Palmeiras na Libertadores-22 é sinônimo de show, gols, recordes

Antero Greco
Antero Greco

O Palmeiras tem sido um deboche na edição de 2022 da Taça Libertadores. Tomo emprestada a expressão consagrada pelo narrador e amigo João Guilherme porque é, até o momento, a que resume melhor a trajetória do tricampeão. A rapaziada de Abel Ferreira pulverizou adversários em seis jogos, com 25 gols marcados e apenas 3 sofridos. Um dos raros clubes a vencer todas as partidas da fase de grupos, e agora recordista em número de gols e de saldo. Forte candidato a outro título. 

A objeção de qualquer “anti” mais desavisado fala em “grupo fácil”, como forma de desmerecer a proeza de um time que, nos últimos anos, tem dominado o torneio continental com folga. Sim, é fato que os rivais estão abaixo do nível palestrino. Mas pergunto ao amigo que lê estas linhas: há, hoje em dia, alguma equipe que esteja acima? Flamengo, Atlético-MG, River, para citar três fortes concorrentes, também têm justas pretensões. Porém, não superam o atual dono da América e todas foram eliminadas pela tropa alviverde, em 2020 ou em 2021. Ficaram para trás. 

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O Palmeiras é melhor e mostra sabedoria, profissionalismo e atenção porque sabe aproveitar-se disso. Quantas vezes um favorito não fica pelo meio do caminho por desprezar os demais, por baixar a guarda? O próprio Palmeiras, e em Libertadores passadas, pagou o caro preço por vacilar. Sob a batuta de Abel Ferreira tem sido cirúrgico quando necessário (lembro as semifinais e a final de 21) e esbanjador, como em várias apresentações nos três anos de intenso brilho. 

Como na noite desta terça-feira (24/5), ao receber o Deportivo Táchira, no Allianz Parque. Não houve meio de os venezuelanos sequer colocarem as mangas de fora e tentarem uma proeza. O Palmeiras dominou do início ao fim, fez dois gols em cada tempo e confirmou a condição de melhor campanha desta etapa. Scarpa fez os dois iniciais (um frangaço do goleiro e uma cobrança de pênalti), Rony marcou o terceiro aos 11 minutos e Scarpa fechou a conta aos 22, também de pênalti. Entre dois gols e outros, Gutierrez descontou para o eliminado Deportivo.

Abel não está para brincadeira na Libertadores. Por isso, mais uma vez largou com o que tinha de melhor à disposição, exceto Danilo e Veiga (com Covid). Sinal claro do treinador português de que a liderança geral era prioridade, assim como a confirmação dos recordes. Scarpa foi o dono do jogo, pelos gols, movimentação, finalizações; outra peça fundamental no esquema. Navarro merece menção honrosa, bem como o goleiro Weverton, com duas excelentes defesas. 

A partir do mata-mata é outra conversa. Claro que há riscos para o Palmeiras. O mesmo raciocínio vale para os demais, ora bolas. O tri consecutivo pode não vir - e é do jogo. Mas que esse grupo tem perfil de fazer história, ah isso tem. E já provou. 

Scarpa comemora um de seus gols em goleada
Scarpa comemora um de seus gols em goleada Cesar Greco/SE Palmeiras
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Empate com Avaí aumenta a pressão sobre o Corinthians, em fase decisiva em três frentes

Antero Greco
Antero Greco

O Corinthians tem um agosto decisivo em três competições: a Copa do Brasil, a Libertadores e o Brasileiro. Nas duas primeiras, corre risco de eliminação em quartas de final, depois de derrotas por 2 a 0 nos jogos de ida. Na Série A, tenta manter fôlego na perseguição ao líder Palmeiras (39 pontos contra 42). O mês determinará que tipo de balanço fará ao final da temporada. 

Por isso, o empate com o Avaí não pode entrar na conta dos bons resultados, mesmo obtido fora de casa. O placar de 1 a 1, em Florianópolis, vem em momento de pressão, entre os dois confrontos com o Flamengo pelo torneio sul-americano. Em seguida, haverá duelo direto com os palmeirenses, no Brasileiro, e depois a partida de volta com o Atlético-GO na Copa do Brasil. Fase delicada.

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Vítor Pereira tem noção dos riscos de ficar a ver navios em todas as frentes; ainda assim, optou por escalação de time misto contra o Avaí, um dos que lutam para fugir da zona de rebaixamento. O treinador português chegou à conclusão de que não dá para manter força total na maioria dos desafios - e apelou para o rodízio. 

As dificuldades que o Corinthians enfrenta quando está com o que tem de melhor ficaram realçadas na apresentação em Santa Catarina. Houve limitação na criação e na conclusão de jogadas. Só não pecou muito na marcação porque o Avaí não partiu para o ataque. Mesmo assim, em alguns lances mais ousados da turma da casa, Cássio & Cia. passaram sufoco. Ou seja, o Corinthians está vulnerável. 

No primeiro tempo, depois de início com equilíbrio, o Avaí ficou em vantagem, com gol de Bissoli, em cobrança de pênalti atrapalhado cometido por Balbuena. Na segunda parte, Vítor Pereira fez várias mudanças - uma delas a troca de Fábio Santos por Yuri Alberto -, e o Corinthians ficou mais veloz e agressivo. Tanto insistiu que chegou ao empate com Balbuena, de cabeça aos 32, após escanteio. Os minutos finais foram de tensão e atrevimento dos dois lados, em busca da vitória. 

O Corinthians não está liquidado em nenhum dos campeonatos. Pode, até, dar a volta por cima nas duas Copas, por que não? Mas, se houver desclassificações, também nada improváveis, lhe restará o Brasileiro. A pergunta, então, que fica no ar: terá fôlego e equilíbrio emocional para aguentar cobranças da torcida?

Vítor Pereira apelou novamente para o rodízio, mas o Corinthians emperrou no jogo com o Avaí
Vítor Pereira apelou novamente para o rodízio, mas o Corinthians emperrou no jogo com o Avaí Getty Images

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Empate com Avaí aumenta a pressão sobre o Corinthians, em fase decisiva em três frentes

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O Atlético-MG poderia liquidar a briga pela vaga, mas o Palmeiras mostrou por que é o bi da América

Antero Greco
Antero Greco

Conheço gente que torce o nariz para o Palmeiras e não se conforma com o sucesso de Abel Ferreira e sua rapaziada. A alegação mais corriqueira para desmerecer as proezas verdes é a de que 'sempre' pega moleza, sobretudo na Conmebol Libertadores. Pois o bicampeão seguido da América topou com um adversário gigante, na noite desta quarta-feira (3),e saiu do Mineirão com honroso empate por 2 a 2. Decidirá a vaga para a semifinal com o Atlético-MG, na semana que vem, com moral alta e mais vivo do que nunca em busca do terceiro título enfileirado. 

O resultado foi magnífico para os palmeirenses, sobretudo porque veio nos acréscimos e de maneira dramática. Deve ser comemorado, sem dúvida, porque obtido com méritos. Por outro lado, Abel e jogadores precisam agradecer a seus anjos da guarda e ao rival, que não soube segurar a esplêndida vantagem de 2 a 0, alcançada com justiça, com os gols de Hulk (pênalti) aos 45 minutos do primeiro tempo e Murilo, contra, aos 2 do segundo. 


         
     

O Galo teve desempenho impecável na metade inicial do clássico. Desde o início, tratou de se impor e impediu qualquer tentativa mais ousada de contragolpe palestrino; marcou forte e até com muitas faltas. Hulk puxava as principais jogadas e Keno apareceu algumas vezes livre para concluir. O domínio atleticano deixou tonto o Palmeiras, que teve só um bom momento, no gol bem anulado de Piquerez. Além disso, ressentiu-se da atuação apagada de Marcos Rocha (cometeu o pênalti e sofreu com Keno), de Raphael Veiga, de 'Flaco' López. E fez muita falta o goleador Rony.

O Atlético superior, atento, cheio de vontade acusou o golpe após o gol de Murilo, aos 13 minutos  - dessa vez a favor do Palmeiras - e deu brecha para a reação. O empate quase veio nos minutos finais, em cruzamento de Gustavo Scarpa (de novo o melhor da equipe dele) que Dudu sem marcação chutou para fora. Dudu recuperou-se ao mergulhar de cabeça, no escanteio em que saiu o gol de empate, e deixar a bola para Danilo completar. O gol que mantém aberta a luta para a próxima etapa. 

O jogo confirmou o prognóstico de equilíbrio entre dois concorrentes muito fortes e foi mais uma constatação da alta competitividade do Palmeiras, ganhador das últimas duas edições não por obra do acaso. No entanto, também provou o quanto o Atlético-MG tem de qualidade e recursos para fazer a festa no Allianz Parque - desde que acredite em seu poder de decisão e não se intimide com o tamanho do desafio. Não vejo pênaltis como hipótese a ser descartada para apontar um semifinalista…

Hulk, do Atlético-MG, disputando bola com Gustavo Gómez, do Palmeiras, durante duelo pelas quartas de final da Conmebol Libertadores
Hulk, do Atlético-MG, disputando bola com Gustavo Gómez, do Palmeiras, durante duelo pelas quartas de final da Conmebol Libertadores Cesar Greco/ Ag. Palmeiras


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O Atlético-MG poderia liquidar a briga pela vaga, mas o Palmeiras mostrou por que é o bi da América

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O Flamengo bate o Corinthians no campo e nas opções de banco

Antero Greco
Antero Greco

O clássico das multidões, o jogo das duas maiores torcidas do país, o duelo que faz estourar a audiência de televisão foi muito além desses clichês habituais. A partida que Corinthians e Flamengo fizeram na noite desta terça-feira (2), em Itaquera, mostrou como há diferença entre os elencos. Os alvinegros penaram para ter um time titular minimamente competitivo e nem as alterações surtiram efeito. Os rubro-negros sobraram com sua tropa principal e mantiveram o ritmo com as mudanças. Resultado: 2 a 0 e vaga para a semifinal da Conmebol Libertadores a um passo. 

O Corinthians há um ano investe em nomes de peso, e não por acaso avançou na Libertadores, na Copa do Brasil e está em segundo no Brasileiro. Mas, a esta altura da temporada, começa a pagar o preço por ter optado por diversos atletas veteranos. Gente da qualidade de Renato Augusto, Willian e Paulinho está fora de combate e veteranos como Gil e Fábio Santos entram em ocasiões muito especiais. Não têm pique para aguentar as exigências de três competições. Outros estão aquém do que já apresentaram - exceção feita a Cássio, é claro. 

Por isso, Vítor Pereira tem voltado a atenção para um punhado de jovens, talentosos é verdade, mas que nem sempre conseguem resolver paradas difíceis. Como foi o caso do confronto com o Flamengo. Em parte do primeiro tempo, a mescla na escalação e a estratégia do treinador português surtiram efeito, e o Corinthians ao menos impediu que o rival dominasse, como seria de esperar. 

Arrascaeta faz pintura, Gabigol encerra jejum, e Flamengo vence o Corinthians na Libertadores; VEJA gols


         
     

Mesmo assim, num raro vacilo geral, veio o baque inicial, com o lindo gol de Arrascaeta, mais uma vez o melhor em campo, o que é chover no molhado

A partir desse lance, aos 36 minutos, o jogo virou totalmente em favor do Fla. E prevaleceram a qualidade individual e a variedade na tropa rubro-negra. Quando foi necessário, Dorival Jr. olhou para o banco e viu, por exemplo, que no lugar de João Gomes poderia colocar Vidal, que na vaga de Pedro tinha Cebolinha. Além de contar com David Luiz, Filipe Luís, Everton Ribeiro, Gabigol e o próprio Arrascaeta em noite impecável, o que levou outros coadjuvantes também a crescerem. 

Para acentuar a superioridade, aos 5 da etapa final Gabigol quebrou jejum de meia dúzia de jogos e fez o segundo. O terceiro não veio porque o Flamengo não quis desgastar-se demais. Ao contrário, apostou em trocar passes, em explorar contragolpes e sobretudo contou com o relógio a seu favor. Volta para casa com a convicção de que se aproxima da terceira semifinal em quatro anos - e, quem sabe, também da terceira final. Cresce numa hora importante da temporada. 

E o Corinthians terá missão quase impossível no Rio. Depois, tem de anular a vantagem - igualmente de 2 a 0 - do Atlético-GO na Copa do Brasil. Dores de cabeça e tanto para Vítor e sua tropa. 

Gabigol fechou a conta nos 2 a 0 do Flamengo sobre o Corinthians
Gabigol fechou a conta nos 2 a 0 do Flamengo sobre o Corinthians Flikcer Flamengo

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O Fluminense dá gosto de ver jogar. O Santos joga para o gasto

Antero Greco
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Santos e Fluminense fizeram clássico interessante, na noite desta segunda-feira (8/1), no encerramento da 20.ª rodada do Brasileiro. O empate por 2 a 2 deu a medida do equilíbrio que se viu na Vila Belmiro, embora não tenha sido o ideal para nenhum dos lados. Afinal, a turma alvinegra se mantém em posição intermediária, enquanto o tricolor deixou escapar a chance de encostar no vice-líder Corinthians.

O que me chamou a atenção - e aí corro o risco de chover no molhado - foi o potencial de cada time. O Santos agora sob a direção de Lisca continua a ser limitado e passa a sensação de que o máximo a alcançar é o de jogar para o gasto. O Fluminense de Diniz atravessa período de destaque na competição, ostenta série invicta e tem futebol que flui, surpreende e dá prazer de acompanhar. 

Lisca acabou de desembarcar no Santos e não é justo cobrar alterações profundas na forma de a equipe jogar. Nota-se que tenta mexer na estratégia e faz experiências na escalação - e nem dá para ir muito além disso. Ou seja, é sempre um risco pegar o leme de um time com a temporada em andamento e com tempo apertado para promover uma revolução a curto prazo. Ainda assim, o Santos teve o mérito de marcar bem, travou o Flu e foi para o intervalo com vantagem, graças ao gol ''sem querer querendo” de Luis Felipe aos 15 minutos. 

A maturidade tricolor prevaleceu na etapa final. Com Ganso de novo como referência a reger o meio de campo, trocou passes, empurrou o Santos para o próprio ataque, testou os reflexos (ótimos) de João Paulo. Enfim, incomodou. Perturbou tanto que, em dois minutos, virou o placar, com pênalti juvenil cometido por Sandry e que Ganso aproveitou, aos 25 minutos. E com contragolpe rápido e chute de fora da área com Árias. Só não festejou aquela que seria a 11.ª vitória porque Marcos Leonardo empatou com linda finalização aos 40 minutos. 

Pode ter ficado gosto de decepção para o Fluminense, pois teve a oportunidade de manter a diferença para o Palmeiras em cinco pontos e agora são sete. Se mantiver a toada que ostenta desde a metade do primeiro turno, pode desbancar favoritos como Flamengo e Atlético-MG e se transformar -, ao lado do Corinthians e do insistente Athletico -, como o grande perseguidor da rapaziada de Abel Ferreira na corrida pelo título de 2022. 

E o Santos? Pelo visto, terá mais uma participação na Série A com o papel de coadjuvante. 


Ganso pelo Flu na Vila Belmiro
Ganso pelo Flu na Vila Belmiro Marcelo Gonçalves/Fluminense
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O Fluminense dá gosto de ver jogar. O Santos joga para o gasto

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O Atlético-MG vê azedar também a situação no Brasileiro. O Inter reage

Antero Greco
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O Atlético-MG foi um dos destaques da temporada passada, com a conquista da Copa do Brasil e do Brasileirão, além de chegar à semifinal da Conmebol Libertadores. Iniciou 2022 como forte candidato nas três competições, mas a prática não lhe tem sido muito favorável. Caiu na Copa, vê distanciar-se a possibilidade de revalidar o título brasileiro e aumenta a pressão para os duelos com o Palmeiras nas quartas de final da competição sul-americana. A fase não é das mais confortáveis.

A reestreia de Cuca no comando do Galo não fez diferença, no clássico deste domingo (31) com o Internacional. A torcida que esteve no Beira-Rio viu o atual campeão ser engolido por um primeiro tempo avassalador da turma da casa, com os gols de Maurício aos 6 minutos, Wanderson aos 26 e Maurício de novo, aos 30. Meia hora impecável, somada a três defesas precisas de Daniel levaram  o Colorado a recuperar-se, ir a 33 pontos e continuar no mínimo na rota da Libertadores.

Em compensação, o jogo no Sul aumenta a incerteza no Atlético. Não só pelo resultado, sobretudo pelo desempenho. Vá lá que finalizou um punhado de vezes - mais até do que o rival - e que esbarrou no desempenho do Daniel. Isso faz parte do jogo. O problema do Galo se concentra na incapacidade de manter a regularidade e a eficiência de alto nível que lhe foram decisivas em 2021. A equipe compacta, equilibrada, precisa nos contragolpes dá o ar da graça apenas esporadicamente.  As limitações que levaram à derrota em casa para o Corinthians prevaleceram também neste domingo. 


         
     

A instabilidade derrubou Turco Mohamed, custou eliminação na Copa do Brasil e deixa dúvidas a respeito da capacidade de reação no restante do ano. No Brasileiro, embora tenha pela frente 18 rodadas para recuperar o terreno perdido, a diferença no momento é de 10 pontos para o líder Palmeiras. Sem contar que há outros concorrentes a superar - casos de Corinthians, Fluminense, Athletico-PR, Flamengo e agora o próprio Inter. O Galo precisará de combinação de tropeços da tropa de rivais, além de trajetória com enorme índice de aproveitamento para ir ao topo. 

Na Libertadores, tudo está aberto, apesar de inversão de expectativa. Em 2021 chegou à etapa semifinal como favorito diante do Palmeiras, pois era mais confiável e estável. Neste momento, está tecnicamente abaixo do bicampeão da América. Claro que pode seguir adiante, tem elenco para enfrentar Dudu, Veiga, Scarpa & Cia.. O problema está no ponto de interrogação em que se transformaram peças-chave como Hulk, Nacho Fernández, Keno, Allan e outros. Vários deles estão aquém do que já mostraram, o que leva a incertezas a respeito de sucesso na empreitada nas duas frentes.

Calma, pontaria, estratégia serão decisivos para que o Galo não veja ir pelo ralo um ano que prometia ser tão - ou mais - magnífico do que 2021. 

Cuca durante sua reestreia pelo Atlético-MG, no Beira-Rio, em partida contra o Internacional, pelo Brasileirão
Cuca durante sua reestreia pelo Atlético-MG, no Beira-Rio, em partida contra o Internacional, pelo Brasileirão Pedro Souza/Atlético-MG

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O Atlético-MG vê azedar também a situação no Brasileiro. O Inter reage

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Corinthians economiza nos gols e esbanja em vitórias. Reclamar de quê?

Antero Greco
Antero Greco

Se olharmos a tabela do Brasileirão na coluna de gols marcados, veremos que o Corinthians tem o sétimo ataque, com 25 a favor, oito a menos do que o Palmeiras. Mas uma conferida na lista de vitórias, nota-se que a rapaziada de Vítor Pereira tem 11, só uma atrás do rival verde. Com esse retrospecto, está em segundo lugar, com 38 pontos, só 4 atrás do líder. Então, do que se vai reclamar de time que não estava entre os favoritos e, no entanto, segue vivíssimo na corrida por outro título nacional?  

Eu não faço grandes restrições ao comportamento corintiano. Talvez poderia ter apresentações mais empolgantes e convincentes. Quem sabe dar um show de vez em quando. Mas isso raramente acontece. Vice-versa ao contrário também não costuma passar sufocos enormes - ao menos no que se refere à Série A que é o tema deste texto. Nesse quesito, ostenta defesa sólida, 19 gols sofridos, 5 a mais do que o Palmeiras e um a mais do que o Flamengo (sem contar o jogo com o Atlético-GO). Ou seja, é osso duro de roer para qualquer adversário. 

A Fiel não se surpreende com esses números. Afinal, de certa forma são tradicionais, pelo menos na última década e meia. Com Mano, Tite e Carille chegou a decisões e beliscou um monte de taças, muitas vezes sem encher os oponentes de gols. O Corinthians acostumou-se a jogar o suficiente para alcançar objetivos, não necessariamente com ataques arrasadores. Porém, com equilíbrio entre os setores, o que no fim das contas é o que interessa para quem briga por troféus.

Gustavo Mosquito faz golaço, e Corinthians vence o Botafogo no Campeonato Brasileiro; veja como foi


         
     

A prova disso é o fato de estar empenhado em três grandes torneios, quando se imaginava, no início da temporada, que se contentaria em ser coadjuvante. Sei, sei, na Copa do Brasil, o calo apertou um tanto, com a derrota por 2 a 0 para o Atlético-GO. Na Conmebol Libertadores, a parada será complicada contra o Flamengo. Mas quem disse que está desclassificado de antemão? No Brasileiro, tem chão demais a percorrer, com uma penca de jogos em casa contra a turma da parte de cima. 

Vítor Pereira sabe das limitações do elenco, em termos físicos. Por isso, apelou para o mistão no jogo deste sábado diante do Botafogo. Na verdade, começou com um time quase todo reserva; depois, colocou alguns titulares. O português poupou figurões - sobretudo a turma de mais de 30 anos - para o tira-teima com o Flamengo. Quem entrou, deu conta do recado, contra um adversário que não sabe direito o que pretende no Brasileiro. O Botafogo sob nova administração tende a ser apenas um personagem secundário no campeonato de 2022. 

E assim se comportou em Itaquera. No jogo de número 603 de Cássio com a camisa corintiana, o Botafogo pouco incomodou. Na prática, só uma vez testou o goleiro multicampeão. No mais, teve estéril posse de bola, não soube fugir de marcação, criou quase nada e se mostrou impotente até para o empate, após levar gol de Gustavo Mosquito, aos 27 minutos do primeiro tempo. O Corinthians percebeu a limitação e não gastou energia além da conta. Pode não ter agradado à crítica, porém saiu aplaudido por mais de 40 mil que foram ao estádio. Se o povo ficou feliz…

Mosquito garantiu mais três pontos no balaio do Corinthians no Brasileiro de 2022
Mosquito garantiu mais três pontos no balaio do Corinthians no Brasileiro de 2022 Rodrigo Coca / Agência Corinthians

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O Palmeiras segue a cartilha de quem briga firme pelo título

Antero Greco
Antero Greco

Regra básica para time que pretende ser campeão é não perder (muitos) pontos para quem está na segunda página da classificação. Porque são tropeços que contam demais no final da competição. O Palmeiras havia largado mal no Campeonato Brasileiro, com a derrota por 3 a 2 para o Ceará, no Allianz Parque. Mas conseguiu compensar ao dar o troco e fazer 2 a 1, neste sábado (30), em Fortaleza. Na abertura do returno, o líder da Série A pelo compensou o número de pontos desperdiçados. 

Abel faz tempo já entendeu o peso da Série A e em 2022 lhe dá a atenção devida. Sobretudo depois da eliminação na Copa do Brasil e com o desafio complicado que terá pela frente na Conmebol Libertadores. Na eventualidade de cair fora do torneio sul-americano, lhe restará a competição nacional para garantir o ano. Por isso, faz tempo coloca em campo o que tem de melhor, noves fora machucados e suspensos. Para não abrir brechas.

Com gols de Dudu e Flaco López e maestria de Scarpa, Palmeiras vence o Ceará; VEJA os lances


         
     

A fórmula tem dado certo - e se mostrou eficiente em Fortaleza. Embora o Ceará tenha retrospecto interessante contra a turma da parte de cima da tabela, não surpreendeu como no jogo de ida

O Palmeiras conseguiu abrir vantagem que costuma ser insuperável, com os 2 a 0 no primeiro tempo (Dudu e López), e não se abalou nem com o pênalti bem duvidoso marcado por Daronco, no segundo tempo, e que Mendoza bateu bem, para o gol. Seguiu o roteiro correto, ou seja, o de pontuar como visitante. E, nesse aspecto, o Palmeiras tem sido quase impecável, tanto que as duas únicas derrotas aconteceram em casa (Ceará e Athletico).

O essencial é que o Palmeiras tem uma tropa titular definida - a única baixa, de novo, foi Rony -, o entrosamento sobressai quando há erros individuais, o coletivo se sobrepõe. Como já se viu em tantas ocasiões e se repetiu no Castelão. Cada um sabe como reage o companheiro que está ao lado, os deslocamentos aparecem com naturalidade. Assim como as chances, que não foram muitas, mas suficientes diante do Ceará. E, quando o adversário não consegue encontrar jeito de anular essa estratégia, pode contar com derrota ou, no máximo, empate. O segredo verde não é tão secreto assim, mas funciona. Isso ajuda a explicar 12 vitórias em 20 rodadas.

Com o grupo de que dispõe, Abel sabe que o Palmeiras tem fôlego para a prova de resistência que é o Brasileiro. Nessa lógica, não poderia voltar do Ceará sem três pontos; objetivo alcançado e, no mínimo, a manutenção da diferença atual para os demais concorrentes. E a Libertadores? Bem, é outra conversa…

Dudu foi destaque do Palmeiras e abriu o caminho da vitória, com o primeiro gol
Dudu foi destaque do Palmeiras e abriu o caminho da vitória, com o primeiro gol Cesar Greco/S.E. Palmeiras

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Há 40 anos não acaba a noite de 5 de julho de 1982 no estádio Sarriá

Antero Greco
Antero Greco


A segunda-feira, 5 de julho de 1982, amanheceu com tempo bom e sol. Era início de verão europeu, a temperatura subia em Barcelona. Havia clima de festa e expectativa por mais um show da seleção Brasileira, que encantava no “maior Mundial” da história; afinal, era a primeira vez, em décadas, que o torneio da Fifa saltava de 16 para 24 participantes. A rapaziada de Telê Santana havia despachado a Argentina por 3 a 1, na sexta-feira, e era favorita contra o azarão Itália. 

Na época, eu trabalhava no “Estadão”, que me havia enviado para a Espanha um mês antes da abertura da competição. Estava todo animado, porque era minha primeira Copa, um marco na carreira. Como falo italiano e tinha muitos contatos com jornalistas de lá (eu também escrevia para o “Corriere Dello Sport”, de Roma), fui destacado para seguir a Squadra Azzurra, que tinha sido um fiasco na fase de grupos. Zoff, Tardelli, Rossi & Cia passaram raspando, depois de empates com Polônia, Peru e Camarões. Um time muito aquém do adversário que enfrentaria, a partir das 5 da tarde locais (meio-dia, de Brasília), no modesto Sarriá. 

A turma do jornal decidiu ir cedo para o estádio, para iniciar logo os trabalhos. Por coincidência - ou ato-falho, sei lá -, coloquei uma camiseta polo azul escura, num tom parecido com a camisa da seleção italiana. Meu colega e amigo Gilson Menezes, um dos que acompanhavam os passos do Brasil, perguntou por que eu estava vestido daquela maneira. “Para dar sorte para os gringos”, respondi, em tom de gozação. O Gilson levou a sério, fechou a cara e não disse mais palavra. 

As horas voaram, o ambiente no antigo campo do Espanyol era magnífico, o amarelo se destacava nas arquibancadas; nossa torcida era maior e mais barulhenta do que a da Itália. Havíamos invadido as avenidas e as ramblas da capital da Catalunha. As próximas etapas seriam a semifinal no Camp Nou, na quinta-feira, e a apoteose estava marcada para domingo, 11, no Santiago Bernabéu. Não tinha como dar zebra, a máquina verde-amarela estava azeitada, ajustada. Irretocável. 

Por isso, não foi um grande choque quando Paolo Rossi fez 1 a 0, de cabeça, com apenas 5 minutos, numa bobeada da marcação e lançamento de Cabrini. Era certo que a reação viria - e veio 7 minutos depois, com o belo gol de empate de Sócrates. Ufa! Jogo bom, equilibrado, os danados dos italianos se soltavam como não haviam feito até então. Tanto que, aos 25 minutos, Cerezo erra passe no meio do campo, Rossi aproveita e arranca para marcar o segundo. A Azzurra transferia para o Brasil o peso do favoritismo, conforme previsão de Enzo Bearzot. Eu estava na entrevista do técnico, ao final da primeira parte da Copa, quando disse: “Vamos enfrentar os atuais campeões do mundo e os próximos campeões. Sabemos de nosso papel.”

O caldo engrossou, depois da nova vantagem rival. O segundo tempo ficou tenso, o relógio acelerava, a Itália se fechava. O cadeado foi rompido com um golaço de Falcão, aos 23 minutos. Numa das raras vezes e que me excedi em tribuna de imprensa, em 45 anos de profissão, dei um murro na mesa em que estava apoiada a máquina de escrever. (Sim, ainda se usava esse objeto antigo.) Que alívio! 

O pesadelo voltou seis minutos mais tarde, com o terceiro de Paolo Rossi! Não era possível que fosse verdade… Os italianos viraram gigantes, fizeram até um quarto gol (na minha opinião mal anulado por Abraham Klein), mereceram vencer. E, para fechar a glória de um lado e o drama de outro, Zoff pegou bola em cima da linha, após cabeceio de Oscar, no último lance do jogo. O fotógrafo Alfredo Rizutti, do “Estadão”, fixou o lance, em que se vê a bola meio dentro do gol. Anos mais tarde, entreguei uma cópia para Zoff. 

Assim que veio o apito final, a tristeza espalhou-se pela tribuna de imprensa onde estavam os brasileiros. Fiquei atônito, paralisado. Ao meu lado, Luis Carlos Ramos, então meu chefe na editoria de Esportes, advertiu. “Estamos todos tristes, mas amanhã o jornal sai.” Com isso, nos lembrava que nossa missão era a de contar a história. “Vá à merda, Luis!”, foi minha resposta. “Mas você tem toda razão.” Foi uma das maiores lições de jornalismo que aprendi. O repórter é testemunha dos fatos, não pode deixar envolver-se. Caso contrário, falha. 

Fui para a sala de entrevistas dos treinadores. Quando Telê apareceu, a primeira pergunta, de um jornalista italiano, começou com um “Obrigado, senhor Santana, pelo futebol magnífico de sua seleção.” Após as declarações, Telê foi aplaudido de pé pela imprensa estrangeira; os brasileiros ficaram mudos. O pessoal de fora reconhecia, no calor da hora, a importância do trabalho dele. Não é por acaso que até hoje aquele time mexe com o imaginário de quem curte futebol. 

Acabado o trabalho no Sarriá, fomos para o Camp Nou, onde estava nossa redação. Foi difícil escrever, teve colega que travou e eu terminei os textos dele. No começo da madrugada, fomos jantar. Não bebo, porém abri exceção e tomei vinho. Na volta para o hotel, topei com o Gilson, que disparou; “Ficou contente, seu filho da…?” Ele tinha mesmo levado ao pé da letra minha “torcida” pela Itália. E sumiu…

O sono não veio e, confesso, rolaram algumas lágrimas. Pela seleção, pelo fato de o nosso trabalho também murchar, pela distância de casa e pela saudade do meu filho mais velho, com apenas cinco meses e havia dois que eu não via. 

Aquela noite parecia interminável. E foi mesmo: até hoje, 40 anos depois,  o Sarriá já não existe, mas as cenas continuam muito vivas na minha memória. E na de milhões que assistiram ao  jogo…

Apesar de tudo, faço um brinde à memória de Telê, de Valdir Perez, do doutor Sócrates, de Dirceu! Como disse o jornalista italiano: “Obrigado pelo futebol encantador.”


O Brasil de Telê perdeu em campo, mas se mantém imbatível na memória afetiva de várias gerações.
O Brasil de Telê perdeu em campo, mas se mantém imbatível na memória afetiva de várias gerações. Alessandro Sabattini/Getty Images
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Há 40 anos não acaba a noite de 5 de julho de 1982 no estádio Sarriá

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O Flamengo precisa de muita convicção, se acha que deve manter Paulo Sousa

Antero Greco
Antero Greco

O ambiente acalmou no Flamengo por duas semanas, tempo em que não viajou, ficou em casa e venceu vários jogos. Mas a poeira voltou a subir, neste domingo, com a derrota por 2 a 1 para o lanterna Fortaleza. Parte da torcida que foi ao Maracanã vaiou o time e sobretudo Paulo Sousa, antes e depois do jogo. O português não consegue conquistar o coração dos “adeptos” rubro-negros, e a direção precisará de muita convicção, se acha conveniente mantê-lo, independentemente das turbulências. 

Paulo Sousa mostra inquietação com os constantes experimentos no Flamengo. Desde que chegou, raras as vezes em que repetiu uma formação. E isso não ocorreu por diversos motivos e “ões”: contusões, suspensões, convocações e opções dele mesmo, no rodízio permanente a que submete o elenco. Este último aspecto, ele defende como necessidade, em função dos muitos torneios de que o clube participa ao mesmo tempo. Nada diferente do que fazem seus colegas. 

O problema do Flamengo não se resume às mexidas na escalação. Estas ocorrem e são inevitáveis em qualquer lugar. Concentra-se, em minha opinião, na indefinição de um time-base, na ausência de uma formação em que se podem detectar os titulares e substitutos imediatos. Algo rotineiro em qualquer time, mas que agora parece uma ofensa, na visão de muitos “professores”, que apelam para o chavão de que “todos são titulares”. 

Balela. Esse discurso funciona quando o técnico não tem clareza do que pretende com um time; ou, então, não tem confiança nos jogadores. O próprio Flamengo, com Jorge Jesus, tinha uma escalação que estava na ponta da língua dos torcedores. E se sabia, quase sempre, quem entraria, numa emergência. Cito JJ não porque sou uma “viúva” dele; mas porque esta crônica trata de Flamengo. Ou, se preferirem, cito Abel Ferreira, que tem um Palmeiras A para os grandes duelos, em que todos sabem quais serão os 11 a começarem os jogos. Depois, entram as alternativas…

Ter um time-base ajuda a definir estratégia, encorpa, dá confiança aos escolhidos e transmite ao torcedor a sensação de firmeza no trabalho. Paulo Sousa não passou isso, ainda, para seu público. Pior: o futebol da equipe não engrena, não encanta, não se mostra estável. As trocas, jogo a jogo, deixam mais dúvidas do que certezas. Para complicar, os resultados raramente são convincentes. 

Não vejo ainda terra arrasada no Flamengo, que está no páreo em três frentes - Copa do Brasil, Brasileiro e Libertadores. Claro que pode chegar em todas, assim como pode ficar a ver navios, como aconteceu no ano passado. Mas é inegável que a situação é preocupante, porque muito longe do ideal.  A inconstância aparece em todos os setores, e não é de agora. Não sou dos que espinafram treinadores por qualquer bobagem; também não sou dos que defendem permanência a qualquer custo. Paciência de torcedor e de cartola tem limite. 

A bola está com a direção rubro-negra: se a avaliação é a de que Paulo Sousa faz bom trabalho e o grupo apresenta potencial para crescimento, então que ele seja defendido com ênfase. Se a cartolagem ponderar que o português já errou a mão, então não deve esperar por catástrofes e tem de agir rapidamente na troca.  Uma dica. Quando treinador fala em "erros individuais", numa fase de instabilidade, abre uma brecha para perder o grupo.  E Paulo Sousa fez essa observação, após o jogo com o Fortaleza...

O momento é delicado e requer tato e bom senso, e igualmente segurança e rapidez nas decisões. Porque a cornetagem voltou a se fazer ouvir - e eu diria que, exageros à parte, com razão.  A situação voltou a ficar tensa para o "mister"... Se bem que o problema no Flamengo não se resume só a encontrar um técnico ideal.  Está cada vez mais com cara de que cabe uma mudança ampla.

[image src="//cdn.espn.com.br/image/wide/622_120057a2-39a8-4c17-b996-c3288e563876.jpg" credit="Marcelo Cortes/Flamengo" caption="Paulo Sousa volta a ser "cornetado" por torcedores do Flamengo e pelos críticos " alignment=""]
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No empate dos favoritos Palmeiras e Atlético-MG, 'muito obrigado' quem diz é o líder Corinthians

Antero Greco
Antero Greco

Abel Ferreira 'detona' Wilton Pereira Sampaio e diz: 'Me sinto perseguido pelos árbitros brasileiros'

Ninguém - creio - nega que Palmeiras e Atlético-MG sejam dois dos fortes candidatos ao título do Brasileiro. Concorda comigo? A dupla tem elenco, cacife e retrospecto para levantar a taça. Os palestrinos tiveram essa alegria, na história recente, em 2016 e 2018; os mineiros são os campeões atuais. Iniciaram a rodada número 9 dividindo os dois primeiros lugares, com os mesmos 15 pontos. 

Pois bem, palmeirenses e atleticanos continuam com pontuação idêntica, só que agora com 16 para cada lado. Porém, quem festejou o empate por 0 a 0, na tarde deste domingo (5/6) no Allianz Parque, foi o Corinthians, que retomou a ponta, depois do 1 a 0 do sábado diante do Atlético-GO. A rapaziada de Vítor Pereira saltou para 18 pontos e olha para trás em busca dos concorrentes. 

Ou seja, o campeonato está equilibrado para chuchu, sem que ninguém consiga abrir longa dianteira. Ou, tampouco, engrenar com rapidez. E aí está o exemplo do Flamengo, outro protagonista de peso que não se acerta e que, de quebra, ainda concedeu ao Fortaleza a primeira vitória na competição, com os 2 a 1 no Maracanã. O bicampeão de 2019/20 tem 12 pontos, é o 10.º colocado e ainda pode cair uma ou duas posições, até o encerramento da rodada. 

Mas vamos ao jogo no antigo Parque Antártica. Equilibrado e intensamente disputado, como se previa. Porém, ficou abaixo na expectativa do ponto de vista técnico. Pelos jogadores em campo, era possível e justo esperar mais de equipes estreladas. Na prática, foram poucas as oportunidades de gol; tanto que Everson e Lomba apareceram poucas vezes. A rigor, a melhor chance surgiu no último lance do primeiro tempo, quando Navarro ficou livre na frente do goleiro do Galo e, talvez por achar que estivesse impedido, chutou para fora. 

No mais, o clássico foi um festival de divididas duras, jogadas truncadas, marcação implacável e criatividade baixa. Hulk, Nacho, Scarpa, Dudu, alguns dos principais cérebros de lado a lado, ficaram com desempenho normal - ou, melhor, aquém do habitual. Para complicar para os palmeirenses Raphael Veiga machucou-se numa arrancada e precisou sair no meio da etapa inicial. Essa é uma baixa para lamentar. 

Piquerez (esq), do Palmeiras, e Ademir, do Atlético-MG, disputam jogada
Piquerez (esq), do Palmeiras, e Ademir, do Atlético-MG, disputam jogada Cesar Greco/Ag Palmeiras

O duelo em São Paulo mostrou o quanto se equiparam essas equipes e como será difícil apontar favoritismo, se eventualmente vierem a encontrar-se nas quartas de final da Libertadores. Uma possibilidade real e prevista no chaveamento do certame sul-americano. Ambas são favoritas diante de Cerro Porteño e Emelec, respectivamente. Não apostaria seco em ninguém; mas isso fica para mais adiante. 

O Palmeiras sentiu a contusão de Veiga, mas não lamentou a ausência de Weverton, Gomez e Danilo, porque Lomba, Luan, Menino deram conta do recado; ou, no mínimo, não complicaram. Faltou-lhe eficiência nos contra-ataques e pecou por raras finalizações. O Atlético apostou em Ademir, Hulk, Sasha, na frente, para envolver a zaga verde; o trio, desta vez, foi anulado por Marcos Rocha, Murilo e Piquerez. O empate por 0 a 0 não foi obra do acaso, mas consequência da postura firme dos respectivos sistemas defensivos. Galo e Palestra, porém, continuam vivos.



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O Corinthians sofre com empatite, mas segura invencibilidade

Antero Greco
Antero Greco

O Corinthians não sabe o que é perder, desde os 3 a 0 para o Palmeiras, no dia 23 de abril. De lá para cá, são dez jogos de invencibilidade, com quatro vitórias e seis empates. Mas aí é que está o xis da questão. Cinco dessas igualdades vêm na sequência, na Libertadores e no Brasileiro. É a volta da empatite, “doença” que o acometia nos tempos em que era dirigido por Tite. A contrapartida é que, naquela base, foram muitas conquistas, de Libertadores a Mundial, passando por Série A. 

Empatar não é ruim, a depender das circunstâncias. Os mais recentes, por exemplo, incomodam, porque foram em casa e contra adversários tecnicamente mais frágeis. No meio da semana, houve desempenho criticável, no 1 a 1 com o Always Ready, pela Libertadores. Por pouco, os reservas bolivianos não aprontam em Itaquera. O mesmo 1 a 1 voltou a dar as caras, agora neste domingo (29/5), contra o América. Em ambos os casos, os visitantes saíram na frente, para susto da Fiel.

Torcida que prestigiou de novo - e aí é chover no molhado. Corintiano raramente abandona a equipe. Apoia, como fez na quinta e hoje, e corneta, após o apito final. Com razão, e não faço média com a galera. Tanto numa como noutra apresentação, a rapaziada de Vítor Pereira ficou em dívida pelo futebol apresentado. O treinador fez um monte de alterações, em busca de equilíbrio, e o máximo que conseguiu foi evitar derrotas constrangedoras. No torneio sul-americano, ficou em segundo na fase de grupos. No campeonato nacional, caiu para terceiro, embora tenha 15 pontos, assim como o líder Palmeiras e o vice Atlético-MG.


         
     

O jogo com o América foi de dar nos nervos em vários momentos. O Coelho chegou a ter domínio, em parte do primeiro tempo e também no segundo. Tanto que ficou em vantagem, com o gol de Aloísio, aos 21 minutos. (Antes o Cássio havia aparecido bem ao menos em duas ocasiões.) O empate só surgiu com Mosquito, aos 36, na base da insistência, do suor e menos de jogada bem elaborada. 

VP muda bastante o Corinthians, de um desafio para outro, sob a alegação de que precisa dosar energias do elenco. Concordo, em parte. Sinto falta de uma equipe-base, daquela formação que o torcedor sabe que é a “titular”, como tem o Palmeiras, para ficar em exemplo local e bem-sucedido. Talvez a única certeza é a de que o goleiro intocável é Cássio. Os demais rodam e rodam e rodam. Pode economizar pernas e pulmões, mas entendo que retarda entrosamento ideal. 

A novidade da vez foi a presença de Roger Guedes desde o início, junto com Willian, mas caindo mais pela direita. Como Willian saiu por contusão, então Roger teve oportunidade de flertar com o lado esquerdo, como prefere. No entanto, numa ponta ou na outra teve atuação regular - na média do restante do time. O Corinthians, na verdade, está muito mediano. Para ser protagonista, precisa de mais

Vítor Pereira mexeu de novo no Corinthians, que empatou o quinto jogo em seguida
Vítor Pereira mexeu de novo no Corinthians, que empatou o quinto jogo em seguida Getty Images
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Incrível! Raphael Veiga perde pênalti, mas o Palmeiras bate o Santos e voa

Antero Greco
Antero Greco


Ao menos que a memória me confunda, não há um jogador que não tenha desperdiçado um pênalti na vida. Principalmente aqueles que são os cobradores oficiais de suas equipes. Por mais certeiros que sejam, chega um dia em que são traídos por uma batida diferente, uma trave, uma escorregada, uma defesa do goleiro. Há um momento em que o infalível se mostra humano - e erra. 

Pois esse dia fatal chegou para Raphael Veiga. O maestro das penalidades máximas, um dos mais exímios que já vestiu a camisa verde, 24 gols em outras tantas oportunidades, falhou! Isso mesmo. A Vila Belmiro, encantada, mítica, antológica, pode colocar mais uma proeza em sua história repleta de lendas. No domingo, dia 29 de maio de 2022, o carrasco dos goleiros desperdiçou uma chance, em jogada na qual é artista incomparável. A bola beijou a trave direita. 

O jogo estava no 0 a 0, complicado para os dois lados. Um primeiro tempo em que houve equilíbrio, com o Santos um pouco mais ousado. O Palmeiras, com algumas baixas (Weverton e Danilo as principais), mais cauteloso, embora perigoso nos contragolpes. Na segunda parte, a turma da casa melhorou, rondou a área verde, assustou Marcelo Lomba com finalizações traiçoeiras. Dava a impressão de que mandaria para o espaço tabu recente - porém, incômodo - de não ganhar do tradicional adversário desde outubro de 2019. Quase três anos de seca no clássico. 


         
     

A sorte e o placar começaram a mudar com o pênalti desnecessário e sem graça cometido por Rodrigo Fernández em Marcos Rocha, já na metade da etapa final. Veiga vacilou, mas o Palmeiras renasceu, foi para cima e, após cobrança de escanteio, veio o gol decisivo: Gómez desviou de cabeça e a bola ainda resvalou na cuca de Lucas Pires, o que tirou qualquer possibilidade de reação de João Paulo.

O duelo mostrou que os palmeirenses entraram de vez na briga pelo título brasileiro, o que é esperado e lógico, pelo momento que vive, pelo elenco, pelo treinador. Depois de estreia desastrosa, com 3 a 2 para o Ceará, no Allianz Parque, agora são sete jogos sem perder, com três empates e quatro vitórias - três delas na sequência. Por alguns minutos, assumiu a liderança (antes de o Corinthians pegar o América). Não surpreende ninguém, se o Palmeiras ficar no bloco de cima. 

O Santos perdeu a primeira em casa, o técnico Fabián Bustos reclamou da arbitragem (sem motivo), viu o time dele estacionar nos 11 pontos. No entanto, há um aspecto positivo: o Santos hoje é melhor do que aquele que iniciou a competição. Diria mais: está com cara competitiva, o que não tinha na largada da temporada de 2022. 

Raphael Veiga, meia do Palmeiras, durante vitória em clássico contra o Santos, na Vila Belmiro, pelo Brasileirão
Raphael Veiga, meia do Palmeiras, durante vitória em clássico contra o Santos, na Vila Belmiro, pelo Brasileirão Cesar Greco/S.E. Palmeiras

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Incrível! Raphael Veiga perde pênalti, mas o Palmeiras bate o Santos e voa

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Guayaquil pode ter revanche de Palmeiras x Flamengo. Por que não?

Antero Greco
Antero Greco

Sei que o título desta crônica tende a provocar polêmica. Aliás, qualquer título despertaria celeuma, porque é impossível ocorrer consenso, quando se trata de futebol. E a temperatura sobe numa competição que, a partir das oitavas de final, toma outro formato, com duelos eliminatórios. A história da Taça Libertadores tem incontáveis exemplos de favoritos que tropeçaram nos mata-matas e de zebras que cresceram, surpreenderam e ao final levantaram o troféu. 

Isto posto, vamos lá, quero expor por que acredito na possibilidade de repetição do duelo de 27 de novembro passado, em Montevidéu, aquele que deu o tri ao Palmeiras, com 2 a 1 sobre o Flamengo - gol decisivo de Deyverson, no início da prorrogação. Trata-se de uma projeção e não de verdade definitiva. Se isso fosse, eu ganharia a vida como adivinho e não faria nunca mais plantões de madrugada como jornalista. Passaria meus dias na praia, com sol, camarão e água de coco. 

Libertadores: Pedro Ivo aponta dois brasileiros como os clubes com caminho mais difícil na competição

         
     

O caminho verde até a final, em teoria - e apenas no papel -, é menos complicado do que o do Flamengo. Mas ambos podem superar obstáculos. A rapaziada de Abel Ferreira, com a melhor campanha na fase de grupos, topará com o Cerro Porteño, tradicional concorrente paraguaio. Hoje, porém, não há como negar que o campeão da América é mais competitivo e tem sido letal diante de oponentes com menos potencial técnico. Se não ocorrer surpresa, segue para as quartas de final. 

Nessa fase, suponho, pode ter seu maior desafio, o Atlético-MG. Mesmo com altos e baixos, ao contrário de 2021, o campeão brasileiro tem elenco para despachar o Emelec, que ficou em segundo no grupo do Palmeiras e lhe deu algum trabalho. O Galo precisa, apenas, reencontrar o equilíbrio que tinha sob o comando de Cuca. Jogadores com qualidade não lhe faltam. 

Se assim for, o Atlético-MG tem condições de devolver a desclassificação na semifinal anterior. Mas, de novo, vejo hoje o Palmeiras como um time que sabe o que quer e como atingir objetivos na Libertadores. Mais adiante a história pode mudar, porque dependerá de como estarão os dois elencos. 

Num eventual avanço para a fase seguinte, a perspectiva é de que os palestrinos - se passarem - topem com o Estudiantes, no momento mais forte do que o Fortaleza, seu adversário nas oitavas, ou de Athletico-PR e Libertad. O choque com os argentinos embute perigo para o Palmeiras (ou mesmo para o Atlético-MG). Seria,  mais de meio século depois, oportunidade de vingar a perda da Libertadores de 1969. Na época, foram três duelos: 2 a 1 para o Estudiantes na Argentina, 3 a 1 para o Palmeiras em São Paulo; e 2 a 0 para os hermanos em Montevidéu. 

O outro lado

O caminho do lado do Flamengo parece mais cabuloso - está repleto de argentinos e são cinco campeões continentais. A turma de Gabigol tem uma casca de banana que é o Tolima, habituado a aprontar para cima de brasileiros. Porém, na técnica, sou mais o rubro-negro nas oitavas. Paulo Sousa precisa, no entanto, encontrar urgentemente uma formação próxima do ideal e que seja confiável. 

Na hipótese de ir para as quartas, terá parada dura contra Boca ou Corinthians. Vejo equilíbrio nesse tira-teima entre brasileiros e argentinos, que foi final em 2012. Embora não seja o melhor Boca dos últimos anos, a tradição, a tarimba em Libertadores podem fazer o diferencial para classificação. E, nas quartas, vejo de novo chances de o Flamengo superar um gigante do futebol mundial. 

Se este exercício de projeção se confirmar,  o Flamengo jogará na semifinal necessariamente contra outro argentino, pois nas oitavas estão marcados os clássicos Talleres x Colón e Vélez x River Plate. Não vislumbro o River caindo para nenhum desses rivais domésticos antes da semifinal. Numa hipotética revanche da final de 2019, a balança será bem calibrada. Ainda assim, minha preferência recai sobre o Flamengo, sobretudo se voltar a funcionar à perfeição o quarteto Everton, Arrascaeta, Bruno Henrique e Gabigol. Será dureza, disso não há dúvida.

Este texto pode soar como tendencioso - e não vou contestar, se pensar assim: uma coisa é imaginar cenários, outra é a realidade com a bola rolando. Não excluo ninguém de antemão, como observei logo no primeiro parágrafo. Apenas fiz um “exercício de futurismo”. Outras hipóteses de final, por exemplo? Vamos lá: Atlético x Flamengo, Atlético x Boca, Palmeiras x Boca, Palmeiras x River, Estudiantes x River, Estudiantes x Flamengo, Atlético x River, Estudiantes x Boca. Alternativas baseadas no que os times apresentaram na primeira fase - e só levei em consideração aqueles que mais chamaram a atenção até aqui. 

Dudu e Arrascaeta disputam bola na final da Libertadores
Dudu e Arrascaeta disputam bola na final da Libertadores César Greco/SE Palmeiras
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Guayaquil pode ter revanche de Palmeiras x Flamengo. Por que não?

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Corinthians por pouco não passa vergonha em casa na Libertadores

Antero Greco
Antero Greco


Amigo fiel, antes de cornetar o Corinthians faço autocrítica, pois fui dos que acharam que não haveria sufoco contra o Always Ready, no jogo desta quinta-feira (26/5), pela última rodada da fase de grupos da Taça Libertadores. Estava enganado. A rapaziada de Vitor Pereira não só teve dificuldade enorme, como correu risco de ver a zebra boliviana passear de novo, desta vez em Itaquera. Se isso tivesse acontecido, tchau tchau para a vaga nas oitavas. No fim, 1 a 1, a segunda colocação e vaias da torcida que quase lotou o estádio. 

VP optou por formação alternativa, o jeito moderninho de falar em mistão ou reserva. Na avaliação dele, provavelmente a tarefa não seria das mais árduas; para tanto, não valeria a pena desgastar atletas com os quais conta para desafios no Brasileiro. Isto posto, repetiu o que têm feito vários de seus colegas e deu espaço para a turma que não quer mofar no banco. Afinal, um pontinho bastava. 

Não vou nem tomar o tempo do amigo e resumo aqui o que aconteceu: o Corinthians pressionou, como era de se esperar e não passava de obrigação. Arriscou diversas finalização, algumas delas amortecidas pelo goleiro Galarza, um dos melhores em campo. (E goleiro está ali para isso mesmo.) Fez um gol com Adson, aos 18 minutos do primeiro tempo, e tomou o empate aos 43 (Borja). 

O gol antes do intervalo deu uma balançada na turma daqui. O Corinthians sentiu o peso da responsabilidade no segundo tempo, quando se lançou todo à frente, mais na base do “vamos ver o que acontece” do que consequência de estratégia e organização. O auxiliar Filipe Almeida, substituto de VP suspenso, mexeu de baciada, ao colocar ao mesmo tempo Willian, Jô e Renato Augusto, para dar mais clareza e método. 

Melhorou um pouco, mas prevaleceu o jeito bumba-meu-boi nos lances de ataque, a maior parte rebatidos como deu pelos zagueiros do Always. A torcida percebeu que a situação poderia piorar e pediu Roger Guedes. Foi atendida, porém à toa. O pivô de ruídos com o treinador principal não alterou o panorama nem o placar…

Ok que o importante era passar de turno, e isso o Corinthians conseguiu. Continua na corrida pelo bi da América, uma década depois da primeira vez em que levantou a taça. Pode seguir adiante, e dependerá de quem topará nas oitavas de final. Uma coisa, no entanto, preocupa: a inconstância alvinegra. A equipe oscila e VP demora para ter uma formação que considere ideal. As dúvidas seriam tantas assim para que não tenha um grupo que considere como titular?

Gol de Adson ajudou a garantir a classificação do Corinthians num jogo confuso com o Always Ready
Gol de Adson ajudou a garantir a classificação do Corinthians num jogo confuso com o Always Ready EFE
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Atlético-MG perde a longa invencibilidade. Que bom! Agora pode pensar só no título

Antero Greco
Antero Greco

Tolima cala o Mineirão e tira invencibilidade histórica do Atlético-MG na Libertadores; VEJA gols


Caro torcedor do Atlético-MG, admito que não gosto muito de certas estatísticas. Às vezes, se valorizam números, sequências e curiosidades como se fossem as coisas mais importantes do futebol. Posse de bola e invencibilidade, por exemplo, são duas que me incomodam. Dá-se mais valor para o percentual que um time apresenta de controle de jogo do que a eficiência, assim como se transforma série invicta como algo com valor maior do que taças conquistadas. 

Este segundo aspecto, sobretudo, com frequência soa uma bobagem que só serve como caça-cliques, para atrair audiência ou para mostrar simpatia por determinado clube. Nos últimos meses, o que mais ouvi foi a proeza histórica do Galo de acumular 14, 15, 16, 17, até chegar a 18 jogos sem perder na Libertadores. Claro que isso é bacana, mostra força do time e empolga. Porém, nessa conta há dois empates com o Palmeiras, no ano passado, que representaram desclassificação e fim do sonho do título. Troféu que foi, afinal, para o adversário paulista. 

Garanto que 99,99% dos torcedores do Atlético teriam trocado esse marco por uma vitória sobre o Flamengo, na final disputada em Montevidéu. Ninguém estaria preocupado em saber se a equipe está há um ou há 30 jogos sem perder. Vale é ficar no mais alto do pódio. Ou alguém lembra de derrotas para São Paulo, Newells Old Boys e Olímpia na caminhada do título inédito de 2013?

O que quis dizer nos parágrafos acima? Que a derrota por 2 a 1 para o Tolima, na noite desta quarta-feira (25/5), pode representar a arrancada para o bi sul-americano. Pode parecer besteira, numa hora em que o fã de Hulk, Nacho & Cia. está triste com a derrapada num Mineirão lotado e animado, falar em tom otimista. Mas tem de ser assim. O tropeço numa etapa em que isso não altera o rumo da classificação tem tudo para cair como lição e estímulo. 

Turco Mohammed, seus auxiliares e jogadores devem sentar-se diante de um telão, numa pausa entre jogos e treinos, e observar o que saiu fora do roteiro diante do esforçado Tolima. Podem detectar que houve espaços abertos entre os setores, que a defesa se expôs em alguns episódios (o do segundo gol colombiano, para citar um decisivo), que Nacho e Hulk ficaram muito distantes da área, que alguns jogadores não conseguem manter a regularidade do ano passado. Enfim, detectar pontos fracos, corrigi-los e aprimorar estratégia para os mata-matas. 

Tolima comemora após marcar sobre o Atlético-MG, pela Libertadores
Tolima comemora após marcar sobre o Atlético-MG, pela Libertadores EFE/Yuri Edmundo

Sei que, com cabeça quente, a cornetagem é quase inevitável. Sei, também, que o Galo sob a batuta de Cuca foi marcante, ainda mais por vencer o Brasileiro depois de meio século de espera. Porém, importa ter em vista o seguinte: o elenco é bom, competitivo, dos melhores da região. E o time está no bloco dos forte candidatos, ao lado de Palmeiras, Flamengo, River Plate. Sim, podem ocorrer surpresas…

Em resumo: que se esqueça essa obsessão de recordes vazios - maior número de gols marcados, melhor campanha em fases de grupos, invencibilidade etc et - e se feche o foco em ser letal, inteligente, prático até o duelo derradeiro em Guaiaquil. O Atlético pode, tem condições para isso. Agora mais leve, sem o peso de buscar recordes que, ao fim e ao cabo, não acrescentam troféus. 

 

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Fortaleza tem vitória e vaga para sacudir a poeira na Libertadores e no Campeonato Brasileiro

Antero Greco
Antero Greco


Meu amigo, fazia tempo que o Fortaleza devia uma alegria dessas para a torcida! O jogo com o Colo-Colo era decisivo e na casa do adversário. O empate servia para seguir adiante na Conmebol Libertadores. Mas havia risco de tropeço, diante de um adversário direto na luta pelo segundo lugar no Grupo F. Pois a rapaziada de Juan Pablo Vojvoda não negou fogo, lascou 4 a 3, na noite desta quarta-feira (25) e segue adiante em sua primeira - e histórica - participação na competição.

O Tricolor jogou com força e vontade, sobretudo no primeiro tempo, quando foi para o descanso com vantagem de 2 a 1, gols de Silvio Romero aos 2 e Moisés aos 24 minutos. Nem o gol contra de Ceballos abalou a turma. A diferença aumentou na segunda parte e virou goleada, com Moisés aos 8 e Pikachu aos 16 minutos. Daí vieram sustos, com a resposta chilena com Pavez aos 18 e Leonardo Gil aos 34.


         
     

Os 16 minutos restantes (coloco na conta os acréscimos) deram algum calor na moçada do Fortaleza, mas não a ponto de fazer com que perdessem a cabeça e, pior, a classificação para a etapa de mata-mata. Mesmo com um a mais, o Colo-Colo foi para cima, mas esbarrou num time que, enfim, recuperou a confiança. Em alguns momentos, vi o Leão com a garra e disposição da temporada de 2021. 

O resultado poderia ter sido mais folgado? Sim, e por um período foi assim mesmo. Porém, o que interessava era voltar da viagem a Santiago com o passaporte carimbado para a permanência na Libertadores. Isso o Fortaleza conseguiu e precisa ser comemorado. E que a vitória agora sirva como estímulo para a reação no Brasileirão. A lanterna não condiz com a qualidade e a capacidade desse grupo. A hora da virada, quem sabe?, chegou com o que aconteceu hoje no Chile. 

Yago Pikachu e Lucas Crispim comemorando vitória do Fortaleza sobre o Colo-Colo, no Chile, pela Conmebol Libertadores
Yago Pikachu e Lucas Crispim comemorando vitória do Fortaleza sobre o Colo-Colo, no Chile, pela Conmebol Libertadores Martin Bernetti/Getty Images

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José Mourinho, Roma e a primeira grande conquista europeia

Antero Greco
Antero Greco

Roma, José Mourinho e a primeira grande conquista europeia

A Roma é time tradicional, mas com fama e conquistas - poucas - restritas à Itália. José Mourinho está no rol dos técnicos mais famosos do mundo. No entanto, já há tempos não tem trabalhos notáveis; alguns foram até interrompidos pela metade. Clube e treinador encontraram-se, no início da atual temporada, e a parceria virou sucesso, com a conquista da Conference League, competição europeia em sua primeira edição e que se juntou à Champions e à Liga Europa. 

A glória romanista e “mourinhista” veio na noite desta quinta-feira (25/5), no estádio de Tirana, capital da república que durante décadas, no século 20, teve o mais fechado regime comunista do continente. Com a maior parte do público formada por tifosi, a tropa de Rui Patrício, Spinazzola, Abraham & Cia levantou o troféu com a vitória por 1 a 0 sobre o Feyenoord, representante holandês que ostenta no currículo alguns dos principais títulos do futebol mundial. Zaniolo foi o herói. 


A taça é o auge da aposta que James Pallotta, o dono americano do clube, fez num técnico rodado e que andava meio à deriva, depois de faturar a Liga Europa com o Manchester United, em 2017, seu último momento de brilho. Mourinho moldou a equipe para ser competitiva, senão no plano doméstico (de novo, ficou no bloco de cima, mas logo saiu da briga pelo scudetto da Série A) ao menos no nível continental. E disso ele entende, pois também venceu a Champions, com o Porto, em 2004, quando despontava como o mais talentoso técnico de sua geração, e com a Internazionale, em 2010. Aliás, última vez em que um time italiano subiu ao pódio.

A Conference League não é o principal torneio da Europa, não tem o charme, o rendimento, o apelo da Champions; sequer faz sentido qualquer comparação. Ela surgiu como uma necessidade comercial e esportiva. A Uefa percebeu que havia mercado para o retorno de um terceiro campeonato de clubes - como nos tempos de Copa dos Campeões, Recopa e Copa da Uefa - e abriu concorrência e vagas. A aceitação foi imediata, com mais clubes empenhados em grana, fortuna e títulos. 

A Roma soube aproveitar-se da trajetória que percorreu, ao ficar à frente de Bodo/Glimt, Zorya e CSKA Sofia na fase de grupos. Depois, nas oitavas eliminou o Vitesse, pegou o Bodo/Glimt de novo nas quartas, livrou-se do Leicester nas semifinais e superou o Feyenoord no tira-teima no estádio Kombetare. Com direito a lágrimas, abraços efusivos, comemoração com a torcida, papel picado e volta olímpica. 

O grupo giallorosso volta para casa como uma tropa com missão cumprida, numa batalha simbólica, sem mortos e feridos; apenas, com atletas e dirigentes felizes. Para cair nos braços do povo, para rodar pela Cidade Eterna como nos tempos dos Césares vitoriosos, após jornadas pelo Mediterrâneo. A Roma inscreve o nome dela na lista dos italianos que têm taça com grife europeia para exibir. Ora, ora, estão pensando que isso se limita a Juventus, Inter e Milan, os poderosos do Norte? Ou como Parma, Napoli, Lazio, com algumas conquistas avulsas? A Roma agora faz parte desse elite. E Forza, Roma!

Agora, mais do que nunca, valem os versos de Antonello Venditti, o compositor popular e autor do hino da Roma. “Roma, Roma, Roma, coração desta cidade. Único e grande amor, de tanta e tanta gente, que você faz suspirar. Roma, Roma, Roma, nos deixe cantar. Desta voz, nasce um coro, são cem mil vozes de gente que você faz se apaixonar”. 

Muito lindo! 

José Mourinho e  Zaniolo, dois heróis romanistas do título da Conference League
José Mourinho e Zaniolo, dois heróis romanistas do título da Conference League Giuseppe Maffia/NurPhoto via Getty Image
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Caro Vítor Pereira, pense: o Corinthians é maior do que o Liverpool!

Antero Greco
Antero Greco

Figuras de linguagem são bonitas, mas às vezes revelam atos-falhos e provocam saias-justas. É preciso cuidado para lidar com as palavras, sobretudo quando se está de cabeça quente. Como, por exemplo, depois de um clássico complicado contra um rival. Caso de Corinthians 1 x 1 São Paulo, da tarde de domingo (22)

A entrevista de Vítor Pereira, após o jogo, em Itaquera, é bom exemplo do que escrevi no parágrafo acima. As declarações do treinador continuam a dar o que falar. Em primeiro lugar, porque escancarou discordância com Róger Guedes, que estaria com postura individualista, o que o levou a deixá-lo na reserva. Na verdade, o atacante tem sido escanteado desde que revelou em público que não se sente confortável de jogar fora do setor em que se considera mais à vontade. 

Nessa estou com VP. A gente parte do pressuposto de que o técnico olha para o coletivo. E, por isso, considera que o lado em que Róger gosta de atuar está mais bem servido por Willian. Cá entre nós, não há comparação entre os dois: Willian, com trajetória longa e muitos serviços prestados, é bem melhor. Róger, portanto, que abra a mente, dê uma controlada no ego e não deixe escapar chance de brilhar em um clube importante. No Palmeiras e no Atlético-MG, creio, não sentem saudades dele.

Tem a outra parte da entrevista do Mister que me incomodou um pouco. Ao fazer comparação entre o que desejamos e o que a realidade nos impõe, Pereira tratou de usar-se como modelo. Sem rodeios, falou a respeito de um sonho. E reforçou: "Eu também queria treinar o Liverpool, mas não posso. Se você perguntar para mim, eu ia correndo treinar o Liverpool. Com todo respeito ao Corinthians, mas o Liverpool é o Liverpool."


         
     

Ok, entendo o fascínio, o tamanho, a caixa de ressonância que é o Liverpool, um dos mais míticos clubes europeus. Evidentemente, é uma honra ser lembrado para dirigir os Reds da terra dos Beatles. Praticamente um carimbo de qualidade para qualquer técnico. No entanto, a retórica de Pereira pode ser vista como uma gafe, algo como 'quero voos altos, mas me consolo com o que for possível'.

Brinquei em redes sociais, ao observar que 'aqui é Timão, ó gajo!'. Sei que não houve a mais tênue intenção de Pereira menosprezar a ocupação atual. E, segundo os que acompanham a rotina corintiana, ele trabalha com afinco. Porém, poderia ter evitado a referência a um clube estrangeiro, e ainda falar  que 'ia correndo', se pintasse um convite. Bastaria limitar-se ao Róger Guedes que todo mundo entenderia. 

Sem falso moralismo, sem buscar polêmica vazia, no lugar dele eu sempre falaria que meu local de emprego é o melhor do mundo. Pois isso faz com que mecanismos de nossa mente nos incentivem a sermos melhores, a atingirmos excelência nos desafios, sejam numa empresa de fundo de quintal, seja numa multinacional dessas que pretendem comprar o mundo. O mesmo vale para o futebol.  

Faço ainda outra leitura das palavras de Vítor Pereira. Ele quis ser modesto, talvez por não se considerar à altura do potente clube inglês. Ora, não deveria pensar dessa maneira. Não sou 'coach' nem nada. Mas, se fosse ele, botaria na cabeça que tem capacidade para qualquer desafio que lhe aparecer pela frente. E, para início de conversa, admitir que o Corinthians é grande! É maior, até,  do que o Liverpool ou qualquer time gringo.  Se for campeão de tudo por aqui,  um dia chegará ao Liverpool ou outro do portento do gênero. Quem sabe?

Vítor Pereira, técnico do Corinthians, durante clássico contra o São Paulo, na Neo Química Arena, pelo Brasileirão
Vítor Pereira, técnico do Corinthians, durante clássico contra o São Paulo, na Neo Química Arena, pelo Brasileirão Rodrigo Coca/Ag. Corinthians
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Até onde podem ir Corinthians e São Paulo no Campeonato Brasileiro?

Antero Greco
Antero Greco

O Corinthians lidera, com 14 pontos, o São Paulo está em terceiro, com dois a menos. Ambos empataram por 1 a 1, em clássico equilibrado na tarde deste domingo, em Itaquera. A pergunta que fica, depois de sete rodadas, é: o que esperar de dois grandes vencedores nacionais na trajetória atual na Série A?

Resposta difícil, sobretudo porque o torneio começou com derrapadas de favoritos como Palmeiras, Flamengo e o campeão Atlético-MG. E porque nem corintianos tampouco tricolores despontavam como candidatos a protagonistas. E, no entanto, estes largaram bem, até além da projeção inicial. A questão é detectar se terão fôlego para manter-se no bloco principal até a arrancada final. 

O duelo na Neo Química Arena deixou esperanças e dúvidas para os dois lados; por isso, digo que é complicado cravar um prognóstico. O Corinthians, por exemplo, assustou no primeiro tempo, quando se viu dominado e só não foi tomar cafezinho no intervalo com placar muito desfavorável porque Cássio pegou demais. Na etapa final, porém, reagiu, anulou o rival, criou chances, empatou e poderia ter virado. 

Quadro semelhante, com cronologia invertida, se aplica ao São Paulo. O técnico Rogério Ceni armou bem o time na primeira metade, com sistema defensivo seguro e contragolpes certeiros. O gol de Calleri, nos descontos, foi a prova prática da boa estratégia. Na hora de tirar nota 10 e acabar com tabu de 15 jogos sem vencer na casa alvinegra, veio a queda brusca de desempenho, com o consequente empate e a frustração por escapar a chance de pular para a ponta da tabela. 

Corinthians e São Paulo tem pontos em comuns - o principal deles a oscilação e - ainda - a indefinição em torno de uma formação ideal. Há quem considere desnecessário, nos dias atuais, falar em “time titular”. Discordo. Acho importante o treinador ter bem claras uma formação principal e alterações imediatas. Facilita tudo. Tomem-se como exemplos recentes o Flamengo de JJ, o Palmeiras de Abel Ferreira e o Atlético-MG de Cuca. Em determinado momento, sabia-se quais eram as respectivas tropas de choque. E, não por acaso, todos se deram bem. 

Vitor Pereira e Rogério continuam a tatear e a experimentar, na busca do equilíbrio. O português percebeu que não pode ter, juntos, a maior parte dos veteranos; com isso, os utiliza bastante, mas alternadamente. Aposta em jovens, como Adson, autor do gol de empate. O resultado é um Corinthians que oscila, embora siga em frente em três campeonatos. 

Não muda muito o panorama para os lados de Rogério. No caso são-paulino, vários atletas experientes perderam espaço e têm sido utilizados em jogos “alternativos”. Jovens crescem, porém com altos e baixos. Isso inclui boa parte da turma contratada para a temporada. Tem gente que ainda não justificou o investimento.

O empate por 1 a 1 indica que Corinthians e São Paulo têm potencial para crescer. Para chegar ao título… bem, daí são outros 500. Por enquanto. 

Cássio jogou demais, foi um dos responsáveis pelo empate e no final nachucou o ombro esquerdo
Cássio jogou demais, foi um dos responsáveis pelo empate e no final nachucou o ombro esquerdo Marcello Zambrana/Agif/Gazeta Press

 

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O Palmeiras é hoje o time mais competitivo do Brasil

Antero Greco
Antero Greco


Já dizia o inesquecível Nicola Raccioppi, cartola verde dos mais simpáticos que conheci: 'Futebol é momento!'. Pois bem, não se pode nunca cravar com antecedência o que vai acontecer no fim de uma competição esportiva. Mas, por ora, um fato é incontestável: o time mais competitivo do Brasil é o Palmeiras.

 A equipe sob guia eficiente de Abel Ferreira não entra em disputas para ser figurante. Seja torneio doméstico, nacional ou internacional, lá está para ter papel de destaque. As duas Conmebol Libertadores, os dois Paulistas (um com Luxemburgo), a Copa do Brasil e a Recopa Sul-Americana conquistadas em apenas 20 meses confirmam a tese. Fora outro vice estadual e um vice Mundial…

Pois agora eis que o Palmeiras sobe também no Brasileiro. A estreia não foi bacana (3 a 2 para o Ceará, em casa), assim como os três empates em poucas rodadas. Mas a reação surgiu, com algumas vitórias - a mais recente os 3 a 0 diante do Juventude, na noite deste sábado (21), em Caxias (RS). Com 12 pontos, entrou no G-4, com 12 gols tem o melhor ataque e com apenas 5 sofridos possui a melhor defesa, ao lado do Santos. Ou seja, disse 'Presente!' na briga pelo título da Série A. 


         
     

Abel sabe da importância de um campeonato que ainda não ganhou e, por isso, mandou a campo o que tem de melhor, com três baixas inevitáveis: GÓmez, suspenso, Raphael Veiga com virose e Piquerez em recuperação. No mais, recorreu a seu bloco principal, com Weverton, Marcos Rocha, Danilo, Dudu e Cia. Não deu outra: o resultado foi construído com naturalidade e só não foi maior porque César pegou muito e evitou derrota mais constrangedora para  o Juventude.

O obstáculo foi superado pelo Palmeiras no estilo de sempre: intensidade e gol no início (Zé Rafael, aos 8 minutos), domínio, pressão e outro gol (Rony, aos 31). Na segunda parte, só manutenção das rédeas do jogo, novas chances e o terceiro gol (Gabriel Menino, aos 47). Weverton passou a maior parte do tempo saltando de um lado para o outro, em sua área, apenas para espantar o frio da serra gaúcha. 

O Palmeiras vai levar mais alguma taça, em 22, além daquela do Paulista? Não sei, não tenho bola de cristal nem converso com os astros. Porém, uma constatação se pode fazer, sem exagero: esse time é cascudo, o elenco está afinadíssimo com as ideias do treinador. Não por acaso hoje é duro para ser superado.

Em tempo: o Palmeiras disputou 34 jogos em 2022. Sabe quantas vezes perdeu? Três. Chelsea, São Paulo e Ceará…

Danilo, Zé Rafael e Rony comemorando gol do Palmeiras em vitória sobre o Juventude, no Alfredo Jaconi, pelo Brasileirão
Danilo, Zé Rafael e Rony comemorando gol do Palmeiras em vitória sobre o Juventude, no Alfredo Jaconi, pelo Brasileirão Cesar Greco/Ag. Palmeiras
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