oportunidade de provarem seus talentos e confirmarem as grandes expectativas criadas sobre eles. Sem falar que a Copa do Mundo acontece no final do ano.

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Detalhes separam Bruno Guimarães de acerto com o Newcastle

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Bruno Guimarães deve se tornar jogador do Newcastle nos próximos dias. Nesta semana, o Lyon, atual clube do meio-campista brasileiro, aceitou proposta de 40 milhões de euros feita pelos ingleses. Faltam detalhes, como o tempo de contrato, para o acerto entre clubes, jogador e representantes do atleta. O Lyon negou publicamente o acordo.

A oferta inicial do Newcastle pelo jogador de 24 anos foi de 30 milhões de euros. Jean-Michel Aulas, presidente do Lyon, recusou e pediu 40 milhões à vista, o que foi prontamente aceito. O clube francês pretende arrecadar cerca de 120 milhões de euros em negociações, para solucionar problemas de débito. Lucas Paquetá pode ser o próximo jogador negociado por Aulas.

Bruno Guimarães durante PSG x Lyon pelo Campeonato Francês
Bruno Guimarães durante PSG x Lyon pelo Campeonato Francês Catherine Steenkeste/Getty Images

Bruno Guimarães, assim como Paquetá, está no Equador com a seleção brasileira para a partida pelas eliminatórias da Copa do Mundo. Ele informou aos seus empresários que conversará com a família sobre a transferência, mas deseja atuar na Premier League. Nesta sexta, os jogadores da seleção têm folga prevista e já estarão no Brasil. O negócio deve ser acertado por telefone entre todas partes envolvidas, mas o exame médico necessário para finalizar a transação aconteceria somente na sexta.

Alexis Malavolta, empresário de Bruno Guimarães, viajará para Belo Horizonte - onde o Brasil enfrentará o Paraguai na próxima terça-feira - para tratar dos últimos detalhes da transferência com o jogador. Giuliano Bertolucci e Kia Joorabchian também são sócios no agenciamento da carreira do meio-campista do Lyon, que surgiu nacionalmente no Athletico-PR em 2017 e foi negociado com o Lyon em janeiro de 2020 por 20 milhões de euros.

O Newcastle foi comprado em outubro do ano passado por um fundo de investimento árabe, ligado ao governo da Arábia Saudita. Nesta janela de transferências o clube já contratou o atacante Chris Wood, do Burnley, por 30 milhões de euros, e o lateral-direito Kieran Trippier, do Atlético de Madrid, por 15 milhões.

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Uma Supercopa protocolar para o Real Madrid e controversa na Espanha

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Se na semifinal contra o Barcelona o Real Madrid teve mais dificuldades do que a maioria poderia imaginar, na final contra o Athletic Bilbao o 2 a 0 foi bem tranquilo, apesar do susto no final. Dominante do início ao fim, com maior posse de bola e imposição ofensiva, os blancos levantaram o troféu da Supercopa espanhola pela 12ª vez e agora estão a uma conquista dos recordistas culés.

Com apenas um desfalque, o lateral-direito Dani Carvajal, Carlo Ancelotti pôde mandar a campo seu time quase ideal da temporada - com a permanente troca entre Rodrygo e Marco Asensio, feita jogo a jogo. Controlou o ritmo e abriu dois gol de vantagem, o que fez com que no final recuasse e aceitasse a pressão dos bascos. O pênalti cometido por Éder Militão deu um pouco de emoção aos minutos finais, mas Thibaut Courtois não estava disposto a passar sufoco.

Décimo segundo título da Supercopa espanhola para o Real Madrid
Décimo segundo título da Supercopa espanhola para o Real Madrid Real Madrid

O Real Madrid, hoje, é um time bastante confiável. Excelente goleiro, linha de defesa forte com Militão e David Alaba, meio-campo clássico (Luka Modric, que jogador maravilhoso) e um ataque desequilibrante, graças a Vinicius Júnior e Karim Benzema. A enorme vantagem em LaLiga sobre os principais adversários, apesar do Sevilla ainda estar perto, mostra o nível merengue dentro do futebol espanhol. A temporada começou totalmente incerta, mas com o Atlético investindo muito e dúvidas de sobra no Barcelona, além do próprio retorno de Ancelotti ao Santiago Bernabéu. Agora já não há mais dúvidas sobre o melhor time da Espanha, e o título da Supercopa evidencia isso outra vez.

No entanto, há algo além das quatro linhas para ser analisado. Desde 2018, quando a Supercopa espanhola mudou de formato e passou a ser disputada fora do país, a questão está presente nos debates esportivos. Naquele ano, pela primeira vez a competição foi decidida em partida única e em Marrocos, com o título do Barcelona contra o Sevilla. O contrato com a Arábia Saudita e a última mudança de formato, com semifinais e finais, passaram a vigorar em 2019-20 e o Real Madrid campeão nos pênaltis sobre o Atlético de Madrid. Em 2020-21, por causa da pandemia, retorno para território espanhol e jogo solitário, disputado em La Cartuja e triunfo do Athletic Bilbao sobre o Barça.

A cobertura da imprensa espanhola foi forte em Riad. Todos os principais jornais esportivos e canais de televisão enviaram seus melhores repórteres e comentaristas. A quantidade de informações foi enorme, assim como as críticas à ideia de levar o torneio para fora do país. É muito difícil, para não dizer impossível, ouvir algum torcedor ou jornalista que defenda isso. Para piorar, os estádios com as arquibancadas bem longe de estarem cheias reforçaram as críticas. E todas essas questões estão restritas apenas ao campo esportivo, porque o maior de todos absurdos é levar a Supercopa para um país que não respeita os direitos humanos.

A Real Federação Espanhola de Futebol, presidida por Luis Rubiales, não se incomoda e lucra com essa bizarra situação. Ainda há mais um ano de contrato, para o qual receberá outros 40 milhões de euros (R$ 252 milhões), sendo metade repartida entre os quatro times participantes - o campeão leva 12,5 milhões de euros (R$ 79 milhões). Assim caminha a humanidade.

Entrega das medalhas para o campeão! Elenco do Real Madrid recebe a premiação após título da Supercopa da Espanha


         
     

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Uma Supercopa protocolar para o Real Madrid e controversa na Espanha

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Lenda do clube, Diego Simeone completa dez anos à frente do Atlético de Madrid com pior sequência em LaLiga

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

O Atlético de Madrid havia sido eliminado da Copa do Rei pelo Albacete, da terceira divisão, e estava apenas na décima posição de LaLiga. Enrique Cerezo, presidente do clube, e Miguel Ángel Gil Marín, CEO, optaram pela demissão do técnico Gregorio Manzano. Ao iniciar a busca por um substituto, pensaram no ex-colchonero Diego Simeone, então com 41 anos.

Volante do Atlético de 1994 a 97 e depois entre 2003 e 2005, Simeone começara a carreira de treinador cinco anos antes no Racing, na Argentina. Depois comandou Estudiantes, River Plate e San Lorenzo, antes de desembarcar na Sicília no início de 2011 e salvar no meio do ano o Catania do rebaixamento na Serie A. Ao receber a ligação do Atleti em 23 de dezembro daquele ano, não hesitou.

Diego Simeone em sua apresentação como técnico do Atlético de Madrid
Diego Simeone em sua apresentação como técnico do Atlético de Madrid Divulgação

A partir daí um novo capítulo na história do Atlético de Madrid foi escrito. Simeone se tornou um dos maiores técnicos na história colchonera e um dos grandes responsáveis pela recuperação da condição de grande do clube na Espanha. A temporada 2011-12 terminou com a quinta colocação para o Atleti e a classificação para a Europa League. De lá para cá são dois títulos de LaLiga, uma Copa do Rei, uma Supercopa da Espanha, duas Europa Lagues e duas Supercopas europeias, além de dois vices na Champions League. São 551 jogos, com 326 vitórias, 130 empates e 96 derrotas.

É absolutamente indiscutível o tamanho de "Cholo" Simeone na história do futebol espanhol. Agora, no momento em que completa dez anos à frente do Atlético, enfrenta sua pior sequência no Campeonato Espanhol com quatro derrotas seguidas pela primeira vez. Atual campeão e com elenco reforçado para a temporada, as expectativas eram muito altas sobre os comandados do técnico argentino. Rodrigo de Paul e Matheus Cunha reforçaram um time já muito forte, que posteriormente ainda ganhou o retorno de Antoine Griezmann - aposta pessoal do treinador.

Com Simeone, o Atlético mudou de mentalidade e passou a ter um estilo de jogo bem definido: marcação forte, pressão sem a bola e muita transição. Sem exagero, o clube passou por uma revolução no futebol. O passar dos anos exigiu mudanças táticas, inovações por parte do argentino. Elas aconteceram. Hoje em dia a equipe pode variar do 3-5-2 para o 3-4-3 ou mesmo retomar o consagrado 4-4-2. Sobra qualidade individual, há profundidade no elenco, mas nos últimos meses a equipe tem rendido abaixo do potencial que possui.

A própria campanha do título em 2020-21 teve queda de rendimento considerável no segundo turno, de certa maneira mantida para o atual estágio. Contra o Granada, nesta quarta-feira, João Félix abriu o placar com dois minutos e logo depois o Atleti recuou demais, algo que tem acontecido com frequência. Isso permitiu ao time da Andaluzia crescer empatar com um golaço de Darwin Machís.


Na Champions League desta temporada as cobranças por maior imposição são similares. O Atlético sofreu mais do que deveria para avançar às oitavas de final, e isso não significa mudança de estilo de jogo. Parece bastante utópico imaginar que Diego Simeone, após dez anos de sucesso, vá mudar a forma de jogo de sua equipe. O problema, no entanto, atual é que a própria ideia não está sendo bem executada em campo. "Desatenção defensiva" e "falta de concentração" foram termos utilizados por Simeone na coletiva, após o 2 a 1 para o Granada, conquistado com gol do veterano Jorge Molina e muitas defesas do excelente Luix Maximiano.

Nesta quarta, Simeone lamentou a derrota do Atlético para o Granada
Nesta quarta, Simeone lamentou a derrota do Atlético para o Granada Divulgação

A transformação do Atlético de Madrid, com os títulos conquistados e a presença constante na Champions, mudou a condição do clube fora dos campos também. Nos últimos anos, o Atleti está sempre entre os dez que mais investem em reforços e ainda construiu seu novo estádio, o Wanda Metropolitano, ao custo de aproximadamente 240 milhões de euros. A imagem de "coitadinho" ou mesmo de "primo pobre" de Real Madrid e Barcelona, por mais que haja diferença histórica, já não condiz com a realidade. Por isso a cobrança também aumenta a cada ano.

O atual vínculo de Diego Simeone com o Atlético de Madrid vai até 30 de junho de 2024. Em Manzanares, ninguém pensa em mudança de rumos. O caminho percorrido mostra que o sucesso foi alcançado, e que não há pessoa mais identificada com o clube do que o argentino de 51 anos, formado na base do Vélez Sarsfield, para seguir à frente dos colchoneros.


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Curiosidades sobre todos os confrontos de playoffs na Europa League e na Conference

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Abaixo você encontrará "tuítes" com curiosidades para cada um dos confrontos definidos de playoffs na Europa League e na Conference League. Para todos se tornarem especialistas em futebol alternativo!

Uefa faz novo sorteio, e oitavas da Champions terão Real Madrid x PSG; veja jogos

         
     

EUROPA LEAGUE

Sevilla x Dinamo Zagreb: o último levantamento do CIES Football, deste ano, coloca o Dinamo como a terceira base com mais jogadores (70) em atividade em 31 ligas europeias analisadas, atrás apenas de Ajax e Shakhtar.

RB Leipzig x Real Sociedad: Alexander Sorloth está emprestado pelo Leipzig à equipe basca até o final da temporada. O atacante norueguês tem apenas 26 anos, mas já está em seu nono clube na carreira. Marcou dois gols e deu uma assistência na campanha continental da Real.

Zenit x Betis: as duas cidades que receberão as finais de Champions e Europa League serão palcos para os jogos. O estádio Krestovsky, em São Petersburgo, sedia a decisão da Champions, e o Ramón Sánchez-Pizjuán, casa do rival do Betis, o Sevilla, fica com a final da Europa League.

Sheriff x Braga: Portugal mantém em Chisinau, capital da Moldávia, um centro de língua portuguesa na universidade local. Tiraspol fica na Transnístria, região separatista, mas o relacionamento entre as regiões é harmonioso - mesmo com controle de fronteira e moeda diferente.

Atalanta x Olympiacos: o Olympiacos se tornou, na Copa da UEFA de 1972-73, o primeiro time grego a vencer um adversário italiano fora de casa. Eliminou o Cagliari, de Gigi Riva, Angelo Domenghini e Pierluigi Cera, na primeira rodada com duas vitórias.

Barcelona x Napoli: Diego Armando Maradona.

Borussia Dortmund x Rangers: Claudio Reyna, pai de Gio Reyna, defendeu o Rangers entre 1999 e 2001. Ele esteve em campo, ao lado do atual técnico, Giovanni van Bronckhorst, na eliminação dos escoceses contra o Dortmund nos pênaltis, pela terceira rodada da Copa UEFA de 1999-2000.

Porto x Lazio: Sérgio Conceição é o elo de ligação entre os clubes. No Porto se destacou e em 1998 se transferiu para a Lazio, onde jogou até 2000 e depois entre 2003 e 2004, até retornar à equipe portista. Comanda o Porto desde 2017 e soma dois títulos portugueses como técnico.

Diego Armando Maradona une as histórias de Barcelona e Napoli
Diego Armando Maradona une as histórias de Barcelona e Napoli Divulgação

CONFERENCE LEAGUE 

Olympique de Marseille x Qarabag: o OM jogará em Baku, capital do Azerbaijão, onde o Qarabag manda os jogos. Mas desde o ano passado sua cidade de origem, Agdam, fantasma desde meados dos anos 1990 com a guerra de Nagorno-Karabakh, tem sido reconstruída e reabitada pelos azeris.

Fenerbahçe x Slavia Praga: o time de basquete do Fener é fortíssimo e a torcida fanática pela modalidade. Os jogos em Istambul possuem atmosfera incrível! Um dos ídolos do time atual é o pivô tcheco Jan Vesely, de 31 anos, ex-Wizards e Nuggets na NBA, desde 2014 na Turquia.

Leicester x Randers: a fusão de seis clubes em 2003 deu origem ao Randers. O maior era o Randers Freja, que teve Ernst Netuka como técnico. Ele nasceu na Áustria, mas foi para Leicester na II Guerra, onde se tornou salva-vidas e herói local, ao salvar três garotos de afogamento.

Sparta Praga x Partizan: o Governo tcheco reconhece a independência de Kosovo e mantém uma embaixada em Prishtina. Apesar dessa questão geopolítica, sensível para os sérvios, os dois países mantêm bom relacionamento e, em 2020, tiveram negócios de US$ 1,2 bilhão.

PSV x Maccabi Tel Aviv: o maior rival do PSV, o Ajax, possui histórica conexão com o povo judeu desde a década de 1930, quando o estádio do clube era próximo a um bairro judeu de Amsterdã. Bandeiras de Israel e a Estrela de David são símbolos comuns nas arquibancadas.

Midtjylland x PAOK: Brentford e Midtjylland pertencem a Matthew Benham, que instituiu em ambos forte influência analítica em reforços e scout. São cinco brasileiros atualmente na equipe dinamarquesa, que enfrentará o técnico Razvan Lucescu, filho de Mircea Lucescu (ex-Shakhtar).

Celtic x Bodo/Glimt: a cidade de Bodo, sede do Glimt, está no Círculo Polar Ártico, na região norte da Noruega. O que torna o Bodo/Glimt, bicampeão norueguês (2020 e 2021), o campeão nacional mais ao norte do mundo. Ao menos Glasgow não está tão distante, 1595 km em linha reta.

Rapid Viena x Vitesse ou Tottenham: um dos clubes mais tradicionais da Europa Central, o Rapid jamais enfrentou Tottenham ou Vitesse. Na final da Recopa de 1984-85, disputada em Roterdã, na Holanda, foi derrotado pelo Everton, da Inglaterra.

Bodo está além do Círculo Polar Ártico, na Noruega
Bodo está além do Círculo Polar Ártico, na Noruega Divulgação

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Cores unem historicamente Celtic e Betis, que se enfrentam pela Europa League

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Nesta quinta-feira, o Celtic recebe o Betis pela última rodada da fase de grupos da Europa League. O Grupo G já está com a situação definida: o Bayer Leverkusen avança para as oitavas de final, os espanhóis aguardam um terceiro colocado da Champions na próxima fase e os escoceses seguem para a Conference League; o Ferencváros, da Hungria, está eliminado. Mesmo assim, a partida no Celtic Park será especial. Não apenas por ser o primeiro confronto entre os dois clubes na Escócia, mas pela conexão especial que os une na história.

Manuel Ramos Asensio foi um dos fundadores do Betis em 12 de setembro de 1907, além de capitão do time e um dos primeiros treinadores. Antes disso, foi enviado bem jovem para a Escócia para estudar inglês na cidade de Dumfries, distante cerca de 100km de Glasgow. Asensio criou o costume de viajar para assistir os jogos do Celtic, clube então já tradicional no país, fundado em 6 de novembro de 1887.

No início, o Betis jogava com camisas predominantemente azuis. Em 1911, o clube precisaba de novos uniformes e Asensio, com os contatos que estabeleceu em Glasgow e o apreço que criou pelo Celtic, conseguiu o envio de tecidos verdes e brancos para Sevilha. Com o material em mãos, optou pela produção das novas camisa do Betis com listras verticais, diferentemente das horizontais dos escoceses, para criar a própria identidade. 

Jamais houve grande conexão entre os dois clubes, tanto é que o primeiro jogo na história entre os dois aconteceu justamente nesta Europa League. No Benito Villamarín, o Betis venceu o Celtic de maneira espetacular por 4 a 3, resultado determinante para a classificação antecipada. Porém, em 28 de fevereiro de 2017, em homenagem ao Dia da Andaluzia - região onde fica Sevilha na Espanha - o Betis entrou em campo contra o Málaga com um uniforme especial, celebrando as origens de suas cores e também em alesão à bandeira andaluz, com listras verdes e brancas.

Pelas redes sociais, o Celic parabenizou o Betis e os clubes trocaram mensagens. Desde então o relacionamento se estreitou e nesta temporada é celebrado com os primeiros confrontos entre "green and whites" e "verdiblancos".

Uniforme especial do Betis em alusão ao Celtic e à bandeira da Andaluzia
Uniforme especial do Betis em alusão ao Celtic e à bandeira da Andaluzia Di
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Vantagem de 16 pontos mostra diferença entre times de Real Madrid e Barcelona

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Os 16 pontos que separam o líder de LaLiga, Real Madrid, do sétimo colocado, Barcelona, assustam. Porque nos acostumamos a ver os dois rivais brigando pelo título espanhol e pela soberania do continente, mas também porque a diferença técnica não era tão evidente assim no início da temporada. Na prática, o que se detecta após 16 rodadas é a evolução merengue e o moroso estágio culé.

Xavi substituiu Ronald Koeman para resgatar o barcelonismo, torturado nos últimos meses. O atual elenco do Barcelona pode render mais, há talento para isso, mas o processo será demorado. Com o novo treinador, foram duas vitórias, um empate e a derrota no final de semana para o Betis, por 1 a 0 em pleno Camp Nou. Jogos sem convencimento ou mudanças estruturais maiores em relação ao que vinha sendo feito antes, pouquíssima capacidade ofensiva e partidas sem brilho. Há ideias e desejos com Xavi, com um longo caminho por percorrer.

A bela imagem do Camp Nou constrasta com o futebol jogado pelo Barcelona
A bela imagem do Camp Nou constrasta com o futebol jogado pelo Barcelona Barcelona

Enquanto isso, Carlo Ancelotti sabe como tirar o melhor de seu elenco para hoje. No 2 a 0 sobre a Real Sociedad, em San Sebastián, Vinicius Júnior mostrou mais uma vez seu protagonismo, desta vez sem Karim Benzema, que saiu machucado logo no início. Mais ainda: fez do seu substituto, Luka Jovic, o destaque da partida com uma assistência e um gol. Levantamento do jornal Marca mostra que a dupla de zagueiros Éder Militão e David Alaba chegou a 100 dias como parceiros, com 13 vitórias, dois empates e uma derrota - em oito dessas partidas o time não sofreu gol. No lado blaugrana, Gerard Piqué começou no banco, Eric García não convence, Clément Lenglet permanece no time... Somente Ronald Araujo tem se salvado.


É bem verdade que o Barça está com uma partida a menos (duríssima, contra o Sevilla fora de casa), mas mesmo se considerarmos três pontos a mais a distância ainda é enorme. Diante do Betis algumas chances foram criadas, mas todas desperdiçadas. O ataque soma 23 gols e condiz com a posição na tabela, apenas o sétimo melhor de LaLiga. Memphis já marcou oito vezes, mas os torcedores lembram mais dos inúmeros gols perdidos. Enquanto isso, Benzema e Vinicius somam 22 gols dos 37 do melhor ataque da competição. Rodrygo e Marco Asensio se alternam na titularidade e Xavi ainda busca as melhores opções ofensivas com Philippe Coutinho, Gavi, Ousmane Dembélé, Abde...


Há uma distância muito grande entre os times atualmente, estão em momentos bem distintos de preparação e evolução. O Real Madrid está pronto para lutar pelo título de LaLiga e assume a condição de principal favorito. Já o Barcelona sua na Champions League e precisará se esforçar muito para garantir um lugar entre os quatro primeiros colocados na Espanha - mesmo com a instabilidade de adversários como Sevilla, Atlético de Madrid e Real Sociedad.

Na história de LaLiga, a maior distância entre os dois gigantes do país aconteceu na temporada 2018-19. O Barcelona foi campeão com 87 pontos, 19 a mais que o Real Madrid, terceiro colocado. Os atuais 16 pontos na tabela assustam, mas são bastante compreensíveis. E podem aumentar o suficiente para se tornarem históricos.



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Jogador brasileiro tem o passaporte retido e está impedido de sair da Indonésia

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Alex Gonçalves é um entre 1287 brasileiros espalhados pelo mundo do futebol, segundo dados do CIES Football.  As histórias de vitórias, nas grandes ligas internacionais, são aquelas que fazem sucesso e levam milhares de crianças ao sonho de se tornarem jogadores de futebol. O esporte mais popular do planeta, no entanto, pode ser muito traiçoeiro também.

Preso' na Indonésia e sem salário: Conheça a história do brasileiro Alex Gonçalves

Formado na base do Grêmio e com passagem no time profissional do Internacional, Alex, atualmente com 31 anos, passou por vários clubes ao longo da carreira. Entra na categoria de andarilhos do futebol, tamanha sua experiência. Jamais, porém, imaginou viver a situação que enfrenta na Indonésia atualmente. Há mais de um mês está com o passaporte retido e impedido de deixar o país.

Todo problema começou em 2020, com a pandemia de coronavírus. Contratado pelo Persikabo, clube ligado à polícia local e da primeira divisão, com o início do período de quarentena viu seu salário ser reduzido em 75%, sem qualquer acordo. Deixou a equipe no início deste ano, se transferiu para a Malásia, mas recebeu em julho outra proposta do futebol indonésio, desta vez do Persita.

Antes disso, acionou o Persikabo na FIFA pela falta de pagamentos e ganhou a causa. O visto de trabalho que possuía estava ligado a seu ex-clube, e quando precisou renovar pelo Persita foi informado que seria impossível porque não havia liberação do vínculo anterior. Para piorar, foi denunciado pelo Persikabo na justiça indonésia por difamação, já que tornara o caso público através de suas redes sociais. Está intimado para depor.

"Estou passando por uma situação muito delicada. Longe da minha família, já faz um ano que não vejo meu filho, minha esposa... Estou passando por uma situação muito complicada. Não estou podendo jogar, não estou podendo trabalhar. Tudo porque o meu clube atual não consegue dar entrada em um novo visto de trabalho, porque o meu nome ainda está vinculado ao meu ex-clube, que não quer tirar o meu nome do sistema", explica o próprio Alex, em contato com o blog. "À medida que o tempo vai passando, vou me tornando ilegal. Estou desesperado, meu passaporte está retido na imigração. Não sei o que vai acontecer amanhã, estou com medo de sair na rua, até porque meu ex-clube é militar".

Confinado em seu apartamento na cidade de Tangerang Regency, na Ilha de Java, Alex fica indignado pelo real motivo de todo imbróglio que já se tornou diplomático. "Tudo isso está acontecendo porque reportei esse meu ex-clube na FIFA. A causa já foi e ganha e e eles querem barganhar, fazer uma troca. Querem que eu retire a ação para tirarem meu nome do sistema de imigração. Isso não existe, porque eu tenho o direito de estar trabalhando. Meu atual clube não consegue fazer muita coisa porque falam pra mim que é o sistema de imigração... Mas não sei o que o que se passa na verdade, porque os documentos nunca são mostrados pra mim, são apenas palavras".

Alex não tem um staff por trás para lhe protegê-lo de situações assim. Possui um amigo no Brasil que o ajuda com o próprio agenciamento da carreira, mas na prática - assim como outras centenas de jogadores brasileiros pelo mundo - depende da boa fé de empresários locais em negociações. O caso na FIFA ficou sob responsabilidade de um advogado português. Com isso, sua situação atual depende muito da atuação da embaixada brasileira na Indonésia.

Atacante Alex Gonçalves durante apresentação ao Botafogo-SP
Atacante Alex Gonçalves durante apresentação ao Botafogo-SP Rogério Moroti/Agência Botafogo

"Eles me deram apoio, todo suporte, disseram que se eu precisar a embaixada estaria ali para ajudar. Até cogitei pedir um novo passaporte de emergência, expliquei pelo amor de Deus, fazemos todos os trâmites de imigração para ir embora... O que passaram para mim foi que, por ter sido denunciado na polícia, essa carta chegou até a imigração, que embargou todos os processos de deportação", explica sem entender a fundo tudo que realmente está acontecendo. A embaixada brasileira, segundo Alex, passou o contato de um advogado indonésio, que conseguiu, na polícia, o adiamento da convocação do brasileiro para a próxima segunda-feira. Ele ouviu também que precisará prestar esclarecimentos aos policiais sobre as publicações em redes sociais. "Não me sinto seguro em ir na polícia. Não estou no meu país, não falo a língua, não sei o que pode acontecer. Tenho receio que eles me levem para uma sala, me prendam, façam algum tipo de chantagem... Não sei. É arriscado". 

A reportagem da ESPN tentou contato com a embaixada brasileira em Jacarta, através dos canais de comunicação disponíveis, mas até o fechamento desta matéria não obteve resposta.

Alex tenta manter a forma física na academia do prédio onde mora, já que está afastado dos treinamentos do Persita. Na Indonésia, tem recebido apoio de outros brasileiros que disputam a Liga 1, nome oficial da primeira divisão. Nesta semana o atacante ganhou apoio e divulgação de seu caso com o ex-jogador Tinga, que publicou em suas redes sociais um vídeo de Alex pedindo ajuda. Nos últimos dias, Dunga, ex-técnico da seleção brasileira, ligou para ele oferecendo ajuda também. A FIFA, através de seu departamento jurídico, tem buscado informações.

Na maior parte da conversa, Alex mantém a calma, fala com serenidade. Pode não entender todos os meandros e talvez até mesmo a complexidade diplomática de seu caso, mas demonstra tranquilidade diante de tantos problemas. Isso muda quando a saudade da família e o inacreditável risco de ser preso vêm à cabeça. "Esse é um problema que eu nunca passei, jamais imaginei passar na minha vida. Sou um pai de família...", lamenta Alex, interrompendo a fala pelas lágrimas provocadas com a emoção. "Se eu tivesse que sair de urgência, agora seria impossível. Não vejo o meu passaporte há dois meses. Enquanto isso, minha esposa e meu filho estão em casa desesperados. Meu filho vai fazer aniversário no próximo dia 16, chama pelo pai todos os dias... É difícil explicar essa situação".

Natural de Teixeira de Freitas, na Bahia, Alex se estabeleceu em Porto Alegre desde que foi aprovado para fazer parte da base do Grêmio. De lá partiu para conhecer o Brasil e o mundo através do futebol. Viveu as mais variadas experiências do interior de São Paulo à Romênia, e agora aos 31 anos conhece o aspecto mais tenebroso do esporte mais apaixonante de todos. "O que eu mais queria nesse momento era deixar o país. Suplico para alguém me ajudar. Se eu pudesse, agora mesmo pegava um avião e ia embora para casa, faria isso o mais rápido possível, mas estou de mãos atadas neste momento. Um brasileiro, na Indonésia, denunciado pela polícia por não ter feito nada. Passaporte preso na imigração, clube tentando fazer que eu desista do dinheiro que já ganhei pela lei e pela lei da FIFA. Não sei mais o que fazer".

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Jogador brasileiro tem o passaporte retido e está impedido de sair da Indonésia

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Barcelona com problemas, Vinicius Júnior decidindo... Estamos sem manchetes em LaLiga

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Dembélé aos poucos vai retornando ao Barcelona
Dembélé aos poucos vai retornando ao Barcelona Barcelona

Brincamos no jornalismo esportivo que, quando mesmo assunto se repete várias vezes, "estamos sem manchetes". Basicamente é isso o que aconteceu em LaLiga na 15a rodada. O Barcelona, em seu longo e doloroso processo de reconstrução com Xavi, venceu sua partida, mas o bom futebol ainda está distante. Já o Real Madrid, em jogo que valia a liderança contra o Sevilla, ganhou com gols da dupla Karim Benzema e Vinicius Júnior, com destaque para o brasileiro e seu golaço no finalzinho.

Quem fugiu um pouco do padrão desta temporada, mas nem tanto assim, foi o Atlético de Madrid. Fora de casa goleou o Cádiz por 4 a 1 - segundo vitória por margem de três gols da equipe de Diego Simeone nesta temporada do Campeonato Espanhol. Abaixo está o resumo das dez partidas.

Athletic 2x2 Granada

Um jogo completamente maluco abriu a rodada de LaLiga na sexta-feira. Athletic e Granada empataram em 2 a 2 em uma partida com muitas chances dos dois lados, que poderia ter terminado com qualquer resultado. No primeiro tempo, após sair atrás no placar, a equipe de Robert Moreno melhorou e virou o placar de maneira merecida, jogando taticamente espelhada ao 4-4-2 de Marcelino García Toral. No segundo tempo, os bascos reagiram, pressionaram bastante, conseguiram o empate e quase viraram em lances que Luis Maximiniano (apesar do gol contra marcado) salvou. No final, com a expulsão de Iñigo Martínez, o Granada ainda teve oportunidade para fazer o terceiro. Enfim, jogo totalmente aberto, que no final das contas rendeu ao Athletic a quinta rodada consecutiva sem vitória.

LaLiga: Athletic Bilbao e Granada empatam em jogo emocionante marcado por gol contra bizarro; VEJA os melhores momentos




Alavés 1x2 Celta

A vitória tranformou a série de três empates seguidos em quatro rodadas de invencibilidade para o Celta, enquanto o Alavés perdeu pela primeira vez após cinco partidas. Santi Mina fez 1 a 0 para os visitantes e Joselu, com o sétimo gol dele em LaLiga, empatou para os donos da casa. Foi um jogo bem aberto, com 13 finalizações do Alavés e oito do Celta, que teve mais posse de bola com 58%. No segundo tempo, já com o gramado de Mendizorroza branco pela neve que caiu em Vitoria-Gasteiz, Iago Aspas perdeu um pênalti aos 25 minutos, mas marcou no rebote do goleiro Fernando Pacheco.

Alavés 1 x 2 Celta: veja os melhores momentos do jogo de LaLiga




Valencia 1x1 Rayo Vallecano

Um pênalti convertido por Carlos Soler aos nove minutos colocou o Valencia na frente. A partir daí, a sensação de LaLiga buscou o empate com Isi Palazón no segundo tempo e teve mais posse de bola (58%) e mais finalizações (12x8, 6x4 no alvo) no final das contas. O Rayo teve mais uma vez desfalques importantes, como Radamel Falcao García e Randy Nteka, e depois do empate correu muitos riscos. Na prática, Stole Dimitrievski impediu o segundo gol valenciano. Terceiro empate seguido para o Valencia, sexta posição na tabela para a equipe de Vallecas.

La Liga: Valencia empata em 1 a 1 com o Rayo Vallecano; veja os melhores momentos




Mallorca 0x0 Getafe

Na transmissão da ESPN Argentina, ao final do primeiro tempo, a equipe de transmissão citou Jean-Paul Sartre, “o ser e o nada”, para explicar o primeiro tempo nulo ofensivamente de Mallorca e Getafe. Somente os donos da casa tiveram finalizações certas na partida, apenas duas, apesar de um gol incrivelmente perdido por Mathias Olivera para o Getafe. Partida mais fraca tecnicamente da rodada de LaLiga.

Mallorca 0 x 0 Getafe: veja os melhores momentos do jogo de LaLiga




Villarreal 1x3 Barcelona

Os resultados estão aparecendo, mas o bom futebol ainda está bem distante do Barcelona. Em um jogo marcado por atuação muito ruim da arbitragem, o Barça venceu o Villarreal e manteve 100% de aproveitamento em LaLiga sob o comando de Xavi. Com pouco mais de um minuto, Dani Parejo deveria ter sido expulso por entrada violenta em Sergio Busquets. Além disso, houve um pênalti escandaloso para o Villarreal, cometido por Gerard Piqué que bloqueou uma finalização com o braço, não marcado por César Soto Grado. Fora tudo isso, a boa notícia para o Barça - que manteve a variação tática de três zagueiros quando atacava e 4-1-4-1 sem a bola - foi Philippe Coutinho, que entrou aos 35'/2T, jogou bem, sofreu um pênalti e converteu a cobrança. O Submarino Amarelo tem somente três vitórias após 14 rodadas.

Barcelona bate Villarreal por 3 a 1 com gols de De Jong, Memphis e Coutinho e mantém 100% na ‘Era Xavi’ em LaLiga




Betis 3x1 Levante

O primeiro hat-trick de Juanmi garantiu a vitória ao Betis, de virada, contra o Levante, e é um prêmio pela ótima temporada do atacante de 28 anos, que chegou a oito gols. Muito superior do início ao fim, a equipe de Sevilha só conseguiu marcar no segundo tempo, mas os números do jogo ajudam a entender o domínio: 60% de posse de bola e 26 a oito em finalizações. Nos dois primeiros gols de Juanmi, duas assistências de Willian José. O Beti, comandado por Manuel Pellegrini, está bem consolidado na briga por vagas em competições continentais.

LaLiga: Com hat-trick de Juanmi, Betis vence o Levante de virada e entra no G4




Espanyol 1x0 Real Sociedad

Terrível sequência da Real Sociedad, com uma única vitória nos últimos seis jogos em todas competições. Isso fez com que o time se complicasse na Europa League, onde precisará vencer o PSV, em casa, para avançar, e a distanciou da liderança de LaLiga - são 29 pontos em 15 jogos, quatro pontos a menos que o Real Madrid e uma partida a mais. O Espanyol, que venceu com gol do venezuelano Yángel Herrera aos 32 minutos do segundo tempo, continua com a boa campanha neste retorno à primeira divisão. 

Com gol de Yangel Herrera, Espanyol vence a Real Sociedad em LaLiga; veja o lance




Cádiz 1x4 Atlético de Madrid

A goleada foi toda construída no segundo tempo. Na primeira etapa, duas boas chances para o Atlético, mas um jogo bastante travado pelo Cádiz. O primeiro gol só saiu aos 11 minutos da segunda etapa, com Thomas Lemar, fundamental na criação do meio-campo colchonero - neste lance, aparecendo na grande área para finalizar de cabeça cruzamento de yannick Carrasco. A partir daí o jogo ficou mais aberto e o Atleti marcou mais dois gols, até sofrer o primeiro com Antony Lozano em mais uma falha de Jan Oblak na temporada. Matheus Cunha entrou bem na partida, aos 28'/2T, com um gol e uma assistência.

LaLiga: Goleiro franga, Cunha marca e Atlético de Madrid goleia o Cádiz; veja os melhores momentos



Real Madrid 2x1 Sevilla

Primeiro tempo de alto nível técnico, com muitas chances de gols dos dois lados. Rafa Mir abriu o placar, quase fez 2 a 0 e Lucas Ocampos mandou um lindo chute no travessão. Os merengues reagiram e, contra a marcação baixa do Sevilla, tinham Éder Militão e David Alaba com muito espaço para construírem; em uma finalização do brasileiro, Bono rebateu mal e Karim Benzema marcou. Na segunda etapa, o Real Madrid assumiu mais o protagonismo e no final pressionou muito em busca da vitória, que veio com um golaço de Vinicius Júnior, que agora soma nove gols na temporada de LaLiga, dois a menos que seu parceiro de ataque. Julen Lopetegui completou 100 jogos em LaLiga como treinador, com 55 vitórias, 24 empates e 21 derrotas - jamais venceu Real Madrid e Barcelona.

Vinicius Jr. tira golaço da cartola, e Real Madrid vence Sevilla de virada; veja os melhores momentos



Osasuna 1x1 Elche

Dois gols nos primeiros 20 minutos decretaram o empate entre Osasuna e Elche, em Pamplona. Antre Budimir fez de pênalti logo aos sete minutos para os bascos, enquanto Fidel empatou para os visitantes aos 19. O Osasuna não sabe o que é vitória há seis rodadas, enquanto o Elche não soma três pontos há sete. 

Budimir marca e Osasuna sai na frente com pênalti ‘bobo’, mas Elche empata com ‘redenção’ de Fidel; VEJA os gols



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Barcelona com problemas, Vinicius Júnior decidindo... Estamos sem manchetes em LaLiga

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Pela primeira vez, expatriados são maioria nas cinco grandes ligas europeias

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Cinco brasileiros estão no elenco atual do Real Madrid
Cinco brasileiros estão no elenco atual do Real Madrid D

Em 26 de dezembro de 1999, em pleno Boxing Day inglês, o Chelsea chamou a atenção de todos no país. Pela primeira vez na Inglaterra, um time era escalado sem qualquer jogador nacional, composto exclusivamente de 11 estrangeiros entre os titulares. Na época, o diretor do clube, Colin Hutchinson, afirmou que o Chelsea era um "clube continental jogando futebol na Europa". Os Blues venceram o Southampton naquele dia por 2 a 1, com dois gol do atacante norueguês Tore Andre Flo. De lá para cá, escalações com 100% de atletas estrangeiros se tornaram comuns pelo continente.

A própria terminologia mudou. Com a Lei Bosman em vigor desde dezembro de 1995 e o crescimento da União Europeia, apesar do Brexit, as fronteiras caíram também no futebol. Com isso, diversos jovens trocam de clube e país ainda na base, tendo toda, ou parte, da formação como jogador de futebol fora de seu país natal. Na prática, portanto, são estrangeiros, mas não entram na categoria de expatriados no futebol. Essa diferenciação é importante para entender os dados divulgados pelo CIES Football Observatory, centro de estudos do futebol localizado na Suíça. De acordo com o levantamento demográfico da entidade, pela primeira vez na história há mais expatriados nas cinco grandes ligas europeias do que jogadores formados nos clubes locais.

Premier League, LaLiga, Bundesliga, Serie A e Ligue 1 possuem 50,1% de expatriados nos elencos. O estudo analisou 31 ligas de primeira divisão na Europa, contabilizando 12.141 jogadores de 473 clubes. Para serem incluídos no levantamento, os atletas precisavam constar na relação principal de suas equipes em 1o de outubro deste ano e terem jogado ao menos uma partida nesta temporada ou em cada uma das duas últimas. Goleiros reservas são as exceções a esta regra e também entraram na contagem. A média obtida em todo continente é menor (41,9%), mas retoma o índice de 2019 pré-pandemia, após pequena queda no ano passado (41,2%). Quando o CIES Football iniciou esse levantamento demográfico em 2009, a média nestas 31 ligas nacionais era de 34,8% de expatriados.

Base x Mercado

Há o efeito econômico e a correlação com a formação de novos jogadores. Campeonatos onde os clubes têm maior poder de investimento buscam mais talento estrangeiro e acabam dando menos espaço para atletas da base. Nas cincos grandes ligas europeias, por exemplo, apenas 14,2% dos elencos, na média, são de jogadores formados no próprio clube - para entrar nesta categoria, o atleta precisa ter passado ao menos três temporadas entre 15 e 21 anos no clube atual; a média do continente ficou em 18%. Nas dez ligas analisadas com pior ranking na UEFA, o índice sobe para 22,4% e os expatriados caem para 33%.

Outra consequência direta é a manutenção a longo prazo de jogadores no elenco. Ingleses, espanhóis, alemães, italianos e franceses trocam, em média, 31,6% de seus atletas a cada temporada, sem contar a promoção dos jovens da base. Na parte de baixo do ranking, a movimentação de mercado sobe para 42,5% - Ekstraklasa (Polônia), Allsvenskan (Suécia), Premier League (Belarus), Super Liga (Sérvia), Eliteserien (Noruega), A PFG (Bulgária), Super Liga (Eslováquia), 1.SNL (Eslovênia), NB I (Hungria) e Veikkausliiga (Finlândia). A pandemia provocou, na temporada passada, redução do índice no geral em toda Europa, caindo de 43,2% em 2019 para 40,9% em 2020 e 40,4% neste ano.

Exemplos práticos

Há extremos em todas pesquisas deste tipo. O clube, por exemplo, com a maior porcentagem de expatriados no elenco fica na Grécia, onde a média na liga nacional é de 60,2%. Não há na Europa equipe com mais jogadores formados fora do próprio clube do que o Aris, com 88,5%. Três brasileiros fazem parte do elenco da equipe de Tessalônica: o goleiro Denis, ex-São Paulo e Ponte Preta, o zagueiro Fabiano, ex-Chapecoense, Cruzeiro e Palmeiras, e o volante Lucas Sasha, que surgiu como promessa na base do Corinthians. O clube é uma Torre de Babel, com atletas oriundos de quase todos os continentes do planeta, com exceção da Oceania.

"Falamos em inglês. Inevitavelmente alguns grupos se formam, principalmente o pessoal que vem da África e que fala francês. Depois tem muitos argentinos e espanhóis, que ficam falando espanhol. Somos em três brasileiros e falamos o nosso português, mas quando todo mundo quer se juntar e tem algo para falar, tem que ser em inglês. Bom para nós, que acabamos aprendendo um pouco de cada língua. Sou um cara muito curioso, gosto de aprender outras culturas, pergunto bastante", conta Lucas Sasha, jogador do Aris desde 2019. Antes, o meio-campista passou por CSKA Sofia e Ludogorets, na Bulgária, e pelo Hapoel Tel Aviv, em Israel.

Lucas defende o Aris desde 2019 e está fora do Brasil há uma década
Lucas defende o Aris desde 2019 e está fora do Brasil há uma década Divulgação

Esse meio multi-cultural de um vestiário como do Aris promove muitas trocas entre os atletas, mas também acaba gerando algumas barreiras. "Realmente há muita diferença cultural, são culturas completamente diferentes, religiões diferentes, costumes diferentes. O mais importante é saber respeitar o limite do próximo. Digo isso para mim mesmo, porque sou um cara muito brincalhão e sei que muitas vezes uma brincadeira que eu faça com uma pessoa, não pode ser feita com outra. Aprendi isso na marra, brincando e a pessoa falando 'assim não'. É necessário respeitar o limite de cada um, saber até onde pode ir. Não apenas com brincadeiras, mas no dia a dia com os mais variados assuntos. Como no mundo todo, não é mesmo? Saber respeitar o espaço de cada um", completa Lucas.

Representantes das cinco grandes ligas estão muito próximos do Aris também. A Udinese perdeu a primeira posição apenas por 0,5%, enquanto o Atlético de Madrid ficou com 82,6% de média, bem acima do padrão de LaLiga (38,1%). Mais casos notórios são de Paris Saint-Germain (75%), Lille (76%) e Sevilla (64,3%). Por outro lado, somente três dos 473 times pesquisados não possuem qualquer jogador expatriado em seus elencos atuais: Paksi, da Hungria, Desna, da Ucrânia, e o mais óbvio de todos, pela política de utilização apenas de jogadores de origem basca, Athletic Bilbao. Em termos de ligas nacionais, a Sérvia é quem menos dá espaço para expatriados, somente 16,2% de todos atletas nos 16 clubes da primeira divisão.

Quando o assunto é utilização da base, nenhum clube supera o Zilina, quarto colocado no último Campeonato Eslovaco. Atualmente, 79,2% do elenco é formado por atletas formados em suas categorias menores, valor 56% acima do que se constata na Eslováquia, que mesmo assim apresenta a menor média de idade nas equipes, apenas 24,53. Nas cinco grandes ligas, também sem surpresas, o líder é o Athletic Bilbao com índice de 56%; entre todos os campeonatos analisados, a maior média ficou com a Noruega (29,2%) e a menor com a Turquia (8,5%). Há também 39 clubes que não possuem jogadores da própria base, e o que mais chamou atenção neste quesito foi a presença de três representantes de LaLiga: Getafe, Granda e Elche. O último caso tem gerado bastante polêmica na Espanha; o Elche pertence ao empresário argentino Christian Bragarnik, que tem investido muito em jogadores de seu próprio país e contrantando, inclusive, sócios de seu negócio - caso de Darío Benedetto.

Estabilidade merengue

Desde a temporada 2014-15, quando Toni Kroos trocou o Bayern pelo Real Madrid, o meio-campo merengue tem sido formado pelo alemão ao lado de Casemiro e Luka Modric. Além dos três, outros atletas importantes permanecem no elenco madridista há muito tempo, como Marcelo desde 2007 e Karim Benzema desde 2009. Tudo isso colabora sensivelmente para que a média de permanência no atual elenco do Real seja 4,21 anos por jogador. O valor é bem superior ao que se tem em LaLiga (1,66). Ainda na Espanha, mais especificamente no país Basco, o Athletic aparece novamente no levantamento do CIES Football com índice de 4,56 anos por atleta. Alguns exemplos opostos também podem ser obtidos território espanhol; o Sevilla, com sua política de muitas contratações e vendas, obteve média de 2,11, enquanto o Elche, já citado acima, ficou com 1,84.

Exemplos de estabilidade na Itália e na Alemanha são Sassuolo (4 anos) e Borussia Mönchengladbach (4,54 anos), enquanto em todo continente nenhum clube supera o CSKA Moscou e sua média de 4,83 anos por jogador no elenco atual. Mário Fernandes, brasileiro naturalizado russo, por exemplo, está no clube moscovita desde 2012, quando foi negociado pelo Grêmio por 15 milhões de euros. Sem falar, é claro, no goleiro Igor Akinfeev, de 35 anos, formado no próprio CSKA, desde 2002 na equipe profissional e recordista histórico de partidas. O extremo oposto ao CSKA Moscou também está no Leste Europeu, com o glorioso Dinamo Brest, de Belarus, que mantém seus jogadores no elenco em média por apenas um ano.

Há situações distintas também e de fácil explicação. Quando analisados os índices na comparação com a média do respectivo campeonato, três clubes da Premier League aparecem no top 10: Brentford, Norwich e Watford. São justamente os três que conquistaram o acesso para a Premier League nesta temporada e, com isso, fizeram mais investimentos em reforços. Isso fez com que a média de permanência no clube dentro do atual elenco caísse bastante. Já que o assunto é a Premier League, há ainda o caso do Burnley que possui a maior média de idade dos jogadores do atual elenco entre todos 473 clubes analisados, com 29,91 anos.

Processo migratório

No final das contas, mais uma vez o futebol reflete a sociedade. Esse alto fluxo migratório entre jogadores também acontece nos mais variados setores e níveis sociais, por motivos diversos e nem sempre valoráveis. Em 2016 a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu o Pacote Global para Migração. Naquele ano, através da Declaração de Nova Iorque, como ficou conhecido o documento, os objetivos do acordo internacional foram divulgados: tratar todos os aspectos da migração internacional, incluindo as questões de tipo humanitário, de desenvolvimento e de direitos humanos, contribuir para a  governança mundial e fortalecer a cooperação sobre o tema, criar un marco legal para uma cooperação internacional integral que beneficie aos migrantes à mobilidade humana e seguir o plano marcado pela Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável e o Plano de Ação de Adis Abeba da Terceira Conferência Internacional sobre o Financiamento para o Desenvolvimento.

Na prática, porém, como temos visto nos últimos anos, a situação migratória na Europa tem provocado desastres humanitários. O futebol também tem suas histórias ruins envolvendo migração. Como quase sempre acontece no esporte mais praticado do mundo, os olhares globais se voltam para as transferências milionárias e os grandes clubes. No entanto, bem além das centenas de milhões de euros que circulam nas mãos de empresários, dentro de todos os números levantados pelo CIES Football há rostos e relatos de muita dificuldade também.

A trajetória de Vicente de Paula na Europa tem sido de muita dificuldade
A trajetória de Vicente de Paula na Europa tem sido de muita dificuldade D

Vicente de Paula, lateral brasileiro de 25 anos, defende atualmente o VPK-Ahro Shevchenkivka, na segunda divisão ucraniana. Em entrevista neste ano ao podcast Futebol no Mundo, ele lembrou das dificuldades que enfrentou em suas primeiras experiências europeias, quando passou pelo Bylis Ballsh, do futebol albanês em 2020. "Antes de ir para a Albânia me alertaram sobre alguns riscos, mas quando você tem um sonho, acaba ficando cego. Quer apenas jogar, não quer saber mais de nada. Quando cheguei lá foi horrível. Fui contratado através de outro agente, que me prometeu muitas coisas. Ele e o presidente. Assim que eu pisei na Albânia foi tudo diferente, começando pelo contrato. Prometeram apartamento, salários em dia e nada disso aconteceu. Foi muito constrangedor pra mim. O presidente mentiu em tudo".

O que aconteceu com Vicente acontece com vários outros atletas pelo mundo. "Quando cheguei no clube, o alojamento era horrível, e o combinado era que eu ficasse lá por três dias até alugarem meu apartamento. Não havia aquecedor no alojamento e lá faz muito frio. Conversei com um colega do time, argentino, que me levou para morar com ele. Fiquei um mês na casa dele, que me ajudou muito, inclusive com dinheiro. Até hoje não me pagaram os salários", completa. Porém, o pior ainda estava por vir, quando recebeu a notícia de que não havia mais esperança na cura de sua mãe. "Os médicos avisaram que minha mãe tinha mais uma semana de vida, por causa do câncer. Conversei com o presidente para voltar ao Brasil e poder ver minha mãe, o último adeus. O presidente foi muito ignorante, disse que eu não poderia voltar ao Brasil porque não retornaria depois à Albânia". Pouco depois disso, durante a pandemia e através de uma agência de jogadores no Brasil, que acionou a embaixada brasileira, ele conseguiu deixar a Europa.

Em maio deste ano, eram 1287 jogadores brasileiros espalhados pelo mundo. Mais do que qualquer outra nacionalidade.

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Na rodada de estreia de Xavi, os destaques foram todos do Real Madrid

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Antes da sequência de três partidas sem vitória no final de setembro e início de outubro - empate em 0 a 0 com o Villarreal e derrotas para Sheriff Tiraspol e Espanyol - o Real Madrid dava mostras de principal favorito ao título de LaLiga. Os resultados ruins devolveram o time "apenas" à condição de um dos favoritos, em mais uma temporada extremamente equilibrada do Campeonato Espanhol. De lá para cá são seis vitórias e um empate em todas competições, novamente com alto nível de jogo e excelentes desempenhos individuais.

Neste final de semana os merengues golearam o Granada por 4 a 1 e assumiram a liderança de LaLiga com 30 pontos em 13 partidas, graças ao empate entre Real Sociedad e Valencia. Na rodada de estreia de Xavi, o destaque mais uma vez foi o atacante brasileiro Vinicius Júnior, que assumiu a vice-artilharia do campeonato. Além disso, Toni Kroos deu duas assistências, Luka Modric mostrou todo seu talento novamente e Casemiro permanece extremamente regular no meio-campo do Real Madrid.

Benzema, Modric e Vinicius contruíram um belo gol para o Real Madrid, anotado pelo brasileiro
Benzema, Modric e Vinicius contruíram um belo gol para o Real Madrid, anotado pelo brasileiro Real Madrid

Confira abaixo resumos dos dez jogos da 14ª rodada de LaLiga.

Levante 0x0 Athletic

A chuva deixou o gramado do Ciutat de València quase impraticável no final do jogo. Choveu muito em Valência, o que prejudicou bastante a partida. Mesmo assim, o próprio Marcelino García Toral admitiu a falta de força ofensiva de sua equipe. Apesar de possuir a melhor defesa de LaLiga com apenas oito gols sofridos, o ataque é o pior entre os 13 primeiros colocados com 11 gols marcados, média inferior a um por jogo. O Levante segue sua sofrível jornada na temporada, que nada mudou com a chegada do técnico Javier Pereira: é o único time que ainda não venceu em LaLiga e ele se tornou o pior técnico estreante pelo clube (duas derrotas e três empates).

Levante e Athletic Bilbao empatam por 0 a 0 em LaLiga em noite de brilho dos goleiros; veja os melhores momentos




Celta 1x1 Villarreal

Resultado ruim para as duas equipes, já que o Celta permanece próximo à zona de rebaixamento e o Villarreal não consegue alcançar a parte de cima da tabela. De qualquer modo, partida bem disputada, com dois times que gostam da posse de bola e jogam ofensivamente; os números ajudam a mostrar isso: 57% de posse para o Celta e 30 finalizações no total, com 18 para o Villarreal. O primeiro gol saiu em falha de Matías Dituro, que soltou a bola nos pés de Dani Parejo, que apenas rolou para Alberto Moreno marcar na pequena área. O empate também surge de um vacilo de goleiro, desta vez Gerónimo Rulli, que rebateu chute de Fran Beltrán (o 1 do 4-1-3-2 do Celta) para o meio da área e Brais Méndez aproveitou.

Com Thiago Galhardo em campo, Celta de Vigo empata com Villarreal em 1 a 1; veja os melhores momentos




Sevilla 2x2 Alavés

Assim como em Valência no dia anterior, muita chuva em Sevilha; o que prejudicou bastante o jogo dos donos da casa. Com 68% de posse de bola, o Sevilla saiu atrás no placar, com o gol marcado por Víctor Laguardia aos cinco minutos, mas buscou o empate com Lucas Ocampos. Porém, em um polêmico pênalti marcado pelo árbitro Alejandro Muñiz no final do primeiro tempo - a bola bate no braço de Ocampos, que estava na barreira em cobrança de falta -, Joselu fez o segundo do Alavés. Com o gramado bastante encharcado, o Sevilla teve muitas dificuldades para criar ofensivamente no segundo tempo, mas mesmo assim conseguiu o empate aos 47 minutos com Ivan Rakitic. Os comandados de Julen Lopetegui seguem com fortíssima campanha: oito vitórias, quatro empates e somente uma derrota.

Em um jogo molhado, Rakitic marca nos acréscimos e Sevilla empata com o Alavés; veja os melhores momentos




Atlético de Madrid 1x0 Osasuna

Com alguns dos sul-americanos que jogaram a Data FIFA no banco, Diego Simeone mudou o Atlético. Variou taticamente na linha de defesa, alternando entre cinco e quatro jogadores: Mario Hermoso foi lateral em muitos momentos, deixando Yannick Carrasco à frente na segunda linha de marcação. Thomas Lemar ganhou liberdade para avançar no meio-campo, se posicionando na altura do campo ao lado de Ángel Correa. Antoine Griezmann foi o atacante central. Bom jogo do Atleti, mas novamente com enorme dificuldade em tranformar as chances criadas em gol. Tanto é que venceu novamente no sufoco, graças à cabeçada de Felipe aos 42 minutos do segundo tempo após cobrança de escanteio. De qualquer modo, três pontos importantíssimos após o empate sofrido para o Valencia na rodada passada.

Com gol do brasileiro Felipe, ex-Corinthians, Atlético de Madrid vence o Osasuna; veja



Barcelona 1x0 Espanyol

A confiança voltou às arquibancadas do Camp Nou. Na estreia de Xavi como treinador do Barcelona, mais de 70 mil torcedores apoiaram a equipe no dérbi com o Espanyol. Precisarão de paciência, de qualquer modo, porque o time ainda apresentou velhos problemas, mesmo vencendo por 1 a 0. Xavi lançou o garoto Ilias Akhomach aberto na direita em seu 4-3-3 e no intervalo o substituiu pelo marroquino Abdessamad Ezzalzouli; o primeiro de 17 anos e o segundo de apenas 19. Dois exemplos do que está por vir no Barça, com aproveitamento dos garotos e recuperação da ideia de jogo culé. Em campo, o Espanyol poderia tranquilamente ter empatado. Raúl de Tomás desperdiçou oportunidades que, nesta temporada, não vem perdendo. O único gol saiu de pênalti, polêmico, convertido por Memphis aos três minutos do segundo tempo.

LaLiga: Memphis Depay marca, e Barcelona vence o Espanyol na estreia de Xavi 



Getafe 4x0 Cádiz

Demorou para vencer, mas agora o Getafe soma duas vitórias nas três últimas rodadas de LaLiga. Não marcava quatro gols em um jogo desde 1o de dezembro de 2019, quando goleou o Levante no Campeonato Espanhol por 4 a 0. Coincidentemente, com o 4 a 0 deste domingo sobre o Cádiz, deixou a lanterna da competição para o Levante. Apesar da posse de bola pouco menor (47%), o Getafe criou bem mais no ataque, com 17x10 em finalizações e 8x2 no alvo - os três primeiros gols foram todos em cabeçadas. Aos poucos o bom técnico Quique Sánchez Flores vai melhorando a equipe da grande Madri, que sentiu muito a saída de José Bordalás.

LaLiga: VEJA os melhores momentos da goleada do Getafe sobre o Cádiz 



Granada 1x4 Real Madrid

Vitória tranquila de um Real Madrid muito confiante. Toni Kroos foi deciviso no primeiro tempo com duas assistências e Vinicius Júnior mais uma vez brilhou no ataque - desta vez com um gol, muitos dribles e uma expulsão conquistada (Monchu). O alemão e o brasileiro foram os protagonistas em uma tarde de boa atuação coletiva. No primeiro gol, Vinicius recupera a bola no meio-campo e Kroos dá a assistência para Marco Asensio. O Granada, de Robert Moreno, após levar dois gols em 25 minutos, subiu as linhas do 4-4-2 e deu campo para os merengues jogarem. Descontou com Luis Suárez, após Vinicius perder a bola no meio, mas não aguentou a força adversária na segunda etapa. LaLiga tem velho novo líder.

Com show de Vinicius Jr., Real Madrid goleia o Granada e segue na liderança de LaLiga; VEJA os melhores momentos



Elche 0x3 Betis

Quinto colocado de LaLiga, o Betis confirmou o favoritismo e venceu bem o Elche, que permanece na zona de rebaixamento. O resultado derrubou o técnico Fran Escribá, demitido pelo clube da província de Alicante. Além do mais, os comandados de Manuel Pellegrini se recuperam de duas derrotas seguidas bem pesadas (0x3 Atlético e 0x2 no dérbi com o Sevilla). E olha que o Betis não teve total controle do jogo, com 42% de posse de bola e menos finalizações no total (nove contra 14); o que fez a diferença foi o incrível aproveitamento nas chances criadas, com três gols marcados em quatro arremates certos nos primeiros 30 minutos. Quando perdeu Héctor Bellerín, expulso aos 22 minutos do segundo tempo, a vitória já estava encaminhada e aí o Elche foi com tudo para o ataque.

LaLiga: Willian José marca, e Real Betis faz 3 no Elche; VEJA os melhores momentos



Real Sociedad 0x0 Valencia

Partida com pouquíssimas chances claras de gol. Na prática, apenas a Real Sociedad realmente criou para abrir o placar ainda no primeiro tempo. O Valencia apresentou muito pouco ofensivamente, e mesmo quando esteve com um jogador a mais em campo (desde 31'/2T com a expulsão de Aritz Elustondo) permaneceu com enorme dificuldade em ameaçar o gol de Álex Remiro - que não fez qualquer defesa difícil no jogo, diferentemente de Jasper Cillessen que teve que trabalhar bem mais. No final das contas, partida decepcionante pela expectativa que havia antes do confronto entre Imanol Alguacil e José Bordalás.

LaLiga: Real Sociedad fica no empate com o Valencia e vê Real Madrid 'roubar' a liderança; VEJA os melhores momentos




Rayo Vallecano 3x1 Mallorca

Na falta do protagonista Radamel Falcao García, que ficou no banco ainda sem as melhores condições físicas, Óscar Trejo assumiu o protagonismo do Rayo Vallecano.  Um gol, uma assistência (sete agora, lidera LaLiga ao lado de Benzema) e lindas jogadas do meia argentino na vitória por 3 a 1 sobre o Mallorca. Campanha incrível do Rayo como mandante: cinco vitórias e um empate jogando em Vallecas. Andoni Iraola tem o time nas mãos, bem organizado com e sem a bola na variação do 4-2-3-1 para o 4-4-2. Já o Mallorca, soma agora seis rodadas sem vitória - time sente muito a falta de Takefusa Kubo.

LaLiga: Oscár Trejo aplica ‘Lei do Ex’, dá show e comanda vitória do Rayo Vallecano em cima do Mallorca



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Casemiro fala sobre Vinicius Jr., trio com Kroos e Modric e necessidade de jogos perfeitos na Copa

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Aos 29 anos, Casemiro vive o apogeu da carreira. Experiente, titular indiscutível do Real Madrid e da seleção brasileira, o meio-campista se prepara para os próximos compromissos do Brasil pelas eliminatórias. No último sábado (6), esteve em campo na vitória merengue sobre o Rayo Vallecano por 2 a 1, resultado que manteve o Real na segunda posição de LaLiga. Jogo marcante para o jogador, que alcançou a marca de 200 na competição.

Antes da viagem para se unir aos comandados de Tite, Casemiro respondeu as perguntas da ESPN sobre seu atual momento na carreira e também de alguns dos seus companheiros em Madri. Como por exemplo Vinicius Júnior, de temporada incrível, e Karim Benzema, acumulando recordes e mais recordes pelo clube espanhol. Na carreira como madridista são 301 partidas no geral, com 204 vitórias e 30 gols, incluindo alguns bem decisivos - como na final da Champions League de 2016-2017 contra a Juventus.

Os jogos do Real Madrid, de Casemiro, por LaLiga, você assiste AO VIVO pela ESPN no Star+. O time volta a campo pela disputa nacional no domingo 21 de novembro, contra o Granada, às 12h15 (horário de Brasília), fora de casa em compromisso pela 14ª rodada.   

Casemiro é o terceiro brasileiro com mais jogos pelo Real Madrid (301), atrás apenas de Marcelo (532) e Roberto Carlos (527). Ao lado do atual lateral-esquerdo, compartilha a condição de jogador nascido no Brasil com mais títulos de Champions (quatro). Isso sem falar nos três Mundiais, duas LaLigas, duas supercopas europeias...

São 200 jogos em LaLiga, dois títulos conquistados e momentos memoráveis. Qual foi a partida mais marcante para você?
Quando eu cheguei ao Real Madrid Castilla eu sonhava jogar pelo time principal, mas nunca imaginava que poderia construir uma trajetória tão importante dentro do clube. Por conta disso eu valorizo cada jogo com essa camisa e fica muito difícil escolher um único jogo. Todos os jogos pelo Real Madrid são importantes e encaro cada um como se fosse o meu primeiro.

Você tem dimensão do seu tamanho na história do Real Madrid? Afinal, além dos títulos conquistados e dos números acumulados, você forma com Toni Kroos e Luka Modric um trio de meio-campistas inesquecível para o madridismo.
Procuro não pensar nisso. É um privilégio jogar tantos anos no maior clube do mundo e acho que só terei a dimensão do que consegui construir quando tudo isso acabar um dia. Sobre jogar ao lado do Luka Modric e do Toni Kroos é um privilégio. Vou levar para a minha vida inteira o fato de ter atuado tanto tempo ao lado deles e vou contar para os meus netos que pude jogar com dois jogadores excepcionais, dois ícones do futebol.

O Real Madrid tem jovens jogadores em destaque, mas acima de tudo uma base muito experiente, da qual você faz parte e que já joga junto há muito tempo. O que mudou no time com a saída de Zinédine Zidane e o retorno de Carlo Ancelotti?
Cada treinador tem seu método de trabalho e felizmente estamos tendo uma ótima adaptação ao método do Carlo Ancelloti, assim como tivemos por muito tempo com o Zidane. Mas quero destacar um ponto em especial que encanta muito em relação ao Ancelotti. É um senhor de 62 anos, com mais de 40 anos no futebol e que já conquistou tudo, mas é incrível a determinação de vencer e de nos ensinar com toda a sua experiência a cada dia.

Vinicius Júnior é hoje o jogador brasileiro em melhor fase na Europa?
O que posso dizer é que o Vinicius vive seu melhor momento, uma fase especial e além disso é jovem, tem um potencial de crescimento muito grande.

Karim Benzema merece a Bola de Ouro?
É um privilégio jogar ao lado do Karin Benzema e torço muito para que ele ganhe Bola de Ouro. 

As saídas de um símbolo do clube, como Sergio Ramos, e de Raphaël Varane, campeão mundial com a França, têm sido minimizadas pelo nível de atuação de Éder Militão e a chegada de David Alaba. Você também é parte fundamental na estrutura defensiva da equipe. O que mais contribui para o entrosamento da nova defesa merengue?
Sergio Ramos e Varane são dois ícones da história do Real Madrid, mas acredito que o Militão e o Alaba estão muito bem e se entrosaram rapidamente pela qualidade que possuem. O Militão já vinha tendo um papel importante na temporada passada e o Alaba é um jogador excepcional, com uma carreira fantástica.

Há muitas temporadas se discute quem é o melhor volante, ou meio-campista defensivo, do futebol mundial. A discussão sempre fica entre você e N'Golo Kanté. Quem é o melhor jogador da posição?
Prefiro que você responda essa (risos), mas gosto de lembrar que o Kanté, apesar de ser um jogador extraordinário, vem jogando no Chelsea em uma outra posição, com mais liberdade para chegar ao ataque, e o primeiro volante é o Jorginho. Vale lembrar também que há outros jogadores de altíssimo nível nessa função, como o Busquets e o Fabinho. Mas só pelo fato de ser citado como um dos melhores já fico feliz e sigo trabalhando para evoluir cada vez mais.

É comum ouvir que a posição de goleiro foi a que mais evoluiu no futebol. A sua posição, no entanto, também passou por enorme transformação nas últimas décadas. Nos grandes clubes da Europa, já não há espaço para o "volante brucutu", que apenas desarma. Toda construção de jogo do Real Madrid, por exemplo, começa na saída em três contigo e os dois zagueiros. Você considera que, assim como sua posição, evoluiu no entendimento do jogo?
Acho importante lembrar que no passado tivemos jogadores como Mauro Silva, César Sampaio, Dunga, Makélélé, Gilberto Silva, entre outros, que eram primeiros volantes e tinham muita qualidade para jogar. Ou seja, não estamos inventando nada, talvez só resgatando um pouco dessas características e valorizando novamente essa posição. Sobre o entendimento do jogo é um ponto que procuro evoluir cada vez mais e a experiência é importante para isso. É claro que jogando em um clube como o Real Madrid, ao lado de grandes jogadores, fica mais fácil de melhorar em todos os aspectos. 

Sobre seleção brasileira, apesar da derrota na final da Copa América para a Argentina, o domínio do Brasil nas eliminatórias tem sido incrível. Na prática, sob o comando de Tite os números da equipe são impecáveis. A seleção brasileira está, atualmente, no grupo das seleções mais fortes do mundo ou precisa melhorar nos próximos meses para alcançar, por exemplo, a França até a Copa de 2022?
Acredito que estamos no caminho certo e acho que os números mostram isso. É claro que as pessoas esperam sempre jogos bonitos da Seleção, como foi o último, por exemplo, e esse também é o nosso objetivo, mas não é possível fazer isso sempre. Mas acredito que temos um trabalho consistente e que pode evoluir ainda mais nesse ano que falta até a Copa. Sabemos que temos que chegar à Copa do Mundo para fazer sete jogos perfeitos. 

Casemiro foi campeão da Copa América de 2019 com a seleção brasileira
Casemiro foi campeão da Copa América de 2019 com a seleção brasileira Lucas Figueiredo / CBF
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Casemiro fala sobre Vinicius Jr., trio com Kroos e Modric e necessidade de jogos perfeitos na Copa

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