Lisca é só mais um doido no sanatório geral do futebol brasileiro

Erich Beting
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Lisca Doido diz que quer se afastar do apelido que o consagra cada vez mais. Só que, a cada nova declaração do treinador, é impossível desapegar-se da alcunha. A maluquice da vez foi a entrevista em tom de desabafo antes do jogo do América-MG pelo Campeonato Mineiro.

"Eu sou pai de família, tenho duas filhas e uma esposa. Eu quero viver, gente", declarou Lisca, pedindo bom senso para as autoridades do futebol brasileiro.

De fato, é surreal o futebol ainda jogar por todo o país, forçando atletas a viajarem, enquanto batemos recordes diários de mortes na pandemia e enfrentamos o colapso dos sistemas público e privado de saúde em diversos municípios.

O problema é que Lisca é só mais um doido no sanatório do futebol brasileiro.

Lisca comemora com Rodolfo gol da vitória do América na casa do Inter
Lisca comemora com Rodolfo gol da vitória do América na casa do Inter Estevão Germano / América

O apelo emocionado do treinador acontece depois de provavelmente ele finalmente entender o perigo real da COVID-19 Em novembro passado, na euforia da conquista do América de uma vaga para a semifinal na Copa do Brasil, o treinador preferiu os louros da fama à racionalidade. Jogou-se nos braços da torcida que fazia festa pela vaga inédita.

Isso não tira a razão do que o treinador falou, quando pediu um choque de realidade ao futebol. O problema é que o futebol não vai parar no Brasil por um simples motivo. É inviável, economicamente, fazer mais uma paralisação do esporte no país, por mais necessária que ela seja. 



A desorganização do futebol cobra, agora, o seu preço. Por mais que entendam que é preciso parar, clubes, federações e CBF não têm condições de fazer a pausa. Não há mais dinheiro no caixa para ficar de pernas cruzadas.

Os clubes não procuraram reduzir suas folhas salariais durante a pandemia. A receita com sócios-torcedores desabou. Os ganhos com patrocínio estão incertos e, se existem, estão em patamares menores que os de 2020, que já ficaram menores que os de 2019. A receita de TV neste começo de ano derreteu, e qualquer paralisação agora significa parar de receber da mídia, que hoje é a maior fonte de receita dos clubes.

Tivemos, em abril de 2020, a oportunidade de unir o futebol para debater de que forma é possível enfrentar os desafios da pandemia. Era para se discutir limite de gastos, divisão mais igualitária da receita da TV, saúde financeira dos clubes, redução de taxas para disputa de torneios, auxílio dos times mais ricos para os times com menos recursos, plano de férias para os atletas para que em 2021 a gente consiga ter a temporada inteira sem estourar os jogadores...

Tudo isso aconteceu em diversos países da Europa. Muitos países e ligas mais fracas sofrem com a redução de receitas e têm apelado ao governo para montar um plano de financiamento dos clubes. Mas, em vez de proporem uma agenda geral de interesses, os dirigentes seguiram procurando olhar apenas para o próprio umbigo, sem entender a relação umbilical que existe entre todos que trabalham no esporte.

É loucura continuar a jogar com o país desse jeito? É claro que é! Só que o futebol brasileiro já é um sanatório. No jogo do cada um por si que fazemos há décadas por aqui, não há possibilidade de parar o futebol. Qualquer semelhança com o que acontece na política pelo país adentro não é mera coincidência. 

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Flamengo mira o ciclista, e isso pode sacudir o mercado de futebol

Erich Beting
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Loja virtual da Barbedo Sports vende a linha de ciclismo do Flamengo
Loja virtual da Barbedo Sports vende a linha de ciclismo do Flamengo Reprodução/Site Barbedo Sports

O Flamengo fechou um acordo para começar a vender produtos para a prática do ciclismo. A linha de 40 itens que levam a marca do Rubro Negro parece a típica iniciativa simples, mas que pode abrir um novo mundo para o mercado de licenciamento de produtos no futebol.

O frenesi que o lançamento dessa linha causou no mercado de ciclistas foi grande. A associação do Flamengo com uma das principais produtoras no Brasil de roupas para ciclismo foi o primeiro tiro certo da iniciativa. O segundo foi entender que existe uma demanda reprimida do torcedor em consumir o clube, que está muito além de ver jogo de futebol.

Diferentemente de qualquer outro segmento, o futebol no Brasil é o único produto que é consumidor, realmente, com todo tipo de gente. Nem mesmo a Coca-Cola consegue ser um item que seja vendido para qualquer pessoa. Ela pode ser desejada, porém não vendida.

Ao lançar uma coleção para ciclistas, o Flamengo mostra que o desejo de consumir a marca do clube precisa transcender o futebol. Isso não significa a necessidade de ter uma equipe de ciclismo profissional. Mas simplesmente montar uma linha de produtos que atenda o torcedor flamenguista que também pratica ciclismo.

Conhecendo a origem dos negócios do futebol brasileiro, dificilmente houve uma pesquisa que mostrasse quantos flamenguistas são praticantes de ciclismo. Esse trabalho mais apurado de conhecer o fã de esporte existe na Europa e nos Estados Unidos, ainda é algo raro de se ver no Brasil.

Mas o que pode ter surgido apenas como um “feeling” de negócio tem boas chances de abrir os olhos do futebol no Brasil para uma realidade. O torcedor quer comprar qualquer produto do clube, não apenas aqueles ligados exclusivamente ao futebol.

É exatamente esse o conceito que fez da indústria do licenciamento um fenômeno do mercado do entretenimento. Música, séries e filmes estão hoje nas mais diversas gôndolas e lojas virtuais, ofertando produtos que vão muito além da área de atuação deles.

Hoje, a Mauricio de Sousa Produções, empresa criada para cuidar do fenômeno Turma da Mônica, tem quase 90% do faturamento em produtos licenciados. Se é possível comprar maçã com a marca da famosa personagem dos quadrinhos, por que não uma roupa de ciclista do Flamengo?

O licenciamento é o mercado que o futebol brasileiro ainda não sabe explorar. O Flamengo pode ter largado na frente. Mesmo que ainda seja na velocidade de uma bicicleta...

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Sócio-torcedor virou o novo dilema dos clubes

Erich Beting
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TV Palmeiras Plus foi lançada nesta quarta-feira pelo Palmeiras
TV Palmeiras Plus foi lançada nesta quarta-feira pelo Palmeiras Divulgação/Palmeiras

Os programas de sócios-torcedores, que foram a base para alavancar a receita dos grandes clubes de futebol na última década, entraram definitivamente em colapso durante a pandemia. Solução genuinamente brasileira para conseguir mais dinheiro em épocas de vacas ligeiramente magras, o sócio-torcedor vinha sendo questionado já tinha algum tempo. Agora, porém, o projeto de pagar uma mensalidade para ter acesso privilegiado a jogos de futebol não faz qualquer sentido. 

Na prática, o sócio-torcedor sempre foi aquela típica situação brasileira de criar dificuldades para vender facilidades. Em qualquer país do mundo, é inconcebível o torcedor ter de pagar um valor a mais por mês para ter acesso privilegiado a comprar ingresso para jogos. Os clubes, de todos os esportes, colocam à venda um  carnê com bilhetes para toda a temporada. Em número limitado, para impedir que sempre o mesmo público vá aos jogos e, assim, a receita com venda de outros produtos entre em declínio no médio prazo. 

Por aqui, nunca conseguimos fazer pegar o hábito de o torcedor se programar com antecedência e comprar o pacote de ingressos. O tal de "season ticket" nunca foi bem visto aqui. O que fizemos, então? Criamos o programa de sócio-torcedor que não entrega o ingresso para o jogo e, pior, cria a necessidade de o torcedor gastar mais dinheiro se quiser comprar ingresso. Adotamos a lógica do Netflix. E, o que é pior, deu certo!

O problema é que isso fez com que o sócio-torcedor, em vez de ser um programa de benefícios para os torcedores, limitou-se a ser um meio de ter mais facilidade para comprar ingressos. E isso fez com que todos os programas se voltassem para o estádio de futebol. Com a pandemia, o sócio-torcedor virou um grande mico. Todos os clubes enfrentam hoje uma queda enorme de arrecadação por conta da ausência de público nos estádios. 

Após um ano batendo cabeça e vendo o torcedor debandar, finalmente os clubes parecem ter acordado. O Palmeiras acaba de lançar a TV Palmeiras Plus, um serviço que vai entregar aos torcedores conteúdo exclusivo e lives dentro de um site próprio. A ideia, como explicou Roberto Trinas, diretor de marketing palmeirense, à Máquina do Esporte, é fazer com que a TV Palmeiras Plus seja, no futuro, uma TV fechada do Palmeiras, para que o clube conheça melhor quem é e o que pensa seu torcedor.

“O grande desafio que não só o Palmeiras, mas o futebol brasileiro tem hoje, é transformar os programas de sócio-torcedor, que foram construídos em função do estádio. Agora o objetivo é reposicionar para muito além do estádio. Como as alavancas digitais são percebidas pelo torcedor como benefícios relevantes e úteis, entendemos que esse seja um caminho”. 

O Palmeiras começa a trilhar um caminho que o Bahia já adotou com seu "sócio digital" e outros clubes estão finalmente indo atrás. O maior problema para o futebol, na quarentena, é descobrir qual será o futuro do sócio-torcedor. Canais próprios de conteúdo, por enquanto, são a solução.

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Por que mudar o escudo de um clube?

Erich Beting
Erich Beting

A Inter de Milão apresentou nesta terça-feira (30) seu novo escudo. Tendência cada vez maior no processo de rejuvenescimento das marcas dos clubes, especialmente na Europa, o redesenho chama a atenção nem tanto pelo resultado estético, mas pela justificativa dada pela instituição italiana para a mudança.

Segundo a agremiação, o novo desenho busca aproximar a marca “das novas gerações”. Sem tentar florear tanto a decisão, o clube vai direto ao ponto ao explicar o porquê da mudança. Os escudos de times de futebol, criados geralmente há praticamente um século, são símbolos cada vez mais arcaicos.

Aqui no Brasil, o 'relançamento' mais chamativo foi o do Atlético Paranaense, que aproveitou e se autodenominou Athletico ao promover a mudança do símbolo. Na Europa, a Juventus praticamente abriu a fila de renovações de marca depois de trocar o escudo do cavalinho pela estilização da letra J. O sucesso comercial da nova marca da Velha Senhora mostrou que o caminho dos clubes como negócio passa por um redesenho de sua logomarca.

'Eu sou': Inter de Milão apresenta novo escudo; assista


Como toda nova marca, a mudança causa barulho. Ainda mais em um meio tão vinculado à tradição como é o esporte. Os torcedores apaixonados, geralmente, são radicalmente avessos a mudanças. E, naturalmente, são os primeiros a protestarem quando algo parece que vai sair do tradicional.

O ponto, porém, é que a mudança nos escudos de times de futebol na Europa tem por trás também uma estratégia de reposicionamento da marca destes times. Cada vez mais internacionais, eles procuram símbolos que os identifiquem globalmente, como o J da Juventus.

Não por acaso, a Inter vinha brigando na Justiça contra o Inter Miami, time de David Beckham que jogará a Major League Soccer (MLS), principal divisão de futebol nos Estados Unidos. Junto com o novo escudo, a Inter reforçou que passa a ser chamada de  FC Internazionale Milano, usando as iniciais das letras para identificar o clube, o que seria 'atrapalhado' pelo Miami.

Desde 2016, quando o fundo chinês Suning comprou o clube, que o plano é fazer da Inter de Milão um time, de fato, internacional. A mudança na marca da Inter acontece no momento que o Suning, desejando reduzir os investimentos, procura um comprador para parte das ações do clube. 

Ter a nova logo rende espaço na mídia e, de alguma forma, pode ajudar na prospecção de novos parceiros. Mudar o escudo de um clube não é apagar sua história, mas começar a reescrevê-la para novas gerações. Pelo menos essa é a aposta que o futebol tem feito nos últimos anos.  

Internazionale apresentou seu novo escudo para as novas gerações
Internazionale apresentou seu novo escudo para as novas gerações Twitter/Internazionale

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O futebol brasileiro e seu triste clube do bilhão

Erich Beting
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Há três décadas que a consultoria Deloitte promove, na Europa, a “Football Money League”. Levantamento anual sobre as finanças dos principais clubes de futebol do mundo, a lista da Deloitte virou um parâmetro para entender as estratégias comerciais do futebol europeu e ajudar a criar meios de os clubes desenvolverem mais negócios.

Há alguns anos, o Barcelona colocou como meta se tornar o primeiro clube de futebol do mundo a ter um faturamento anual acima de € 1 bilhão. O sonho megalomaníaco do Barça acabou virando pesadelo com o acúmulo de dívidas e o estrangulamento financeiro catapultado pela pandemia. Até agora, o sonho de ter um “clube do bilhão” entre os maiores faturamentos do futebol está adiado.

Corinthians já soma mais de R$ 1 bilhão em dívidas
Corinthians já soma mais de R$ 1 bilhão em dívidas Reprodução

No Brasil, o clube do bilhão, infelizmente, já existe. E não estamos falando sobre faturamento, mas sobre dívidas. Só nesta última semana, dois midiáticos times foram adicionados à lista. Atlético-MG e Corinthians divulgaram seus resultados financeiros do primeiro ano da pandemia, e o resultado foi pavoroso. Ambos já somam, atualmente, mais de R$ 1 bilhão em dívidas, unindo-se a clubes como Botafogo e Cruzeiro no “Clube do Bilhão”.

Como sempre gosto de frisar, uma empresa estar endividada não é, necessariamente, um problema. O que precisa ser analisado é o tamanho da dívida e, principalmente, a capacidade que existe em honrar com os pagamentos dos empréstimos tomados.

Foi isso que começou a derrubar o Barcelona na Espanha. Apesar de faturar quase € 1 bilhão ao ano, o clube catalão tem tantas contas a pagar no curto prazo que precisará de um refinanciamento para não tornar inviável a manutenção de sua operação.



Por aqui, o caos é ainda maior. Dos quatro integrantes do clube do bilhão às avessas, apenas Atlético-MG e Corinthians têm perspectiva de aumentar sua arrecadação no curto e médio prazos. Para não correrem o risco de se tornarem inviáveis nos próximos anos, os dois clubes precisam passar por uma extensa reestruturação de suas finanças. Já com Botafogo e Cruzeiro, o buraco é mais embaixo. Com a receita prejudicada por jogar a Série B, ambos precisam de um choque enorme de gestão para tentar enxergar uma luz no fim do túnel.

O futebol brasileiro tem um clube do bilhão. Mas isso, infelizmente, está longe de ser motivo para comemorações.

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Por que o 'projeto Dani Alves' do São Paulo fracassou nos negócios?

Erich Beting
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Sormani chama Daniel Alves de 'superestimado': 'O futebol dele foi turbinado pelas equipes que ele jogou'


Esqueça a pandemia. Não foi só isso o que prejudicou o São Paulo dentro do projeto de repatriar Daniel Alves. E, naturalmente, não estamos falando sobre o desempenho dele dentro de campo. Quando contratou Dani em agosto de 2019, o Tricolor Paulista tinha como meta formatar um projeto comercial atrelado à presença do jogador no time.

A ideia tinha sentido. Com mais seguidores que o São Paulo nas redes sociais, Dani era o típico reforço que poderia agradar ao mercado. Somava-se a isso a expectativa de um bom desempenho em campo e o negócio parecia que não tinha muito como dar errado.

Bom, em campo o negócio não foi tão bom quanto se esperava, mas fora dele é que o rombo foi assustador. O São Paulo deve, atualmente, R$ 12 milhões para o jogador em direitos de imagem.

Desde o sucesso da dobradinha Ronaldo e Corinthians em 2009/10, o futebol brasileiro passou a repatriar ídolos do futebol europeu, brasileiros ou não, apostando que o retorno aconteceria tanto dentro quanto fora de campo. Por que isso não aconteceu?

O maior problema não é a falta de sucesso esportivo. Ronaldo ajudou o Corinthians a ser campeão da Copa do Brasil em 2009, mas esteve no fracasso com o Tolima em 2011, seu último ato na carreira. O maior diferencial que existiu nesse projeto, além de um ótimo momento da economia brasileira, foi o empenho do clube e do "Fenômeno" em fazer negócio com as marcas.

Daniel Alves durante jogo entre São Paulo e Flamengo
Daniel Alves durante jogo entre São Paulo e Flamengo Rubens Chiri/saopaulofc.net

O atleta precisa saber ser vendedor fora de campo, algo que é característico em Ronaldo. Por mais talento que tenha em campo e seguidores fora dele, Dani Alves está longe de ser um exemplo de "jogador de negócios". 

Deixar nas mãos exclusivamente dos clubes o papel de venda de patrocínio para bancar o atleta não dá certo. Dani Alves é espetacular jogador, mas só isso não basta para ser um sucesso comercial. Enquanto não houver uma engrenagem trabalhando dos dois lados, não haverá como converter em resultado financeiro. 

O mais absurdo dessa história é que um erro tão primário vá custar, aos cofres do São Paulo, pelo menos R$ 12 milhões..

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Rogério Caboclo manda no futebol, mas está longe de liderá-lo

Erich Beting
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“Eu vou mandar no futebol brasileiro e vou determinar que vai ter competição. Porque vocês estão f... se não tiver. Eu assumo o ônus por todos vocês.” A frase dita por Rogério Caboclo dentro da reunião virtual do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) com diversos presidentes de clubes brasileiros caiu como uma bomba no meio do futebol.

Revelada nesta terça-feira (23) pelo jornalista Venê Casagrande em seu canal no YouTube, a reunião fechada mostrou, no fim, o óbvio. Esqueça o argumento do protocolo sanitário, a pretensa segurança que existe no futebol ou a testagem em massa que é feita. O fato é que o futebol está financeiramente estrangulado. E não pode parar para não correr o risco de ficar sem dinheiro.

É por conta disso, e nada além disso, que o futebol tem cometido o absurdo de ser jogado custe o que custar, como literalmente provou o Campeonato Paulista ao trocar o empréstimo do estádio Raulino de Oliveira por equipamentos de combate à pandemia de COVID-19 doados para a prefeitura de Volta Redonda.

'Vocês estão f... se não tiver competição!'; veja o que disse o presidente da CBF, Rogério Caboclo, em reunião com presidentes de clubes 


Só que a fala de Caboclo tenta transformá-lo no pretenso “grande líder” do futebol brasileiro. Se, realmente, o dirigente “mandasse no futebol brasileiro”, como quis dar a entender na reunião com os clubes, ele já teria usado o ano inteiro de pandemia para apresentar uma proposta de calendário que não prejudicasse atletas, não mudasse os valores dos contratos de TV e entregasse ao torcedor um futebol de maior qualidade.

Foi isso o que fizeram todas as outras entidades esportivas pelo mundo no período da pandemia. O futebol brasileiro é o símbolo do desmando que ocupam diversas camadas da nossa vida em sociedade. 

Rogério Caboclo pode até mandar, mas ele está muito longe de ser o líder que o futebol nacional precisa.

O presidente da CBF, Rogério Caboclo
O presidente da CBF, Rogério Caboclo Lucas Figueiredo/CBF
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Flamengo e o erro brasileiro de misturar marketing com comercial

Erich Beting
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Bruno Henrique comemora após marcar para o Flamengo sobre o São Paulo
Bruno Henrique comemora após marcar para o Flamengo sobre o São Paulo Alexandre Vidal/Flamengo

O Flamengo viveu um fim de semana agitado nos seus bastidores. A dificuldade de torcedores em assinarem a plataforma FlaTV+, que transmite os jogos do time no Campeonato Carioca, somada à insatisfação pela malsucedida volta de Rafinha ao clube e à “demora” para fechar os patrocínios vagos na camisa parece terem se somado e eclodido num movimento para afastar Gustavo Oliveira, vice-presidente de comunicação e marketing flamenguista.

Nas redes sociais, que podem ter movimentos tanto espontâneos quanto muito bem orquestrados por quem quer que seja querendo desestabilizar o ambiente, as reclamações sobre o dirigente remontavam, quase sempre, ao fato de que o Flamengo não vem conseguindo fechar patrocínio.

Pandemia à parte da análise, o que acontece é que o departamento de marketing muitas vezes é confundido com o comercial. E isso é um problema que o próprio clube não consegue resolver.

Nas empresas, os departamentos de marketing e comercial quase nunca são uma coisa só. Um é o responsável por trazer receita para dentro da empresa, enquanto o outro é quem busca trabalhar a marca e, assim, fidelizar, engajar e reter os clientes.

No esporte brasileiro, misturamos as bolas e os departamentos quase sempre são sinônimos. O que é absolutamente errado! O próprio Flamengo comete esse equívoco. Na semana passada, o clube divulgou uma vaga para diretor de marketing. Entre as principais responsabilidades do profissional está “coordenar o desenvolvimento e comercialização de projetos de capitalização de receita”. Ou seja. O diretor de marketing tem, como primeira responsabilidade, ser responsável pela área comercial do clube.

Essa mistura de funções, mais do que um problema conceitual, gera um grave problema operacional. O marketing é quem deveria se preocupar em dar maior retorno aos patrocinadores e aproximar o clube de seus torcedores. A venda não é função do marketing. O departamento seria responsável por uma espécie de “pós-venda”, ou seja, de se relacionar com torcedores, com patrocinadores, com a mídia que paga pelos direitos de transmissão. O comercial é quem vai ao mercado mostrar o quanto é bom para uma empresa estar associada a um colosso que conversa, mensalmente, com milhões de torcedores.


         
     

Rodrigo Bueno fica do lado do Flamengo na 'novela Rafinha' e cita forma como o lateral deixou o clube recentemente: 'Decepcionou'

Não é privilégio do Flamengo fazer isso. Em praticamente todas as entidades esportivas brasileiras o requisito para alguém ocupar o departamento de marketing muitas vezes se confunde com as funções de alguém comercial.

Recentemente, o Internacional divulgou também uma vaga para o departamento de marketing. O responsável tinha, como maiores atribuições, funções comerciais.

Um dos maiores entraves para o crescimento do esporte como negócio no Brasil é entender que as estruturas precisam ser profissionais no dia a dia do clube, para que assim possa fazer crescer a receita da entidade. O marketing, quase sempre, tem como função gerar despesas para a entidade e, a partir desse investimento, aumentar o faturamento, que será trazido pelo departamento comercial.

Parece uma questão conceitual boba, mas que, no dia a dia operacional de uma empresa, faz toda a diferença. O marketing raramente está pensando em vendas, assim como quem é comercial não pensa em como aproximar a marca da instituição dos consumidores.

O marketing não pode ser cobrado por vendas, ou então por não dialogar com o torcedor. Fazer as duas coisas, ainda mais num colosso como o Flamengo, é praticamente impossível.

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Como a NFL vai faturar US$ 10 bilhões por ano só com TV

Erich Beting
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A NFL vai faturar US$ 10 bilhões por temporada com a venda de direitos de TV
A NFL vai faturar US$ 10 bilhões por temporada com a venda de direitos de TV Reprodução ESPN
 

A NFL anunciou na quinta-feira (18) que finalizou os cinco acordos para a venda de direitos de transmissão das próximas dez temporadas do futebol americano no mercado dos Estados Unidos. Numa agressiva estratégia de negociação, a liga conseguiu o que queria: praticamente dobrou todos os valores pagos por CBS, ESPN/ABC, Fox, NBC e Amazon pelos direitos de mídia da competição.

Agora, por ano, a liga de futebol americano vai receber US$ 10 bilhões (R$ 54,9 bilhões na cotação atual) só para as emissoras mostrarem seus jogos. É o maior valor pago pelas empresas de mídia para uma liga esportiva no mundo.

O negócio da NFL deveria ser usado como uma aula para o mercado brasileiro de futebol, que insiste em uma visão completamente deturpada de como explorar seu conteúdo e de como se relacionar com a mídia. Deitados no berço esplêndido de um acordo que sempre foi supervalorizado pela Globo, os clubes de futebol no Brasil não aprenderam que o maior negócio que eles têm é o conteúdo a ser produzido a partir de um campeonato.

É assim que a NFL faz desde os anos 1950 no mercado americano. Usam o grande interesse do público e da mídia pelo futebol americano para faturar, cada vez mais, com a venda dos direitos de mídia.

Curti explica como Brady aceitou ganhar menos na NFL em 2021: 'Permitiu aos Bucs que mantivessem o elenco'


         
     

Numa época em que os clubes de futebol no Brasil têm a estapafúrdia ideia de romper seus acordos de TV e buscar no streaming a saída para seus problemas, a NFL mostra que o caminho é totalmente diferente.
     
Em vez de brigar com a mídia e partir para um caminho de venda direta para o consumidor, é preciso usar a força de venda dos canais de TV que apostam agora em serviços de streaming. Isso ficou claro no negócio que foi fechado pela liga com as emissoras de mídia.

Em todos eles, não há exclusividade de transmissão na TV. Todos envolvem a exibição de jogos tanto nos canais lineares quanto nas plataformas de streaming que as emissoras já têm em funcionamento nos EUA, mas que ainda não decolaram o suficiente para aposentar a TV.

O futuro é o streaming. Mas será o streaming das grandes redes. O futebol já deveria ir para a mesa de negociação tendo isso em vista. Mas, do jeito que nossos clubes são, possivelmente acharão que conseguem, por conta própria, desenvolver algo que mundialmente só o Netflix e a Amazon conseguiram.

O futuro da transmissão pode até ser o streaming. Mas a NFL mostra que pelos próximos dez anos, pelo menos, o streaming não vai substituir a televisão. Ou melhor. As empresas de mídia vão migrar paulatinamente seu conteúdo da TV para o streaming. É apostando nisso que elas vão pagar, anualmente, US$ 10 bilhões para transmitir a NFL.

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Cartolouco em campo? Marketing bom é o que preserva a essência do esporte

Erich Beting
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Cartolouco vai contar em seu canal do YouTube a saga de ser um profissional no Resende
Cartolouco vai contar em seu canal do YouTube a saga de ser um profissional no Resende Reprodução

Cartolouco e Gabigordo ganharam fama nos últimos tempos graças às redes sociais. Ex-funcionário do Grupo Globo, o jornalista Lucas Strabko já foi peão do programa "A Fazenda" e agora pode estrear no Resende na disputa do Campeonato Carioca. Já Gabigordo, sósia fora de forma de Gabigol, do Flamengo, diz ter proposta de dois clubes para integrar o elenco e contar a saga de tentar ser um jogador profissional em seu canal no YouTube.

Beirando o absurdo, os dois casos reforçam uma máxima completamente deturpada de que "vale tudo pelo marketing" no esporte. Nada contra os dois personagens, pelo contrário. Cartolouco até hoje foi o único cara que conseguiu fazer meus filhos quererem ligar a TV para assistir conteúdo além do evento ao vivo, algo que nem a minha presença na telinha motivava a acompanhar uma mesa redonda...

Só que não tem qualquer sentido, para o esporte, procurar figuras folclóricas para tentar ganhar mídia. O esporte não pode se esquecer, nunca, de que sua essência é entregar um produto de qualidade para o público acompanhar.

A inspiração do reality show que Fred, do Desimpedidos, fez com o Magnus Futsal numa pré-temporada não pode nunca ser colocada no mesmo patamar de um Campeonato Carioca, produto centenário que está em busca de uma reinvenção atualmente.

O melhor marketing para o esporte é preservar a sua essência. E isso significa entregar um jogo de alta qualidade para o fã.

Cartolouco e Gabigordo são ótimos para conversar e engajar o torcedor. Fora de campo.

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Nossos ídolos e clubes não sabem a responsabilidade que têm

Erich Beting
Erich Beting

Gabigol admitiu ter errado ao sair com os amigos para ir a um cassino clandestino no meio do pico da pandemia do coronavírus no Brasil. Era o mínimo que ele tinha a fazer depois de cometer um crime (a prática de jogo ilegal) e de descumprir uma ordem do governo paulista (de participar de aglomerações).

O problema é que Gabigol tentou se fazer de desentendido ao justificar o motivo de ter ido até a loja de carros de luxo e estacionamento que servia de fachada para a prática do jogo ilegal. Disse que estava feliz com os amigos e só tinha saído para procurar um lugar para jantar em São Paulo.

Seria, no mínimo, muita ingenuidade de alguém que já está com seus 24 anos de idade. Uma completa alienação, para não fazer qualquer ilação, com o momento que atravessamos no país. Desde a semana passada já se sabia que, a partir de sábado, não seria mais possível fazer uma refeição em qualquer estabelecimento comercial do estado de São Paulo. Os restaurantes só abriram para cozinhar a comida e entregar para o cliente pessoalmente ou por meio de entregadores.

Gabigol comemora gol do Flamengo no Brasileirão 2020
Gabigol comemora gol do Flamengo no Brasileirão 2020 Alexandre Vidal/Flamengo

Só aí já era possível questionar Gabriel sobre o porquê de ele achar que realmente alguém acredita em sua ingenuidade de “sair para jantar”, quando sair para jantar estava proibido na cidade. Mas Gabigol foi além. Tentou posar de bom moço ao dizer que “não fez nada errado na pandemia”, numa entrevista que concedeu exatamente para tentar se justificar pelo erro que havia cometido.

É impressionante como entra ano e sai ano e os ídolos no Brasil não sabem a responsabilidade que têm perante a sociedade. No domingo, pouco depois de o caso Gabigol estourar, escrevi aqui no ESPN.com.br que Gabigol teria de ter “maturidade para assumir os erros e trabalhar para, verdadeiramente, consertar o malfeito”. Claramente faltou ao jogador quaisquer uma das coisas. Não teve maturidade nem para assumir que errou e muito menos mostrou-se apto a redimir-se do equívoco, que após a desastrosa entrevista concedida ao Fantástico mostrou que é praticamente tudo o que de ruim podemos imaginar e muito menos um deslize.

Gabigol deveria se ancorar no exemplo de Rudy Gobert, pivô francês do Utah Jazz, que tocou nos microfones de jornalistas para ironizar o COVID-19 e, dois dias depois, testou positivo para a doença. Gobert pediu desculpas pelo ato, disse que esperava que servisse de lição para entendermos os riscos de contágio do coronavírus e doou US$ 500 mil para os trabalhadores afetados pela paralisação da NBA.





Por aqui, além das indecentes desculpas de Gabigol, o Flamengo também lavou as mãos. Disse que não se responsabiliza por ato cometido por seus atletas no período de férias. Queria que o clube tivesse a mesma reação se Gabigol fosse visto vestindo a camisa do Vasco e cantando “a Cruz de Malta é o meu pendão” numa aglomeraçãozinha com os amigos, celebrando o último dia das férias.

Ao passar a mão na cabeça de seu maior ídolo, o Flamengo mostra também para a sociedade que não está preocupado com a sua imagem. Um clube que não enquadra um funcionário que comete crime, além de ter uma conduta completamente amoral, é, no mínimo, conivente com os atos praticados.

O futebol brasileiro precisa amadurecer. Atletas e clubes devem saber que não são desligados da sociedade. Torcedores e fãs esperam, deles, atitudes exemplares. Isso não é ser “anti”, apenas exigir profissionalismo para quem fatura milhões com o futebol anualmente.

Infelizmente, para uma parte raivosa que domina a conversa nas redes sociais, cobrar isso é ser clubista.





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Nossos ídolos e clubes não sabem a responsabilidade que têm

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Hoje teve golaço do Gabigol. Contra...

Erich Beting
Erich Beting

Não tem um mês que escrevi aqui um post elogiando o trabalho de marca de Gabriel Barbosa, o Gabigol. Ídolo do Flamengo, sucesso com o público infantil, ele mostrava que, nos negócios, tinha um repertório bem mais vasto do que o 'gol do Gabigol'. Era um sinal de maturidade que fez ele sair do status de promessa desacreditada na Europa para um ídolo de verdade no time de maior torcida do Brasil.

Na madrugada deste 14 de março, o cidadão Gabriel Barbosa, ainda em férias no clube após liderar o time na arrancada que culminou na conquista do bicampeonato brasileiro, foi conduzido à delegacia de polícia após ser pego dentro de um cassino clandestino num bairro chique de São Paulo com outras 200 pessoas.

Podemos dizer que foi uma noite que teve gol do Gabigol. Um golaço contra!

Gabigol é detido em cassino clandestino em São Paulo; veja


A existência do cassino já é algo que, por si só, fere a lei brasileira. Até agora, não existe regulamentação para o jogo no país. Isso já seria motivo para escândalo. Aglomeração com duas centenas de pessoas quando quase três centenas de milhares já morreram no Brasil vítimas do coronavírus é um crime, que se torna ainda mais deplorável por envolver “um ídolo de verdade no time de maior torcida do Brasil”, que parece muito bem saber o tamanho que tem e o que representa para o público, principalmente o infantil.

Gabigol sabia que estava errado ao decidir ir para o cassino. Tanto que os relatos são de que ele tentou, ao máximo, se esconder na hora que a polícia entrou no local. O resultado, naturalmente, foi ainda pior, já que a polícia aproveitou para fazer escândalo em cima do caso e, assim, usar Gabigol como exemplo de que a lei servirá para todos que tentarem furar as regras impostas pelo governo.

Se estiver realmente bem assessorado como parecia quando tudo eram flores dentro do campo, Gabigol será o primeiro a reconhecer a falha e trabalhar de maneira consistente numa 'limpeza' de sua imagem.

Flamengo e Palmeiras podem 'dominar' futebol brasileiro por muitos anos? Vitor Birner analisa


Errar, todos erramos. Aprender com os erros e fazer diferente depois disso é o que vai mudar de fato a percepção das pessoas sobre nós.

Isso não serve apenas para Gabigol. O Flamengo, clube que ele representa, é responsável direto pela atitude do seu funcionário. Desde o início da pandemia, o clube rubro-negro virou um propagador do discurso de que a vida precisa seguir seu curso normal, fazendo lobby político pela volta de torcedores aos estádios, promovendo cenas de aglomeração sem máscaras, revoltando-se com medidas de prevenção e combate à contaminação do coronavírus e, claro, pregando o “cada um por si” que tanto atrapalha o país na busca por uma solução para a maior crise sanitária que estamos vivendo.

Qual a resposta que o Flamengo tem a dar sobre o caso? De que forma ele será exemplo? Será que seus dirigentes vão entender a responsabilidade que carregam por liderar a 'Nação'? Ou será que o discurso só vale para coisas boas?

O escândalo com Gabigol talvez seja o choque de realidade que o futebol brasileiro precisava para entender que é um agente formador de opinião para as pessoas. Ter o maior centroavante do país flagrado num cassino clandestino com outras 200 pessoas em meio à pandemia pode ter suas boas consequências. O que precisa existir, tanto no Flamengo quanto em Gabriel, é a maturidade para assumir os erros e trabalhar para, verdadeiramente, consertar o malfeito. 

Gabigol fez mais um gol, mas dessa vez foi contra
Gabigol fez mais um gol, mas dessa vez foi contra Alexandre Vidal/Flamengo


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O futebol brasileiro vive num mundo à parte. E ele é bipolar!

Erich Beting
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Pablo com camisa do São Paulo com a inscrição #VacinaFC
Pablo com camisa do São Paulo com a inscrição #VacinaFC Reprodução

O futebol paulista não pode parar. Essa é a mensagem que a FPF (Federação Paulista de Futebol) e os clubes tentam embutir na cabeça do governador João Dória para tentar justificar a manutenção do Paulistão em meio à crise mais aguda da pandemia como vivemos agora.

O argumento é de que “o futebol é seguro”. Sim, pode até ser. Mas será tanto assim?

Por mais protocolos existentes, eles não inviabilizam o contágio de atletas, membros de comissão técnica, dirigentes e outros casos que não ganharam o alcance da mídia. O futebol, da mesma forma que a sociedade, convive com a letalidade do coronavírus. Já tivemos treinadores, roupeiros e até vice-presidente da própria FPF mortos pela doença.

Presidente da Comissão Médica da FPF vê sucesso no combate contra a COVID-19: 'Estamos protegendo os atletas e suas famílias; porcentagem é bem abaxo da população geral'

Por que, então, não parar? Seria minimamente digno que o futebol assumisse que não pode parar por uma questão exclusivamente financeira. O Brasil foi o único país do mundo, entre os principais da bola, que não promoveu ajustes de calendário para dar respiro aos atletas em meio à pandemia.

Mantivemos um calendário que já era inchado para ser preenchido num espaço curto de tempo. E o que fizemos depois que a bola parou no Brasileirão e nas finais da Copa do Brasil? Descansar para que? Bora jogar os Estaduais, recomeçar a Copa do Brasil um dia depois de ela acabar. Vamos manter 19 datas para os torneios locais, rechear com alguns regionais, adicionar uma pitada de Recopas e complementar com o Brasileirão ainda em 38 datas. Para a alegria de quem? 

Depois de inventar a brilhante pré-temporada de apenas um dia, a elite do futebol brasileiro agora vive com um problema de bipolaridade de sentimentos. Sem um patrocinador máster depois de não aceitar mais uma redução de contrato, o São Paulo jogará neste sábado com a inscrição #VacinaFC no espaço vago na camisa.

Presidente da Comissão Médica da FPF: 'Esses surtos como o do Corinthians só acontecem porque os atletas fogem do protocolo; em outro ambiente, o risco seria maior'

É, no mínimo, um contrassenso. Quando o Governo paulista pede para o futebol parar e tentar estancar a crise sanitária que chegou ao limite, os times batem o pé, pressionam para ir a campo e, quando chegam lá, posam de “bom moço” para fazer campanha por vacinação. 

O futebol parece viver num universo paralelo. E, mais ainda, sofrendo de transtorno bipolar...

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O Barcelona conseguirá provar de novo que é mais que um clube?

Erich Beting
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O ano era 2003. O Barcelona vinha cambaleante dentro de campo. Era um time que contratava muito e, muitas vezes, muito mal. Nas finanças, isso gerava um constante aumento do endividamento e baixo retorno em campo, que geralmente era traduzido por rachas incríveis em elencos milionários e trocas de treinadores muito acima da média do futebol europeu.  Para piorar o cenário, o Real Madrid havia montado, em 2002, seu time Galáctico. David Beckham era a cereja do bolo que faltava para um ambicioso projeto de internacionalização da marca do Real a partir da contratação dos melhores jogadores do mundo.

Joan Laporta assumiu, em meio a esse cenário, a presidência do Barça. O dirigente decidiu que precisava reformular completamente a cultura do clube. A primeira providência foi colocar um fim à 'Era Rivaldo', em que o craque brasileiro conseguiu ser eleito o melhor jogador do mundo em 1999, mas só rendeu, para o Barça, dois títulos espanhóis e uma Copa do Rei, sendo que desde aquele mesmo 1999 o time não faturava nada dentro de campo.

PSG elimina o Barcelona da Champions League; veja


Foi ali na gestão Laporta que surgiu a decisão de o Barça ser 'Més que un club'. Um conceito de que o barcelonismo era um meio de vida, que se traduzia dentro de campo por meio de um jogo encantador e, fora dele, por atitudes que mostravam a grandeza do clube. 

Foi um Barcelona que encantou o mundo por quase uma década com um sólido projeto esportivo capitaneado por Messi, Xavi e Iniesta em campo, Guardiola à beira dele e uma formidável estratégia de consolidação da marca. Fora de campo, o Barça era 'mais que um clube' ao ceder a camisa do clube que nunca teve um patrocinador máster para divulgar um projeto social da Unicef. Ou ao abrir lojas e mercados na Ásia, na América Latina, nos EUA...

Nos últimos anos, o que foi construído por Laporta e seu estafe fora de campo e traduzido por Messi e cia. dentro dele se perdeu. O Barcelona de 2021 é, em muitos aspectos, o mesmo clube de 2003. Com um elenco milionário e ineficiente, rachado, sofrendo com constantes trocas de treinadores e, o que é pior, com dívidas em profusão. Acordos comerciais ruins, ligações diretas de presidentes com atitudes criminosas, fuga daquele conceito criado com muito sucesso na década passada.

O desmando fora de campo cobra o preço dentro dele. Mais uma vez o Barça foi goleado na Champions League. A queda nas oitavas de final representa um abalo para as finanças, já que o clube deixa de ter as premiações das fases seguintes.

O golaço de Messi contra o PSG na Champions; assista


É com este cenário que Laporta chega de novo à presidência do Barcelona. Um clube endividado, rachado nos vestiários e precisando decidir o que fazer com medalhões. O dirigente que levou o clube espanhol a sua década mais vitoriosa da história terá a mesma capacidade de antes para fazer uma remontada?

Ao contrário de 18 anos atrás, quando só Real Madrid e Manchester United tinham planos concretos de fortalecimento de marca no exterior e montagem de times competitivos, o mercado do futebol europeu é hoje um espaço tomado por pelo menos dez grandes marcas, com dinheiro de investidores e enorme ambição. Além disso, não há, nas categorias de base do Barcelona, fenômenos como Messi e Guardiola para revolucionarem o que foi feito dentro de campo entre 2007 e 2012. 

 Cair de certa forma prematuramente na Champions League pode ser o elemento que faltava para Laporta iniciar seu projeto de remontada. Resta saber se haverá espaço, ainda, para o Barcelona voltar a ser mais que um clube.

Já faz um tempo que o Barcelona deixou de ser mais que um clube
Já faz um tempo que o Barcelona deixou de ser mais que um clube Getty Images
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Saúde pode aliviar crise com patrocínios no futebol brasileiro

Erich Beting
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Nova camisa 1 do São Paulo para 2021, já sem os patrocínios de Banco Inter e MRV
Nova camisa 1 do São Paulo para 2021, já sem os patrocínios de Banco Inter e MRV Divulgação

O Ibope Repucom divulgou, nesta segunda-feira (8), a lista dos patrocínios dos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, que se encerrou no final de fevereiro. O levantamento mostra alguns resultados curiosos que indicam uma maior maturidade do mercado de patrocínios no futebol, mas ainda com alguns ajustes a serem feitos no médio prazo.

O primeiro dado destacado pelo Ibope é o de que metade das marcas que estiveram em 2019 nos clubes permaneceram em 2020. É um índice de permanência alto para o mercado brasileiro, que durante a década de 2010 se especializou em acordos pontuais ou de curto prazo.

Sinal de que as empresas, e os clubes, perceberam a importância de construir relacionamentos de longo prazo para conseguirem obter melhor retorno sobre o investimento e se aproximar do consumidor.

Outro dado interessante mostra os reflexos da pandemia nos próprios patrocínios. Dois setores ganharam destaque no levantamento. O de construção e o de empresas relacionadas ao segmento da saúde, que ficaram em primeiro e em terceiro lugar no ranking de marcas patrocinadoras.

Não é por acaso que isso acontece. Num cenário em que os bancos começaram a deixar o patrocínio dos clubes após o boom em 2018, os espaços se abriram para segmentos que têm se destacado na economia. E, na crise da pandemia, quem se deu bem foi a construção civil, com reformas de casas forçadas pelo maior tempo passado dentro de casa, e a saúde, por motivos óbvios.


         
     
Era Crefisa' pode superar a 'Era Parmalat'?

O patrocínio esportivo geralmente segue a lógica da economia. Segmentos que estão em alta costumam aparecer no futebol, como visto em 2020. A rotatividade de marcas sempre se torna maior quando falta dinheiro nas empresas, como vimos em 2018 e 2019. Mas é evidente que a recuperação econômica representa aumento de investimento no esporte. Em 2017, segundo o Ibope, foram 87 marcas patrocinadoras no futebol, com uma média de quatro marcas por clube. Em 2020, chegamos a 145.

O que virá para 2021, porém, é uma enorme incógnita. Com a pandemia incontrolável no país, o dinheiro das empresas ficará estocado, caindo o investimento em patrocínio. São Paulo e Flamengo já sofrem com essa realidade. O Tricolor perdeu Banco Inter e MRV, enquanto o Rubro Negro ficou sem a construtora e ainda não achou um patrocinador para a manga do uniforme, vaga desde o final de 2019.

A saúde pode ser a tábua de salvação, com empresas do segmento usando a popularidade do futebol para expor suas marcas e ficarem à frente da concorrência.

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Quem paga a conta da divisão dos direitos de TV?

Erich Beting
Erich Beting

Campeonato Carioca de 2021 testa o novo modelo de divisão de direitos de TV
Campeonato Carioca de 2021 testa o novo modelo de divisão de direitos de TV Divulgação

Nesta terça-feira (2) começa o Campeonato Carioca 2021. A principal novidade fica por conta da nova emissora para transmitir o Estadual. Depois da lambança que foi o torneio sem jogos do Flamengo por um tempo e, depois da pausa da pandemia, com jogos em tudo que era lugar por conta da MP do Mandante, os clubes e a Ferj tiveram o mínimo de bom senso ao levar o Cariocão para a maior quantidade possível de plataformas, num modelo criado no Brasil pelo NBB em 2018 e finalmente implementado no futebol.

A maior vitória do Carioca é ser a Ferj a dona da produção do conteúdo relacionado ao campeonato. Por meio de uma agência, a federação vai controlar como gerar as imagens e, naturalmente, por quais meios distribuí-las.

Foi assim que os clubes aceitaram a proposta de R$ 11 milhões da Record para a TV aberta e passaram a apostar na criação de um PPV do torneio para gerar mais riqueza aos clubes. Assim, deixaram de lado o projeto de exclusividade que a Globo havia oferecido, no valor de R$ 45 milhões.

É mais do que provável que o dinheiro que o combo PPV + Record vai levantar seja insuficiente para cobrir a oferta da Globo para o Carioca. Mas os ganhos de adoção desse novo modelo poderão ser vistos no médio e longo prazos. Até lá, porém, o Estadual do Rio vai mostrar uma nova realidade para o esporte.

Quem paga a conta do fim da exclusividade nos direitos de transmissão?

Durante décadas nos acostumamos a um modelo em que um único grupo de mídia pagava alto para mostrar com exclusividade um evento esportivo. Isso garantia ao esporte uma verba considerável de direitos de transmissão e, para o público, a certeza de que conseguiria ter acesso ao evento sem precisar desembolsar mais do que uma assinatura de TV a cabo para isso.

Esse modelo, porém, começou a entrar em colapso desde 2016, após os Jogos Olímpicos, com os outros esportes. No futebol, com a maioria dos Estaduais sem ter a Globo como a mesma parceira de sempre para a transmissão de seus jogos, começamos a ver isso acontecer também.

O problema é que, para essa conta fechar, o modelo de negócios também precisa mudar. Cada vez mais, no mundo todo, a mídia tem deixado de assumir sozinha os riscos da compra de direitos e se tornado sócias das entidades esportivas na comercialização de pacotes de transmissão. Já era assim com eventos de menor apelo para o público, começa a ser também com os de alta demanda.

O Campeonato Carioca é um exemplo disso. Se, até o ano passado, o torcedor poderia acompanhar pelo menos dois jogos em TV aberta e fechada por rodada, agora será apenas um com transmissão gratuita. O restante das partidas, só pagando para ver.

O futuro chegou. O fim da exclusividade está claro. Mas será que estamos preparados para, do lado do esporte, ganhar menos com direitos de transmissão e, do lado do torcedor, pagar mais para ver os jogos? Porque é assim que será possível pagar a conta da mídia no esporte brasileiro nos próximos anos.

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Flamengo vive a encruzilhada entre ser Bayern ou Barcelona

Erich Beting
Erich Beting

Entre 2012 e 2018, o Flamengo passou por uma reconstrução. O clube rubro-negro finalmente acabou com o discurso de ser a maior potência econômica do futebol brasileiro para se transformar, de fato, num colosso financeiro. A gestão de Eduardo Bandeira de Mello colocou em prática uma política de austeridade nos gastos que permitiu à agremiação carioca ser conduzida ao topo das finanças do futebol brasileiro.

O que mudou de 2019 para cá foi que a gestão Rodolfo Landim decidiu correr mais riscos. Com dinheiro em caixa deixado pela gestão anterior, a diretoria partiu, literalmente, para o ataque. Contratou nomes de peso e passou a ter de sustentar uma folha salarial altíssima, deixando de lado a política de baixo risco nas finanças adotada pela diretoria anterior.

Arrascaeta, Bruno Henrique, Gabigol, Rafinha, Gerson, Filipe Luís e Pedro foram todos investimentos feitos já sob a gestão que tinha o antigo executivo de marketing Bruno Spindel como diretor de futebol. Os milhões que estavam no caixa turbinado pela venda de revelações da base começaram a ser gastos para formar um esquadrão que devolvesse ao Flamengo o que o torcedor mais queria: títulos de expressão.

Gabigol provoca São Paulo após título do Brasileirão no Morumbi: 'Ganhamos no condomínio do Rodrigo Caio'; veja


A contratação de Jorge Jesus fez o objetivo técnico ser cumprido com maestria em 2019. O problema foi que a diretoria bem-sucedida esportivamente em seu primeiro ano abandonou de vez a política de racionalidade nos gastos. Depois do ano mágico de 2019, o Fla projetou que seria pelo menos vice-campeão brasileiro, semifinalista da Libertadores e finalista da Copa do Brasil em 2020. Com esse plano em mente, previu que iria faturar quase R$ 800 milhões ao longo do ano. E projetou seus gastos em cima dessa meta.

Mas veio 2020, a pandemia, Jesus saiu, e o Flamengo desandou em campo. A pressão pelos títulos neste ano não foi só da torcida. Era uma necessidade financeira. Tanto que, com os campeonatos se alongando para 2021 e sem previsão de entrada de receita por premiações, o Fla precisou recorrer a empréstimos para honrar os salários dos atletas. Tomou R$ 50 milhões em abril do banco Daycoval. Em setembro, pegou outros R$ 50 milhões do banco BRB para quitar essa dívida a juros menores. Em fevereiro deste ano, aprovou no Conselho de Administração tomar outros R$ 35 milhões para pagar as contas dos próximos meses.

Título alivia fluxo de caixa, mas põe Fla em perigosa encruzilhada 

O título brasileiro alivia – e muito – a pressão sobre o fluxo de caixa. Só que deixa o Flamengo numa perigosa encruzilhada. Vender jogadores da base para cobrir as despesas não é tão seguro agora, mesmo com o euro nas alturas. O mercado comprador europeu está retraído com a pandemia.

Sem previsão de volta do torcedor aos estádios, se o clube não performar dentro de campo mais uma vez, a estratégia financeira ficará dentro de uma panela de pressão.

Há alguns anos, o Barcelona colocou a meta de ser o primeiro clube de futebol do mundo a faturar € 1 bilhão em uma mesma temporada. Chegou perto disso, mas a política de pagar caro para ter seus astros e esperar mais do desempenho esportivo do que da força da marca para cobrir esses custos cobra agora sua conta. O clube está com mais empréstimos vencendo do que sua capacidade de geração de receita. No curto e médio prazo, a situação é preocupante. O desempenho esportivo não consegue mascarar a situação.

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Perto dali, na Alemanha, o Bayern de Munique mantém sua estratégia de manter sempre a austeridade financeira como premissa para sua estratégia. Depois de três anos de mais gastança com Pep Guardiola no comando técnico, o clube voltou a apostar num treinador alemão e no projeto de que o resultado esportivo é consequência de um trabalho sólido fora de campo. Não por acaso, quando vazou a informação de que Messi tinha um contrato de meio bilhão de euros com o Barcelona, os dirigentes do Bayern rapidamente declararam que isso era ótimo. Para o jogador... 

Embora Gabigol tenha falado que o time é "o Real Madrid do Brasil", o Flamengo vive hoje uma encruzilhada entre modelos de outros dois clubes da Europa: ser Barcelona ou Bayern de Munique. 

É maravilhoso ser campeão todo ano. Mas a ambição precisa ser muito bem calculada para não cobrar o preço mais para a frente. Querer a vitória a qualquer preço foi o que levou o Flamengo, nos anos 1990, ao estado deplorável que só foi ser sanado só 20 anos depois.

Gabigol é o símbolo do Flamengo multicampeão, mas qual o preço a se pagar pelas vitórias?
Gabigol é o símbolo do Flamengo multicampeão, mas qual o preço a se pagar pelas vitórias? Wagner Meier/Getty Images

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Por que a Budweiser vai transmitir a NBA?

Erich Beting
Erich Beting

Sim, fã do esporte. Você não leu errado, nem eu enlouqueci. A notícia que sacudiu um pouco o mercado de marketing esportivo na manhã desta quarta-feira foi o anúncio de que a Budweiser transmitirá uma vez por semana jogos da NBA diretamente dentro do canal da empresa no YouTube.

Por que um patrocinador decide virar parceiro de mídia da NBA?

Esqueçamos as declarações protocolares do comunicado de imprensa, que falam em democratização do consumo de conteúdo. Ainda mais em se tratando de NBA, que o fã consegue acompanhar nas mais diferentes plataformas (TV aberta, TV fechada, streaming, PPV, etc.).

O que a Bud faz, agora, é dar um passo à frente numa estratégia que passou a ser adotada por diversas empresas durante a pandemia. O conteúdo começou a ditar tanto o comportamento das marcas que elas começaram a se tornar produtoras desse material, e não meramente anunciantes em produtos de bom conteúdo.

A Ambev, dona da Bud, já havia sinalizado que estava adotando esse caminho com duas outras marcas ligadas à empresa. O primeiro foi o movimento do Guaraná Antarctica no futebol feminino, de patrocinar o Brasileirão e ceder placas de publicidade para que outras marcas investissem no torneio, e depois de abrir espaço em suas latas de Guaraná para quem apoiasse um projeto social na modalidade. A marca de refrigerante virou vendedor de mídia.

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Poucos meses depois, a Brahma decidiu deixar de ser anunciante do pacote de futebol da Globo em 2021. O motivo foi a chance de investir essa verba numa conexão direta com o consumidor nas redes sociais da marca e dos próprios clubes. A marca tem feito programas no Instagram e usado como nunca as dezenas de times patrocinados para se conectar ao fã e, assim, gerar mais dinheiro com venda de cerveja.

Agora, porém, a Bud levou para um outro patamar essa relação. A ideia da marca é se apropriar de tal maneira do basquete que até mesmo provedora de conteúdo para o torcedor ela se tornou. Isso não significa que você terá de brindar a cada cesta marcada pelos times, nem que teremos trocadilhos infames que remeta sempre ao consumo de bebida alcoólica.

A ideia da Bud é que, ao levar jogos diretamente para os torcedores, ela consiga se aproximar de seus hábitos de consumo e, dessa forma, ficar ainda mais próxima na hora de uma compra na gôndola do supermercado.

Como diz a própria propaganda de marca de cerveja: aprecie com moderação.  

Budweiser será mais do que patrocinadora da NBA
Budweiser será mais do que patrocinadora da NBA Divulgação
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Nos negócios, tem muito mais do que só gol do Gabigol

Erich Beting
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Gabigol rende ao Flamengo muito mais do que gols dentro de campo
Gabigol rende ao Flamengo muito mais do que gols dentro de campo Maarcelo Cortes / Flamengo


Quando voltou de uma passagem frustrada pela Internazionale e pelo Benfica para o Santos, Gabigol dava a pinta de que seria o típico caso daquele jogador que foi sem nunca ter sido. Era o atleta mediano brasileiro que despontava, desequilibrava por duas temporadas por aqui, chegava com tudo na Europa mas, no final das contas, não conseguia fincar o nome no Velho Continente e voltava sem muito sucesso para o Brasil.

Para mim, corríamos o risco de ver em Gabigol um novo Leandro Damião. Muita distância entre a expectativa e a realidade.

Gabigol, porém, no regresso ao Brasil mostrou que não era para ser descartado. Mais ainda. Junto com Bruno Henrique, liderou um limitado Santos a uma das principais posições do Brasileirão. Até que veio o Flamengo e seu ambicioso projeto de ter o sucesso em campo para cobrir despesas audaciosas. A dupla de ataque saiu da baixada santista para o Rio de Janeiro. E dali veio um colossal fenômeno que fez nascer a brincadeira do “Hoje tem gol do Gabigol”.

O que impressiona, porém, é como Gabigol é muito mais do que um dos principais centroavantes do futebol brasileiro. O jogador soube transformar o sucesso no Flamengo em negócios. Muito negócios. Nesta terça-feira, a Jequiti, empresa de cosméticos do Grupo Silvio Santos, anunciou o lançamento da fragrância Gabigolzinho. Ancorada no sucesso do atacante flamenguista com o público infantil, o perfume é mais um da linha de produtos licenciados com a marca de Gabigol.

Tem chinelo, caneca, copo, boneco de pelúcia...


         
     

Gabigol tem mostrado um caminho para o jogador ótimo no Brasil e que precisará de muito esforço para se tornar protagonista na Europa. Às vezes, é muito mais negócio permanecer no país, tornar-se ídolo de uma grande torcida e trabalhar sua imagem para capitalizar em cima da fama.

Muito melhor do que ser reserva num grande clube europeu é ser titular do ataque do Flamengo. Os ganhos, esportivos e econômicos, são incomparavelmente maiores.

É um caminho que o Palmeiras desperdiçou de trilhar com Dudu, que nunca teve, fora de campo, o tratamento necessário do departamento de marketing do clube.

O Inter soube fazer bom uso da idolatria do torcedor com D’Alessandro. Da mesma forma que o Corinthians começa a dar a atenção devida ao colossal goleiro Cássio.

Os clubes precisam aprender que o ídolo não rende só dentro de campo. Fora dele é que está uma das maiores vantagens do bom jogador. Captar, reter e converter a paixão do torcedor em novos negócios.

Hoje, a relação entre Flamengo e Gabriel vai muito além do que apenas ter gol do Gabigol.

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Campeonato Carioca testará o “novo normal” das transmissões

Erich Beting
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Logomarca do Campeonato Carioca de 2021, uma das novidades do torneio
Logomarca do Campeonato Carioca de 2021, uma das novidades do torneio Divulgação

O Campeonato Carioca que tem data de início prevista para o dia 7 de março trará a nova realidade para algumas competições esportivas que deixaram de ter o Grupo Globo como parceiro de transmissão. O preço a ser pago pela “liberdade”, como muitos gostam de frisar, é receber muito menos da TV e ter, em troca, mais poder de distribuição do conteúdo sem ficar com tudo nas mãos da emissora.

O que os times do Rio acabaram de implementar não é uma novidade, por assim dizer. Já se vão três anos que a Liga Nacional de Basquete faz isso com o NBB. Já têm 30 anos que a Uefa faz isso com a Champions League. Já são mais de 60 anos que, desde o berço, as ligas americanas atuam assim.

O ponto é que, lá fora, esse modelo já está consolidado como parte da relação do esporte com a mídia. As emissoras são o meio de veicular o produto, mas quem detém o poder sobre o conteúdo é o esporte.

O problema é que, no modus operandi do futebol brasileiro, os clubes cariocas decidiram fazer no atropelo essa mudança. Depois de o Flamengo peitar a Globo exigindo R$ 81 milhões pelo Carioca ao argumentar que não estaria sendo repassado a ele o valor que a emissora fatura com o PPV, o sistema entrou em colapso.

O Flamengo, que teria R$ 18 milhões garantidos da emissora, liderou uma revolução dos clubes. E, no final das contas, em vez de faturar isso em 2021, os clubes grandes terão a garantia de receber R$ 1,95 milhão fixo da TV aberta e a promessa de dividirem, entre eles, cerca de R$ 30 milhões do PPV, sendo que a proporção seguirá a quantidade de fãs que cada time tiver dentro da plataforma.

O Carioca saiu de uma receita fixa de R$ 90 milhões sem o Flamengo em 2020 para uma previsão, no melhor cenário, de faturar R$ 45 milhões com todo mundo e um novo modelo de pay-per-view, que vai demandar maior investimento de dinheiro para sair do papel.

Viver sem depender da Globo é obrigação dos clubes brasileiros. A partir de 2021, diversos estaduais já vão nos mostrar essa nova realidade. O problema é que romper o modelo que vigora atualmente representa um enorme risco para a saúde financeira dos times.

O Campeonato Carioca traz um novo modelo, mas será que os clubes terão condições de esperar ele florescer? Para entender um pouco mais como será o Cariocão 2021 na mídia, segue abaixo entrevista com os sócios da Sportsview, agência que montou o projeto de mídia da competição.

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O Americanão que todo mundo queria ganhar

Erich Beting
Erich Beting
Gabigol comemora com Gérson o gol da virada do Flamengo
Gabigol comemora com Gérson o gol da virada do Flamengo Alexandre Vidal \ Flamengo

E se estivéssemos nos Estados Unidos? O que iríamos falar sobre a edição de 2020 da Série A do Campeonato Americano de futebol? A edição mais emocionante de todos os tempos, que só foi definir na última rodada quem seria o campeão, numa troca de posições na ponta da tabela raramente vista em mais de 50 anos de história?

É, meus amigos, quem acha ruim o que está acontecendo no Brasileirão 2020 só pode estar impregnado pela ranzinzice que geralmente acomete boa parte de nós da imprensa. Sim, posso dizer que já fui bastante acometido desse mal, mas foi só quando consegui me afastar do dia a dia do futebol como notícia e me aprofundar apenas no futebol como negócio que voltei a ter o olhar do fã mais aguçado.

E é exatamente isso que diferencia a cobertura da mídia americana da brasileira quando falamos do esporte. Por lá, o americano não deixa de ser informativo e jornalista, mas ele entende que o trabalho dele é, acima de tudo, falar com o fã. E isso significa, necessariamente, ressaltar aquilo que há de motivo para fazer o torcedor parar tudo o que está fazendo e dar importância para um jogo ou uma competição.

Por isso, temos tido a dádiva de vivenciar uma das mais inesquecíveis edições do Brasileirão em 2020/2021.

A começar por tudo o que a pandemia causou. Ela primeiro alterou todo o calendário e refez todo o planejamento dos clubes na temporada. Depois, com o aparecimento de casos de Covid dentro dos próprios times, houve uma mudança brusca de performance das equipes ao longo de toda a temporada, o que interfere, diretamente, nas posições da tabela e na imprevisibilidade da competição.

O Flamengo 2x1 Inter deste domingo foi só mais uma prova de que, se bem trabalhada a comunicação do produto futebol, teríamos tido um jogo ainda mais eletrizante. A primeira providência que a CBF deveria ter tomado era a de isolar essa partida na tabela. Deveríamos ter tido a partida decisiva do Maracanã como o único jogo da TV aberta no final de semana. A partida que todos queriam ver, e que em algumas praças foi substituída por jogos completamente insossos, como Corinthians x Vasco, ou pouco impactantes na tabela, como Sport x Atlético-MG.

Jogo polêmico, com lances agudos dos dois lados, expulsão, reviravoltas, etc. Foi uma baita de uma partida decisiva de campeonato, e, no fim das contas, temos um novo líder a uma rodada do fim do Brasileirão.

Não tem como resumir a edição de 2020 do Campeonato Brasileiro com a injusta frase de que é o “Campeonato que ninguém quer ganhar”. Estivéssemos nos EUA e o Americanão de 2020 passaria para a história como o “Campeonato que todos quiseram ganhar”. O campeão será só um time. Mas o que deveríamos ressaltar, agora, é como foi eletrizante chegar à definição de quem é o campeão. É isso o que deveria ficar para a história. Para o bem do próprio futebol, temos de aprender a valorizar mais o imprevisível, em vez de tentar, numa tentativa de se mostrar “imparcial”, desmerecer a competitividade que permeou todo o Brasileirão de 2020.

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O Americanão que todo mundo queria ganhar

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