Polêmica no gol do Palmeiras? O que diz a regra sobre Deyverson dentro de campo no lance que decidiu semifinal da Libertadores

Renata Ruel
Renata Ruel

Palmeiras e Atlético-MG ficaram no empate em 1 a 1 no jogo de volta da semifinal da Conmebol Libertadores. Graças ao gol marcado fora de casa, após o 0 a 0 no Allianz Parque, a equipe paulista se garantiu na final da competição.

O adversário sairá do vencedor entre Flamengo e Barcelona-EQU, nesta quarta-feira (29), a partir das 21h30 (horário de Brasília), no Equador. O duelo terá transmissão AO VIVO do FOX SPORTS e também pela ESPN no Star+. Ainda não é assinante? Saiba mais aqui

Entretanto, esse gol guardou um detalhe polêmico: os jogadores reservas do time alviverde faziam aquecimento na lateral de campo no momento em que Gabriel Verón toma à frente de Nathan. Deyverson, um dos substitutos, invade o campo de jogo, provavelmente sem perceber.... Mas infringindo as regras.

Deyverson invadiu o campo
Deyverson invadiu o campo Reprodução

Para mostrar qual infração foi cometida pelo atacante palmeirense, nada melhor do que o texto do livro de regras do futebol:

“Gol marcado com uma pessoa extra no campo de jogo

Se, depois de um gol ser marcado, o árbitro perceber, antes do reinício do jogo, que uma pessoa extra estava em campo quando o gol foi marcado:

- o árbitro deve anular o gol se a pessoa extra foi:

- um jogador, substituto, jogador substituído, jogador expulso ou oficial da equipe que marcou o gol; o jogo será reiniciado com um tiro livre direto da posição em que a pessoa extra estava.

Em todos os casos, o árbitro deve remover a pessoa extra do campo de jogo.

Veja o gol de Dudu que teve invasão de Deyverson!


Se, após um gol ser marcado e o jogo reiniciado, o árbitro perceber que uma pessoa extra estava em campo quando o gol foi marcado, o gol não pode ser anulado.

O árbitro deve relatar o incidente às autoridades competentes.”

Ou seja, a regra deixa claro que, nesse caso, o gol deveria ser anulado, mesmo sem interferência direta do invasor no jogo. A arbitragem em campo e o VAR não perceberam o fato e, como o jogo foi reiniciado, o gol deve ser mantido. 

Em campo realmente fica mais difícil identificar essa invasão, mas, com o VAR, fica complicado justificar a falha.

Isso pode ser considerado erro de direito e levar à anulação da partida? Pelo meu entendimento, não, pois a regra também deixa claro que, após o reinício da partida, o gol será mantido.

O jogador tem que tomar cuidado com essa ação. É trabalho do quarto árbitro monitorar os substitutos que estão aquecendo. A arbitragem tem que ver tudo, e o VAR precisa checar. 

Apesar da invasão não interferir diretamente no lance, ela acontece. E, pela regra, deveria ser punida.

Fonte: Renata Ruel

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Premier League também tem polêmica: faltou fair play ao Arsenal e bom senso da arbitragem e do VAR com o United

Renata Ruel
Renata Ruel

Premier League pode ser um exemplo de arbitragem para muitos, mas que as polêmicas também acontecem por lá, não há dúvidas. 

O Manchester United ganhou de 3 a 2 do Arsenal. Entretanto, o primeiro gol do Arsenal gerou uma grande polêmica. Escanteio cobrando, Fred pisa sem querer em seu goleiro, De Gea cai no chão, o árbitro não vê, Smith Rowe chuta de fora da área e a bola entra. 

Martin Atkinson, o árbitro do jogo, assim que percebe o De Gea caído e a bola entrando, apitando paralisando o jogo e não dando o gol. Mas o VAR, após análise, válida a jogada e desta forma saí o zero do placar.

Veja o lance:


A Regra 3 – Os Jogadores, traz logo no início de seu texto que: “As partidas são disputadas por duas equipes compostas por no máximo de 11 jogadores cada, um dos quais jogará como goleiro.” A Regra 4 traz que os goleiros precisam estar com uniformes distintos de todos os outros em campo. 

Muitas outras regras mostram particularidades da posição, por exemplo, a Regra 5 diz que caso o goleiro se lesione, não sairá de campo para atendimento. E ainda que o árbitro tomará decisões de acordo com as regras e o “espírito do jogo”. 

As regras trazem pontos para analisarmos o lance do primeiro gol do Arsenal. O goleiro é diferenciado, em alguns casos, em relação aos outros jogadores. É preciso ser identificado e uma equipe não pode ficar sem goleiro para que a partida tenha andamento. 

Desde a escola de árbitros, é comum escutar a orientação de que goleiro caído o jogo deve ser paralisado pelo árbitro, principalmente se o ataque estiver ocorrendo em seu lado. Isso é orientação, não regra. Entretanto, dentro da regra quando se analisa todas as particularidades do goleiro e ainda o “espírito do jogo” a ser considerado pelo árbitro é de bom senso paralisar o jogo conforme a orientação.

O Fair Play parte das equipes e jogadores, não da arbitragem. Não houve falta no lance, pois o pisão foi do próprio companheiro de equipe. Mas um goleiro estava no chão, o árbitro assim que percebeu apitou e invalidou o gol. O VAR interveio e deu o gol ao Arsenal.

Dentro de todo o contexto de regras, orientações, “espírito do jogo”, bom senso vejo como acertada a decisão do árbitro em campo em um primeiro momento e equivocada a intervenção do VAR. 

De Gea estava caído, sequer viu a bola, o sistema defensivo do Manchester United estava com o seu goleiro lesionado. Faltou Fair Play do Arsenal, faltou o entendimento do “espírito do jogo” e bom senso da arbitragem, que inclui o VAR, ao validar o gol.

A regra não traz todas as situações que possam ocorrer em uma partida, nem tudo está previsto. Como costumo dizer, a regra apresenta  “brechas” e em casos pitorescos como esse é necessário um rápido raciocínio, trazer à mente vários pontos das regras, lembrar das orientações e usar o “espírito do jogo" junto com o bom senso. 

Apitar uma partida é uma arte, que vai muito além do livro de regras.

Jogadores do Arsenal reclamam com o árbitro em partida contra o United
Jogadores do Arsenal reclamam com o árbitro em partida contra o United Stuart MacFarlane/Arsenal FC via Getty I
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Campos do Jordão Open de Futevôlei contará com celebridades do esporte

Renata Ruel
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5352989_WEB REDBULLFUTEVOLEI 091117 ESPN

É comum no final do ano ver jogos comemorativos entre amigos, alguns com ações de solidariedade onde famosos participam, entretanto isso não é mais exclusividade do futebol.

O futevôlei é um esporte que também atrai muitos jogadores de futebol, ex jogadores e celebridades e tem ganhado cada vez mais adeptos. No Rio de Janeiro praia é sinônimo de futevôlei, em São Paulo quadras de areias não param de abrir e a demanda por aulas e práticas desse esporte só aumentam.

Campeonatos, torneios de futevôlei aos finais de semana são constantes para todos os gostos, têm para iniciantes, profissionais, master, duplas masculinas, femininas e misto.

Um dos eventos que mostrará a força desse esporte será Campos do Jordão Open Futevôlei, nos dias 26, 27 e 28 de novembro. A cidade do interior paulista é conhecida como a "Suíça brasileira" pelas belas construções em estilo europeu.

A expectativa dos organizadores é levar para a cidade em torno de 5 mil turistas e, com grande apoio do craque Romário, mais de 300 atletas entre os quais estarão o Souza - passagens pelo São Paulo, PSG, Grêmio, Fluminense, Cruzeiro; Cristian Baroni - Flamengo,  Corinthians,  Fernebahçe; Geovane Loubo -  Santos e Arsenal; Jonas - Botafogo; Rodrigo Fabri – Real Madrid,  Atlético de Madrid, São Paulo, Grêmio, Flamengo, Santos Atlético Mineiro; Michel Bastos - Seleção Brasileira, Grêmio, Lyon,  Roma, São Paulo, Palmeiras; Marco Tisu – Santos; Thiago Camilo - Piloto Stock Car. E ainda os craques do Futevôlei Ovelha, Belinho,  Saldanha, Amaury, Gustavo Silva, Zanol, Rafinha.

A História do Futevôlei

O futevôlei nasceu no Rio de Janeiro, na década de 60. No auge da ditadura militar, o esporte surgiu como uma alternativa para contornar uma restrição à prática de algumas modalidades na orla carioca.

O futevôlei foi criado através da tentativa de burlar uma lei das praias cariocas. Em meados dos anos 60, a prática do futebol havia sido proibida nas praias do Rio de Janeiro. Qualquer esporte sem utilização de rede e um espaço seguramente delimitado, não tinha permissão para ser praticado naquele local.

Com isso a criatividade de alguns amantes da prática do futebol na areia, fez com que jogassem o seu futebol em uma quadra de vôlei de praia, esporte que era permitido. Aos poucos, a prática começou a ganhar mais adeptos, que incluía jogadores de peso do futebol brasileiro da época, como Dida e Vavá.

A princípio, a brincadeira consistia em utilizar os movimentos dos pés e da cabeça com a bola, o que se mantém até os dias de hoje, porém com a inclusão de adeptos a usarem movimentos de ombros e peitos. A quantidade de praticantes em cada time não era exatamente precisa: jogava-se em cinco pessoas, em duplas e até sozinho, em cada lado da quadra. Atualmente as regras são bem definidas na modalidade.

Na década de 1990, o futevôlei alcançou projeção mundial, sendo praticado em países como a Argentina, Uruguai, Tailândia, Inglaterra, França, Alemanha, Itália, Grécia, Holanda, Espanha, Áustria, entre outros.

No ano de 2002 foi fundada a Federação Internacional de Futevôlei – FIFV. Em 2003, o esporte foi oficializado pela FIFV, realizando o Primeiro Mundial em Atenas (Grécia), com a participação de 18 duplas dos seguintes países: Brasil, Polônia, Itália, Portugal, Canadá, Espanha, Noruega, Tailândia, Áustria, Alemanha, Holanda, Uruguai, Suíça e Grécia.

Os brasileiros Helinho e Magrão sagraram-se oficialmente os primeiros campeões mundiais de futevôlei. Em 2004 o Brasil sediou pela primeira vez o Campeonato Mundial de Futevôlei,  na cidade de Brasília-DF, e o título foi conquistado pela dupla Belo e Marcelinho (DF/AL) contra os paraguaios.

As Mulheres no Futevôlei

"Comecei a jogar Futevôlei em Maresias há 20 anos, ano  2001. Naquela época,  não tínhamos treinamento específicos, espaços para o mesmo, foi no amor e na raça", conta Dri Louro, uma das primeiras mulheres a praticar o futevôlei.

Hoje muitos lugares oferecem aulas para quem quer aprender a jogar a modalidade.

"Conseguíamos reunir umas 7 meninas, nos finais de semana e muitas vezes para jogar o misto. Tempos difíceis, pois não tinham muitas meninas eram poucas e tinham já milhares de homens que praticavam o esporte no mesmo local na praia, então as duas redes colocadas na praia eram para eles. As vezes ficávamos horas para jogar, mas não desistíamos nunca, até que conseguíamos entrar na quadra. Tínhamos  alguns aliados e alguns fiéis amigos, que jogavam com a gente e que nos apoiavam. Até que virou um hábito ver meninas nas quadras", completa Dri Louro.

Como no futebol, as mulheres também enfrentaram o preconceito, mas isso não foi empecilho para conquistarem o seu espaço e respeito. Atualmente há torneios exclusivos para mulheres.

Louro falou um pouquinho sobre isso: "O preconceito sempre existiu infelizmente e era muito mais difícil, pois éramos bem poucas mesmo, mas me lembro que quando estávamos em quadra , já tínhamos uma plateia para assistir, era muito bacana".

 

Fonte: Renata Ruel

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Por que árbitros no Brasileirão ganham muito menos que em Libertadores e Champions e veem Espanha no topo

Renata Ruel
Renata Ruel

Sabemos que em Brasileirão, Conmebol Libertadores Copa do Mundo não condizem com a realidade do futebol em sua grande maioria, seja em questão de salários de jogadores, treinadores, dirigentes ou arbitragem. Entretanto, aqui irei focar a elite da arbitragem de futebol.

Na Champions League, as taxas variam de acordo com a classificação dos árbitros dentro do quadro da Fifa. Segundo o site Sportekz, os valores para a temporada 2021/2022 são:

Elite: US$ 10.000 (R$ 55.670)
Elite Development: US$ 6.500 (R$ 36.190)
Primeira categoria: US$ 3.000 (R$ 16.700)
Segunda categoria: US$ 2.000 (R$ 11.130)
Terceira categoria: US$ 1.000 (R$ 5.567)

Unzelte critica árbitro por apito em golaço de Arana, mas nega influência: 'Precisava de um drone pra ir atrás dessa bola'

         
     


Os valores recebidos pelos assistentes variam entre US$ 350 (R$ 1948) a US$ 3.000 (R$ 16.700).

Na Libertadores, as taxas variam em função da fase do torneio e não existe uma classificação para os árbitros, como acontece na Uefa.

Fase preliminar e de grupos: US$ 2.550 (R$ 14.200)
Oitavas de final: US$ 3.700 (R$ 20.600)
Quartas de final: US$ 4.000 (R$ 22.270)
Semifinal: US$ 10.000 (R$ 55.670)
Final: US$ 20.000 (R$ 111.340)

Os valores dos assistentes começam com US$ 1.670 na fase preliminar e terminam com US$ 16.000 na final. O árbitro de vídeo (VAR) entra apenas a partir das oitavas de final com o valor de US$ 2.700 e numa final chega ao mesmo valor do assistente, US$ 16.000.

Na Europa, cada lugar tem uma maneira própria. É importante citar que na Inglaterra os árbitros recebem um valor fixo por mês, além de um valor por jogo. Já a Espanha é o país que melhor paga aos árbitros na Europa. Os valores a seguir são da elite da arbitragem europeia:

Inglaterra: £ 1.150 (R$ 8.820) + 'salário' 
Espanha: £ 5.200 (R$ 39.870)
Alemanha: £ 3.150 (R$ 24.150)
Itália: £ 3.000 (R$ 23.000)
França: £ 2.400 (R$ 18.400)
Portugal: £ 1.000 (R$ 7.670)

No Brasileirão Série A masculino, as taxas mudam em função da categoria do árbitro: 

Fifa/Master: R$ 5.252,00 por jogo
Básico: R$ 3.780,00 por jogo

VAR Fifa/Master: R$ 3.150,00 por jogo
Básico: R$ 2.100,00 por jogo

Os árbitros assistentes recebem 60% dos valores dos árbitros de sua categoria. As funções de quarto árbitro e AVAR também são remuneradas, porém as taxas são inferiores, variam de acordo com a competição.

A quantidade de jogos por mês é uma questão significativa, dificilmente a grande maioria dos árbitros chega ou ultrapassa 4 jogos em um mês no apito na Série A do Brasileirão masculino. A média costuma ser de 3 jogos por mês. 

E é muito relevante citar alguns pontos que envolvem a carreira de um árbitro brasileiro: dificilmente terá um trabalho fixo em função das demandas da arbitragem (viagens, aprimoramentos, cursos, testes, pré-temporada); personal trainer, local de treinamento, nutricionista, fisioterapeuta, fisiologista, psicólogo, convênio médico, equipamentos de trabalho (apito, bandeira, chuteira) são por conta do árbitro. 

Ele recebe a taxa do jogo e diária para despesas com hotel e alimentação. O transporte é cedido pela CBF (no caso da Série A). Os árbitro não têm férias, nem 13º salário; se reprovar em teste físico e/ou prova teórica, fica fora de escala até que refaça e seja aprovado.

Luiz Flávio de Oliveira analisa lance de São Paulo x Palmeiras no VAR
Luiz Flávio de Oliveira analisa lance de São Paulo x Palmeiras no VAR Jorge Bevilacqua/Código19/Gazeta Press
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Palmeiras x Flamengo: por que Pitana não é a melhor escolha para a final da Libertadores

Renata Ruel
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Nestor Pitana, sem estar em sua melhor fase, apita Final da Libertadores entre Palmeiras x Flamengo.

Sem dúvida que Nestor Pitana é um dos maiores árbitros do mundo, apitou a abertura a e final da Copa da Rússia em 2018 e possui um vasto currículo.

Porém, não está em sua melhor fase e tem se envolvido em algumas polêmicas. Uma das mais recentes foi na Copa América, no gol do Brasil contra a Colômbia, na qual levou uma bolada por estar mal posicionado.

Flamengo x Palmeiras: a rivalidade que promete uma final histórica de Libertadores

         
     

É um árbitro que atualmente apita mais com o nome do que com boas condições técnicas. Pode sim fazer uma excelente arbitragem na final, sem polêmicas, principalmente por ter VAR que acaba salvando alguns árbitros em campo.

Contudo, outros árbitros sul-americanos vivem melhores momentos na carreira, como o colombiano Wilmar Roldan e o argentino Fernando Rapallini, que apitou bons jogos na Eurocopa. Eles seriam nomes mais fortes tecnicamente para o momento.

Como sempre, é torcer para que a arbitragem passe despercebida. E que os times com seus jogadores sejam os protagonistas.

Néstor Pitana, árbitro argentino de Flamengo x Emelec pela Libertadores
Néstor Pitana, árbitro argentino de Flamengo x Emelec pela Libertadores Getty
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O polêmico gol de Mbappé que deu título à França: jogadores e treinadores discordam da regra

Renata Ruel
Renata Ruel

A França venceu a Espanha por 2 a 1 e se consagrou campeã da Liga das Nações da UEFA. O segundo gol vem dos pés de Mbappé, que estava em posição de impedimento no momento do passe de seu companheiro, porém como o jogador espanhol Eric Garcia tem uma ação deliberada e toca a bola, isso habilita o jogador francês e torna o lance legal, conforme as orientações que os árbitros recebem sobre ação deliberada no impedimento.

O jogador Eric Garcia se manifestou sobre o lance: “Tocam a bola e eu me jogo. Toco com o calcanhar nela e o Mbappé está impedido. O árbitro me disse que, como toquei com o calcanhar, eu tinha a intenção de jogar, e me disse que eu não deveria disputar (a jogada). Que essa é a regra. É uma jogada que é impedimento claro e onde um defensor nunca na vida pode pensar em não disputar.”

Quem acompanha o meu trabalho, principalmente no Sportscenter, já me viu falar que discordo de vários pontos da regra e de certas orientações, que parece que quem faz a regra não assiste, não entende de futebol. E nesse lance do gol para mim é exatamente isso que acontece.  A fala do Eric Garcia é exatamente o que penso e não é de hoje, finalmente um jogador se manifestou a respeito.

Eric García e Mbappé em Espanha x França
Eric García e Mbappé em Espanha x França Mike Hewitt/Getty Images


O jogo é para ser jogado, não para o jogador ficar estático.

O defensor, na maioria das vezes, ainda mais em lances ajustados, não sabe se o atacante está ou não em posição de impedimento. Desta forma, ele não vai ficar “engessado” no campo torcendo para que seja marcado impedimento. O defensor vai ter uma ação, vai tentar cortar essa bola, isso é o futebol, a dinâmica do jogo.

Entretanto, dentro das orientações/regra quando o jogador ataca uma bola, tem a ação de ir jogar com tempo e espaço, domínio do corpo e toca nessa bola, ele vai habilitar o jogador em posição de impedimento.

Nesse caso do gol do Mbappé, e não é o único, o toque do Eric Garcia muda a rotação, mas não a direção da bola, isto é, ela chegaria com ou sem o toque do defensor da mesma forma ao atacante. Onde a ação do defensor, que não pode jogar “engessado” no campo, interferiu claramente para habilitar um jogador em posição de impedimento, mudou a trajetória da bola? Não, não interferiu de forma alguma para habilitar um jogador em posição de impedimento na minha opinião, e sim, é só a minha opinião e visão de regras e futebol.

Assim, como antigamente a regra de mão na bola e bola na mão pareciam mais claras e justas, ocorre o mesmo no impedimento, que antes sequer cabia interpretação e atualmente ela sobra. Antes para habilitar um jogador em posição de impedimento, teria que ser um passe claro e intencional do defensor, não uma ação deliberada, ir jogar a bola como diz a regra hoje.

Os jogadores recebem muitas informações para serem processadas em segundos durante a partida, como se costuma dizer, o jogo é mais jogado com a cabeça do que com os pés e ainda tem a regra para complicar mais em alguns casos.



Como um técnico vai treinar a sua zaga para possíveis lances de impedimento, se corre o risco de uma ação de seu defensor habilitar claramente um atacante em posição?

“Concordo com sua posição e a do Eric Garcia. Na fração de segundo que ele (defensor) tem para decidir o que fazer, não tem certeza sobre a posição do atacante ser legal ou não. E penso que não podemos incentivar pela regra qualquer atitude do atleta que seja a negação ao jogo (parar de tentar disputar a jogada, por exemplo). É o oposto do que é a essência do jogo”, segundo Leandro Zago, treinador do Joinville e Licença A da CBF.

Em sua conta no Twitter, Pep Muñoz disse em relação ao gol de Mbappé e a regra do jogo: “Sempre pedimos aos jogadores que não parem até que acabe a jogada. A regra contradiz o espírito do jogo e do esporte.”

Como um defensor vai agir em campo em lances de ataques do adversário? Eles têm que se adaptar a esse tipo de regra ou a regra precisa entender de futebol e se adaptar ao jogo?

“Quem faz a regra não joga. Já pensou todos os jogadores deixarem de disputar a bola porque vai deixar o atacante impedido.? Existem vários tipos de situações durante o jogo e no vestiário os jogadores são sempre orientados a não desistir das jogadas, irem até o final. O árbitro agora tem que esperar a jogada se concluir em função do VAR, isso mostra como a partida é dinâmica e é contra a essência do jogo o atleta ficará parado”, opina Zé Elias, ex-jogador de futebol e comentarista nos Canais Esportivos da Disney.


É fundamental ter jogador, ex-jogador, treinador e, atualmente com essas orientações ‘loucas’, até mesmo um profissional especializado em Biomecânica do Esporte para direcionar sobre o que é natural ou não no futebol. Inclusive fazendo parte da equipe do VAR se for o caso, ter um ex-jogador. Quem entende de regra, nem sempre entende futebol e isso precisa mudar, pois se observa muitas marcações que não condiz com o jogo, sua essência e seu espírito.

 

Fonte: Renata Ruel

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O polêmico gol de Mbappé que deu título à França: jogadores e treinadores discordam da regra

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Chocados com violência, árbitros farão protesto em todos os jogos da 25ª rodada do Brasileirão e demais competições da CBF

Renata Ruel
Renata Ruel

A arbitragem brasileira fará protesto em todos os jogos da 25ª rodada do Campeonato Brasileiro e das demais competições organizadas pela CBF, em ação conjunta com o Sindicato dos Árbitros e a Federação Gaúcha. Tudo contra a violência aos árbitros após o triste episódio ocorrido esta semana no Rio Grande do Sul. Eles ficarão de joelhos e erguerão os braços mostrando os apitos. 

Quem não ficou chocado com o aterrorizante caso do árbitro Rodrigo Crivellaro? Ele foi covardemente agredido em jogo pela segunda divisão do Campeonato Gaúcho, saiu desacordado de campo, teve várias lesões e passará por cirurgia - reveja a agressão covarde no vídeo abaixo. 

Árbitro cai, é agredido com chute violento na cabeça e deixa o campo de ambulância na Série B do Gaúcho

Não é a primeira vez que um árbitro é agredido, mas que seja a última. O árbitro é um profissional, ser-humano, que tem família e está sujeito a errar. Imagina você no seu trabalho, em um escritório, trabalhando no seu computador, acaba cometendo um erro e começa a ser agredido. Muitas vezes o árbitro sequer errou e corre o risco de agressão. 

Nada nunca vai justificar a violência, temos que dar um basta nisso!

Nunca sofri a violência física nos gramados, mas fui ameaçada e por muito pouco não fui agredida uma vez por uma equipe de futebol feminino. Conheço muitos árbitros e árbitras que foram agredidos. Quantas vezes as portas de vestiários de arbitragem não são chutadas por dirigentes, jogadores e até torcedores? Arbitragem sair de estádio dentro de viatura ou escoltada pela polícia acontece de forma mais corriqueira do que muitos imaginam. Isso falando de futebol profissional, sem citar o amador.

Que todos se juntem aos árbitros neste protesto, que a empatia prevaleça, que o árbitro Rodrigo Crivellaro se recupere prontamente, receba toda a assistência necessária, inclusive o seguro previsto no Estatuto do Torcedor. E que o jogador agressor William Ribeiro receba a punição devida.

O protocolo de protesto sugerido aos árbitros, por Leonardo Gaciba, chefe da arbitragem nacional, com o apoio do presidente da CBF, é o seguinte:

1. Antes do minuto de silêncio os capitães serão avisados do protesto.

2. Logo após o minuto de silêncio centrais, quartos e quintos árbitros ficarão de joelhos. Assistentes fazem o mesmo com suas bandeiras e equipes de vídeo refletem na cabine a mesma ação.

3. Centrais lançarão em súmula o seguinte texto: “Durante o minuto de silêncio, em nome da paz no futebol, a equipe de arbitragem realizou protesto contra a agressão sofrida pelo árbitro Rodrigo Crivellaro.” 

Chega de violência. Mais respeito e empatia.

O árbitro Rodrigo Crivellaro deixou o hospital de cadeira de rodas e colar cervical após ser covardemente agredido
O árbitro Rodrigo Crivellaro deixou o hospital de cadeira de rodas e colar cervical após ser covardemente agredido William Oliveira/Guarani/Assessoria
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Chocados com violência, árbitros farão protesto em todos os jogos da 25ª rodada do Brasileirão e demais competições da CBF

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Regras do jogo versus orientações e 'espírito do jogo': polêmicas e problemas

Renata Ruel
Renata Ruel

Leis do Jogo, tradução ao ‘pé da letra’ do inglês para o português sobre as Regras do Jogo. A lei é para ser cumprida, mas nem sempre é clara e em alguns momentos deixa margens para distintas interpretações. E então entram as orientações dos instrutores de arbitragem.

No gol do Palmeiras contra o Atlético-MG pela Libertadores, a regra não é interpretativa, a Regra 3 no item 9 é um dos pontos que deixa claro o que a arbitragem deve fazer, sem margem para “achismos”.

Se perguntado em uma prova teórica a situação que ocorreu no gol do Palmeiras, com uma pessoa extra da equipe que marcou o gol em campo, os árbitros que conhecem a regra escolheriam, com certeza, a resposta que anularia o gol.

Invasão de Deyverson foi alvo de polêmica em Atlético-MG x Palmeiras na Libertadores
Invasão de Deyverson foi alvo de polêmica em Atlético-MG x Palmeiras na Libertadores Montagem ESPN Brasil


Mas de repente surgem orientações que não existiam ou se existiam pouquíssimos conheciam, seja no campo ou no VAR, e que contradiz o próprio texto da regra.

Aconteceu agora com uma orientação nova que ninguém sabia sobre o gol do Palmeiras, aconteceu na final da Copa América de 2019 no pênalti marcado contra o Brasil, de Thiago Silva, que era contrário à regra do jogo naquele momento. Orientações que aparecem depois de erros da arbitragem. Seria para ‘justificar’ o injustificável?

A regra é texto, a regra é lei, entretanto por não ser clara em vários pontos acabam sendo necessárias orientações. A questão é que as orientações nem sempre são uniformes, usam o mesmo critério, chegam a todos os árbitros e da mesma forma.

Veja o gol de Dudu que teve invasão de Deyverson!


Muitas vezes as orientações da FIFA brincam de ‘telefone sem fio’, chegam distorcidas ao ponto final. É possível ver como as orientações da Europa diferem das sul-americanas, nem sempre o que é pênalti aqui será infração para os europeus ou um lance para cartão. Nem sempre a orientação passada pela Conmebol é a mesma da CBF.

E o que dizer das orientações entre as federações brasileiras. Só para exemplificar, a Federação Paulista trouxe Jorge Larrionda, instrutor FIFA, para orientar os árbitros durante o Paulistão 2021, porém, os paulistas receberam orientações que os outros árbitros do Brasil não tiveram.

O que dizer dos árbitros do quadro da FIFA que recebem cursos exclusivos e na maioria das vezes não repassam as informações. Claro que há exceções, aqueles que fazem questão de repassar o conhecimento para os colegas, mas são poucos.

Ah, mas e o ‘espírito do jogo’ citado na regra? Sim, ele é mencionado. Mas o que você entende sobre ‘espírito de jogo'? Será que é o mesmo entendimento do outro? O árbitro precisa conhecer o futebol para entender esse espírito, mas quantos têm o mesmo entendimento?

E assim surgem as faltas de critérios, as ‘desculpas’ ou justificativas para erros cometidos principalmente em jogos importantes.

A regra é universal, as orientações e o espírito do jogo não. Se essas orientações diferem de lugar para lugar e nem sempre chegam à todos, como ficam os jogadores,  dirigentes, jornalistas e torcedores para realmente terem noção do que é coerente com a regra ou não?

O texto da regra do jogo deve prevalecer e alguns pontos devem deixar de serem apenas orientações e ‘espírito do jogo’ para se tornarem regras. Se o gol será anulado somente se a pessoa extra, da equipe que o marcou, interferir no jogo isso tem que ser texto/regra e não orientação que ninguém conhecia. Senão, cada vez mais o futebol apresentará falta de critérios e justificativas para erros.

Como eu sempre digo, não concordo com vários pontos das regras, mas ela existe e deve ser cumprida. Assim como parece que, muitas vezes, quem faz as regras e passa orientações não entende, não conhece e não estuda o futebol.

Fonte: Renata Ruel

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A diferença entre o VAR do futebol e o Suporte de Vídeo do futsal

Renata Ruel
Renata Ruel

O Árbitro Assistente de Vídeo do futebol (VAR), apesar de recente, se tornou realidade principalmente nos grandes campeonatos.

Entretanto, na Copa do Mundo de Futsal da FIFA de 2021, que está sendo realizada na Lituânia entre os dias 12 de setembro e 3 de outubro, o Suporte de Vídeo é uma grande novidade para a modalidade.

No futebol, quem está no VAR revisa os lances polêmicos como, por exemplo, pênalti e cartão vermelho. Caso encontre erro claro e óbvio sugere revisão ao árbitro. Ressalvas, críticas e sugestões não faltam para o uso da tecnologia em campo, há quem prefira que o técnico possa pedir o ‘desafio' quando o time discordar da decisão do árbitro, assim como funciona no vôlei, tênis e agora na Copa do Mundo de Futsal.

No futsal cada treinador tem direito a um pedido de revisão por tempo de jogo. Quando ocorre a solicitação, o árbitro principal e o árbitro auxiliar vão até o Suporte de Vídeo analisar o lance, se chegarem a conclusão que a equipe tem razão, retificam a decisão de quadra e o time tem mais um pedido de revisão para aquele tempo. Contudo, se a arbitragem mantém a decisão de quadra, a equipe não terá direito a outra solicitação naquele período.

E é claro que as polêmicas aconteceram na Copa do Mundo de Futsal, dois gols não foram validados, mesmo depois de revisões dos árbitros no Suporte de Vídeo, sendo que as imagens mostravam a bola ultrapassando totalmente as linhas.

As diferenças do VAR do Futebol para o Suporte de Vídeo são grandes, porém as polêmicas seguem em ambos. A tecnologia, quando bem utilizada e de qualidade, pode sim ajudar muito o esporte, ajustes são necessários e com o passar do tempo fica mais fácil identificar as melhorias a serem realizadas.

Árbitros checam marcação na Copa do Mundo de Futsal
Árbitros checam marcação na Copa do Mundo de Futsal Getty Images

Qual formato do uso da tecnologia você prefere: do futebol ou do futsal?

Lembrando que a Copa do Mundo de Futsal entrará agora na fase semifinal com o clássico Brasil x Argentina e também Portugal x Cazaquistão, onde as polêmicas podem aparecer junto com o Suporte de Vídeo.

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O que dizem as psicólogas de Palmeiras e Red Bull Bragantino sobre a saúde mental dos atletas

Renata Ruel
Renata Ruel

Hoje, 27 de agosto, é dia do psicólogo, uma profissão relevante no esporte atual. O pilar mental do atleta, a pressão psicológica, ou melhor, a saúde mental de atletas em uma competição tem vindo com manifestações públicas de celebridades do esporte.

Naomi Osaka, tenista responsável por acender a pira olímpica, abandonou Roland Garros depois de ter sido multada e ameaçada de expulsão por não falar com a imprensa – “Frequentemente sinto que pessoas não têm consideração pela saúde mental de atletas”, disse. Durante as Olimpíadas de Tóquio, a ginasta Simone Biles, de 24 anos, desistiu de disputar finais alegando que precisava cuidar da sua saúde mental.

Simone Biles e Katie Ledecky
Simone Biles e Katie Ledecky Getty

No futebol, vimos Gabriel Barbosa punido por chamar o futebol brasileiro de várzea, árbitro punido por dizer que os jogadores de Vasco e Vila Nova estavam acostumados com arbitragem de Série B, entre muitos outros exemplos que poderia citar.

Atuei durante 15 anos nos campos em função da arbitragem e hoje comento arbitragem nos Canais Esportivos da Disney, falo por experiência própria como a saúde mental é fundamental para o bom desempenho de um trabalho, a relevância de se trabalhar o pilar mental, ainda mais em tempos de redes sociais onde as críticas e pressões são mais visíveis e muitas vezes mais fortes, até mesmo agressivas algumas vezes.

Conversei com duas psicólogas esportivas, de forma exclusiva para este blog, que trabalham com alto rendimento: Dra. Gisele Silva, psicóloga da Sociedade Esportiva Palmeiras, mestre em Educação Física, Doutora em Psicologia, trabalhou nas categorias de base de futebol e agora atua com o profissional e, também, Dra. Marta Minopoli, psicóloga do Red Bull Bragantino e CBAt (Atletismo Brasileiro), especialista em Psicologia do Esporte.

Segundo a Dra. Marta Minopoli, a psicologia do esporte já faz parte da vida e da preparação de muitos atletas, iniciando na formação esportiva e chegando até o alto rendimento. Desde o ciclo olímpico do Rio 2016, muito psicólogos têm tido espaço para o trabalho junto às confederações, clubes e instituições esportivas, o que faz com que a área se fortaleça dentro desse cenário. No esporte, nossa atuação tem uma melhor abertura justamente por não conseguirmos isolar a performance física e tática da preparação mental.

Hoje, os atletas, treinadores e dirigentes sabem que essa preparação é fundamental e consequentemente fazem parte da rotina de trabalho dentro do ambiente esportivo. Temos cada vez mais evidências científicas que esse tipo trabalho faz muita diferença durante o processo de performar em alto nível. Um atleta tem que ter um equilíbrio entre a parte social, física, técnica, tática, e mental também faz parte dessa equação.

Conversei com a Dra. Gisele do Palmeiras sobre os atletas da categoria de base e com a Dra. Marta sobre a Psicologia no Esporte de maneira geral.

Renata Ruel: Muitos jovens desistem do futebol na adolescência? Em quais idades isso mais ocorre e qual o principal motivo?

Dra. Gisele Silva: Na minha experiência, eu observo que os atletas que desistem estão no meio da adolescência, perto dos 14 e 15 anos. É bem subjetivo o que contribui para essa desistência, mas o que percebo é um conjunto de fatores e um deles é a estrutura familiar, o atleta tende a se sacrificar mais aos desafios do esporte quando não tem uma situação afortunada, avantajada, mesmo com as dificuldades de distância, alimentação entre outras coisas a persistência é maior. Quando o atleta vem de família simples, que vislumbra a possibilidade de um futuro no futebol, ele reclama menos, eu percebo um esforço do atleta em se manter, é um atleta que se mantem mais conectado com os propósitos e adversidades que surgem no caminho. Já quando o atleta tem melhores estruturas familiares e financeiras, pensa mais facilmente em outras oportunidades, como estudar inglês, fazer intercâmbio, cursar universidade além do futebol para ganhar dinheiro, além da família não cobrar tanto. De um lado temos o atleta que tem pouca estrutura e a família deposita todas as expectativas em cima dele e “põe uma pressão” indireta ou direta, dependendo da família, para que ele se mantenha firme no futebol, pois pode mudar a possibilidade de gerações. Já o jogador com melhor condição financeira, se achar que foi injustiçado pelo treinador, que o alojamento não é adequado, ele pondera sabendo que a vida dele não termina ali, tendo outras possibilidades.

Outro ponto relevante é a fase de desenvolvimento humano que os atletas da base se encontram e que envolve situações específicas:  desenvolvimento biológico, a puberdade, a definição da personalidade, orientação sexual e de carreira. O adolescente tende, nesta fase, a se desligar mais da família e se ligar mais nos amigos, isto conta para a decisão da permanência no esporte e os desafios do alto rendimento. Enquanto os amigos saem, viagem, comem fast food, ele tem que se privar disso e outras coisas para alcançar suas metas. Quando o atleta quer fazer tudo isso com os amigos, o que faz parte da adolescência, porém tem uma família que depende dele, ele se segura um pouco mais, reclama menos, sai quando pode e se adapta melhor às condições do alto rendimento. Quando ele tem uma vida que favorece ir a uma matinê, viajar, estudar numa boa escola particular, tende a se questionar ‘para que continuar em um ambiente que estou sofrendo?’, pois há um mar de possibilidades pela frente. São vários pontos levados em consideração para desistir ou seguir no esporte. As experiências e demandas que eu tive foram em cima disso, ‘ah, não posso sair, não posso viajar, jogar vídeo game até de madrugada, meu pai não me deixa fazer isso, o treinador não me aproveita, etc.’

É onde a gente abre para a questão do sofrimento e doenças emocionais: depressão, pânico, ansiedade que podem se desenvolver.

 

Como os atletas da base lidam com a pressão e redes sociais? E como trabalhar isso?

Dra. Gisele: A rede de apoio como chamamos, família e amigos, influencia muito nessa idade como citado anteriormente. A rede social também, se o atleta não souber separar o ‘joio do trigo’, acaba dando muita atenção sobre o que pensam sobre ele. E o esporte é justamente isso: “O que as pessoas pensam sobre mim?”

Têm atletas que pela falta de maturidade consideram tudo que falam dele. Desta forma se falam ‘você é incrível maravilhoso’ ele entra em um processo de estabilidade mental. Contudo, se ele faz um jogo não tão bom e a torcida se posiciona contra, é agressiva, pejorativa, como ele considera tudo, toma como parâmetro esse público, ele entra em um sofrimento emocional importante, então ele está sempre vulnerável a opiniões de terceiros, externas. Nesses casos, tanto de rede de apoio quanto redes sociais, a gente trabalha o autoconhecimento, para que ele se autoconheça para que ele saiba pontos que podem trazer prejuízos a ele. Por exemplo, essas opiniões, quem são essas pessoas, de quem ele está pegando opiniões sobre ele, o que ele sabe de si próprio, quais são as virtudes, as fragilidades, para que ele à medida que receber feedbacks de pessoas externas tenha a capacidade de filtrar as informações, seja da rede de apoio ou mídias sociais. O trabalho se desenvolve para que o atleta saiba filtrar relações tóxicas, para que ele se preserve, por exemplo, dependendo do que ele colocar na rede social a carreira pode ser manchada, ser colocada em risco. Até os 17 anos o atleta não tem real noção cognitivamente das consequências que seus atos podem causar, então trabalhamos muito em cima disso também.

Agora falando sobre a Psicologia do Esporte de forma geral com a Dra. Marta:

 

Vemos atletas falando mais abertamente sobre a saúde mental. A pandemia tem influência nessas manifestações?

Dra. Marta: Sim, falar sobre saúde mental em tempos de pandemia é tão natural quanto falar sobre nosso cotidiano. A pandemia nos fez desacelerar e consequentemente passar a valorizar questões mais internas e pessoais, e os atletas entendem que falar sobre emoções não é mais tabu. O autoconhecimento é o início do processo que poderá levar a uma melhor performance e a psicologia auxilia todo este processo.

As mídias sociais podem ser relevantes ou até mesmo um problema a mais para os atletas, seja em função da pressão, agressividade, apoio do público em geral ou em relação ao próprio atleta se preocupar com publicações e marketing?

Dra. Marta: Com certeza. Nós buscamos identificar qual a relação que os atletas têm com as redes sociais e se a influência é positiva ou negativa. Em fase competitiva, o foco do atleta deve ser a performance e dividir a atenção com publicações de conteúdo pode atrapalhar sim toda a dinâmica de trabalho, justamente por não termos controle sobre o que pode acontecer com essas divulgações.

Como trabalhar a saúde mental dos atletas e dos árbitros também para competições de alto rendimento?

Dra. Marta: O trabalho da psicologia do esporte é baseado em toda uma periodização mental que é trabalhada de maneira individualizada, respeitando as características da personalidade dos atletas e árbitros. O objetivo, antes da performance, é entender o ambiente no qual estas pessoas estão inseridas, conhecer seus objetivos e metas e trabalhar para proporcionar melhor autoconhecimento, e consequentemente a melhora do bem-estar, da qualidade de vida e da saúde mental.

Até que ponto a saúde mental do atleta interfere no resultado final do seu desempenho?

Dra. Marta: O ambiente do alto rendimento é de grande cobrança, onde a pressão por resultados acompanha os atletas diariamente, e sem uma adequada estrutura emocional esses resultados e objetivos podem ser comprometidos. Por isso é tão importante contar com este profissional na equipe multidisciplinar.

Um atleta, durante uma disputa, um jogo, competição, acaba oscilando. Isso está diretamente ligado ao psicológico?

Dra. Marta: Existem diferentes razões que interferem na oscilação de performance, e uma delas pode ser a mental.  Cada caso tem que ser avaliado individualmente para chegarmos a alguma resposta. Infelizmente, tudo o que é subjetivo e não tem uma resposta técnica ou física imediata pode ser transferido para uma "questão psicológica", por isso temos que ter atenção com algumas análises sem termos as informações concretas sobre aquela questão.

 

Aproveito para parabenizar a todos os psicólogos pelo seu dia e pelo trabalho que desenvolvem.

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Linha do VAR em Palmeiras x Cuiabá mostra como ferramenta não é precisa

Renata Ruel
Renata Ruel

Desde o começo do uso do VAR (árbitro de vídeo), defendo o seu uso, porém, eu sempre disse que há falhas, inclusive da linha de impedimento que muitos diziam ser exata. Não vou entrar hoje no mérito de lances de pênaltis, cartões, falta de critérios. Agora é hora de falar exclusivamente da linha de impedimento do VAR.

O Palmeiras teve um gol do Zé Rafael anulado por impedimento do Dudu, no início da jogada, no jogo contra o Cuiabá neste domingo (22). E a grande questão do lance foi a imagem das linhas traçadas pelo VAR, que parece equivocada, onde foram colocadas na parte dos jogadores de ataque e defesa para se considerar o impedimento.

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A imagem do VAR é confusa, tornando difícil entender onde foram traçadas. Na verdade, parece que cortam os jogadores ao meio, ao invés da linha estar na parte do corpo dos jogadores mais próxima da linha de fundo, sem considerar os braços, como sugere a regra.

Sim, a ferramenta ajuda, mas não tem 100% de precisão. 

A linha do impedimento é traçada pelo computador, mas o ponto do corpo do jogador onde ela será traçada é indicado pelo árbitro de vídeo ao técnico do VAR que está na cabine, este faz um clique e a partir daí o computador cria a linha. O braço não conta para fins de impedimento, mas ombro, pé, nariz, joelho e todas as outras partes, sim.

Como o ponto do corpo é indicado pelo árbitro de vídeo, um pouquinho mais para cá ou para lá gera diferença e pode gerar um equivocado impedimento, ainda mais em lances ajustados.

Ainda há a contestação do frame da bola. O VAR normalmente possui três para serem utilizados no momento do primeiro toque para o passe, o que é pouco, pois um vídeo taxa de frame menor é capaz de gerar 10 imagens por segundo.

A própria CBF já admitiu erro na linha de impedimento traçada em gol mal anulado do São Paulo contra o Atlético-MG, no Brasileiro de 2020. Este mesmo blog fez anteriormente uma matéria sobre a margem do VAR.  

Não há como ser preciso, ainda mais em lances ajustados. 

Clayson, ex-Corinthians, faz belo gol contra o Palmeiras; assista

No evento Brasil Futebol Expo que ocorreu em 2020, a CBF colocou o VAR para muitos conhecerem e tive a oportunidade de ver seu funcionamento em outras ocasiões. Não me esqueço de um episódio em um curso do VAR no qual o técnico que opera a ferramenta tinha dois instrutores da CBF diferentes analisando o mesmo lance, essas pessoas definiam o frame da bola e os pontos nos quais as linhas seriam traçadas no defensor e no atacante. O mesmo lance, a mesma jogada, com uma pessoa deu o gol, foi legal; com a outra, o gol foi invalidado por impedimento.

Depois de presenciar isso sempre bati e bato na tecla de que não há precisão na ferramenta do VAR para lances de impedimentos, principalmente quando as posições de atacantes e defensores são muito justas, próximas.

Além do que, aparentemente, não existe mais mesma linha, pois não vemos mais uma sobreposta à outra e o VAR dando posição legal desta forma.

Para diminuir a margem de erro em linhas de impedimento, a Premier League resolveu engrossar a largura da linha de impedimento e assim não anular tantos gols.

A tecnologia avança muito a cada dia, e a Fifa busca constantemente busca saídas para automatizar o traço da linha de impedimento para diminuir essa margem de erro. Entretanto, enquanto não a tivermos, linhas erradas podem seguir sendo traçadas e uma ou outra equipe ser prejudicada.

 

Árbitro checa o VAR durante jogo do Brasileiro
Árbitro checa o VAR durante jogo do Brasileiro Getty
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Premier League começa com faltas claras nos goleiros em lances que resultam em gols; veja vídeos

Renata Ruel
Renata Ruel

A Premier League começou e com ‘suas próprias regras’. Antes do início da competição, foi anunciado pelo chefe da arbitragem inglesa que as linhas de impedimento do VAR serão mais grossas para diminuir a margem de erro da ferramenta, beneficiando, assim, o atacante e o gol.

Outro ponto apresentado foi que os árbitros adotarão critérios mais rígidos para marcar pênaltis.

A questão é quando se deixa de marcar faltas claras, que interferem no resultado final da partida e infringem nitidamente as regras do jogo. E isso aconteceu duas vezes logo na primeira rodada.

No jogo que abriu o campeonato, no segundo gol do Brentford, ocorreu uma ação de bloqueio clara do jogador do time da casa em cima do goleiro Bernd Leno, do Arsenal, impedindo a sua movimentação (VEJA no vídeo abaixo).


         
     

Na partida Burnley 1 x 2 Brighton, houve a mesma ação de bloqueio no goleiro Robert Sanchez, impossibilitando o seu movimento e tentativa de disputar a bola ou, até mesmo, praticar uma defesa.

Ambos os lances resultaram em gols, tornando as situações mais críticas, pois, se os árbitros não marcaram no campo de jogo, o VAR, que requer análises minuciosas em lances de gol, tampouco interferiu sugerindo revisão por falta e os gols ilegais foram validados (ASSISTA ao lance no vídeo abaixo).


         
     

Nos vídeos, notoriamente se veem as ações dos atacantes em cima dos goleiros e o texto da regra diz:

"Impedir o progresso de um adversário significa mover-se para o caminho do adversário para obstruir, bloquear, desacelerar ou forçar uma mudança de direção quando a bola não está a uma distância de jogo de qualquer um dos jogadores. Todos os jogadores têm direito à sua posição no campo de jogo; estar no caminho de um adversário não é o mesmo que mover-se no caminho de um adversário".

Quando esse tipo de situação ocorrer sem contato físico será marcado um tiro livre indireto, se houver contato será assinalado tiro livre direto.

Durante o jogo Norwich x Liverpool, cheguei a falar que seria necessário “trocar o chip" para comentar a Premier League, pois as marcações da arbitragem são muito distintas das que estamos acostumados, justamente por passarem aos árbitros determinações, muitas vezes, diferentes das instruções FIFA.

O que na maioria dos lugares se considera falta, a Premier League muitas vezes deixa seguir, sem entrar no mérito se estão ou não certos em adotar suas “leis do jogo", algumas infrações são claras em todos os lugares que se pratica futebol e devem ser marcadas. E na era do VAR algumas coisas se tornam inadmissíveis.

Declan Rice reclama com Martin Atkinson
Declan Rice reclama com Martin Atkinson Getty Images
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Por que jogadores e árbitros cumprem a regra em torneios Conmebol, mas não no Brasil?

Renata Ruel
Renata Ruel

Renata Ruel vê erro 'claro e óbvio' em pênalti marcado para o Flu contra o Criciúma e critica VAR por não recomendar revisão


Algumas regras do futebol são recheadas de interpretações. Entretanto, outras são evidentes, sem margem para "achismo" ou oportunidade para desentendimento ou falta de cumprimento.

Há algum tempo é possível observar o não cumprimento de uma regra por parte de alguns árbitros e jogadores, pelo menos em determinadas competições.

Veja essas duas fotos do goleiro do São Paulo, Tiago Volpi. Uma foto é no jogo contra o Racing, pela Libertadores, e outra pela Copa do Brasil, contra o Vasco.

Tiago Volpi comemora vitória do São Paulo sobre o Racing, pela Libertadores
Tiago Volpi comemora vitória do São Paulo sobre o Racing, pela Libertadores Staff Images/Conmebol

Tiago Volpi durante jogo entre São Paulo e Vasco, pela Copa do Brasil
Tiago Volpi durante jogo entre São Paulo e Vasco, pela Copa do Brasil Rubens Chiri/saopaulofc.net

Algumas diferenças nos uniformes do Volpi são gritantes, daria até para brincar de jogo dos sete erros.

Mas o que há de errado no uniforme? O que diz a regra?

Na "Regra 4 - O Equipamento dos Jogadores", o texto traz, entre outras coisas, os equipamentos obrigatórios e específica como itens adicionais podem ser usados:

-  "Meias – fita ou qualquer material aplicado ou usado externamente deve ser da mesma cor que a parte da meia em que é aplicada ou coberta". Isso quer dizer que quando um jogador corta o meião e coloca uma outra meia, esta peça adicional precisa ser da mesma cor que a parte cortada e retirada e se uma fita for passada deverá ser também da mesma cor da parte debaixo.

As camisas térmicas devem ser da cor única e predominante da manga da camisa. Isto é: manga branca igual a térmica branca; caso a manga tenha duas cores e nenhuma seja predominante, a térmica poderá ser um retrato fiel com ambas as cores ou somente com uma delas, sendo que se for só de uma cor com a manga colorida; todos os atletas a utilizarem deverão usar a mesma cor.

Gabigol comemora após marcar para o Flamengo sobre o Palmeiras
Gabigol comemora após marcar para o Flamengo sobre o Palmeiras Alexandre Vidal/Flamengo

O texto da regra também fala que um calção térmico ou uma calça por baixo do calção do uniforme deve ser da mesma cor principal do calção ou da parte de baixo do calção. Por exemplo, shorts laranja com "bainha" preta, o calção ou a calça debaixo deverá ser laranja ou preta, sendo que todos os jogadores da equipe deverão usar a mesma cor.

Tem sido constante observar jogadores que não estão usando o uniforme de acordo com a regra, principalmente em camisas térmicas e meias ao cortarem.

Porém, é preciso deixar claro que os árbitros também estão deixando e cumprir a regra ao permitir que os jogadores atuem com uniformes não permitidos. A arbitragem tem sido omissa em alguns torneios em relação à regra que não cabe interpretação, é factual, é clara.

E isso fica claro ao ver o uniforme do Tiago Volpi em um jogo da Conmebol e em uma partida da Copa do Brasil.

Toda regra tem um motivo. A diferença das cores de uniformes entre as equipes, goleiros e até mesmo a arbitragem é para não haver confusão e em lances ajustados como na linha de impedimento, em uma disputa que a bola sai pela lateral ou linha de fundo a arbitragem toma a decisão em função da cor que vê.

Se acham a regra uma bobagem, peçam para a International Board mudá-la, mas, enquanto ela existir, deve ser cumprida. O árbitro, ao permitir o seu descumprimento, perde sua autoridade até mesmo antes do jogo começar, pois já mostra logo de princípio que não tem pulso com os jogadores para fazer a regra valer.

E vou contar o que acontecia quando eu atuava nos campos e sei que ainda acontece: quando um árbitro vai pedir ao jogador para colocar o equipamento em ordem, seja térmica, meia, retirar joias, normalmente escuta: "Mas o árbitro no último jogo deixou". E, infelizmente, tem os que deixam e acabam dificultando o trabalho de quem quer fazer cumprir a regra.

Fonte: Renata Ruel

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Para árbitros, Copa América já começou e tem até presença de europeus

Renata Ruel
Renata Ruel

A Copa América de 2021 tem vivido dias complicados sobre a sua realização, entretanto os árbitros já estão em treinamento na sede da Conmebol, em Luque, no Paraguai, contando com a presença e a novidade de árbitros espanhóis.

A presença dos europeus ocorre se dá por conta de um acordo de cooperação firmado pela confederação que comanda o futebol da América do Sul e a Uefa. Em função disso, árbitros sul-americanos também estarão presentes na próxima Eurocopa, entre eles o argentino Fernando Rapallini.

Gian Oddi: 'Problema era muito mais pessoal em relação à figura do presidente da CBF do que um incômodo da Copa América no Brasil'

A Copa América contará com um total de 62 árbitros que atuarão nos 28 jogos da competição, e os brasileiros Wilton Pereira Sampaio, Raphael Claus, Danilo Manis, Bruno Pires, Rafael Tracy e Wagner Reway estão entre os selecionados nas funções de árbitros, assistentes e VAR.

Os espanhóis na disputa serão Jesús Gil Manzano, como árbitro principal, os auxiliares Diego Barbero Sevilla e Ángel Nevado Rodríguez, além dos representantes do VAR Ricardo De Burgos Bengo e José Luis Munuera Montero, todos escrevem seus nomes de forma histórica na competição.

A Copa América 2021 será a segunda edição do torneio que terá o uso do VAR - a primeira foi a de 2019, também no Brasil. 

O troféu da Copa América
O troféu da Copa América Divulgação/Conmebol
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River poderia mudar goleiro para outro jogador de linha no meio do jogo? Veja o que diz essa parte curiosa da regra!

Renata Ruel
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| A noite mágica de Enzo Pérez como goleiro do River Plate na Libertadores |

O River foi totalmente desfalcado para o jogo contra o Santa Fé, em função de um surto de COVID-19 na equipe, e teve que improvisar um jogador de linha no gol, já que todos os goleiros da equipe inscritos na competição estavam sem condições de atuar.

O técnico Marcelo Gallardo "deu sorte" e escolheu bem. O meia Enzo Pérez, mesmo machucado, foi o escolhido para ir para o gol e fez uma boa partida (veja as defesas dele no vídeo acima). No fim, o River conseguiu uma vitória heroica por 2 a 1 (veja os gols do jogo no vídeo mais abaixo).

Mas e se Pérez estivesse jogando muito mal? Ou se agravasse a lesão que tinha na coxa e não pudesse seguir em campo? O River poderia colocar Enzo Pérez na linha e escolher outro par ir para o gol no meio da partida?

Conforme o texto da “Regra 3 – Jogadores”, a troca de função de qualquer jogador em campo com o goleiro é possível e isso pode ocorrer quantas vezes forem necessárias,  desde que o árbitro seja avisado antes e a troca ocorra durante a paralisação do jogo, seja por falta, tiro de meta, substituição, etc.


         
     

| Com golaço, River Plate vence Santa Fe na Libertadores em jogo épico; veja os melhores momentos! |

O goleiro deve estar sempre devidamente identificado com uma camisa diferente.

O árbitro deverá relatar em súmula que a troca ocorreu, qual era o tempo de jogo, dizer os nomes dos jogadores e os números de camisa com os quais passaram a jogar após a troca.

Se a troca ocorrer e o árbitro não for avisado previamente ou se não acontecer durante uma paralisação, o árbitro vai permitir que o jogo siga, inclusive considerando a nova posição dos jogadores como corretas, mas ambos os jogadores serão advertidos com o cartão amarelo na primeira paralisação do jogo. 

Por exemplo: se o novo goleiro que trocou de posição, sem avisar antes, tocar dentro da sua área com as mãos na bola para praticar uma defesa, o jogo continuará normalmente e não será marcado o pênalti. Depois, porém, ambos serão amarelados.

Meia Enzo Pérez foi o goleiro do River contra o Santa Fe
Meia Enzo Pérez foi o goleiro do River contra o Santa Fe Getty

O texto da Regra sobre a troca de goleiros:

“Troca de goleiro

Qualquer jogador pode trocar de posição com o goleiro desde que:

• o árbitro seja previamente informado da troca;

• a troca seja efetuada durante uma paralisação de jogo.”

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Superliga tem times, mas quem serão os árbitros? E quem comandará o VAR (se é que ele existirá)?

Renata Ruel
Renata Ruel

Superliga: saiba o que é e entenda a 'guerra' que tomou conta dos bastidores do futebol europeu


A semana começou com um reboliço no futebol mundial: o anúncio da Superliga criada por 12 grandes clubes europeus.

Muitas são as perguntas sobre esse novo torneios. Entre elas, está uma muito importante: quem serão os árbitros desses jogos? E os dirigentes, quem será membro de uma possível comissão? Qual o protocolo?

É fato que, sem árbitro, não tem jogo, tanto que a regra 5 do futebol é específica sobre essa peça fundamental. Porém, quem apitará os jogos das maiores potências mundiais?

Apesar dos árbitros que atuam pelas Federações, Confederações e Fifa serem autônomos e sem vínculo empregatício, normalmente seguem normas e precisam pedir autorização para atuar fora das competições dessas entidades e até mesmo para participar de certos eventos ou dar entrevistas.

Assim como não há critérios claros para se alcançar a elite da arbitragem, também não há para ser tirado dela. Em um ano, você pode ganhar um escudo Fifa e no seguinte perdê-lo sem entender os motivos.

É sabido também que represálias poderão acontecer por parte da Fifa, Uefa, Federações e Ligas Nacionais aos árbitros que aceitarem atuar nos jogos da Superliga, pois essas instituições já se manifestaram publicamente contrárias à criação.

Todavia, sempre há árbitros descontentes com o sistema, com suas oportunidades, escalas e isso transcorre mesmo com árbitros de elite e escudo Fifa, ex-árbitros ou os aqueles que não se importam em arriscar sua carreira com as instituições podem ser grupos bastante propenso a serem abordados e utilizados.

Além disso, nada impede a Superliga de convidar os árbitros que interessarem para atuarem no torneio, criando ou não seu próprio quadro de arbitragem. Dentro da sua própria administração, dar curso, aprimorar, treinar e escalar os árbitros ou terceirizar o serviço.

Árbitro Bjorn Kuipers durante jogo entre Liverpool e Real Madrid, pela Champions
Árbitro Bjorn Kuipers durante jogo entre Liverpool e Real Madrid, pela Champions EFE/EPA/Peter Powell

Contudo, é uma competição que envolve milhões de euros, ter árbitros amadores ou jovens com pouca experiência ou nenhuma em grandes jogos é sim um grande risco. Tempo hábil para treina-los a curto prazo está longe de ser o ideal.

E ainda tem a questão do VAR, algo que para ser utilizado hoje precisa de consentimento da Fifa e todo um protocolo a ser seguido.

Os árbitros, por serem autônomos, deveriam ser livres para aceitarem atuar onde interessar, mesmo porque somente eles sabem as contas que precisam pagar no final do mês e, na maior parte do mundo, recebem por jogo trabalhado. Porém, a realidade não é bem assim, a represália pode ocorrer.

Em um campeonato de milhões, quem apitará? Árbitros Fifa que provavelmente perderão o escudo? Ex-árbitros? Amadores? Jovens? 

É seguir à espera dos próximos capítulos para saber o que acontecerá...

Fonte: Renata Ruel

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As polêmicas da arbitragem em um jogo não se restrigem a pênaltis e expulsões

Renata Ruel
Renata Ruel
Árbitro checa o VAR durante jogo entre Santos e Vasco, pelo Brasileiro
Árbitro checa o VAR durante jogo entre Santos e Vasco, pelo Brasileiro Getty

Quando falamos de analisar a arbitragem e suas polêmicas, muitas vezes o olhar gira em torno de lances considerados capitais na partida, como penalidades e expulsões. Entretanto, vai muito além disso e a influência da arbitragem no jogo pode ocorrer em lances mínimos que podem passar despercebidos.

Um pênalti marcado ou não cria uma chance maior de alteração no placar de uma partida. Contudo, a falta de critério por parte de um árbitro pode gerar diversos outros pontos no decorrer de um jogo.

Por exemplo, um cartão amarelo não aplicado por uma falta temerária pode acarretar uma não expulsão se esse jogador cometer uma outra infração para cartão amarelo. Assim como um cartão amarelo mal aplicado gera um impacto tático em jogo e em ambas as equipes. Como isso? Um defensor recebe um cartão amarelo injustamente, o seu técnico pode optar por uma substituição para não correr o risco de ter esse jogador expulso futuramente, mesmo sendo a troca por outro jogador da mesma função, este pode não ter a mesma qualidade para desempenhar o papel ideal no campo e impactar técnica e taticamente a equipe. E em relação ao adversário, uma mudança tática pode acontecer aumentando o volume de jogo da equipe em cima do defensor amarelado, ‘forçando’ uma segunda falta desse defensor para um segundo cartão amarelo seguido de expulsão.

Outro ponto de análise são as faltas. Um árbitro pode parar muito o jogo, marcando inclusive contatos físicos não faltosos e desta forma ‘truncar’ o jogo de uma forma que a partida não desenrole. Como também quando há falta de critérios da arbitragem em um jogo, isso resulta em faltas a mais para uma equipe do que a outra, infrações que são marcadas fora da área, mas não dentro, o que resultaria em penalidades que não são assinaladas, cartões aplicados para um, porém não para o outro – e um cartão mal aplicado ou não aplicado, pode resultar além da questão tática mencionada anteriormente, em uma possível suspensão de um jogador para a partida seguida de seu time.

E não acaba por aí. O posicionamento do árbitro em campo pode comprometer uma jogada, principalmente se ficar na linha de passe ou de movimentação dos jogadores. Um lateral, escanteio invertido, podem gerar complicações em um jogo. A forma de se comunicar com jogadores e banco de reservas também.

A leitura do jogo e o conhecimento de futebol tem que estar bem apurados na arbitragem do jogo, até mesmo do VAR. Não basta conhecer e dominar as regras, ter grande preparo físico, mas não saber se posicionar ou estar próximo ao lance e não aplicar corretamente a regra.

É relevante mencionar quando o árbitro não cumpre o texto básico da regra no qual não cabe nenhuma interpretação, algo factual como: não poder usar joias e/ou cobri-las com esparadrapos; a cor da camisa térmica ter que ser da cor predominante da manga da camisa. São coisas mínimas, mas são regras que devem ser cumpridas e ao permitir que exceções vai haver margem para grandes contestações.

Acertos ou erros nestes pontos estão diretamente ligados ao que se chama “controle de jogo” da arbitragem. Dificilmente o árbitro terá um bom controle de jogo cometendo constantes erros, mesmo que em um simples arremesso lateral.

Com os equívocos, mesmo pequenos, a perda do controle de jogo tende a ocorrer e automaticamente as reclamações passam a existir dentro e fora de campo. O que pode ocasionar em cartões amarelos e vermelhos no campo e nos bancos de reservas.

A regra do jogo é precisa em não aceitar reclamações, contestações acintosas e que estas devem ser punidas pela arbitragem. A comunicação com a equipe de arbitragem deve ser de forma respeitosa sempre, mesmo que discorde de suas decisões.

Entretanto, é importante observar quando as reclamações são demasiadas e ainda mais por parte de ambas as equipes, o que está se passando na partida com a arbitragem para que as decisões não sejam bem aceitas. Uma pequena coisa pode gerar a grande “bola de neve”. E analisar a atuação da equipe de arbitragem vai muito além de lances capitais como penalidades e expulsões. Ser árbitro não é tarefa fácil e envolve muito mais do que se imagina.

E se você quiser fazer uma análise mais ampla de jogo que envolve muito do que foi dito, recomendo assistir, sem ser com olhos de torcedor, o jogo de ontem entre Flamengo x Palmeiras pela Supercopa, com a arbitragem de Leandro Pedro Vuaden e também Corinthians x Santos, semifinal da Libertadores no dia 20/06/2012, o árbitro era novamente o Vuaden. Para quem gosta e quer estudar arbitragem, são dois jogos bem interessantes. Fica a dica!

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As polêmicas da arbitragem em um jogo não se restrigem a pênaltis e expulsões

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Clayson, ex-Corinthians, é condenado a pagar indenização a Leandro Bizzio Marinho, árbitro que sofreu retaliação na carreira

Renata Ruel
Renata Ruel

O atacante Clayson,  ex-Corinthians e atualmente no Cuiabá, foi condenado em primeira instância pela 27ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo a pagar indenização ao árbitro Leandro Bizzio Marinho, que apitou a primeira partida da final do Campeonato Paulista de 2018.

Na ocasião, o atleta foi expulso durante a partida na Neo Química Arena, após confusão com o volante Felipe Melo, do Palmeiras

Conforme consta na sentença: "Após o término do jogo, alega o autor [Leandro Bizzio Marinho] haver sido surpreendido pelo réu sendo entrevistado pelas redes de televisão Rede TV! Esporte Interativo, acusando o autor de estar mal intencionado, com desejo de prejudicar sua carreira. Aduz que ao conceder entrevista com afirmações falsas, o réu causou enormes dissabores ao autor e seus familiares, havendo inclusive ameaças contra a integridade física e saúde dos mesmos".

A sentença saiu no último dia 23 de março e o valor a ser pago é de R$ 30.000,00 por danos morais. 

Clayson pode recorrer.

Árbitro Leandro Bizzio Marinho durante jogo entre Palmeiras e Linense, em 2014
Árbitro Leandro Bizzio Marinho durante jogo entre Palmeiras e Linense, em 2014 Cesar Greco/Ag Palmeiras

Retaliação

O árbitro, no Brasil, recebe seu pagamento por jogo. Desta forma, é interessante estar escalado na maior quantidade de jogos possíveis. Porém, como não existem regras que definam quantos jogos cada um fará por mês (e isso fica totalmente a cargo das comissões de arbitragem), a arbitragem, por mais que sofra danos morais e, às vezes, até físico, como agressões em campo, acaba na grande maioria não entrando com processo judicial por medo de retaliações e punições, ficando depois sem escalas.

 Os árbitros muitas vezes têm receio até de discordar ou questionar seus dirigentes com receio de ficar longe das escalas. Tem quem acredita que isso cria até uma relação de subserviência com as Federações.

Após entrar com o processo por danos morais contra Clayson, em 2018, e apesar dos prêmios e grandes jogos, Leandro Bizzio começou a perder oportunidades nas escalas pela Federação Paulista de Futebol. 

Em 2019, foi para sorteio em poucos jogos - e todos de baixa expressão. 

Em 2020, com a mudanças no Departamento de Arbitragem (saiu Dionísio e entrou Ana Paula de Oliveira na diretoria) e com o fim do sorteio, Bizzio foi escalado apenas em dois jogos o ano todo pela FPF: um na Série A2 do Paulista e outro na A3. 

Desta forma, para não se "aposentar" prematuramente nos gramados, Bizzio deixou a Federação Paulista em 2021 e migrou para a Federação Paraibana, que tem o comando de Arthur Alves Junior - um dos que lançaram o árbitro no cenário paulista e nacional, ao lado de Coronel Marinho.

Bizzio é um árbitro formado pela turma da 2004 da Federação Paulista, tem em seu currículo finais e clássicos (inclusive a cena épica de Rogério Ceni ajoelhando em seus pés para que não fosse marcada uma penalidade contra o São Paulo em 2013). 

Em 2017, ele apitou a final do Paulistão entre Corinthians e Ponte Preta e foi considerado o melhor árbitro do campeonato. Já em 2018, apitou o primeiro jogo da final entre Corinthians x Palmeiras, uma partida difícil, com 10 cartões amarelos e as expulsões de Felipe Melo e o próprio Clayson. Sua atuação foi considerada excelente, e neste ano, ganhou o prêmio de 3º melhor árbitro do Paulistão. É importante frisar que, pela CBF, o árbitro segue tendo escalas e oportunidades.

Outros juízes que muitas vezes sofrem retaliações são os que se envolvem com os sindicatos e confrontam as Federações em busca de melhorias e direitos aos árbitros.

Em 2014, Raphael Claus recebeu um empurrão de Petros, também jogador do Corinthians na época, achou em campo que foi sem querer e não o expulsou. O jogador foi denunciado pelo STJD, mas Claus não entrou com processo cível.

Exemplos de agressões e declarações inapropriadas não faltam, mas raramente os árbitros vão além da súmula do jogo e atrás dos seus direitos perante a lei para não terem suas carreiras na arbitragem prejudicadas.

O respaldo para a arbitragem no Brasil ainda é muito pequeno. Quem deveria amparar muitas vezes é o primeiro a querer que o árbitro desista de um processo.

Logo no começo da minha carreira, escutei uma frase de um dirigente que nunca mais esqueci: "As Federações existem em função dos clubes. A arbitragem sempre será a corda mais fraca". 

Se ainda for um árbitro de elite, principalmente do quadro Fifa, o respaldo pode ocorrer. Fora disso, é bem mais difícil...

Fonte: Renata Ruel

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Jogos de última hora, como os do Paulista, ferem o Estatuto do Torcedor. E como ficam os árbitros?

Renata Ruel
Renata Ruel

A Federação Paulista de Futebol (FPF) resolveu de última hora realizar dois jogos do estadual em Volta Redonda, no Rio de Janeiro: São Bento x Palmeiras, pela terceira rodada, e Mirassol x Corinthians, pela quinta rodada.

Com isso, várias perguntas surgem, inclusive como o árbitro, a única figura da partida a não ser profissional, fica com uma escala desta, repentina?

Um ponto é o fato do árbitro sempre querer ser escalado, mesmo que seja de última hora. Por amar o que faz e  por sua remuneração ser por partida.

Hofman detona volta do Paulistão no Rio: 'Vergonhosa, escandalosa!'; veja


Entretanto, uma preparação de última hora, ainda mais com viagens longas, podem interferir no rendimento da equipe de arbitragem. E se houver erros, quem vai levar em consideração a escala de última hora, a correria, a falta de preparação ideal para o jogo? As cobranças cairão em cima dos árbitros, ainda mais se tratando de jogos com grande visibilidade.

O árbitro, justamente por não ser profissional, tem outro emprego para ter uma renda fixa. E uma escala de última hora, assim, interfere demais em sua vida, pessoal e  profissional.

Outro ponto interessante: a decisão da FPF em anunciar a realização de Mirassol x Corinthians com menos de 48 horas para a realização do evento fere o Estatuto Torcedor, a Lei n°10.671, de 2003, em que se prevê que uma audiência pública ou um sorteio para a definição do árbitro da partida deva ocorrer com no mínimo 48 horas antes da partida. O que deve ser amplamente divulgado, aliás.  Para São Bento x Palmeiras, os árbitros já estavam definidos anteriormente.

E não para por aí. E se os árbitros das partidas não tiverem tempo hábil para realização do teste da COVID-19?

Em função da pandemia, a arbitragem tem ido para os jogos com condução própria, isto é, alguém da equipe da arbitragem vai dirigir.

São diversos fatores que acabam contribuindo para o que consideramos longe do ideal quando tratamos de jogos de futebol profissional. Contudo, é mais comum do que se imagina, principalmente se olharmos para jogos da base, onde um bate-volta da arbitragem para jogos de 600 km ocorrem facilmente. A equipe pega o carro de um dos árbitros, vai para o jogo, faz a partida e volta para sua cidade de origem.

Falo porque fiz muito isso, não só na base, mas no profissional também, com a diferença de que na elite se tinha motorista antes da pandemia.

A lei que regulamenta a profissão de árbitro de futebol existe desde 2013, é a n°12.867, mas que só existe no papel, e a arbitragem ainda sofre muito com a falta de profissionalização.

Vinicius Gonçalves e Luiz Alberto Andrini estão escalados pela primeira vez neste Paulistão, em Mirassol x Corinthians, ficaram de fora das quatro primeiras rodadas, aparentemente sem motivos, pois são árbitros de elite, inclusive da CBF. Além da escala de última hora, tem a questão de ritmo de jogo que não faz diferença só para jogadores, mas também para a arbitragem.

Com todos essas circunstâncias, o que podemos é somente torcer para que ambas equipes de arbitragem façam ótimos jogos e caso algum erro ocorra, tudo isso seja levado em consideração antes de se pensar em punições. Os árbitros agem como profissionais por conta própria, por amor ao que fazem, porém, nos tempos atuais, a profissionalização precisa ser concreta, não cabe mais ser amador para quem é essencial ao espetáculo.

O árbitro Vinicius Gonçalves Dias Araujo
O árbitro Vinicius Gonçalves Dias Araujo Guilherme Dionizio/Gazeta Press
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Bahia x Vitória sem VAR ou Paulistão com VAR, qual você prefere?

Renata Ruel
Renata Ruel

O alto custo do VAR impede que a maioria dos campeonatos utilize a ferramenta, somente o Campeonato Paulista tem o árbitro de vídeo desde a primeira rodada. Nesse final de semana, o clássico baiano pela Copa do Nordeste, Vitória 1 x 0 Bahia, não contou com a tecnologia, porém, o árbitro Wagner Reway tomou decisões acertadas no campo de jogo em dois lances cruciais.

No primeiro tempo, o Bahia pediu pênalti em uma bola na mão dentro da área do Vitória; e também em outro toque de mão no lance que originou o gol do rival rubro-negro. Ambas decisões assertivas, dois lances onde não há infração por toque na mão.

Contudo, no Paulistão, no qual o investimento é alto e a tecnologia utilizada, a polêmica prevaleceu. O São Paulo teve um pênalti claro não marcado a seu favor contra o Novorizontino, em jogada na qual o goleiro Giovani foi no corpo do atacante Luciano e o derrubou. A árbitra Edina Alves não marcou no campo de jogo, e o árbitro de vídeo não sugeriu a revisão. O posicionamento de Edina não era o ideal para analisar a jogada, olhando as imagens, vê-se que ela leva o apito à boca, mas desiste de qualquer marcação. O VAR analisou o lance e manteve a decisão de campo.

Ainda no Paulistão, o Mirassol reclamou de um pênalti não marcado aos 3 minutos de partida contra a Inter de Limeira, lance em que o árbitro de campo bem posicionado mandou seguir e o responsável pelo VAR, que era o mesmo de São Paulo x Novorizontino, manteve a decisão de campo. A dobra de escalas no VAR tem sido frequente no campeonato.

Edina Alves é uma excelente árbitra e tem demonstrado isso, com a quantidade de jogos que tem apitado, não sei citar qual foi o último erro cometido antes desse no jogo do São Paulo. O erro mostra que árbitros são humanos e os melhores também erram, porém, fica difícil justificar alguns erros no jogo quando se tem o VAR.


Pênalti em Luciano era "lance fácil", analisa Renata Ruel; assista


Um fato interessante é que o próprio árbitro de vídeo dos dois jogos citados acima, Adriano de Assis Miranda, teve coragem como quarto árbitro em chamar o árbitro principal na final do Paulistão de 2018 entre Palmeiras e Corinthians e opinar que não havia sido pênalti na visão dele em cima de Dudu, à época no time alviverde. Porém, não sugeriu revisão em dois lances nesse final de semana no Paulistão.

A Federação Paulista de Futebol (FPF) se pronunciou oficialmente sobre Novorizontino x São Paulo e admitiu que houve erro claro no lance, mas ainda não o fez sobre o questionamento do Mirassol.

Esse posicionamento é importante, ajuda na transparência que tanto queremos, mas a liberação do áudio também é fundamental para entender o que acontece na arbitragem de futebol. No Brasileirão também já presenciamos erros claros e óbvios sem sugestão de revisão pelo VAR e exemplos não faltam. Quem não se lembra do pênalti cometido pelo goleiro Tiago Volpi, do São Paulo, contra o Ceará em lance bem parecido como este sofrido por Luciano?

Sempre defendi o uso da ferramenta VAR, deixando claro que é preciso investir em tecnologia boa e principalmente no treinamento dos árbitros, acreditando que um perfil específico faça parte desta categoria e até mesmo ex-jogadores possam ser utilizados.

É sabido também que falhas possam ocorrer, mas não esqueço quando o Coronel Marinho comandava a arbitragem paulista e nos dizia, em uma época ainda sem VAR: “Vocês são os nossos árbitros de elite. Alguns erros são justificáveis, mas outros, não. Lances fáceis muitos acertam, se vocês são os melhores têm que acertar os difíceis também.”

Eu concordo com as palavras dele e definitivamente precisamos de árbitros com maior número de acertos no campo, o responsável pelo VAR não é para re-apitar o jogo, mas precisa de instruções assertivas para tomar decisões corretas, saber quando interferir.

A Edina Alves tem tido mais sequência de jogos no campo do que Wagner Reway, que praticamente só trabalhou como VAR na última temporada do Brasileirão, mas as atuações em campo, pelo menos neste final de semana, foram bem distintas.

O que vemos nos jogos é o produto final de todo um trabalho de bastidores – técnico, físico, mental e social – desenvolvido pelos instrutores e comissões. Se há falhas no campo, no produto final, é porque há falhas no processo e algumas coisas precisam ser revistas.

O que é claro até o momento é que o VAR chegou para causar mais polêmica e não acabar com elas. Ao menos por enquanto.

Luciano foi derrubado na área do Novorizontino, mas pênalti não foi marcado
Luciano foi derrubado na área do Novorizontino, mas pênalti não foi marcado Miguel Schincariol / saopaulofc.net
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International Board altera regras de mão na bola; veja o que mudou

Renata Ruel
Renata Ruel

Se há uma regra polêmica, controvérsia e que torna os critérios bem discutíveis é a da mão na bola, bola na mão. Principalmente na Europa, clubes, jogadores, treinadores pediram à International Board alterações na lei do jogo e foram atendidos.

A 135ª Assembleia Geral Anual (AGM) do International Football Association Board (The IFAB), que decorreu hoje por videoconferência, tentou aclarar quando há infração de mão da bola e esta deverá ser punida pela arbitragem.

Várias alterações e esclarecimentos às Leis do Jogo foram acordados na AGM, com foco particular na Lei 12 - Faltas e Conduta Imprópria.

Como a interpretação dos incidentes de mão na bola nem sempre foi consistente devido a aplicações incorretas da Regra, os membros confirmaram que nem todo toque da mão/braço de um jogador com a bola é uma ofensa. Em termos do critério de a mão/braço tornar o corpo de um jogador “anormalmente maior”, ampliando o seu espaço corporal, foi confirmado que os árbitros devem continuar a usar seu julgamento – o que é cabível de interpretação e opinião, mesmo com base na regra e nas orientações - para identificar como infração ou não a posição da mão/braço em relação ao movimento do jogador naquela situação específica.

Seguindo este esclarecimento, é uma infração de mão na bola se um jogador:

- tocar a bola deliberadamente com a mão/braço, por exemplo, movendo a mão/braço em direção à bola;

- tocar a bola com a mão/braço quando isso torna seu corpo anormalmente maior, amplia o espaço corporal. Considera-se que um jogador deixou seu corpo anormalmente maior quando a posição de sua mão/braço não é uma consequência ou justificável pelo movimento corporal do jogador para aquela situação específica. Por ter sua mão/braço em tal posição, o jogador corre o risco de sua mão/braço ser atingido pela bola e ser penalizado; ou

- marcar o gol no adversário: diretamente da mão/braço, mesmo que acidental, inclusive pelo goleiro; ou imediatamente após a bola tocar sua mão/braço, mesmo que acidentalmente.

A mão acidental que leva um companheiro de equipe a marcar um gol ou a ter a oportunidade de fazer o gol não será mais considerada uma infração.

Outros esclarecimentos foram aprovados na AGM para inclusão nas Regras do Jogo 2021/22, inclusive a Regra 11 - a definição da Regra 12 para mão na bola, em que o braço termina na parte inferior da axila, deve ser utilizado no julgamento de um jogador está em uma posição de impedimento - e a Regra 12 (a infração de usar um “truque” para burlar a regra contra o goleiro manipulando a bola de um chute deliberado de um companheiro de equipe será aplicada em chutes a gol; o infrator será advertido).

A IFAB confirmou que a decisão de lançar os testes de substituição por concussão foi baseada na forte recomendação do Grupo de Peritos em Concussão, que consiste em médicos e especialistas em futebol que examinaram de perto a aplicabilidade das melhores práticas em outros esportes ao futebol. Houve também consulta com, e apoio de, as principais partes interessadas e os Painéis Consultivos Técnicos e de Futebol do IFAB.

Os testes, que estão atualmente previstos para durar até agosto de 2022, já foram introduzidos em competições internacionais e nacionais em todo o mundo, com mais competições prestes a entrar ou tendo mostrado interesse em participar.

Nesse ínterim, o IFAB e a FIFA continuarão a coletar, analisar e discutir os comentários e dados relacionados ao futebol e à medicina que informarão quaisquer decisões sobre a possível implementação das Regras do Jogo.

Em relação à alteração temporária na Regra 3, que permite a opção das equipes usarem até cinco substitutos em jogos em competições de alto nível (para competições de clubes que terminam em 31 de dezembro de 2021 e competições de seleções que terminam em 31 de julho de 2022), os membros concordaram que o impacto contínuo da pandemia COVID-19 no futebol deve permanecer sob revisão.

Os membros também receberam atualizações da FIFA sobre possíveis adaptações à Regra do Impedimento – que tem causado polêmica em função das linhas traçadas pelo VAR - e os últimos desenvolvimentos sobre inovações relacionadas aos árbitros assistentes de vídeo (VARs) que poderiam permitir competições com orçamentos mais limitados para usar a tecnologia VAR.

Finalmente, foi acordado que, para dar aos jogadores, treinadores e árbitros mais tempo para se familiarizarem com as mudanças nas Regras do Jogo, a data em que elas entrarão em vigor passará de 1º de junho a 1º de julho, embora as competições continuem a flexibilidade para introduzir alterações antes dessa data.

A IFAB publicou sua decisão em seu site e agora é esperar os efeitos dessas alterações quando entrarem em vigor nas competições. Dificilmente a polêmica mão na bola e bola na mão irá zerar, justamente porque ainda caberá interpretações em cada lance e as orientações que os árbitros receberão serão preponderantes para a tomada de decisão no campo ou no VAR. Contudo, essas mudanças parecem que levam em conta o movimento natural do jogador, a biomecânica do atleta o que torna mais justa a avaliação para o julgamento de infração ou não.

Thiago Silva intercepta bola com a mão apoiada no chão na final da Copa América 2019
Thiago Silva intercepta bola com a mão apoiada no chão na final da Copa América 2019 Getty Images
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