A aula que o futebol precisa aprender com o BBB

Erich Beting
Televisão não pode ser ignorada pelo futebol nas transmissões
Televisão não pode ser ignorada pelo futebol nas transmissões Getty Images


Juliette, Gil, Camilla... Quem eram eles há três meses? Na noite de terça-feira (5), Juliette entrou para a lista de “vencedores do BBB”. Mais do que o polpudo cachê por ter sido vencedora, os milhões de seguidores nas redes sociais e o mundo da propaganda que deve acompanhá-la a partir de agora devem fazer com que, de uma total desconhecida ela passe a ser uma milionária com vida garantida para algumas gerações.

Mas o que isso tem a ver com esporte?

Juliette, Gil e Camilla não se formaram a partir do digital. Foram pessoas que ganharam espaço no nosso cotidiano pela combinação de três fatores: TV aberta, TV paga e digital. O sucesso de mais uma edição de Big Brother precisa ser estudado com calma pelos profissionais da indústria do esporte.

Desde o ano passado que o futebol decidiu se movimentar para reduzir a dependência da mídia. Para variar, com a visão míope, os clubes têm certeza de que recebem pouco da TV quando comparam os ganhos de mídia daqui com o restante do mundo desenvolvido da gestão esportiva.

Olhar para o quanto faturam NFL, NBA, Premier League e La Liga e achar que, por causa disso, a TV paga pouco para o futebol no Brasil é um erro primário cometido pelas cartolas furadas que comandam nosso futebol.

Pior ainda é o movimento que, até agora, foi feito no futebol do Rio de Janeiro. Os clubes do Campeonato Carioca rasgaram um contrato de R$ 120 milhões com a Globo com toda a briga incitada pelo Flamengo em 2020, recusaram uma nova oferta de R$ 45 milhões em 2021 e, agora, vivenciaram na pele qual é o resultado da experiência de caminhar pelas próprias pernas.

Audiência do campeonato irrisória, receita com direitos de transmissão que não chega a 10% do que foi há um ano e muita reclamação por parte dos torcedores pela dificuldade em acesso às plataformas de PPV dos jogos.

O futebol no Brasil não entendeu o que qualquer big brother sabe. A TV aberta, especialmente a TV Globo, é a porta de entrada para se tornar conhecido e relevante no país. Acostumados há décadas a ter presença na TV aberta e na TV fechada, os cartolas brasileiros acharam que já são fortes o suficiente para não dependerem da televisão.

O tombo do Carioca em termos de visibilidade e receita deveria servir de exemplo para o futebol entender que, no Brasil, o modelo BBB é o que mais se adequa à realidade. Ter um parceiro líder na TV aberta, outro para a TV fechada e, só então, ir para o digital. O sucesso do BBB é a união dos três fatores, não o uso de apenas uma das plataformas.

O risco que o futebol brasileiro começa a correr é, com o tempo, virar um daqueles ex-BBBs. Tentam sobreviver da fama do passado, enquanto os colegas que souberam navegar no canhão da TV aberta seguem faturando milhões, independentemente do programa.

O sucesso de NFL, NBA e afins é apostar na TV tanto quanto nos meios digitais. É inviável pensar em ter um evento esportivo de sucesso nos Estados Unidos sem a ESPN. Assim como, aqui no Brasil, é inviável ter sucesso no esporte sem precisar, primeiro, estar com o líder da TV aberta no país.

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Superliga salvaria o futebol ou as finanças dos seus fundadores?

Erich Beting
Florentino Pérez, durante um jogo do Real Madrid
Florentino Pérez, durante um jogo do Real Madrid Getty Images

Quando Florentino Pérez, presidente do Real Madrid, disse que a Superliga seria “a salvação do futebol”, um pouco mais do mundo caiu sobre as cabeças dos clubes fundadores da competição que não durou mais do que dois dias. A empáfia do dirigente foi rapidamente destruída, e a sucessão de acontecimentos que levaram ao rápido fim do projeto de clube fechado de times mostrou o quanto o futebol não acredita em projetos mirabolantes para salvar a pátria.

Coincidentemente, nos dias seguintes ao anúncio da liga e à declaração, diversas notícias sobre as finanças dos 12 clubes fundadores da Super League foram saindo. A de hoje dá conta de que o Barcelona tenta, urgentemente, achar um empréstimo para pagamento a longo prazo, na tentativa de reduzir os quase € 300 milhões que tem de dívidas para quitar até junho. Mas já tivemos o prejuízo anual do Liverpool, as combalidas finanças de Liverpool, Manchester United e City, entre outros... Isso sem falar na busca dos investidores da Internazionale em achar um outro comprador do clube, ou na tentativa de a Juventus prolongar o pagamento de parte dos salários de seus jogadores.

A cada nova notícia publicada sobre os 12 fundadores da Superliga, fica claro que Florentino Pérez tinha certeza quando dizia que a liga era uma salvação. Não do futebol, mas claramente de seus fundadores.

Os fundadores da Superliga estão entre aqueles que mais gastam no futebol mundial, porém claramente a pandemia deixou-os sem saber para onde correr. A injeção de dinheiro de um fundo de investimentos para tornar a competição viável era, claramente, a solução imediatista para amenizar os problemas da pandemia. Mais do que um projeto moderno para o futebol, os 12 fundadores da Superliga, na verdade, tinham um projeto para tentar amenizar suas perdas frente à pandemia. O estrago que a experiência malfadada da liga provocou pode vir a ser a salvação do futebol. Mas, nunca, dos 12 clubes que naufragaram junto com a Super League.

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O sócio-torcedor é vítima da pandemia. Mas a morte já era anunciada

Erich Beting

A reportagem no ESPN.com.br de Francisco De Laurentiis com o balanço completo do programa de sócios Avanti, do Palmeiras, esclarece como o sócio-torcedor se tornou uma das vítimas da pandemia para os clubes brasileiros. Tábua de salvação dos times na última década, os programas entraram em ruína por conta do fechamento dos estádios e, naturalmente, pela crise que fechou a torneira do consumo da maioria.

Mas culpar a pandemia pela falência do sócio-torcedor é ignorar que o programa era errado na sua essência. Criado em 1999 pelo Coritiba, mas popularizado de fato a partir de 2006, com o sucesso do Inter na conquista de sua primeira Conmebol Libertadores, os programas de sócios caíram no gosto do torcedor brasileiro na esteira de fenômenos circunstanciais.

O caso do Inter é claro. Lá em 2006, o clube decidiu apostar no sócio-torcedor para conseguir tentar encher o Beira-Rio durante os jogos, o que era impensável há 15 anos. A surpreendente campanha na Libertadores fez o clube ter de parar de vender o programa com acesso aos jogos, como era no começo, porque ele corria o risco de não garantir a entrada do torcedor a partir da semifinal da Libertadores. A partir daí, com o time campeão da América e, depois, do mundo, somando-se a um momento ótimo da economia brasileira, o programa colorado se tornou o maior do país.

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Isso gerou uma corrida de outros times para repetir o modelo do Inter, algo que ficou ainda mais óbvio depois do impulso dado pela Ambev, na euforia da preparação para a Copa do Mundo de 2014. A maciça campanha de mídia e a agressiva remuneração por meta alcançada imposta pela marca de cerveja fizeram com que os clubes desistissem de planejar o marketing para além de quem fosse sócio.

Com a inauguração de novos estádios na Copa do Mundo, o cenário ficou ainda melhor. Não por acaso, o melhor ano do Avanti, desde que foi criado em 2012, foi em 2015, no primeiro ano de vida do Allianz Parque e com o Palmeiras voltando a ser campeão da Copa do Brasil. Da mesma forma, Corinthians e Flamengo aumentaram seus associados na esteira do combo time bom em campo e estádio novo em uso.

Leia também
- Em abril de 2015, ESPN.com.br mostrou que o Palmeiras tinha superado o Inter e passado a liderar por pagantes o sócio-torcedor no Brasil
- Em fevereiro de 2020, ESPN.com.br revelou quantos sócios-torcedores, de fato, cada clube brasileiro da elite e mais o Cruzeiro tinham  
- Em abril de 2020, ESPN.com.br mostrou  por que os clubes se preocupavam tanto com o sócio-torcedor na pandemia e a dupla Gre-Nal ainda mais  

O problema é que, de cinco anos para cá, o mercado começou a sofrer uma enorme transformação. Começou com a Ambev tirando o pé do “Movimento por um Futebol Melhor” depois de 2016, estendeu-se com o início de uma crise econômica profunda no país e entrou em seu crepúsculo desde 2018, quando os torcedores passaram a perceber que de nada adiantava pagar mais para ter facilidade de acesso a ingresso se os estádios já não vinham lotando como antigamente.

O sócio-torcedor não soube se transformar num clube de relacionamento especial do time com o fã e, com a chegada da pandemia e o fechamento dos estádios, a falha no modelo ficou evidente. Poucos foram os clubes, nesses últimos 13 meses, que criaram algo realmente de valor para a torcida sentir-se motivada a continuar pagando uma mensalidade para ter vantagens ligadas ao time.

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O Atlético-MG, com o lançamento exclusivo do “Manto da Massa” para os sócios-torcedores logo no começo da pandemia, conseguiu mostrar que existem caminhos que estão muito longe do estádio para tentar manter uma massa de assinantes para os clubes. Tanto que, depois do Galo, diversos outros times passaram a criar produtos que só são para os sócios, como o Bahia, que fechou seu canal de YouTube para lançar o Sócio Digital, com diversos conteúdos exclusivos para os associados.

O problema é que não há tanto dinheiro disponível para se consumir num grupo restrito de torcedores. E, para o clube, vai começar a ficar claro que, melhor do que continuar a vender um sonho que não precisa ser comprado mensalmente, é trabalhar e criar ações acessíveis para todo e qualquer fã, com todos os tipos de capacidade financeira para consumir.

É assim que funciona em qualquer departamento de marketing das entidades esportivas mais bem desenvolvidas na Europa e nos Estados Unidos. É, finalmente, algo que precisa ser feito pelos clubes do futebol brasileiro. O bom marketing é aquele que não limita um universo de milhões de consumidores a menos de uma centena de milhar. O sócio-torcedor morreu com a pandemia. Mas ele já estava com os dias contados...

Em 2014, Ambev era a maior incentivadora dos programas de sócio-torcedor no futebol
Em 2014, Ambev era a maior incentivadora dos programas de sócio-torcedor no futebol Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação
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O sócio-torcedor é vítima da pandemia. Mas a morte já era anunciada

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A Fórmula 1 está cada vez mais americanizada

Erich Beting
GP de Miami foi confirmado para 2022 pela Fórmula 1
GP de Miami foi confirmado para 2022 pela Fórmula 1 Twitter/Formula 1

A novidade das “corridas curtas” da Fórmula 1 é só mais uma das mudanças que a Liberty Media vem promovendo na principal categoria do automobilismo. E, se fosse nos tempos de Carmen Miranda, fatalmente diríamos que a Fórmula está, cada vez mais, americanizada.

Deixar a disputa mais acirrada e menos óbvia fazem parte do ativo que a Liberty mais trabalha desde que passou a controlar de fato a Fórmula 1. É só ver a comunicação sobre as corridas, em que se faz questão de ressaltar aquilo que mais foi colocado em segundo plano na gestão dos “garagistas” de Bernie Ecclestone. A Fórmula 1 hoje vende o espetáculo de batidas de carros, freadas bruscas, rodagens, ultrapassagens mal sucedidas, etc.

O público que é fã do automobilismo já é convertido para a competição. A Fórmula 1 não precisa se esforçar para falar apenas com ele. É preciso, então, buscar quem não está acostumado com o esporte e, para isso, é obrigatório mostrar que a F1 tem de tudo e mais um pouco além de carros potentes.

Foi pensando nesse novo público que a parceria com a Netflix para a criação da série Drive to Survive foi feita. Da mesma maneira, o investimento no lançamento do streaming F1 TV Pro foi crucial para a guinada digital da Fórmula 1.

Agora, o próximo passo é conquistar o maior mercado consumidor do mundo. Há algumas semanas, o acordo com Miami para fazer mais uma corrida nos Estados Unidos foi anunciado. Da mesma forma, a criação de novas formas de disputa, que tentam deixar mais imprevisível o resultado da competição, começam a ser implementadas.

A Fórmula 1 tem um objetivo claro: ganhar a atenção dos americanos. Era o mercado que a categoria sempre deixou de lado. O gigante acordou. Quando a F1 parecia que morreria, vai trilhando um caminho para abraçar o novo. 

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Torcedores e imprensa, calma!

Erich Beting
Ariel Holan ficou apenas dois meses no comando do Santos
Ariel Holan ficou apenas dois meses no comando do Santos Ivan Storti/Santos FC

Ariel Holan já saiu do Santos. Contratado em 22 de fevereiro para um “projeto de três anos”, não para um “contrato de três anos”, como disse o presidente santista Andres Rueda na entrevista coletiva em que anunciou o fim do trabalho do treinador, Holan não resistiu nem três meses ao Brasil.

O argentino usou como um dos argumentos para a saída o foguetório que foi feito em frente a seu prédio em Santos na madrugada deste domingo (25), após a derrota para o Corinthians. Claramente não é só isso. Torcedor irracional no Brasil não faz cócegas perto da explosão de loucura de qualquer Barrabrava dos jogos escolares argentinos.

O ponto é que estamos vivendo, no Brasil, um momento completamente insano de descolamento da realidade. Na torcida e, em muitos casos, na mídia. É impressionante como as cobranças sobre atletas, treinadores e equipes, neste começo de temporada, são feitas sem qualquer análise do que tem acontecido há 13 meses no futebol brasileiro.

Desde maio de 2020, quando os atletas retornaram suas atividades após um mês de férias forçadas pela pandemia, que o futebol não parou. Pior ainda. Enfrentou deslocamentos, doenças e disputas nunca vistas em tão curto espaço de tempo. Pela primeira vez, também, não tivemos pré-temporada. Desligamos a chave do Brasileirão e, dois dias depois, os Estaduais voltaram. Pouco depois disso, pararam por quase duas semanas pelo agravamento da pandemia.

Resultado?

Mais viagem, mais deslocamento, mais contaminação, mais desgaste, menos tempo de descanso, mais jogos em menos dias...

É inadmissível que não se coloque na balança das análises, clubistas ou não, o peso que a pandemia tem para os atletas. Estamos há praticamente 400 dias sem qualquer pausa na rotina dos jogadores brasileiros. É o único país do mundo entre os mais desenvolvidos da bola que isso acontece. Pior ainda. Em vez de ser a rotina “normal”, de um jogo em média a cada 3,5 dias, estamos com uma conta de praticamente uma partida a cada 48h.

É humanamente impossível manter-se em alto nível de competitividade por tanto tempo. Mas, pelo visto, os torcedores e boa parte da imprensa estão descolados da realidade. Será que precisaremos de uma tragédia para o futebol entender que é preciso um respiro?

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Semifinais do Carioca ligam alerta para futuro

Erich Beting
Jogadores do Flamengo comemoram gol sobre o Fluminense em duelo pela Taça Guanabara 2020
Jogadores do Flamengo comemoram gol sobre o Fluminense em duelo pela Taça Guanabara 2020 Flamengo

Botafogo e Vasco não alcançaram as semifinais do Campeonato Carioca. A ausência dos dois times, que neste 2021 já terão de disputar a Série B do Campeonato Brasileiro, liga um enorme sinal de alerta para o futuro do estadual do Rio de Janeiro?

A deslocada do Flamengo em relação aos demais clubes do estado pode até ser boa para o Rubro Negro, mas traz um enorme problema. O Campeonato Carioca é, hoje, o que mais próximo existe no futebol brasileiro do Campeonato Alemão. Todos jogam sabendo que, no final das contas, o time que é mais rico e minimamente mais organizado que os outros quem vai ganhar com relativa facilidade o campeonato.

Salvo algum desvio de rota pouco provável, o Flamengo deve atropelar na semifinal e chegar para a final com o Fluminense como amplo favorito a levantar mais uma taça. E isso, para a atratividade do Carioca, é a pior coisa que poderia acontecer.

Sem equilíbrio na disputa, é natural que o torcedor comece, aos poucos, a se desinteressar pelo campeonato. Para piorar, a queda de competitividade de times de massa, como Botafogo e Vasco, reforçam ainda mais a sensação de que o torneio não tem tantos atrativos.

No momento em que aposta numa nova fórmula de disputa e, principalmente, num novo sistema de venda de direitos de transmissão, em que os clubes também precisam ser vendedores para o negócio prosperar, o Carioca tem um de seus anos mais desinteressantes para o grande público.

O mérito esportivo, claro, sempre deve permanecer, mas o fato é que o descompasso que existe hoje entre os quatro times mais populares do Rio de Janeiro começa a jogar contra o maior produto do futebol do estado, que é o Campeonato Carioca.

Não adianta nada inovar e querer gritar independência da TV se o futebol não tiver um produto que seja interessante para o torcedor consumir. O Cariocão em que todos jogam para ver o Flamengo campeão reforça o mérito do Rubro Negro, mas deixa um enorme ponto de interrogação para o futuro...

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O futebol é avesso a qualquer inovação

Erich Beting
Champions League nunca será destronada como maior torneio europeu
Champions League nunca será destronada como maior torneio europeu UEFA via Getty Images

A tremenda repercussão contra a criação da Superliga mostrou uma condição interessantíssima que o futebol possui e que talvez explique, em boa parte, o seu sucesso como fenômeno de massa. Entre todos os segmentos de entretenimento, não há nenhum que seja tão avesso à inovação como o futebol.

Manchester City e Chelsea, times que ganharam protagonismo mundial depois de deixarem de lado o modelo associativo que sempre moldou o futebol para serem turbinados pelo dinheiro do petróleo, recuaram depois que torcedores protestaram contra a criação de uma liga fechada. Essa é a síntese da contradição que existe no universo da bola.

O futebol é feito da tradição. O gosto pelo time é uma questão, antes de tudo, cultural. Identificamo-nos com aquele clube por coisas que transcendem o futebol. É uma conexão familiar, de amizade, de sentimento de pertencimento a um grupo social. Talvez tenhamos, na cultura do torcedor, um dos últimos resquícios de tribalismo da sociedade moderna. 

Adoramos os bilhões investidos pelo City Group ou por Abramovich, mas não queiram fazer com que esse dinheiro vá além da construção de megatimes que possam ganhar o mundo com a bola nos pés. Adoramos propagar o espetáculo de torneios de primeira grandeza, como a Champions League, mas desde que eles respeitem todas as tradições do futebol antigo. Até mesmo o VAR é objeto de amor e ódio no mundo da bola. Quantas vezes não ouvimos que o árbitro de vídeo acaba com a emoção do grito de gol, e que isso é uma afronta ao futebol?

A morte e vida repentina da Super League é a prova de que não há espaço para inovação no futebol. Gostamos de cultivar hábitos seculares no gostar do jogo. Talvez isso explique por que o único esporte que cativa o mundo todo sem praticamente nunca ter alterado as regras básicas de jogo seja ele. O torcedor não apenas aprecia o jogo, mas exige que ele seja assim, imutável. E, se teve algo que essa insana semana do futebol europeu nos mostrou, é que em time que está ganhando não se mexe. 

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Superliga escancarou o amadorismo do futebol europeu

Erich Beting


Foram dois dias insanos, que começaram prometendo uma revolução e terminaram com a revelação mais do que clara de que o profissionalismo do futebol europeu é uma falácia quando comparado com o que é praticado nas grandes entidades e ligas esportivas do mundo.

Foi simplesmente patético o movimento orquestrado por 12 clubes. A forma atabalhoada como a liga foi anunciada e “desanunciada” em dois dias mostrou que a pretensa “salvação do futebol” anunciada por Florentino Pérez não era mais do que um devaneio.

Faixa contra a Superliga e outros objetos foram colocados em Anfield Road, casa do Liverpool, em protesto à possível nova disputa
Faixa contra a Superliga e outros objetos foram colocados em Anfield Road, casa do Liverpool, em protesto à possível nova disputa Christopher Furlong/Getty Images

Quando a liga foi anunciada, como disse aqui neste espaço, estava claro que era um projeto que vinha avalizado por fundos de investimento. Sendo assim, a fonte de financiamento, primeira preocupação para a formação de uma liga, já estava resolvida. Tanto que, no domingo de noite, relembrei que o movimento era fruto de uma mudança do perfil de megainvestidores no esporte. Saíram os aportes direcionados para a compra de clubes e começaram a entrar participação societária em torneios que podem receber bastante dinheiro de mídia e patrocínios.

Mas, por mais que o JP Morgan tenha confirmado que estava disposto a colocar até US$ 6 bilhões no projeto, a Superliga esbarrou num segundo passo minimamente óbvio: a análise das ameaças para o plano dar certo.

A básica matriz de “Análise SWOT” de qualquer plano de negócios foi tremendamente ignorada pelos 12 clubes fundadores da Superliga. Eles criaram a liga esperando ser recebidos de braços abertos pelos torcedores, num passo que mostrou completo descolamento com a realidade do futebol europeu. Há 20 anos que existe um contramovimento à entrada de investidores no esporte mais popular do mundo. A privatização que toma conta de clubes, especialmente na Inglaterra, é vista com maus olhos por milhares de fãs.

Com 10 dos 12 clubes fundadores da Superliga tendo um dono, todo o episódio mostrou como eles realmente não se importam com a opinião do torcedor. Tanto que os primeiros a “roerem a corda” do projeto foram Chelsea e Manchester City, dois clubes que sofreram bastante com seus fãs pela entrada de bilionários de outras nacionalidades dentro de seus projetos e que estão há anos trabalhando para tentar “limpar” a imagem de novos ricos que foi construída ao longo do tempo.

Superliga: saiba o que é e entenda a 'guerra' que tomou conta dos bastidores do futebol europeu; assista



Foi engraçado notar nos protestos antes do jogo do Chelsea pela Premier League que fãs com menos de 20 anos de idade, que só passaram a torcer para o clube após a chegada de Roman Abramovich e seus petrodólares, também são contra o “futebol moderno”.

O recuo na criação da Superliga, no fim das contas, é uma derrota imensa para os 12 fundadores. Não só pela vergonha mundial que passaram, mas pelo fato de que não há qualquer possibilidade, agora, de esses times barganharem algo com a Uefa. Se a ideia era usar a Superliga para pleitear mais dinheiro ou vagas aos clubes na Champions League, isso acabou. Para piorar, foi sepultada também a pretensa força econômica que eles representavam e que poderia amedrontar outros clubes e entidades.

O futebol europeu é amador. Por mais dinheiro que circule dentro dele. E a bisonha criação e dissolução da Superliga deixou o rei completamente nu.

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Superliga é fruto de mudanças que ocorrem há 20 anos no futebol

Erich Beting

Camisas de Juventus, Milan e Inter de Milão à venda em uma loja na Itália
Camisas de Juventus, Milan e Inter de Milão à venda em uma loja na Itália EFE/EPA/Daniel Dal Zennaro

Você pode ficar bravo com a ideia, considerar uma mácula na história dos próprios clubes fundadores o simples fato de se cogitar a criação da Superliga, mas o fato é que o projeto que os 12 dissidentes da Uefa colocaram em pé no domingo (18) é fruto das mudanças que ocorrem, há pelo menos 20 anos, no futebol mundial.

Desde que, em 2005, o Manchester United foi vendido para a família Glazer, que o futebol europeu, especialmente o britânico, vem acelerando mudanças substanciais na forma como se pensa a disputa de competições e a relação com os torcedores.

Marcas globais, com fãs espalhados pelo planeta e uma audiência crescente entre todos os públicos. É isso o que almejam os principais líderes do futebol mundial. E, para alcançar esses objetivos, disputar competições com desnível técnico grande e precisando dividir quase 50% da receita com times sem qualquer condição de competir em igualdade com eles é um atraso para o projeto de quem investiu algumas centenas de milhões de dólares nessas entidades.

Quando valorizamos a qualidade da Premiere League, ou exaltamos a musiquinha-tema da Champions League, invariavelmente referendamos que o futebol seja transformado num produto. Desde que o futebol passou a ser organizado em ligas semiprofissionais que o time pequeno nunca almejou ser campeão. O máximo que poderia acontecer, para ele, seria atrapalhar os planos megalomaníacos dos grandes clubes.

Mas, na era em que a revolução digital chega ao esporte, a transformação atinge um novo patamar. A Champions League é, hoje, um entrave para o crescimento dessas grandes potências do futebol. A Uefa é uma entidade engessada para comandar mudanças. Estruturada na política, a entidade precisa pensar em agradar todas as suas federações nacionais filiadas, bem como planejar o desenvolvimento do futebol em países totalmente irrelevantes dentro do cenário da Champions.

Isso obriga, necessariamente, que o clube rico banque a subsistência do grande, algo que sempre foi regra no futebol, mas que atualmente, parece não ser mais interessante para clubes que possuem donos e que precisam fazer cada vez mais dinheiro para justificar o investimento feito dentro deles.

Superliga: saiba o que é e entenda a 'guerra' que tomou conta dos bastidores do futebol europeu


Há quase 20 anos, quando Abramovich comprou o Chelsea, o futebol viu com desconfiança o movimento. Em 2005, quando a família Glazer comprou o Manchester United, o movimento foi visto como “moderno”, por trazer um grupo americano para o grande jogo.

Agora, passados 15 anos, a privatização dos clubes começa a cobrar o seu preço. Nós, torcedores, teremos de definir qual tipo de futebol queremos consumir. Não dá para exigir que tenhamos apenas supertimes numa estrutura tão inchada quanto a que existe hoje na Uefa.

Há 20 anos que as grandes potências do futebol europeu começaram a criar no consumidor o desejo de ter para si um produto de alta qualidade. Agora esses líderes decidiram fechar a festa só para eles. Alguma hora isso aconteceria. 

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Briga entre clubes e Uefa tem fundos de investimentos por trás

Erich Beting
Champions League garante hoje 80% da receita da Uefa
Champions League garante hoje 80% da receita da Uefa FABRICE COFFRINI/AFP/Getty Images

A briga deflagrada neste domingo entre os clubes que fundaram a Super League e a Uefa e demais entidades europeias tem como origem o sucesso comercial da Copa Davis de tênis e da Fórmula 1. O projeto que transformou a Davis num outro campeonato, totalmente diferente da centenária competição entre países do tênis, e a volta com força da F1 para o mercado, mudaram a percepção dos fundos de investimento sobre o que vale a pena colocar dinheiro hoje no esporte.

Desde que a Davis foi vendida pela ATP a fundos, entre eles o Kosmos, do qual faz parte o zagueiro do Barcelona Gerrard Piqué, o produto cresceu de tamanho. Gerou receitas astronômicas de mídia e patrocínio, além de um bom dinheiro para a entidade que controla o tênis. A partir dali e do sucesso da Fórmula 1 sob controle da Liberty Media, investidores no mundo todo começaram a olhar outras oportunidades no esporte, especialmente aquelas que envolvem a compra de produtos bons para a mídia.

É isso o que mais motiva os fundadores da Super League. Um grupo fechado de clubes, não por acaso as marcas mais fortes mundialmente, competindo entre si num produto que pode ser comercializado globalmente. Em pouco tempo o produto se tornaria num sucesso global de mídia e faria com que o dinheiro investido na criação do torneio voltasse, isso sem falar na megavalorização para uma posterior revenda do negócio. Não por acaso, os times falam em receitas próximas de 10 bilhões de euros, com 3,5 bilhões de euros garantidos para aqueles que fundaram a liga, uma receita até então impensada no futebol.

O problema é que, diferentemente de outros esportes, o futebol tem uma tradição secular e uma estrutura organizacional que praticamente impede uma quebra tão grande do status quo. Criar uma liga sem Uefa ou Fifa pode colocar os clubes fundadores frontalmente contra tudo o que existe. E, aí, dificilmente o público compraria a ideia de apoiar um movimento que praticamente isola 16 times do restante do mundo. O que deveria ser um negócio global pode se transformar numa dor de cabeça nas mesmas proporções.

Tanto que caiu como uma bomba o anúncio, no fim da noite de domingo na Europa, da criação do torneio que vai tirar da Champions League alguns de seus principais clubes e faria com que, na edição deste ano do torneio, os quatro semifinalistas não estivessem. Segundo os fundadores, não houve um aceite à proposta da Uefa de mudar a Champions, algo que deve ser apresentado pela entidade nesta segunda-feira. 

Por isso mesmo, o grupinho seleto que "fundou" a Super League joga como argumento para serem aceitos o fato de dividirem uma parte considerável do megabolo que eles pretendem assar com os demais times. Há anos que a Uefa vem tentando democratizar ainda mais a divisão de verbas do maior torneio de clubes do mundo, com o objetivo de os mais ricos dividirem parte de sua exorbitante riqueza para auxiliar no desenvolvimento daqueles clubes menos afortunados.

É contra o aumento das disparidades de receita entre os times que o futebol europeu trabalha há alguns anos e de forma ainda mais contundente desde o início da pandemia. Os clubes fundadores da Super League sabem disso e usaram isso como argumento ao lançarem o projeto da nova competição. 

Agora resta saber como será o embate público entre eles. Claramente existem grupos de investimentos sedentos pelo grande negócio de uma liga fechada de clubes.

No tênis, a Copa Davis era um estorvo para a ATP organizar. Entregá-la, a um bom custo, para alguém correr o risco de fazer o torneio voltar a ser relevante era algo lógico. Na Uefa, a galinha dos ovos de ouro é a Champions League, responsável por cerca de 80% de tudo o que a entidade arrecada. Não será fácil surgir um concorrente dentro da própria entidade para isso. 

A briga está começando. 

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O streaming virou uma plataforma de testes no mundo todo

Erich Beting

Num intervalo de dez dias, trouxemos na Máquina do Esporte três diferentes novidades de iniciativas de clubes de futebol no streaming. O primeiro foi o Palmeiras, que anunciou o serviço TV Palmeiras Plus. Depois, foi o Grêmio e a plataforma Grêmio Play. E, por fim, veio o Shakhtar Donetsk e seu PPV de jogos do time no Campeonato Ucraniano.

As três iniciativas são completamente diferentes umas das outras. Mas, no final das contas, o que cada clube quer, basicamente, é a mesma coisa: tentar conhecer um pouco mais quem é o seu torcedor.

O Palmeiras apostará num canal de transmissões ao vivo. Não de jogos, mas de conversas com jogadores, comissões técnicas e torcedores. O Grêmio já vai para um caminho totalmente diferente e com uma interessante proposta de combinar conteúdo do clube com filmes, séries e shows. Basicamente o que as plataformas existentes no mercado, como o Disney+, oferecem, mas com o adicional de só ali ter conteúdos específicos do Tricolor Gaúcho. Já o Shakhtar entra numa outra linha, de transmissão de jogos do time a 3 dólares, um valor que a princípio assusta bastante o consumidor no Brasil.

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O fato é que, até agora, ninguém sabe o que fazer com o streaming. 

Provavelmente estamos vivendo, hoje, o mesmo boom que a internet teve há cerca de 20 anos no Brasil, quando a moda era todo mundo ter um site. Depois, com o entendimento de que nem todo projeto de site oficial daria receita, começamos a migrar para um período de acomodação do mercado, com alguns poucos sites realmente sendo produtores de conteúdos e a grande maioria restante se reinventando com blogs.

Shakhtar Donetsk aposta em PPV de jogos do Ucraniano no Brasil
Shakhtar Donetsk aposta em PPV de jogos do Ucraniano no Brasil Divulgação

Não existe tanto dinheiro na mão do consumidor para pagar por conteúdo em streaming. Não existe tanto consumidor disponível no mercado a ponto de fazer a conta “fechar” igual ela fecha num modelo de venda tradicional com a TV regular. O streaming, hoje, é uma grande plataforma de testes para o esporte. Em todo o mundo.

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O streaming virou uma plataforma de testes no mundo todo

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Flamengo mira o ciclista, e isso pode sacudir o mercado de futebol

Erich Beting
Loja virtual da Barbedo Sports vende a linha de ciclismo do Flamengo
Loja virtual da Barbedo Sports vende a linha de ciclismo do Flamengo Reprodução/Site Barbedo Sports

O Flamengo fechou um acordo para começar a vender produtos para a prática do ciclismo. A linha de 40 itens que levam a marca do Rubro Negro parece a típica iniciativa simples, mas que pode abrir um novo mundo para o mercado de licenciamento de produtos no futebol.

O frenesi que o lançamento dessa linha causou no mercado de ciclistas foi grande. A associação do Flamengo com uma das principais produtoras no Brasil de roupas para ciclismo foi o primeiro tiro certo da iniciativa. O segundo foi entender que existe uma demanda reprimida do torcedor em consumir o clube, que está muito além de ver jogo de futebol.

Diferentemente de qualquer outro segmento, o futebol no Brasil é o único produto que é consumidor, realmente, com todo tipo de gente. Nem mesmo a Coca-Cola consegue ser um item que seja vendido para qualquer pessoa. Ela pode ser desejada, porém não vendida.

Ao lançar uma coleção para ciclistas, o Flamengo mostra que o desejo de consumir a marca do clube precisa transcender o futebol. Isso não significa a necessidade de ter uma equipe de ciclismo profissional. Mas simplesmente montar uma linha de produtos que atenda o torcedor flamenguista que também pratica ciclismo.

Conhecendo a origem dos negócios do futebol brasileiro, dificilmente houve uma pesquisa que mostrasse quantos flamenguistas são praticantes de ciclismo. Esse trabalho mais apurado de conhecer o fã de esporte existe na Europa e nos Estados Unidos, ainda é algo raro de se ver no Brasil.

Mas o que pode ter surgido apenas como um “feeling” de negócio tem boas chances de abrir os olhos do futebol no Brasil para uma realidade. O torcedor quer comprar qualquer produto do clube, não apenas aqueles ligados exclusivamente ao futebol.

É exatamente esse o conceito que fez da indústria do licenciamento um fenômeno do mercado do entretenimento. Música, séries e filmes estão hoje nas mais diversas gôndolas e lojas virtuais, ofertando produtos que vão muito além da área de atuação deles.

Hoje, a Mauricio de Sousa Produções, empresa criada para cuidar do fenômeno Turma da Mônica, tem quase 90% do faturamento em produtos licenciados. Se é possível comprar maçã com a marca da famosa personagem dos quadrinhos, por que não uma roupa de ciclista do Flamengo?

O licenciamento é o mercado que o futebol brasileiro ainda não sabe explorar. O Flamengo pode ter largado na frente. Mesmo que ainda seja na velocidade de uma bicicleta...

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Sócio-torcedor virou o novo dilema dos clubes

Erich Beting
TV Palmeiras Plus foi lançada nesta quarta-feira pelo Palmeiras
TV Palmeiras Plus foi lançada nesta quarta-feira pelo Palmeiras Divulgação/Palmeiras

Os programas de sócios-torcedores, que foram a base para alavancar a receita dos grandes clubes de futebol na última década, entraram definitivamente em colapso durante a pandemia. Solução genuinamente brasileira para conseguir mais dinheiro em épocas de vacas ligeiramente magras, o sócio-torcedor vinha sendo questionado já tinha algum tempo. Agora, porém, o projeto de pagar uma mensalidade para ter acesso privilegiado a jogos de futebol não faz qualquer sentido. 

Na prática, o sócio-torcedor sempre foi aquela típica situação brasileira de criar dificuldades para vender facilidades. Em qualquer país do mundo, é inconcebível o torcedor ter de pagar um valor a mais por mês para ter acesso privilegiado a comprar ingresso para jogos. Os clubes, de todos os esportes, colocam à venda um  carnê com bilhetes para toda a temporada. Em número limitado, para impedir que sempre o mesmo público vá aos jogos e, assim, a receita com venda de outros produtos entre em declínio no médio prazo. 

Por aqui, nunca conseguimos fazer pegar o hábito de o torcedor se programar com antecedência e comprar o pacote de ingressos. O tal de "season ticket" nunca foi bem visto aqui. O que fizemos, então? Criamos o programa de sócio-torcedor que não entrega o ingresso para o jogo e, pior, cria a necessidade de o torcedor gastar mais dinheiro se quiser comprar ingresso. Adotamos a lógica do Netflix. E, o que é pior, deu certo!

O problema é que isso fez com que o sócio-torcedor, em vez de ser um programa de benefícios para os torcedores, limitou-se a ser um meio de ter mais facilidade para comprar ingressos. E isso fez com que todos os programas se voltassem para o estádio de futebol. Com a pandemia, o sócio-torcedor virou um grande mico. Todos os clubes enfrentam hoje uma queda enorme de arrecadação por conta da ausência de público nos estádios. 

Após um ano batendo cabeça e vendo o torcedor debandar, finalmente os clubes parecem ter acordado. O Palmeiras acaba de lançar a TV Palmeiras Plus, um serviço que vai entregar aos torcedores conteúdo exclusivo e lives dentro de um site próprio. A ideia, como explicou Roberto Trinas, diretor de marketing palmeirense, à Máquina do Esporte, é fazer com que a TV Palmeiras Plus seja, no futuro, uma TV fechada do Palmeiras, para que o clube conheça melhor quem é e o que pensa seu torcedor.

“O grande desafio que não só o Palmeiras, mas o futebol brasileiro tem hoje, é transformar os programas de sócio-torcedor, que foram construídos em função do estádio. Agora o objetivo é reposicionar para muito além do estádio. Como as alavancas digitais são percebidas pelo torcedor como benefícios relevantes e úteis, entendemos que esse seja um caminho”. 

O Palmeiras começa a trilhar um caminho que o Bahia já adotou com seu "sócio digital" e outros clubes estão finalmente indo atrás. O maior problema para o futebol, na quarentena, é descobrir qual será o futuro do sócio-torcedor. Canais próprios de conteúdo, por enquanto, são a solução.

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Por que mudar o escudo de um clube?

Erich Beting

A Inter de Milão apresentou nesta terça-feira (30) seu novo escudo. Tendência cada vez maior no processo de rejuvenescimento das marcas dos clubes, especialmente na Europa, o redesenho chama a atenção nem tanto pelo resultado estético, mas pela justificativa dada pela instituição italiana para a mudança.

Segundo a agremiação, o novo desenho busca aproximar a marca “das novas gerações”. Sem tentar florear tanto a decisão, o clube vai direto ao ponto ao explicar o porquê da mudança. Os escudos de times de futebol, criados geralmente há praticamente um século, são símbolos cada vez mais arcaicos.

Aqui no Brasil, o 'relançamento' mais chamativo foi o do Atlético Paranaense, que aproveitou e se autodenominou Athletico ao promover a mudança do símbolo. Na Europa, a Juventus praticamente abriu a fila de renovações de marca depois de trocar o escudo do cavalinho pela estilização da letra J. O sucesso comercial da nova marca da Velha Senhora mostrou que o caminho dos clubes como negócio passa por um redesenho de sua logomarca.

'Eu sou': Inter de Milão apresenta novo escudo; assista


Como toda nova marca, a mudança causa barulho. Ainda mais em um meio tão vinculado à tradição como é o esporte. Os torcedores apaixonados, geralmente, são radicalmente avessos a mudanças. E, naturalmente, são os primeiros a protestarem quando algo parece que vai sair do tradicional.

O ponto, porém, é que a mudança nos escudos de times de futebol na Europa tem por trás também uma estratégia de reposicionamento da marca destes times. Cada vez mais internacionais, eles procuram símbolos que os identifiquem globalmente, como o J da Juventus.

Não por acaso, a Inter vinha brigando na Justiça contra o Inter Miami, time de David Beckham que jogará a Major League Soccer (MLS), principal divisão de futebol nos Estados Unidos. Junto com o novo escudo, a Inter reforçou que passa a ser chamada de  FC Internazionale Milano, usando as iniciais das letras para identificar o clube, o que seria 'atrapalhado' pelo Miami.

Desde 2016, quando o fundo chinês Suning comprou o clube, que o plano é fazer da Inter de Milão um time, de fato, internacional. A mudança na marca da Inter acontece no momento que o Suning, desejando reduzir os investimentos, procura um comprador para parte das ações do clube. 

Ter a nova logo rende espaço na mídia e, de alguma forma, pode ajudar na prospecção de novos parceiros. Mudar o escudo de um clube não é apagar sua história, mas começar a reescrevê-la para novas gerações. Pelo menos essa é a aposta que o futebol tem feito nos últimos anos.  

Internazionale apresentou seu novo escudo para as novas gerações
Internazionale apresentou seu novo escudo para as novas gerações Twitter/Internazionale

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O futebol brasileiro e seu triste clube do bilhão

Erich Beting

Há três décadas que a consultoria Deloitte promove, na Europa, a “Football Money League”. Levantamento anual sobre as finanças dos principais clubes de futebol do mundo, a lista da Deloitte virou um parâmetro para entender as estratégias comerciais do futebol europeu e ajudar a criar meios de os clubes desenvolverem mais negócios.

Há alguns anos, o Barcelona colocou como meta se tornar o primeiro clube de futebol do mundo a ter um faturamento anual acima de € 1 bilhão. O sonho megalomaníaco do Barça acabou virando pesadelo com o acúmulo de dívidas e o estrangulamento financeiro catapultado pela pandemia. Até agora, o sonho de ter um “clube do bilhão” entre os maiores faturamentos do futebol está adiado.

Corinthians já soma mais de R$ 1 bilhão em dívidas
Corinthians já soma mais de R$ 1 bilhão em dívidas Reprodução

No Brasil, o clube do bilhão, infelizmente, já existe. E não estamos falando sobre faturamento, mas sobre dívidas. Só nesta última semana, dois midiáticos times foram adicionados à lista. Atlético-MG e Corinthians divulgaram seus resultados financeiros do primeiro ano da pandemia, e o resultado foi pavoroso. Ambos já somam, atualmente, mais de R$ 1 bilhão em dívidas, unindo-se a clubes como Botafogo e Cruzeiro no “Clube do Bilhão”.

Como sempre gosto de frisar, uma empresa estar endividada não é, necessariamente, um problema. O que precisa ser analisado é o tamanho da dívida e, principalmente, a capacidade que existe em honrar com os pagamentos dos empréstimos tomados.

Foi isso que começou a derrubar o Barcelona na Espanha. Apesar de faturar quase € 1 bilhão ao ano, o clube catalão tem tantas contas a pagar no curto prazo que precisará de um refinanciamento para não tornar inviável a manutenção de sua operação.



Por aqui, o caos é ainda maior. Dos quatro integrantes do clube do bilhão às avessas, apenas Atlético-MG e Corinthians têm perspectiva de aumentar sua arrecadação no curto e médio prazos. Para não correrem o risco de se tornarem inviáveis nos próximos anos, os dois clubes precisam passar por uma extensa reestruturação de suas finanças. Já com Botafogo e Cruzeiro, o buraco é mais embaixo. Com a receita prejudicada por jogar a Série B, ambos precisam de um choque enorme de gestão para tentar enxergar uma luz no fim do túnel.

O futebol brasileiro tem um clube do bilhão. Mas isso, infelizmente, está longe de ser motivo para comemorações.

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Por que o 'projeto Dani Alves' do São Paulo fracassou nos negócios?

Erich Beting

Sormani chama Daniel Alves de 'superestimado': 'O futebol dele foi turbinado pelas equipes que ele jogou'


Esqueça a pandemia. Não foi só isso o que prejudicou o São Paulo dentro do projeto de repatriar Daniel Alves. E, naturalmente, não estamos falando sobre o desempenho dele dentro de campo. Quando contratou Dani em agosto de 2019, o Tricolor Paulista tinha como meta formatar um projeto comercial atrelado à presença do jogador no time.

A ideia tinha sentido. Com mais seguidores que o São Paulo nas redes sociais, Dani era o típico reforço que poderia agradar ao mercado. Somava-se a isso a expectativa de um bom desempenho em campo e o negócio parecia que não tinha muito como dar errado.

Bom, em campo o negócio não foi tão bom quanto se esperava, mas fora dele é que o rombo foi assustador. O São Paulo deve, atualmente, R$ 12 milhões para o jogador em direitos de imagem.

Desde o sucesso da dobradinha Ronaldo e Corinthians em 2009/10, o futebol brasileiro passou a repatriar ídolos do futebol europeu, brasileiros ou não, apostando que o retorno aconteceria tanto dentro quanto fora de campo. Por que isso não aconteceu?

O maior problema não é a falta de sucesso esportivo. Ronaldo ajudou o Corinthians a ser campeão da Copa do Brasil em 2009, mas esteve no fracasso com o Tolima em 2011, seu último ato na carreira. O maior diferencial que existiu nesse projeto, além de um ótimo momento da economia brasileira, foi o empenho do clube e do "Fenômeno" em fazer negócio com as marcas.

Daniel Alves durante jogo entre São Paulo e Flamengo
Daniel Alves durante jogo entre São Paulo e Flamengo Rubens Chiri/saopaulofc.net

O atleta precisa saber ser vendedor fora de campo, algo que é característico em Ronaldo. Por mais talento que tenha em campo e seguidores fora dele, Dani Alves está longe de ser um exemplo de "jogador de negócios". 

Deixar nas mãos exclusivamente dos clubes o papel de venda de patrocínio para bancar o atleta não dá certo. Dani Alves é espetacular jogador, mas só isso não basta para ser um sucesso comercial. Enquanto não houver uma engrenagem trabalhando dos dois lados, não haverá como converter em resultado financeiro. 

O mais absurdo dessa história é que um erro tão primário vá custar, aos cofres do São Paulo, pelo menos R$ 12 milhões..

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Rogério Caboclo manda no futebol, mas está longe de liderá-lo

Erich Beting

“Eu vou mandar no futebol brasileiro e vou determinar que vai ter competição. Porque vocês estão f... se não tiver. Eu assumo o ônus por todos vocês.” A frase dita por Rogério Caboclo dentro da reunião virtual do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) com diversos presidentes de clubes brasileiros caiu como uma bomba no meio do futebol.

Revelada nesta terça-feira (23) pelo jornalista Venê Casagrande em seu canal no YouTube, a reunião fechada mostrou, no fim, o óbvio. Esqueça o argumento do protocolo sanitário, a pretensa segurança que existe no futebol ou a testagem em massa que é feita. O fato é que o futebol está financeiramente estrangulado. E não pode parar para não correr o risco de ficar sem dinheiro.

É por conta disso, e nada além disso, que o futebol tem cometido o absurdo de ser jogado custe o que custar, como literalmente provou o Campeonato Paulista ao trocar o empréstimo do estádio Raulino de Oliveira por equipamentos de combate à pandemia de COVID-19 doados para a prefeitura de Volta Redonda.

'Vocês estão f... se não tiver competição!'; veja o que disse o presidente da CBF, Rogério Caboclo, em reunião com presidentes de clubes 


Só que a fala de Caboclo tenta transformá-lo no pretenso “grande líder” do futebol brasileiro. Se, realmente, o dirigente “mandasse no futebol brasileiro”, como quis dar a entender na reunião com os clubes, ele já teria usado o ano inteiro de pandemia para apresentar uma proposta de calendário que não prejudicasse atletas, não mudasse os valores dos contratos de TV e entregasse ao torcedor um futebol de maior qualidade.

Foi isso o que fizeram todas as outras entidades esportivas pelo mundo no período da pandemia. O futebol brasileiro é o símbolo do desmando que ocupam diversas camadas da nossa vida em sociedade. 

Rogério Caboclo pode até mandar, mas ele está muito longe de ser o líder que o futebol nacional precisa.

O presidente da CBF, Rogério Caboclo
O presidente da CBF, Rogério Caboclo Lucas Figueiredo/CBF
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Flamengo e o erro brasileiro de misturar marketing com comercial

Erich Beting
Bruno Henrique comemora após marcar para o Flamengo sobre o São Paulo
Bruno Henrique comemora após marcar para o Flamengo sobre o São Paulo Alexandre Vidal/Flamengo

O Flamengo viveu um fim de semana agitado nos seus bastidores. A dificuldade de torcedores em assinarem a plataforma FlaTV+, que transmite os jogos do time no Campeonato Carioca, somada à insatisfação pela malsucedida volta de Rafinha ao clube e à “demora” para fechar os patrocínios vagos na camisa parece terem se somado e eclodido num movimento para afastar Gustavo Oliveira, vice-presidente de comunicação e marketing flamenguista.

Nas redes sociais, que podem ter movimentos tanto espontâneos quanto muito bem orquestrados por quem quer que seja querendo desestabilizar o ambiente, as reclamações sobre o dirigente remontavam, quase sempre, ao fato de que o Flamengo não vem conseguindo fechar patrocínio.

Pandemia à parte da análise, o que acontece é que o departamento de marketing muitas vezes é confundido com o comercial. E isso é um problema que o próprio clube não consegue resolver.

Nas empresas, os departamentos de marketing e comercial quase nunca são uma coisa só. Um é o responsável por trazer receita para dentro da empresa, enquanto o outro é quem busca trabalhar a marca e, assim, fidelizar, engajar e reter os clientes.

No esporte brasileiro, misturamos as bolas e os departamentos quase sempre são sinônimos. O que é absolutamente errado! O próprio Flamengo comete esse equívoco. Na semana passada, o clube divulgou uma vaga para diretor de marketing. Entre as principais responsabilidades do profissional está “coordenar o desenvolvimento e comercialização de projetos de capitalização de receita”. Ou seja. O diretor de marketing tem, como primeira responsabilidade, ser responsável pela área comercial do clube.

Essa mistura de funções, mais do que um problema conceitual, gera um grave problema operacional. O marketing é quem deveria se preocupar em dar maior retorno aos patrocinadores e aproximar o clube de seus torcedores. A venda não é função do marketing. O departamento seria responsável por uma espécie de “pós-venda”, ou seja, de se relacionar com torcedores, com patrocinadores, com a mídia que paga pelos direitos de transmissão. O comercial é quem vai ao mercado mostrar o quanto é bom para uma empresa estar associada a um colosso que conversa, mensalmente, com milhões de torcedores.


         
     

Rodrigo Bueno fica do lado do Flamengo na 'novela Rafinha' e cita forma como o lateral deixou o clube recentemente: 'Decepcionou'

Não é privilégio do Flamengo fazer isso. Em praticamente todas as entidades esportivas brasileiras o requisito para alguém ocupar o departamento de marketing muitas vezes se confunde com as funções de alguém comercial.

Recentemente, o Internacional divulgou também uma vaga para o departamento de marketing. O responsável tinha, como maiores atribuições, funções comerciais.

Um dos maiores entraves para o crescimento do esporte como negócio no Brasil é entender que as estruturas precisam ser profissionais no dia a dia do clube, para que assim possa fazer crescer a receita da entidade. O marketing, quase sempre, tem como função gerar despesas para a entidade e, a partir desse investimento, aumentar o faturamento, que será trazido pelo departamento comercial.

Parece uma questão conceitual boba, mas que, no dia a dia operacional de uma empresa, faz toda a diferença. O marketing raramente está pensando em vendas, assim como quem é comercial não pensa em como aproximar a marca da instituição dos consumidores.

O marketing não pode ser cobrado por vendas, ou então por não dialogar com o torcedor. Fazer as duas coisas, ainda mais num colosso como o Flamengo, é praticamente impossível.

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Como a NFL vai faturar US$ 10 bilhões por ano só com TV

Erich Beting

A NFL vai faturar US$ 10 bilhões por temporada com a venda de direitos de TV
A NFL vai faturar US$ 10 bilhões por temporada com a venda de direitos de TV Reprodução ESPN
 

A NFL anunciou na quinta-feira (18) que finalizou os cinco acordos para a venda de direitos de transmissão das próximas dez temporadas do futebol americano no mercado dos Estados Unidos. Numa agressiva estratégia de negociação, a liga conseguiu o que queria: praticamente dobrou todos os valores pagos por CBS, ESPN/ABC, Fox, NBC e Amazon pelos direitos de mídia da competição.

Agora, por ano, a liga de futebol americano vai receber US$ 10 bilhões (R$ 54,9 bilhões na cotação atual) só para as emissoras mostrarem seus jogos. É o maior valor pago pelas empresas de mídia para uma liga esportiva no mundo.

O negócio da NFL deveria ser usado como uma aula para o mercado brasileiro de futebol, que insiste em uma visão completamente deturpada de como explorar seu conteúdo e de como se relacionar com a mídia. Deitados no berço esplêndido de um acordo que sempre foi supervalorizado pela Globo, os clubes de futebol no Brasil não aprenderam que o maior negócio que eles têm é o conteúdo a ser produzido a partir de um campeonato.

É assim que a NFL faz desde os anos 1950 no mercado americano. Usam o grande interesse do público e da mídia pelo futebol americano para faturar, cada vez mais, com a venda dos direitos de mídia.

Curti explica como Brady aceitou ganhar menos na NFL em 2021: 'Permitiu aos Bucs que mantivessem o elenco'


         
     

Numa época em que os clubes de futebol no Brasil têm a estapafúrdia ideia de romper seus acordos de TV e buscar no streaming a saída para seus problemas, a NFL mostra que o caminho é totalmente diferente.
     
Em vez de brigar com a mídia e partir para um caminho de venda direta para o consumidor, é preciso usar a força de venda dos canais de TV que apostam agora em serviços de streaming. Isso ficou claro no negócio que foi fechado pela liga com as emissoras de mídia.

Em todos eles, não há exclusividade de transmissão na TV. Todos envolvem a exibição de jogos tanto nos canais lineares quanto nas plataformas de streaming que as emissoras já têm em funcionamento nos EUA, mas que ainda não decolaram o suficiente para aposentar a TV.

O futuro é o streaming. Mas será o streaming das grandes redes. O futebol já deveria ir para a mesa de negociação tendo isso em vista. Mas, do jeito que nossos clubes são, possivelmente acharão que conseguem, por conta própria, desenvolver algo que mundialmente só o Netflix e a Amazon conseguiram.

O futuro da transmissão pode até ser o streaming. Mas a NFL mostra que pelos próximos dez anos, pelo menos, o streaming não vai substituir a televisão. Ou melhor. As empresas de mídia vão migrar paulatinamente seu conteúdo da TV para o streaming. É apostando nisso que elas vão pagar, anualmente, US$ 10 bilhões para transmitir a NFL.

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Cartolouco em campo? Marketing bom é o que preserva a essência do esporte

Erich Beting
Cartolouco vai contar em seu canal do YouTube a saga de ser um profissional no Resende
Cartolouco vai contar em seu canal do YouTube a saga de ser um profissional no Resende Reprodução

Cartolouco e Gabigordo ganharam fama nos últimos tempos graças às redes sociais. Ex-funcionário do Grupo Globo, o jornalista Lucas Strabko já foi peão do programa "A Fazenda" e agora pode estrear no Resende na disputa do Campeonato Carioca. Já Gabigordo, sósia fora de forma de Gabigol, do Flamengo, diz ter proposta de dois clubes para integrar o elenco e contar a saga de tentar ser um jogador profissional em seu canal no YouTube.

Beirando o absurdo, os dois casos reforçam uma máxima completamente deturpada de que "vale tudo pelo marketing" no esporte. Nada contra os dois personagens, pelo contrário. Cartolouco até hoje foi o único cara que conseguiu fazer meus filhos quererem ligar a TV para assistir conteúdo além do evento ao vivo, algo que nem a minha presença na telinha motivava a acompanhar uma mesa redonda...

Só que não tem qualquer sentido, para o esporte, procurar figuras folclóricas para tentar ganhar mídia. O esporte não pode se esquecer, nunca, de que sua essência é entregar um produto de qualidade para o público acompanhar.

A inspiração do reality show que Fred, do Desimpedidos, fez com o Magnus Futsal numa pré-temporada não pode nunca ser colocada no mesmo patamar de um Campeonato Carioca, produto centenário que está em busca de uma reinvenção atualmente.

O melhor marketing para o esporte é preservar a sua essência. E isso significa entregar um jogo de alta qualidade para o fã.

Cartolouco e Gabigordo são ótimos para conversar e engajar o torcedor. Fora de campo.

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Nossos ídolos e clubes não sabem a responsabilidade que têm

Erich Beting

Gabigol admitiu ter errado ao sair com os amigos para ir a um cassino clandestino no meio do pico da pandemia do coronavírus no Brasil. Era o mínimo que ele tinha a fazer depois de cometer um crime (a prática de jogo ilegal) e de descumprir uma ordem do governo paulista (de participar de aglomerações).

O problema é que Gabigol tentou se fazer de desentendido ao justificar o motivo de ter ido até a loja de carros de luxo e estacionamento que servia de fachada para a prática do jogo ilegal. Disse que estava feliz com os amigos e só tinha saído para procurar um lugar para jantar em São Paulo.

Seria, no mínimo, muita ingenuidade de alguém que já está com seus 24 anos de idade. Uma completa alienação, para não fazer qualquer ilação, com o momento que atravessamos no país. Desde a semana passada já se sabia que, a partir de sábado, não seria mais possível fazer uma refeição em qualquer estabelecimento comercial do estado de São Paulo. Os restaurantes só abriram para cozinhar a comida e entregar para o cliente pessoalmente ou por meio de entregadores.

Gabigol comemora gol do Flamengo no Brasileirão 2020
Gabigol comemora gol do Flamengo no Brasileirão 2020 Alexandre Vidal/Flamengo

Só aí já era possível questionar Gabriel sobre o porquê de ele achar que realmente alguém acredita em sua ingenuidade de “sair para jantar”, quando sair para jantar estava proibido na cidade. Mas Gabigol foi além. Tentou posar de bom moço ao dizer que “não fez nada errado na pandemia”, numa entrevista que concedeu exatamente para tentar se justificar pelo erro que havia cometido.

É impressionante como entra ano e sai ano e os ídolos no Brasil não sabem a responsabilidade que têm perante a sociedade. No domingo, pouco depois de o caso Gabigol estourar, escrevi aqui no ESPN.com.br que Gabigol teria de ter “maturidade para assumir os erros e trabalhar para, verdadeiramente, consertar o malfeito”. Claramente faltou ao jogador quaisquer uma das coisas. Não teve maturidade nem para assumir que errou e muito menos mostrou-se apto a redimir-se do equívoco, que após a desastrosa entrevista concedida ao Fantástico mostrou que é praticamente tudo o que de ruim podemos imaginar e muito menos um deslize.

Gabigol deveria se ancorar no exemplo de Rudy Gobert, pivô francês do Utah Jazz, que tocou nos microfones de jornalistas para ironizar o COVID-19 e, dois dias depois, testou positivo para a doença. Gobert pediu desculpas pelo ato, disse que esperava que servisse de lição para entendermos os riscos de contágio do coronavírus e doou US$ 500 mil para os trabalhadores afetados pela paralisação da NBA.





Por aqui, além das indecentes desculpas de Gabigol, o Flamengo também lavou as mãos. Disse que não se responsabiliza por ato cometido por seus atletas no período de férias. Queria que o clube tivesse a mesma reação se Gabigol fosse visto vestindo a camisa do Vasco e cantando “a Cruz de Malta é o meu pendão” numa aglomeraçãozinha com os amigos, celebrando o último dia das férias.

Ao passar a mão na cabeça de seu maior ídolo, o Flamengo mostra também para a sociedade que não está preocupado com a sua imagem. Um clube que não enquadra um funcionário que comete crime, além de ter uma conduta completamente amoral, é, no mínimo, conivente com os atos praticados.

O futebol brasileiro precisa amadurecer. Atletas e clubes devem saber que não são desligados da sociedade. Torcedores e fãs esperam, deles, atitudes exemplares. Isso não é ser “anti”, apenas exigir profissionalismo para quem fatura milhões com o futebol anualmente.

Infelizmente, para uma parte raivosa que domina a conversa nas redes sociais, cobrar isso é ser clubista.





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