Flamengo não pode ser uma ilha dentro do futebol

Erich Beting
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Gabigol e Bruno Henrique: os goleadores do Flamengo
Gabigol e Bruno Henrique: os goleadores do Flamengo Alexandre Vidal / Flamengo

Já havia sido assim no caso da discussão de volta ao público nos estádios. O Flamengo saiu na frente, entrou com liminar, recorreu ao STJD e, no fim das contas, conseguiu forçar a barra para que as portas do Maracanã se abrissem na semifinal contra o Grêmio pela Copa do Brasil.

Agora, mais uma vez, o Fla se isolou do debate sobre o adiamento ou não dos jogos dos times com jogadores convocados para a seleção brasileira. Os atletas dos outros 19 times pediram para que o adiamento não ocorresse, já que isso adiaria as férias e, em 2022, a previsão é de um calendário ainda mais espremido com a Copa do Mundo em novembro.

Time mais estrelado do país na atualidade, o Flamengo naturalmente é quem mais sofre pela própria competência. Está na final da Libertadores, na semi da Copa do Brasil e disputa o topo do Brasileirão. Terá, até o fim do ano, uma maratona de jogos que já começa a cobrar o preço em lesões de atletas.

Mas o Flamengo não pode se isolar e achar que, sem diálogo, conseguirá sair vitorioso em tudo.

A lei do cada um por si que impera no futebol brasileiro há pelo menos uma década é grande responsável por levá-lo a um estágio rudimentar de desenvolvimento. Temos um calendário abusivo de jogos, recebemos menos dinheiro de direitos de mídia, patrocínio e bilheteria do que poderíamos exatamente por não unirmos os dirigentes para tentarem solucionar, em conjunto, os problemas estruturais que afligem nosso futebol.

O Brasil é um país em que o indivíduo sempre tenta se colocar à frente do coletivo. O futebol é apenas um reflexo do que vemos em muitos problemas da nossa sociedade.

Mas, quando o Flamengo rasga qualquer chance de diálogo e passa a adotar o individualismo em tudo o que pode ser feito para o bem do futebol, ficamos cada vez mais distantes de uma solução e agravamos, lentamente, os problemas que já nos assolam.

O Flamengo não pode ser uma ilha no futebol. Por mais que tenha tido competência para chegar ao estágio em que se encontra, ele em breve entenderá que esse isolamento só prejudica o próprio futebol. E, no fim das contas, ficará refém dos problemas que ele mesmo alimentou ao não querer dialogar.

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Galo mostra o peso da “casa arrumada” para ganhar títulos

Erich Beting
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O Atlético Mineiro é o justíssimo campeão brasileiro de 2021. Ganhou com a bola nos pés e, mais além, mostrou algo que, há alguns anos, virou regra no futebol nacional. Para ser campeão nos pontos corridos, a casa precisa estar cada vez mais organizada.

O Galo conseguiu superar o trio Flamengo, Corinthians e Palmeiras, que desde 2015 dominava os títulos do Brasileirão. Foram dois títulos para cada um dos três times ao longo desse tempo. Mas a conquista só foi possível porque, fora de campo, o Atlético reorganizou a vida financeira e conseguiu o que parecia ser improvável: ter o caixa equilibrado para não se perder ao longo da competição, como aconteceu no campeonato passado com o São Paulo.

Brasileiro: Atlético-MG consegue virada histórica sobre o Bahia e é campeão após 50 anos; VEJA gols

         
     

O grande problema é que a conquista do Atlético só se deu por conta de uma intervenção no clube. Não fossem os quatro R’s assumirem o Galo e o conto de fadas seria fatalmente um pesadelo em 2021. Endividado, o Atlético precisou de um familiar que bancasse as contas do filho irresponsável que já havia gastado a mesada de um ano para a frente.

E o rápido sucesso alcançado pelo Galo de Hulk, Diego Costa e cia. dá a impressão de que, só assim, o futebol brasileiro conseguirá sair do buraco que ele próprio vem cavando há décadas de desmandos, gestões temerárias e outros absurdos operacionais.

Assim como Paulo Nobre salvou o Palmeiras do colapso em 2015 e o alçou para as glórias, o Atlético percorre o caminho do mecenato para se safar. O Flamengo talvez seja, atualmente, o único clube que conseguiu reorganizar a casa por conta própria. Mas, para isso, teve de colocar em “modo de espera” a competitividade esportiva por quase dez anos, abrindo mão de times competitivos para brilhar só agora.

O Atlético é o justíssimo campeão brasileiro de 2021. Mas sua vitória revela, também, a necessidade de se ter um clube minimamente organizado para poder ser campeão. O futebol brasileiro está cada vez menos imprevisível. Quem será o próximo milionário disposto a salvar seu time de coração?

Torcida do Galo tem motivos de sobra para comemorar
Torcida do Galo tem motivos de sobra para comemorar Bruno Sousa / Atlético

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WTA dá exemplo ao mundo ao boicotar falta de transparência da China

Erich Beting
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Campanha para encontrar Peng Shuai foi começo de revolta da WTA
Campanha para encontrar Peng Shuai foi começo de revolta da WTA Divulgação

A WTA deu um exemplo ao mundo do esporte ao mostrar que, entre um bom negócio ou a manutenção de um princípio ético, a entidade dá preferência à razão em detrimento do dinheiro. Nesta quarta-feira (1°), Steve Simon, o CEO da entidade que organiza o calendário feminino de tênis, anunciou que a WTA suspenderá a realização de qualquer torneio na China enquanto não houver garantida de liberdade para a tenista Peng Shuai.

Simon foi duro ao dizer que a WTA não pode concordar que uma mulher tenha tolhida sua liberdade de expressão e de poder denunciar que foi agredida sexualmente por um membro de alto escalão do governo chinês.

A decisão tomada pela WTA acontece na mesma semana em que a Fórmula 1 desembarca pela primeira vez na Arábia Saudita, país controlado por uma ditadura sanguinária. E pouco tempo depois de o Catar ser alvo de protestos de Lewis Hamilton e da seleção da Dinamarca de futebol, que jogará o Mundial de 2022 no país, mas abrirá espaço para publicidade humanitária em seu uniforme de treino.

Questionar países que não seguem protocolos básicos de direitos humanos é o mínimo que o esporte pode fazer ao aceitar levar seu evento para uma outra localidade. Agora, boicotar esses países por não verem neles lugares seguros para as pessoas morarem é um dever social para as entidades esportivas.

Fazer isso com o país que tem o maior número de eventos no calendário e sem titubear de qualquer forma faz a WTA alcançar um novo patamar na geopolítica do esporte. O que a entidade mundial do tênis feminino fez foi passar um excelente recado sobre responsabilidade social.

Dinheiro, sem dúvida, é importante. Mas o que a WTA fez agora foi poder terminar o dia com a certeza de que mais do que dinheiro, ela busca princípios éticos e responsáveis para conduzir a entidade.

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Marketing do Palmeiras não aproveita o tri da Libertadores

Erich Beting
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Soco de Pitana, muita música e mais: veja os bastidores da festa do Palmeiras após o título da Libertadores


O Palmeiras conseguiu um feito inédito no futebol sul-americano. No mesmo ano, o time conquistou por duas vezes a maior competição do continente. Num intervalo de 10 meses, por duas vezes a América é Verde, como foi o mote utilizado pelo clube para celebrar a conquista do último sábado (27) sobre o Flamengo.

Mas o que o marketing alviverde fez para o torcedor palmeirense celebrar essa conquista?

Nas redes sociais, desde que o Nestor Pitana colocou um fim à partida contra o Fla, os perfis oficiais do Palmeiras assumiram uma estratégia mais ousada de produção de conteúdo como nunca havia feito. Tirou sarro do Rubro-Negro, brincou com o "cheirinho", exaltou Deyverson e cia.

Ponto positivo para o clube, que finalmente construiu em seu perfil na rede social um personagem que é a voz do torcedor, não a da instituição esportiva que ele representa.

Jogadores do Palmeiras comemoram a conquista da Libertadores
Jogadores do Palmeiras comemoram a conquista da Libertadores EFE/Juan Ignacio Roncoroni

Depois disso, porém, quem mais ficou ativo nas redes e no relacionamento com o torcedor foi a Crefisa, patrocinadora do clube. Foi o perfil da financiadora de crédito quem transmitiu a chegada dos jogadores ao Brasil, foi ela quem também anunciou que haverá uma exposição da taça da Libertadores para o público.

E o torcedor, o que recebeu do clube? Mais conteúdo nas redes sociais...

Geralmente costumo dizer que marketing não é vender patrocínio. Quase sempre, no esporte, confundimos a função do departamento de marketing com a do departamento comercial. O bom marketing geralmente é visto como aquele que vende bastante patrocínio, não aquele que entrega mais ferramentas de relacionamento com o fã.

Atualmente, com as redes sociais ganhando todo o espaço da nossa atenção, o marketing agora está sendo confundido com a comunicação. O bom marketing não é só produzir bom conteúdo; ele precisa vender! Mas não patrocínio...

Felipe Melo posta vídeo 'dormindo' com taças da Libertadores, e torcida do Palmeiras vai à loucura; VEJA


O marketing do Palmeiras deu uma mostra de que o tricampeonato da Libertadores não foi aproveitado. O clube não ofereceu nenhum novo serviço ao seu torcedor, não fez qualquer comunicação de venda, não aproveitou a euforia da vitória para mostrar um produto novo, que o palmeirense estaria ávido para consumir. Ainda há tempo para recuperar. Mas boa parte da oportunidade já foi perdida...

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Marketing do Palmeiras não aproveita o tri da Libertadores

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Os heróis improváveis das finais e a força do futebol

Erich Beting
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Breno Lopes e Deyverson, os heróis das duas Libertadores ganhas pelo Palmeiras
Breno Lopes e Deyverson, os heróis das duas Libertadores ganhas pelo Palmeiras Agência Palmeiras

Breno Lopes e Deyverson abriram e encerraram o ano de 2021 do torcedor palmeirense como os improváveis heróis das conquistas da América em espaço mais curto de tempo da história. Os atacantes que deram os títulos para o Palmeiras das Libertadores de 2020 e 2021 mostram um pouco como o futebol talvez seja o mais imprevisível de todos os esportes.

Deyverson não vinha jogando no Palmeiras. Estava inscrito no time, tinha a camisa 9 na Libertadores, mas só entrava em campo quando o Verdão ia com os reservas para as partidas do Brasileiro. Mas acabou sendo colocado em campo para tentar a sorte na prorrogação no Centenário. E tirou, com sua raça, o gol do título e de sua redenção com a torcida.

O que será que existe de tão especial em finais que faz de jogadores pouco prováveis os heróis das conquistas? Foi assim com Mineiro e o São Paulo campeão do mundo de 2005. Adriano Gabiru com o Inter de 2006. Jogadores que não estavam na lista de favoritos, mas que fizeram a diferença.

A imprevisibilidade do futebol é uma das coisas mais emocionantes que existem. Entre todas as modalidades esportivas, talvez seja o futebol a que proporcione a maior chance de o improvável acontecer.

Um jogador cuja maior presença até então na Libertadores tinha sido invadir o campo antes do gol que valeu a vaga na final do torneio e, com esse gesto, quase ter eliminado o time, entra na prorrogação e faz o gol que vale a taça é uma história de volta por cima que só o futebol pode proporcionar.

E talvez seja exatamente pelos heróis improváveis que o futebol consiga ser o esporte de maior audiência do mundo. O que Deyverson conseguiu fazer em Montevidéu é a essência do futebol. Uma magia que não se explica, uma história que nem o mais lunático dos roteiristas teria coragem de escrever. É por isso que a bola fascina tanto. É por isso que o futebol consegue segurar o fôlego dos torcedores até depois do tempo normal de uma partida que já parece decidida. Nenhum outro esporte é capaz de ser tão imprevisível assim.  

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Flamengo precisa de paciência para não desmantelar a cada tropeço

Erich Beting
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O Flamengo não era favorito ao título da CONMEBOL Libertadores. Por mais que muitos da mídia apontassem um ligeiro favoritismo do Rubro Negro sobre o Palmeiras, o Mengão tinha diante dele um dos times mais duros de se enfrentar na competição continental.

Atual campeão e sem o peso de precisar do título, o Palmeiras foi cirúrgico e estratégico em Montevidéu. O Flamengo, ancorado no talento de sobra de Arrascaeta e Bruno Henrique e no faro de gol de Gabi, esperava reconquistar a América perdida um ano antes na bagunça da pandemia e do impacto da saída prematura de Jorge Jesus do comando do time.

Só que o Flamengo que dispensou Domenèc Torrent, moeu Rogério Ceni e agora tritura Renato Gaúcho precisa colocar uma coisa na cabeça. Não será todo ano que 2019 se repetirá. Os jogadores que chegaram não são iguais aos que saíram. Podem ter mais qualidade, mas precisam de ritmo para se organizar. Os que ainda ficaram no clube estão quase três anos mais velhos. E, claro, as mudanças constantes de treinadores deixam o cenário ainda mais bagunçado e imprevisível do que antes.

Até se encontrar muito além da conta com Abel Ferreira, o Palmeiras vivia a gangorra do Flamengo. Ia atrás de treinadores conforme a mídia levantava a bola, cobrava insistentemente atletas e comissões técnicas a cada resultado que não era o esperado. E, assim, a tão sonhada conquista da América ficava ainda mais distante.

É preciso, agora, olhar o copo meio cheio. O torcedor pode espernear, a mídia rotular, mas era hora de o dirigente fazer uma autoanálise e tentar ponderar o que faltou. Nenhum time. Repito. NENHUM TIME é obrigado a ser campeão todo ano de todas as competições. Se o Flamengo entrar sempre esperando sair do torneio que disputar vencedor, sairá sempre com uma crise após uma derrota.

Renato deixa o Flamengo com 72,8% de aproveitamento
Renato deixa o Flamengo com 72,8% de aproveitamento Alexandre Vidal / Flamengo

O futebol é mágico porque permite que o imprevisível aconteça. Permite que Deyverson, execrado por 110% da torcida do Palmeiras, consiga se redimir com um único lance de puro oportunismo na final da Libertadores. Permite que Michael, que vinha sendo o terror das defesas adversárias no último mês, errasse a mira do chute decisivo que teve quando o jogo ainda estava no tempo normal. Ou que as cabeçadas de Arão riscassem a trave e saíssem. Ou que Felipe Luís deixasse uma avenida na ala esquerda, justamente o lugar em que quase sempre dominou com segurança absoluta...

O Flamengo chegou, em três edições, a duas finais de Libertadores. É mais do que fez em outras 14 edições do torneio que participou. É preciso entender que você só conquista um campeonato se consegue se acostumar a disputar o título dele.

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O Palmeiras bicampeão da Libertadores é também o que caiu na semifinal em 2018, nas quartas em 2019 e que, desde 2016, tem disputado a competição. Da mesma forma que o Flamengo, o Verdão fez caça às bruxas de treinadores ao longo desse período, mas depois que se acertou com Abel Ferreira, o time usou a experiência das quedas anteriores para chegar ao topo.

O Flamengo precisa ter paciência. Disputar a Libertadores todo ano é o primeiro passo para poder conquistá-la com mais frequência. É isso o que a diretoria Rubro Negra deveria pensar. Do contrário, a tão sonhada reconquista da América significará, quase sempre, o descarrilamento do trem do Mengão dos trilhos da temporada. Em tempo. Renato Gaúcho não deveria nem ter sido contratado. Rogério Ceni talvez tivesse levado o time ao título. Mas o problema hoje do Flamengo está em quem comanda o clube, não em quem comanda o time. O modelo “all-in” de gestão cobra seu preço. E a conta pode vir em breve... Muito além do campo.

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As mil facetas de Maradona

Erich Beting
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Capa da série sobre os últimos dias de Maradona, no Spotify
Capa da série sobre os últimos dias de Maradona, no Spotify Divulgação

É impossível, para quem está na faixa dos 40 anos, não ter Diego Armando Maradona como um ídolo. Por mais insano e enigmático que tenha sido o eterno Diez argentino, é inegável que ele tenha deixado uma marca em todos nós, brasileiros. Por ter sido o primeiro craque pós-Pelé que possa ter sido comparado ao Rei. Por ter sido quem desentortou a defesa do Brasil para acabar com o sonho do tetra em 1990. Por ter sido o parceiro ideal de Carecone naquele inesquecível Napoli do final dos anos 80 nas manhãs da Band. Por ter sido tão genial e tão inconsequente dentro e fora de campo.

Nesta semana completa-se o primeiro aniversário da morte de Maradona. A efeméride está sendo usada pelo mercado para relembrar Diego. E, na era em que o streaming nos aproxima de produções mundiais ao alcance de uma tela de celular, nunca estivemos tão próximos do ídolo como agora.

A novidade da semana é o lançamento da série “Os últimos dias de Maradona”, uma narrativa feita pelo Spotify para relembrar, em áudio, o que foram não apenas os últimos dias dele, mas um pouco da história recente de Maradona treinador, da segunda divisão do México à Primeira da Argentina.

O blog teve acesso ao especial antes de seu lançamento. Dividido em seis episódios, ele acaba sendo uma forma de tentar entender o que aconteceu para Maradona morrer. Levanta suspeitas sobre o abandono a que o ídolo foi submetido em seus últimos dias, mostra o desenrolar da morte na Argentina e todo um material que gera até certo ponto tristeza em ver como um “Diós” pôde ter seus últimos dias dessa forma.

Mas, acima de tudo, “Os Últimos Dias de Maradona” traz histórias deliciosas que nos aproxima ainda mais do personagem Diego. Para os argentinos, muito provavelmente nada do que está ali traz grande novidade. O podcast seria como se nós, brasileiros, relembrássemos a história de Pelé. Quase tudo o que ele viveu já foi contado, assim como Diego já teve a vida toda revisitada em seu país natal.

Mas para nós, brasileiros, o podcast é uma forma de poder conhecer um pouco mais sobre o que Maradona conseguia despertar em quem ele se relacionava. Fica até mais fácil tentar compreender o porquê de ele ser esse personagem tão icônico também fora de campo.

Para os amantes de futebol e jornalistas que trabalham com esporte, o podcast é escuta obrigatória. Por trazer mais detalhes da trama, por aprofundar alguns temas interessantes e por mostrar como é a relação jornalista-fonte e a questão de como trabalhar a divulgação de uma informação preciosa.

Se, há quase um ano, questionávamos como seria o mundo sem Maradona, atualmente nos deliciamos com o lançamento de conteúdos diversos e inéditos sobre El Diez, nas mais variadas plataformas. É uma forma de relembrar o gênio, reverenciar o que ele fez com a bola nos pés e perceber como é difícil a relação do ser humano com a fama. Como fã incondicional de Don Diego, tenho me deliciado a cada novo lançamento sobre sua vida. Há sempre um novo e surpreendente Diego escondido atrás de cada história. Seja em texto, áudio ou vídeo. 

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Sul-Americana é sinal de alerta para estratégia da CONMEBOL

Erich Beting
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A final esvaziada da Copa Sul-Americana deve servir de alerta para a CONMEBOL. Sim, o jogo no Uruguai entre dois times brasileiros pouco populares em nada ajuda a levar torcida para o estádio. Mas, mais do que o fator circunstancial de quem eram os finalistas, o alerta que existe para o torneio é o fato de ele estar “escondido” da mídia.

Desde 2018, quando a CONMEBOL decidiu centralizar a venda de direitos de mídia e comerciais da Sul-Americana para uma agência, a FC Diez Media, que a entidade transferiu a responsabilidade de o negócio ser lucrativo para a empresa. E isso leva a um risco que a Sul-Americana deixou claro.

Competição de “segundo escalão”, por não ter os times da Libertadores, a “Sula” sofreu com um outro problema. No maior mercado que existe no continente e que justamente colocou os dois times finalistas do torneio, a competição ficou visível apenas para os assinantes do serviço de PPV da própria entidade.

Financeiramente, esse foi o melhor negócio para a FC Diez e para a Conmebol. Mas será que, para o futuro da competição, o melhor negócio realmente é esse?

Em 1984, quando o Comitê Olímpico Internacional (COI) revolucionou o mercado de marketing esportivo ao criar o programa TOP de patrocínio para os Jogos Olímpicos, uma premissa passou a ser adotada pelo COI. As Olimpíadas, no país anfitrião do evento, deveriam ser transmitidas gratuitamente. Na lógica do COI, não se poderia privar o público local de se engajar com o evento.

Athletico e Bragantino jogaram com estádio vazio no Uruguai
Athletico e Bragantino jogaram com estádio vazio no Uruguai Athletico Paranaense

Assim, o comitê conseguiu ampliar a visibilidade da competição e fazer com que houvesse maior retorno para patrocinadores e para o próprio COI. Quanto mais publicidade existe sobre o evento, mais interesse da mídia, do público e dos patrocinadores haverá.

O que a final da Sul-Americana 2021 mostra é exatamente o contrário desse conceito. Um torneio que ficou pouco visível para o público ao longo do ano acabou sendo “esquecido” pela torcida e pela mídia no momento de seu ápice.

Hoje, a Sul-Americana precisa se transformar em um produto para o torcedor querer consumir. Só vai conseguir fazer isso se ampliar ao máximo sua exposição em todo o continente. Uma final esvaziada é só mais um indício de que a Sula tem falhado no projeto de se solidificar como um torneio atrativo para todos.

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A melhor estratégia para uma competição, nem sempre, é fechar ao máximo o acesso a ela em troca de um melhor retorno financeiro de curto prazo com a mídia. Como o mercado brasileiro é responsável por quase 60% da receita – de mídia e marketing – das competições organizadas pela CONMEBOL, é hora de rever a estratégia de fechar sua segunda maior competição para o torcedor.

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O feitiço virou contra o feiticeiro no Catar

Erich Beting
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Em menos de uma semana, o Catar percebeu o preço que terá de pagar para abrigar alguns dos maiores eventos esportivos mundiais. Na quarta-feira (17), depois de a Dinamarca assegurar uma vaga na Copa do Mundo de 2022, a Federação Dinamarquesa de Futebol (DBU, na sigla original) anunciou que usará a camisa de treino da seleção nacional durante o torneio para destacar as questões de direitos humanos e que não participará de qualquer ação comercial relacionada ao  Mundial.

Nesta sexta-feira (19), foi a vez de o piloto inglês Lewis Hamilton, maior influenciador da Fórmula 1 na atualidade, ir à pista para o primeiro treino do estreante GP do Catar de F1 com um capacete tendo as cores do arco-íris pintadas. Na parte de trás do artefato, a frase “We Stand Together” (algo como "Estaremos Juntos”, em tradução livre), em uma clara alusão em defesa ao movimento LGBTQIA+.

Os dois casos reforçam uma realidade que deve vir a ser cada vez mais intensa nos próximos meses, quando o Catar entra no centro da mídia mundial por conta da realização de eventos esportivos internacionais.

É a típica história de o feitiço virar-se contra o feiticeiro.

Hamilton e outras estrelas mandam recados na despedida de Valentino Rossi da MotoGP; assista

O Catar tenta usar o esporte para limpar a barra de toda a sujeira escondida por trás de um país governado pela mesma família desde os anos 1800. País com péssimas condições de igualdade e liberdade para as pessoas, além de ignorar direitos trabalhistas e outras crenças, raças e gêneros, agora o país do Oriente Médio terá de encarar a pressão de ver os principais eventos esportivos trazerem um novo mundo a seus moradores.

Se a ideia era fazer o mundo conhecer o Catar a partir dos eventos, agora o caminho é o inverso. O Catar vai conhecer um mundo mais aberto, mais plural, mais respeitoso às diferenças a partir desses eventos. Hamilton, sempre ele, sintetizou bem o momento.

“Conforme as competições esportivas vão para esses locais, elas (competições) têm o dever de colocar em foco esses problemas. Esses lugares precisam de escrutínio. Direitos iguais são uma questão séria. Sei que esses países estão tentando melhorar nessas questões e que não pode mudar do dia para a noite”, afirmou o piloto.

No final das contas, o esporte pode ajudar a melhorar a vida das pessoas no Catar. Para isso, porém, temos de ser mais Hamiltons e dinamarqueses e soltar a voz contra as injustiças, não apenas boicotar a presença no evento. Do contrário, veremos apenas alguns eventos espetaculares acontecerem e nada mais depois deles.

Lewis Hamilton com o capacete nas cores do arco-íris no GP do Catar
Lewis Hamilton com o capacete nas cores do arco-íris no GP do Catar Reprodução/Twitter/Mercedes


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O caso Bruninho e Jaílson e a falta de cultura esportiva no Brasil

Erich Beting
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Jaílson durante jogo entre Palmeiras e Bahia, pelo Brasileirão
Jaílson durante jogo entre Palmeiras e Bahia, pelo Brasileirão Cesar Greco/Ag Palmeiras

Aos 9 anos de idade, Bruno, jogador das categorias de base do Santos, mas antes de tudo um torcedor santista, gravou um vídeo e postou em sua rede social para pedir desculpas a torcedores do Peixe. O motivo não foi um gol perdido ou algo que ele tenha feito como atleta do time sub-10 do Alvinegro.

O torcedor Bruno pediu e ganhou a camisa de Jaílson, goleiro reserva do Palmeiras, depois do clássico entre os dois times, no último domingo. Ao fazer isso, foi hostilizado por torcedores que estavam na Vila Belmiro e não se conformaram em ver uma criança pedindo a camisa do time rival a um jogador profissional.

A situação foi deplorável. Além de revelar algumas das enormes falhas que temos enquanto sociedade, ela escancara um problema genuinamente brasileiro. Não temos qualquer formação cultural esportiva.

Eu lembrei exatamente de uma situação que vivi quando tinha 9 anos de idade. O Corinthians havia sido campeão paulista de 1988. Na terça-feira, o poster com a ficha técnica de todos os jogadores do Timão chegava às bancas em São Paulo. Fui até lá comprar o pôster. Não para pendurar no meu quarto verde e branco. Mas para poder recortar as fichas e arquivar, fanático que eu era em conhecer os jogadores, saber peso e altura, quantos jogos e gols ele havia marcado, etc.

O jornaleiro, corintiano fanático, me entregou a revista com um sorriso e um brilho nos olhos e disse. "Aê, corintiano, toma aí". Ele ficou com cara de interrogação quando eu respondi. "Que corintiano nada! Eu sou palmeirense!". Ainda mais para um Palmeiras amargando uma fila de títulos que já tinha 12 anos, a minha atitude era completamente estranha.

Cheguei em casa, contei a história dando risada e meu pai não questionou a compra. Pelo contrário, entendeu que eu queria saber mais sobre futebol. E passou, mais uma vez, a me contar histórias do Santos de Pelé, do Flamengo campeão do mundo com Zico e, claro, do Palmeiras de Dudu e Ademir da Guia. Também comentamos sobre aquele cara que parecia ser um craque do Guarani, mas era meio gordinho, um tal de Neto.

Desde cedo fui incentivado, em casa, a gostar de consumir esporte. A conhecer atletas, a respeitar os grandes jogadores, a saber que o time de coração é muito importante, mas ver um grande time de futebol jogar, independentemente da cor da camisa, é de um prazer indescritível.

Naquela época essa era uma atitude relativamente normal. Lembro de conversar sobre futebol com os amigos, mas sem deixar de ter a zoação pelas derrotas. Dos anos 90 para cá, porém, começamos a criar uma cultura que incentiva a rivalidade. Tanto nas casas quanto, principalmente, na mídia. Incentivamos as pessoas a torcerem pelos times, não pelo esporte.

Existe uma parcela de gente que condena quem goste de assistir ao futebol europeu. Ou que tenha um time do coração que é da Europa. O que dirá, então, daquele que apenas curte futebol, independentemente da camisa que veste?

Pedir uma camisa de um time a um jogador profissional do time rival não significa "virar a casaca". Pelo contrário, mostra um respeito enorme pelo rival e, acima de tudo, uma paixão pelo futebol. O caso Bruninho e Jaílson evidencia essa característica pavorosa do brasileiro.

Não somos ensinados a ganhar cultura esportiva. Somos incentivados a torcer por um time e odiar tudo o que é feito pelos outros. Isso é o primeiro passo para a barbárie tomar conta de nossos estádios e nossas redes sociais quando temos de falar sobre esporte.

Futebol é uma arte. E precisamos aprender, desde pequenos, a conhecer e respeitar qualquer artista da bola. 

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Portugal começa a querer conquistar o Brasil fora de campo

Erich Beting
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Sucesso de Abel Ferreira no Palmeiras impulsiona Portugal a investir no Brasil
Sucesso de Abel Ferreira no Palmeiras impulsiona Portugal a investir no Brasil Cesar Greco / Palmeiras

Os sucessos recentes de Jorge Jesus e Abel Ferreira no futebol brasileiro fizeram acender a luz do mercado português para o potencial que existe de o país se tornar uma fonte de conhecimento e referência para nós brasileiros. E isso pode gerar, em breve, um interessante movimento de aproximação dos clubes de futebol da Terrinha para cá.

Um exemplo disso veio de uma parceria fechada pelo Porto, de Portugal, com a Uninter, faculdade especializada em ensino à distância. Com a chancela do clube português, diversos cursos on-line serão lançados tendo o profissional brasileiro como foco. 

O movimento que o Porto faz é o começo de uma descoberta do potencial do Brasil como fonte de aprendizado. Os portugueses ganharam, com seus treinadores, uma chancela que já tinham havia muitos anos, de excelentes gestores e de estudiosos do futebol como poucas nações no mundo. Esse status, que já tinha sido bastante aceito por diversos países na Europa, curiosamente não tinha atravessado o Atlântico e chegado até aqui.

Nos próximos meses, a tendência é de que ainda mais Portugal perceba o Brasil como uma fonte de renda para seus clubes e instituições. A facilidade da língua, a proximidade com os treinadores e o próprio sucesso dentro de campo dos portugueses podem ajudar a mudar o cenário do esporte brasileiro a partir do exemplo português. 

 Temos muito a aprender com os portugueses. Mais ainda fora de campo. 

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O aviso dado pelo lamentável ataque de fúria gremista

Erich Beting
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Sobrou até para a cabine do VAR a fúria gremista pela derrota para o Palmeiras, que coloca o clube, de forma definitiva, entre os quatro últimos do Campeonato Brasileiro. As lamentáveis cenas de invasão do gramado, depredação e selvageria são mais uma a povoar o triste histórico do futebol brasileiro, em que vamos para o campo incentivando a agressividade em vez de pensar em entretenimento.

Mas o aviso que a fúria gremista traz é maior do que o fato em si.

Torcedores do Grêmio invadem campo após derrota para o Palmeiras e vandalizam VAR; veja imagens da confusão


Não só no Brasil, mas em diversos países, o retorno de público aos eventos esportivos foi marcado por cenas de vandalismo. Até no basquete da NBA tivemos torcedores atirando copos e agredindo verbalmente atletas, coisas que não estamos acostumados a ver. Na Colômbia, um dos primeiros jogos com a presença de torcedor foi encerrado por uma briga generalizada de torcida dentro de campo.

O que parece acontecer é que o esporte serviu como válvula de escape de toda a frustração pelos meses de confinamento, perda de parentes e amigos, crise financeira e tudo o que cerca a pandemia. Ir ao evento esportivo virou o momento para jogar fora tudo o que está nos corroendo por dentro e temos tentado nos mantermos firmes para, de alguma forma, lidar com isso.

Vandalismo em Grêmio x Palmeiras
Vandalismo em Grêmio x Palmeiras Raul Pereira/AFP/Getty Images

Não dá para relativizar o que houve dentro da Arena do Grêmio, mas sem dúvida dá para ligar o sinal de alerta para os gestores de arenas em todo o Brasil. A fúria gremista é um aviso para o esporte nesse retorno de público no país.

Temos de tentar transformar o ambiente de um evento esportivo num local de confraternização. Do contrário, a Arena do Grêmio será o primeiro de muitos péssimos exemplos que teremos pela frente.

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O aviso dado pelo lamentável ataque de fúria gremista

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O metaverso pode ser o futuro do esporte?

Erich Beting
Erich Beting
Cristiano Ronaldo apresentou a ZujuGP no começo de outubro
Cristiano Ronaldo apresentou a ZujuGP no começo de outubro Divulgação

Nesta última semana, o debate sobre o “metaverso” ganhou ainda mais repercussão com o anúncio feito pelo Facebook de que, agora, a empresa apostará no ambiente virtual como um importante espaço de convivência entre as pessoas.

Duas semanas atrás, o craque português Cristiano Ronaldo já havia apresentado a ZujuGP, uma empresa que quer explorar, exatamente, o metaverso no ambiente do futebol. Com direito a um vídeo de CR7 vestido de samurai, o lançamento da plataforma teve como foco o mercado asiático, mas depois da explanação de Mark Zuckerberg, parece que a ZujuGP tem boas chances de conquistar o mundo.

Tentando simplificar o que parece complicado, a história do metaverso é, basicamente, a criação de ambientes digitais que podem servir de espaço para experiências das pessoas. Não vem a ser uma grande novidade, já que desde a pandemia temos investido cada vez mais nisso. Agora, porém, resolvemos criar um nome para esse movimento.

O que é extremamente curioso, no caso do esporte, é que o metaverso pode até existir, mas ele depende, necessariamente, do mundo real para poder ser bem-sucedido. O maior atrativo que existe hoje na plataforma de Cristiano Ronaldo é criar um game entre os usuários do ZujuGP que tenha, como maior prêmio, uma experiência ao lado do craque do Manchester United.

Na próxima semana, a agência Octagon promoverá o seu primeiro aperitivo de uma experiência de metaverso no futebol. O evento Futebol Experience terá uma série de debates sobre futebol, além de games e experiências. Tudo no ambiente virtual. Gratuito, o espaço espera atrair o maior número possível de pessoas que estejam ligadas ao futebol, seja como fãs ou trabalhadores.

Como chamariz para o evento, a agência criou uma competição para atrair público. Quem conseguir o maior número de inscritos para a Futebol Experience viverá uma experiência ao lado de Ronaldo Nazário em Madri. É a típica ação que gera enorme repercussão entre os fãs e profissionais do futebol. E, por sua vez, faz com que o projeto virtual ganhe audiência maciça.

No Brasil, a NBA transformou numa experiência 100% digital a NBA House. Eventos, brincadeiras e até mesmo loja foram para o ambiente on-line. Como resultado, mais de 200 mil cadastros foram feitos, gerando para a liga americana um enorme banco de dados sobre fãs do basquete no país.

O metaverso só será o futuro do esporte se for usado como complemento da experiência do mundo real. Até agora, pouquíssimas entidades, marcas e agências foram capazes de explorar essa capacidade de intercâmbio entre os dois mundos. Quem conseguir se antecipar e fazer esse movimento estará, sem dúvida, um passo mais próximo do fã.

Para isso, teremos de entender que o futuro não é digital, mas uma junção do real com o virtual, gerando ainda mais sentimento de pertencimento a quem é fã de um esporte, um artista ou um atleta. O metaverso não é o futuro do esporte, mas o caminho para mantê-lo sempre próximo do público.

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O metaverso pode ser o futuro do esporte?

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Flamengo x Atlético deveria ser um jogo para o Brasil inteiro assistir

Erich Beting
Erich Beting
No 1º turno, o Flamengo foi derrotado pelo Galo no Mineirão
No 1º turno, o Flamengo foi derrotado pelo Galo no Mineirão Alexandre Vidal/Flamengo

A noite deste sábado (30) poderia ver uma das maiores audiências do futebol brasileiro nos últimos tempos. Mas o jogo mais aguardado do Brasileirão até agora estará “escondido” do torcedor, restrito aos assinantes do Premiere, o serviço de pay-per-view que, há 20 anos, era visto como uma mina de ouro para gerar receita aos clubes e, atualmente, atrapalha o próprio crescimento do futebol em si.

Em 2001, o futebol brasileiro decidiu adotar um modelo parecido ao que a Inglaterra começava a fazer, de cobrar cada vez mais pelo acesso das pessoas ao campeonato local. Os ingleses viviam, naquela época, um dilema. Os clubes nunca tinham ganho tanto por um contrato de TV, mas o torcedor teria de fazer “sua parte” e pagar para ver a Premier League. Só a TV paga e o PPV transmitem, desde aquela época, o Campeonato Inglês para o país. Quem não pode pagar pela assinatura do cabo ou pelo pacote de jogos precisa se contentar em ver o jogo em VT ou nos bares, que pagam ainda mais pela assinatura de um pacote corporativo.

A lógica dos ingleses era de que isso forçaria o torcedor a querer ir para o estádio, e todo mundo ganharia mais dinheiro com o futebol sem gratuidade.

Parte desse conceito passou a ser implementado, bem ao estilo tupiniquim, no Brasil. Foi em 2001 que surgiu o PPV do Brasileirão, com jogos ainda mais fechados e restritos a quem era assinante das já limitadas operadoras de TV a cabo. Mas o nosso mercado tinha uma “válvula de escape”, que era a TV aberta mostrando quase 5 dos 10 jogos por rodada, já que a prioridade sempre foi da TV Globo em detrimento de Sportv e PPV. Os clubes, porém, aceitavam o modelo, já que eles eram sócios no PPV e tinham garantida uma alta receita pelo pacote de exclusividade na TV aberta e na fechada.

Há dois anos, porém, o modelo mudou. Em vez de privilegiar a TV aberta, a Globo, detendo a maior parte dos jogos para serem transmitidos do Brasileirão, decidiu forçar as pessoas a assinarem o Premiere. Com isso, passamos a ter cada vez menos os grandes jogos gratuitamente para o torcedor. Quer ver um clássico como esse Fla e Atlético? Só pagando...

O problema é que não somos a Inglaterra. Os clubes, aqui, não vivem a realidade da liga mais rica do futebol mundial. Os estádios, mesmo antes da pandemia, não estavam cheios. O mercado ainda vive muito da exposição na mídia para justificar o investimento em patrocínio.

E o que tem acontecido por aqui? Para forçar o torcedor a pagar o PPV, temos visto cada vez menos os grandes jogos na TV aberta. A lógica é fazer com que aumente a arrecadação dos clubes e da mídia com o produto futebol.

Só que temos um mercado preparado para isso?

Num cenário de pandemia e escalada absurda de preços do cotidiano, o bolso do torcedor está cada vez mais restrito. O futebol brasileiro não percebe, mas, ao fazer a busca pelo máximo de dinheiro possível no curto prazo, ele está diminuindo o tamanho de seu produto no médio prazo, o que significa ter menos dinheiro lá na frente.

Nunca a audiência do Brasileirão foi tão baixa na TV aberta. Se isso significasse que o número de assinantes do Premiere tivesse aumentado, o “sacrifício” da audiência da TV aberta se justificaria. O problema é que a realidade é outra.

Nunca o futebol brasileiro foi tão pouco consumido pelo torcedor em geral. Os efeitos práticos disso serão sentidos um pouco mais para a frente, quando o torcedor “comum” simplesmente não terá contato diário com o futebol brasileiro. Hoje, o Campeonato Brasileiro é um produto praticamente restrito para o fanático por futebol. Ele não extrapola o nicho, não vai conversar com quem é só um entusiasta do esporte, que não está disposto a pagar para consumir, mas que ajuda a dar volume e visibilidade para o futebol a ponto de fazer com que ele ganhe mais dinheiro em todas as pontas do negócio.

Flamengo x Atlético era o jogo para ser exibido em TV aberta, para todo o Brasil, num fim de tarde de domingo. Isso asseguraria índices maiores de audiência e daria, para o Campeonato Brasileiro como um todo, maior exposição.

O grande segredo das ligas americanas é fazer o PPV ser o produto exclusivo do “hard fan”, aquela pessoa que gosta tanto daquele esporte que faz questão de poder ver todos os jogos e todo o histórico daquela liga num canal fechado, em que ela paga mais para isso. O restante da competição está espalhado pelo maior número de canais possíveis, para dar maior audiência e fazer a liga crescer, ganhando dinheiro em todas as frentes possíveis. A estratégia que funcionou há 20 anos no Brasileirão, hoje, faz o campeonato se fechar apenas para o grande fã. O Brasil, para variar, faz o caminho inverso do restante do mundo do esporte. E, ao que tudo indica, não existe alguém com a visão necessária para inverter essa lógica.

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Flamengo x Atlético deveria ser um jogo para o Brasil inteiro assistir

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CBV tem a chance de fazer movimento que consagrou a NBA

Erich Beting
Erich Beting

O caso Maurício Souza colocou o vôlei brasileiro numa encruzilhada. Mais do que a punição ao gesto homofóbico do ex-jogador do Minas e da seleção brasileira, temos pela frente a possibilidade de usar o episódio para, de uma vez por todas, colocar a homofobia em pauta num caso de grande repercussão e, dessa forma, usar o esporte para promover uma boa transformação em nossa sociedade.

Quando o caso George Floyd reacendeu o debate sobre a violência policial contra os negros, em maio de 2020, nos Estados Unidos, a NBA tomou para si a bandeira de discutir mais a fundo a questão do racismo estrutural, da violência contra os negros e abraçou o movimento “Black Lives Matter”.

Tite fala sobre 'caso Maurício Souza' após convocação do Brasil: 'O preconceito não deve existir'         


     

O caso é um divisor de águas no mercado esportivo, a ponto de alçar a NBA a uma das marcas mais valiosas do esporte mundial, atrás apenas da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos. Por que o movimento da NBA foi tão importante? Ele fez com que o esporte passasse a ser visto como uma mola propulsora de transformações na sociedade. E, mais do que isso, fez com que a NBA começasse a ser vista como organismo ativo dentro de uma causa. Com alta visibilidade e enorme capacidade de mobilização da sociedade, a NBA entendeu que seu papel transcende as quadras.

A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) tem, com o caso Maurício, a oportunidade de repetir o vanguardismo da NBA no mercado esportivo brasileiro. Envolto nos últimos anos em escândalos de corrupção, má gestão e, para piorar, com o Brasil perdendo sua hegemonia dentro das quadras e areias, o vôlei pode fazer do amarguíssimo limão que foi espremido na nossa cara uma limonada.

Para além de apenas condenar um atleta, precisamos ir muito mais além no debate sobre homofobia, liberdade de expressão, diversidade, equidade de gênero, racismo e muitos outros temas cada vez mais sensíveis numa sociedade tão plural como a dos dias de hoje.

A CBV precisa abraçar a causa da diversidade e tem um caso concreto para fazê-lo. O esporte tem um enorme poder para gerar “pauta” no nosso cotidiano. E precisa ter a coragem de assumir uma posição. Até para mostrar que ter um lado de uma história não significa condenar e negar o outro, mas acolher e aceitar o diferente. A oportunidade bate à porta. A bola foi levantada com maestria pelo levantador. Será uma pena se, assim como acontece nas redes sociais, o bloqueio for a única saída...

Maurício Souza, demitido do Minas Tênis Clube por homofobia
Maurício Souza, demitido do Minas Tênis Clube por homofobia Divulgação/CBV

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CBV tem a chance de fazer movimento que consagrou a NBA

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Esquizofrenia precisa passar longe do Flamengo

Erich Beting
Erich Beting
Renato Gaúcho não pode sofrer qualquer fritura agora no Flamengo
Renato Gaúcho não pode sofrer qualquer fritura agora no Flamengo Alexandre Vidal / Flamengo

Calendário extenuante, convocações para as seleções, atletas lesionados, distanciamento para o líder Atlético-MG no Brasileirão, dificuldade à vista na semifinal da Copa do Brasil contra o Athletico Paranaense...

Tudo parece conspirar contra o Flamengo na reta final da temporada que já vem desde abril de 2020. Sim, não estamos errados. Há 18 meses que os jogadores estão praticamente sem descanso naquele que já era um dos mais cruéis calendários do futebol mundial.

É natural que o Flamengo não vá conseguir ser campeão dos três torneios que estão ainda em disputa, ainda mais sendo um deles um Brasileirão em pontos corridos e outros dois em eliminatórias, ainda mais em jogo único.

Mais natural ainda é que o time tenha oscilações depois de conseguir alcançar alguns objetivos. E, mais ainda, quando perde o seu grande jogador, lesionado após jogar pelo Uruguai pelas Eliminatórias da Copa do Mundo.

Logicamente não é bom perder um clássico, ainda mais por 3 a 1. Mas o maior erro que o Flamengo pode cometer agora é realizar uma “caça às bruxas” dentro do clube para tentar apontar o dedo atrás de culpados.

Brasileiro: Em noite inspirada de John Kennedy, Fluminense faz 3 a 1 no Flamengo; VEJA gols

O clube está entre os quatro primeiros do Brasileirão, na final da Libertadores e com excelentes chances de chegar à decisão da Copa do Brasil. Não há por que imaginar que a temporada seja um fiasco. O torcedor precisa entender que o ano de 2019 não é a regra, mas a exceção. Um time iluminado tecnicamente, forte taticamente e que não teve adversários à altura no Brasil.

Hoje, a concorrência está muito maior. Atlético-MG e Palmeiras são rivais consistentes nessa disputa pelos títulos, não será nenhum absurdo o Flamengo não conseguir derrotá-los. O que leva a tanta histeria após o clube praticamente ter de “jogar a toalha” e abrir mão de uma conquista?

Por parte do torcedor, a revolta não tem sentido, mas é até compreensível. O que não pode existir é um questionamento interno. Se houver, ele pode representar um problema bem maior.

Já ponderei por aqui algumas vezes que o Flamengo vive numa espécie de “all-in” financeiro. O clube, recentemente, pegou empréstimo e antecipou parte do dinheiro que ainda tem para receber da venda de Gerson para o Olympique. A antecipação é um “ajuste de fluxo de caixa”, como gostam de apregoar os defensores de tal medida. É, também, mostra de que o clube vive no risco. Se, por algum motivo, a fonte parar de brotar dinheiro, o Fla terá dificuldade em honrar seus compromissos.

Qualquer pessoa que já tenha sido dona de empresa algum dia na vida sabe o quanto ter o fluxo de caixa equilibrado é fundamental para a saudabilidade do negócio.

Por isso mesmo é preocupante que o Flamengo, mesmo com faturamento bilionário, tenha de recorrer à antecipação de receita para organizar o caixa. Isso ajuda a pressionar ainda mais o ambiente por resultados dentro de campo, e qualquer oscilação natural vira uma crise que pode ser incontrolável.

O Flamengo precisa de algumas coisas para melhorar. Uma delas não é, de forma alguma, uma crise para um time que está ainda na disputa das três principais competições do calendário.

A esquizofrenia que já começa a tomar conta de parte da torcida precisa passar longe do Flamengo...

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Esquizofrenia precisa passar longe do Flamengo

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Legado da pandemia pode ser ingresso menos caro para o torcedor

Erich Beting
Erich Beting
Mosaico da torcida do Palmeiras no Allianz Parque
Mosaico da torcida do Palmeiras no Allianz Parque Twitter

O Palmeiras e a WTorre fecharam um acordo para liberar um setor de ingressos em pé para jogos no Allianz Parque, ao custo de R$ 40 por pessoa. Ao mesmo tempo, o Grêmio reduziu em pelo menos 50% o valor cobrado pelos bilhetes em sua Arena no jogo contra o Juventude. Em relação à partida contra o Cuiabá, foram 11 mil torcedores a mais no estádio e quase R$ 500 mil a mais de faturamento bruto.

Os dois casos mostram, ainda que de forma tímida, aquele que pode ser um dos “legados” da pandemia e que, curiosamente, os gestores brasileiros não queriam enxergar.

O valor dos ingressos para os jogos de futebol no Brasil vinha sofrendo um aumento sistemático desde 2014, quando os novos estádios para a Copa do Mundo começaram a ser usados com mais regularidade. Com custos mais altos para a manutenção dos aparatos, os donos dos estádios cobraram cada vez mais dos torcedores para irem aos jogos.

O sucesso financeiro do Palmeiras no Allianz Parque, do Corinthians em Itaquera e do Flamengo no Maracanã pareciam mostrar que o único caminho para os clubes seria esse. Joga a conta no colo do torcedor, fatura como nunca com bilheteria e o cenário fica perfeito.

Na volta da pandemia, o apetite dos dirigentes parece ter ficado ainda maior. Precisando voltar a lucrar com a venda de bilhetes, os clubes levaram lá para o alto o valor dos ingressos, acreditando que o torcedor estaria ávido por frequentar os estádios após a reabertura dos portões.

O interesse em consumir o futebol ainda existe, e isso é latente. Mas a que custo?

O futebol precisa acordar para a realidade de o bolso cada vez mais vazio, ou, na melhor das hipóteses, mais apertado, do consumidor. Se quiserem ganhar mais com a venda de ingressos, os times precisam cobrar menos pelos ingressos. O Grêmio dá a primeira mostra de que há um caminho. O Palmeiras terá, mesmo que de forma tímida, uma primeira experiência para aproximar o futebol do torcedor menos “privilegiado”.

Se a moda finalmente pegar, o futebol brasileiro aprende que com mais gente pagando menos é possível ganhar mais dinheiro do que com pouca gente pagando muito. Até porque o evento não é tão especial assim para custar tão caro.

No final das contas, o legado da pandemia pode ser o ingresso menos caro para o torcedor. Não dá para dizer, também, que R$ 40 seja “barato”...

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Legado da pandemia pode ser ingresso menos caro para o torcedor

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FIFA assume o risco ao ir para “carreira solo” nos e-Sports

Erich Beting
Erich Beting

Logomarca da divisão de e-Sports da FIFA
Logomarca da divisão de e-Sports da FIFA Divulgação/FIFA

A bomba da última sexta-feira (15) foi a confirmação, por parte da FIFA, de que a entidade vai encerrar o acordo com a Eletronic Arts e, a partir de 2023, deverá desenvolver seu próprio game para abraçar o mercado de e-Sports. A ruptura do contrato de duas décadas com a divisão EA Sports faz parte de um audacioso plano da FIFA, de faturar cada vez mais com a divisão de jogos eletrônicos.

A ideia de ir para a carreira solo vem sendo gestada dentro da FIFA há dois anos e foi intensificada com a pandemia, quando os desenvolvedores de games faturaram como nunca, sendo o único ramo do segmento de entretenimento que não sofreu durante a pandemia. Mas o que significa, necessariamente, ir navegar num mar nunca antes tentado por qualquer entidade esportiva? Basicamente o que a FIFA quer é fazer algo parecido com desistir de vender para várias empresas de mídia a transmissão da Copa do Mundo e montar o próprio canal de TV.

No mercado de mídia, porém, isso é improvável, já que seria necessária uma estrutura enorme para dar conta de produzir imagens e transmissões com narração e comentários para tantos países.

Já no mercado de games, o sonho é mais “simples”. E a chance de a conta de ter uma divisão de games e e-Sports própria fechar é muito maior do que no universo dos direitos de transmissão.

Pelo comunicado que a FIFA divulgou, o primeiro passo está dado. A entidade negocia para um desenvolvedor montar o jogo. Provavelmente esse será o maior custo que ela terá com o projeto. Nesse caso, até mesmo a EA Sports pode entrar como parceira do negócio.

O que acontece daqui para a frente, porém, é o que pode ser o grande “pulo do gato” ou a “rota para o fracasso”. A FIFA precisa assumir uma posição que nenhuma entidade até hoje fez, que é virar uma produtora de jogos. O sucesso de Riot Games, EA Sports, 2K e outras do gênero é o que leva a entidade a acreditar que será mais vantajoso financeiramente para ela assumir essa gestão do que seguir vendendo os direitos a um desenvolvedor, que fica com todo o “bônus” que acompanha a chancela de ser “o dono do jogo”.

No contrato com a EA Sports, a FIFA não tem poder de fazer o que quiser com o jogo que leva o seu nome. Pode parecer estranho, mas é assim que funciona. A Eletronic Arts paga US$ 150 milhões ao ano para ter o direito de colocar o nome da FIFA no game, mas é dela toda a promoção, criação de campeonatos, etc.

Foi exatamente sobre isso que a FIFA quis ter poder. Mais do que o jogo em si, o que a entidade quer é unir o universo do e-Sports com o do esporte real. Fazer a Copa do Mundo presencial e virtual simultaneamente é um sonho muito capaz de acontecer em 2026, quando o Mundial será no Canadá, nos Estados Unidos e no México.

E é a possível união dos ambientes virtual e real que move a entidade para a carreira solo. A expectativa da FIFA é de que, dos atuais US$ 150 milhões que ela recebe com a divisão de esportes eletrônicos, a receita salte para cerca de US$ 1 bilhão, com eventos, venda de produtos licenciados e patrocínios.

O problema é que a entidade chega para o jogo num mar que já tem duas marcas consolidadas: EA Sports e Konami. Ambas já se movimentaram nos últimos meses.

A Konami anunciou a mudança do PES para o e-Football, game que passa a ser gratuito e que tem itens que passam a ser comprados pelos jogadores do mundo todo. É uma democratização do acesso a games de futebol como nunca aconteceu antes. Da mesma forma, a EA já registrou a marca EA Sports FC e tratou de renovar alguns contratos com franquias como UEFA e Serie A.

A briga promete ser boa. E, caso a FIFA seja bem-sucedida, abrirá um precedente para diversas outras entidades esportivas buscarem acordos semelhantes. A indústria de jogos eletrônicos esportivos pode estar prestes a vivenciar uma revolução. Ou a ver o naufrágio de um plano ambicioso.

Espaço para a FIFA ser bem-sucedida existe. Resta saber como o consumidor reagirá a esse movimento.

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Qual Rogério Ceni volta ao São Paulo?

Erich Beting
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Rogério Ceni terá uma dura missão no seu retorno ao São Paulo
Rogério Ceni terá uma dura missão no seu retorno ao São Paulo Alexandre Vidal / Flamengo

Rogério Ceni inicia, nesta quinta-feira (14), sua segunda passagem pelo São Paulo como treinador. Chamado às pressas após a saída de Hernan Crespo, resta saber qual Rogério Ceni se reencontrará com o Tricolor Paulista.

Ceni parecia, há quatro anos, o nome certo para recolocar o São Paulo no prumo. Provou, meio ano depois e com o time flertando com a zona de rebaixamento no Brasileirão, que ainda não estava preparado para tamanha responsabilidade. O peso do ídolo, a enorme expectativa do torcedor e da mídia e a falta de respaldo da diretoria em apoiá-lo minaram o primeiro trabalho de Ceni como treinador, e o sentimento que ficou era de que algum dia a oportunidade voltaria a aparecer.

Depois disso, a carreira de Rogério Ceni treinador é uma gangorra. O recomeço bem-sucedido no Fortaleza foi ofuscado pela aventura surreal com o Cruzeiro. A volta e a reconexão com o Fortaleza deixaram um novo sopro de esperança, mas a saída abrupta para ser campeão nacional com o Flamengo, porém fritado dentro de um grupo cheio de estrelas e ambições, recolocou o ponto de interrogação sobre o futuro do ex-goleiro como treinador.

Uma coisa é certa. Assim como foi quando era jogador, Rogério se move a conquistas. Seu desejo de ser campeão, de marcar a história de um clube e do próprio futebol a partir de um belo trabalho são louváveis.

Mas essa característica de Ceni é o que pode, hoje, ser o maior entrave em seu regresso ao São Paulo. Sem o respaldo da primeira passagem, com um time vivendo em constante ebulição dentro e fora de campo, o São Paulo precisa de um líder que não jogue, para cima dos jogadores, o peso de manter o clube no prumo.

Mais do que um treinador, o que o São Paulo precisa, agora, é de um gestor de equipe. Alguém que dê aos atletas o respaldo de que eles precisam para reagir, em campo, a tudo o que está bagunçado fora dele. E é essa capacidade de gerenciar atletas que será colocada à prova nesse instante, mais do que uma mudança tática ou técnica na maneira de o São Paulo jogar.

E, para mim, esse é o grande ponto de interrogação que acompanha a chegada de Rogério Ceni. O maior ídolo da história do São Paulo aceitará ver jogadores não conseguirem desempenhar tão bem suas funções, e o time ficar cada vez mais próximo do rebaixamento? Ele saberá lidar com o grupo para tirar desses atletas o melhor possível tendo em conta tudo o que o time já viveu neste 2021? Talvez Rogério Ceni seja pesado demais para o tamanho da responsabilidade que o São Paulo tem pela frente. Pode dar liga e o Tricolor ir para as cabeças a partir de agora. Mas o risco é enorme.

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Calote do Cruzeiro só se resolve com prisão aos dirigentes

Erich Beting
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Torcidas organizadas cobram jogadores, técnico e presidente do Cruzeiro
Torcidas organizadas cobram jogadores, técnico e presidente do Cruzeiro Reprodução - Twitter

Os jogadores do Cruzeiro acabaram de anunciar que estão em greve enquanto não for equacionado o pagamento de salários de funcionários do clube mineiro. Na carta justificando a paralisação, os atletas revelaram que ficaram até meio ano sem receber qualquer verba do clube em 2021.

O Cruzeiro quebrou. Isso todos já sabemos. E a solução para o clube passa por uma reestruturação financeira que obrigaria, em primeiro lugar, que os dirigentes celestes assumissem o problema. Não há dinheiro para bancar uma equipe na Série B do Campeonato Brasileiro.

A melhor alternativa para o Cruzeiro e muitos outros clubes brasileiros seria tentar jogar como desse a Segundona enquanto as dívidas fossem equacionadas, sanadas e deixassem o clube minimamente governável. O problema é que, quando apareceu como “Salvador da pátria” do clube, o presidente Sérgio Santos Rodrigues comprometeu-se a devolver o clube às glórias, e não ao rumo certo. E, naturalmente, ao se sentar na cadeira da presidência, o dirigente percebeu que tinha um desafio insolúvel pela frente. Ou melhor. Solução existe, mas ela não é nada popular e, muito menos, é garantia de sucesso esportivo.

O que fez o Cruzeiro, então? Quebrado, o clube negou seu novo status e passou a viver da esperança. De que o time daria certo dentro de campo, de que treinadores do passado reergueriam o clube, de que as coisas começariam a se acertar assim que a bola entrasse dentro do gol...

Mas o futebol, quando se trata de más gestões, costuma ser uma ciência exata. Sem dinheiro na conta, não há bola que entre no gol adversário. Tudo vira um espiral negativo, e a quebra é inevitável. A Série B é a primeira etapa da punição. E, no Brasil, paramos por aí, porque as leis são frouxas e permissivas aos maus dirigentes.

O futebol brasileiro é prodígio em criar situações bizarras que TODOS na cadeia esportiva aceitam. A imprensa cobra do Cruzeiro ser o grande de outrora, mesmo sem ter dinheiro para colocar uma carta nos Correios. Os jogadores e treinadores aceitam propostas de salários que são impagáveis, porque sabem que, um dia ou outro, essa verba cairá na conta. Os dirigentes não enfrentam com a dureza necessária a quebra e se tornam refém do resultado dentro de campo. E o torcedor, que não é o coitadinho dessa história, alimenta esse circo mesmo sabendo que em breve o clube será incontrolável.

Não tem como saber se o Cruzeiro estaria melhor se Luxemburgo tivesse chegado antes, comenta Mário Marra


O que o Cruzeiro vive hoje diversos outros clubes já viveram e vários outros viverão. Alguns foram perdendo a massa de torcedores e, hoje, estão restritos ao ultrafanáticos, que vivem do passado. A Portuguesa é um dos exemplos mais recentes dessa situação.

Se estivéssemos num país que levasse seu futebol a sério, sem fazer média nem política, o Cruzeiro já teria sido desfiliado da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), assim como muitos outros clubes que não têm condições financeiras de disputar as competições nacionais.

Mas a CBF faz vista grossa, a legislação existe, mas não é aplicada para punir os maus dirigentes, e seguimos nessa roda louca de achar que está tudo bem um empregador ter o funcionário por dez meses do ano, mas pagar por apenas quatro deles.

Enquanto não houver prisão para quem promete e não cumpre os contratos, viveremos esse circo de horrores no futebol do Brasil.

Seria ainda mais hilário se o presidente do Cruzeiro estivesse, no mesmo dia em que os jogadores anunciam a greve por falta de pagamento, dando palestra num evento em Lisboa para falar sobre a gestão moderna do futebol...

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A venda do Newcastle diz muito sobre a 'profissionalização' no futebol inglês

Erich Beting
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Torcedores do Newcastle festejam a venda do clube para o fundo saudita
Torcedores do Newcastle festejam a venda do clube para o fundo saudita Twitter/Newcastle United

O Newcastle finalmente foi vendido para o fundo de investimento saudita. Depois de 18 meses do veto da Premier League ao negócio, as regras do jogo mudaram e a negociação pode ser concluída. O que mudou nesse um ano e meio de história, porém, é uma síntese de como o futebol não conseguiu criar mecanismos para blindar o uso dele para fins políticos, da mesma forma que a grana é quem dita os rumos dos clubes e das ligas, muito mais do que uma pretensa profissionalização da indústria.

O que mudou em 18 meses para a Premier League aceitar o negócio não foi uma mudança no regime político da Arábia Saudita. O país ainda é uma ditadura e tem enormes restrições aos direitos das mulheres.

Mas, nas últimas semanas, a briga entre a Arábia Saudita e o Catar deu uma trégua. E o que isso tem a ver com a Premier League e a venda do Newcastle? Absolutamente tudo...

A Arábia Saudita tem investido milhões em esporte nos últimos anos, numa tentativa de melhorar a imagem do país globalmente. Desde que ficou provado o envolvimento do príncipe saudita Mohammed bin Salman no assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, em 2018, que os sauditas “abraçaram” o esporte. O rali Dakar, as supercopas da Itália e da Espanha e até a Fórmula 1 aceitaram abrigar eventos no país. Até esta semana, porém, a Premier League era uma das raras ligas que não aceitavam conversar com os sauditas.

O motivo para isso, porém, não era nenhum eventual dano de imagem para a liga mais rica do futebol no mundo. Os ingleses eram pressionados pela BeIn Sports, sua maior parceira comercial na região do Oriente Médio, a não aceitar os dólares sauditas.

Em 2017, a BeIn, que é do governo do Catar, iniciou uma ofensiva contra a Arábia Saudita, acusando o governo de incentivar que o sinal do canal fosse pirateado no seu território. Principal canal esportivo por assinatura em todo o Oriente Médio, a BeIn Sports acionou a Premier League e a FIFA, alegando que a Premier League e a Copa do Mundo de 2018 tinham sido exibidas gratuitamente na Arábia Saudita, ferindo o contrato que ela tinha adquirido com as entidades. Em retaliação, a BeIn passou a ser banida no território saudita.

O caso colocou mais lenha na disputa entre Catar e Arábia. E o futebol inglês foi alçado ao centro do debate. Tanto que, em abril de 2020, quando veio a proposta de compra do Newcastle pelo fundo saudita, a Premier League foi pressionada pela BeIn a não permitir o negócio. Do contrário, ela encerraria o contrato internacional mais vantajoso da liga inglesa.

No meio dessa briga por dinheiro, a Premier League adotou a solução mais fácil. Seguiu a “recomendação” de seu maior parceiro comercial e proibiu a venda, ficando com uma boa imagem perante a imprensa inglesa, contrária à aproximação com o governo saudita.

O desfecho da história nesta semana, porém, mostra que a liga não está preocupada com uma boa reputação. Um dia depois de a BeIn Sports ter a permissão do governo saudita para ser exibida no país, a Premier League aceitou a compra do Newcastle pelo fundo controlado pelos árabes.

O negócio acaba com qualquer discurso de profissionalização do futebol na Inglaterra. Na prática, o que a Premier League olha é o dinheiro, sem se preocupar se a imagem da liga é afetada com a decisão comercialmente mais vantajosa.

E o torcedor? A foto de fãs na porta da sede do clube usando trajes típicos dos sauditas é a prova de que o fanático não está da mesma forma preocupado com a origem das pessoas que serão as novas donas do clube. Curiosamente, há meio ano, o futebol inglês ganhava pontos ao vetar o movimento da Superliga de Clubes. A reputação ganha naquele momento, agora, parece ter acabado numa canetada.

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