Pódios no skate revelam sucesso da estratégia da Nike na modalidade

Erich Beting
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Uniformes da Nike para Brasil, EUA, França e Japão na Olimpíada de Tóquio
Uniformes da Nike para Brasil, EUA, França e Japão na Olimpíada de Tóquio Divulgação

Quando o skate se tornou um esporte olímpico, a fabricante americana Nike viu a possiblidade de usar o novo status da modalidade para dar ainda mais força ao seu projeto de crescer com a venda de roupas que representam o lifestyle.

Foco da empresa americana desde os anos 2008, a linha de roupas mais casuais sempre sofreu com as concorrências de marcas mais consolidadas no setor, como Puma e Adidas, que investiam havia alguns anos nesse tipo de produto.

Com os atletas adotando um estilo mais “rebelde”, o skate era o esporte que a marca americana precisava para trazer sua imagem para um público diferente daquele habituado a ver e usar as roupas da empresa.

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Como parte da estratégia de crescimento pelo skate, a Nike decidiu focar em quatro confederações: Brasil e Estados Unidos, as duas principais forças da modalidade, e Japão e França, países que são a sede da atual e da próxima Olimpíada.

A escolha não poderia ser mais precisa. Nas disputas do skate street, tanto no masculino quanto no feminino, o pódio foi 100% de países patrocinados pela Nike. No masculino, Japão, Brasil e Estados Unidos foram ao pódio. No feminino, Japão e Brasil dividiram os lugares mais altos do pódio.

Além disso, a marca conseguiu ativar o patrocínio a Rayssa Leal, a mais jovem brasileira medalhista olímpica da história.

Por trás de toda modalidade olímpica existe um tabuleiro de xadrez das marcas, que disputam os principais nomes do esporte e, ainda, os países que podem alavancar a empresa a ponto de refletirem diretamente nas vendas. Se, antes, o skate era um esporte de nicho para elas investirem, com as Olimpíadas tornou-se uma das maiores apostas para o futuro. E, nesse caminho, a Nike já tem pelo menos uma Olimpíada de vantagem...

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Paulistão mostra como é bom para o esporte ser dono do próprio produto

Erich Beting
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Paulistão muda de canais a partir da próxima temporada
Paulistão muda de canais a partir da próxima temporada Cesar Greco / Palmeiras

O Campeonato Paulista anunciou um novo parceiro de mídia para as próximas temporadas. O acerto da Federação Paulista de Futebol (FPF) com a Record mostra que a entidade percebeu a diferença que faz trazer para dentro de casa a produção e comercialização do seu principal campeonato.

Pela primeira vez na história, a FPF será responsável por produzir e distribuir a imagem dos jogos do Paulistão. Será a primeira edição do torneio que não dependerá de uma outra empresa de mídia para que as imagens sejam geradas.

Isso permite à FPF fazer o que bem entender com a venda dos direitos de transmissão do Paulista. Sem ficar “refém” de uma emissora para produzir os jogos, a entidade pode tirar mais dinheiro do parceiro de mídia e, ainda, espalhar em mais plataformas as transmissões.

Mas, no caso do Paulistão, possivelmente a receita do campeonato caia nos próximos anos com a adoção do novo modelo. Sem vender os jogos para uma única emissora, o torneio tem de sair atrás de mais gente para fechar a conta. A diferença, porém, é que por mais que se ganhe menos num primeiro momento, no longo prazo esse é o jeito mais certeiro de aumentar a fatia do bolo dos direitos de transmissão.

Pelo menos é assim que funciona no mercado americano desde os anos 1950 e foi assim que, na Europa, o esporte começou a faturar mais com a venda de direitos de mídia há 30 anos.

O Paulistão começa a mostrar que é essencial para a sobrevivência do esporte ser dono do próprio nariz. 

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Quando um patrocínio pode se tornar problema em vez de solução?

Erich Beting
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Uma das maiores dificuldades que existe no mercado é conseguir fechar um bom patrocínio, ainda mais quando é um que não apenas garante o pagamento de toda a conta, mas que permite investir ainda mais no produto.

O vôlei brasileiro conseguiu chegar ao topo do mundo ao encontrar um patrocinador assim. Em 1991, o Banco do Brasil entrou para um projeto de curto prazo, até os Jogos Olímpicos de Barcelona. O Brasil foi ouro no masculino e, a partir dali, o negócio engatou de tal forma que hoje, 30 anos depois, a parceria continua firme e forte.

A relação entre vôlei e BB tornou-se tão sólida e marcante que, de uns tempos para cá, o “fio” do patrocínio virou... As marcas do esporte e do banco se fundiram a tal ponto que o patrocínio de outras empresas ao esporte começou a minguar, justamente enquanto o Brasil empilhava títulos e era reconhecido como uma das grandes lideranças mundiais da modalidade.

Acabou que, com o passar do tempo, o que era para ser uma união ganha-ganha virou uma parceria predatória. O banco tendo de colocar cada vez mais dinheiro para “fechar a conta” da exposição, e a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) precisando inventar novas propriedades para justificar o valor a ser pago pelo BB.

Nesta semana, o vôlei conseguiu dar um importante passo para tentar reduzir essa dependência do banco. Foi anunciado o fim do veto à publicidade de marcas de outros bancos dentro das quadras na disputa das Superligas feminina e masculina. Pode parecer piada, mas o BB exercia tanto poder econômico dentro do vôlei que a concorrência foi proibida de ser associada à modalidade.

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A mudança pode ajudar os times de vôlei a crescerem. A permissão para que as marcas apareçam ajuda a justificar investimentos de empresas nas equipes, e isso dá mais alento para a modalidade.

Patrocínio bom é aquele que não toma conta sozinho do esporte. É o que permite à modalidade crescer e, depois, andar por pernas próprias. O trabalho para isso, porém, não depende apenas do patrocinador, mas do esporte. Os dirigentes precisam se preparar para o momento de saída do parceiro.

Esse foi o maior erro da CBV nos últimos 30 anos. Em vez de desenvolver uma relação saudável com o Banco do Brasil, criou uma de extrema dependência da verba do banco. O estrago se mostra agora, com o vôlei precisando recriar seu produto para voltar a atrair patrocinadores, mídia e público.

A boa notícia é que o vôlei acordou antes de cair mais no fundo do poço. A lição que fica? Patrocínio pode ser problema em vez de solução.

Superliga poderá ter mais marcas de bancos além do Banco do Brasil
Superliga poderá ter mais marcas de bancos além do Banco do Brasil Gaspar Nóbrega/Inovafoto/CBV

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Copa a cada dois anos pode ser salvação para o futebol

Erich Beting
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Gianni Infantino durante visita às obras no Catar para a Copa do Mundo de 2022
Gianni Infantino durante visita às obras no Catar para a Copa do Mundo de 2022 Fifa.com

POLÊMICA!!!

Confesso que sou absolutamente a favor da Copa do Mundo da FIFA ser disputada a cada dois anos! E a justificativa para isso é, acima de tudo, financeira. Mas que, se você não me cancelar até o final do texto, poderá ver que também servirá para alguns argumentos técnicos favoráveis à mudança.

O primeiro ponto a ser considerado quando debatemos uma Copa do Mundo bienal é o fato da redução do tempo entre uma e outra edição do torneio. O argumento de ser um espaço “muito curto” é, para mim, completamente sem lógica. Vivemos num mundo em constante aceleração. Isso tem levado a enormes transformações no nosso cotidiano. As empresas não fazem planos maiores do que para períodos trienais, o ciclo de vida dos produtos são cada vez menores, a velocidade da transformação é acelerada.

A epidemia do coronavírus virou pandemia em questão de menos de três meses, num claro exemplo de como tudo se transmite e se transforma rapidamente hoje em dia. Assim, esperar quatro anos por uma Copa do Mundo é algo completamente deslocado dos costumes atuais. Nada demora tanto assim.

Outro argumento ilógico é o da possível “encavalada” de Copa do Mundo e Olimpíada. Para resolver isso basta um telefonema entre os presidentes de ambas as entidades e coloca-se em prática um plano de transformar os dois eventos em atrações bienais. Imagine o que seria, para a mídia e para as marcas, ter Copa num ano e a Olimpíada no outro?

E é exatamente aí que reside, a meu ver, o ponto de debate para transformar os dois eventos em atrações bienais. A falta de atenção do consumidor tem atingido níveis elevados. O distanciamento físico provocado pela pandemia mostra que o fã de esporte está mais afastado dos eventos “corriqueiros”. Ele opta, cada vez mais, por ver aquilo que lhe seja realmente imperdível.

Copa e Olimpíada, como principais eventos de esporte do mundo, são atrações que fazem o torcedor parar e querer consumir. Elas não vão saturar o interesse do fã. Pelo contrário. Estimulariam ainda mais o gosto pelo esporte e poderiam potencializar o consumo maior por parte dos torcedores.

Para a FIFA, a transformação da Copa do Mundo num evento bienal poderia significar, também, a redução dos atritos com os clubes pela cessão de jogadores. Os atletas disputariam a Copa num ano e os torneios continentais, classificando para o Mundial, no outro. Assim, apenas por 45 dias no ano teríamos os jogadores tendo de se deslocar para defender suas seleções.

Isso também melhoraria a vida das confederações continentais. Imagine a força que passariam a ter Euro e Copa América se valessem as vagas para a Copa do Mundo? Ganhariam apelo comercial, teriam os melhores jogadores em campo e teriam maior interesse do público.

O calendário mundial do futebol é, hoje, um dos temas mais sensíveis para ser resolvido pelos dirigentes. As seleções têm diversos torneios inchados e desinteressantes para preencher o longo período de quatro anos entre as Copas do Mundo. Os clubes têm diversos compromissos assumidos em competições importantes e lucrativas, que são prejudicados pela cessão de atletas para as seleções.

Racionalizar o calendário e deixar menos torneios com maior potencial comercial ao longo do ano foram as transformações feitas pelas ligas americanas e pelo tênis nos últimos anos. Com isso, o esporte passou a receber ainda mais dinheiro da mídia, dos patrocinadores e dos fãs.

Por fim, ao forçar os jogadores a atuarem em seu melhor nível pelas seleções a cada dois anos, a excelência na formação do atleta seria estimulada. Além disso, com a Copa bienal, a receita destinada para as confederações seria cada vez maior. Isso poderia ajudar a desenvolver mais o futebol em regiões mais pobres ou com menor qualificação técnica, o que é uma das premissas da FIFA.

A Copa do Mundo a cada dois anos pode salvar o futebol mundial de entrar numa ebulição. As batalhas por Superliga Europeia, Datas-FIFA e Eliminatórias são sintomas de um trem que começa a querer descarrilar a mais de 300 km/h. 

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Lei do Mandante é aprovada; o risco Brasil começa agora

Erich Beting
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Direitos de transmissão têm nova legislação no Brasil
Direitos de transmissão têm nova legislação no Brasil Divulgação/CBF

Agora não tem mais volta. Depois de ser criada uma Medida Provisória às pressas em 2020 para tentar dar ao mandante o direito de vender para quem bem quiser a transmissão de suas partidas, o presidente Jair Bolsonaro finalmente conseguiu sancionar a lei que altera o texto da Lei Pelé e dá poder exclusivo ao time mandante de vender suas partidas para as empresas de mídia.

Vista como garantia de “independência” dos clubes, a nova legislação é, em teoria, interessante. Na prática, porém, ela pode representar o processo de começo de falência de clubes médios e a criação de um abismo ainda maior entre os times grandes e aqueles de menor porte.

Quando, em 2003, a Europa discutiu o monopólio na venda de direitos de mídia, o objetivo era impedir que apenas a BSkyB tivesse os direitos da Premier League na Inglaterra. O acordo foi alvo de investigação da Comunidade Europeia, com os clubes sendo acusados de formação de cartel, já que se uniram para negociar em bloco um acordo de exclusividade.

Após alguns meses de pesquisa, os europeus chegaram a duas conclusões: a primeira era de que a venda coletiva era o melhor caminho a ser adotado pelos clubes, já que isso dava a eles mais poder de barganha sobre as TVs, detentoras do poder econômico. A segunda era de que a legislação mais moderna que havia no mundo sobre o tema era a brasileira, já que ela obrigava que os direitos de mídia fossem divididos entre o clube mandante e o visitante, impedindo assim disparidades na arrecadação da TV, já que os dois clubes precisavam, necessariamente, conversar para chegar a um acordo comum.

Sim, isso foi há 18 anos.

Ao longo desse período, o Brasil foi caminhando exatamente na contramão daquilo que todas as grandes ligas esportivas mundiais vinham fazendo. Em 2011, aboliu o Clube dos 13, que era um projeto brasileiro de liga. O C13 tentava representar todos os clubes, mas não tinha poderes para isso. Quando houve debate sobre qual seria o tamanho do bolo a ser dividido, a cisão aconteceu.

Foi então que começamos a saga das negociações individuais. O bolo da TV, nesse tempo, até cresceu, mas a arrecadação ficou cada vez mais concentrada em menos clubes, ocasionando o início da disparidade de geração de receitas que, hoje, ajuda na disparidade técnica entre os times.

A desorientação do futebol brasileiro não é causada pela legislação que confere a mandante e visitante os mesmos direitos sobre a venda da transmissão de uma partida. Ela é fruto da desunião dos dirigentes e da falta de senso de coletividade naquilo que é o bem mais precioso de uma competição: seu produto.

A mudança na lei não deixa o Brasil mais “moderno” na questão dos direitos de mídia. Pelo contrário. Ela traz junto com ela um “risco Brasil” que pode levar à ponta do precipício muito clube de futebol. Ao legalizar o “cada um por si” que já vigora mesmo com uma legislação pouco favorável a isso, a tendência é de termos ainda mais disparidade e divergência nas negociações de contratos de mídia.

O torcedor ganha mais poder de escolha, sem dúvida. A chance de termos concentração de eventos e direitos num mesmo grupo de mídia reduz drasticamente também. Mas a que custo?

Na última década, Espanha e Itália tiveram de mudar a legislação para acabar com a venda individual de direitos. Mas, nesse meio tempo, Barcelona e Real Madrid levaram a marca da LaLiga para o buraco. Os torcedores dos dois times não se preocuparam com isso, mas toda a cadeia produtiva do futebol espanhol quase entrou em colapso. Na Itália, o mesmo aconteceu com a Juventus, que se distanciou tanto dos demais que a Serie A simplesmente desapareceu do mapa global da bola.

Agora, os portugueses já determinaram que voltarão a fazer venda conjunta de direitos a partir de 2027. É a única saída que os clubes encontraram para sobreviver em meio ao predomínio de Porto e Benfica, com o Sporting praticamente sendo aniquilado da disputa com os rivais.

O Brasil tenta fazer história indo na contramão do que fez todo o mundo do esporte. A lei do mandante não é o grito de independência dos clubes. A união em torno de uma mesma entidade seria muito mais eficiente e benéfica no médio prazo para o futebol. O basquete está aí como exemplo a ser seguido.  

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O futebol brasileiro só tem uma certeza: não dá liga!

Erich Beting
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Rodolfo Landim, presidente do Flamengo
Rodolfo Landim, presidente do Flamengo Getty Images

O ano era 2001. A CBF vivia com a corda no pescoço, com duas CPIs no encalço de Ricardo Teixeira e companhia. Em campo, o Brasil corria risco de não se classificar para a Copa do Mundo de 2002. O mundo do futebol parecia que estavas prestes a desmoronar, pelo menos por aqui.

Depois de conseguir se livrar do peso das CPIs e ver o Brasil ser pentacampeão do mundo, Teixeira promoveu a maior transformação do futebol no país: Campeonato Brasileiro em pontos corridos, com apenas 20 clubes nas Séries A, B e C.

A decisão foi um “cala-boca” nos críticos do calendário bagunçado do país, mas conseguiu sepultar de vez o crescimento dos campeonatos regionais, que começavam a querer ganhar corpo com os sucessos comerciais da Copa do Nordeste e do Rio-São Paulo.

Ao fazer o Brasileirão em turno e returno sem finais, Teixeira também sufocou qualquer chance de os clubes se articularem para tomarem para si o controle do jogo na organização do Brasileiro. As federações ganharam sobrevida e, a partir daí, o futebol no Brasil foi “pacificado”.

Vinte anos depois, a CBF encontra-se, literalmente, sem comando. Além disso, as receitas do Brasileirão estão estagnadas e, pior ainda, em rota de decréscimo para o próximo ciclo de renovação do contrato de direitos de transmissão. Nesse cenário, os clubes pareciam que realmente haviam entendido que a rota mais eficiente para sair do buraco seria a união comercial para posterior divisão do bolo turbinado.

Mas a única certeza que temos no futebol brasileiro é que nunca dá liga...

A cisão provocada pela volta de público aos estádios, com o Flamengo de um lado, os demais 19 clubes do outro, mas cada um pendendo a querer fazer aquilo que for melhor para seus próprios umbigos, acaba de sepultar qualquer princípio de união que havia entre os times das Séries A e B do Brasileiro.

O tema, que inclusive foi o que motivou o início do racha dos clubes com a CBF, agora dissolve o projeto de liga de clubes.

Se os dirigentes não conseguem ter unidade na hora de discutir o retorno da torcida aos estádios, com cada um olhando para o próprio rombo com a receita dos planos de sócio-torcedor, sem se preocupar com um caminho único, como dá para acreditar que as mesmas cartolas vazias vão se comportar dignamente para debater geração e divisão das principais receitas do futebol, que são os direitos de mídia?

O futebol brasileiro está estagnado fora de campo não é de hoje. Portugal, que era o último reduto a não conseguir implementar a venda coletiva de direitos e melhor distribuição da verba entre os clubes, abandonará em breve o modelo “cada um por si”. Apenas o Brasil continua achando que é melhor ir cada um correndo de cada lado do que todos remando na mesma direção. A Liga, que seria um movimento para começar a mudar o cenário, nunca vai dar liga. A não ser que venha uma lei que obrigue todos a terem de negociar em conjunto os direitos. Foi assim que Espanha e Itália conseguiram “unir” seus clubes. 

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NFL dá aula de como manter a marca forte entre os jovens

Erich Beting
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Há alguns anos, a Major League Baseball (MLB) vem sofrendo com um grave problema. Queda de audiência na transmissão de seus jogos e um afastamento do público jovem. Primeira liga a investir no digital, antes mesmo dos anos 2000, a MLB ficou para trás no tempo e no espaço.

Recentemente, a NFL, liga de futebol americano, percebeu que poderia sofrer com o mesmo problema do beisebol. Novos esportes, novas concorrências do tempo livre das pessoas, regras praticamente “imutáveis” dentro de campo.

Como fazer para não ficar para trás e, daqui a um tempo, ver a tradição secular não segurar o público e o projeto de ser a grande liga esportiva dos EUA escapar por entre os dedos?

A semana de abertura da NFL se encerra nesta segunda-feira (13), com a partida entre Raiders e Ravens, a partir de 21h20, com transmissão pela ESPN no Star+. Saiba mais como assinar aqui.

No ano passado, a NFL fez um primeiro teste com o público. Transmitiu um jogo da temporada pelo canal Nickelodeon, com direito a gráficos de Bob Esponja e Seu Sirigueijo no meio do gramado durante a corrida dos jogadores em busca do touchdown.

Agora, a liga ampliou a parceria com a Nick. Terá um programa semanal no canal de TV e no streaming e, claro, repetirá o jogo da temporada regular com exclusividade no canal infantil. Por que isso? A ideia da NFL é clara. Ficar próxima da criança americana para que, aos poucos, ela cresça tendo a liga como referência de um conteúdo legal para assistir e acompanhar na fase adulta.

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É a típica história de levar seu produto até o público, sem esperar que ele esteja lá para consumi-lo independentemente do tipo de oferta que exista. O que a NFL faz hoje é uma aula para o futebol mundial.

Enquanto a FIFA discute a transformação da Copa do Mundo num evento bienal, e os clubes se estapeiam com as entidades para organizarem campeonatos só entre os maiores, a NFL dá a dica de como fazer para não perder torcedor.

A liga não mudou o produto, mas sua embalagem. Terá, para cativar o torcedor-mirim, um projeto totalmente novo e que fale, na linguagem dele, sobre o produto que ela oferece ao público. Por aqui, insistimos em falar de um único jeito sobre o futebol jogado com os pés.

A fórmula ainda funciona para a televisão, já foi um pouco modificada na internet, mas está longe de ser repensada pelos organizadores do evento. Mais do que uma Copa a cada dois anos, ou uma Superliga de clubes, o que precisamos é oferecer, de formas diferentes, o mesmo futebol de sempre.

O esporte, por si só, é encantador. Ele só precisa conversar na mesma língua do torcedor. A NFL dá uma aula de como manter a base de clientes jovens fortalecida, mesmo num cenário de tanta mudança. Será que o futebol está preparado para entender que é preciso mudar?

Draft 2020 da NFL
Draft 2020 da NFL Getty Images


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NFL dá aula de como manter a marca forte entre os jovens

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Daniel Alves e a miopia do marketing no futebol brasileiro

Erich Beting
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Daniel Alves durante jogo entre São Paulo e Palmeiras, pelo Brasileiro
Daniel Alves durante jogo entre São Paulo e Palmeiras, pelo Brasileiro Thiago Rodrigues/Gazeta Press

Uma chegada triunfal e uma saída pela porta dos fundos.

Daniel Alves deixa o São Paulo longe de ter sido "O cara" que o Tricolor precisava, assim como o Tricolor não foi "O clube" que Dani esperava quando desembarcou com uma engenharia financeira para tentar pagar o maior papa-títulos do futebol mundial.

O que deu errado? Para variar, o negócio não ficou em pé por um simples motivo. Ele foi todo baseado em cima de uma previsão de receita que não previa a chance de fracasso. Ou, ao menos, de insucesso.

Dani Alves foi contratado dentro de um cenário pré-pandemia, com o São Paulo num caos econômico e sem qualquer previsão de melhoria. Mesmo assim, a diretoria do clube acreditou no poder da união de duas marcas fortes para fazer o velho e bom esquema “depois a gente vê como pagar”.

Esse é o maior erro que o futebol brasileiro comete. A contratação é feita dentro de um cenário muitas vezes otimista e, se ele não se realiza, a conta simplesmente não fecha.

O São Paulo, hoje, deve mais de R$ 10 milhões a Daniel Alves. É uma dívida astronômica, que poderia pagar pelo menos um mês inteiro do salário do futebol profissional do clube e que, agora, se transforma num perigoso passivo para a atual e as seguintes diretorias do Tricolor paulista.

São Paulo anuncia que Daniel Alves não joga mais pelo clube: ‘Ninguém é maior que o São Paulo’


         
     

Desde o sucesso de Ronaldo no Corinthians que o mercado brasileiro acredita que realmente é possível “fechar a conta” de uma contratação de alto impacto técnico apenas com um trabalho de marketing/comercial.

O que teve de tão diferente no caso Corinthians e Ronaldo que não pode ser replicado? O primeiro deles, e mais fundamental, era o momento da economia brasileira. Com marcas empolgadas no cenário pré-Copa do Mundo, o futebol ganhava mais investimentos. Com a “marolinha” de Lula sobrevivendo ao tsunami dos bancos quebrados nos Estados Unidos, as empresas brasileiras saíram numa gastança desenfreada, ampliando acordos de patrocínio e despreocupadas com o retorno sobre o investimento.

Soma-se a isso o fator de que, quando o Corinthians buscou parcerias para bancar Ronaldo, foi atrás de empresas que precisavam aparecer para lançar ação em Bolsa.

Hoje, uma década depois, o cenário econômico é de retração, a realidade pós-megaeventos é devastadora e o apetite de investimento das empresas é praticamente nulo. Mesmo antes da pandemia já era fácil prever que não seria tão simples convencer alguém a botar dinheiro a mais no futebol apenas pela chegada de um jogador midiático a um clube extremamente popular.

Esse foi o maior erro do raciocínio para a precificação do salário de Dani Alves. Os jogadores seguem aproveitando a incompetência dos dirigentes. Ao ir embora do São Paulo, Daniel consegue não arranhar sua imagem, mesmo com duras críticas dos torcedores. Já a diretoria tricolor confirma o que já se sabia, mas tínhamos receio de afirmar: o “Soberano” morreu pelo caminho também dentro de campo...

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Brasil, Argentina e o papelão da nossa vida sul-americana

Erich Beting
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Lionel Scaloni e Tite conversam antes da suspensão de Brasil x Argentina
Lionel Scaloni e Tite conversam antes da suspensão de Brasil x Argentina Lucas Figueiredo / CBF

Não existe ninguém certo.

Os argentinos foram errados ao não responderem verdadeiramente às perguntas de protocolo sanitário na chegada ao Brasil. Os fiscais da Anvisa e os policiais federais foram, no mínimo, incompetentes em não evitar, durante três dias, que os argentinos que não cumpriram o protocolo se dirigissem para a Neo Química Arena, fizessem o aquecimento dentro de campo e, só com a bola rolando, fossem retirados de campo.

O show de horrores protagonizado por Anvisa, PF e seleção da Argentina é o resumo da vida sul-americana.

A portaria que foi usada pela Anvisa para impedir os argentinos de jogarem impede de entrar no país qualquer estrangeiro que passou por Reino Unido, África do Sul e Índia nos últimos 15 dias. A justificativa da portaria é de que isso evita a disseminação da variante Delta do coronavírus. O mais divertido dela é de que brasileiro não entra nela. Como se o vírus não pegasse os brasileiros.

Linha de Passe mostra toda a repercussão da suspensão de Brasil x Argentina. Clique e saiba como assinar e assistir pela ESPN no Star+!

Da mesma forma, no melhor “jeitinho” sul-americano, os argentinos foram “malandros” ao não declararem que estiveram no Reino Unido nos últimos 15 dias. Como se não tivéssemos as escalações dos times da Premier League para saber que eles estavam por lá na semana passada...

Já a PF foi fantástica ao não conseguir entrar em campo durante o aquecimento do time argentino. Ou chegar atrasada ao hotel. Ou, desde sábado à tarde, quando a Anvisa já sabia que os quatro jogadores não haviam cumprido o protocolo sanitário e estavam no hotel e, depois, na Neo Química Arena.

O jogo de cena de todos os envolvidos tem apenas uma vítima: o futebol. Seria cômico, não fosse essa palhaçada toda uma excelente explicação para termos quase 600 mil mortos no Brasil pela pandemia. Nós, sul-americanos, adoramos um holofote. Pena que buscamos isso da forma mais equivocada possível. 

Celso Unzelte analisa sequência de acontecimentos da partida entre Brasil x Argentina: ‘Hoje vimos uma sucessão de erros’


         
     
 
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A liga de clubes do Brasil sobreviverá aos melindres de seus dirigentes?

Erich Beting
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Depois de começo promissor, liga de clubes começa a patinar
Depois de começo promissor, liga de clubes começa a patinar Lucas Figueiredo/CBF

Quando a Premier League foi criada, em 1992, o futebol inglês caminhava para o precipício, num carro desgovernado e sem freio. Os clubes estavam proibidos de participar de competições da UEFA, endividados e precisando de uma gestão mais racional. Uma canetada da “Dama de Ferro” Margaret Thatcher impôs as condições para que a hoje mais fantástica liga de futebol do mundo fosse organizada.

Quando a Liga Nacional de Basquete surgiu para organizar o NBB, em 2005, o basquete brasileiro havia chegado ao fundo do poço. Sem um campeonato nacional, com os times brigados com a Confederação Brasileira e sem qualquer alternativa no horizonte, os clubes rebeldes se uniram, deram tchau à CBB e passaram a fazer, por conta própria, sua competição. Hoje, a LNB cuida da liga mais organizada do esporte profissional do Brasil, com diversos acordos de transmissão e um futuro promissor.

O futebol brasileiro, atualmente, está longe do buraco. Com ótimos contratos de televisão e um bom desempenho na geração de receitas, mesmo com o cenário da pandemia, os clubes não estão com a corda no pescoço como estiveram os times de futebol da Inglaterra ou do basquete no próprio Brasil.

Por isso mesmo, a ideia de se criar uma Liga de Clubes que funcione para regulamentar as Séries A e B do Brasileirão, bem como representar esses clubes comercialmente, parece distante da realidade.

Se, há dois meses, o projeto começou com ares de que “finalmente vai”, agora já não dá para ser tão certo assim o sucesso da empreitada.

O motivo? A falta de necessidade plena dos clubes em realmente obter uma nova alternativa de geração de receita.

Pode parecer absurdo o que escrevo aqui, mas o fato é que, sem sentir na pele o grande mal que faz ter de negociar tudo sozinho, em penduricalhos contratuais e com uma enorme fragilidade frente aos grandes players do mercado, os clubes não percebem que a organização numa liga forte, que defenda o interesse da coletividade antes do individual, seria o melhor caminho para ganhar mais dinheiro.

Os relatos dão conta de que a Liga já não está tão ligada assim. Os clubes grandes começaram a se estranhar com os pequenos, e a burocracia de uma democracia plena começa a desanimar os dirigentes. Para piorar, com o cenário de eleições nos clubes e preocupações com posição do time na tabela do campeonato, pensar e projetar uma liga dá mais dor de cabeça do que prazer.

O prazo inicial dado pelos clubes para lançar a liga era de cerca de 90 dias. O cronômetro está quase zerado e, até agora, pouca coisa de fato caminhou nas discussões entre dirigentes.

Será que os melindres serão jogados para escanteio ou teremos, mais uma vez, que ver o cavalo selado passar em frente do futebol brasileiro e, em vez de alguém montar nele, vamos perder tempo discutindo qual a cor ideal da sela para montar?

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Pandemia ajuda a formar a janela de transferências mais maluca da história

Erich Beting
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Lionel Messi estreia pelo PSG com vitória sobre o Reims
Lionel Messi estreia pelo PSG com vitória sobre o Reims FRANCK FIFE / Getty Images

A janela de transferências mais agitada dos últimos anos no futebol europeu está chegando ao seu final com o saldo de termos tido, entre outras coisas, as inéditas mudanças de clubes de Messi e Cristiano Ronaldo ao mesmo tempo.

Mas não foi só os dois melhores do mundo que mobilizaram o noticiário e as transações. O que faz da janela de 2021/2022 uma das mais fantásticas da história é justamente a dificuldade dos clubes, em todo o mundo, de equilibrar suas receitas em meio ao cenário devastador da pandemia.

As análises das consultorias europeias dão conta de que o prejuízo dos portões fechados por uma temporada inteira passou dos US$ 2 bilhões (R$ 10,3 bilhões na cotação atual). Para piorar, sem ter previsão da entrada de dinheiro novo, sem ter a certeza de que as excursões de meio de temporada aconteceriam e sem a perspectiva de encontrar dinheiro novo no horizonte, os clubes precisaram fechar seus cofres.

Messi sair de graça por que o Barcelona não poderia arcar com seus salários, Cristiano Ronaldo deixar a Juventus por meros € 15 milhões (R$ 91 milhões) parcelados em cinco vezes sem juros ou Emerson Royal ser anunciado pelo Barça e, depois, revendido ao Tottenham sem ao menos jogar direito pelo clube espanhol são apenas alguns exemplos de que o futebol da Europa está desesperado atrás de dinheiro.

Manchester United oficializa retorno de Cristiano Ronaldo; veja o anúncio


         
     

As exceções são a Inglaterra e os dólares qataris do PSG. Os clubes ingleses, turbinados pelo maior contrato de mídia do mundo, e o time franco-qatari, procurando desesperadamente alcançar o sonho da Champions League no ano da Copa do Mundo no Qatar, estão abrindo os cofres para contratar.

Com o futebol europeu retomando a “normalidade” de estádios abertos ao público, com a renovação de acordos de mídia e de patrocínio e, mais ainda, com as ligas cedendo parte de seus direitos comerciais a fundos de investimentos, a tendência é de que, em 2022/2023, a janela de transferências volte a ser menos concorrida. Menos trocas de jogadores, menos contratações e menor apetite para gastos volumosos devem marcar o próximo período.

O futebol europeu volta após a Data Fifa e com todos os jogos de Premier League, LaLiga, ItalianoFrancês e outras ligas AO VIVO pela ESPN no Star+.

Mas, até lá, podemos curtir bastante a mudança das peças do tabuleiro. O mais interessante disso tudo é ver que o reflexo dessa situação foi sentido aqui no Brasil. As repatriações de atletas como Renato Augusto, Giuliano, Andreas Pereira, Roger Guedes e outros de menor calibre mostram que o futebol do exterior enxugou as despesas, e o Brasil entrou de novo na rota de atletas mais experientes que buscam um fim de carreira com bons salários perto de casa.

A janela de transferências maluca que assistimos poderá trazer uma imprevisibilidade pouco esperada para o futebol, pelo menos europeu, nesta temporada recém-iniciada. O fã agradece.

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Pandemia ajuda a formar a janela de transferências mais maluca da história

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Cristiano Ronaldo no United. Agora sim a Bolsa subiu!

Erich Beting
Erich Beting


Cristiano Ronaldo foi anunciado na última semana como novo contratado do Manchester United. A volta do astro português após 12 anos para o time inglês teve impacto direto nos negócios do clube, antes mesmo de CR7 voltar a usar a camisa do United.

Na sexta-feira (26), quando a contratação foi oficializada, as ações do Manchester United fecharam em alta de 5,76% na bolsa de Nova York. Com uma cotação unitária de US$ 18,28, atingiu o maior valor desde 16 de março.

Durante a Euro, quando Cristiano foi o centro da polêmica ao afastar a garrafa de Coca-Cola da entrevista coletiva e clamar por “água”, rapidamente tentaram associar o gesto do jogador a uma queda das ações da Coca-Cola na Bolsa de Valores.

O fato é que uma coisa não tinha nada a ver com a outra, como bem mostrou a oscilação da marca de refrigerantes no mercado de ações nos dias subsequentes.

Cristiano Ronaldo na Premier League! Cinco gols inesquecíveis do craque pelo Manchester... United


         
     

Agora, porém, a história é outra. Cristiano Ronaldo tem o poder de fazer as ações do United se valorizarem. Afinal, sua contratação impacta esportiva e financeiramente no clube inglês. Ter CR7 no elenco valoriza o produto Manchester United. Não só dentro de campo, mas fora dele também. O português traz melhor desempenho técnico e, é só ver o frenesi que foi o anúncio de sua contratação, agrega nos negócios do clube.

O caso serve para mostrar o real tamanho de um atleta para os negócios. Cristiano Ronaldo não tem como impactar, positiva ou negativamente, numa empresa do tamanho da Coca-Cola. Mas ele é capaz de movimentar uma marca secular como o Manchester United. A diferença? Um trabalha diretamente com o futebol. O outro usa o esporte para se promover.

Muitas vezes quem trabalha com esporte tem mania de achar que ele é maior do que as outras coisas, quando a relação quase sempre é inversa, ainda mais quando se trata de marcas poderosíssimas do mercado.

Cristiano Ronaldo é enorme. Mas sua grandeza ainda é restrita ao universo do futebol. E isso já é muita coisa.

Cristiano Ronaldo no Manchester United é notícia que faz as ações subirem
Cristiano Ronaldo no Manchester United é notícia que faz as ações subirem ESPN

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Patrocinadora mostra como automobilismo soube se reinventar

Erich Beting
Erich Beting


A Heineken anunciou, nesta semana, um patrocínio à recém-criada W Series, competição de automobilismo feita exclusivamente para as mulheres. A cervejaria, uma das empresas com o maior portifólio de patrocínio esportivo do mundo, celebrou a assinatura do acordo com um vídeo em que enaltece a estratégia de marketing no esporte da companhia.

Na peça, além da W Series, são exaltadas a Fórmula 1 e a Fórmula E, competições de automobilismo que também recebem o patrocínio da cervejaria holandesa. A escolha das propriedades patrocinadas mostra como o automobilismo soube se reinventar e não morrer como categoria.

Os primeiros 15 anos do milênio pareciam ser devastadores para o esporte a motor. O questionamento da população sobre a poluição dos carros, a incapacidade de as competições olharem para a revolução digital, e o fim do modelo de patrocínio baseado na indústria do cigarro pareciam levar para o precipício o automobilismo. No Brasil, a incapacidade de termos novos ídolos pós-Senna que ultrapassassem o nicho do fanático e levassem a Fórmula 1 para todas as pessoas pioraram ainda mais o cenário.

Heineken usará a marca 0.0 para patrocinar a W Series
Heineken usará a marca 0.0 para patrocinar a W Series []


Desde que a Liberty Media comprou a F1, porém, o negócio se reinventou. Junto a esse movimento, apareceu a Fórmula E com seus carros elétricos e uma agressiva estratégia digital, ampliando o alcance da competição e atraindo um público mais jovem.

Tudo isso deu ao automobilismo uma nova esperança. A ponto de a Heineken, que já havia revolucionado o mercado de patrocínio esportivo com a UEFA e a Champions League, decidir apostar no patrocínio às duas categorias como forma de posicionar a marca a um público jovem e distinto do futebol.

Agora, a cervejaria adentra na W Series, que também surge como uma categoria moderna, olhando para o empoderamento feminino dentro de um esporte machista ao longo de toda sua existência.

Veja o acidente na Nascar!

De modalidade esportiva fadada ao fracasso no começo do século, o automobilismo chega à década de 2020 mostrando que soube se reinventar. Ter um dos principais patrocinadores esportivos do mundo apoiando algumas de suas principais competições é uma clara demonstração de que o projeto está no rumo certo.

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Ligas abrem guerra contra a Fifa e a liberação de jogadores. Quem leva?

Erich Beting
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Gianni Infantino, presidente da Fifa, vive momento delicado com os clubes
Gianni Infantino, presidente da Fifa, vive momento delicado com os clubes Getty

A guerra foi declarada. A decisão inédita da Premier League de vetar os jogadores que atuam em seu campeonato de defenderem seleções que jogarão em países que estão na Lista Vermelha do COVID-19 no Reino Unido pode deflagrar uma nova crise de poder no futebol desde a malfadada criação da Superliga de clubes. Além dos ingleses, LaLiga disse que apoiará os clubes espanhóis em qualquer decisão que for tomada.

O recado atingiu o alvo.

A Fifa tratou deu responder há pouco, numa carta assinada por Gianni Infantino, presidente da entidade, em que faz um apelo para clubes e ligas terem condescendência na discussão sobre permitir ou não que os jogadores atuem pelos países sul-americanos nas próximas semanas. Além disso, afirmou que já solicitou uma flexibilização nas regras de quarentena dos ingleses ao primeiro-ministro Boris Johnson.

O caso ainda é reflexo da mexida de placas tectônicas do futebol mundial desde o episódio da Superliga, há alguns meses. Se não conseguiram ser bem-sucedidos no projeto da liga, os clubes agora encontraram um trunfo para ter o apoio de seus torcedores e, de quebra, pressionar Fifa e Uefa para terem maior controle sobre os seus jogadores.

Não é só o Brasil quem sofre com as tais "Data Fifa" para amistosos e competições continentais. Na Europa, liberar jogadores virou um estorvo ainda maior no período da pandemia, em que corre o risco de perder os atletas liberados por conta da COVID ou, no melhor cenário, tê-lo afastado das atividades para cumprir o período de isolamento social.

O cabo de guerra entre clubes e Fifa está longe de ter fim. As ligas, rapidamente, decidiram apoiar os clubes, num claro movimento de "apaziguamento" depois do episódio que quase resultou na Superliga. Ao ficar ao lado de seus filiados, as competições se fortalecem como agentes ativos do mercado.

Por outro lado, a Fifa está numa posição delicadíssima. Se aceitar a pressão e recuar, terá criado um problema que tende a ser recorrente. É, mais ou menos, o que os Estados Unidos enfrentam com a NBA a cada competição mundial de basquete. Quem manda é a liga, quem obedece são as confederações.

O futebol corre o risco de caminhar para essa mesma ruptura. Isso gera impacto direto nas finanças da Fifa , já que pode abalar diretamente a credibilidade de sua maior competição, a Copa do Mundo. A guerra está perto do fim. E envolve muito mais do que três partidas para as eliminatórias da Copa ou uma rodada da fase de grupos da Champions League

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Brasil é uma ilha dentro do futebol sul-americano

Erich Beting
Erich Beting

O Brasil se tornou uma ilha dentro do futebol sul-americano. Com cinco times entre os oito melhores do continente, tanto na Conmebol Libertadores quanto na Copa Sul-Americana, o país é hoje um estorvo para o restante da América do Sul.

A pandemia só acelerou o que naturalmente já nos diferenciava dos demais países do continente. A grana é muito, mas muito maior, pelas bandas de cá do que pelo restante da América. Maior mercado da região, temos os melhores acordos de TV, de patrocínio e, claro, vendemos jogadores a preço mais elevado para o mercado europeu e, mais recentemente, norte-americano.

Não é de hoje que o Brasil se transformou no centro da bola na região. O que muda, agora, é que temos por aqui diversos times competitivos, não mais um ou dois. Se formos analisar a performance dos times brasileiros nas competições sul-americanas, não é de hoje que estamos à frente.

Principalmente desde 1997, quando o Clube dos 13 fez o primeiro grande contrato vendendo direitos exclusivos de TV para o Grupo Globo, que os times do país têm mais verba e, consequentemente, melhores condições de disputa do que os do restante do continente.

O que mudou em 2021 é que não temos apenas mais um ou dois clubes mais bem preparados do que os do restante da América. Agora, temos equipes mais bem estruturadas em vários segmentos. Não é por acaso que Athletico-PR, Atlético-MG, Flamengo, Palmeiras e Red Bull Bragantino estão nas semifinais das duas competições.

Gabigol e Bruno Henrique: os goleadores do Flamengo
Gabigol e Bruno Henrique: os goleadores do Flamengo Alexandre Vidal / Flamengo

Hoje, esses são os cinco clubes não apenas com mais dinheiro para contratação de atletas, mas que possuem uma infraestrutura de treinamento muito superior às dos demais clubes do país e, consequentemente, em relação aos demais da América do Sul.

O futebol brasileiro está para o continente como está o futebol inglês para o restante da Europa. Times com muito mais fôlego de investimento e, claro, com infraestrutura para reter os melhores talentos. A lógica da bola, cada vez mais, é a lógica da grana.

Se quiser equiparar o futebol na América do Sul, mais do que tentar reduzir a capacidade de os times brasileiros chegarem com frequência às finais dos torneios, a Conmebol precisa investir, urgentemente, na melhoria do nível dos demais países da região. Foi, mais ou menos, o que a Uefa procurou fazer no passado para dar maior condição de competitividade para os times da Europa e, assim, evitar um predomínio de um ou outro clube ou de um mesmo país.


Marcos Braz diz que Flamengo disputa quatro campeonatos e ironiza CBF: 'Aqui não para na Data Fifa'


O trabalho, porém, é árduo. Mesmo com todo o investimento da Uefa (especialmente na maior grana dada aos times que disputam a Champions League), o crescimento das ligas de outros países (LaLiga e Bundesliga especialmente) e a entrada de megainvestidores, ainda temos a Inglaterra como grande dominadora das fases agudas das competições do continente, tal qual acontece por aqui. O Brasil é, hoje, uma ilha no futebol sul-americano. A tendência, pelo menos nos próximos anos, é de que esse predomínio brasileiro não se altere. E, pior ainda, deve se acentuar ainda mais no caso de uma organização conjunta dos clubes numa liga, aumentando as receitas e trabalhando em conjunto para melhorar o produto do futebol no país. 

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Finalmente um clube se coloca contra o PPV solitário do Athletico

Erich Beting
Erich Beting




Após quase um ano, um clube de futebol brasileiro se colocou contra a venda unilateral dos direitos de transmissão de seus jogos. O Corinthians acaba de anunciar que irá à Justiça para impedir que a partida de domingo, contra o Athletico Paranaense, seja transmitida por outros meios que não a Furacão Live, plataforma paga do clube, e a TV Globo.

A decisão do Corinthians é inédita e coloca fim a uma certa “tranquilidade” que o Athletico vinha tendo após a Justiça do Paraná entender que ele poderia, amparado na então Medida Provisória de 18 de junho de 2020, vender os direitos de transmissão de seus jogos como mandante.

O Athletico tinha conseguido ganhar da Globo na argumentação de que a venda acontecia sem ferir o acordo que ele tinha com a emissora, válido apenas para a TV aberta. Agora, pela primeira vez, um clube se coloca contra o Furacão, o que pode mudar o entendimento da Justiça, já que a MP não está mais em vigor. Além disso, o interessado não é mais uma empresa parceira do Athletico, mas um terceiro que, pela lei que vale atualmente, tem os mesmos direitos de comercialização dos jogos que o clube paranaense.

Jovem Pan anunciou transmissão com imagens de jogo do Athletico x Corinthians
Jovem Pan anunciou transmissão com imagens de jogo do Athletico x Corinthians Divulgação/Jovem Pan

O caso poderá não dar em nada, mas pode acender uma importante discussão sobre quais os direitos e deveres dos clubes de futebol para melhorar a indústria como um todo. O Athletico não aceitar o valor que a Globo ofereceu pelo PPV está correto. Mas o direito dele de sair fazendo tudo sozinho termina a partir do instante em que essa atitude começa a prejudicar a própria cadeia produtiva do futebol como um todo.


Jogadores do Athletico-PR comemoram
Jogadores do Athletico-PR comemoram José Tramontin/athletico.com.br

O princípio de união dos clubes em torno de uma liga é o entendimento de que eles não são concorrentes entre si. Pelo contrário, precisam se unir para ampliar a força da liga como produto. É exatamente isso o que menos existe hoje entre os dirigentes do futebol no Brasil. E o caso do Athletico é mais uma prova disso.

O clube é o único a não assinar o pay-per-view, o único a não ter acordo com a Sport Promotion para venda de placas de publicidade e, de uns tempos para cá, ficou isolado também no debate sobre os princípios de formação da liga de clubes.


Messi toca para Neymar, recebe de volta e bate de canhota, de primeira, para marcar em treino do PSG


  




         



Agora, pela primeira vez, existe um confrontamento na Justiça vindo de outro clube sobre o comportamento do Furacão. Pode ser o escândalo que faltava para que o debate sobre união dos clubes volte a ganhar força e, mais ainda, que finalmente os dirigentes entendam que o melhor negócio para eles é unir para, só depois, repartir o bolo.

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Esporte americano quebra a barreira da publicidade na camisa

Erich Beting
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NHL abriu espaço para a publicidade na camisa dos times
NHL abriu espaço para a publicidade na camisa dos times Getty

Foram décadas e décadas de resistência. Mas a pandemia acelerou algo que o basquete já havia apontado como caminho e, agora, parece ser uma via sem volta nos esportes americanos. O conselho diretivo da National League Hockey (NHL) aprovou nesta terça-feira (17) a permissão para que os 32 times da liga possam buscar patrocinadores para seus uniformes.

A decisão aconteceu poucos meses depois de a NHL ter permitido que anunciantes entrassem nos capacetes dos times. Na ocasião, a medida foi uma forma de amenizar a perda dos clubes pela falta de público nos ginásios por conta da pandemia.

Só que a iniciativa foi tão satisfatória que os clubes pressionaram a liga para que, a exemplo do que a NBA faz desde 2017/2018, possam ter patrocinadores também na camisa de jogo.

Historicamente o esporte nos Estados Unidos sempre foi contra “manchar” a camisa dos times com outras marcas além do emblema da equipe. O conceito amplamente difundido por lá era o de que os benefícios dos patrocinadores estavam no extracampo.

Existia uma enorme resistência ao que os americanos chamavam de “nascarização” dos patrocínios, numa alusão à Nascar e os pilotos com diversas marcas nos carros e nos uniformes para serem fotografados no momento de pódio ou na disputa por posições nas pistas.

Só que a barreira foi quebrada com a NBA quando a Nike pagou uma fábula para ter a marca de fornecimento de uniforme na camisa dos times. Foi ali que as ligas entenderam que era chegada a hora de aumentar o faturamento com patrocínio. A própria NBA deu o passo seguinte, em 2017, abrindo para outras empresas anunciarem num pequeno retângulo na camisa dos times.

Hoje, os patrocínios já passam de US$ 20 milhões anuais, e as demais ligas começaram a correr atrás para conseguir usar a exposição da marca na TV como justificativa para aumentar os valores de patrocínio.

Por aqui, a regra do mercado é abrir o máximo de espaço para as marcas, criando situações absurdas como patrocínio do número da camisa ou do meião de jogo. O modelo americano prova que menos é mais. Pelo menos por enquanto...

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Esporte americano quebra a barreira da publicidade na camisa

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Messi escancara a nova realidade do futebol europeu

Erich Beting
Erich Beting
Messi é apresentado no PSG
Messi é apresentado no PSG Getty Images

Messi saiu do Barcelona e chegou ao Paris Saint-Germain como um furacão. A saída repentina do maior craque da história do clube espanhol para não violar as regras de Fair Play Financeiro da LaLiga e a chegada ao clube que mais dinheiro investiu em contratações de jogadores nos últimos cinco anos escancararam uma realidade que precisa mudar no futebol da Europa.

É necessário criar regras muito mais duras para evitar o desequilíbrio financeiro e, consequentemente, técnico entre os clubes. Tarefa que parece óbvia, mas que precisou de uma sacudida com a transferência do único grande jogador da atualidade que nunca teve um “preço” determinado.

A ida de Messi para o PSG é simbólica. Ela resume um pouco da loucura de gastança desenfreada em que se transformou o futebol da Europa nos últimos 20 anos.

Tímido, garoto de 17 anos do PSG se apresenta a Messi com ajuda de Pochettino: 'Se precisar de algo, estou aqui'


Qual valor pode ser dado a Lionel Messi? Que clube pode ser capaz de arcar com os custos de um jogador como ele, além de Neymar e Mbappé, que também estão no top 5 de salários do planeta bola?

Mas o desafio da Uefa não é apenas brecar a existência de supertimes a partir de regras de Fair Play financeiro. A entidade precisa, agora, cuidar de quem está absolutamente ferido pela falta de arrecadação com os torcedores nos últimos 18 meses.

O Barcelona juntou a pior combinação possível: gestões financeiras seguidamente pavorosas com o recuo causado pela pandemia. Por outro lado, o PSG está deitado no berço esplêndido do petróleo qatari.

Messi e Neymar fazem dupla em treino do PSG e já começam a afinar a parceria


Como preservar a competitividade em meio a um cenário tão desigual? Como fazer para que os clubes ingleses, cada vez mais organizados fora de campo e capitalizados fora dele por uma liga rentável e que eleva o nível das receitas a cada ano, não desgarrem dos outros e formem um clube fechado só neles?

De que forma retomar o protagonismo de equipes tradicionais, mas que se perderam com a queda abrupta de receitas trazida pela pandemia?

Messi é só a ponta de um iceberg que estava se movendo desde antes da pandemia, mas que acertou em cheio o Titanic do futebol europeu depois da saída de um dos maiores jogadores da história por incapacidade de seu empregador em arcar com seus salários. Detalhe: o Barça é o clube que mais faturou nas três últimas temporadas do futebol mundial, chegando a quase € 1 bilhão de receitas.

Ou o futebol europeu se reinventa ou a retomada pós-Covid corre um sério risco de deixar uma série de clubes centenários falidos pelo caminho...

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Futebol saiu pela porta dos fundos dos Jogos Olímpicos

Erich Beting
Erich Beting

Pela segunda vez seguida, o time de futebol do Brasil subiu ao lugar mais alto do pódio numa edição de Jogos Olímpicos. O que tinha tudo para ser uma celebração e alento para o futuro do esporte no país, porém, se transformou num triste epílogo para uma história muito bacana que a seleção brasileira poderia ter construído durante a disputa no Japão. 

A liderança e superação de Daniel Alves. O protagonismo de Richarlison. As novas caras que podem dar um novo jeito de jogar ao Brasil na Copa do Mundo de 2022, no Catar. A muralha no gol com Santos. O trabalho muito bem feito por André Jardine...

Não eram poucas as boas histórias que a seleção brasileira tinha para contar diretamente do Japão. Mas o que mais marcou na conquista do bicampeonato olímpico foi a imagem dos jogadores brasileiros boicotando o uniforme que foram usados pelos outros 20 pódios que tiveram um representante brasileiro em solo japonês.

A recusa dos atletas em usar o uniforme da Peak, que desde o fim da Rio 2016 abraça o Time Brasil, é a típica picuinha desnecessária. Podemos, naturalmente, questionar a necessidade de existir uma roupa exclusiva para a cerimônia de pódio. Mas, uma vez que há essa regra, o mínimo que se espera do atleta que vai competir pelo país é cumprir com ela quando necessário.

Com ouro em Tóquio, Brasil chega à quarta medalha seguida no futebol masculino olímpico


         
     


O futebol não precisa do movimento olímpico para existir. Os bilhões que jorram de diferentes fontes não se tornam mais volumosos em ano de Olimpíada. Pelo contrário. Graças à antiga rixa entre COI e Fifa, ter de ceder jogadores fora da idade limite dos Jogos é um estorvo para os clubes, que o diga o Flamengo, que tanto brigou para manter Pedro no Rio de Janeiro durante a Olimpíada e que praticamente não utilizou o jogador em campo nesse período.

Só que o futebol não precisa desdenhar de todos aqueles que dependem dos Jogos Olímpicos para, quem sabe, melhorar a condição financeira de suas vidas e, assim, poder viver do esporte, como acontece com qualquer lateral-direito reserva de uma seleção brasileira.

Curiosamente, em 2016, os inéditos brasileiros campeões olímpicos do futebol subiram ao pódio com o agasalho fornecido pela Nike, que além de ser patrocinadora do Time Brasil, era – e ainda é – apoiadora da seleção brasileira de futebol. Naquela ocasião, não faltou conhecimento aos atletas e à CBF de qual era o protocolo exigido pelo COI para a cerimônia de entrega de medalhas olímpicas.

O ato de 'rebeldia' no Japão deve gerar problemas para a CBF com o COB e, mais ainda, pode encavalar num distanciamento ainda maior do futebol com o restante das modalidades olímpicas. Um afastamento desnecessário e que só prejudica o esporte brasileiro.

O futebol saiu pelas portas dos fundos nos Jogos Olímpicos. E, por incrível que pareça, fez isso tendo conquistado mais uma medalha de ouro para o Brasil.

Brasil no pódio do futebol masculino nas Olimpíadas
Brasil no pódio do futebol masculino nas Olimpíadas Anne-Christine Poujoulat/AFP/Getty Imag

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Flamengo e patrocinador dão aula de amor ao esporte em vídeo

Erich Beting
Erich Beting

A essa altura, você já deve ter visto o vídeo. Se ainda não, prepare-se. Em breve seu zap será inundado com a peça em que Zico recebe um pedido especial para marcar mais um gol com a camisa 10 do Flamengo. A sutileza com que Flamengo e Mercado Livre criaram a campanha de Dia dos Pais usando o maior ídolo do Rubro Negro como personagem principal é uma aula de como você precisa preservar os princípios do esporte para fazer uma ação certeira de ativação de patrocínio (Veja o vídeo aqui).

Criação “a seis mãos”, como me confidenciou o marketing do Flamengo, a campanha publicitária é daquelas que encantam o fã de futebol por toda a simbologia que envolve o maior ídolo de um clube, mas que consegue envolver qualquer pessoa pela emotividade da efeméride do Dia dos Pais.

É curioso notar que, em pouco mais de dois meses de parceria com o Flamengo, o Mercado Livre tem colocado em ação o conceito básico de qualquer patrocínio, mas que muito raramente vemos com tanta eficiência ser implementado no Brasil: qualquer momento deve ser aproveitado para gerar uma conexão entre a marca, o clube e o consumidor.

Zico é o astro da campanha de Dia dos Pais do Mercado Livre
Zico é o astro da campanha de Dia dos Pais do Mercado Livre Reprodução/YouTube/Mercado Livre

Fazia algum tempo que uma campanha envolvendo clubes de futebol no Brasil não era tão certeira ao passar uma mensagem. Mais do que aumentar vendas, o que o Mercado Livre procura, nessa iniciativa, é gerar uma aproximação do torcedor rubro-negro com a marca. Lá na frente, pode até ser que, entre buscar um produto na Amazon ou no Mercado Livre, ele opte pela empresa que patrocina sua paixão.

E isso fica mais fácil de acontecer quando, além de ter a lembrança de marca pela simples exposição, o patrocinador se preocupa em criar situações que gerem vínculo afetivo dele com o torcedor.

Para o mercado de patrocínio esportivo, é fundamental ter patrocinadores engajados com as ativações. E, historicamente, isso costuma acontecer apenas com as empresas que possuem fôlego de sobra para colocar dinheiro no patrocínio e, ainda, usá-lo como plataforma de comunicação e relacionamento com o público.

Como sempre costumo dizer, para um patrocínio valer a pena, é preciso muito esforço de quem patrocina e de quem é patrocinado fazer com que ele aconteça no dia a dia. Ficar parado só na exposição de marca é jogar dinheiro fora.

Flamengo e Mercado Livre trouxeram para o fã de esporte um presentão de Dia dos Pais. E mostraram que podem levar para “outro patamar” a relação de patrocínio que vinha sendo feita no futebol brasileiro. 


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Falta de dinheiro não é o problema do esporte olímpico

Erich Beting
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Rayssa Leal, medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio
Rayssa Leal, medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio CBSk/Julio Detefon

As redes sociais e nossos grupos de WhatsApp estão agitadíssimos nesses últimos dias para falar sobre a falta de investimento dos atletas olímpicos brasileiros. A partir de um diagnóstico publicado pelo ge.com antes dos Jogos, temos compartilhado a rodo dados estatísticos sobre um pretenso sofrimento com a falta de verba para os atletas brasileiros conseguirem chegar a uma edição das Olimpíadas.

Os dados de que quase metade dos atletas não têm patrocínio, de que 19% têm menos de R$ 2 mil por mês para praticar o esporte, de que 7% têm auxílio inferior a um salário mínimo, e de que 10% têm um outro emprego para complementar a renda parecem estarrecedores.

Só que essas estatísticas não conseguem passar um diagnóstico completo do que é realmente a realidade do esporte olímpico no Brasil. Pior ainda é colocar esses números como justificativa para termos um posicionamento modesto no quadro de medalhas a cada nova Olimpíada.

Uma coisa importante que precisa ser dita a cada quatro anos, ou cinco, como é o caso dos Jogos Olímpicos de Tóquio: NÃO FALTA DINHEIRO AO ESPORTE OLÍMPICO.

Sim, precisei usar as letras maiúsculas para tentar dar mais ênfase a essa realidade. Não falta dinheiro no esporte olímpico brasileiro. O que falta, e aí é tema para longuíssimos debates, é uma melhor distribuição da verba entre as diferentes partes da cadeia produtiva do esporte.

O esporte de alto rendimento brasileiro é extremamente bem remunerado quando comparado com o esporte de alto rendimento em diversos outros países. O vôlei talvez seja o maior exemplo disso. Existe mais dinheiro sendo injetado na Confederação Brasileira de Vôlei do que em qualquer outra confederação da mesma modalidade. O mesmo vale para o judô, para o atletismo, para a ginástica...

Olimpíadas: Rebeca Andrade fica fora do pódio no solo e se despede de históricos Jogos com ouro e prata


A questão é que a distribuição da renda está errada. Investimos no alto rendimento, sem investir na base. O atleta que chega ao topo é, antes de tudo, um herói. E é preciso deixar claro que topo é simplesmente conseguir chegar até uma Olimpíada.

Temos parca estrutura de treinamento, temos poucas competições para formar e remunerar atletas, temos muito dinheiro concentrado para quem já conseguiu chegar lá. Deveríamos, em Tóquio, começar a colher os frutos da melhoria de estrutura que pretensamente teríamos montado para o Rio 2016. Deveríamos ter mais competições e investimento na base. Núcleos de formação de atletas espalhados pelo país. Projeto envolvendo a mídia como parceira de divulgação do esporte, não como fonte principal de financiamento.

O esporte no Brasil está parado no modelo de capitania hereditária montado nos anos 80/90 por Carlos Arthur Nuzman. Todo o dinheiro vai para o COB e para as confederações, que não possuem planos específicos para desenvolver a base. Da mesma forma, não temos políticas públicas que encorajem a melhoria de infraestrutura para a prática do esporte. Não é apenas construir mais quadras, piscinas, parques ou coisas do gênero. É formar professores capacitados para darem aulas a quem quiser se aventurar, depois de assistir a um herói olímpico, a praticar um novo esporte.

Mais do que dinheiro, o que o esporte precisa no Brasil é de um plano para melhor distribuição e utilização das centenas de milhões de reais de recursos que existem.

Precisamos olhar para nós mesmos e procurar entender o porquê de, tendo uma das dez maiores economias do mundo, não conseguirmos nos posicionar entre os dez países com mais medalhas numa edição de Jogos Olímpicos.

E um bom jeito de começar isso é, em vez de compartilhar informações tentando mostrar que faltam recursos ao esporte, tentar entender o nosso papel nesse cenário. Nós consumimos esportes olímpicos no período entre Jogos? Ajudamos a colocar dinheiro nessa indústria na entressafra olímpica? Sabemos as regras dos esportes e estimulamos amigos e familiares a praticarem/conhecerem as modalidades? É fácil apontar o dedo e dizer que é vergonhoso um atleta olímpico viver de Uber. O difícil é arregaçar as mangas e trabalhar para que essa realidade seja transformada. Riqueza não falta ao Brasil. Saber distribuí-la é hoje nosso maior desafio para ser uma nação, de fato, olímpica.

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Falta de dinheiro não é o problema do esporte olímpico

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