Vinicius Jr. vira pedra no mocassim de Tite na seleção brasileira

Antero Greco
Antero Greco

Pessoal, perdi a conta das vezes em que vi convocações da seleção brasileira. Da mesma forma, já nem sei mais em quantas ocasiões testemunhei idiossincrasias de treinadores com relação a alguns jogadores. Idiossincrasia, em Português simples, pode ser tomada como “cisma”, para o bem ou para o mal. Para trocar mais em miúdos: o “professor” pega birra com um atleta; daí, ou o chama sempre, mesmo em má fase, ou o despreza, mesmo que entre na lista para compor o grupo. 

Para citar de cabeça, lembro de Zagallo, que desprezou Ademir da Guia em 74 e só o colocou em campo meio-tempo, na disputa do terceiro lugar; de Cláudio Coutinho, com a insistência de ter Edinho como lateral em 1978; de Telê, que ignorou a fase de Leão e não o levou para o Mundial de 82; de Parreira, que só chamou Romário na última partida eliminatória para a Copa de 94; de Dunga, que não quis saber do jovem Neymar para a aventura na África do Sul em 2010. Tem um monte de casos.

Para Tite, Vini Jr. tem condições de atingir o nível do Real Madrid na seleção brasileira

         
     

É o que acontece agora com Vinicius Jr em relação a Tite. O rapaz está comendo a bola no Real Madrid, é o destaque, com dribles, assistências e gols, muitos gols. Com 21 anos (22 em 12 de julho) é mais maduro, mais robusto, além de técnica e taticamente mais evoluído do que na época em que apareceu no Flamengo. Olha que, então, ele já era muito bom. Agora confirma as expectativas que se criou em torno dele e justifica os milhões de euros que os espanhóis despejaram para levá-lo. 

Sem exagero, e já correndo o risco de exagerar, dá para dizer que é um dos melhores, senão o melhor brasileiro em atividade, aqui ou no Exterior. Supera seus companheiros de clube, Casemiro e Rodrygo (também chamados hoje), brilha mais do que Gabigol, Raphinha, Gabriel Jesus, Antony e até Neymar, que dispensa apresentações, porém atravessa etapa delicada, com contusão. 

Mesmo assim, Tite não derrama elogios para Vini Jr. Ao contrário, recorre a discurso conservador e cauteloso para tecer considerações e justificar por que não o enxerga como titular da seleção. Nesta quinta-feira, voltou a dizer que não se deve esperar demais de atletas nesse estágio, pois a oscilação aparece com frequência; lembrou que o moço demorou para firmar-se no Real; alegou que lhe tem oferecido oportunidades e advertiu para o risco de excesso de expectativa. Pediu calma. 

Em resumo: dá a impressão de que ainda não bota fé em Vini Jr. 

Tite não é paraquedista na profissão, tampouco aventureiro que apareceu do nada. Por isso, ao ficar cheio de dedos com o atacante sensação do momento deixa transparecer essa incerteza. Nem vale muito o argumento da idade. Antony também tem 21 anos (faz 22 em fevereiro), Rodrygo é de 2001, enquanto Emerson Royal e Matheus Cunha são um pouco mais velhos (ambos de 1999).

Claro que há muita estrada para essa rapaziada percorrer, e que seja repleta de sucessos. Mas, com 21, quase 22 anos, quem é bom já rouba a cena. E é o que vem acontecendo com Vini Jr. Fosse o Tite parava de onda, enchia o jovem de coragem e brios, ao dizer que quer vê-lo como titular. Sem essa tantos mas, porém, contudo, todavia, entretanto. Aposta no taco e vê o que acontece. Se não der certo, faça marcha a ré, deixe-o como opção no banco e parta para outra solução. 

O entrave está no fato de Tite ter um bloco de jogadores com os quais trabalha há seis anos e nos quais confia, mesmo em fase instável. Pode dar certo, mas é raro. O Brasil se deu bem com a geração 58/62, mas quebrou a cara com a base mantida para 66. Telê confiou demais na turma de 82 e teve decepções com ela em 86. 

Fico na torcida para que Tite esteja certo nas escolhas e seja coerente. Mas fico mais ainda na torcida para que Vini Jr., Antony, Matheus Cunha e outros consigam dar um nó na cabeça do professor e provem por A mais B mais C que vão surpreender e arrebentar no Catar. Quero o Brasil mais ousado e menos “ponderado”. 

Vinicius Jr está pedindo espaço na preferência de Tite, que mantém expectativa moderada
Vinicius Jr está pedindo espaço na preferência de Tite, que mantém expectativa moderada Lucas Figueiredo/CBF
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Rogério Ceni vai ter trabalho puxado para aprumar o São Paulo

Antero Greco
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Quem me acompanha por aqui e principalmente na televisão sabe que, em todo começo de temporada, costumo ser bem tolerante com todos os times. Não dá para exigir perfeição em duas ou três partidas, da mesma forma que não é possível cravar que uma equipe vai roubar a cena por causa de vitórias iniciais. Por sensatez, coloco como prazo uns 10, 12 jogos, ou um mês e meio a dois.

Feita a ressalva, já que tem muita gente que não sabe dessa postura minha, posso ao menos constatar algo óbvio: Rogério Ceni vai suar um bocado para ter um São Paulo forte, competitivo e confiável em 2022. Não sei o que o amigo tricolor achou, mas não me empolguei com o que vi diante do Guarani, na noite desta quinta-feira (27/1). E não foi pela derrota por 2 a 1, no Brinco de Ouro. O placar é detalhe, como diria o filósofo; a questão foi o desempenho. Aí é que está o nó da questão. 

O São Paulo versão atualizada, com caras novas e com velhos conhecidos também, foi mais do mesmo que se viu na temporada anterior. Contra um Bugre bem fechadinho, esperto na marcação e mais ágil ainda quando teve chances, a rapaziada de Ceni tocou muito a bola e chutou pouco a gol. Raros os momentos de perigo para o goleiro Kolzinski. Para ser competitivo, o Tricolor terá de ralar demais. 

Rogério montou defesa com quatro, como havia sugerido, e abandona a opção por três na zaga, mesmo que temporariamente. Rafinha teve menos liberdade para atacar, ao contrário de Reinaldo, que há muito é opção pelo lado esquerdo. No meio, Alisson começou preso, mas se soltou e teve estreia ok. Nikão não brilhou e foi substituído. Patrick entrou no segundo tempo e encorpou mais o meio. Outro com atuação apagada foi Gabriel Neves. 

Como o meio foi pouco criativo, por extensão a dupla de ataque Rigoni e Calleri ficou abandonada por grande parte do jogo. Num dos raros lances em que a bola chegou para Calleri, ele mandou para o gol: de cabeça fez 2 a 1. Éder também teve alguns minutos, na parte final, e tentou cavar espaço pelo lado direito.

Não fosse pelo VAR, o São Paulo talvez até conseguisse empate, pois o juiz deu pênalti, correto, sofrido por Alisson, mas o árbitro de vídeo apontou impedimento, também correto, na origem da jogada. Decisão acertada. Acertados, e lindos, foram os gols de Lucão no primeiro tempo e Diogo Mateus, de falta, no segundo. 

Cedo para pintar qualquer cenário definitivo sobre Rogério e seus rapazes. Mas, compreensão à parte, continuarei firme na promessa de ser vigilante com o São Paulo. Sem corneta, mas tampouco sem aquela demora pra despertar a apontar erros, à espera de que, em algum momento, o time engrene.

Rogerio Ceni vai ter de coçar a cabeça para encontrar logo equilíbrio para a equipe
Rogerio Ceni vai ter de coçar a cabeça para encontrar logo equilíbrio para a equipe MISTER SHADOW/Gazeta Press
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Palmeiras afina as linhas pro Mundial na vitória sobre a Ponte

Antero Greco
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A segunda apresentação do Palmeiras, em 2022, foi impecável e arrasadora, na noite desta quarta-feira (26/1). Ao menos por 30 minutos, tempo de que precisou para fazer os 3 a 0 da vitória sobre a Ponte Preta. Em meia hora no primeiro tempo, o campeão da América colheu outros três pontos no Paulistão (domingo estreou com 2 a 0 no Novorizontino), e ainda jogará contra São Bernardo (sábado) e Água Santa (terça), antes do embarque para Abu Dhabi. 

O resultado foi incontestável - o Palmeiras sobrou diante de um adversário que não via a cor da bola, nos gols de Murilo (aos 9 minutos), Luan (aos 22) e Rony (aos 28), no jogo de número 100 com a camisa alviverde. De lambuja, ainda teve gol legítimo de Scarpa, pouco antes do intervalo, e mal anulado pelo bandeirinha. Como deu pane no VAR, o lance não foi revisado.

O placar em si importa menos - seria mais folgado, até, se os palmeirenses não tirassem o pé na segunda etapa. Os aspectos mais bacanas da exibição no Allianz foram a concentração do time, no início - a mesma que se viu na final da Libertadores - e a movimentação. Scarpa, Veiga, Rony, Dudu se revezaram muito na frente, e ainda contaram com apoio de Danilo e Zé Rafael. 

Aos poucos, também, Abel Ferreira consolida a zaga com Piquerez, Luan e, desta vez, Murilo, porque Gomez está na seleção paraguaia. Marcos Rocha ficou solto, para defender e ir à frente. O sistema defensivo funcionou, a ponto de a equipe campineira ter chegado com perigo em dois momentos, num deles Lomba segurou.

Abel voltou a fazer o certo, ao escalar força máxima. Essas partidas iniciais servem como etapas de ajustes para os desafios no Mundial de Clubes, são uma forma de afinar estratégias e dar ritmo ao elenco. Sem forçar. Tanto que não abriu mão das cinco substituições, com entrada de Jailson, Menino, Veron, Deyverson, Breno. Esse certamente será o bloco do banco para a aventura no Oriente. 

O Palmeiras tem começo de ano sereno, e as vitórias no Estadual acalmam a torcida. A ponto de não se ouvirem protestos pela falta do tal camisa 9 que não veio. Não só não teve corneta, como sobraram aplausos para "Deyvershow", quando entrou em campo.  Falei na tevê e escrevi aqui que o barulho era provocado mais por movimentações dos rivais (sobretudo quando se dizia que o Corinthians traria Cavani) e pela falta de assunto de virada de ano. Com a bola a rolar, as atenções se voltam para o campo. 

O Palmeiras embarca, na semana que vem, sem carregar a condição de favorito. Terá parada dura contra os mexicanos do Monterey, seu provável adversário na final. E, se passar, topará com pedreira gigante que é o Chelsea. Missão difícil? Muito, e bota dificuldade nisso. Mas, o jogo é jogado, o lambari é pescado e quem morre de véspera é peru. Essa turma está com jeito de que não fará feio. Tomara. 

Rony festejou a centésima partida pelo Palmeiras com o gol que fechou o placar de 3 a 0
Rony festejou a centésima partida pelo Palmeiras com o gol que fechou o placar de 3 a 0 Cesar Greco / Palmeiras
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Palmeiras ganha a Copinha, quebra brincadeira e revela mais talentos

Antero Greco
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O Palmeiras finalmente ganhou a Copinha e, com isso, interrompe parte de uma zoeira já clássica por parte dos rivais. Os 4 a 0 sobre o Santos, na manhã desta terça-feira, feriado municipal (25/1), foram incontestáveis. O público que foi ao Allianz Parque viu uma exibição impecável da meninada verde. O placar só não foi mais impiedoso porque o goleiro santista salvou várias situações de perigo. 

Muito bem, a parte da musiquinha que falava em “não tem Copinha” foi para o espaço. Sei, sei, tem a outra metade, aquela do “não tem Mundial”. Esta pode cair logo mais, antes da metade de fevereiro. Missão difícil, difícil pra caramba, para Abel Ferreira e seus valorosos pupilos, mas não impossível. É papo para depois…

Mais do que o troféu levantado pelos meninos palestrinos, a Copinha significa a consagração de um trabalho sério. O Palmeiras tem histórico de desprezar as categorias de base. Trata-se de um dos clubes mais importantes do Brasil que ignora a formação de talentos. Sempre preferiu ir ao mercado do que fazer em casa. 

Epa, calma lá! Estou ainda usando verbos no tempo presente?! Não é mais assim. Ao menos há seis, sete anos, essa mentalidade mudou. O Palmeiras indiferente à garotada é coisa do passado. A agremiação que via nos juvenis uma fonte de despesa, agora despertou para a realidade e constatou a obviedade de que o setor é fonte de alegria, conquistas e também rendimento. Vale sob todos os aspectos. A mudança veio, claro, na gestão Paulo Nobre… 

Apostar no garimpo e na lapidação de talentos é caminho para quem pretende, no mínimo, encontrar alternativas boas e caseiras para compor elencos. Não há quem tenha se arrependido dessa escolha. O próprio Palmeiras se beneficia. Não me lembro de ter visto tantos jovens serem aproveitados ao mesmo tempo no time de cima como recentemente. E olha que acompanho os verdes desde os anos 60…

Luxemburgo e sobretudo Abel Ferreira recorreram a pratas da casa em desafios decisivos nas duas últimas temporadas. Vinicius, Patrick de Paula, Gabriel Menino, Veron, Danilo, Wesley, Renan e outros que esqueci são realidade - e colheita boa do que o Palmeiras plantou. Ajudaram a levantar taças e, com o tempo, podem até render dinheiro razoável, se forem negociados. E o clube nem tem necessidade de vender ninguém, ao contrário de outros badalados…

O olhar profissional para a base é recompensado também com taças. Reportagem publicada aqui no site, em dezembro, falava em 100 títulos, nos últimos cinco anos, somando-se todas as categorias, amadoras e profissional. Fora as ocasiões em que chegou à final ou às fases decisivas. Agora, com a Copinha são 101! É muito troféu, é muito reconhecimento pelo esforço para descobrir talentos. É o correto, assim o clube se abastece em casa e tem sobra pra vender.

A geração que se viu na Copinha só confirma o rumo certo do Palmeiras. Tem muito rapazinho com perspectivas promissoras. Endrick é o símbolo da turma vitoriosa, mas não o único. Dá para colocar na conta Gabriel Silva (já utilizado no profissional), Giovani, Vanderlan, Jhonatan, Fabinho. Nem todos vingarão, o que é comum no futebol. Mas dão alento ao torcedor, porque são prova de que o celeiro tem muita qualidade para abastecer o mercado verde.

O Palmeiras colhe, na forma de títulos, o que planta no excelente trabalho na base do futebol
O Palmeiras colhe, na forma de títulos, o que planta no excelente trabalho na base do futebol Fabio Menotti/Palmeiras
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Abel está certo de não levar Endrick com o Palmeiras para o Mundial

Antero Greco
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Endrick virou xodó da torcida do Palmeiras no início de 2022. O garoto de 15 anos, já observado por quem é do ramo, virou celebridade para o grande público por causa do desempenho admirável na Copa São Paulo. O garoto tem jeito de quem vai longe; tomara que se torne logo um craque de primeira grandeza.

Como acontece sempre que aparece jogador fora do esquadro, há pressa de vê-lo no time principal, titular, referência, maestro ou coisa que o valha. No caso alviverde, a ansiedade aumenta porque tem Mundial de Clubes daqui a algumas semanas e muitos torcedores enxergam em Endrick a solução pro ataque. E, como não tem ainda um camisa 9 de confiança, daí o grita para ele ir para o Abu Dhabi.

Abel Ferreira jogou água fria nessa fervura ao dizer que é cedo para Endrick assumir tamanha incumbência. O treinador alegou que é preciso dar tempo para que ele supere etapas, amadureça e vire realidade como profissional. E recomendou que, após a final desta terça-feira, viaje para a Disney

Abel Ferreira sugere Disneylândia ao 'menino' Endrick, enquanto Palmeiras estiver no Mundial de Clubes


         
     

O assunto rende desde a noite de domingo e vi muito debate nas redes e nas tevês neste início de semana. Pois fecho com Abel: seria jogar responsabilidade incomum para um adolescente que dá os primeiros passos no futebol encarar o desafio de uma competição de tiro curto, mas com alta exigência (e obsessão no clube). 

Imagine se o técnico resolve colocá-lo em campo e ele sentir o tranco contra marmanjos. Se oscilar, o que é comum nessa idade, tenho certeza de que seria cornetado, de promessa viraria fogo de palha. Poderia voltar queimado, como já ocorreu com muitos talentos precoces. Até porque não costuma jogar com o time principal. Mesmo que estivesse acostumado, seria arriscado.

(Lembro, na minha juventude, lá nos anos 60, como havia busca frenética em todo lugar por “um novo Pelé”. Cada clube achava que tinha encontrado um substituto para o Rei. A maioria dos candidatos ao trono a gente hoje nem lembra o nome…).

Pode ser que Endrick entre para a lista dos precoces que vingaram logo. A lista tem nomes importantes, como Edu (ponta do Santos), Tostão, o próprio Pelé e poucos outros. Mais recentemente teve Vinicius Júnior, exceção à regra. A maioria dos boleiros precisa de tempo e paciência para encorpar, física e taticamente. Os bons sobressaem, mesmo que se espere um pouquinho mais.

Um caso famoso, e infelizmente negativo, é o de Lulinha. Fenômeno na base do Corinthians, no início dos anos 2000, foi levado para o time de cima por pressão de seus representantes. Os gols não apareceram, ele sentiu o peso das críticas e virou jogador normal, como milhares que prometiam muito e empacaram. 

Não se devem atropelar etapas; deixa o Endrick brilhar na base, com olhar atento do time profissional. Oportunidades aparecerão. Se ele no futuro se firmar, certamente dará alegrias (e lucro) para o Palmeiras. Por ora, tem de se divertir com seus companheiros de mesma idade. E, se possível, ir para o Magic Kingdom (Se pudesse, eu, que sou coroa, iria lá todo ano…).

Endrick deve dar muitas alegrias ao Palmeiras, mas é bom ir com calma nos desafios
Endrick deve dar muitas alegrias ao Palmeiras, mas é bom ir com calma nos desafios Fabio Menotti / Palmeiras
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Palmeiras aprova sem sustos no primeiro aperitivo de 2022

Antero Greco
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O jogo que o Palmeiras fez com o Novorizontino, neste domingo (23/1), foi um aperitivo para 2022. E, como primeira apresentação do ano, até que o tira-gosto foi agradável: vitória por 2 a 0, no interior, na abertura do Campeonato Paulista. Resultado normal no histórico de confronto entre as duas equipes. Sem susto.

Achei interessante a estratégia de Abel Ferreira de colocar em campo o time que, neste momento, se pode considerar aquele titular - não só para a competição doméstica, mas sobretudo para a disputa do Mundial de Clubes, no mês que vem. Basicamente a formação que bateu o Flamengo na final da Conmebol Libertadores de 2021.

E, ao menos por ora, não há muito o que mexer. A base do grupo é semelhante àquela anterior, com algumas baixas e um punhado de chegadas. Nada que, por enquanto, permita especulações de surpresas e mudanças radicais para o desafio em Abu Dabhi. O treinador até colocou em campo, em parte do segundo tempo, recém-contratados como Atuesta, Navarro e Murilo, para se aclimatarem. Poucos minutos em campo, com placar definido, e nenhum deles sobressaiu.

Não foi jogo de encher os olhos - nem poderia ser diferente. Os campeões da América treinam há três semanas, fizeram alguns jogos-treinos só para desenferrujar, e só a primeira apresentação oficial. Mais do que normal atuarem com o freio de mão puxado. Noves fora, o calor de 30 e tantos graus em Novo Hozironte.


         
     

O importante foi levar grupo completo, sem baixas por causa de contusões ou COVID-19. Uma forma de dar ritmo à trupe que logo mais embarca para o Oriente. A dose, em princípio, deve ser repetida no meio da semana contra a Ponte Preta. Depois, é apenas preservar os atletas mais importantes para expedição espinhosa e que, se for vitoriosa, representará uma das maiores proezas da história palestrina. 

Contra o Novorizontino, Abel experimentou de nova a zaga com Luan, Gomez e Piquerez, com Mayke e Scarpa como alas - desenho que deu certo em Montevidéu. Danilo e Zé Rafael cuidaram da marcação no meio, para deixarem Raphael Veiga, Dudu e Rony mais livres. Não houve nem grandes lances nem sobressaltos. E ainda sobrou tempo para Zé Rafael abrir o marcador, segundos antes do intervalo. 

O nó foi desfeito de vez com menos de um minuto na etapa final, no belo gol de Dudu. Daí em diante ficou clara a opção palmeirense de cadenciar o jogo e evitar desgaste. O treinador fez todas as alterações - entraram também Wesley e Veron - e o roteiro da vitória foi mantido. Uma estreia Ok, dentro do esperado. 

Abel Ferreira durante a estreia do Palmeiras no Paulistão 2022 contra o Novorizontino
Abel Ferreira durante a estreia do Palmeiras no Paulistão 2022 contra o Novorizontino Cesar Greco/Ag. Palmeiras

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Torcedor do Palmeiras, não se iluda com essas conversas de rankings

Antero Greco
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Leio nos portais e nas redes sociais o maior fuzuê por causa de um dos tantos rankings que existem pelo mundo. Desta vez, o motivo para o barulho é a divulgação da classificação anual da Federação Internacional de História e Estatística do Futebol. Nome pomposo, não? Passa a impressão de que é órgão que dá a última palavra sobre a qualidade do esporte e dos times pelo planeta. 

Pois bem, a IFFHS, como é reconhecida por sua sigla em inglês, apontou o Palmeiras como o “melhor do mundo” em 2021. Para ressaltar a distinção, no site oficial diz que pela primeira vez na história um clube brasileiro ocupa tal posição. O querido bi (tri) campeão da Libertadores vem à frente de gigantes como Manchester City (em 3.º), Chelsea (4.º), Bayern (7.º). Real Madrid (8.º), para ficar só nos dez primeiros. Ah, e temos o Galo em segundo, o Flamengo em 4.º também e o Athletico Parananese na 10.ª colocação. 

A turma responsável pela lista tem lá seus critérios. Oferece determinada pontuação para vítórias, empates e derrotas para cada uma das competições de que os times participam. Empresta pelo semelhante, por exemplo, à Libertadores e à Champions, coloca no balaio um bocado de outras taças internacionais (as Supercopas disto e daquilo). Além, claro, de agrupar em níveis os muitos campeonatos e copas nacionais. Uma tentativa, enfim, de ter um padrão para chegar às suas conclusões. 

Por esses critérios, o Dinamo Zagreb fechou o ano em 6.º lugar, com 282 pontos da IFFHS. Quer dizer, teve 40 pontos a menos do que o líder palestrino. Quais as façanhas do Dinamo para tremenda distinção? Teve a tríplice coroa em seu país, com campeonato, copa e Supercopa. Comandou em seu território, e por isso entrou para o Top 10 de tal instituição. Deve estar a maior festa na Croácia. 


Daí pergunto para vocês: o que é o Dinamo na fila do pão do futebol mundial no momento? Um coadjuvante, um participante secundário, quando se trata de desafios maiores em seu continente. Para ter uma ideia, o maior feito em plano europeu foi uma Taça Cidade das Feiras de 1967, um embrião da extinta Copa Uefa. Era torneio bem meia boca. 

Longe de mim ter postura elitista - e quem me conhece sabe como faço restrições até às maravilhas que muitos enxergam no futebol europeu. Ou seja, também não sofro, graças a Deus, de complexo de vira-latas. Quero dizer que respeito todos os times e nunca jogarei chope em suas conquistas. 

Porém, me dou o direito de tomar como uma simples curiosidade certos rankings e não levá-los como parâmetros para medir a força, o significado, o potencial de uma equipe em determinada temporada. Da mesma forma, não me comove o ranking de seleções da Fifa - e esse é oficial. 

Quero com isto dizer, amigos palmeirenses, e também rubro-negros, atleticanos e fãs do Furacão, para não embarcarem com toda ilusão nessa onda “de melhor do mundo”. Tomem o ranking com um indicador de que suas equipes por méritos chamaram a atenção, podem crescer, melhorar e lhes dar muita alegria.

 A lista é um bom motivo para conversa (hoje em dia, virtual) de botequim e uma  boa zoeira em redes sociais. Mas não é ciência. Há estatísticas que prefiro classificar como “Curiosidades”. E nele coloco o ranking ora divulgado. Porém, alerto e deixo claro que não estou diminuindo nenhuma conquista em campo.  Nenhuma. E será espetacular se o Palmeiras bater o Chelsea, em eventual duelo pelo título do Mundial de Clubes. Pra comemorar por uma semana seguida.

Mas, se for para pensar em medir forças por aí, e de forma regular, efetiva e mais extensa, imaginem como essas agremiações brazucas se sairiam em um campeonato com City, Chelsea, Real Madrid, Liverpool, Bayern, Inter, Milan, Juventus, Barcelona, M. United, Atlético de Madri, Ajax, Borussia… etc. etc. Por pontos corridos, ido e volta, jogo como mandante e outro como visitante. Deixaria o pessoal da IFFHS de cabelos em pé. 

 

Ganhar Libertadores foi decisivo (e óbvio) para o Palmeiras somar pontos no ranking da IFFHS.
Ganhar Libertadores foi decisivo (e óbvio) para o Palmeiras somar pontos no ranking da IFFHS. EFE/Juan Ignacio Roncoroni
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Leila Pereira em um mês já sente o poder das cornetas no Palmeiras

Antero Greco
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Parte da torcida do Palmeiras está ouriçada, indignada e furibunda. O motivo? Uma tuitada da presidente Leila Pereira, em que sugere que o clube ia mal das pernas em 2014 e que, a partir de 2015, deu arrancada para grandes conquistas. Não por coincidência, na época em que a empresa de sua propriedade se tornou patrocinadora do clube que agora dirige. 

Muita gente não gostou do tom ufanista da mensagem e do autoelogio. Reação compreensível. Sobretudo por um fato óbvio e incontestável: o Palmeiras tem 107 anos de existência e fez fama, glória e fortuna por suas pernas, durante décadas e décadas. O Palestra é anterior, por exemplo, à Parmalat, outra parceira importante, que nos anos 90 lhe devolveu protagonismo imenso. 

Com isso, não se nega que a presença da Crefisa foi um dos aspectos que contribuíram para o momento de alta palestrina nos últimos anos. No entanto, não se deve esquecer que a parceria surgiu graças ao extraordinário trabalho de recuperação das finanças e da imagem executado na gestão de Paulo Nobre, entre janeiro de 2013 e dezembro de 16.

 O ex-presidente pegou uma instituição em estágio pré-falimentar, colocou dinheiro do próprio bolso, recuperou e profissionalizou todos os setores, administrou com firmeza. Como consequência, pôs o clube nos trilhos e o entregou para o sucessor, Maurício Galiotte, pronto para decolar e ser protagonista no Brasil e na América. Nobre já tem lugar como um dos personagens importantes na história palestrina. 

A patrocinadora e a própria Leila se beneficiaram com a exposição - e o sucesso - no Palmeiras. Tanto que ela teve o privilégio de ser a primeira mulher eleita para comandar uma associação centenária. Dá para entender a empolgação pessoal que vive, no momento. Quem não ficará orgulhoso de ser presidente do Palmeiras? Importante, porém, separar sempre a função de cartola com a de empresária. 

Euforia à parte, com um mês no cargo Leila já teve o primeiro contato com a cornetagem, característica intrínseca da torcida palmeirense. Pouco depois de assumir a presidência, prometeu marcar época e deu a entender que haveria surpresa logo no início dos trabalhos. Os fãs imaginaram, de cara, ao menos a chegada de algum craque. Como não veio, ainda, as cobranças aparecem. 

O cavalo de batalha é o tal “camisa 9”, pedido de Abel Ferreira e que se tornou obsessão da torcida - ou de parcela dela. Há temor de que a ausência de um especialista dificulte a caminhada do Palmeiras no Mundial, no mês que vem. Já escrevi aqui, e repito: a não ser que chegasse um Cristiano Ronaldo, um Messi, um Lukaku, um Benzema ou alguém desse nível, qualquer um precisará de tempo para adaptar-se, integrar-se, entrosar-se. Não há tempo útil até o torneio de Abu Dhabi. 

A torcida precisa cobrar reforços, mas que justifiquem o termo, não para o Mundial, mas para os desafios importantes da temporada e dos próximos anos. E não deve esquecer que o elenco é forte, vencedor, eficiente. De novo, brigará por troféus. Concorrentes históricos contratam mais porque estão defasados. Calma, portanto.

Leila Pereira (com quem nunca conversei nem conheço pessoalmente) acabou de assumir a presidência. Não creio que queira entrar para a história como um fiasco. Por que não dar-lhe, então, um crédito de confiança? Sem grandes expectativas nem pés atrás, será mais fácil julgar com equilíbrio o trabalho e o desafio no Palmeiras. E saiba que sua torcida, apaixonada,  que canta, vibra e... critica. E como!

Leila Pereira terá de acostumar-se com as cobranças apaixonadas da torcida palmeirense
Leila Pereira terá de acostumar-se com as cobranças apaixonadas da torcida palmeirense Divulgação Palmeiras
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Pablo não é o vilão do São Paulo

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Pablo é o assunto do momento no São Paulo. O que, por si só, já mostra como há falta de temas importantes lá pelos lados do Morumbi. O moço virou centro da mais recente polêmica no clube e, involuntariamente, outra prova de como investir errado, jogar dinheiro fora, acumular dívidas e não saber como se livrar delas. 

Para início de conversa, vou direto ao ponto central: Pablo não é o vilão da história. Insinuou-se, por aí, que as finanças tricolores, que não andam boas faz tempo, poderiam agravar-se devido a relutância do atacante em não pegar o boné e tentar a sorte em outra freguesia. Por causa dele, estariam emperradas outras negociações.

Errado. Pablo sabe que não faz parte dos planos são-paulinos e, segundo o noticiário, até aceitou rescindir contrato e seguir sua vida profissional em outro lugar, de preferência no Athletico, onde teve sua melhor fase. Só que não abre mão de receber o que tem de atrasos, em salários e outros penduricalhos. Vai embora na hora em que houver um acordo, como aconteceu com Daniel Alves. Também não é obrigado a aceitar a primeira ou a segunda proposta de trabalho que aparecerem. 

Não se pode ver, nisso, sinais de “mercenarismo” ou radicalismo. Pablo tem contrato assinado, registrado na CBF e em cartório. O que está escrito tem de ser cumprido. É assim em qualquer relação de trabalho ou de prestação de serviços. Eu não quero levar chapéu no que tenho direito. E você? Com jogador não é diferente. A ruptura é viável, se as partes entrarem em acordo. Portanto, não é falha dele se as coisas estão; a cobrança deve ser dirigida para quem o trouxe. 

Alguém pode alegar: “Ah, mas o Pablo ficou muito aquém da expectativa.” Concordo. Trata-se de  fiasco, porém não muito diferente de tantos outros episódios semelhantes, em qualquer clube. O problema é que o São Paulo tem se especializado em dar bolas fora - e, por extensão, perde dinheiro a rodo, sem que ocorra a contrapartida de conquistas.  Para ser justo com o Pablo, é bom recordar que, mesmo não sendo excepcional, ainda foi artilheiro do time no ano passado, com 14 gols, três a mais do que Rigoni. Vai entender...

 Nos últimos anos, perdem-se as contas de quanta bobagem a diretoria cometeu. Só para não ir longe demais, vêm à mente os casos de Ganso, Cueva, Hernanes (a última passagem), Jean, Orejuela, Benitez, Clemente Rodriguez, Wesley, Pato. Amigo tricolor, acrescente aí outros nomes. A lista certamente é imensa. 

O São Paulo durante décadas foi visto como modelo de administração, de avanço em tecnologia de preparação e revelação de talentos, de investimentos e valorização. Mas parece ter perdido a mão. Só para constar: desde o tri brasileiro de 06/07/08, ganhou apenas a Sul-Americana de 2012 e o Paulista de 21. Pouco, constrangedor para uma potência. E a gente ainda alivia para os desacertos…

O São Paulo tem de fazer um exame de consciência, abandonar a pose, botar os pés no chão e rever sua política de contratações. E usar o dinheiro com inteligência. Caso contrário, continuará a acumular decepções - e que não venha com papo de que a exigência de um jogador (e justa) está a atrapalhar a sua vida. 

Pablo não brilhou com a camisa tricolor, mas está correto em exigir o que lhe é de direito
Pablo não brilhou com a camisa tricolor, mas está correto em exigir o que lhe é de direito Reprodução
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Pablo não é o vilão do São Paulo

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O São Paulo vai às compras, mas é prudente segurar a empolgação

Antero Greco
Antero Greco

Nos últimos dias vi, em mais de um lugar, comentários empolgados por causa das contratações que o São Paulo fez na largada de  2022. A chegada de Jandrei, Alisson, Rafinha, Patrick e Nikão arrancou previsões entusiasmadas, na base de “o melhor no mercado” ou “está pintando um grupo muito forte” para a temporada. 

As afirmações entre aspas não são mentirosas, tampouco representam uma verdade categórica ou são prova de excelência. O Tricolor é, de fato, um dos clubes que mais se mexem na tentativa de construir um plantel que dê opções ao treinador, no momento Rogério Ceni (a gente nunca sabe até quando um técnico fica num clube). Mas o fez por necessidade, porque o material que tinha em 2021 não agradou, ficou aquém das expectativas. A conquista do Campeonato Paulista foi doce ilusão. 

Daí a necessidade de a direção sair à cata de jogadores. O investimento desponta como obrigação e não sinal de que, com isso, o São Paulo supera rivais nesta fase de reformulação. Não cabe, por exemplo, comparação com Flamengo, Atlético-MG ou Palmeiras. Por uma razão óbvia e evidente; estes investiram pouco, ou quase nada, nestes primeiros dias de janeiro simplesmente porque não precisam. Os respectivos elencos já provaram sua capacidade de competição e decisão. Conmebol Libertadores, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro estão aí para realçar essa constatação. 

 Na teoria, Ceni terá mais opções para montar time forte. É preciso ver como será na prática
Na teoria, Ceni terá mais opções para montar time forte. É preciso ver como será na prática DJALMA VASSÃO/Gazeta Press

O São Paulo precisava recuperar terreno - aliás, coloco o verbo no presente: precisa retomar o lugar histórico de protagonismo que lhe cabe. Insisto na tecla há pelo menos uns sete anos. Fui dos poucos na imprensa que lá atrás, por volta de 2015/16, alertava para a tendência preocupante de o Tricolor ocupar só papel secundário. Já me chamava a atenção a seca de títulos: desde o tri nacional de 06/07/08, a única taça nova no memorial no Morumbi fora a Copa Sul-Americana de 2012. Era pouco, e a seca estendeu-se até o Estadual do ano passado. Ainda é pouquíssimo. 

Entendo a esperança do são-paulino, e é inevitável. Quando o clube contrata, abre-se a perspectiva de sucesso. O torcedor precisa ter otimismo; caso contrário, não terá ânimo para seguir a equipe. No caso, o lado bom é a certeza de que vários chegaram para ser titulares, casos específicos de Rafinha, Patrick e Nikão. Se isso se confirmar, o investimento terá sido positivo. Não há nenhum fora de série; porém, são jogadores rodados e eficientes. 

No entanto, do lado de cá do balcão é necessária cautela. Não gosto de postura negativa, ranheta, que muitas vezes o cronista esportivo assume. Há aqueles para os quais nada está bom, nunca. Não jogo nesse time. Ao mesmo tempo, procuro encarar com prudência certa euforia, sobretudo no caso do São Paulo. Foram tantas as bolas foras, o clube entrou em inúmeras barcas furadas na última década que me levaram a ser cético. Basta olhar a quantidade de jogadores anunciados como “reforços” (não gosto dessa palavra) que não vingaram, ou basta ver a infinidade de técnicos que passaram pelo clube e foram triturados. 

Por isso, prefiro esperar alguns meses para construir um conceito mais sólido a respeito do que será o São Paulo de 2022. Espero escrever muitas crônicas elogiosas, desde que mereça. Fico na torcida para que, enfim, os dirigentes acertem e o time volte a ser relevante nos campeonatos de que participe. Está mais do que na hora da reação. 


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Fábio sentiu no novo Cruzeiro o descarte que nos atinge no dia a dia

Antero Greco
Antero Greco


A ruptura entre Cruzeiro e Fábio talvez seja uma das notícias de maior impacto no início da temporada de 2022 no futebol brasileiro. A identificação entre goleiro e clube é daqueles relacionamentos raros no esporte, que comovem pela fidelidade. Numa atividade em que, hoje em dia, trocar de camisa é tão normal quanto comer, beber água, dormir, a longa parceria despertava elogios e inveja. 

São raros os casos como esse, e podem contar-se nos dedos, no Brasil ou no Exterior. Por aqui me ocorrem, para variar, apenas os de outros dois ex-goleiros: Marcos, no Palmeiras, e Rogério Ceni, no São Paulo. Impossível associar esse trio a não ser com as equipes que defenderam na carreira toda ou na maior parte dela. 

A notícia que veio de Belo Horizonte causou impacto, como escrevi no primeiro parágrafo, mas negativo. Chocou os torcedores da Raposa - um grupo foi protestar no centro de treinamentos. Decepcionou pela extensa folha de serviços prestados por Fábio e pela forma como a negociação foi conduzida. A julgar por aquilo que escreveu em rede social, não havia interesse algum em entendimento.


Lamento - e por diversos motivos. Começo pelo principal e prático, para não dizerem que sou sentimentaloide: o aspecto técnico. Embora tenha 41 anos, Fábio ainda tem capacidade de ser útil ao Cruzeiro ao menos por outro ano, como aliás era ideia dele e foi a proposta que apresentou. No desafio de sair da Segunda Divisão, teria papel importante, dentro de campo e para preparar terreno para sucessor. Um goleiro mais jovem ganharia espaço aos poucos, sem pressão. 

O segundo ponto a considerar é o histórico. Fábio tem 16 anos de casa e quase mil jogos. Ninguém fica tanto tempo num emprego e com destaque, se não tiver valor. Dá para enganar por meses, com sorte por um punhado de anos. Nunca por uma década e meia! Fábio falhou, claro, como todo grande goleiro. No entanto, perdem-se as contas das milhares de vezes em que foi salvador e decisivo. 

Terceiro dado que deveria ter sido analisado: a lealdade. Fábio não pulou do barco, quando este afundou para a Série B. Ao contrário de diversos companheiros que saltaram fora e tentaram a sorte em outros lugares, ele permaneceu na Toca e encarou dois anos seguidos de purgatório. Manteve-se ao lado de torcida, cartolas e companheiros na maré baixa - de novo, me vem à lembrança Marcos.  E, segundo afirma, topou redução salarial, para continuar. 

Motivos havia, portanto, para a nova direção do Cruzeiro ter alguma consideração por Fábio. Que se fizesse a saída de cena de maneira delicada, justa, humana e profissional também, certamente. Como ocorre em tantos clubes, até no Brasil, que se pensasse num plano de carreira lá mesmo, após a aposentadoria. Não como prêmio de consolação, mas como sinal de que a turma que assumiu o controle de uma instituição falida teria sensibilidade para garimpar talentos na casa. 

Fábio, porém, foi descartado, virou página virada, foi chutado para usar termo futebolístico. Um ídolo dos cruzeirense sentiu na pele tratamento comum dado a trabalhadores que não têm seu sucesso, mas igualmente dedicaram a vida numa empresa. Quantos casos não conhecemos de pessoas que tiveram trajetória digna num emprego até que, de um momento para o outro, receberam a carta de demissão? Tenho certeza de que cada um poderá citar vários exemplos - se é que não viveu uma situação semelhante. 

O mundo corporativo é cruel, independentemente do ramo de atividade. Somos úteis até determinado momento e uma história pode ser atirada na vala comum por uma mudança de direção, de chefia. Ou por contenção de despesas, ou porque o profissional passa a ser visto como velho, caro e pouco produtivo. Sugados e descartados como bagaço de laranja. Que vida besta!

A década e meia de Fábio na Toca da Raposa terminou numa conversa fria
A década e meia de Fábio na Toca da Raposa terminou numa conversa fria ESPN

 

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Palmeiras sem pressa para investir. E a cautela agora é correta

Antero Greco
Antero Greco


O ano mal começou, ainda não saiu sequer da maternidade do tempo, e já vejo gente preocupada com a “falta de reforços” no Palmeiras. Antes de mais nada, não gosto da palavra “reforço”; ela ficou banalizada e serve para qualquer chegada, desde um craque extraordinário a um juvenil recém-promovido. Prefiro o termo “contratação”, simples e direto. Se, mais adiante o jogador vingar, então é reforço. 

Bom, a conversa não é sobre a Língua Portuguesa, embora um luso entrará na história. O tema é o elenco que o bicampeão da América terá para 2022. Em três semanas da gestão Leila Pereira ainda não se anunciou nenhum nome de impacto. Vieram o goleiro Lomba, o atacante Navarro e o meia colombiano Atuesta. Por ora, apenas para compor o grupo, nada que seja impactante. 

Especulações não faltam e são comuns nesta época. Sempre foi assim. O Mercado da Bola mostra tendências e é terreno fértil para garimpos e para empresários fazerem negócios para seus pupilos. O que não falta é atleta sendo oferecido aqui e ali, com a falsa impressão de que são os clubes que correm atrás deles com desespero. Ok, faz perte do circo que é o futebol. Acredita quem quiser. 

Voltemos ao Palmeiras. Não vejo necessidade de desabalar atrás de profissionais e trazer gente a qualquer custo, só para mostrar serviço. O plantel que Abel Ferreira tem à disposição é bom, diria muito bom, e vencedor. Apesar de alguns torcerem o nariz - e isso é normal -, essa turma mostrou valor com dois títulos seguidos da principal competição da América, com uma Copa do Brasil e um Paulistão. O torcedor palestrino, hoje, não tem do que se queixar. Está saciada de troféus. 

Alguém pode lembrar que houve baixas, e de gente experiente, como Jailson, Felipe Melo, Willian, Borja, Victor Luiz, Luiz Adriano e provavelmente de Lucas Lima. Fato. Porém, com respeito por todos eles - no meu caso, admiro muito os três primeiros da lista -, perderam espaço e não seriam aproveitado. A reciclagem faz parte de qualquer atividade e tem destaque no futebol. Cada um seguirá seu caminho. 

A preocupação no momento é a disputa do Mundial de Clubes. Nisso Abel e seus colaboradores estão trabalhando desde as férias. E a realidade mostra que terão de encarar o desafio com a tropa com a qual lidam há mais de um ano. O técnico precisará traçar estratégia eficiente com o pessoal que conhece muito bem. Não há cartas na manga, não há trunfos inesperados nem golpes de cena. É preciso usar a cabeça, ser inteligente, como o próprio Abel mostrou em gesto que virou meme e resumo de sucesso. 

Entra aqui a questão de “reforços”. Exceto um Messi, um Cristiano, um Neymar - enfim, astros desse quilate -, dificilmente um jogador que baixasse no Palestra nas próximas semanas encontraria ambiente, ritmo, entrosamento para elevar o nível briilhar em Dubai. Sim, o futebol é lindo porque consagra heróis improváveis - e aí estão Breno Lopes e Dayverson para confirmar. Com um detalhe: ambos já faziam parte da trupe quando marcaram os gols dos títulos das duas Libertadores em 21. 

Quem vier agora precisará de tempo, de aclimatação, de paciência de todos. Não se justifica, portanto, temor com os destinos da equipe no Mundial. A direção palmeirense mostrou que se interessa em formar grupo forte, para encarar Atlético-MG e Flamengo no favoritismo por taças. Aliás, a permanência de Ferreira foi o primeiro grande “reforço” para a temporada. Outros virão, espero que escolhidos com critério e que possam ter o status de ídolos e… “reforços”.

Bom 2022 para todos. 

Abel sabe que o clube precisa usar a cabeça para fazer as contratações certas
Abel sabe que o clube precisa usar a cabeça para fazer as contratações certas Cesar Greco / Palmeiras
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Palmeiras sem pressa para investir. E a cautela agora é correta

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Internazionale sobra na Itália

Antero Greco
Antero Greco


O campeonato Italiano fecha o primeiro turno e o ano de 2021 com um concorrente a acenar para os demais lá do topo: a Internazionale. A equipe milanesa entrou na competição como uma das favoritas, depois de conquistar o título anterior, e vai comemorar o Natal na ponta, como “campeã de inverno”. Com méritos, embora Milan e Napoli tentem fazer-lhe sombra. Os outros estão bem mais atrás. . 

A Inter sobra na Série A. Senão de braçada, pelo menos com alguma folga. Em 19 rodadas, obteve 14 vitórias, contra 4 empates e uma derrota. São 46 pontos, com 49 gols marcados (o melhor ataque) e só 15 sofridos (uma das defesas menos vazadas). Para enriquecer os números, são sete vitórias consecutivas e seis jogos enfileirados sem tomar gol. Handanovic não busca bola nas redes há 550 minutos e uns quebrados. Notável.

A Inter teve uns cochilos até a nona rodada. Naquela fase, empatou três vezes (Sampdoria, Atalanta, Juve) e perdeu para a Lazio por 3 a 1. Da décima rodada em diante, ninguém segurou a rapaziada de Simone Inzaghi, fora o empate por 1 a 1 com o Milan (11ª). Sem contar que o time desandou a fazer gols, como nos 3 a 2 no Napoli, 3 a 0 na Roma, 4 a 0 no Cagliari, 5 a 0 na Salernitana. Um espanto. Não sente, ao menos no plano doméstico, a saída de Lukaku, hoje no Chelsea.

A demonstração de maturidade, antes de despedir-se do ano, veio no início da noite desta quarta-feira (22/12) no clássico com o Torino. Epa, você vai perguntar: “Jogo com o Torino é clássico?”. É, pela história dos dois clubes. O Torino foi um dos gigantes da Itália até a metade do século passado. Hoje é coadjuvante, porém sempre há tradição, quando enfrenta a Internazionale.

A Inter teve dificuldade para ganhar por 1 a 0, gol de Dumfries aos 30 do primeiro tempo, porque topou com um adversário tecnicamente limitado, mas brigador. Antes de chegar ao gol decisivo, os milaneses levaram dois sustos, com finalização do croata Pjaca. No segundo tempo, o mérito do Torino foi o de pressionar, dificultar saída de bola da Inter; faltou tentar mais a sorte na meta de Handonovic.

A Inter atual foi construída por Antonio Conte, com a marca de equilíbrio entre os setores. Com Inzaghi é mais solta, ofensiva e criativa. Não por acaso tem o melhor ataque. Gosto do meio com Barella (hoje substituído pelo chileno Vidal), Calhanoglu e Brozovic, que têm excelente toque de bola e inteligência nos deslocamentos. Lautaro Martinez é referência no ataque e artilheiro, com 11 gols, apesar de não ter apresentado desempenho acima da média contra o Torino. 

A Inter terá sequência complicada, a partir de 6 de janeiro, quando volta a temporada. Até a metade de fevereiro, estão programados jogos contra Juventus (Supercopa da Itália), Lazio, Atalanta, Milan, Napoli (Campeonato Italiano), Liverpool (quartas da Champions). Se passar sem arranhão por essa série, ninguém segura…

 

Lautaro Martinez é o artilheiro da Interno Campeonato Italiano, com 11 gols
Lautaro Martinez é o artilheiro da Interno Campeonato Italiano, com 11 gols Getty Images
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O Flamengo e a obsessão por ter outro técnico português

Antero Greco
Antero Greco


A direção do Flamengo botou na cabeça que precisa de um técnico português e, pelo visto, não abre mão. A missão enviada para Lisboa parece ter a obrigação de voltar para o Rio, antes do Natal, com o novo “mister” definido e contratado. Se possível para trabalhar logo após os champanhes e promessas de Ano Novo.

Entendo que a passagem de Jorge Jesus pela Gávez foi tão marcante, tão especial, que agora por lá se vê como solução apenas a chegada de outro patrício. Para reforçar essa sensação há o sucesso de Abel Ferreira no Palmeiras. Evidências mais do que suficientes para justificar o olhar atento para os lusitanos. Jesus foi magnífico; no entanto, o clube não pode ficar refém de um improvável (por ora) retorno dele ao Brasil. Melhor deixar pra lá e tocar o barco em outra direção. 

No caso do Flamengo, há a agravante de que foram feitas três tentativas frustradas, após a saída de Jesus. A primeira com o catalão Domenec Torrent, que não chegou a cumprir “o período de experiência” de 90 dias. Depois, vieram Rogério Ceni e Renato Gaúcho, sem contarem com apoio expressivo da torcida e da cartolagem. 

Os rubro-negros, portanto, não podem dar-se o luxo de errar na escolha. Escrevi dias atrás que não é necessária pressa na definição, mas convicção e clareza do que se pretende com quem assumir elenco caro e de primeira. Não dá para apostar em experiências no escuro, para ver no que pode resultar. Existe a possibilidade de sucesso, ao mesmo tempo em que há risco de novas decepções. 

Mas, por informações publicadas por aqui e na Europa, os enviados do Flamengo encontram dificuldades e começam a ampliar o leque de tentativas. A primeira, óbvia, seria com JJ. Queriam até encontrar-se com ele. O técnico foi cauteloso ao afirmar que não tem como conversar com os antigos patrões, porque iria desgastar-se com o Benfica. Nisso ele está certíssimo. 

Daí vieram à tona diversos nomes - de Carlos Carvalhal a Paulo Sousa, de Rui Vitória a Rui Faria, conforme publicado pelo colega Júlio Gomes, em blog no UOL. Profissionais com trajetórias e perfis diferentes; a uni-los só a nacionalidade. 

Espero que as tentativas e sondagens não se limitem à origem do técnico a ser contratado, tampouco ao idioma. Claro que a língua ajuda, mas não é tudo. Já que o Flamengo está aberto para estrangeiros, que tenha como ponto principal uma ideia de trabalho a ser desenvolvido, o que espera de um “professor” para médio e longo prazos. Isso é imprescindível para apostar num projeto. Daí pode ser português, espanhol, alemão, italiano, chinês, americano...

Caso contrário, passado um período de expectativa pode chegar à conclusão de que errou. Daí vêm mudanças e a sensação de perda de tempo. E o Flamengo desperdiçou energia e tempo demais no último ano e meio. 

A sombra de Jorge Jesus ainda é muito intensa no Flamengo. Mas é hora de tocar o barco pra frente
A sombra de Jorge Jesus ainda é muito intensa no Flamengo. Mas é hora de tocar o barco pra frente Alexandre Vidal / Flamengo
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Atlético-MG papa-tudo. E o Athletico não tem do que se queixar em 21

Antero Greco
Antero Greco

O Atlético-MG está em estado de graça - e merecidamente. Não é todo ano em que se conquistam três títulos enfileirados, no caso Estadual, Brasileiro e Copa do Brasil. Sem contar que a Taça Libertadores esteve perto, não fosse a eliminação para o tricampeão Palmeiras nas semifinais. Mas nem é para lamentar essa queda, pois há muito o que festejar, com a perspectiva de que, em 2022, vem mais.

O Galo é forte e vingador como havia muito não se via. Certo que já tinha a Copa do Brasil no currículo, bem como a Libertadores. Porém, da forma como vieram as vitórias em 2021 não é exagero afirmar que se trata de uma das temporadas mais brilhantes. Tivesse ficado “apenas” no Brasileiro, já seria motivo para incensar os jogadores e a comissão técnica comandada por Cuca. Foi a quebra de jejum de 50 anos. Meio século é muito, mas muito tempo. Fácil entender a euforia da torcida. 

Atlético-MG campeão da Copa do Brasil! Galo vence Athletico-PR com golaço de Hulk e fica com a taça; VEJA!

         
     

O animador é que o Atlético-MG montou elenco competitivo, de qualidade e para durar. Não é projeto para ser desfeito de uma hora para outra, como já se viu em tantas ocasiões por aqui. Grana para investir existe, o estádio está sendo preparado com requintes, a participação em torneios importantes lhe abre portas para ter amplas receitas. Ou seja, se encontra em círculo virtuoso, e que seja só o começo. 

A prova de que são poucos, hoje, os adversários em condições de brecar a ascensão atleticana veio na noite desta quarta-feira (15/12). Quer dizer, prova, não; a confirmação da superioridade. No domingo, a rapaziada de Cuca havia lascado 4 a 0 no Furacão e voltou a vencer, agora por 2 a 1. Num duelo tenso, dramático, em que os donos da casa sabiam da missão impossível, porém queriam despedir-se do seu público em grande estilo. Até o fizeram, mas sem forças para deter o Galo. 

O Athletico jogou na base da alma e do orgulho e, desde o apito inicial, não escondeu que a intenção era carimbar a faixa mineira. Quase conseguiu, quando Pedro Rocha abriu o placar. Comemoração frustrada, pois o gol foi anulado, sob a alegação de que a bola tocou na mão do atacante. Regra besta, porque Pedro Rocha não se beneficiou com a resvalada da bola, na mão junto ao corpo. 

O Galo não tinha nada com isso e se inflamou. Resultado? Em contragolpe, pouco depois, fez 1 a 0 - esse pra valer - com Keno. Daí em diante, foi só esperar o tempo passar. Antes do intervalo, o Atlético poderia teve duas chances para ampliar e não as aproveitou. No segundo tempo, Hulk deixou a marca do artilheiro, como saideira de um ano inesquecível, no retorno ao Brasil, e fez 2 a 0. Jaderson, aos 41, cravou o gol de honra rubro-negro, para aplausos do público, em clara aceitação de que o time da casa enfrentou um oponente que lhe foi muito superior nos dois duelos. 

O comportamento do torcedor paranaense foi retribuição carinhosa para aquilo que recebeu do time em 21. O Athletico conquistou o bicampeonato da Copa Sul-Americana, proeza inédita para times brasileiros, e chegou à final da Copa do Brasil pela segunda vez em três anos. Reclamar com os rapazes? Claro que não. O Furacão também cava um lugar de realce no futebol nacional e do continente. 

Parabéns aos dois. 

Hulk é o símbolo de um ano inesquecível para o Atlético-MG e de muito amor com a torcida
Hulk é o símbolo de um ano inesquecível para o Atlético-MG e de muito amor com a torcida Pedro Souza / Atlético
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Flamengo pode até demorar, mas precisa escolher técnico com convicção

Antero Greco
Antero Greco


Noto apreensão no ar em relação ao técnico que comandará o Flamengo em 2022. Ou melhor, vejo tensão na demora da direção em escolher o “professor” que terá sob suas ordens um dos elencos mais badalados e caros das Américas. Mas será que a cartolagem dorme no ponto, 15 dias depois de ter dispensado Renato Gaúcho, tão logo o grupo retornou da final da Taça Libertadores?

Respondo que sim e que não. 

Calma lá, não estou em cima do muro! Admito que a definição está lenta, se compararmos com certas decisões tomadas na base do vapt-vupt. Como foi no caso do próprio Renato, que desembarcou na Gávea mal havia sido anunciada a saída de Rogério Ceni. Aliás, praxe na maioria dos clubes: sai um técnico e na sequência chega outro, “pego de surpresa” com a oferta de trabalho. Como se não tivessem conversado antes…

Entendo também que um clube da importância do Flamengo não pode ficar muito tempo sem comissão técnica. Ainda mais em fim de ano, época em que se faz plrogramação para a temporada seguinte. O treinador é peça essencial, para ajudar na definição do elenco, com sugestão de dispensa, confirmação e contratações. Enfim, é ele quem indica o caminho que se pretende seguir. E nisso, de fato, tem um atraso, pois vários atletas podem ficar fora dos planos para 22.

Daniela Boaventura monta 'barca' com quem deveria deixar o elenco do Flamengo: 'Para reestruturar'

Por outro lado, para que acelerar o processo e queimar etapas? Se for só para satisfazer a necessidade de noticiário e para responder a pressões da torcida, não vale a pena. O Flamengo fez três tentativas, após a saída de Jorge Jesus, todas com resultados frustrantes. Não mostrou convicção ao chamar Domenec Torren (a propósito, por onde anda?), tampouco ao optar por Rogério e até por Renato. 

O primeiro veio porque era estrangeiro e porque tinha no currículo o fato de ter trabalhado como auxiliar de Pep Guardiola. Nem teve tempo para trabalhar e logo foi queimado. Rogério sofreu resistência desde o primeiro momento, e nem os títulos o seguraram. Renato tinha a fama de agregador e copeiro, conquistada nos anos de Grêmio, e foi fogo de palha. Início empolgante e falhas nas etapas decisivas, seja na Copa do Brasil quanto na Libertadores. 

O que quero dizer com isto? Que o Flamengo pode até ficar na marcha lenta para escolher técnico, desde que o faça com critério, análise serena e sobretudo certeza de que será um profissional que receberá carta branca e mão forte. Não adianta ficar só em alguns estereótipos, como a obrigatoriedade de ser um estrangeiro. Nada contra quem vem de fora, mas não basta ser gringo para garantir que seja bom. Vários já tentaram a sorte por aqui e quebraram a cara. Que seja forasteiro, sem problema, desde que com experiência e capacidade comprovadas. 

Também não vale a pena apelar para nomes domésticos manjados, rodados e com validade vencida. Será chover no molhado, como acontece na maioria das vezes. Para resumir: que a direção rubro-negra não se precipite, não tome decisões de qualquer jeito, para não desperdiçar tempo e dinheiro. Tampouco empurre o caso com a barriga, para não ficar para trás no planejamento em comparação com concorrentes, que já estão se movendo no mercado de contratações.

O maior desafio do Flamengo, em 2022, é o de não ser superado por Atlético e Palmeiras na corrida por títulos. Claro, sem contar que há mais gente a correr por fora, como Corinthians, Fortaleza, Athletico, RB Bragantino e até o Fluminense, animado com a chegada de alguns astros veteranos mas ainda para o gasto.  Está posta a missão para Rodolfo Landim e Marcos Braz, que tomam as decisões principais no futebol do clube. 

 

Marcos Braz e Landim têm missão de encontrar nome para comandar o time por muito tempo
Marcos Braz e Landim têm missão de encontrar nome para comandar o time por muito tempo Alexandre Vidal / Flamengo
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Flamengo pode até demorar, mas precisa escolher técnico com convicção

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Atlético-MG, Flamengo e Palmeiras vão dominar... e sofrer com inveja

Antero Greco
Antero Greco

Inveja é sentimento humano dos mais fortes e imutáveis. Pode reparar: basta alguém sobressair em alguma atividade e logo surgirão comentários maldosos para colocar em dúvida mérito e capacidade. Na vida, em algum momento, ou sofremos com a inveja alheia ou nos deixamos envolver por ela ao ver o sucesso de outra pessoa. Importante é lutar contra esse astral ruim e melhorar no que se faz.

Bem, mas por que estou cheio de considerações morais e filosóficas? Para chegar ao futebol, tema de nossos papos quase diários neste espaço. E para dizer que o alvo de dor de cotovelo, por aqui, é o trio formado por Atlético-MG, Flamengo e Palmeiras. Os dois últimos há tempos são cornetados pelos rivais; o primeiro entrou para o grupo agora que tem dinheiro, conquistou o Brasileiro e tem nove dedos e meio colocados na Copa do Brasil, depois dos 4 a 0 de domingo no Athletico

As conquistas recentes deles sempre tiveram algum tipo de restrição. As mais comuns são “sorte”, “falhas dos adversários”, “acidente” ou principalmente “esquema”. Note como damos um jeito de encontrar mutreta numa trajetória vencedora. Uma taça foi alcançada não por mérito em campo da equipe campeã, mas como consequência de “esquema de bastidores''. 

Daí detectamos (leia-se com ironia) uma infinidade de episódios que beneficiaram um time - pênaltis duvidosos, amarelos e vermelhos para concorrentes, mexidas na tabela -, o que comprovaria a tese conspiratória de “apito amigo”, ou de CBF e Conmebol vendidas, fora interesses escusos de imprensa, patrocinadores e rede de televisão. Quantas vezes não se falou de “campeonato manchado”? Se olharmos bem, acho que nunca teve uma competição em que se botasse o carimbo de lisura e competência. 

'Não está nada ganho': Keno comemora vitória do Galo, mas faz alerta para decisão; VEJA

Não comecei ontem no jornalismo, não nasci anteontem, não me iludo com o mundo do futebol. Porém, é um porre duvidar de qualquer feito! Inveja pura na veia!

Duvida do que estou falando? Relembre que o Flamengo teve destaques, na história recente, por interferência de estatal (Petrobras) e mídia (a Globo), interessados em “proteger” o clube com maior torcida no Brasil. Fosse verdadeira essa tese e os rubro-negros ganhariam tudo, todos os anos. Basta olhar o que aconteceu desde o início dos anos 2000 para constatar que faturou, em termos nacionais e internacionais, 3 Brasileiros, 1 Libertadores, 1 Recopa Sul-Americana, 2 Copas do Brasil, 2 Recopas do Brasil, fora estaduais. Muito? Não, normal.

Para o Palmeiras a avaliação é ainda pior. No mesmo período, as 2 Libertadores, os 2 Brasileiros, as 3 Copas do Brasil, os 2 Estaduais vieram só por obra e graças do acaso. Não houve suor, estratégia, bons jogadores e técnicos de qualidade; os palestrinos estão entre os maiores ganhadores do nosso futebol por deslizes. E o Galo cavou lugar nessa turma seleta porque tem “um mecenas que compra tudo”. 

Os três podem ficar espertos porque a chiadeira continuará. Sabem por quê? Porque a tendência é a de que continuem a nadar de braça, no Brasil e na América. A estrutura que cada um montou é forte e não parece que vá mudar. 

O Flamengo ajeitou suas finanças, na gestão Bandeira de Mello, assim como o Palmeiras saiu da bancarrota com administração impecável de Paulo Nobre. (Sim, ele emprestou dinheiro, num período de sufoco financeiro incomum, mas teve tudo devolvido, com correção e juros baixos.) Nobre também negociou o patrocínio da Crefisa, e o que se espera é que não haja conflito de interesses agora que a dona da empresa (Leila Pereira) será também presidente do clube. Se ela souber separar as coisas, o sucesso é provável; caso contrário, veremos um desastre. 

O Atlético segue os passos da dupla e pretende firmar-se como gigante. O currículo é mais modesto e pode engrossar, se também se estruturar para garantir receitas e elenco fortes sem aporte de torcedor bilionário. É possível, basta ter planejamento transparente e profissional. Os reflexos positivos nos campeonatos virão como bônus.  

Há espaço para outros protagonistas? Claro que sim, desde que se disponham a ter gastos, investimentos e dívidas sob controle, e que encontrem parceiros comprometidos e não aventureiros e oportunistas de plantão. Casos positivos são os de Fortaleza e Red Bull Bragantino. E o do Athletico Paranaense. 

O risco sempre à espreita é o de aparecer uma diretoria ruim e estragar tudo. Já aconteceu diversas vezes, aí está o Cruzeiro para comprovar. Para isso também os clubes precisam criar proteção, que só vem profissionalismo e transparência, como escrevi acima. E preparar-se para as épocas de baixa, porque a roda gigante da vida e do futebol está sempre em atividade.

No mais, que os oponentes mordam o cotovelo, tratem de encontrar formas de diminuir as conquistas alheias e chorem na cama que é lugar quente…

O Atlético-MG, de Hulk, é um dos donos da bola no futebol brasileiro e atrai muito olho gordo
O Atlético-MG, de Hulk, é um dos donos da bola no futebol brasileiro e atrai muito olho gordo Pedro Souza / Atlético
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Atlético-MG, Flamengo e Palmeiras vão dominar... e sofrer com inveja

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O São Paulo e a casa da sogra

Antero Greco
Antero Greco


Ainda tem bafafá por causa do áudio vazado em que Muricy Ramalho corneta a situação do São Paulo com um amigo. Bom, para início de conversa, se tratava de assunto pessoal, privado, que nem deveria ter vindo a público. Mas a gente sabe como funcionam zaps e outras modalidades de contato virtual: quem recebe mensagens quentes fica com coceira nas mãos para passá-las adiante. Foi o que ocorreu com o ex-treinador e dirigente tricolor. Muy amigo quem fez isso com ele…

Noves fora a fofoca, Muricy não falou mentira ao criticar a precariedade na organização e na capacidade de investimento do clube. Não é diagnóstico de quem caiu de para-quedas no Morumbi. Ele é são-paulino histórico, cria da casa desde os tempos de jogador, lá nos anos 1970. Tem história, também, como assistente técnico (comandava o famoso Expressinho na década de 1990), como treinador tricampeão brasileiro do time principal e agora como aprendiz de cartola. 

Muricy veio a público na sexta-feira mesmo, em entrevista aos colegas Eduardo Tironi e Arnaldo Ribeiro, não retirou uma vírgula, embora tenha recuado no ponto principal do áudio, aquele em que falava que iria tirar o cavalo da chuva, junto com Rogério Ceni. Como se sabe, ambos continuam no comando do futebol, já se reuniram com a direção e iniciaram programação para a temporada de 22. 

'É muito sofrimento': ouça o áudio vazado em que Muricy diz que deve deixar São Paulo ao lado de Rogério Ceni




A constatação óbvia do episódio é a de que o São Paulo continua em busca de rumo - isso para ser educado e não escrever que não sabe o que quer da vida. Faz tempo que afirmo na tevê e escrevo em colunas de jornal e blog que o glorioso Tricolor se perdeu no tempo, embriagou-se com as merecidas glórias e passou de ator principal a coadjuvante e agora só figurante. Ok, não cai no Brasileiro, mas também não incomoda ninguém, passa em brancos nuvens, fora os sustos. 

(Aliás, me permitam um parágrafo como parênteses, com uma observação que pode soar provocativa, mas não é. Será que uma queda não faria bem ao clube? Será que passar uma temporada no limbo da Série B não ajudaria a chacoalhar como se deve as estruturas e a forma de agir da cartolagem? Vejamos Palmeiras, Corinthians, Atlético, até Grêmio, alguns dos grandes que tiveram seus momentos de Segundona. Vários aprenderam a lição e, na sequência, venceram tudo (ou quase) o que foi possível. Galo e Palestra hoje são dois que dominam por aqui.)

O São Paulo errou ao não se modernizar, dentro e fora de campo. O grupo que controla a política há décadas continua no poder, só com rodízio de nomes. No futebol, ultimamente tem revelado jogadores muito menos do que ocorria anteriormente. Em pouco mais de dez anos, triturou uns 20 e tantos técnicos, de variadas nacionalidades e currículos. Queimou quantias exageradas em contratações duvidosas, com retorno técnico e financeiro decepcionante. E, como consequência, não ganha mais nada. Depois do tri de 06/07/08. foram só uma Sul-Americana (em 2012) e o Paulistão de 2021. Pouco, constrangedor para uma equipe que dava as cartas no plano doméstico, nacional, sul-americano e mundial. 

As palavras de Muricy incomodam, doem, mas revelam a realidade são-paulina. E, pelo visto, as perspectivas para o ano não são entusiasmantes. Porém, há saída, e ela passa por atitudes sérias e comprometidas. Primeiro, se a direção confia na dupla Muricy/Rogério tem de dar mão forte. Não pode jurar de pés juntos que vai apoiá-los e, na primeira crise (que certamente haverá), dar-lhes um pé no traseiro. 

Em segundo lugar, que se contratem atletas aptos a chegarem, vestirem a camisa e jogarem. Não adianta comprar de baciada e vir com o papo furado de que são “reforços”. Com grana curta, é imprescindível gastar bem. E, por fim, traçar metas e deixá-las claras para a torcida, sem enrolação. Se o objetivo for 2023, por exemplo, que se mostre isso e se sustente a convicção. Mostrar indecisão só atrapalhará. O São Paulo é gigante, só não pode achar que isso basta; tem de ter atitude. 

Eu falei no título que o São Paulo é a casa da sogra, para usar expressão antiga. Sei não, na casa da minha sogra não tem bagunça, não. A dona Lúcia (que não é a da cartinha do Parreira na Copa de 20140) não dá moleza, ninguém folga com ela…

Muricy falou umas verdades sobre o Tricolor, mas está disposto a encarar desafios em 22
Muricy falou umas verdades sobre o Tricolor, mas está disposto a encarar desafios em 22 Sergio Barzaghi/Gazeta Press
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O São Paulo e a casa da sogra

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Grêmio e Bahia precisam ter calma e método para difícil Série B de 22

Antero Greco
Antero Greco

Dois tricolores juntaram-se a Sport e Chapecoense no grupo dos quatro rebaixados para a Série B. Grêmio e Bahia chegaram à última rodada com a corda no pescoço, e não conseguiram livrar-se dela. Os gaúchos não dependiam só de si, embora tenham vencido com uma chuva de gols em Porto Alegre; os baianos iriam salvar-se com seu próprio suor, chegaram perto, mas levaram virada em Fortaleza. Caíram. 

Difícil encontrar palavras de consolo para torcedores cujos times acabam de sofrer rebaixamento. Não há os que os conforte. O Grêmio já passou por situação semelhante em outras duas ocasiões, na história do Campeonato Brasileiro. Em ambas soube dar a volta por cima e colecionar títulos importantes, de estaduais a nacionais, de Copa do Brasil a Copa Libertadores. Pode agarrar-se nisso para respirar. 

Grêmio rebaixado pela 3ª vez na história: relembre as outras oportunidades


         
     

O Bahia viveu essa situação triste mais vezes do que o colega de infortúnio do Sul. O vaivém de divisões não está fora de sua rotina, infelizmente. Em seu favor, está o fato de que, nos últimos anos, deu uma guinada, com administração mais ousada e com tentativas de modernização. Obteve destaque regional, parecia ter fincado pé na elite, mas teve uma derrocada intensa na reta final, com desfecho nos 2 a 1 que levou do Fortaleza nesta quinta-feira (9/12). Muita dor e revolta. 

O Grêmio fez tudo errado, desde o início. Os sinais de desgaste do trabalho de Renato Gaúcho surgiram durante a longa temporada de 2020. A troca demorou a ser feita - e foi retardada, também, pela final da Copa do Brasil. Quando Renato saiu, era visível que o encanto tricolor dos últimos anos corria risco de virar fumaça.

Houve a aposta no jovem Tiago Nunes, que durou pouco no cargo e não soube (ou nem teve tempo) dar padrão que se esperava. Apelou-se em seguida para a experiência de Felipão, que igualmente decepcionou e logo jogou a toalha. Finalmente se recorreu a Vagner Mancini, claramente para apagar incêndio já em andamento. Também não obteve sucesso. 

Só essas trocas de comando já demonstravam como a direção estava perdida e sentia que o desfecho de 2021 tendia a ser trágico. Houve alterações também entre a cartolagem - e, em vez de melhorar, a situação agravou-se. Para complicar, o elenco recheado de jogadores rodados negou fogo. E isso não é novidade: anos atrás, o Grêmio havia cometido erro semelhante, com apostas erradas. 

Do 'Super Grêmio' à Série B: veja quais foram os investimentos do clube gaúcho entre 2020 e 2021


         
     

Passou as rodadas derradeiras à espera de uma reação e alguns milagres improváveis. Ok, todos temos fé, Deus é pai, ajuda Seus filhos, mas espera que façam a parte deles. O Grêmio resolveu fazer só agora, até com a vitória por 4 a 3 sobre o Atlético-MG. Muito tarde para despertar. Agora, que aprenda de vez a lição, respire fundo, baixe a poeira e volte fortalecido. O desafio na Série B será enorme. 

O Bahia teve orçamento mais modesto do que o Grêmio; no entanto, seguiu script com semelhanças, sobretudo nos erros e nas trocas de treinadores. Iniciou com Dado Cavalcanti, foi para Diego Dabove (e aí cometeu, talvez, seu pecado maior) até desembocar em Guto Ferreira, que segurou o rojão o quanto pôde.

 O tricolor baiano lamenta sequência de decisões que o prejudicaram na reta final - e algumas foram mesmo bem polêmicas. Como o pênalti que resultou no segundo gol diante do Fortaleza, aquele que decretou os 2 a 1 e a queda. Teorias de conspiração existem e eu aprendi a não botar a mão no fogo por ninguém no mundo do futebol. Porém, mais do que chiar com pênaltis malditos, é preciso entender o que foi feito de errado para resultar no rebaixamento. Assim como o Grêmio, deve ter discernimento e equilíbrio para traçar projeto que o devolva à Série A em 23. 

Missão complicada para dois times tradicionais, que toparão em 22 com concorrentes como Sport, Guarani, Vasco, Cruzeiro, Ponte Preta e outros com sede de retornar ao topo. E com dinheiro mais curto do que em outras épocas. 

Vagner Mancini foi um dos profissionais engolidos no furacão que atingiu o Grêmio
Vagner Mancini foi um dos profissionais engolidos no furacão que atingiu o Grêmio Mourão Panda / América

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Grêmio e Bahia precisam ter calma e método para difícil Série B de 22

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Se o Grêmio cair, não tome Douglas Costa como o grande vilão

Antero Greco
Antero Greco

Desde que se entende como gente, o ser humano precisa de mitos, heróis, vilões para justificar proezas ou fiascos na vida. Em tudo: na religião, na política, nas artes. E, claro, no futebol. No glorioso “esporte bretão”, a cada rodada de qualquer competição em qualquer canto do mundo não faltam personagens que levam o carimbo de mitos ou bestas quadradas, de craques ou de pernas de pau. 

Dias atrás, na final da Libertadores, tivemos os dois extremos: o destrambelhado Dayverson consagrou-se como “o cara”, com o gol do título do Palmeiras. E o bom Andreas Pereira saiu de campo como o “responsável” pela queda do Flamengo. Ambos dominaram o noticiário e as reações das respectivas torcidas. 

Aqui por nossas bandas, o bola da vez como “sujeito mau” de uma história é Douglas Costa. O moço virou centro de polêmica no Grêmio porque tinha marcado festa de casamento no Copacabana Palace (Rio), para a terça-feira (7), dois dias antes do jogo desta quinta (9), contra o Atlético-MG, no encerramento do Campeonato Brasileiro. Comemoração considerada inadequada, num momento tão delicado para o clube e que pode representar o terceiro rebaixamento para a Série B nacional. 

Claro que ninguém gostou do episódio. Os dirigentes tricolores se irritaram com o atleta, que por sua vez ficou furioso com o cancelamento da festança. A torcida, então, caiu de pau em cima do atacante e da esposa, uma influencer (sei lá o que é isso) que até apagou contas em redes sociais. Um bafafá daqueles que só acontecem mesmo em casa desarrumada, como parecer ser a dos gremistas. 

Grêmio não libera Douglas Costa para a própria festa de casamento; entenda essa história:

É muito fácil tomar partido neste caso. Basta eu escrever aqui, ou falar na tevê, que Douglas Costa está errado. Pronto, assim fica satisfeito o desejo de “justiça” por parte da galera. Nesta fase tão delicada é necessária a figura do vilão, do mau caráter, e esse incidente veio a calhar, pois dá a cabeça do goleiro de bandeja. 

Mas será que é assim mesmo? Pelo que se comenta no Sul, o casamento do Douglas (ou ao menos a festança) havia sido adiada por causa da pandemia. Era para ser no meio do ano, ou em outra data qualquer. Daí houve a transferência para o começo de dezembro, num dia em que o Brasileirão teria terminado. Depois, a CBF empurrou a última rodada para mais adiante - e Douglas não mexeu no compromisso dele, já agendado. É culpado pela alteração na tabela?

Entendo que faltou comunicação e afinamento entre Douglas e a direção de futebol. Uma conversa prévia, e com antecedência, teria ajudado a resolver a questão sem traumas demais para os dois lados. Isso é demonstração de que o ambiente anda esquisito no Grêmio: falta diálogo? Jogadores e cartolas não falam a mesma língua?

Douglas Costa foi a principal contratação do clube para a temporada, retornou para casa depois de um longo giro pela Europa, mas não emplacou. Teve participação discreta, e sem continuidade, nos desafios do time, com poucos gols e raras assistências. Enfim, não valeu o investimento, está na cara que dificilmente continuará no elenco em 22, episódio do casamento à parte. 

Douglas Costa é só mais uma peça emperrada na engrenagem errada do Grêmio
Douglas Costa é só mais uma peça emperrada na engrenagem errada do Grêmio Everton Pereira/Ofotografico Gazeta Pres

No entanto, para terminar este papo antes do almoço, ele não pode ser visto como responsável por eventual queda do Grêmio. Claro que cai como uma luva conveniente para todos, se for eleito como o vilão desta fase vergonhosa, pois dessa maneira livra a cara de muita gente - de dentro e de fora de campo. 

Certo que não foi simpático pedir para dar um pulinho no Rio dois dias antes da definição do futuro do Grêmio. Daí a ver nesse fato a razão da queda é uma pobreza de lógica que nem merece comentário e só serve para quem não quer pensar. E passar pano para um monte de erros. Vamos ver?

O Grêmio está na zona de rebaixamento desde a segunda rodada, trocou de comando várias vezes, mexeu no elenco, com contratações equivocadas, como a do próprio Douglas. Por isso, acumulou decepções, tropeços e tomadas de decisão erradas - até a torcida tomou parte na baderna com invasão de gramado e quebra de aparelhagem do VAR. 

Ou seja, fez tudo até agora para seguir à risca o roteiro do rebaixamento. E quer botar a culpa num rapaz apenas? Querem enganar a quem?

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O São Paulo respira aliviado, mas não estava no grupo do descenso

Antero Greco
Antero Greco

Tão logo terminou o jogo com o Juventude, na noite desta segunda-feira (6/12), o que mais se falou e escreveu é que, com a vitória por 3 a 1,  “o São Paulo fugiu do rebaixamento”. Como assim?! Trata-se de meia verdade, com uma falha de lógica. O time de Rogério Ceni respira aliviado, salta na classificação, mas não estava na zona da degola, no máximo na “jona da confujão”, como diria o professor Luxemburgo.

 O tricolor teria escapado do descenso, de fato, se estivesse entre os quatro últimos, ou seja, no bloco dos que de fato caem. Para ser exato, o São Paulo iniciou a penúltima rodada do Brasileiro em 14º lugar. Pode-se falar com propriedade em evitar a queda para a Série B, se Juventude e/ou Grêmio se safarem na quinta-feira, uma vez que estes estão em 17º e 18º lugares, respectivamente. É uma sutileza da língua, mas que para mim faz muita diferença. 

Papo de semântica à parte, o certo é que, mais uma vez, o São Paulo desperdiça participação na elite nacional. O único tricampeão em seguida na era moderna da competição há muito se transformou apenas em coadjuvante, na maioria das vezes sem grandes pretensões. Pior: nos últimos anos, anda flertando com a parte de baixo da tabela. O que prova sua diminuição de poder de fogo, enquanto é ultrapassado no protagonismo por rivais como Flamengo, Palmeiras e agora o Atlético Mineiro

Torcida do São Paulo protesta no Morumbi após a vitória contra o Juventude pelo Brasileirão: 'Time sem vergonha'




Manter-se “virgem” em rebaixamentos não deve ser motivo de alegria, mas de preocupação. O mantra “time grande não cai” podia ser uma provocação e zoeira, tempos atrás. Nos dias de hoje soa mais como temor real que atormenta o torcedor. De tanto brincar com fogo, uma hora o clube vai queimar-se de fato. Como poderia ter acontecido em 2021, de novo por uma sucessão de erros de planejamento.  Por isso, a festa é de descarrego,  não prova de grandeza.  Calma lá!

Ceni comanda empate do Tricolor no Morumbi
Ceni comanda empate do Tricolor no Morumbi Rubens Chiri / saopaulofc.net

A direção apostou tudo na conquista do Paulista - e até entendi, na época, essa ansiedade. Imaginava-se que, com uma taça, enfim iria para o espaço o estigma que há mais de uma década acompanha o time, de ter virado participante secundário em tudo. Só que o estadual trouxe a ilusão de que o elenco era ótimo, de que o técnico (Crespo) era o máximo e que o sucesso viria naturalmente. 

A participação na Copa do Brasil, na Libertadores e no Brasileiro jogou por terra essa ilusão. O São Paulo versão 2021 errou em quase tudo - perdeu o impulso do Paulistão para lançar-se como protagonista e terá de recomeçar o caminho em 22. Com dificuldades de todos os lados, sobretudo técnico e financeiro. A grana continuará curta e isso deve refletir-se na composição do grupo de atletas. Mais do que nunca será imprescindível administrar bem o dinheiro e não jogá-lo pela janela como tem sido corriqueiro pelos lados do Morumbi. 

A torcida fez a parte que lhe cabia, ocupou boa parte do estádio nesta segunda-feira, apoiou, aplaudiu, mas sentiu calafrios quando o Juventude diminui, no segundo tempo, depois dos 2 a 0 obtidos na etapa inicial. Por sorte e insistência, Luciano (que abriu o placar) fechou a conta em seguida. Caso contrário, seria outra noite de apreensão e cobranças. 

Aliviado, ok. Mas será que finalmente o São Paulo aprenderá a lição e voltará ser referência e parâmetro, como foi no passado? A conferir já a partir do período de férias e de mercado. Vamos ver como vai comportar-se a direção tricolor…

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O São Paulo respira aliviado, mas não estava no grupo do descenso

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