Pra onde você vai, Corinthians?

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues

A voz do povo é a voz de Deus?

Bom, se levarmos em conta o coro de milhares de torcedores do Corinthians espalhados Neo Quimica Arena, sim. Até porque foi por isso que  Duilio Monteiro Alves tomou a  decisão de demitir Sylvinho após a derrota para o Santos, na última quarta-feira.

Derrota, aliás, que não veio acompanhada de um desempenho tão ruim assim. Na vitória contra o Santo André, por exemplo, o Timão jogou bem menos. Ou seja, não foi só a pressão externa que decidiu o futuro do treinador, mas o tal do resultado também. Perdeu-se uma pré-temporada. Se não existia convicção, porque tomar uma atitude só agora? Essa talvez seja a pergunta mais importante deste momento.

Presidente do Corinthians anuncia demissão de Sylvinho: 'Correção de rota'

         
     


De bem quisto pelos dirigentes, Sylvinho caiu nos pés de Marcos Leonardo, quando o Peixe virou em Itaquera.

De fato o trabalho do ex-lateral-esquerdo, formado no próprio Parque São Jorge, não enchia os olhos. Eu também tinha um pé atrás e zero convicção de que as coisas melhorariam nos próximos meses. 

Mas o linchamento público foi exagerado. Ainda mais se levarmos em conta todo o contexto do clube durante o trabalho de Sylvinho. Ele virou o alvo. O único dentre tantas coisas erradas no Corinthians.

Primeiro na montagem do elenco que aconteceu no meio de uma temporada com calendário caótico. E isso aconteceu justamente pela sucessão de erros de gestões anteriores, que contratou, contratou e contratou... E depois saiu emprestando para tentar diminuir os danos. Com isso, os caras de "nome" chegaram com o bonde andando, sem ritmo, de longos períodos sem atuar.

Agora, com pré-temporada, não chegaram nem perto da sua melhor forma.

O corintiano, simplesmente olha para Renato Augusto, Willian, Giuliano e Paulinho como aqueles de uma década atrás. Tinha a fé que era só colocá-los em campo que a coisa mudaria da água para o vinho.

Trata-se ainda de um elenco desequilibrado, com lacunas e muitos jogadores acima dos 30. Falta um 9, um 5... Longe de ser um plantel ruim, mas distante também dos principais elencos do Brasil. Podia jogar mais, claro. Mas não esteve nas melhores condições para isso até aqui.

Com isso, cansamos de ver um Corinthians sem força, velocidade e punch para trabalhar em transições rápidas. O segundo tempo contra o Santos é um grande exemplo. O time simplesmente morreu após o segundo gol. Esgotados, os jogadores não pressionavam mais, não conseguiam fazer a posse girar com ritmo e não estiveram nem perto de empatar.

Eis que essa mesma direção agora tem outra grande decisão a tomar: quem será o novo treinador?

Uma incógnita se a gente considerar a última vez que foi exigida neste sentido. Foram de Renato Gaúcho a Diego Aguirre. Depois caíram em Sylvinho. Um mais diferente que o outro. Zero ideia de qual tipo de futebol praticar. 

Até por isso estou curioso com a próxima escolha. Vão respeitar uma lógica na procura? Buscarão um profissional que trabalha um modelo de jogo que condiz com a característica de seu elenco?

Sinceramente não consigo ter otimismo. Vão no nome, no hype... E podem acabar com os mesmos que rodam de lá para cá a cada semestre que passa. 

Que não escolham apenas por indicação de empresários. Que realmente estudem o perfil dos profissionais que vierem à tona. Decisões com essas precisam ter o mínimo de sentido para dar certo. 

Vamos ver para onde o Corinthians vai agora.

Sylvinho cada vez mais pressionado no Corinthians
Sylvinho cada vez mais pressionado no Corinthians Rodrigo Coca / Ag. Corinthians

Comentários

Pra onde você vai, Corinthians?

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Manchester United e Liverpool: a diferença em campo é a prova do que fazer e não fazer no futebol

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues

Quando falamos de futebol inglês duas equipes vêm direto na nossa cabeça: Manchester UnitedLiverpool. Ou uma delas, ou outras juntas... Mas não dá para negar o gigantismo que estes dois clubes têm não só no cenário de seu país, mas mundial.

E beira quase a insanidade que, num agregado de enfrentamentos entre os dois pela Premier League, o placar foi de 9 a 0 para o Liverpool. Uma DIFERENÇA que vai muito além do campo, da qualidade dos atletas.

Certamente que o primeiro ponto nesta discussão está no banco de reservas: O TREINADOR.

Enquanto o United troca de comandante igual louco nas últimas temporadas, com escolhas, muitas vezes, bem questionáveis, os Reds têm O TÉCNICO. Jürgen Klopp é dos melhores. E digo melhores não só do mundo, mas da história. Seu Liverpool é histórico.

Existem conceitos e formas de jogar que dividem eras no futebol. E Klopp é um destes divisores de água. Até por isso a tal da diferença é abissal. Um modelo sólido, bem absorvido pelos jogadores e um elenco na mão, sem exageros e muito equilíbrio entre todos os setores. 

O Manchester, por outro lado, sem exagero algum, vive uma crise de identidade. Não sabe se quer fazer um quadro ou pular de bungee jump. Todos os profissionais que passam por lá não conseguem desenvolver algo mais consistente, um legado, uma forma de se pensar no presente e futuro.

E isso vai muito na linha da palavra PROCESSO. Óbvio que acompanho o clube de longe, mas pelo que leio, isso inexiste em Old Trafford. Depois que foi vendido, o United administrativamente é uma bagunça. E isso, não tem como, respinga na qualidade do jogo, no desempenho e na construção de algo maior.


         
     

Contrata-se por hype apenas. Olha-se o nome, o barulho que o reforço vai fazer e nada mais. Algo bem parecido com o que o PSG tem feito. E, mesmo assim, não dá para dizer que trata-se de um elenco forte. Vários destes jogadores jogariam em equipes de alto nível no futebol mundial. Isso vai bem além. Tem até a ver com comportamento de alguns atletas. Algo mais drástico terá que ser feito.

Já o Liverpool forjou essa máquina temporada a temporada. Chega um aqui, outro ali. Aposta, principalmente, em jogadores que ainda não atingiram seu teto de desenvolvimento, o que lhe faz pagar menos. Os desenvolve, faz com que este atleta chegue no seu máximo ali. Afinal, tem uma estrutura de jogo que vai potencializar. 

Tudo é feito de forma mais minuciosa, com sentido, com processo. A espinha dorsal de Klopp joga junto a muito tempo. Muitos deles custaram pouco, o que mostra uma maneira assertiva de se movimentar no mercado.

Ver o que vimos na tarde desta terça-feira (19) não espanta quem acompanha futebol no dia a dia. Mas se olharmos para o tamanho das duas camisas envolvidas no clássico em Anfield Road, chega a ser louco ver momentos tão distintos. É uma diferença que salta aos olhos.

Jürgen Klopp, técnico do Liverpool, comemora após goleada sobre o Manchester United, pela Premier League
Jürgen Klopp, técnico do Liverpool, comemora após goleada sobre o Manchester United, pela Premier League Mike Egerton/Getty Images

Comentários

Manchester United e Liverpool: a diferença em campo é a prova do que fazer e não fazer no futebol

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

PSG e sua megalomania de sonhos: pensa-se apenas em vencer, mas sem nenhuma ideia de como

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues

2011 era o ano. O clube mais conhecido de Paris era comprado pelo sheik Nasser Al-Khelaifi com a promessa de virar uma das grandes potências do futebol europeu. De certo modo, isso aconteceu. 

Alguém se nega a dizer que hoje que o PSG é um dos times a serem batidos no Velho Continente? 

Mas ainda existem pendências claras que precisam ser cumpridas.

Com Neymar e Mbappé, PSG toma 'surra' do Monaco no Campeonato Francês; veja os melhores momentos

Talvez a maior delas seja o título da Champions League. E não vai ser nesta temporada que ele virá. Queda para o Real Madrid nos últimos dias. E agora, para finalizar, goleada para o Monaco (3 a 0), neste domingo.

Todo esse looping de insucessos cria um ambiente propício para algumas reflexões sobre a maneira como o PSG é tocado. Obviamente que todas as questões que levantarei neste post são de alguém que está longe do dia a dia do clube, que não tem notoriedade para apontar culpados e chegar a diagnóstico.

A intenção aqui é apenas exercitar alguns questionamentos, olhar de forma mais racional para o que o projeto da QSI nestes tempos onde o futebol exige muito mais do que dinheiro para triunfar.

O primeiro ponto que trago é o fator IDENTIDADE. Estrelas, estrutura de primeiro mundo, grandes patrocínios... Mas me responda uma coisa: qual é o estilo de jogo do PSG desde que os atual dono assumiu o clube?

Pois é, por mais que seja impossível manter uma fidelidade 100% no que se propõe a fazer por tanto tempo, o Paris é um time sem muita cara. Na real, durante esta última década quase não mostrou um norte, uma ideia clara de que tipo de futebol quer praticar.

A rotatividade de treinadores pesa muito neste sentido. Mais que isso, os diferentes tipos de perfis. De Ancelotti a Blanc, depois Unai Emery, Tuchel e agora Pochettino. Todos chegam com a necessidade de extrema urgência e resultados imediatos. Estilos diferentes, maneiras diferentes de olhar para o jogo.

Outro ponto importante é a montagem de elencos. Empilha-se jogadores renomados, com altos salários e contratações meteóricas, mas muitas vezes sem critério algum. Todas as decisões neste sentido são praticamente midiáticas, sempre indo para o HYPE, e não pensando num aspecto coletivo.

Messi, Neymar e Mbappé juntos, por exemplo. Alguém questiona a qualidade deste trio? Mas está bem claro como o time fica desequilibrado quando tem os três jogando juntos. Era necessário trazer o argentino? E Sérgio Ramos? Uma gastança megalomaníaca, sempre buscando o NOME e não o melhor para um conjunto.

Se pensar apenas em ter os melhores, o que é já é um adianto imenso. Mas pouco se planeja para como criar um ambiente para que estes sejam de fato os melhores. Pensar em futebol sem pensar em contexto é loucura. As coisas precisam ter o mínimo de sentido.

Chama a atenção também a questão categorias de base. Em um clube onde se injeta tanto dinheiro, se investe tanto em estrutura, cadê os jovens? Raramente alguém se desenvolve. Kimpembe talvez seja o único. 

Seu primo rico, o Manchester City, por exemplo, trabalha com grana, mas de outras diversas maneiras também. E colhe frutos. Identidade clara, formação, captação de jovens... 

E o que falar do Liverpool? Critério para contratar, modelo de jogo muito bem estipulado e decisões técnicas, que vão muito além da fama de um jogador na hora das escolhas. Exemplos, de fato, não faltam.

Já o PSG sofre

Fica claro, mesmo para nós aqui de longe, que é um clube que investe para vencer a qualquer custo. Que pensa na chegada sem planejar no caminho e em tudo que envolve a construção de um time que marca épocas.

O futebol, hoje, exige mais. Ainda bem.

Nasser Al-Khelaifi Dono PSG Sorteio Champions
Nasser Al-Khelaifi Dono PSG Sorteio Champions VALERY HACHE/AFP/Getty Images


Comentários

PSG e sua megalomania de sonhos: pensa-se apenas em vencer, mas sem nenhuma ideia de como

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Violência no futebol cresce e nossa incapacidade de lidar com isso é cada vez mais nítida

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues

O futebol tem tido semanas muito tristes recentemente. Uma escalada de violência vem crescendo e as coisas parecem cada vez mais fora do controle.

Pedradas em ônibus em Salvador e Porto Alegre, briga entre corintianos e são-paulinos no metrô e, principalmente, a batalha campal no México que chocou o mundo inteiro com suas imagens.

Nas minhas participações no SportsCenter tenho batido muito na tecla que aqui no Brasil estamos cada vez mais perto de uma tragédia de maior impacto. Estamos no limite, todos nós. Torcedores, jogadores, dirigentes, jornalistas...

Briga generalizada entre torcedores de Querétaro e Atlas durante partida válida pelo Campeonato Mexicano
Briga generalizada entre torcedores de Querétaro e Atlas durante partida válida pelo Campeonato Mexicano Manuel Velasquez/Getty Images

Mas no fim das contas, por que essa é uma realidade que sempre vem à tona?

O primeiro ponto é entender que esses atos de barbárie nada tem a ver com o futebol. É um problema social, enraizado, fruto de uma sociedade extremamente violenta e problemática. 

Se não for por futebol, as pessoas dariam um jeito de se matar da mesma forma. Já fazem isso por religião, política, cor da pele, orientação sexual... O futebol é só mais uma desculpa para colocar o ódio para fora. 

Fala-se muito em guerra agora por conta do conflito entre Rússia e Ucrânia, mas a verdade é que sempre estivemos em guerra. Aí vai do quanto damos de importância a elas. Do quão é interessante para quem controla a narrativa, tratar delas.

Outro ponto extremamente importante é entender que as pessoas que cometem estes atos violentos são minoria. E isso não é achismo. É uma questão de dados mesmo.

De acordo com o livro "A violência no futebol", escrito pelo pesquisador do assunto Mauricio Murad - inclusive, fica aqui a indicação de uma baita leitura -, a porcentagem de pessoas das torcidas organizadas que vão para a "pista" (termo utilizado pelos mesmos para ir para a pancadaria) é muito pequena.

No fim das contas, a grande maioria das pessoas destas organizações só querem viver o seu time, socializar, curtir o futebol. Mas é por conta de poucos que as coisas saem do controle. Obviamente que as organizadas têm sim seu peso em tudo isso, poderiam ter atitudes mais eficazes para ajudar no combate a toda essa confusão.

Mas até mesmo por isso, é papel do Estado coibir e punir esses atos violentos. Primeiro usar de inteligência e investimento para antecipar estes confrontos. Eles são marcados pela internet, por mensagens... São sempre as mesmas pessoas e lugares. É possível.

Villasanti é atendido após se ferir em ataque ao ônibus do Grêmio
Villasanti é atendido após se ferir em ataque ao ônibus do Grêmio LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

Depois passar a ter um olhar para a punição individual e criminal destas pessoas. Tudo hoje em dia é gravado, tudo tem imagem. Nos próprios estádios existe tecnologias que filmam tudo. É só ter a boa vontade de identificar e tomar as devidas providências. 

Pessoas que matam outras por futebol fariam isso por qualquer outro motivo. São indivíduos que normalmente estão envolvidos em casos de feminicídio, homofobia, intolerância religiosa... Por isso a necessidade de individualizar, de até antecipar outras tragédias do dia a dia.

Enquanto isso, as medidas tomadas são sempre generalizadas. Decisões que, na maioria das vezes, ajuda a elitizar o futebol e afastar as pessoas de uma das maiores identidades nacionais que temos. 

Torcida única? Os caras marcam de brigar até um dia antes.  

Portões fechados? Prejudica o clube que não controle sobre seus torcedores e o cidadão honesto que perde a oportunidade de se divertir.

Fechar a torcida organizada? Os membros que são criminosos continuarão na rua para cometer mais crimes.

E aqui entre nós: o que adianta estas medidas? No fim das contas, essas pessoas vão arrumar um jeito de cometer estes crimes da mesma forma. Como disse, o futebol é o de menos. E isso nada tem a ver com ele.

Somos uma sociedade doente, se medicando apenas para melhorar os sintomas, mas nunca indo na raiz da doença. No fim das contas, não dá para não pensar que isso é interessante para alguém.

Comentários

Violência no futebol cresce e nossa incapacidade de lidar com isso é cada vez mais nítida

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Palmeiras controla y controla: goste ou não de Abel Ferreira, há um sentido por trás de tantas taças

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues

E Abel Ferreira levanta mais um caneco com o Palmeiras. Desta vez a Recopa Sul-Americana veio após a vitória contra o Athletico-PR por 2 a 0, nesta quarta-feira, no Allianz. Triunfo, aliás, que jamais esteve ameaçado durante os 90 minutos.

Foi uma vitória dominante. Um jogo de muito controle dos alviverdes. Em momento algum a partida transpareceu tomar outro rumo que não fosse a vitória do Palmeiras. E ela veio de forma até natural.

Falar em controle total no futebol é praticamente uma utopia. Chegar a 100% disso numa partida é impossível, mas quanto mais você tiver o tal do controle, pelo menos na minha concepção, mais perto do seu objetivo - a vitória - você está.

Fazia tempos que não via uma final tão controlada. Não que estas decisões costumam ser abertas, cheias de oportunidades. Normalmente são tensas, equilibradas e com poucas ações ofensivas bem trabalhadas. Mas o Palmeiras teve o jogo nas mãos do começo ao fim. Foram poucos os momentos que o Furacão conseguiu encaixar algum tipo de domínio.

E isso vai muito além dos números do jogo. É muito mais que dizer que o Verdão teve mais posse e mais que o triplo de finalizações que seus adversários. Chega a ser até uma questão anímica neste caso. 

Atualmente o Palmeiras é um time maduro, inteligente e que transparece saber exatamente o que fazer em praticamente todos os problemas que uma partida de futebol cria. 

Você pode não gostar do estilo, achar que estaticamente este elenco poderia entregar mais, mas chega a ser loucura negar o quão sólido o time de Abel Ferreira é. 

Palmeiras conquistou a Recopa Sul-Americana; veja!



Com o tempo de trabalho que tem no clube, o treinador português tem mostrado cada vez mais conhecimento e domínio sob as características de seus atletas. Consegue variar sistemas e peças de jogo para jogo, por vezes até "encaixando" sua estratégia em cima do que o adversário pode lhe trazer como dificuldade. Três zagueiros, dois zagueiros, alternância de saída de bola, troca dos laterais avançando... 

Outro ponto que me chamou bastante a atenção contra o Athletico foi o vasto repertório nas bolas paradas ofensivas. Era várias estratégias nas cobranças, o que só se pode criar com tempo e muitos treinamentos.

Abel Ferreira comemora a conquista da Recopa Sul-Americana pelo Palmeiras
Abel Ferreira comemora a conquista da Recopa Sul-Americana pelo Palmeiras Cesar Greco/Palmeiras

Abel Ferreira e Palmeiras hoje são sinônimo de trabalho. De um processo, de uma linha de trabalho que faz com que todos remem para um mesmo destino. E não precisa ser palmeirense para enxergar isso.

Existe um sentido em tudo isso. Estas taças, simplesmente, não estão sendo empilhadas por mera sorte. Como disse acima, você pode não gostar do tipo de jogo que o Palmeiras entrega, mas beira a insanidade negar os méritos de tudo que este clube e os seus estão entregando nos últimos anos. É competitividade em estado puro.

Comentários

Palmeiras controla y controla: goste ou não de Abel Ferreira, há um sentido por trás de tantas taças

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Domingo é o dia para o Flamengo, e Paulo Sousa já sabe com o que não dá para contar

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues

O ano começa de fato para o Flamengo no próximo domingo. Começa e tem uma pausa até a estreia da Libertadores, é verdade, mas o Atlético-MG, pela Supercopa, em Cuiabá, será o primeiro teste de Paulo Sousa em solo brasileiro.

Teste, aliás, é uma palavra muito utilizada para se elucidar o trabalho do português até hoje. Compreensível, inclusive. Se tem uma hora para fazer experiências, é no começo da temporada. Por outro lado, já podemos dizer o que de fato não rolou e que não deveria ser utilizado contra o Galo.

Paulo Sousa comandando o time do Flamengo
Paulo Sousa comandando o time do Flamengo Marcelo Cortes/Flamengo

Dentre tudo que tentou observar até agora, listamos algumas situações que deveriam passar longe da cabeça do treinador nas escolhas que terá de tomar na decisão contra os mineiros. Vamos a elas:

ISLA COMO ZAGUEIRO PELA DIREITA

A ideia em si, logo de cara, não fazia muito sentido. Isla é um lateral de corredor, força e chegada ofensiva. Um perfil muito mais de ataque ao espaço e bem pouco jogo construído. Tê-lo como zagueiro pela direita, com a função de conduzir e achar passes verticais, não é muito a dele. Realmente não rolou.

E isso não tem nada ver com o fato de ele ser lateral de origem. Filipe Luis, por exemplo, se encaixa na ideia pela esquerda e já trabalhou assim. É mais construtor, sabe jogar de frente e iniciar as jogadas com critério.

DIEGO COMO 1º VOLANTE

Apesar do veterano meia ter qualidade para auxiliar o início das jogadas, ficou explícita a sua dificuldade para trabalhar nas transições defensivas, no momento que o Flamengo perde a bola. Além da dificuldade de mobilidade, o camisa 10 também sofre nos duelos mais físicos e não tem a compreensão apurada para compensar espaços, coisa que Willian Arão faz muito bem.

Diego pode continuar sendo um jogador de rotação no elenco. Mas atuando numa faixa mais adiantada, o tirando de uma zona onde precisa ter urgência na pressão. Por ali, não deu muito bom.


Pedro Torre relata como um torcedor irritou Andreas Pereira, do Flamengo, no estádio 'raiz' do Madureira: 'Entregador de paçoca'





MARINHO POR DENTRO

O reforço para a temporada mostrou, contra o Madureira, dificuldades para se posicionar na faixa central mais uma vez. E isso não quer dizer que Marinho não pode aparecer por dentro, até porque fazia muito isso no Santos. A questão é chegar e não estar. Quando já se posiciona ali, fica desconfortável em receber numa zona de muita pressão e, em vários momentos, de costas.

O ponta teve em seus melhores momentos a função de partir do lado para dentro. Receber com menos pressão e partir de frente para o gol, usando diagonais, pisando na área para concluir. Não consigo vê-lo com grandes capacidades de recepção e giro para trabalhar nessa zona central.

PEDRO E GABIGOL JUNTOS

Não acho que seja algo definitivo, mas a dupla jogando junto desde o início ainda não se encaixou. Creio que seja algo para trabalhar ainda, criar mecanismos e dinâmicas para um médio/longo prazo. A questão é que a ideia ainda não está madura. Falta mais treino, minutos em campo... E o Carioca está aí exatamente para isso.

Comentários

Domingo é o dia para o Flamengo, e Paulo Sousa já sabe com o que não dá para contar

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

E aí, cabe no seu time? Conheça os 20 jovens que se destacaram no futebol argentino em 2021

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues

A temporada no futebol argentino está prestes acabar. Com o River Plate campeão da liga e o Colón surpreendendo ao vencer a Copa da Liga, os hermanos viram, acima de tudo, vários jovens se destacarem em seus campos durante o ano de 2021.

River e Boca, sem dúvida alguma, puxaram a fila neste sentido e colocaram várias joias em campo em uma temporada que foi, acima de tudo, de reestruturação. E tem gente boa nestes dois gigantes.

Então que tal conhecer um pouco sobre estes jogadores tão promissores e dar uma olhada neles nas duas últimas rodadas restantes? Lembrando que os jogos do Campeonato Argentino são transmitidos no canais esportivos do Grupo Disney.

Para isso, separei 20 nomes sub-23 para ficarmos de olho nas próximas temporadas. Alguns deles, inclusive, nem na Argentina devem ficar a partir das próximas janelas de transferências, já que são alvos do futebol europeu.  Apesar de ser um mercado caro para os brasileiros irem às compras, um ou outro poderia pintar por aqui.

Vamos a eles:

JULIÁN ÁLVAREZ (2000) - ATACANTE - RIVER PLATE

Simplesmente o melhor jogador do Campeonato Argentino. Artilheiro da competição com 17 gols marcados e mais 6 assistências, participando diretamente de quase metade dos gols do River, Álvarez dificilmente ficará na América do Sul nas próximas janelas. 

O camisa 9, apesar do talento enorme para concluir as jogadas, é um atacante de mobilidade. Pode jogar como uma referência, mas também como um segundo atacante e até pelas beiradas do campo. Tem uma qualidade técnica absurda para deslocamentos curtos, controle da bola e condução em velocidade.

Se destaca muito pelas leituras que tem, que o colocam sempre em condições de concluir. É muito imprevisível no 1x1. Sua jogada é sempre objetiva: limpa e bate. É um jogador muito além de ser terminal, prepara jogadas para os companheiros tão quanto às conclui.


MARTÍN OJEDA (1998) - PONTA - GODOY CRUZ

Depois de rodar por clubes como Racing e Huracán, Ojeda, enfim, fez a temporada de sua vida com a camisa do Godoy Cruz. Com 12 gols marcados e 3 assistências, o extremo canhoto teve uma temporada de enorme evolução.

Equilibra qualidade técnica e fatores físicos, o que faz dele um jogador bem interessante. Tem velocidade, agilidade e força, mas ao mesmo tempo, bom controle, finta e finalização.

Atua predominantemente pelo lado direito, às vezes até como ala num sistema de três zagueiros. Com o pé invertido, gosta de trazer para dentro e arrematar a gol. Tem chegada na área e leitura para explorar espaços.

 

GASTÓN ÁVILA (2001) - ZAGUEIRO - ROSÁRIO CENTRAL

Emprestado pelo Boca Juniors, Ávila fez por onde para estar no elenco Xeneize na próxima temporada. Foi um dos principais zagueiros do Campeonato Argentino e ainda tem uma grande margem de crescimento.

Canhoto, é um típico zagueiro construtor. Tem uma relação com a bola acima da média para a posição e muita visão de jogo para sair com passes verticais, rasgando linhas dos adversários.

É agressivo defendendo, determinado e muito inteligente para se posicionar. A baixa estatura (1,82m) acaba sendo compensada com a boa velocidade e agilidade para lances mais rápidos.


AGUSTÍN ALMENDRA (2000) - MEIO-CAMPO - BOCA JUNIORS

É o jovem que mais aproveitou as oportunidades e o momento de reconstrução do Boca. Tomou de assalto a posição e termina a temporada como titular de Sebastian Bataglia. Apesar de oscilar um pouco ainda, é um dos jogadores mais interessantes que surgiram na Argentina neste ano.

É um meio-campista completo. Se destaca tecnicamente e fisicamente. Com bola é bastante qualificado. Boa relação com a bola, controle, conduções rápidas e passes para achar companheiros. Tem muita chegada ao ataque e um chute de fora da área muito potente. 

Cobre uma faixa de campo enorme. É um típico área a área. Muita resistência para repetir movimentos com intensidade e leitura para cobrir espaços. Pode ser mais agressivo sem bola, já que tem força física para ir bem nos duelos. É onde precisa evoluir.


NICOLÁS CASTRO (2000) - MEIA - NEWELL'S OLD BOYS

Foi só dar uma regularidade de minutos para Castro que ele demonstrou seu valor. É uma das poucas boas noticias do Newell's na temporada. Mesmo com o time brigando na parte de baixo da tabela, o jovem meia fez um grande ano.

É sem dúvida uma das promessas mais promissoras da posição na Argentina. Dono de uma capacidade técnica incrível, é o típico enganche argentino. Com bola é muito acima da média. Bom passe, visão para achar companheiros e chutes de fora da área. 

É inteligente e determinado a criar soluções para a equipe. Boas escolhas para a idade. Normalmente decide bem as jogadas. Também tem uma boa estatura e margem para crescer seus níveis de força, o que o deixará ainda mais completo. Para almejar coisas maiores, precisa jogar em um ritmo mais alto, principalmente sem bola.


JOSÉ LÓPEZ (2000) - ATACANTE - LANÚS

A boa campanha do Lanús passa muito pela grande temporada de López que, ao lado do veterano Sandi, foi garantia de gols no Campeonato Argentino. Coloca aí 12 gols na conta do jovem atacante.

Com um perfil muito interessante para a posição, com força física e inteligência para explorar espaços, ele ainda tem uma margem grande para evoluir. Pode atuar tanto como ponta como de 9. Neste Lanús, é um segundo atacante ao lado de um cara de mais referência.

Com 1,88m se destaca nas bolas altas, com impulsão e critério nas finalizações de cabeça. É um atacante muito trabalhador sem bola. Grande determinação e agressividade para pressionar e brigar por todas as bolas que aparecem no seu caminho.


THIAGO ALMADA (2001) - MEIA - VÉLEZ SARSFIELD


Em sua última temporada com a camisa do Vélez, o hype de Thiago Almada, enfim, foi confirmado. Uma das grandes promessas do futebol argentino e no time profissional desde muito novinho, o meia-atacante comeu a bola em 2021. Até por isso, está de malas prontas para o Atlanta United, da MLS, em janeiro.

Trata-se de um meia com incrível capacidade técnica. Visão de jogo, bons passes e muita dinâmica para criar oportunidades. É rápido e muito ágil no curto espaço. Tem um bom 1x1. Ainda tem chegada na área e boa finalização, inclusive de média/longa distância. 

Tem uma mentalidade muito competitiva. É agressivo, arisco sem bola. Muito proativo e determinado dentro de campo. Certamente seu caminho não foi a Europa por conta do seu perfil físico. Franzino e com pouca força, tem dificuldade para sustentar os embates corporais.


HÉCTOR MARTÍNEZ (1998) - ZAGUEIRO - RIVER PLATE

Foi um dos principais jogadores da campanha do título do River. Mesmo que tenha ficado um período fora por conta de uma lesão, sobrou e desde que chegou emprestado do Defensa y Justicia, tomou conta da posição pelo lado esquerdo da defesa. Seu contrato acaba agora no fim do ano, mas os Millionarios têm a opção de compra.

É um zagueiro canhoto com uma capacidade de construção incrível. Muitos gols de sua equipe nesta temporada começaram dos seus pés, sempre com visão e precisão nos passes verticais. É muito tranquilo com bola e sempre coloca o time para frente.

Apesar da baixa estatura para a posição (1,82m) se sobressai fisicamente com velocidade e força. Tem ótimas recuperações em velocidade e muito timing para fazer coberturas longas. Agressivo, concentrado e muito competitivo.


ANIBAL MORENO (1999) - VOLANTE - RACING

River Plate é campeão argentino; VEJA

Emprestado pelo Newell's, fez boa temporada apesar do Racing ter grandes problemas estruturais na sua equipe e uma troca de treinador atrás da outra. Contrato acaba no fim de dezembro, mas com opção de compra. Ainda tem boa margem de evolução.

É um médio construtor. Trabalha bem na circulação da bola, gera muito apoio no setor. Está sempre se movimentando para participar do jogo. No geral é muito equilibrado com e sem a bola.

Tem boa capacidade técnica e visão para achar passes em progressão. Com controle, primeiro toque e proteção da bola. Ao mesmo tempo, é bem agressivo e vai bem nos duelos. Apesar de não ser grandalhão, sustenta bem os contatos físicos. 


TOMÁS CHANCALAY (1999) - PONTA - RACING

Outro que se salvou na terrível temporada do Racing. Talvez o melhor da equipe. A referência técnica, sem dúvida. Também tem contrato por empréstimo até o fim do ano e opção de compra no acordo. É jogador do Colón, por onde já vinha de boas atuações.

Chama a atenção sua versatilidade em campo. Atua preferencialmente aberto pelo lado esquerdo do ataque. Trazendo por dentro e usando a perna direita. Mas pode jogar na outra extrema ou mesmo com um meia-atacante. É um jogador que equilibra muito bem criação e conclusão.

Extremamente técnico, tem muito recurso com bola. 1x1 muito forte e finaliza bem. Tem capacidade de achar passes em profundidade e colocar companheiros na cara do gol. Rápido e ágil, tem características físicas também muito interessantes. Precisa ser mais regular apenas, já que oscilou durante o ano.


MATÍAS ESQUIVEL (1999) - MEIO-CAMPO - LANÚS

Entre altos e baixos, conquistou seu espaço no bom Lanús de 2021. Alternou titularidade e reserva, mas mostrou bom nível na maioria das vezes que esteve em campo. Foi o motorzinho da equipe no meio de campo.

É um jogador extremamente dinâmico. Apesar de ser muito baixo (1,67m), consegue até que sustentar bem os embates mais físicos. Esconde bem a bola, gira rápido, tira a posse da zona de pressão.

Trata-se de um jogador que gera o ritmo do setor. Sabe o momento de acelerar e pausar. Tem boa capacidade técnica para girar, achar passes relevantes e resolver problemas num curto espaço.

Muito agressivo sem bola. Determinado, proativo. Tem uma mentalidade bem interessante. Luta muito dentro de campo.


ALEXANDRO BERNABEI (2000) - LATERAL-ESQUERDO - LANÚS

Está aí um lateral para ser lapidado e com grandes condições de chegar em alto nível. Ganhou grande espaço na atual temporada e, mesmo oscilando em alguns momentos, já se mostra um dos principais jogadores da posição na Argentina. Tem muita margem de crescimento ainda.

Se destaca muito pela mentalidade. É extremamente competitivo e determinado em campo. Trabalha muito em prol da equipe. É uma rocha como personalidade. 

Tecnicamente tem recurso, mas ainda precisa melhorar em alguns aspectos, principalmente na precisão dos passes. Tem que ajudar mais na construção. Tem bom 1x1 ofensivo e cruza com critério. Fisicamente também se destaca. Muita resistência e velocidade.


ENZO FERNÁNDEZ (2001) - MEIO-CAMPO -  RIVER PLATE

Depois de uma passagem por empréstimo no Defensa, chegou chegando de volta ao River Plate. Foi ganhando espaço aos poucos e termina a temporada como titular e atuações muito consistentes. Muito jovem ainda, tem um lastro enorme para crescer como jogador.

É praticamente um "todo-campista". Apesar das características mais defensivas, exerce várias funções dentro de campo. Mas a sua grande qualidade é a capacidade de manter ritmo no setor. Tem uma resistência absurda para ir de área a área, marcar, finalizar, criar, desarmar... É uma máquina neste sentido.

Tem boa capacidade técnica e visão para achar passes. Mostrou um bom volume de passes decisivos durante a Liga Argentina. Mentalidade muito forte. Arrisca, busca, luta, agride. É um dos grandes jogadores argentinos do futuro. Sem dúvida alguma.


SANTIAGO SIMÓN (2002) - MEIO-CAMPO - RIVER PLATE

Ainda mais jovem que Fernández, Simón é outro que veio comendo pelas beiradas e termina a temporada em alta na Argentina. Quando ganhou uma sequência como titular, não saiu mais. Jogador por passagem por várias seleções de base do seu país.

Também é bastante versátil. Trabalha predominantemente como um médio pela direita. Um ponta mais defensivo ou winger, como chamam na Europa. E tudo isso com uma capacidade física gigante. É pressão pura. Muito agressivo e proativo sem a bola.

Com ela, tem grande capacidade técnica. Tem 1x1 ofensivo, é muito difícil enfrentá-lo no mano. Tem também visão e passe para achar companheiros em condições de finalizar. Ainda oscila um pouco, mas é talento puro.


LUIS VÁZQUEZ (2001) - CENTROAVANTE - BOCA JUNIORS

Durante a tumultuada temporada do Boca, com reconstrução, troca de treinador e resultados ruins no início da Liga Argentina, Vázquez foi uma das grandes notícias xeneizes do ano. Com jogadores da posição lesionados, o gigante de 1,90m ganhou espaço rapidamente.

É um centroavante com um perfil muito interessante. Além de ótima estatura, tem velocidade em campo aberto e capacidade técnica de jogar também, criar situações, trabalhar no pivô. Consegue reter bem a bola no ataque, escora bem, acha passe para quem vem de trás. 

Seu jogo aéreo é muito forte. Tanto em disputas de primeira bola quanto em cruzamentos para finalizar. Dificilmente perde esse tipo de briga. Além da altura, tem impulsão de sobra para ganhar dos zagueiros.


FACUNDO FARÍAS (2002) - MEIA-ATACANTE - COLÓN

Apesar da idade, fez uma temporada de gente grande. Mostrou uma personalidade assustadora, com desempenho de jogadores muito mais afirmados no futebol. Foi, sem dúvida alguma, uma das referências técnicas do bom ano do Colón de Santa Fé.

Do meio para frente, pode atuar quase em todas. Apesar de ter condições de jogar pelos lados, funciona melhor como um meia ou segundo atacante. E é assim que vem se destacando na Argentina.

Tecnicamente é talento puro. Tem praticamente tudo que um jogador de alto nível precisa ter no ataque. Drible, passe, finalização de curta/média distância, ousadia... É arco e flecha ao mesmo tempo. Cria e conclui.

Apesar de não ser dos mais altos (1,72m) até que sustenta bem os choques. Ainda tem margem para crescer fisicamente, principalmente quando o assunto é resistência. Costuma cair um pouco no fim do jogo.

Mentalidade muito interessante. Não se esconde, não tem medo de errar. Concentrado e com boas decisões.

 
ALAN VELASCO (2002) - PONTA - INDEPENDIENTE

Um dos mais jovens que se destacaram na temporada argentina, Velasco ainda busca afirmação. Mas o talento está ali, só não vê quem não quer. E 2021 foi um ano importante para o franzino jogador do Independiente, que tende a dar passos maiores nos próximos anos.

Apesar de poder jogar como um meia atrás do 9 e até como um centroavante de mais mobilidade, seu forte é atuar pelos lados. No esquerdo de preferência, onde joga com o pé trocado trazendo para dentro.

É um extremo de muita habilidade e velocidade. Tecnicamente tem muito talento. Precisa querer mais o gol. Quando conseguir um número maior de tentos, vai se jogar a outro patamar.

É muito agressivo sem bola. Se mostra muito competitivo e concentrado no que tem que fazer em campo. Essa mentalidade nos dá bastante expectativa para ter uma margem grande de crescimento ainda.


GABRIEL FLORENTÍN (1999) - MEIA - ARGENTINOS JUNIORS

Mesmo numa temporada terrível do Argentinos, Florentín conseguiu mostrar o seu valor. Com passagem pela base do River Plate, se encontrou na atual temporada e dá mostras que pode crescer ainda mais nos próximos anos.

É um típico enganche argentino. Apesar de poder atuar numa faixa mais recuada do campo, se sente bem atuando atrás do centroavante, com passes em profundidade e fintas rápidas para finalizar de fora da área.

Fisicamente sente um pouco de dificuldade no contato, mas tem velocidade e agilidade para tirar rapidamente a bola da pressão. Sem a posse, precisa ser mais agressivo e participativo. Além disso, tem margem para melhorar nas tomadas de decisão.


VALENTÍN BARCO (2004) LATERAL-ESQUERDO - BOCA JUNIORS

O mais jovem da lista. Quase não jogou no time profissional ainda, mas quando deu as caras, mostrou um talento incrível. Foi titular em alguns jogos no começo da competição, com o Boca tendo vários casos de COVID, depois retornou ao time reserva. É das seleções de base da Argentina.

Não dá para chamá-lo de destaque na temporada, mas entra aqui na nossa seleção por conta da qualidade e projeção futura que tem.

Lateral extremamente agressivo e agudo. Tem um 1x1 ofensivo muito forte. Vai dentro dos caras mesmo. E uma personalidade muito forte. Não tem medo de ir para o confronto, busca o diferente.

Sem bola trabalha muito. Ligado no 220v à todo o momento. É um jovem para ser lapidado e virar um dos grandes da América do Sul.


LUCA ORELLANO (2000) - PONTA - VÉLEZ SARSFIELD

Iniciou a temporada muito bem. Titular, bons jogos, assistências e gols. Mas foi perdendo espaço na reta final. Perdeu um pouco da consistência e é esse o foco que precisa ter em 2022. Mesmo assim, existe muito talento neste ponta canhoto.

Joga preferencialmente pela direita, para trazer a bola para dentro, finalizar ou achar algum companheiro em condições de finalizar. Tecnicamente tem muito recurso. É extremamente habilidoso na jogada pessoal, capaz de desmontar defesas.

Muito rápido, é difícil pegar na velocidade. Ainda mostra boa disposição para trabalhar sem bola. É agressivo, competitivo e muito ligado. Na hora que melhorar sua tomada de decisão, o céu é o limite.

MAIS ANÁLISES EM:

Instagram: @rnato_rodrigues

Twitter: @rnato_rodrigues


Comentários

E aí, cabe no seu time? Conheça os 20 jovens que se destacaram no futebol argentino em 2021

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

O Xavi treinador ainda não é o Xavi jogador

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues
Xavi em apresentação como novo técnico do Barcelona
Xavi em apresentação como novo técnico do Barcelona Marc Gonzalez Aloma/Europa Press via Get


"Torcedores, calma!". Certo?

Sim, talvez essa seja a expressão mais apropriada com a expectativa gigantesca sobre o Barcelona que agora será treinado por Xavi Hernández, um dos maiores ídolos da história do clube catalão.

A notícia de que ele chegou a negociar com a CBF para ser auxiliar de Tite e assumir a equipe após a Copa do Mundo é mais um ponto de empolgação. E a verdade é que todos enxergam nele a inteligência e maestria como jogava agora como treinador.

Mas a verdade é que a amostragem do espanhol até aqui como técnico é muito pequena para criarmos verdades absolutas. Mais que isso: a margem de análise que temos é em uma liga pouco competitiva e em um centro sem grande peso no futebol mundial. Seu trabalho no Catar foi muito bom, mas não a ponto de toda essa emocionada que o pessoal está dando.

Então você quer dizer que o Barcelona foi mal? Que o Xavi não é o cara certo para assumir a equipe? Também não.

Pelo seu nível de entendimento de jogo, desde os tempos de jogador, por toda sua conexão com o Barcelona, por tudo que fez no futebol como atleta, Xavi tem tudo para ser um treinador de topo. Mas a verdade é: ele ainda não é.

Barcelona: Xavi é recepcionado por torcida na volta ao Camp Nou, se emociona e assina contrato como novo técnico


Até por isso, trata-se de uma aposta. Arriscada como qualquer uma quando falamos de treinadores novatos. É um cara preparado, conectado ao jogo, que tem conteúdo e as costas largas para segurar o rojão que é assumir o Barça hoje em dia. Mas não é garantia.

Ao ver toda essa empolgação em cima de seu nome, logo me vem à cabeça a ideia criada de que ele pode ser o novo Pep Guardiola do clube. E existem semelhanças. Ambos pensam o jogo de forma parecida, viveram momentos mágicos no clube, mostram um QI acima da média sobre o assunto. Mas acho que para por ali.

O próprio Barcelona de Guardiola ficou para trás. Foi a melhor equipe que vi jogar e certamente uma das mais importantes da história do futebol. Existe sim o esporte antes e depois daquela equipe. Ela mudou os rumos do jogo. Mas o futebol praticado por ela não existe mais.

É só olhar para o próprio Manchester City de Pep atualmente. Mantém vários princípios e pilares daquele modelo de jogo ancorado pelo Jogo de Posição, mas é feito de uma maneira totalmente diferente. O futebol atual pede mais agressividade e verticalidade. E o próprio Guardiola entendeu isso. Talvez esse seja a sua maior qualidade: não ter sentado em cima de um modelo vitorioso e sim ir se atualizando conforme o jogo pedia. 

Imaginar uma segunda versão daquele Barcelona histórico de uma década atrás com Xavi chega a beirar a loucura. Primeiro que Xavi não é Guardiola. Segundo que o Xavi treinador ainda não é o Xavi jogador.

Xavi é uma aposta que faz sentido. Mas segue sendo uma aposta. O tempo nos dirá qual tamanho ele terá nessa nova função.

SIGA-ME EM MINHAS REDES

Instagram: @rnato_rodrigues

Twitter: @rnato_rodrigues

Comentários

O Xavi treinador ainda não é o Xavi jogador

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

As diferentes formas de perder e o que Renato Gaúcho está devendo no Flamengo

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues

Perder é do jogo. Por mais que você fique p*** da vida, não existe alguém que não se frustrou com qualquer esporte. Mas olhar para o futebol, de uma maneira mais fria, nos traz o sentimento das diferentes formas de se perder, do que cobrar e como medir o desempenho de uma equipe.

O Flamengo de Renato Portaluppi nos traz profundamente para esta análise. Inclusive quando ganha!

O bom início de trajetória do treinador na Gávea já mostrava alguns indícios destes. Goleadas, mas sempre em situações específicas, dando espaços, mantendo pouco controle sobre o jogo e, principalmente, apostando tudo nas individualidades acima da média que o elenco rubro-negro possui.

E nas derrotas, em momentos decisivos da temporada, tudo isso ganha uma dimensão ainda maior. Não foram poucas as pessoas que alertaram sobre problemas estruturais que este Flamengo demonstrava mesmo quando somava três pontos. Mas comentar resultado, realmente, é o nosso forte no Brasil. A maioria fecha os olhos e só vamos!

Copa do Brasil: Athletico-PR faz 3 no Flamengo, cala Maracanã e está na final; VEJA gols


  



         

Dois problemas ficaram bastante explícitos nas últimas derrotas do Fla contra Fluminense e Athletico-PR.

O primeiro é defensivo, que impacta diretamente em como a equipe se defende em transições ofensivas do adversário. O que chamamos de balanço defensivo, que nada mais é o posicionamento dos jogadores que ficam na retaguarda defensiva enquanto o time se organiza no ataque, se mostrou muito fragilizado.

Em vários momentos a equipe carioca sofria contra-ataques com inferioridade numérica. Mais que isso, sem um posicionamento que fazia sentido, já que os jogadores adversários tinham tempo de girar e conduzir a bola em velocidade. Isso foi crucial para a eliminação.

Quando ataca, o Flamengo também mostra problemas conceituais em seu jogo. Principalmente no que condiz gerar espaços contra defesas mais fechadas. E quando tecnicamente não consegue colocar o que tem de melhor em campo, com lesões e convocações, isso fica ainda mais claro.

A equipe de Renato não tem movimentos estabelecidos para gerar desequilíbrio nas defesas adversárias. Trabalha na individualidade apenas, simplesmente apostando no talento inato dos seus jogadores. O que deveria ser o contrário. Um coletivo bem estimulado para potencializar ainda mais a capacidade técnica de seus atletas.

Renato Gaúcho vive fase ruim no comando do Flamengo
Renato Gaúcho vive fase ruim no comando do Flamengo Gilvan de Souza/Flamengo

Falta movimento, falta organização ofensiva. 

Apesar de ter criado um caminhão de chances na segunda etapa, dá para perceber que foi algo muito mais estabelecido pelas individualidades, pela necessidade do jogo, do que propriamente algo estrategicamente pesando.

Renato tem seus méritos. Nenhum treinador conquista o que ele conquistou simplesmente por sorte. Para desempenhar este papel é necessário muito mais que conhecimento e execução tática. Mas, sem dúvida alguma, nas últimas partidas, é nisso que Portaluppi está devendo.


SIGA-ME EM MINHAS REDES

Instagram: @rnato_rodrigues

Twitter: @rnato_rodrigues


Comentários

As diferentes formas de perder e o que Renato Gaúcho está devendo no Flamengo

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

As retrancas que não me deixam jogar: afinal, quando isso vai parar no futebol?

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues
Renato Gaúcho no último treino do Flamengo
Renato Gaúcho no último treino do Flamengo Alexandre Vidal / Flamengo

Sim, o título deste post é totalmente irônico. Então leia o texto, eu não estou louco. E se for para discordar, deixe para o final.

Se tem uma parada bem bizarra no futebol é a desculpa: "meu time não ganhou porque o adversário jogou fechado demais". Após o  0 a 0 contra o Cuiabá, no último domingo, dentro de casa, Renato Gaúcho deixou essa insatisfação bastante nítida em vários momentos da sua entrevista coletiva. Nas redes sociais, vários torcedores também foram na mesma linha.

E deixando bem claro aqui: essa não é um exclusividade do treinador do Flamengo. É algo bem recorrente e que por vezes passa desapercebido.

Mas o grande problema deste argumento é que ele simplesmente não faz o menor sentido.

O primeiro ponto é entender que não existe só uma maneira de se jogar futebol. Vivemos tempos no Brasil em que tem sido reproduzido um discurso só um tipo de futebol é válido. Um pensamento de que estratégias que fogem da opinião comum são simplesmente uma afronta à história do esporte. Resumindo: só pode jogar ofensivamente, no campo do adversário, pra frente... Fora isso, está errado. E ponto.

Trata-se de até de um pensamento quase que antidemocrático. 

Mas sabemos bem que não é assim que funciona. Existem inúmeras formas de vencer e perder, e jogar bem trata-se, pelo menos pra mim, de se aplicar com sucesso a estratégia imposta para aquela partida. Se é bonito ou feio, aí depende. É um gosto meramente particular, que cada um tem o seu.

Dito isto, fica claro que o Cuiabá, dentro do que planejou, fez um ótimo jogo e o Flamengo, dentro do que tinha com estratégia na partida, não foi eficiente. Simples assim.

Brasileirão: Flamengo pressiona, mas não consegue furar o bloqueio do Cuiabá; veja os melhores momentos


No duelo do Maracanã, o time visitante optou por baixar o bloco defensivo, congestionar o centro do campo e obrigar a equipe rubro-negra a atuar mais pelos lados. Com isso, vimos um festival de cruzamentos. Muitas vezes eles eram feitos de forma antecipada (na entrada do terço ofensivo e não chegando no fundo), o que facilitava as rebatidas de Paulão e Empereur. No fim das contas, foram 46 bolas alçadas na área. 

E lá vamos nós quebrar mais um preconceito: não existe problema em cruzar. Aliás, é um artifício bem válido, desde que seja feito com critério. Da maneira que o Flamengo o fez e sem ter jogadores com características para vencer os duelos aéreos, realmente não fez sentido.

Dizer que o adversário não jogou é no mínimo desrespeitoso. Ainda mais quando se fala de uma equipe inferior tecnicamente, que briga por permanência na primeira divisão diante de um time amplamente mais qualificado. É simplesmente tirar o mérito de atletas que se doaram por uma causa, treinaram, se concentraram e se aplicaram totalmente por ela. É simplesmente esconder o fato do seu plano não ter dado certo.

E não tem problema nisso. Tem jogos que não acontecem, que você não flui. Realmente é difícil se sobrepor  a este tipo de estratégia. Não é só o Flamengo que encontra essas dificuldades neste tipo de cenário. A questão aí é reduzir o trabalho do oponente a "só se defender". Defender é jogar. 

Não é jogar o tipo de jogo que você gosta de assistir? Ok. Está no seu direito. Mas é futebol, queira você ou não. E com tudo dentro da regra.

Mais que isso: é querer aplicar sua estratégia de jogo e ainda querer controlar a estratégia do adversário. "Ora, joga mais aberto aí, preciso de espaço para meu jogo funcionar". Não dá. Parece papo de doido, não?

Após empate do Flamengo, Renato Gaúcho critica arbitragem: 'O VAR tem que parar de apitar o jogo'


Espaço, algo tão raro no futebol atual, precisa ser criado e existem mecanismos e estímulos para isso. Por outro lado, a cada rodada que passa, fica claro que o Flamengo tem grandes dificuldades de se desenvolver neste sentido. Desde a chegada de Renato Gaúcho o time rubro-negro tem funcionado muito melhor em transições ofensivas, recuperando a bola e acelerando as jogadas com o adversário desorganizado. E esse é, de fato, um ponto relevante para se discutir. 

Cobrar que o adversário faça o que você julga melhor para sua equipe é inimaginável. Mais que isso, beira a insanidade.

Instagram: @rnato_rodrigues

Twitter: @rnato_rodrigues

Comentários

As retrancas que não me deixam jogar: afinal, quando isso vai parar no futebol?

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Com mais bola no chão e menos cruzamentos, Sylvinho vai dando suas cartas no Corinthians

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues

É nítida a melhora do Corinthians nos últimos jogos. Obviamente que a qualidade acrescentada com Róger Guedes, Willian, Giuliano e Renato Augusto é o principal motivo deste avanço em desempenho, mas também existem algumas ideias de seu treinador por trás disso.

De um time extremamente vertical com Vagner Mancini, Sylvinho vai conseguindo, enfim, colocar um pouco de suas ideias em prática e o que vemos hoje é um Timão mais propositivo, fazendo um jogo mais apoiado e com bola no chão.

Prova disso é o aumento na média de passes por jogo. Com o treinador anterior, 430,7 por jogo, com 340,4 em média de acertos. Agora, com o ex-lateral-esquerdo, a média subiu para 501,2 por partida, com 424,2 de passes certos. E não precisamos só de números para comprovar isso.

Veja na imagem abaixo como o time joga mais perto, com mais circulação de bola, mais aproximação e, principalmente, triangulações. Isso tem muito a ver com a qualidade dos atletas, que tecnicamente produzem lances mais rápidos, com maior precisão nos passes e domínios, muitas vezes já os orientando para o espaço correto.

Veja como o Corinthians ataca com mais compactação
Veja como o Corinthians ataca com mais compactação DataESPN

O Corinthians é hoje, também pelas qualidades individuais que acrescentou, mas não só, um time mais dinâmico. Joga mais rápido, muitas vezes de primeira. Finaliza melhor, chega melhor, toma melhores decisões no terço final. E isso acontece principalmente pelo bom trabalho no espaço entrelinhas, nas costas dos volantes, entre as duas linhas de marcação, como vemos abaixo.

Jogadores sempre se posicionando nas costas dos volantes
Jogadores sempre se posicionando nas costas dos volantes DataESPN

Por outro lado, Sylvinho tem o peso de organizar tudo isso. O coletivo vem primeiro. Juntar qualidade não é garantia de ter um time de qualidade. Até por isso, algumas ideias claras deste time vão para conta do treinador.

Cantillo como primeiro volante por exemplo. Com a escolha, questionada por muita gente, ele aumentou a qualidade na iniciação das jogadas. Por ter um time mais protagonista, faz sentido ter o colombiano ali vendo o jogo por trás. Convencer William, Renato Augusto e Giuliano trabalharem forte sem a bola também é um trunfo. Sem isso, inevitavelmente veríamos uma equipe desequilibrada, principalmente nas transições defensivas.

Sylvinho ganha sobrevida depois de ser muito criticado
Sylvinho ganha sobrevida depois de ser muito criticado Agência Corinthians

Trazer os pontas por dentro e abrir corredores para os laterais também é outro ponto utilizado para ocupar de maneira lógica os espaços ofensivos. Além de Roger Guedes como um típico falso nove, saindo da referência, gerando superioridade numérica no setor da bola e abrindo espaço para as chegadas dos companheiros infiltrando.

Obviamente que trata-se de um Corinthians com caminho considerável pela frente. A qualidade chegou agora, muitos dos jogadores que reforçaram o elenco ainda nem estão na sua condição física ideal. Existe muito a acrescentar. Mas é uma trajetória promissora.

Sylvinho fala sobre volta da torcida


Sem um 9 de referência, mais pelo chão

Róger Guedes tem tido um bom início com a camisa do Corinthians
Róger Guedes tem tido um bom início com a camisa do Corinthians Rodrigo Coca / Ag. Corinthians

Outro ponto de mudança deste Corinthians nos últimos jogos é não busca pelo jogo aéreo dentro da área. Para se ter uma ideia, nas últimas três partidas, sem Jô como titular, a equipe alvinegra cruzou pouco.

Contra o Palmeiras foram apenas 11 tentativas. Já na partida desta terça-feira, contra o Bahia, mesmo atrás do placar por um período, foram 16. Com jogadores técnicos e, na maioria dos casos, sem grande imposição física neste tipo de jogada, realmente não faz sentido alçar bolas na área à rodo.

A exceção foi contra o Red Bull Bragantino, talvez o melhor jogo com Sylvinho no comando se levarmos em conta o desempenho. Em Bragança, foram 30 tentativas. Mesmo assim, os gols aconteceram pelo chão. Com circulação, aproximação e paciência.

Instagram: @rnato_rodrigues

Twitter: @rnato_rodrigues

Comentários

Com mais bola no chão e menos cruzamentos, Sylvinho vai dando suas cartas no Corinthians

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Como Raphael Veiga ‘se sacrificou’ para seguir estratégia de Abel Ferreira e parar o Atlético-MG

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues

Raphael Veiga participou do SportsCenter e também comentou a análise feita pelo Data ESPN.


         
     


Comentários

Como Raphael Veiga ‘se sacrificou’ para seguir estratégia de Abel Ferreira e parar o Atlético-MG

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

DataESPN: Em jogo 'espaçado' e de muita trocação, Flamengo usa suas individualidades e é letal em velocidade

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues


O Flamengo venceu o Barcelona por 2 a 0, nesta quarta-feira, no Maracanã, pelo jogo de ida da semifinal da Conmebol Libertadores, e encaminhou bem a ida à grande final continental para buscar seu 3º título.

CLIQUE AQUI e veja Barcelona de Guayaquil x Flamengo em transmissão AO VIVO no FOX Sports e também pela ESPN no Star+

Comentários

DataESPN: Em jogo 'espaçado' e de muita trocação, Flamengo usa suas individualidades e é letal em velocidade

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Os contextos de jogo e o crescimento de Michael com a camisa do Flamengo

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues

2019. O Goiás, no meio de tabela do Brasileirão, não sofreu muitos riscos de cair porque tinha um jogador decisivo em sua equipe. Um baixinho que, com campo para acelerar, era praticamente imparável na corrida e nos dribles. 

Esse ponta rapidinho era Michael, que na temporada seguinte se transferiria para o poderoso Flamengo de Jorge Jesus, campeão de tudo e protagonista em todos os jogos que fazia. Pela frente o jogador de agora 25 anos teria um contexto totalmente diferente para se adaptar.

E foi daí que veio sua dificuldade em seu início de Flamengo.

Brasileiro: Flamengo vence Palmeiras com show de Michael no Allianz Parque; VEJA os gols!

De um time extremamente vertical, que dava a bola para o adversário e o acionava com muitos metros para contra-ataques, Michael chegou em uma equipe com ampla posse de bola, jogo no campo de adversário e pouco espaço para acelerar. Meu pé atrás sempre foi em cima disso: o contexto.

Por ser um jogador mais leve, que tem dificuldade nos duelos mais físicos, jogar em zonas com muita pressão na bola não o deixa confortável. Vindo por dentro, pegando a bola de costas... Isso não daria certo. O negócio melhorou quando ele passou a jogar em mais campo aberto.

E ficou claro que, enquanto o Flamengo era um time de mais jogo curto, associações e jogadas combinadas em pouco espaço, o atacante não conseguiu ser potencializado. Eis que chegou Renato Gaúcho.

Apesar de já vir dando mostras de evolução com o treinador anterior, no caso Rogério Ceni, foi com Portaluppi que o camisa 19 parece ter encontrado a sua melhor versão. E isso, mais uma vez, está totalmente elencado ao... Contexto!

Michael marca contra o Palmeiras no Allianz Parque
Michael marca contra o Palmeiras no Allianz Parque Marcelo Cortes/Flamengo

Hoje o Flamengo é um time que tem diversas faces. Se mostra maduro para jogar tanto no campo do adversário, com posse e tabelas curtas, quanto esperando mais o adversário, controlando o jogo sem bola e saindo rápido quando a recupera. E aí entra Michael, com o que tem de melhor para entregar.

Contra o Palmeiras, isso ficou bem claro. O Rubro-Negro escolheu esperar o rival paulista dado momento do jogo e acionou ponta na situação que ele tem de melhor: com espaço, metros pela frente para acelerar. O primeiro gol ele faz a leitura e pisa na área para concluir. No segundo, "puro suco" de Michael. Tento, aliás, que lembra seus melhores momentos de Goiás.

Michael recebe, em transição ofensiva, com espaço para avançar
Michael recebe, em transição ofensiva, com espaço para avançar DataESPN

Como vemos no frame acima, perceba o espaço para acelerar, as coberturas desajustadas e, principalmente, a linha defensiva desorganizada. Agora olhe as próximas imagens aqui abaixo. São gols e assistências dele. Percebe alguma semelhança?

Contra o Volta Redonda, também beste ano: campo aberto para Michael
Contra o Volta Redonda, também beste ano: campo aberto para Michael DataESPN
Jogo na Vila Belmiro e assistência de Michael. Olha a situação da defesa do Santos
Jogo na Vila Belmiro e assistência de Michael. Olha a situação da defesa do Santos DataESPN

A verdade é que, quando o Flamengo apresentou um contexto mais favorável para Michael, ele pôde usar suas melhores armas. No fim das contas, tudo no futebol "DEPENDE". Depende de onde, como, quem... Da ideia por trás, da estratégia. Normalmente temos muito mais jogadores fora de contexto do que necessariamente ruins.

Quase todo mundo serve para alguma coisa. Basta explorar o que cada um tem de melhor. 

Instagram: @rnato_rodrigues

Twitter: @rnato_rodrigues

Comentários

Os contextos de jogo e o crescimento de Michael com a camisa do Flamengo

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Suco de 'Cuquismo': como Atlético-MG destruiu o River Plate bem no estilo Cuca

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues

Comentários

Suco de 'Cuquismo': como Atlético-MG destruiu o River Plate bem no estilo Cuca

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Dudu e o domínio em Palmeiras x São Paulo: a análise da atuação do atacante no DataESPN

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues

Comentários

Dudu e o domínio em Palmeiras x São Paulo: a análise da atuação do atacante no DataESPN

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

DataESPN: Os gols de Adson, a construção das jogadas e a 'leitura de espaço' do corintiano

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues

Comentários

DataESPN: Os gols de Adson, a construção das jogadas e a 'leitura de espaço' do corintiano

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Flamengo aproveita as fragilidades e vence no Paraguai; veja a análise do Data ESPN

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues

Comentários

Flamengo aproveita as fragilidades e vence no Paraguai; veja a análise do Data ESPN

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

A função de Dudu e o 'encaixe frouxo' no gol de Luan em São Paulo x Palmeiras

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues


No primeiro jogo do duelo brasileiro das quartas de final da Conmebol Libertadores, São Paulo e Palmeiras ficaram no empate por 1 a 1 nessa terça-feira (10), no Morumbi. A equipe da casa saiu na frente com gol de Luan, aos 9 minutos do segundo tempo. E Patrick de Paula, cobrando falta aos 29, empatou para o Palmeiras.



Comentários

A função de Dudu e o 'encaixe frouxo' no gol de Luan em São Paulo x Palmeiras

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Como Abel Ferreira mudou totalmente o sistema de marcação do Palmeiras contra o São Paulo

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues


No primeiro jogo do duelo brasileiro das quartas de final da Conmebol Libertadores,São Paulo e Palmeiras ficaram no empate por 1 a 1 nessa terça-feira (10), no Morumbi. A equipe da casa saiu na frente com gol de Luan, aos 9 minutos do segundo tempo. E Patrick de Paula, cobrando falta aos 29, empatou para o Palmeiras.



Comentários

Como Abel Ferreira mudou totalmente o sistema de marcação do Palmeiras contra o São Paulo

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Missão Messi: como Maurício Pochettino encaixará o craque argentino com Neymar e Mbappé?

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues

Pensa num problema bom. Agora multiplique por 10. Bom, é com isso que Mauricio Pochettino, treinador do PSG terá que se "preocupar" nas próximas semanas. 

Com Neymar e Mbappé no elenco, mais as chegadas de Sergio Ramos, Wijnaldum e Hakimi, o treinador do PSG agora vai receber Lionel Messi, que viu sua renovação com o Barcelona subir no telhado, e chega sem contrato à França.

O grande questionamento passa a ser: como escalar tanto cara bom junto e não deixar de ter uma equipe equilibrada?

As opções do treinador argentino são muitas. Adaptações, diferentes sistemas, variações com e sem a bola... No futebol quase tudo é possível, desde que seja bem treinado, pensado e, principalmente, executado pelos atletas, que são os verdadeiros protagonistas.

Montar o atual PSG vai partir, antes de tudo, do tridente de ataque que Pochettino terá nas mãos. Tudo começa por Neymar, Mbappé e Messi. E para iniciar a montagem de uma estrutura sólida, precisamos entender bem a característica de cada um deles.


Neymar comemora chegada de Lionel Messi


  




         

O primeiro ponto é que nenhum é um centroavante de fato, daquele típico, tipo Icardi (este vai ter dificuldade para jogar, aliás). Neymar e Messi se equivalem em características, ambos são arco e flecha, armam e finalizam, com obviamente o brasileiro com mais capacidade de mobilidade por conta da idade.

Já Mbappé é a flecha pura. Jogador de atacar espaços, de explosão e de grandes distâncias. Provavelmente é quem será incumbido da profundidade, de empurrar a linha defensiva adversária para trás, jogando no limite dela, para explorar a bola no ponto futuro. 

Pochettino já pode começar a quebrar a cabeça para montar seu PSG
Pochettino já pode começar a quebrar a cabeça para montar seu PSG Getty Images

Com isso, é bem provável afirmar que o PSG terá um ataque muito móvel, com frequentes trocas de posição. O prodígio francês vai trabalhar muito sem bola, em diagonais, saindo da área, para Neymar e Messi virem carregando a bola de trás. Um volante infiltrador também não seria nada mal na montagem dessa engrenagem.

Em um 4-3-3 por exemplo (imagem abaixo), você teria Messi e Neymar partindo do lado para o centro e abrindo corredor para Hakimi e Diallo, por exemplo. Com Paredes, Gueye e Verratti, você tem opções de construção por trás e também mais pegada na marcação. Wjinaldum, como típico área a área, seria o cara de mais chegada no terço ofensivo.

 

[]

Pois bem a primeira opção é simplesmente baixar Neymar e Mbappé na linha de meias e fecharem o lado do campo, passando a um 4-1-4-1. A segunda, e mais provável, é liberar o brasileiro ao lado de Messi e usar duas linhas de 4 em fase defensiva (veja na próxima imagem). Neste caso, Mbappé seria mais sacrificado e Wjinaldum fecharia o lado esquerdo, por exemplo.

[]

Estas variações seriam estruturalmente mais tranquilas, mas existem também opções em outras plataformas. Se quiser usar uma estrutura com 3 zagueiros e o ótimo Kimpembe, Pochettino pode partir para um 3-4-2-1, por exemplo, algo que ele já utilizou bastante em outros trabalhos. Di Maria poderia ser um dos alas e ele poderia usar a melhor versão de Hakimi (veja abaixo).

[]

A verdade é que são várias as opções, desenhos e características que o comandante do PSG terá durante a temporada. Tudo vai depender da estratégia desenhada para o próximo confronto, do adversário e do casamento de características que terá que encaixar.  Para ser competitiva, a equipe de Paris terá de ter um modelo de jogo forte, com aplicação dos atletas e muita intensidade sem a bola. São várias as equipes na história do futebol que se apresentaram como galácticas e que na hora da verdade não funcionou coletivamente.

Os últimos autógrafos de Lionel Messi a torcedores do Barcelona


  




         

O futebol tem sido cada vez mais o todo trabalhando para o individual e não o contrário. Individualidades com certeza não faltarão ao PSG, mas o desafio para fazer "tudo isso" funcionar não é dos mais tranquilos.

O problema de Mauricio Pochettino é bom. Mas não deixa de ser um problema.

Instagram: @rnato_rodrigues

Twitter: @rnato_rodrigues

Comentários

Missão Messi: como Maurício Pochettino encaixará o craque argentino com Neymar e Mbappé?

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

mais postsLoading