Finalmente um clube se coloca contra o PPV solitário do Athletico

Erich Beting
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Após quase um ano, um clube de futebol brasileiro se colocou contra a venda unilateral dos direitos de transmissão de seus jogos. O Corinthians acaba de anunciar que irá à Justiça para impedir que a partida de domingo, contra o Athletico Paranaense, seja transmitida por outros meios que não a Furacão Live, plataforma paga do clube, e a TV Globo.

A decisão do Corinthians é inédita e coloca fim a uma certa “tranquilidade” que o Athletico vinha tendo após a Justiça do Paraná entender que ele poderia, amparado na então Medida Provisória de 18 de junho de 2020, vender os direitos de transmissão de seus jogos como mandante.

O Athletico tinha conseguido ganhar da Globo na argumentação de que a venda acontecia sem ferir o acordo que ele tinha com a emissora, válido apenas para a TV aberta. Agora, pela primeira vez, um clube se coloca contra o Furacão, o que pode mudar o entendimento da Justiça, já que a MP não está mais em vigor. Além disso, o interessado não é mais uma empresa parceira do Athletico, mas um terceiro que, pela lei que vale atualmente, tem os mesmos direitos de comercialização dos jogos que o clube paranaense.

Jovem Pan anunciou transmissão com imagens de jogo do Athletico x Corinthians
Jovem Pan anunciou transmissão com imagens de jogo do Athletico x Corinthians Divulgação/Jovem Pan

O caso poderá não dar em nada, mas pode acender uma importante discussão sobre quais os direitos e deveres dos clubes de futebol para melhorar a indústria como um todo. O Athletico não aceitar o valor que a Globo ofereceu pelo PPV está correto. Mas o direito dele de sair fazendo tudo sozinho termina a partir do instante em que essa atitude começa a prejudicar a própria cadeia produtiva do futebol como um todo.


Jogadores do Athletico-PR comemoram
Jogadores do Athletico-PR comemoram José Tramontin/athletico.com.br

O princípio de união dos clubes em torno de uma liga é o entendimento de que eles não são concorrentes entre si. Pelo contrário, precisam se unir para ampliar a força da liga como produto. É exatamente isso o que menos existe hoje entre os dirigentes do futebol no Brasil. E o caso do Athletico é mais uma prova disso.

O clube é o único a não assinar o pay-per-view, o único a não ter acordo com a Sport Promotion para venda de placas de publicidade e, de uns tempos para cá, ficou isolado também no debate sobre os princípios de formação da liga de clubes.


Messi toca para Neymar, recebe de volta e bate de canhota, de primeira, para marcar em treino do PSG


  




         



Agora, pela primeira vez, existe um confrontamento na Justiça vindo de outro clube sobre o comportamento do Furacão. Pode ser o escândalo que faltava para que o debate sobre união dos clubes volte a ganhar força e, mais ainda, que finalmente os dirigentes entendam que o melhor negócio para eles é unir para, só depois, repartir o bolo.

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O aviso dado pelo lamentável ataque de fúria gremista

Erich Beting
Erich Beting

Sobrou até para a cabine do VAR a fúria gremista pela derrota para o Palmeiras, que coloca o clube, de forma definitiva, entre os quatro últimos do Campeonato Brasileiro. As lamentáveis cenas de invasão do gramado, depredação e selvageria são mais uma a povoar o triste histórico do futebol brasileiro, em que vamos para o campo incentivando a agressividade em vez de pensar em entretenimento.

Mas o aviso que a fúria gremista traz é maior do que o fato em si.

Torcedores do Grêmio invadem campo após derrota para o Palmeiras e vandalizam VAR; veja imagens da confusão


Não só no Brasil, mas em diversos países, o retorno de público aos eventos esportivos foi marcado por cenas de vandalismo. Até no basquete da NBA tivemos torcedores atirando copos e agredindo verbalmente atletas, coisas que não estamos acostumados a ver. Na Colômbia, um dos primeiros jogos com a presença de torcedor foi encerrado por uma briga generalizada de torcida dentro de campo.

O que parece acontecer é que o esporte serviu como válvula de escape de toda a frustração pelos meses de confinamento, perda de parentes e amigos, crise financeira e tudo o que cerca a pandemia. Ir ao evento esportivo virou o momento para jogar fora tudo o que está nos corroendo por dentro e temos tentado nos mantermos firmes para, de alguma forma, lidar com isso.

Vandalismo em Grêmio x Palmeiras
Vandalismo em Grêmio x Palmeiras Raul Pereira/AFP/Getty Images

Não dá para relativizar o que houve dentro da Arena do Grêmio, mas sem dúvida dá para ligar o sinal de alerta para os gestores de arenas em todo o Brasil. A fúria gremista é um aviso para o esporte nesse retorno de público no país.

Temos de tentar transformar o ambiente de um evento esportivo num local de confraternização. Do contrário, a Arena do Grêmio será o primeiro de muitos péssimos exemplos que teremos pela frente.

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O metaverso pode ser o futuro do esporte?

Erich Beting
Erich Beting
Cristiano Ronaldo apresentou a ZujuGP no começo de outubro
Cristiano Ronaldo apresentou a ZujuGP no começo de outubro Divulgação

Nesta última semana, o debate sobre o “metaverso” ganhou ainda mais repercussão com o anúncio feito pelo Facebook de que, agora, a empresa apostará no ambiente virtual como um importante espaço de convivência entre as pessoas.

Duas semanas atrás, o craque português Cristiano Ronaldo já havia apresentado a ZujuGP, uma empresa que quer explorar, exatamente, o metaverso no ambiente do futebol. Com direito a um vídeo de CR7 vestido de samurai, o lançamento da plataforma teve como foco o mercado asiático, mas depois da explanação de Mark Zuckerberg, parece que a ZujuGP tem boas chances de conquistar o mundo.

Tentando simplificar o que parece complicado, a história do metaverso é, basicamente, a criação de ambientes digitais que podem servir de espaço para experiências das pessoas. Não vem a ser uma grande novidade, já que desde a pandemia temos investido cada vez mais nisso. Agora, porém, resolvemos criar um nome para esse movimento.

O que é extremamente curioso, no caso do esporte, é que o metaverso pode até existir, mas ele depende, necessariamente, do mundo real para poder ser bem-sucedido. O maior atrativo que existe hoje na plataforma de Cristiano Ronaldo é criar um game entre os usuários do ZujuGP que tenha, como maior prêmio, uma experiência ao lado do craque do Manchester United.

Na próxima semana, a agência Octagon promoverá o seu primeiro aperitivo de uma experiência de metaverso no futebol. O evento Futebol Experience terá uma série de debates sobre futebol, além de games e experiências. Tudo no ambiente virtual. Gratuito, o espaço espera atrair o maior número possível de pessoas que estejam ligadas ao futebol, seja como fãs ou trabalhadores.

Como chamariz para o evento, a agência criou uma competição para atrair público. Quem conseguir o maior número de inscritos para a Futebol Experience viverá uma experiência ao lado de Ronaldo Nazário em Madri. É a típica ação que gera enorme repercussão entre os fãs e profissionais do futebol. E, por sua vez, faz com que o projeto virtual ganhe audiência maciça.

No Brasil, a NBA transformou numa experiência 100% digital a NBA House. Eventos, brincadeiras e até mesmo loja foram para o ambiente on-line. Como resultado, mais de 200 mil cadastros foram feitos, gerando para a liga americana um enorme banco de dados sobre fãs do basquete no país.

O metaverso só será o futuro do esporte se for usado como complemento da experiência do mundo real. Até agora, pouquíssimas entidades, marcas e agências foram capazes de explorar essa capacidade de intercâmbio entre os dois mundos. Quem conseguir se antecipar e fazer esse movimento estará, sem dúvida, um passo mais próximo do fã.

Para isso, teremos de entender que o futuro não é digital, mas uma junção do real com o virtual, gerando ainda mais sentimento de pertencimento a quem é fã de um esporte, um artista ou um atleta. O metaverso não é o futuro do esporte, mas o caminho para mantê-lo sempre próximo do público.

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Flamengo x Atlético deveria ser um jogo para o Brasil inteiro assistir

Erich Beting
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No 1º turno, o Flamengo foi derrotado pelo Galo no Mineirão
No 1º turno, o Flamengo foi derrotado pelo Galo no Mineirão Alexandre Vidal/Flamengo

A noite deste sábado (30) poderia ver uma das maiores audiências do futebol brasileiro nos últimos tempos. Mas o jogo mais aguardado do Brasileirão até agora estará “escondido” do torcedor, restrito aos assinantes do Premiere, o serviço de pay-per-view que, há 20 anos, era visto como uma mina de ouro para gerar receita aos clubes e, atualmente, atrapalha o próprio crescimento do futebol em si.

Em 2001, o futebol brasileiro decidiu adotar um modelo parecido ao que a Inglaterra começava a fazer, de cobrar cada vez mais pelo acesso das pessoas ao campeonato local. Os ingleses viviam, naquela época, um dilema. Os clubes nunca tinham ganho tanto por um contrato de TV, mas o torcedor teria de fazer “sua parte” e pagar para ver a Premier League. Só a TV paga e o PPV transmitem, desde aquela época, o Campeonato Inglês para o país. Quem não pode pagar pela assinatura do cabo ou pelo pacote de jogos precisa se contentar em ver o jogo em VT ou nos bares, que pagam ainda mais pela assinatura de um pacote corporativo.

A lógica dos ingleses era de que isso forçaria o torcedor a querer ir para o estádio, e todo mundo ganharia mais dinheiro com o futebol sem gratuidade.

Parte desse conceito passou a ser implementado, bem ao estilo tupiniquim, no Brasil. Foi em 2001 que surgiu o PPV do Brasileirão, com jogos ainda mais fechados e restritos a quem era assinante das já limitadas operadoras de TV a cabo. Mas o nosso mercado tinha uma “válvula de escape”, que era a TV aberta mostrando quase 5 dos 10 jogos por rodada, já que a prioridade sempre foi da TV Globo em detrimento de Sportv e PPV. Os clubes, porém, aceitavam o modelo, já que eles eram sócios no PPV e tinham garantida uma alta receita pelo pacote de exclusividade na TV aberta e na fechada.

Há dois anos, porém, o modelo mudou. Em vez de privilegiar a TV aberta, a Globo, detendo a maior parte dos jogos para serem transmitidos do Brasileirão, decidiu forçar as pessoas a assinarem o Premiere. Com isso, passamos a ter cada vez menos os grandes jogos gratuitamente para o torcedor. Quer ver um clássico como esse Fla e Atlético? Só pagando...

O problema é que não somos a Inglaterra. Os clubes, aqui, não vivem a realidade da liga mais rica do futebol mundial. Os estádios, mesmo antes da pandemia, não estavam cheios. O mercado ainda vive muito da exposição na mídia para justificar o investimento em patrocínio.

E o que tem acontecido por aqui? Para forçar o torcedor a pagar o PPV, temos visto cada vez menos os grandes jogos na TV aberta. A lógica é fazer com que aumente a arrecadação dos clubes e da mídia com o produto futebol.

Só que temos um mercado preparado para isso?

Num cenário de pandemia e escalada absurda de preços do cotidiano, o bolso do torcedor está cada vez mais restrito. O futebol brasileiro não percebe, mas, ao fazer a busca pelo máximo de dinheiro possível no curto prazo, ele está diminuindo o tamanho de seu produto no médio prazo, o que significa ter menos dinheiro lá na frente.

Nunca a audiência do Brasileirão foi tão baixa na TV aberta. Se isso significasse que o número de assinantes do Premiere tivesse aumentado, o “sacrifício” da audiência da TV aberta se justificaria. O problema é que a realidade é outra.

Nunca o futebol brasileiro foi tão pouco consumido pelo torcedor em geral. Os efeitos práticos disso serão sentidos um pouco mais para a frente, quando o torcedor “comum” simplesmente não terá contato diário com o futebol brasileiro. Hoje, o Campeonato Brasileiro é um produto praticamente restrito para o fanático por futebol. Ele não extrapola o nicho, não vai conversar com quem é só um entusiasta do esporte, que não está disposto a pagar para consumir, mas que ajuda a dar volume e visibilidade para o futebol a ponto de fazer com que ele ganhe mais dinheiro em todas as pontas do negócio.

Flamengo x Atlético era o jogo para ser exibido em TV aberta, para todo o Brasil, num fim de tarde de domingo. Isso asseguraria índices maiores de audiência e daria, para o Campeonato Brasileiro como um todo, maior exposição.

O grande segredo das ligas americanas é fazer o PPV ser o produto exclusivo do “hard fan”, aquela pessoa que gosta tanto daquele esporte que faz questão de poder ver todos os jogos e todo o histórico daquela liga num canal fechado, em que ela paga mais para isso. O restante da competição está espalhado pelo maior número de canais possíveis, para dar maior audiência e fazer a liga crescer, ganhando dinheiro em todas as frentes possíveis. A estratégia que funcionou há 20 anos no Brasileirão, hoje, faz o campeonato se fechar apenas para o grande fã. O Brasil, para variar, faz o caminho inverso do restante do mundo do esporte. E, ao que tudo indica, não existe alguém com a visão necessária para inverter essa lógica.

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CBV tem a chance de fazer movimento que consagrou a NBA

Erich Beting
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O caso Maurício Souza colocou o vôlei brasileiro numa encruzilhada. Mais do que a punição ao gesto homofóbico do ex-jogador do Minas e da seleção brasileira, temos pela frente a possibilidade de usar o episódio para, de uma vez por todas, colocar a homofobia em pauta num caso de grande repercussão e, dessa forma, usar o esporte para promover uma boa transformação em nossa sociedade.

Quando o caso George Floyd reacendeu o debate sobre a violência policial contra os negros, em maio de 2020, nos Estados Unidos, a NBA tomou para si a bandeira de discutir mais a fundo a questão do racismo estrutural, da violência contra os negros e abraçou o movimento “Black Lives Matter”.

Tite fala sobre 'caso Maurício Souza' após convocação do Brasil: 'O preconceito não deve existir'         


     

O caso é um divisor de águas no mercado esportivo, a ponto de alçar a NBA a uma das marcas mais valiosas do esporte mundial, atrás apenas da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos. Por que o movimento da NBA foi tão importante? Ele fez com que o esporte passasse a ser visto como uma mola propulsora de transformações na sociedade. E, mais do que isso, fez com que a NBA começasse a ser vista como organismo ativo dentro de uma causa. Com alta visibilidade e enorme capacidade de mobilização da sociedade, a NBA entendeu que seu papel transcende as quadras.

A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) tem, com o caso Maurício, a oportunidade de repetir o vanguardismo da NBA no mercado esportivo brasileiro. Envolto nos últimos anos em escândalos de corrupção, má gestão e, para piorar, com o Brasil perdendo sua hegemonia dentro das quadras e areias, o vôlei pode fazer do amarguíssimo limão que foi espremido na nossa cara uma limonada.

Para além de apenas condenar um atleta, precisamos ir muito mais além no debate sobre homofobia, liberdade de expressão, diversidade, equidade de gênero, racismo e muitos outros temas cada vez mais sensíveis numa sociedade tão plural como a dos dias de hoje.

A CBV precisa abraçar a causa da diversidade e tem um caso concreto para fazê-lo. O esporte tem um enorme poder para gerar “pauta” no nosso cotidiano. E precisa ter a coragem de assumir uma posição. Até para mostrar que ter um lado de uma história não significa condenar e negar o outro, mas acolher e aceitar o diferente. A oportunidade bate à porta. A bola foi levantada com maestria pelo levantador. Será uma pena se, assim como acontece nas redes sociais, o bloqueio for a única saída...

Maurício Souza, demitido do Minas Tênis Clube por homofobia
Maurício Souza, demitido do Minas Tênis Clube por homofobia Divulgação/CBV

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Esquizofrenia precisa passar longe do Flamengo

Erich Beting
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Renato Gaúcho não pode sofrer qualquer fritura agora no Flamengo
Renato Gaúcho não pode sofrer qualquer fritura agora no Flamengo Alexandre Vidal / Flamengo

Calendário extenuante, convocações para as seleções, atletas lesionados, distanciamento para o líder Atlético-MG no Brasileirão, dificuldade à vista na semifinal da Copa do Brasil contra o Athletico Paranaense...

Tudo parece conspirar contra o Flamengo na reta final da temporada que já vem desde abril de 2020. Sim, não estamos errados. Há 18 meses que os jogadores estão praticamente sem descanso naquele que já era um dos mais cruéis calendários do futebol mundial.

É natural que o Flamengo não vá conseguir ser campeão dos três torneios que estão ainda em disputa, ainda mais sendo um deles um Brasileirão em pontos corridos e outros dois em eliminatórias, ainda mais em jogo único.

Mais natural ainda é que o time tenha oscilações depois de conseguir alcançar alguns objetivos. E, mais ainda, quando perde o seu grande jogador, lesionado após jogar pelo Uruguai pelas Eliminatórias da Copa do Mundo.

Logicamente não é bom perder um clássico, ainda mais por 3 a 1. Mas o maior erro que o Flamengo pode cometer agora é realizar uma “caça às bruxas” dentro do clube para tentar apontar o dedo atrás de culpados.

Brasileiro: Em noite inspirada de John Kennedy, Fluminense faz 3 a 1 no Flamengo; VEJA gols

O clube está entre os quatro primeiros do Brasileirão, na final da Libertadores e com excelentes chances de chegar à decisão da Copa do Brasil. Não há por que imaginar que a temporada seja um fiasco. O torcedor precisa entender que o ano de 2019 não é a regra, mas a exceção. Um time iluminado tecnicamente, forte taticamente e que não teve adversários à altura no Brasil.

Hoje, a concorrência está muito maior. Atlético-MG e Palmeiras são rivais consistentes nessa disputa pelos títulos, não será nenhum absurdo o Flamengo não conseguir derrotá-los. O que leva a tanta histeria após o clube praticamente ter de “jogar a toalha” e abrir mão de uma conquista?

Por parte do torcedor, a revolta não tem sentido, mas é até compreensível. O que não pode existir é um questionamento interno. Se houver, ele pode representar um problema bem maior.

Já ponderei por aqui algumas vezes que o Flamengo vive numa espécie de “all-in” financeiro. O clube, recentemente, pegou empréstimo e antecipou parte do dinheiro que ainda tem para receber da venda de Gerson para o Olympique. A antecipação é um “ajuste de fluxo de caixa”, como gostam de apregoar os defensores de tal medida. É, também, mostra de que o clube vive no risco. Se, por algum motivo, a fonte parar de brotar dinheiro, o Fla terá dificuldade em honrar seus compromissos.

Qualquer pessoa que já tenha sido dona de empresa algum dia na vida sabe o quanto ter o fluxo de caixa equilibrado é fundamental para a saudabilidade do negócio.

Por isso mesmo é preocupante que o Flamengo, mesmo com faturamento bilionário, tenha de recorrer à antecipação de receita para organizar o caixa. Isso ajuda a pressionar ainda mais o ambiente por resultados dentro de campo, e qualquer oscilação natural vira uma crise que pode ser incontrolável.

O Flamengo precisa de algumas coisas para melhorar. Uma delas não é, de forma alguma, uma crise para um time que está ainda na disputa das três principais competições do calendário.

A esquizofrenia que já começa a tomar conta de parte da torcida precisa passar longe do Flamengo...

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Esquizofrenia precisa passar longe do Flamengo

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Legado da pandemia pode ser ingresso menos caro para o torcedor

Erich Beting
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Mosaico da torcida do Palmeiras no Allianz Parque
Mosaico da torcida do Palmeiras no Allianz Parque Twitter

O Palmeiras e a WTorre fecharam um acordo para liberar um setor de ingressos em pé para jogos no Allianz Parque, ao custo de R$ 40 por pessoa. Ao mesmo tempo, o Grêmio reduziu em pelo menos 50% o valor cobrado pelos bilhetes em sua Arena no jogo contra o Juventude. Em relação à partida contra o Cuiabá, foram 11 mil torcedores a mais no estádio e quase R$ 500 mil a mais de faturamento bruto.

Os dois casos mostram, ainda que de forma tímida, aquele que pode ser um dos “legados” da pandemia e que, curiosamente, os gestores brasileiros não queriam enxergar.

O valor dos ingressos para os jogos de futebol no Brasil vinha sofrendo um aumento sistemático desde 2014, quando os novos estádios para a Copa do Mundo começaram a ser usados com mais regularidade. Com custos mais altos para a manutenção dos aparatos, os donos dos estádios cobraram cada vez mais dos torcedores para irem aos jogos.

O sucesso financeiro do Palmeiras no Allianz Parque, do Corinthians em Itaquera e do Flamengo no Maracanã pareciam mostrar que o único caminho para os clubes seria esse. Joga a conta no colo do torcedor, fatura como nunca com bilheteria e o cenário fica perfeito.

Na volta da pandemia, o apetite dos dirigentes parece ter ficado ainda maior. Precisando voltar a lucrar com a venda de bilhetes, os clubes levaram lá para o alto o valor dos ingressos, acreditando que o torcedor estaria ávido por frequentar os estádios após a reabertura dos portões.

O interesse em consumir o futebol ainda existe, e isso é latente. Mas a que custo?

O futebol precisa acordar para a realidade de o bolso cada vez mais vazio, ou, na melhor das hipóteses, mais apertado, do consumidor. Se quiserem ganhar mais com a venda de ingressos, os times precisam cobrar menos pelos ingressos. O Grêmio dá a primeira mostra de que há um caminho. O Palmeiras terá, mesmo que de forma tímida, uma primeira experiência para aproximar o futebol do torcedor menos “privilegiado”.

Se a moda finalmente pegar, o futebol brasileiro aprende que com mais gente pagando menos é possível ganhar mais dinheiro do que com pouca gente pagando muito. Até porque o evento não é tão especial assim para custar tão caro.

No final das contas, o legado da pandemia pode ser o ingresso menos caro para o torcedor. Não dá para dizer, também, que R$ 40 seja “barato”...

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FIFA assume o risco ao ir para “carreira solo” nos e-Sports

Erich Beting
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Logomarca da divisão de e-Sports da FIFA
Logomarca da divisão de e-Sports da FIFA Divulgação/FIFA

A bomba da última sexta-feira (15) foi a confirmação, por parte da FIFA, de que a entidade vai encerrar o acordo com a Eletronic Arts e, a partir de 2023, deverá desenvolver seu próprio game para abraçar o mercado de e-Sports. A ruptura do contrato de duas décadas com a divisão EA Sports faz parte de um audacioso plano da FIFA, de faturar cada vez mais com a divisão de jogos eletrônicos.

A ideia de ir para a carreira solo vem sendo gestada dentro da FIFA há dois anos e foi intensificada com a pandemia, quando os desenvolvedores de games faturaram como nunca, sendo o único ramo do segmento de entretenimento que não sofreu durante a pandemia. Mas o que significa, necessariamente, ir navegar num mar nunca antes tentado por qualquer entidade esportiva? Basicamente o que a FIFA quer é fazer algo parecido com desistir de vender para várias empresas de mídia a transmissão da Copa do Mundo e montar o próprio canal de TV.

No mercado de mídia, porém, isso é improvável, já que seria necessária uma estrutura enorme para dar conta de produzir imagens e transmissões com narração e comentários para tantos países.

Já no mercado de games, o sonho é mais “simples”. E a chance de a conta de ter uma divisão de games e e-Sports própria fechar é muito maior do que no universo dos direitos de transmissão.

Pelo comunicado que a FIFA divulgou, o primeiro passo está dado. A entidade negocia para um desenvolvedor montar o jogo. Provavelmente esse será o maior custo que ela terá com o projeto. Nesse caso, até mesmo a EA Sports pode entrar como parceira do negócio.

O que acontece daqui para a frente, porém, é o que pode ser o grande “pulo do gato” ou a “rota para o fracasso”. A FIFA precisa assumir uma posição que nenhuma entidade até hoje fez, que é virar uma produtora de jogos. O sucesso de Riot Games, EA Sports, 2K e outras do gênero é o que leva a entidade a acreditar que será mais vantajoso financeiramente para ela assumir essa gestão do que seguir vendendo os direitos a um desenvolvedor, que fica com todo o “bônus” que acompanha a chancela de ser “o dono do jogo”.

No contrato com a EA Sports, a FIFA não tem poder de fazer o que quiser com o jogo que leva o seu nome. Pode parecer estranho, mas é assim que funciona. A Eletronic Arts paga US$ 150 milhões ao ano para ter o direito de colocar o nome da FIFA no game, mas é dela toda a promoção, criação de campeonatos, etc.

Foi exatamente sobre isso que a FIFA quis ter poder. Mais do que o jogo em si, o que a entidade quer é unir o universo do e-Sports com o do esporte real. Fazer a Copa do Mundo presencial e virtual simultaneamente é um sonho muito capaz de acontecer em 2026, quando o Mundial será no Canadá, nos Estados Unidos e no México.

E é a possível união dos ambientes virtual e real que move a entidade para a carreira solo. A expectativa da FIFA é de que, dos atuais US$ 150 milhões que ela recebe com a divisão de esportes eletrônicos, a receita salte para cerca de US$ 1 bilhão, com eventos, venda de produtos licenciados e patrocínios.

O problema é que a entidade chega para o jogo num mar que já tem duas marcas consolidadas: EA Sports e Konami. Ambas já se movimentaram nos últimos meses.

A Konami anunciou a mudança do PES para o e-Football, game que passa a ser gratuito e que tem itens que passam a ser comprados pelos jogadores do mundo todo. É uma democratização do acesso a games de futebol como nunca aconteceu antes. Da mesma forma, a EA já registrou a marca EA Sports FC e tratou de renovar alguns contratos com franquias como UEFA e Serie A.

A briga promete ser boa. E, caso a FIFA seja bem-sucedida, abrirá um precedente para diversas outras entidades esportivas buscarem acordos semelhantes. A indústria de jogos eletrônicos esportivos pode estar prestes a vivenciar uma revolução. Ou a ver o naufrágio de um plano ambicioso.

Espaço para a FIFA ser bem-sucedida existe. Resta saber como o consumidor reagirá a esse movimento.

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Qual Rogério Ceni volta ao São Paulo?

Erich Beting
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Rogério Ceni terá uma dura missão no seu retorno ao São Paulo
Rogério Ceni terá uma dura missão no seu retorno ao São Paulo Alexandre Vidal / Flamengo

Rogério Ceni inicia, nesta quinta-feira (14), sua segunda passagem pelo São Paulo como treinador. Chamado às pressas após a saída de Hernan Crespo, resta saber qual Rogério Ceni se reencontrará com o Tricolor Paulista.

Ceni parecia, há quatro anos, o nome certo para recolocar o São Paulo no prumo. Provou, meio ano depois e com o time flertando com a zona de rebaixamento no Brasileirão, que ainda não estava preparado para tamanha responsabilidade. O peso do ídolo, a enorme expectativa do torcedor e da mídia e a falta de respaldo da diretoria em apoiá-lo minaram o primeiro trabalho de Ceni como treinador, e o sentimento que ficou era de que algum dia a oportunidade voltaria a aparecer.

Depois disso, a carreira de Rogério Ceni treinador é uma gangorra. O recomeço bem-sucedido no Fortaleza foi ofuscado pela aventura surreal com o Cruzeiro. A volta e a reconexão com o Fortaleza deixaram um novo sopro de esperança, mas a saída abrupta para ser campeão nacional com o Flamengo, porém fritado dentro de um grupo cheio de estrelas e ambições, recolocou o ponto de interrogação sobre o futuro do ex-goleiro como treinador.

Uma coisa é certa. Assim como foi quando era jogador, Rogério se move a conquistas. Seu desejo de ser campeão, de marcar a história de um clube e do próprio futebol a partir de um belo trabalho são louváveis.

Mas essa característica de Ceni é o que pode, hoje, ser o maior entrave em seu regresso ao São Paulo. Sem o respaldo da primeira passagem, com um time vivendo em constante ebulição dentro e fora de campo, o São Paulo precisa de um líder que não jogue, para cima dos jogadores, o peso de manter o clube no prumo.

Mais do que um treinador, o que o São Paulo precisa, agora, é de um gestor de equipe. Alguém que dê aos atletas o respaldo de que eles precisam para reagir, em campo, a tudo o que está bagunçado fora dele. E é essa capacidade de gerenciar atletas que será colocada à prova nesse instante, mais do que uma mudança tática ou técnica na maneira de o São Paulo jogar.

E, para mim, esse é o grande ponto de interrogação que acompanha a chegada de Rogério Ceni. O maior ídolo da história do São Paulo aceitará ver jogadores não conseguirem desempenhar tão bem suas funções, e o time ficar cada vez mais próximo do rebaixamento? Ele saberá lidar com o grupo para tirar desses atletas o melhor possível tendo em conta tudo o que o time já viveu neste 2021? Talvez Rogério Ceni seja pesado demais para o tamanho da responsabilidade que o São Paulo tem pela frente. Pode dar liga e o Tricolor ir para as cabeças a partir de agora. Mas o risco é enorme.

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Calote do Cruzeiro só se resolve com prisão aos dirigentes

Erich Beting
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Torcidas organizadas cobram jogadores, técnico e presidente do Cruzeiro
Torcidas organizadas cobram jogadores, técnico e presidente do Cruzeiro Reprodução - Twitter

Os jogadores do Cruzeiro acabaram de anunciar que estão em greve enquanto não for equacionado o pagamento de salários de funcionários do clube mineiro. Na carta justificando a paralisação, os atletas revelaram que ficaram até meio ano sem receber qualquer verba do clube em 2021.

O Cruzeiro quebrou. Isso todos já sabemos. E a solução para o clube passa por uma reestruturação financeira que obrigaria, em primeiro lugar, que os dirigentes celestes assumissem o problema. Não há dinheiro para bancar uma equipe na Série B do Campeonato Brasileiro.

A melhor alternativa para o Cruzeiro e muitos outros clubes brasileiros seria tentar jogar como desse a Segundona enquanto as dívidas fossem equacionadas, sanadas e deixassem o clube minimamente governável. O problema é que, quando apareceu como “Salvador da pátria” do clube, o presidente Sérgio Santos Rodrigues comprometeu-se a devolver o clube às glórias, e não ao rumo certo. E, naturalmente, ao se sentar na cadeira da presidência, o dirigente percebeu que tinha um desafio insolúvel pela frente. Ou melhor. Solução existe, mas ela não é nada popular e, muito menos, é garantia de sucesso esportivo.

O que fez o Cruzeiro, então? Quebrado, o clube negou seu novo status e passou a viver da esperança. De que o time daria certo dentro de campo, de que treinadores do passado reergueriam o clube, de que as coisas começariam a se acertar assim que a bola entrasse dentro do gol...

Mas o futebol, quando se trata de más gestões, costuma ser uma ciência exata. Sem dinheiro na conta, não há bola que entre no gol adversário. Tudo vira um espiral negativo, e a quebra é inevitável. A Série B é a primeira etapa da punição. E, no Brasil, paramos por aí, porque as leis são frouxas e permissivas aos maus dirigentes.

O futebol brasileiro é prodígio em criar situações bizarras que TODOS na cadeia esportiva aceitam. A imprensa cobra do Cruzeiro ser o grande de outrora, mesmo sem ter dinheiro para colocar uma carta nos Correios. Os jogadores e treinadores aceitam propostas de salários que são impagáveis, porque sabem que, um dia ou outro, essa verba cairá na conta. Os dirigentes não enfrentam com a dureza necessária a quebra e se tornam refém do resultado dentro de campo. E o torcedor, que não é o coitadinho dessa história, alimenta esse circo mesmo sabendo que em breve o clube será incontrolável.

Não tem como saber se o Cruzeiro estaria melhor se Luxemburgo tivesse chegado antes, comenta Mário Marra


O que o Cruzeiro vive hoje diversos outros clubes já viveram e vários outros viverão. Alguns foram perdendo a massa de torcedores e, hoje, estão restritos ao ultrafanáticos, que vivem do passado. A Portuguesa é um dos exemplos mais recentes dessa situação.

Se estivéssemos num país que levasse seu futebol a sério, sem fazer média nem política, o Cruzeiro já teria sido desfiliado da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), assim como muitos outros clubes que não têm condições financeiras de disputar as competições nacionais.

Mas a CBF faz vista grossa, a legislação existe, mas não é aplicada para punir os maus dirigentes, e seguimos nessa roda louca de achar que está tudo bem um empregador ter o funcionário por dez meses do ano, mas pagar por apenas quatro deles.

Enquanto não houver prisão para quem promete e não cumpre os contratos, viveremos esse circo de horrores no futebol do Brasil.

Seria ainda mais hilário se o presidente do Cruzeiro estivesse, no mesmo dia em que os jogadores anunciam a greve por falta de pagamento, dando palestra num evento em Lisboa para falar sobre a gestão moderna do futebol...

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Calote do Cruzeiro só se resolve com prisão aos dirigentes

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A venda do Newcastle diz muito sobre a 'profissionalização' no futebol inglês

Erich Beting
Erich Beting

Torcedores do Newcastle festejam a venda do clube para o fundo saudita
Torcedores do Newcastle festejam a venda do clube para o fundo saudita Twitter/Newcastle United

O Newcastle finalmente foi vendido para o fundo de investimento saudita. Depois de 18 meses do veto da Premier League ao negócio, as regras do jogo mudaram e a negociação pode ser concluída. O que mudou nesse um ano e meio de história, porém, é uma síntese de como o futebol não conseguiu criar mecanismos para blindar o uso dele para fins políticos, da mesma forma que a grana é quem dita os rumos dos clubes e das ligas, muito mais do que uma pretensa profissionalização da indústria.

O que mudou em 18 meses para a Premier League aceitar o negócio não foi uma mudança no regime político da Arábia Saudita. O país ainda é uma ditadura e tem enormes restrições aos direitos das mulheres.

Mas, nas últimas semanas, a briga entre a Arábia Saudita e o Catar deu uma trégua. E o que isso tem a ver com a Premier League e a venda do Newcastle? Absolutamente tudo...

A Arábia Saudita tem investido milhões em esporte nos últimos anos, numa tentativa de melhorar a imagem do país globalmente. Desde que ficou provado o envolvimento do príncipe saudita Mohammed bin Salman no assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, em 2018, que os sauditas “abraçaram” o esporte. O rali Dakar, as supercopas da Itália e da Espanha e até a Fórmula 1 aceitaram abrigar eventos no país. Até esta semana, porém, a Premier League era uma das raras ligas que não aceitavam conversar com os sauditas.

O motivo para isso, porém, não era nenhum eventual dano de imagem para a liga mais rica do futebol no mundo. Os ingleses eram pressionados pela BeIn Sports, sua maior parceira comercial na região do Oriente Médio, a não aceitar os dólares sauditas.

Em 2017, a BeIn, que é do governo do Catar, iniciou uma ofensiva contra a Arábia Saudita, acusando o governo de incentivar que o sinal do canal fosse pirateado no seu território. Principal canal esportivo por assinatura em todo o Oriente Médio, a BeIn Sports acionou a Premier League e a FIFA, alegando que a Premier League e a Copa do Mundo de 2018 tinham sido exibidas gratuitamente na Arábia Saudita, ferindo o contrato que ela tinha adquirido com as entidades. Em retaliação, a BeIn passou a ser banida no território saudita.

O caso colocou mais lenha na disputa entre Catar e Arábia. E o futebol inglês foi alçado ao centro do debate. Tanto que, em abril de 2020, quando veio a proposta de compra do Newcastle pelo fundo saudita, a Premier League foi pressionada pela BeIn a não permitir o negócio. Do contrário, ela encerraria o contrato internacional mais vantajoso da liga inglesa.

No meio dessa briga por dinheiro, a Premier League adotou a solução mais fácil. Seguiu a “recomendação” de seu maior parceiro comercial e proibiu a venda, ficando com uma boa imagem perante a imprensa inglesa, contrária à aproximação com o governo saudita.

O desfecho da história nesta semana, porém, mostra que a liga não está preocupada com uma boa reputação. Um dia depois de a BeIn Sports ter a permissão do governo saudita para ser exibida no país, a Premier League aceitou a compra do Newcastle pelo fundo controlado pelos árabes.

O negócio acaba com qualquer discurso de profissionalização do futebol na Inglaterra. Na prática, o que a Premier League olha é o dinheiro, sem se preocupar se a imagem da liga é afetada com a decisão comercialmente mais vantajosa.

E o torcedor? A foto de fãs na porta da sede do clube usando trajes típicos dos sauditas é a prova de que o fanático não está da mesma forma preocupado com a origem das pessoas que serão as novas donas do clube. Curiosamente, há meio ano, o futebol inglês ganhava pontos ao vetar o movimento da Superliga de Clubes. A reputação ganha naquele momento, agora, parece ter acabado numa canetada.

Torcida do Newcastle comemora compra do time por fundo trilionário como se fosse um gol de título no entorno do estádio
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Barcelona, o bilionário quebrado do futebol mundial

Erich Beting
Erich Beting

Há seis anos, o Barcelona colocou em prática um ambicioso plano de negócios. Campeão da Europa na temporada 2014/2015, tendo o trio Messi, Suaréz e Neymar encantando dentro de campo, o Barça decidiu se tornar o primeiro clube de futebol do mundo a ultrapassar a marca de € 1 bilhão de faturamento numa mesma temporada. A promessa foi feita assim que Josep Maria Bartomeu ganhou com relativa folga a eleição presidencial.

Bartomeu havia assumido o Barça um ano antes depois da renúncia de Sandro Rossell, acusado pela Justiça espanhola de desvio de dinheiro na negociação em que o clube contratou Neymar. Depois, também enrolado nas investigações sobre o jogador brasileiro, ele se demitiu do cargo para poder concorrer a um novo pleito, em que foi eleito presidente com relativa vantagem sobre Joan Laporta, máximo comandante do clube nos anos de ouro da segunda metade dos anos 2000.

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A promessa de Bartomeu, lá em 2015, parecia factível. O Barcelona havia voltado aos trilhos das vitórias dentro de campo e, fora dele, o dirigente começava a adotar um ambicioso plano comercial para ampliar o poder do Barça sobre as vendas de produtos oficiais, fechava negócios audaciosos apostando na revolução audiovisual e, assim, parecia óbvio que o primeiro bilhão de euros fatalmente seria conquistado - O Barcelona volta a campo em 17 de outubro, contra o Valencia, às 16h (horário de Brasília), pela nona rodada de LaLiga, e você assiste AO VIVO pela ESPN no Star+.

Adeus, Messi e as semelhanças com o São Paulo de Aidar e o Fla atual

Cinco anos depois, Bartomeu saiu pelas portas do fundo, renunciando para não ser demitido pela própria torcida depois de ver Neymar sair do clube na transação mais cara da história do futebol, Suárez ser dispensado e Messi forçar o jogo pedindo para deixar o único time que até então havia defendido.

A queda do dirigente fez Joan Laporta voltar ao cargo máximo do Barcelona. Ao assumir o clube, porém, o presidente percebeu que o conto de fadas de Bartomeu estava longe de um final feliz. Antes das receitas, o endividamento do clube se tornou bilionário. Pior ainda, com dívidas a serem pagas no curto prazo, o que tornaram o Barcelona praticamente insolvente. A gota d’água veio com a necessidade de se desfazer de Messi por não ter condições de arcar com os salários propostos ao jogador.

A derrocada do Barcelona, que em 2018 alcançou um faturamento de quase € 900 milhões, foi acentuada pela pandemia, mas ela serve de lição para todo e qualquer clube do futebol mundial. De nada adianta ver a receita crescer aceleradamente se, na mesma proporção, o clube fica endividado.

O Barcelona de hoje lembra muito o modelo de negócios que o São Paulo adotou na gestão Aidar. Empréstimos altos para pagar times caros, na esperança de que o sucesso esportivo trouxesse bonança financeira e, assim, a roda se autoalimentasse. É, mais ou menos, o que faz o Flamengo atualmente. Um time que tem ótima geração de receitas, mas que ainda recorre a empréstimo para quitar os vencimentos de curto prazo, à espera do recebimento do “dinheiro novo”.

A derrocada em cinco anos do Barcelona é a prova de que esse modelo de negócios é uma bomba-relógio. Ele depende necessariamente do resultado dentro de campo para seguir vitorioso. O problema é que não será todas as vezes que a bola vai entrar dentro do gol. E, assim, o bilionário pode virar o pobretão da vez. De que adianta faturar um bilhão se a receita não é suficiente para parar de vazar a torneira do desperdício de dinheiro?

O Barcelona é um excelente alerta para o futebol mundial. Não basta ganhar dinheiro, é preciso saber controlar como se vai gastá-lo.

Messi será jogador do Barça ao menos até 2021
Messi será jogador do Barça ao menos até 2021 Divulgação
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Flamengo não pode ser uma ilha dentro do futebol

Erich Beting
Erich Beting
Gabigol e Bruno Henrique: os goleadores do Flamengo
Gabigol e Bruno Henrique: os goleadores do Flamengo Alexandre Vidal / Flamengo

Já havia sido assim no caso da discussão de volta ao público nos estádios. O Flamengo saiu na frente, entrou com liminar, recorreu ao STJD e, no fim das contas, conseguiu forçar a barra para que as portas do Maracanã se abrissem na semifinal contra o Grêmio pela Copa do Brasil.

Agora, mais uma vez, o Fla se isolou do debate sobre o adiamento ou não dos jogos dos times com jogadores convocados para a seleção brasileira. Os atletas dos outros 19 times pediram para que o adiamento não ocorresse, já que isso adiaria as férias e, em 2022, a previsão é de um calendário ainda mais espremido com a Copa do Mundo em novembro.

Time mais estrelado do país na atualidade, o Flamengo naturalmente é quem mais sofre pela própria competência. Está na final da Libertadores, na semi da Copa do Brasil e disputa o topo do Brasileirão. Terá, até o fim do ano, uma maratona de jogos que já começa a cobrar o preço em lesões de atletas.

Mas o Flamengo não pode se isolar e achar que, sem diálogo, conseguirá sair vitorioso em tudo.

A lei do cada um por si que impera no futebol brasileiro há pelo menos uma década é grande responsável por levá-lo a um estágio rudimentar de desenvolvimento. Temos um calendário abusivo de jogos, recebemos menos dinheiro de direitos de mídia, patrocínio e bilheteria do que poderíamos exatamente por não unirmos os dirigentes para tentarem solucionar, em conjunto, os problemas estruturais que afligem nosso futebol.

O Brasil é um país em que o indivíduo sempre tenta se colocar à frente do coletivo. O futebol é apenas um reflexo do que vemos em muitos problemas da nossa sociedade.

Mas, quando o Flamengo rasga qualquer chance de diálogo e passa a adotar o individualismo em tudo o que pode ser feito para o bem do futebol, ficamos cada vez mais distantes de uma solução e agravamos, lentamente, os problemas que já nos assolam.

O Flamengo não pode ser uma ilha no futebol. Por mais que tenha tido competência para chegar ao estágio em que se encontra, ele em breve entenderá que esse isolamento só prejudica o próprio futebol. E, no fim das contas, ficará refém dos problemas que ele mesmo alimentou ao não querer dialogar.

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Flamengo não pode ser uma ilha dentro do futebol

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Flamengo e Palmeiras comprovam: a espanholização está por aqui!

Erich Beting
Erich Beting

Quando o Clube dos 13 foi aniquilado, em 2010, ouvi de muitos dirigentes e executivos de clubes que o fim da entidade representava, para eles, o recebimento da maior verba de contrato de TV da história. Um desses executivos, inclusive, chegou a questionar como poderia ser ruim sair de um contrato que rendia R$ 11 milhões ao ano para um que renderia R$ 28 milhões.

Na época, o único argumento que usava para tentar rebater era olhar não para o dinheiro que entrava para o clube, mas para o que estava indo para os outros. Quando o dinheiro era dividido entre os clubes via C13, a diferença entre o time que mais ganhava da TV para o que menos ganhava era de 33%. Naquele “melhor contrato da história”, a diferença passou a ser de 68%.

Um pouco depois, quando os valores dos contratos individuais dos clubes passaram a se tornar públicos, a torcida e os dirigentes começaram a perceber que o negócio era muito bom para uns e péssimo para outros. No cada um por si, a capacidade de negociar valores é bruscamente reduzida. Assim, ganha mais quem pode barganhar mais.

Palmeiras e Flamengo decidem a final da Conmebol Libertadores; quem vai ser campeão?

         
     

Em 2016, quando Esporte Interativo e Globo começaram a duelar pelos direitos de transmissão negociando individualmente com os clubes, essa máxima ficou ainda mais nítida. Flamengo e Palmeiras, então capitalizados e sem precisarem correr para fechar seus acordos, tiveram maior poder de barganha com as emissoras. Aproveitaram o duelo entre as concorrentes e, assim, inflaram os seus contratos de TV.

O resultado? Cinco anos depois, os dois times tomam conta do futebol no Brasil e, agora, na América do Sul. São os dois últimos campeões continentais e farão a final da CONMEBOL Libertadores em 2021. Desde 2016, ganharam quatro dos cinco Campeonatos Brasileiros disputados. Isso sem falar na Copa do Brasil.

Dez anos depois, quando falar em “espanholização” do futebol brasileiro parecia aberração, agora está claro de que ela chegou por aqui. Com gestões minimamente organizadas e fluxo de caixa funcionando, Flamengo e Palmeiras criaram uma hegemonia que será difícil de ser quebrada no curto prazo.

Afinal, ninguém tem tanta capacidade para gerar receita, atualmente, como esses dois clubes. Quanto tempo vai levar para os demais times perceberem que isso não é bom para o futebol?

Palmeiras e Flamengo decidem a final da Conmebol Libertadores; quem vai ser campeão?
Palmeiras e Flamengo decidem a final da Conmebol Libertadores; quem vai ser campeão? ESPN

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Por que não priorizar a mulher no esporte?

Erich Beting
Erich Beting

Pode parecer óbvio, mas essa pergunta raramente é feita em qualquer empresa na hora de investir no esporte: “qual o maior público em potencial que existe nesse patrocínio?”. Há alguns anos, essa pergunta circulou nos corredores da Nike. A gigante, que já era líder com folga no mercado de marcas esportivas, vinha olhando de que forma se tornar ainda maior e, de quebra, romper a barreira de US$ 50 bilhões em faturamento num ano.

A conclusão a que chegaram os altos executivos da empresa parecia óbvia: para vender mais, é preciso falar com o maior número de pessoas existentes. Mas será que a marca vinha fazendo isso? Foi então que a Nike percebeu que, desde os anos 70, ela se especializou em ser uma marca esportiva para atletas. Homens. E as mulheres, onde ficavam nessa história?

Os casos recentes de brigas internas por direito à manutenção do contrato de patrocínio em caso de gravidez da atleta, pela equiparação de valores a serem pagos para os grandes ícones globais e pelo apoio a funcionárias e atletas em casos sexistas levaram a empresa a questionar sua conduta.

Foi daí que surgiu a óbvia percepção. Num mundo em que a maioria das pessoas é mulher, por que uma marca conversa prioritariamente com o homem?

A guinada de comportamento da Nike na comunicação com o público começou aí. A marca passou a fazer roupa para gestantes, para atletas muçulmanas, olhar com mais atenção o patrocínio a modalidades femininas, a criar roupas específicas para as seleções de futebol, etc.

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Só nesta última semana, a Nike fez duas ações importantes para dar o devido valor às mulheres no esporte brasileiro. Lançou o uniforme número 3 da equipe feminina do Corinthians. E colocou as torcedoras para incentivarem o time masculino no lançamento de um novo uniforme.

O argumento usado pelo clube e pela empresa foi o de que 53% da torcida alvinegra é composto por mulheres. Por que continuamos a tratar o futebol como esporte para os homens?

A quebra de paradigma e de preconceito fazem parte do princípio de um trabalho para a mudança de percepção do que pode vir a ser o grande salto da indústria esportiva nos próximos anos. Incentivar a mulher a praticar e consumir esporte parece tão óbvio quanto dois mais dois serem quatro.

Mas o esporte, historicamente, sempre se posicionou como um ambiente hostil à mulher. Agora, para crescer e se tornar ainda mais relevante, a indústria precisa acordar. É hora de inserir a mulher no esporte e, mais do que isso, procurar colocá-la como protagonista.

Se não for por uma questão de respeito e igualdade, que seja pelo lado que muita gente ainda considera o principal: o dos negócios. Neste primeiro trimestre do ano fiscal, a Nike faturou US$ 12,2 bilhões, impulsionada, claro, pela Euro e pelos Jogos Olímpicos de Tóquio. Mas, do jeito que a coisa anda, a meta dos US$ 50 bilhões, finalmente, será batida. 

Camisa roxa do futebol feminino do Corinthians foi lançada pela Nike
Camisa roxa do futebol feminino do Corinthians foi lançada pela Nike Divulgação/Nike

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Paulistão mostra como é bom para o esporte ser dono do próprio produto

Erich Beting
Erich Beting
Paulistão muda de canais a partir da próxima temporada
Paulistão muda de canais a partir da próxima temporada Cesar Greco / Palmeiras

O Campeonato Paulista anunciou um novo parceiro de mídia para as próximas temporadas. O acerto da Federação Paulista de Futebol (FPF) com a Record mostra que a entidade percebeu a diferença que faz trazer para dentro de casa a produção e comercialização do seu principal campeonato.

Pela primeira vez na história, a FPF será responsável por produzir e distribuir a imagem dos jogos do Paulistão. Será a primeira edição do torneio que não dependerá de uma outra empresa de mídia para que as imagens sejam geradas.

Isso permite à FPF fazer o que bem entender com a venda dos direitos de transmissão do Paulista. Sem ficar “refém” de uma emissora para produzir os jogos, a entidade pode tirar mais dinheiro do parceiro de mídia e, ainda, espalhar em mais plataformas as transmissões.

Mas, no caso do Paulistão, possivelmente a receita do campeonato caia nos próximos anos com a adoção do novo modelo. Sem vender os jogos para uma única emissora, o torneio tem de sair atrás de mais gente para fechar a conta. A diferença, porém, é que por mais que se ganhe menos num primeiro momento, no longo prazo esse é o jeito mais certeiro de aumentar a fatia do bolo dos direitos de transmissão.

Pelo menos é assim que funciona no mercado americano desde os anos 1950 e foi assim que, na Europa, o esporte começou a faturar mais com a venda de direitos de mídia há 30 anos.

O Paulistão começa a mostrar que é essencial para a sobrevivência do esporte ser dono do próprio nariz. 

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Quando um patrocínio pode se tornar problema em vez de solução?

Erich Beting
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Uma das maiores dificuldades que existe no mercado é conseguir fechar um bom patrocínio, ainda mais quando é um que não apenas garante o pagamento de toda a conta, mas que permite investir ainda mais no produto.

O vôlei brasileiro conseguiu chegar ao topo do mundo ao encontrar um patrocinador assim. Em 1991, o Banco do Brasil entrou para um projeto de curto prazo, até os Jogos Olímpicos de Barcelona. O Brasil foi ouro no masculino e, a partir dali, o negócio engatou de tal forma que hoje, 30 anos depois, a parceria continua firme e forte.

A relação entre vôlei e BB tornou-se tão sólida e marcante que, de uns tempos para cá, o “fio” do patrocínio virou... As marcas do esporte e do banco se fundiram a tal ponto que o patrocínio de outras empresas ao esporte começou a minguar, justamente enquanto o Brasil empilhava títulos e era reconhecido como uma das grandes lideranças mundiais da modalidade.

Acabou que, com o passar do tempo, o que era para ser uma união ganha-ganha virou uma parceria predatória. O banco tendo de colocar cada vez mais dinheiro para “fechar a conta” da exposição, e a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) precisando inventar novas propriedades para justificar o valor a ser pago pelo BB.

Nesta semana, o vôlei conseguiu dar um importante passo para tentar reduzir essa dependência do banco. Foi anunciado o fim do veto à publicidade de marcas de outros bancos dentro das quadras na disputa das Superligas feminina e masculina. Pode parecer piada, mas o BB exercia tanto poder econômico dentro do vôlei que a concorrência foi proibida de ser associada à modalidade.

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A mudança pode ajudar os times de vôlei a crescerem. A permissão para que as marcas apareçam ajuda a justificar investimentos de empresas nas equipes, e isso dá mais alento para a modalidade.

Patrocínio bom é aquele que não toma conta sozinho do esporte. É o que permite à modalidade crescer e, depois, andar por pernas próprias. O trabalho para isso, porém, não depende apenas do patrocinador, mas do esporte. Os dirigentes precisam se preparar para o momento de saída do parceiro.

Esse foi o maior erro da CBV nos últimos 30 anos. Em vez de desenvolver uma relação saudável com o Banco do Brasil, criou uma de extrema dependência da verba do banco. O estrago se mostra agora, com o vôlei precisando recriar seu produto para voltar a atrair patrocinadores, mídia e público.

A boa notícia é que o vôlei acordou antes de cair mais no fundo do poço. A lição que fica? Patrocínio pode ser problema em vez de solução.

Superliga poderá ter mais marcas de bancos além do Banco do Brasil
Superliga poderá ter mais marcas de bancos além do Banco do Brasil Gaspar Nóbrega/Inovafoto/CBV

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Quando um patrocínio pode se tornar problema em vez de solução?

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Copa a cada dois anos pode ser salvação para o futebol

Erich Beting
Erich Beting

Gianni Infantino durante visita às obras no Catar para a Copa do Mundo de 2022
Gianni Infantino durante visita às obras no Catar para a Copa do Mundo de 2022 Fifa.com

POLÊMICA!!!

Confesso que sou absolutamente a favor da Copa do Mundo da FIFA ser disputada a cada dois anos! E a justificativa para isso é, acima de tudo, financeira. Mas que, se você não me cancelar até o final do texto, poderá ver que também servirá para alguns argumentos técnicos favoráveis à mudança.

O primeiro ponto a ser considerado quando debatemos uma Copa do Mundo bienal é o fato da redução do tempo entre uma e outra edição do torneio. O argumento de ser um espaço “muito curto” é, para mim, completamente sem lógica. Vivemos num mundo em constante aceleração. Isso tem levado a enormes transformações no nosso cotidiano. As empresas não fazem planos maiores do que para períodos trienais, o ciclo de vida dos produtos são cada vez menores, a velocidade da transformação é acelerada.

A epidemia do coronavírus virou pandemia em questão de menos de três meses, num claro exemplo de como tudo se transmite e se transforma rapidamente hoje em dia. Assim, esperar quatro anos por uma Copa do Mundo é algo completamente deslocado dos costumes atuais. Nada demora tanto assim.

Outro argumento ilógico é o da possível “encavalada” de Copa do Mundo e Olimpíada. Para resolver isso basta um telefonema entre os presidentes de ambas as entidades e coloca-se em prática um plano de transformar os dois eventos em atrações bienais. Imagine o que seria, para a mídia e para as marcas, ter Copa num ano e a Olimpíada no outro?

E é exatamente aí que reside, a meu ver, o ponto de debate para transformar os dois eventos em atrações bienais. A falta de atenção do consumidor tem atingido níveis elevados. O distanciamento físico provocado pela pandemia mostra que o fã de esporte está mais afastado dos eventos “corriqueiros”. Ele opta, cada vez mais, por ver aquilo que lhe seja realmente imperdível.

Copa e Olimpíada, como principais eventos de esporte do mundo, são atrações que fazem o torcedor parar e querer consumir. Elas não vão saturar o interesse do fã. Pelo contrário. Estimulariam ainda mais o gosto pelo esporte e poderiam potencializar o consumo maior por parte dos torcedores.

Para a FIFA, a transformação da Copa do Mundo num evento bienal poderia significar, também, a redução dos atritos com os clubes pela cessão de jogadores. Os atletas disputariam a Copa num ano e os torneios continentais, classificando para o Mundial, no outro. Assim, apenas por 45 dias no ano teríamos os jogadores tendo de se deslocar para defender suas seleções.

Isso também melhoraria a vida das confederações continentais. Imagine a força que passariam a ter Euro e Copa América se valessem as vagas para a Copa do Mundo? Ganhariam apelo comercial, teriam os melhores jogadores em campo e teriam maior interesse do público.

O calendário mundial do futebol é, hoje, um dos temas mais sensíveis para ser resolvido pelos dirigentes. As seleções têm diversos torneios inchados e desinteressantes para preencher o longo período de quatro anos entre as Copas do Mundo. Os clubes têm diversos compromissos assumidos em competições importantes e lucrativas, que são prejudicados pela cessão de atletas para as seleções.

Racionalizar o calendário e deixar menos torneios com maior potencial comercial ao longo do ano foram as transformações feitas pelas ligas americanas e pelo tênis nos últimos anos. Com isso, o esporte passou a receber ainda mais dinheiro da mídia, dos patrocinadores e dos fãs.

Por fim, ao forçar os jogadores a atuarem em seu melhor nível pelas seleções a cada dois anos, a excelência na formação do atleta seria estimulada. Além disso, com a Copa bienal, a receita destinada para as confederações seria cada vez maior. Isso poderia ajudar a desenvolver mais o futebol em regiões mais pobres ou com menor qualificação técnica, o que é uma das premissas da FIFA.

A Copa do Mundo a cada dois anos pode salvar o futebol mundial de entrar numa ebulição. As batalhas por Superliga Europeia, Datas-FIFA e Eliminatórias são sintomas de um trem que começa a querer descarrilar a mais de 300 km/h. 

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Copa a cada dois anos pode ser salvação para o futebol

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Lei do Mandante é aprovada; o risco Brasil começa agora

Erich Beting
Erich Beting
Direitos de transmissão têm nova legislação no Brasil
Direitos de transmissão têm nova legislação no Brasil Divulgação/CBF

Agora não tem mais volta. Depois de ser criada uma Medida Provisória às pressas em 2020 para tentar dar ao mandante o direito de vender para quem bem quiser a transmissão de suas partidas, o presidente Jair Bolsonaro finalmente conseguiu sancionar a lei que altera o texto da Lei Pelé e dá poder exclusivo ao time mandante de vender suas partidas para as empresas de mídia.

Vista como garantia de “independência” dos clubes, a nova legislação é, em teoria, interessante. Na prática, porém, ela pode representar o processo de começo de falência de clubes médios e a criação de um abismo ainda maior entre os times grandes e aqueles de menor porte.

Quando, em 2003, a Europa discutiu o monopólio na venda de direitos de mídia, o objetivo era impedir que apenas a BSkyB tivesse os direitos da Premier League na Inglaterra. O acordo foi alvo de investigação da Comunidade Europeia, com os clubes sendo acusados de formação de cartel, já que se uniram para negociar em bloco um acordo de exclusividade.

Após alguns meses de pesquisa, os europeus chegaram a duas conclusões: a primeira era de que a venda coletiva era o melhor caminho a ser adotado pelos clubes, já que isso dava a eles mais poder de barganha sobre as TVs, detentoras do poder econômico. A segunda era de que a legislação mais moderna que havia no mundo sobre o tema era a brasileira, já que ela obrigava que os direitos de mídia fossem divididos entre o clube mandante e o visitante, impedindo assim disparidades na arrecadação da TV, já que os dois clubes precisavam, necessariamente, conversar para chegar a um acordo comum.

Sim, isso foi há 18 anos.

Ao longo desse período, o Brasil foi caminhando exatamente na contramão daquilo que todas as grandes ligas esportivas mundiais vinham fazendo. Em 2011, aboliu o Clube dos 13, que era um projeto brasileiro de liga. O C13 tentava representar todos os clubes, mas não tinha poderes para isso. Quando houve debate sobre qual seria o tamanho do bolo a ser dividido, a cisão aconteceu.

Foi então que começamos a saga das negociações individuais. O bolo da TV, nesse tempo, até cresceu, mas a arrecadação ficou cada vez mais concentrada em menos clubes, ocasionando o início da disparidade de geração de receitas que, hoje, ajuda na disparidade técnica entre os times.

A desorientação do futebol brasileiro não é causada pela legislação que confere a mandante e visitante os mesmos direitos sobre a venda da transmissão de uma partida. Ela é fruto da desunião dos dirigentes e da falta de senso de coletividade naquilo que é o bem mais precioso de uma competição: seu produto.

A mudança na lei não deixa o Brasil mais “moderno” na questão dos direitos de mídia. Pelo contrário. Ela traz junto com ela um “risco Brasil” que pode levar à ponta do precipício muito clube de futebol. Ao legalizar o “cada um por si” que já vigora mesmo com uma legislação pouco favorável a isso, a tendência é de termos ainda mais disparidade e divergência nas negociações de contratos de mídia.

O torcedor ganha mais poder de escolha, sem dúvida. A chance de termos concentração de eventos e direitos num mesmo grupo de mídia reduz drasticamente também. Mas a que custo?

Na última década, Espanha e Itália tiveram de mudar a legislação para acabar com a venda individual de direitos. Mas, nesse meio tempo, Barcelona e Real Madrid levaram a marca da LaLiga para o buraco. Os torcedores dos dois times não se preocuparam com isso, mas toda a cadeia produtiva do futebol espanhol quase entrou em colapso. Na Itália, o mesmo aconteceu com a Juventus, que se distanciou tanto dos demais que a Serie A simplesmente desapareceu do mapa global da bola.

Agora, os portugueses já determinaram que voltarão a fazer venda conjunta de direitos a partir de 2027. É a única saída que os clubes encontraram para sobreviver em meio ao predomínio de Porto e Benfica, com o Sporting praticamente sendo aniquilado da disputa com os rivais.

O Brasil tenta fazer história indo na contramão do que fez todo o mundo do esporte. A lei do mandante não é o grito de independência dos clubes. A união em torno de uma mesma entidade seria muito mais eficiente e benéfica no médio prazo para o futebol. O basquete está aí como exemplo a ser seguido.  

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Lei do Mandante é aprovada; o risco Brasil começa agora

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O futebol brasileiro só tem uma certeza: não dá liga!

Erich Beting
Erich Beting
Rodolfo Landim, presidente do Flamengo
Rodolfo Landim, presidente do Flamengo Getty Images

O ano era 2001. A CBF vivia com a corda no pescoço, com duas CPIs no encalço de Ricardo Teixeira e companhia. Em campo, o Brasil corria risco de não se classificar para a Copa do Mundo de 2002. O mundo do futebol parecia que estavas prestes a desmoronar, pelo menos por aqui.

Depois de conseguir se livrar do peso das CPIs e ver o Brasil ser pentacampeão do mundo, Teixeira promoveu a maior transformação do futebol no país: Campeonato Brasileiro em pontos corridos, com apenas 20 clubes nas Séries A, B e C.

A decisão foi um “cala-boca” nos críticos do calendário bagunçado do país, mas conseguiu sepultar de vez o crescimento dos campeonatos regionais, que começavam a querer ganhar corpo com os sucessos comerciais da Copa do Nordeste e do Rio-São Paulo.

Ao fazer o Brasileirão em turno e returno sem finais, Teixeira também sufocou qualquer chance de os clubes se articularem para tomarem para si o controle do jogo na organização do Brasileiro. As federações ganharam sobrevida e, a partir daí, o futebol no Brasil foi “pacificado”.

Vinte anos depois, a CBF encontra-se, literalmente, sem comando. Além disso, as receitas do Brasileirão estão estagnadas e, pior ainda, em rota de decréscimo para o próximo ciclo de renovação do contrato de direitos de transmissão. Nesse cenário, os clubes pareciam que realmente haviam entendido que a rota mais eficiente para sair do buraco seria a união comercial para posterior divisão do bolo turbinado.

Mas a única certeza que temos no futebol brasileiro é que nunca dá liga...

A cisão provocada pela volta de público aos estádios, com o Flamengo de um lado, os demais 19 clubes do outro, mas cada um pendendo a querer fazer aquilo que for melhor para seus próprios umbigos, acaba de sepultar qualquer princípio de união que havia entre os times das Séries A e B do Brasileiro.

O tema, que inclusive foi o que motivou o início do racha dos clubes com a CBF, agora dissolve o projeto de liga de clubes.

Se os dirigentes não conseguem ter unidade na hora de discutir o retorno da torcida aos estádios, com cada um olhando para o próprio rombo com a receita dos planos de sócio-torcedor, sem se preocupar com um caminho único, como dá para acreditar que as mesmas cartolas vazias vão se comportar dignamente para debater geração e divisão das principais receitas do futebol, que são os direitos de mídia?

O futebol brasileiro está estagnado fora de campo não é de hoje. Portugal, que era o último reduto a não conseguir implementar a venda coletiva de direitos e melhor distribuição da verba entre os clubes, abandonará em breve o modelo “cada um por si”. Apenas o Brasil continua achando que é melhor ir cada um correndo de cada lado do que todos remando na mesma direção. A Liga, que seria um movimento para começar a mudar o cenário, nunca vai dar liga. A não ser que venha uma lei que obrigue todos a terem de negociar em conjunto os direitos. Foi assim que Espanha e Itália conseguiram “unir” seus clubes. 

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NFL dá aula de como manter a marca forte entre os jovens

Erich Beting
Erich Beting

Há alguns anos, a Major League Baseball (MLB) vem sofrendo com um grave problema. Queda de audiência na transmissão de seus jogos e um afastamento do público jovem. Primeira liga a investir no digital, antes mesmo dos anos 2000, a MLB ficou para trás no tempo e no espaço.

Recentemente, a NFL, liga de futebol americano, percebeu que poderia sofrer com o mesmo problema do beisebol. Novos esportes, novas concorrências do tempo livre das pessoas, regras praticamente “imutáveis” dentro de campo.

Como fazer para não ficar para trás e, daqui a um tempo, ver a tradição secular não segurar o público e o projeto de ser a grande liga esportiva dos EUA escapar por entre os dedos?

A semana de abertura da NFL se encerra nesta segunda-feira (13), com a partida entre Raiders e Ravens, a partir de 21h20, com transmissão pela ESPN no Star+. Saiba mais como assinar aqui.

No ano passado, a NFL fez um primeiro teste com o público. Transmitiu um jogo da temporada pelo canal Nickelodeon, com direito a gráficos de Bob Esponja e Seu Sirigueijo no meio do gramado durante a corrida dos jogadores em busca do touchdown.

Agora, a liga ampliou a parceria com a Nick. Terá um programa semanal no canal de TV e no streaming e, claro, repetirá o jogo da temporada regular com exclusividade no canal infantil. Por que isso? A ideia da NFL é clara. Ficar próxima da criança americana para que, aos poucos, ela cresça tendo a liga como referência de um conteúdo legal para assistir e acompanhar na fase adulta.

NFL: Stafford brilha, e Rams vencem Bears por 34 a 14; VEJA como foi!


         
     

É a típica história de levar seu produto até o público, sem esperar que ele esteja lá para consumi-lo independentemente do tipo de oferta que exista. O que a NFL faz hoje é uma aula para o futebol mundial.

Enquanto a FIFA discute a transformação da Copa do Mundo num evento bienal, e os clubes se estapeiam com as entidades para organizarem campeonatos só entre os maiores, a NFL dá a dica de como fazer para não perder torcedor.

A liga não mudou o produto, mas sua embalagem. Terá, para cativar o torcedor-mirim, um projeto totalmente novo e que fale, na linguagem dele, sobre o produto que ela oferece ao público. Por aqui, insistimos em falar de um único jeito sobre o futebol jogado com os pés.

A fórmula ainda funciona para a televisão, já foi um pouco modificada na internet, mas está longe de ser repensada pelos organizadores do evento. Mais do que uma Copa a cada dois anos, ou uma Superliga de clubes, o que precisamos é oferecer, de formas diferentes, o mesmo futebol de sempre.

O esporte, por si só, é encantador. Ele só precisa conversar na mesma língua do torcedor. A NFL dá uma aula de como manter a base de clientes jovens fortalecida, mesmo num cenário de tanta mudança. Será que o futebol está preparado para entender que é preciso mudar?

Draft 2020 da NFL
Draft 2020 da NFL Getty Images


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