Onde está nossa capacidade de inovação no esporte?

Erich Beting
Erich Beting

Nesta quinta-feira (13) começa, no Rio de Janeiro, a Rio Innovation Week, um evento de quatro dias que abordará a inovação em diversos segmentos da sociedade. Um dos painéis abordará o esporte, sendo promovido pela Arena Hub, centro de negócios que tenta se transformar no maior polo de inovação no esporte brasileiro.

O evento é uma forma de alguns grandes batalhadores do mercado tentarem mostrar que já temos soluções inovadoras para serem aplicadas por clubes, entidades esportivas e competições no país. São ideias que já estão aí, foram desenvolvidas e falta, literalmente, campo de jogo para colocar em prática.

Nesta quarta-feira, na Máquina do Esporte, publicamos duas matérias sobre eventos que acontecem daqui a algumas semanas e que têm investido em inovação como forma de entregar um melhor serviço aos torcedores, aos patrocinadores e, na ponta final, gerar mais negócios para o organizador.

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O Australian Open decidiu lançar uma série de NFTs, os tais tokens não-fungíveis, com bolas alusivas à competição, mas que foram desenhadas por artistas. A graça do NFT é vender um artigo 100% digital, exclusivo e que só uma pessoa pode comprar. O que vale isso? A relíquia, o exclusivismo, a graça de ser portador de algo só seu a vida toda.

Mas o que fez os organizadores do torneio? Criar um NFT de qualquer coisa relacionada a esporte é hoje uma febre mundial. Como criar o desejo de compra 6.700 bolas de tênis virtuais para os torcedores? Aí entrou a inovação. Uma parceria com outra empresa que mapeou o tamanho de uma quadra de tênis e, assim, decidiu que cada bola será responsável por um quadradinho de menos de 20cm² da superfície de jogo. Assim, cada bola que pingar naquele lugar atualizará, imediatamente, uma estatística do jogo a que ela se refere na NFT. Ter a bola não é a única vantagem. A relíquia passará a ser daquele ponto. Isso deve elevar o valor do token. E, claro, a receita do Australian Open com a ação.

Já na China, o governo que bancou praticamente todo o exorbitante custo de organização dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim 2022 decidiu que usará o evento como uma plataforma de testes para uma nova tecnologia que se pretende implementar no país.

Os atletas poderão usar uma moeda virtual que foi criada pelo Banco Central chinês como meio de pagamento dentro das arenas olímpicas. Ou seja. Com alguns milhares de usuários, o governo testará uma nova tecnologia a ser implementada para sua população bilionária em questão de meses. É o prenúncio da chegada das empresas de criptomoeda aos grandes eventos.

E o Brasil no meio disso? Enquanto não transformarmos o esporte numa plataforma de testes para a inovação, continuaremos a perder grandes oportunidades e, no fim das contas, receita. Ter um evento em que apresentamos ideias é muito legal. Resta saber se o esporte estará lá para escutar, ou seguiremos pregando no deserto, sem fazer chegar à ponta final a inovação. Inovar é preciso. Para isso, é preciso criatividade e vontade de correr riscos. Essas duas características, infelizmente, ainda passam longe da realidade do esporte brasileiro.

Bola virtual criada pelo Australian Open terá inserção de dados em tempo real
Bola virtual criada pelo Australian Open terá inserção de dados em tempo real Divulgação/AO

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Paulo André, do BBB, e a dura rotina do atleta Camilo no Brasil

Erich Beting
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Paulo André não saiu vencedor do Big Brother Brasil. Na 22ª edição do principal reality show do país, o jovem de 23 anos mostrou que sabe competir. Mesmo sem levar o título do programa e embolsar o prêmio de R$ 1,5 milhão, PA saiu da casa muito maior do que chegou. Com 100 vezes mais seguidores nas redes sociais, com histórias para compartilhar com o público e com a fama trazida pelos três meses de rotina numa casa fechada.

A nova vida que se abre para Paulo André fora da casa mostra o abismo que separa o atleta de alto rendimento no Brasil dos esportes olímpicos dos jogadores de futebol. Antes de se tornar o 'PA do BBB', Paulo André era Camilo, o velocista que ganhou medalha de ouro no Pan-Americano de Santiago 2019, que esteve nas semifinais dos 100m rasos nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 (disputados em 2021 por conta da pandemia de COVID-19) e que seguia sua vida com um relativo status, que lhe garantia um contrato com a Nike e o amparo do programa federal Bolsa Atleta.


Quando foi anunciado como um dos participantes do reality, Camilo foi duramente criticado. Por receber o incentivo federal e abandoná-lo para competir num programa 'vazio' de TV. Por esquecer-se dos compromissos de atleta para se dedicar a algo destinado a pseudocelebridades ou pessoas que já tiveram alguma fama, mas ficaram presas nesse passado.

Três meses depois, Camilo se transformou em Paulo André. Ou PA. Virou um fenômeno nas redes sociais e agora tem um novo patamar para dialogar com o público e as marcas. Não dá para julgar a decisão tomada por ele ao decidir entrar no programa. Cada um tem a sua história e a sua necessidade.

A única coisa que é possível dizer, por tudo o que aconteceu nesses últimos três meses e pela repercussão de suas atitudes dentro do programa, é que Paulo André desnudou como é dura a rotina de ser Camilo no Brasil.

O atleta precisa de fama para crescer, ter mais patrocínios e uma vida mais confortável financeiramente, que lhe permite ao mesmo tempo ter melhor performance esportiva. Em alguns mercados, como o do futebol, isso é muito mais fácil de acontecer. Mas, nos esportes olímpicos do Brasil, é mais certeiro tentar ser Paulo André do que Camilo.

Agora, Paulo André Camilo poderá ocupar um novo patamar entre os atletas brasileiros, mesmo se não conseguir a mesma performance de antes do BBB. Mas uma coisa é certa: foi preciso desabrochar o talento dele como uma celebridade dentro de um reality show para tudo isso acontecer.

A história de Paulo André mostra como é difícil ser Camilo no Brasil...

Paulo André Camilo em ação durante os Jogos Olímpicos de Tóquio
Paulo André Camilo em ação durante os Jogos Olímpicos de Tóquio Comitê Olímpico Brasileiro
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Paulo André, do BBB, e a dura rotina do atleta Camilo no Brasil

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Mais do que silêncio, futebol precisa de ação contra a violência

Erich Beting
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O Corinthians entrou mudo e saiu calado da acachapante derrota por 3 a 0 para oPalmeiras neste sábado (23). O silêncio imposto pelo clube, que desde a sexta-feira (22) parou de se manifestar nas redes sociais, em seu site e por meio da imprensa, faz parte de um protesto corintiano contra a violência dos torcedores sobre os atletas alvinegros.

O silêncio corintiano vai resolver? Sinceramente, em meio a um dérbi, em que o time sai derrotado por 3 a 0 sem esboçar qualquer chance de superar o Palmeiras, o silêncio parece muito mais uma boa saída do que propriamente uma estratégia brilhante de comunicação.

O futebol precisa de ação contra a violência.


         
     

Identificar maus torcedores, afastá-los do ambiente do clube e, acima de tudo, trabalhar em conjunto com o poder público para criminalizar a violência entre torcedores e sobre atletas, dirigentes e funcionários de times de futebol são algumas das medidas óbvias que precisam ser tomadas desde 1992, quando o primeiro torcedor morreu vítima de uma briga de torcidas num estádio brasileiro.

Estamos há 30 anos fazendo um jogo de esconde-esconde com a violência no futebol. Afastamos os torcedores dos estádios para dizer que não há brigas. Enclausuramos as arquibancadas com uma única torcida com medo do confronto entre quem pensa diferente. E o que resolveu desde então?

O futebol é um ambiente que cultiva a violência. Com ações beligerantes entre atletas, dirigentes, na imprensa. Quantos comentários definitivos veremos sobre Vitor Pereira e o Corinthians após os 3 a 0 deste sábado? De que forma criaremos, na cabeça do torcedor, um ambiente saudável se detonamos atletas e treinadores a cada resultado ruim?

Não adianta silenciar-se como forma de protestar. É preciso ser contundente em resolver o problema. O torcedor hostil não é o único violento no ambiente do futebol. O dirigente, o atleta, o treinador, o jornalista... Todos somos responsáveis por criar um clima de guerra onde deveria ser de diversão.

Damos ao resultado do jogo de futebol uma importância maior do que ao ambiente do esporte. Em vez de cultivarmos o bom jogo, as boas práticas, a amizade dentro desse ecossistema, incentivamos o jogo do tudo ou nada. Do bom ou ruim. Do bestial ou da besta.

Ficar em silêncio não vai resolver o problema da violência. Precisamos de ação. Começando por uma grande estratégia de comunicação que transforme o futebol em algo muito maior. Ele não pode ser resumido ao resultado de um jogo, mas transformado num espetáculo em que podemos ganhar, perder ou empatar. Para começar a fazer isso, não dá para ficar calado. É preciso arregaçar as mangas e trabalhar. 

Cássio durante jogo entre Corinthians e Atlético-MG, pelo Brasileirão
Cássio durante jogo entre Corinthians e Atlético-MG, pelo Brasileirão Rodrigo Coca/Ag Corinthians
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Piqué precisa definir em qual lado do jogo está: homem de negócios ou jogador?

Erich Beting
Erich Beting

A revelação de áudios de Gerard Piqué negociando comissões e locais de jogos de clubes espanhóis nos últimos anos caiu como uma bomba no mercado da Espanha. Sócio mais midiático da agência de marketing esportivo Kosmos, Piqué já é, há alguns anos, não apenas zagueiro do Barcelona e da Espanha, mas um respeitável homem de negócios do ramo do entretenimento em seu país.

Foi o zagueiro quem aproximou a Rakuten do Barcelona lá atrás. É da Kosmos os direitos comerciais da Copa Davis de tênis. A agência é produtora de diversos documentários esportivos no mundo. E, ainda, é quem também comercializa a Supercopa da Espanha em parceria com a Real Federação Espanhola de Futebol.

Piqué é zagueiro do Barcelona e dono da agência de marketing esportivo Kosmos
Piqué é zagueiro do Barcelona e dono da agência de marketing esportivo Kosmos Getty

Não haveria qualquer problema em tudo isso não fosse o fato de que Piqué ainda é zagueiro do Barcelona. Ele negociou o local para realização da Supercopa da Espanha com o Real Madrid como dono da Kosmos, mas será que o chip de zagueiro do Barcelona foi deixado de lado nessa hora?

Não há absolutamente nada de errado em existir a Kosmos e em a agência crescer no mercado e ganhar clientes. Mas o grande problema é quando seu sócio precisa entrar em campo e distribuir o jogo das negociações.

Não parece que Piqué esteja sendo desonesto em todo esse negócio. Até porque ele desde sempre foi claro ao anunciar a criação da agência e em ser um sócio ativo dentro da empresa. O problema é que, num mundo tão passional quanto o do futebol, qualquer áudio vazado pode virar uma crise inexplicável. Ou com difíceis argumentos favoráveis ao zagueiro...

Piqué precisa definir em qual lado do jogo ele está. É no do zagueiro que ainda lidera um Barcelona em reconstrução? Ou é o executivo de negócios que costuma pensar alto e executar grandes projetos?

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O pós-carreira do zagueirão espanhol está mais do que bem definido. Ele talvez seja um dos primeiros jogadores de futebol que já começou a construir, ainda no auge da forma física, o que faria ao se aposentar.

O problema é que, com o negócio da Kosmos cada vez mais solidificado, especialmente no mercado espanhol, o questionamento sobre o limite de atuação de Piqué ficará cada vez maior. Não basta ser honesto, mas é preciso mostrar que se é honesto. 

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Quem é o dono? 'Briga das placas' escancara como Brasileirão precisa ser muito mais organizado

Erich Beting
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A briga entre clubes e Sport Promotion pela venda de placas de publicidade do Campeonato Brasileiro ganhou novos contornos com a entrada da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) na história. Um ofício enviado pela CBF e revelado nessa quinta-feira (14) pela Máquina do Esporte mostra que a entidade decidiu se precaver de ser processada numa eventual disputa dos clubes com a agência.

E, ao fazer isso, a CBF simplesmente disse que ela é a verdadeira detentora dos direitos de vender as placas de publicidade ao redor do gramado na principal disputa nacional de agremiações. Seria cômico, não fosse trágico, todo o enrosco envolvendo essa disputa.

O Brasileirão é o principal produto do futebol brasileiro. Único campeonato disputado durante oito meses do ano todas as semanas, é o maior torneio do país. Não por acaso, os direitos de transmissão do torneio são os mais valiosos da América do Sul. Mas o potencial comercial da competição, hoje, é sufocado pelos clubes e pela CBF.

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Quem é o 'dono' do Brasileirão? O naming right do torneio foi vendido pela CBF para o Assaí. As placas de publicidade estão hoje sendo comercializadas em três frentes: Sport Promotion, a recém-criada Brax e, isolado nessa história, o Botafogo, que rompeu todos os acordos comerciais e decidiu fazer uma gestão própria das placas. Os direitos de mídia são vendidos individualmente pelos clubes e, agora, com a Lei do Mandante em vigor, eles só podem comercializar as partidas que fazem dentro de casa.

Só que no meio dessa briga, a CBF interfere e diz que é ela quem detém os direitos de venda do torneio. Ora, ao fazer isso, a entidade puxa para si uma responsabilidade que não assume de fato. A CBF diz que é ela quem tem o direito de vender as placas, mas ela terceirizou isso, de forma mambembe, num contrato com alguns clubes junto com a Sport Promotion.

O Brasileirão, hoje, é um catado de direitos fatiados entre diversas empresas e clubes. Enquanto isso, a Copa do Brasil deita e rola com patrocínios milionários e um contrato de TV polpudo, que permite aos clubes receberem uma premiação enorme. O modelo da competição é muito parecido com aquele que a Uefa aplica na Champions League. Tudo centralizado na entidade, que repassa aos clubes valores milionários, ajudando-os a terem cada vez mais recursos financeiros.

Está na hora de alguém assumir para si a responsabilidade de ser o 'dono' do Campeonato Brasileiro. Tanto faz se forem os clubes ou a CBF. Só precisa ser alguém que esteja comprometido em transformar o principal torneio de futebol do 'país do futebol' num produto que justifique seu tamanho. 

 O Brasileirão não precisa necessariamente de uma liga - embora possa ser tocado por uma. O que ele precisa mesmo é de organização. 

Estreia do Botafogo no Campeonato Brasileiro
Estreia do Botafogo no Campeonato Brasileiro Vítor Silva / Botafogo

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Brasileirão estreia com guerra de bastidores por causa de placas de publicidade

Erich Beting
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Botafogo foi o único clube sem qualquer agência para vender publicidade ao redor do campo na estreia do Brasileirão
Botafogo foi o único clube sem qualquer agência para vender publicidade ao redor do campo na estreia do Brasileirão Rodrigo Coca/Ag Corinthians


A primeira rodada do Campeonato Brasileiro da Série A foi marcada por uma guerra nos bastidores entre duas agências de marketing esportivo que impactaram diretamente nas placas de publicidade estática que apareceram em volta dos gramados dos estádios onde aconteceram 9 dos 10 jogos da abertura do Brasileirão.

Na noite da última quinta-feira (7), a agência Sportpromotion, que até 2021 tinha acordo com 19 dos 20 clubes que disputam a Série A (só o Athletico Paranaense não estava fechado com ela), conseguiu uma liminar suspendendo um acerto de 11 clubes com a recém-criada agência Brax.

No dia 31 de março, América-MG, Atlético-GO, Atlético-MG, Avaí, Ceará, Coritiba, Cuiabá, Fortaleza, Fluminense, Goiás e Juventude notificaram a Sportpromotion de que iriam romper o acordo firmado com a agência e assinar com a Brax, fruto da fusão de três outras empresas especializadas em placas de publicidade estática: Esportecom, Market Sport e Printac.

Depois de pagarem a multa rescisória do contrato, no dia 2 de abril os clubes oficializaram o acordo com a nova parceira. Foi então que a Sportpromotion acionou a Justiça, alegando que tinha sido prejudicada pela pandemia nos dois anos anteriores e, mesmo assim, tinha honrado todos os pagamentos aos clubes. Agora, quando iria faturar mais com a venda das placas de publicidade, a Sportpromotion foi surpreendida com a rescisão do contrato. A juíza deu uma primeira liminar com ganho de causa à agência, iniciando uma guerra jurídica entre clubes e agência.

Sem terem tido sucesso na sexta-feira em cassar a liminar, os clubes entraram no sábado trabalhando para manter o novo parceiro na ativa. Isso fez com que, nos nove jogos que aconteceram no final de semana, quatro tivessem placas dos anunciantes da Sportpromotion, outros quatro estivessem com os patrocínios da Brax e apenas um time tivesse uma propaganda própria.

Dos times que haviam rompido com a Sportpromotion, apenas Fluminense e Fortaleza cumpriram a decisão judicial de manter o antigo parceiro como dono dos espaços. Atlético-GO, Atlético-MG, Avaí e Coritiba conseguiram fazer valer o novo acordo, e estamparam as marcas da Brax nas placas de publicidade.

O único clube que não terá vínculo com nenhuma das duas empresas até agora é o Botafogo. Recém-comprado pelo americano John Textor, o Botafogo rompeu todos os acordos comerciais e foi em busca de novos parceiros. As placas de publicidade na derrota para o Corinthians tinham apenas propaganda de produtos do clube.

A novela, porém, deve continuar nas próximas partidas. Até agora, no primeiro fim de semana do Brasileirão, deu empate. Na segunda-feira, o Juventude recebe o Red Bull Bragantino para fechar a primeira rodada. Teoricamente, o clube gaúcho assinou com a Brax, mas estaria impedido de colocar as propagandas da nova agência pela liminar da Sportpromotion. O Brasileirão de 2022, ao que tudo indica, seguirá com um longo duelo ao redor do gramado.

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Criptomoedas vão 'salvar' o esporte mais uma vez

Erich Beting
Erich Beting

Nas últimas décadas, o esporte vivenciou uma situação única no mercado de entretenimento. Enquanto boa parte dos eventos precisavam se reinventar para achar novas fontes de receita com a ruptura do mercado, especialmente o da música, o esporte parecia viver numa bolha que estava prestes a estourar.

Foi assim há cerca de dez anos, quando a TV a cabo derreteu nos EUA, e o esporte se reinventou via streaming. E vinha sendo assim desde o começo da pandemia, quando o significado de patrocínio no esporte precisou ser reformulado com o fim dos eventos com a presença de público.

Mas, em sua capacidade de se renovar tal qual uma Fênix, o esporte começa a dar sinais, nos Estados Unidos, de que encontrou a sua nova fonte de receita salvadora. Mas se engana quem coloca as empresas de apostas como o carro-chefe dessa nova onda de investimentos a fundo perdido no esporte.

Um relatório da consultoria Nielsen no mercado americano apontou que, entre 2019 e 2021, o número de acordos assinados nos principais mercados com empresas de Blockchain, as populares criptomoedas, subiu 1.100%. O crescimento acelerado se deve ao fato de que era um setor pouco representativo até então. No entanto, em 2026, as empresas que negociam criptomoedas devem se tornar o segmento a gerar mais negócios no esporte.

De acordo com o relatório, as empresas de criptomoedas e NFT (tokens não-fungíveis), baseadas em produtos digitais blockchain, irão disparar os gastos com patrocínio em 778% entre 2022 e 2026, chegando a um total anual de US$ 5 bilhões. O investimento será semelhante ao dos gigantes tecnológicos de software e hardware, como Google e Microsoft, cuja contribuição aumentará 44% neste ciclo, segundo a consultoria.


A presença de empresas desse segmento já é perceptível nas principais ligas do mundo. A Crypto arrebatou o nome histórico do Staples Center, ginásio do Los Angeles Lakers. A FTX já havia feito isso um ano antes para a United Airlines, casa do Miami Heat.

A CoinBase e a eToro estrearam anúncios no Super Bowl e desbancaram marcas de primeira linha como a Coca-Cola pela primeira vez. Outros, como o Socios.com, já são patrocinadores da Uefa. A presença dessas empresas não para de crescer.

Ambos os setores terão desempenho superior a outros parceiros esportivos tradicionais, como companhias de energia e varejistas, que crescerão, mas em ritmo mais lento: 4% e 7% entre 2022 e 2026, respectivamente. O setor automobilístico continuará liderando os grandes mercados esportivos, com aumento de 5% nesse período.

“As tendências de consumo alteraram a forma como os fãs interagem uns com os outros e com as propriedades. Esse processo, juntamente com a paralisação [do esporte] na pandemia, em 2020, aumentaram as mudanças nos patrocínios, que novamente cresceram, 107% em 2021”, informa o estudo.

Corinthians lançou fan token junto com o patrocínio da Socios.com
Corinthians lançou fan token junto com o patrocínio da Socios.com Divulgação/Corinthians


Segundo o relatório Nielsen Trust in Advertising Study, 81% das marcas confiam total ou parcialmente no que o esporte traz para sua empresa.

O informe da Nielsen mede 100 acordos de patrocínio em sete mercados, divididos nas vinte principais indústrias. Estima-se que o patrocínio tenha gerado 10% mais intenção de compra de consumidores em potencial por meio da exposição no esporte. Não por acaso, as empresas de criptomoeda têm buscado o esporte para ampliar o alcance de suas marcas e, naturalmente, ganharem mais notoriedade a partir do instante em que se associam a ele. O esporte quase nunca sai de moda. E, quando menos se espera, consegue se reinventar e aumentar a arrecadação.

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Perdemos o olhar infantil sobre o esporte

Erich Beting
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Calleri talvez tenha sido um dos grandes nomes do Paulistão. Ao lado de Danilo, do Palmeiras, é um daqueles jogadores que dá gosto ver em campo. Protagonistas com a bola rolando, ambos foram também notícia fora dele depois de o Palmeiras atropelar o São Paulo e ficar com o título estadual.

A completa falta de respeito de Carelli ao estapear o telefone celular do torcedor palmeirense e a piada homofóbica de tio do pavê de Danilo, ainda dentro do gramado do Allianz Parque, são comportamentos inaceitáveis e que não condizem com aquilo que os dois jogadores fazem dentro de campo.

Calleri quebra celular de garoto com a camisa do Palmeiras após derrota do São Paulo no Allianz Parque; VEJA

         
     

A falta de respeito e de empatia que vivemos em nossa sociedade deu mais uma vez as caras com os dois craques de bola. Um não soube perder. O outro, ganhar.
Mas, para além disso, temos perdido no esporte brasileiro nossa capacidade de olhar para ele com os olhos de uma criança. 

Abel Ferreira usou declarações dos atletas do Palmeiras do que eles diriam para eles mesmos aos 8 anos de idade para motivá-los antes da decisão contra o São Paulo. Compartilhado pelo Palmeiras nas redes, o vídeo traz um pouco do que é a dureza de vida de um atleta até se tornar profissional. Por que, então, nos esquecemos de olhar como criança, com o sonho de uma criança, quando estamos no auge de uma competição?

É fácil falar de fora, longe do calor da disputa ou sem vivenciar os bastidores de um jogo. Julgar como inadequados os comportamentos de Calleri e Danilo é simples. Mas eles revelam um problema maior de toda a indústria do esporte no Brasil.

A gente tem se esquecido de olhar para o esporte com o olhar apaixonado de uma criança. Isso faz a mídia repetir o bordão de que o futebol de hoje não é tão bom quanto o de antes. Ou o dirigente não se preocupar em ter, no seu clube, o olhar apaixonado de um fã, que é muito mais poderoso do que o de um executivo com muita teoria, mas pouca vivência como torcedor. Esse olhar curioso, encantado, feliz com um drible ou uma grande jogada.  

Calleri pede desculpas após quebrar celular de torcedor do Palmeiras: 'Não vi que era um menino menor de idade'

         
     

Apaixonar-se pelo esporte deveria ser um mantra a ser perseguido pelos gestores no Brasil. Temos de incentivar uma cultura que preze pelo respeito ao esporte, acima de tudo. Um atleta precisa saber que seu papel é pensar em qualquer jovem, não apenas naquele que torce para seu time. É preciso ensinar a respeitar o esporte, independentemente de qual a posição que a pessoa esteja. Seja um atleta, um torcedor, um jornalista, um dirigente ou um patrocinador, temos de ser treinados a pensar sempre como um fã apaixonado.

Carelli e Danilo erraram. E muito. Mas eles são apenas a reposição de um modelo que afasta cada vez mais o esporte no Brasil da sua essência. O esporte existe para encantar. Precisamos colocar esse pensamento como prioridade.

Calleri sabe que errou ao dar um tapa em telefone de torcedor do Palmeiras no vestiário do Allianz Parque
Calleri sabe que errou ao dar um tapa em telefone de torcedor do Palmeiras no vestiário do Allianz Parque Reprodução ESPN

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Na disputa entre Palmeiras e São Paulo, fica a pergunta: quem é o cliente, afinal?

Erich Beting
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Ceni diz que Palmeiras tem 'direito merecido de jogar no Allianz', e Abel pede mudanças estruturais no futebol brasileiro


Leila Pereira e Júlio Casares protagonizaram um embate nos bastidores para definir quando e onde seria disputado o segundo jogo da final do Campeonato Paulista. Argumentos técnicos foram levantados para cada um deles tentar defender o seu ponto de vista e, claro, sair "vitorioso" nessa discussão.

Nessa disputa boba de querer ter a razão e fazer aquilo que é melhor apenas para si, o futebol brasileiro, para variar, parece se esquecer de fazer uma simples pergunta: quem é o cliente, afinal?

Estamos acostumados a assumir uma posição clubística e egoísta em todos os debates envolvendo o futebol. Ninguém abre espaço para o mínimo de empatia em se colocar no lugar do outro e, mais do que isso, em se preocupar com o que realmente deveria ser importante: o evento que é promovido ao torcedor.

O cliente do futebol não é o clube, o atleta, o patrocinador ou a mídia. Todos eles existem e são bem remunerados dentro dessa cadeia pela existência do torcedor. Toda a cadeia produtiva do futebol deveria se preocupar, sempre, em responder a essa pergunta antes de qualquer iniciativa: o que essa atitude causa para o meu torcedor?

Já partimos do absurdo da torcida única nos estádios paulistanos, uma aberração promovida pelos dirigentes há mais de meia década e que passou a ser vista como "solução" para acabar com a violência entre as torcidas. Uma medida ineficaz, que só serve para afastar torcedores dos estádios, ainda mais torcedores rivais que, antes de qualquer coisa, são amigos e gostariam de assistir juntos a um jogo de seus times do coração.

Coletiva entre Palmeiras e São Paulo antes da final do Paulistão 2022
Coletiva entre Palmeiras e São Paulo antes da final do Paulistão 2022 Rodrigo Corsi/Agência Paulistão

Na briga para "ter razão", Palmeiras e São Paulo abriram mão de ter um estádio completamente lotado para a decisão do campeonato. O Allianz Parque estará sem um setor aberto para o torcedor. O que mudaria fazer a partida um dia antes? Mais uma vez, argumentos técnicos não faltarão. Mas será que realmente eles são suficientes para questionar o que pode ser a melhor solução para o torcedor?

Temos visto diversos debates sobre melhoria da qualidade do jogo no Brasil. Os clubes têm buscado no exterior soluções técnicas para elevar o padrão competitivo e buscar novas ideias. Melhorar o jogo é uma das coisas que precisam ser feitas no futebol brasileiro. Não apenas porque isso pode ajudar o clube a ganhar mais títulos, mas porque isso eleva, de certa forma, a qualidade do produto ofertado ao torcedor, o que pode ajudar a aumentar a audiência dos jogos, a ida de torcida aos estádios e, consequentemente, os valores a serem pagos pelos patrocinadores e pela mídia. O problema é que a lógica dos dirigentes ainda é a de que um clube é inimigo do outro. Assim, nenhuma concessão pode ser dada, de um lado ou de outro, para que o torcedor seja mais bem-atendido. 

Quem é o cliente, afinal? 

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Quanto vale um clube?

Erich Beting
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Quando as vendas de Cruzeiro e Botafogo foram anunciadas no valor de R$ 400 milhões cada uma, em meio ao frenesi e animação dos torcedores, ponderamos aqui que era preciso ir devagar com a animação. Desde então, tenho sido achincalhado pelos torcedores eufóricos, completamente cegos em relação ao que pode ser o futuro do clube no ambiente da Sociedade Anônima do Futebol (SAF).

O argumento mais raso e mais repetido pelo torcedor é de que, ao colocar em dúvida a eficácia da SAF, estou atuando em favor do modelo associativo com conselhos retrógrados nos clubes. Se os dirigentes estropiaram os clubes, por que acreditar que ter um dono não será garantia de um futuro melhor?

Acordo da SAF com Ronaldo pode 'melar'? Presidente do Cruzeiro responde e dá detalhes de próximos passos

         
     


A revelação feita por Rodrigo Capelo na Globo, de que o contrato entre Cruzeiro e Ronaldo é praticamente benéfico apenas para o ex-jogador e novo dono do clube, mostra com clareza aquilo que tentamos ponderar. É preciso analisar o que realmente está sendo negociado numa SAF para que a solução não vire pesadelo num curto espaço de tempo.

Tão raso quanto imaginar que virar empresa é a solução para o clube é achar que ao surgir um investidor tudo será melhor do que era antes. Devagar, muito devagar com o andor. Os casos de Portugal, que criaram nos anos 2000 as SADs, mostram que nem tudo são flores.

Virar empresa não significa que o clube será melhor do que era antes. Muito menos esportivamente. A necessidade de o negócio ser lucrativo pode gerar a primeira grande frustração para o torcedor. Nem sempre o melhor resultado financeiro significa o time vencedor dentro de campo. Por mais que a promessa sempre seja essa, a realidade é diferente. E há diversos exemplos que provam isso.

O segundo ponto a ser ponderado é o que dá título a esse post. Quanto vale um clube? É muito, mas muito estranho, que dois clubes tão distintos como Botafogo e Cruzeiro fossem valorados em R$ 400 milhões. Foram diversos os especialistas em finanças que ponderaram essa questão.

Como costumo dizer, o valor de uma venda nunca é determinado por quem vende, mas por quem compra. Por mais que eu queira ganhar R$ 100 mil ao vender um carro usado, só vou chegar a esse valor se houver alguém interessado em pagar isso por ele.

Ao colocarmos às claras o modelo de negócio entre Ronaldo e Cruzeiro, fica óbvio que o clube está completamente desesperado para ser vendido. E que aceitará qualquer negócio. Uma situação diferente daquela vivida pelo Botafogo, que já vinha se preparando para virar empresa e sabia o que esperar de um investidor.

Não por acaso, três meses depois de os dois negócios serem anunciados, o Botafogo acaba de realizar a maior contratação de sua história, enquanto o Cruzeiro terá de entregar os dois Centros de Treinamento para a SAF em troca de dívidas do clube a serem repassadas para Ronaldo.

Qual é o valor de um clube? O torcedor está disposto a entregá-lo de mão beijada para qualquer investidor? A SAF nem sempre é a saída. Por mais que seja tentador encontrar alguém disposto a pagar as contas sem grandes riscos para o clube. Mas nem por isso é preciso deixar todos os meus bens em troca.

Ronaldo, o novo acionista, e Sergio Rodrigues, presidente do Cruzeiro
Ronaldo, o novo acionista, e Sergio Rodrigues, presidente do Cruzeiro XP Investimentos/Divulgação

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Quanto vale um clube?

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Caso Corinthians-Paulinho: esporte precisa se livrar do risco do 'parceiro a qualquer preço'

Erich Beting
Erich Beting

O Corinthians teve, neste mês de março, de arcar com os salários do volante Paulinho. Repatriado neste ano pelo Timão, em tese o jogador teria todo o salário pago pela Taunsa, patrocinadora anunciada no começo de 2022 como “mais do que um patrocinador”, já que a marca ligada ao agronegócio e que teria um fundo de investimento de Dubai como sócio-investidor pretende ajudar financeiramente o clube.

O atraso soa como um primeiro mau presságio de que o sonho pode, em breve, se tornar pesadelo. A notícia de que a Taunsa atrasou o salário de Paulinho surge dias depois de o CEO da empresa, Cleidson Cruz, dar uma entrevista ao 'Canal do Cereto', no YouTube, prometendo tentar ajudar nos salários do técnico português Vítor Pereira e com mais ideias mirabolantes para o Timão.

Empresa que banca Paulinho no Corinthians atrasa pagamento, e clube arca com valor; SportsCenter debate situação

O que parece ser apenas uma “infeliz coincidência” mostra-se muito mais um prenúncio de queda-de-braço entre patrocinador e patrocinado. E revela um problema histórico do esporte, não só no Brasil, mas no mundo todo.

Recentemente, Barcelona e Manchester City cancelaram patrocínios com empresas de criptomoeda envolvidas em escândalos. Da mesma forma, muito antes da guerra russa, a 1XBet foi banida da Inglaterra, perdendo os patrocínios com Liverpool e Tottenham, por ter permitido apostas em rinhas de galo.

O esporte parece ser um para-raios de aventureiros. Empresas com histórico no mínimo duvidoso adoram se aproveitar da credibilidade do esporte para alavancar sua imagem. É o que fez a Taunsa desde que apareceu com Paulinho em cima de um trator. Com menos de 15 anos de idade, a marca se tornou uma parceira de uma instituição centenária com mais de 20 milhões de consumidores.

Nada contra uma empresa nova poder estar próxima de um grande clube. Mas será que a parceria a qualquer preço é válida? Nos últimos anos, o Corinthians virou motivo de chacota com patrocinadores que entraram com tapete vermelho estendido e prometendo milhões, mas saindo menos de meio ano depois acusados de calote no pagamento.

Até quando isso acontecerá no esporte? O mercado em geral já se acostumou a fazer um pente-fino nos potenciais parceiros comerciais. Pesquisa-se o histórico da empresa, tenta-se entender o quanto ela está preparada para fazer aquele negócio girar, etc.

O esporte parece que se esquece de que, por mais cambaleante que esteja a situação financeira da entidade, ela é quem é a marca de credibilidade e com milhões de consumidores fieis. É inadmissível que o Corinthians sofra mais um calote de patrocinador.

Geralmente, ao propormos um debate desse tipo, a resposta é a mesma: “qualquer dinheiro é válido.” Será que agimos assim quando estamos em busca de um novo emprego? Ou temos sempre o mínimo de cuidado para selecionar o “patrão ideal”? Não cabe mais, no mundo atual, não se pesquisar muito bem um parceiro antes de assinar um acordo. 

O esporte não pode mais aceitar um “parceiro a qualquer preço”. Até porque, na maioria das vezes, o que menos se vê, nessa relação, é a cor do dinheiro.

O CEO da Taunsa, Cleidson Cruz, com Abdulla Saeed Al Naboodah, Chairman da Al Naboodah Investments LLC, durante encontro em Dubai no começo de março
O CEO da Taunsa, Cleidson Cruz, com Abdulla Saeed Al Naboodah, Chairman da Al Naboodah Investments LLC, durante encontro em Dubai no começo de março Divulgação/Taunsa

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Palmeiras e Corinthians fizeram um jogo de encher os olhos de quem gosta de tática: vamos desfrutar!

Erich Beting
Erich Beting

Palmeiras derruba Corinthians com Danilo decisivo e segue com campanha absurda no Paulistão; VEJA os gols


Palmeiras e Corinthians fizeram um jogo de encher os olhos de quem gosta de tática no futebol. Um primeiro tempo de absoluto domínio alviverde, uma segunda etapa um pouco mais equilibrada, mas que terminou com a vitória palmeirense para delírio de um Allianz Parque lotado e, infelizmente, com torcida única.

Para além das questões de arbitragem, o que mais foi interessante de se notar na partida foi a mudança de patamar que o jogo teve por conta, muito provavelmente, da área técnica dos dois clubes. O derby da noite de quinta-feira (17) foi o primeiro da história com dois treinadores portugueses comandando os times.

E, se tem uma coisa que Abel Ferreira e Vítor Pereira fizeram, foi lançar suas equipes para tentar a vitória, sem receio de perder o clássico e serem cobrados por torcida, imprensa e dirigentes.

E isso tem um peso enorme para nós, espectadores. O jogo fica mais emocionante, com mais lances de perigo, com mais atratividade para acompanharmos. Será que com treinadores consagrados brasileiros teríamos tido a mesma “audácia” dentro de campo?

A régua de exigência dos clubes brasileiros está maior. Os sucessos de Jesus, Sampaoli, Abel e Vojvoda nos últimos anos impulsionaram os clubes a saírem em busca de treinadores que possam trazer alguma novidade para seus jogadores.

E isso passa, necessariamente, por abandonar a velha guarda dos técnicos brasileiros, que construíram suas carreiras de sucesso dentro de um modelo que começa a ficar ultrapassado. Não existe uma regra definitiva para isso, mas está claro que os sucessos de portugueses, argentinos e treinadores de outras origens no futebol brasileiro revelam que estávamos ficando para trás em campo por faltar novidade na gestão do grupo.

Zé Rafael (esq), do Palmeiras, e Paulinho, do Corinthians, disputam jogada
Zé Rafael (esq), do Palmeiras, e Paulinho, do Corinthians, disputam jogada Cesar Greco/Ag Palmeiras

O que esperar desse momento? Prefiro recorrer a uma expressão usada por Abel Ferreira para seus jogadores e torcedores palmeirenses: "Vamos desfrutar".

O futebol brasileiro, enfim, está buscando novos ares e outras formas de se atuar dentro de campo. O eletrizante Palmeiras 2x1 Corinthians do Paulistão foi um exemplo de como poderemos evoluir por conta de novos treinadores, com novas ideias e, fundamentalmente, contando com o respeito dos atletas. Parece que finalmente começamos a nos livrar do luto dos 7 a 1 e estamos arejando a cabeça dentro do ambiente do futebol. Vamos desfrutar. E, claro, aprender a fazer diferente.

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Quem vai se safar da SAF?

Erich Beting
Erich Beting

Ronaldo e XP Investimentos, mais uma vez, colocaram o Cruzeiro contra a parede. A primeira vez tinha sido lá em dezembro de 2021, quando a presença do Fenômeno na Sociedade Anônima do Futebol (SAF) ainda era segredo. Na ocasião, Pedro Mesquita, da XP, disse que somente naquelas condições determinadas pela empresa que um comprador aceitaria colocar dinheiro para chamar o Cruzeiro de seu.

Agora, passados três meses do “Cruzeiro Fenomenal”, é a vez de Ronaldo exigir transferir para a SAF a propriedade dos dois CTs cruzeirenses, que sempre foram referência na formação de jogadores no Brasil. O argumento usado por XP e pelo Fenômeno é técnico. Se a SAF não assumir os terrenos, corre-se o risco de eles serem penhorados pelas dívidas do clube, e esse risco é grande demais para correr.

Claro que existe um risco de penhora do terreno. Mas, tirando clubes completamente falidos e sem qualquer popularidade, qual terreno foi confiscado e perdido até hoje no Brasil? A Portuguesa está aí como exemplo de como é difícil a penhora ser executada, por mais falido que o clube esteja, desde que ele tenha o mínimo de história para contar dentro do futebol.

O problema é que a forma como a Mesa Diretora do Conselho Deliberativo do Cruzeiro reagiu às novas exigências de Ronaldo mostra como o clube está entregue às traças. Sem qualquer responsabilidade, os conselheiros expuseram os detalhes do acordo do Fenômeno com o clube e, mais ainda, muito possivelmente fizeram uma interpretação errada do que significa o investimento a ser feito no clube.

Até agora, Ronaldo já colocou dinheiro do próprio bolso no Cruzeiro. Sanou dívidas esportivas de curto prazo que comprometeriam o andamento do projeto. É uma grana que o Cruzeiro não teria e que precisou aceitar que fosse investida para tentar reordenar a bagunça dentro da casa celeste.


Ronaldo explica por que teve dificuldade em novo pedido ao Cruzeiro


         
     

Agora, porém, as exigências do Fenômeno são maiores. E podem comprometer o longo prazo do clube numa vida sem investidores. E é exatamente esse ponto que deveria estar em discussão. O que o Cruzeiro quer com a SAF? Para a torcida, o destino é claro. Tirar o clube da mão de dirigentes despreparados, para dizer o mínimo, na esperança de que isso devolverá a competitividade em campo.

A questão é. Qual o custo para isso? Mais do que valores investidos ou promessas de performance, o que os clubes precisam entender é o que eles desejam ao ter o futebol, sua maior fonte de arrecadação, transformado em empresa. O segundo passo para se observar é o que o investidor espera do clube. Entregar o controle a alguém pressupõe ter o mínimo de interesse mútuo em comum.

Hoje, comprar um clube como o Cruzeiro, por mais dívidas que existam, é um excelente caminho para se apoderar de um dos principais formadores de atletas do Brasil a custo praticamente zero. Quanto rende a venda de jogadores hoje? Quanto ela pode render dentro de uma entidade bem gerenciada?

Ronaldo, o novo acionista, e Sergio Rodrigues, presidente do Cruzeiro
Ronaldo, o novo acionista, e Sergio Rodrigues, presidente do Cruzeiro XP Investimentos/Divulgação

Está claro que o Cruzeiro, por pernas próprias, não conseguirá atingir um nível de organização e gerenciamento que lhes permita ser dono do próprio nariz. Assim como o clube mineiro estão praticamente todos os outros clubes no Brasil.

Essa situação mostra bem o quanto os clubes estão começando a virar reféns das SAFs e, pelo andar da carruagem, não ficará um para contar história depois que o primeiro vendaval de aquisições passar. Mas, do jeito que as coisas caminham, a SAF elevará o nível da gestão do futebol no Brasil, mas isso não significará melhoria de desempenho para todos os clubes. Esse alinhamento de expectativas, principalmente com os torcedores, precisará ser feito. Urgentemente.

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O que a LaLiga tem a ganhar com uma liga no Brasil?

Erich Beting
Erich Beting

Os bastidores do futebol brasileiro prometem esquentar nos próximos dias. Na terça-feira (15), o presidente da LaLiga, Javier Tebas, fará um 'bate-volta' em São Paulo para conversar com os presidentes e dirigentes dos principais clubes do país. Na pauta, programada pelo fundo de investimentos XP, estão os potenciais benefícios da criação da famosa Liga de Clubes, que representaria os 40 times das Séries A e B do Brasileirão.

O que Tebas vem fazer aqui é tentar mostrar para os clubes que o melhor caminho para o futebol ser ainda mais lucrativo e atraente para investidores é unindo os clubes comercialmente e deixando que a rivalidade fique restrita ao campo de jogo.

Algo que é óbvio, mas que precisa da apresentação do case da LaLiga para talvez fazer os dirigentes dos clubes entenderem que é mais fácil remar todos juntos dentro de um mesmo barco do que correr cada um para um lado, olhando o próprio umbigo, sem conseguir assim sair do lugar.

Em 2015, Tebas e a LaLiga tiveram um desafio parecido ao que se encontra agora o Brasil. Clubes ganhando muito mais do que os outros em direitos de mídia, falta de competitividade dentro de campo e penúria financeira para quem não era da 'nata'. Troquemos Atlético de Madrid, Barcelona e Real Madrid por Atlético-MG, Flamengo e Palmeiras e a situação não é muito diferente.


         
     

Lá, porém, havia um agravante. Barça e Real recusavam-se a adotar o modelo de venda coletiva de direitos, que era uma obrigação por lei e que precisa vigorar a partir de 2015. Foi uma greve promovida pelo Sevilla, que se recusou a ter os jogos transmitidos na TV, que fez o cenário de venda de direitos de mídia mudar e permitiu que a LaLiga começasse a crescer.

O que Tebas e a liga espanhola têm a ganhar ao fazerem esse movimento de 'ajuda' ao futebol brasileiro? Há quatro anos, o dirigente esteve no Equador, ajudando a projetar a Liga Pro. A liga equatoriana virou quase que uma cópia sul-americana da LaLiga. E um laboratório de testes para a própria entidade espanhola para pensar em inovações e novos caminhos para o seu produto.

No Brasil, com os mercados de futebol e de mídia amplamente estabelecidos, a LaLiga terá um papel mais de coadjuvante nessa conversa. Mas, para a liga espanhola, é importante mostrar-se como uma entidade líder de mercado. Ter um pouco de seu DNA no nascimento da Liga de Clubes no Brasil é uma enorme vantagem competitiva para os espanhóis, ainda mais com a recente compra do fundo de investimentos CVC de parte dos direitos de mídia da LaLiga.

Tebas não se dispôs a vir para um bate-volta em São Paulo só por ser amigo de Ronaldo. Estar com a imagem associada a grandes projetos de outros esportes ou países é parte importante do projeto de fortalecimento da marca da La Liga no exterior. A LaLiga vem para o Brasil fazer marketing. E o futebol brasileiro precisa saber aproveitar o desejo do parceiro para, quem sabe, começar a gerenciar melhor seus produtos. 

Presidente da Liga Espanhola, Javier Tebas, durante encontro promovido pela Europa Press
Presidente da Liga Espanhola, Javier Tebas, durante encontro promovido pela Europa Press Divulgação
 

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Debate sobre SAF do Galo mostra força dada por grupo de 'mecenas'

Erich Beting
Erich Beting

O debate sobre a criação de uma Sociedade Anônima de Futebol (SAF) do Atlético-MG mostra como fez bem para o clube a entrada do grupo dos 4R, ajudando a pagar as dívidas de curto prazo, reorganizando a vida financeira atleticana e dando ao Galo fôlego para buscar a proposta financeira mais vantajosa possível para tornar o time ainda mais competitivo no cenário do futebol brasileiro.

Se a SAF tivesse aparecido na vida do Atlético-MG há dois anos, o clube possivelmente teria negociado rapidamente a primeira proposta que chegasse. Agora, com o dia a dia do clube organizado (o que não significa necessariamente lucrativo), fica mais fácil conversar e projetar um futuro melhor.

E esse é um ponto que precisa ser muito bem esclarecido para os torcedores quando debatemos a formatação do clube-empresa.

Rubens Menin, principal mecenas do Atlético-MG
Rubens Menin, principal mecenas do Atlético-MG Bruno Cantini/Atlético

Já virou um perigoso senso comum dizer que a SAF vai solucionar os problemas do futebol brasileiro. Como sempre costumo dizer aqui, mais importante do que virar empresa, um clube precisa se comportar como uma empresa. Ter uma gestão equilibrada, que consiga isolar a interferência política do dia a dia da tomada de decisão e eleve o nível de quem trabalha em setores que estão distantes do campo de jogo.

Tem muito clube-empresa que quebra exatamente por não ter uma gestão ordenada. Existem clubes que funcionam muito bem sendo uma associação cujo segredo é a gestão equilibrada. Os times da Alemanha talvez sejam os melhores exemplos para a convivência salutar de um modelo de clubes que se mantiveram como associações e são viáveis financeiramente.

Na visão do Atlético, a SAF viria não como uma saída para equilibrar o clube. Isso tem sido feito pelos 4R. O investidor ajudaria a capitalizar mais o negócio e, assim, o Galo pode ficar ainda mais forte e vingador. É uma visão diferente daquela que levaram, até agora, Botafogo, Cruzeiro e Vasco a achar um investidor. Em completa penúria financeira, os três clubes têm nos seus novos donos uma espécie de “tábua de salvação”, que não necessariamente se concretizará, mas que dá nova esperança ao torcedor.

Grupo City: conheça os clubes que fazem parte do império que tem Atlético-MG na mira

Caso a SAF do Galo vá para a frente, poderemos entrar num novo modelo de negócios de clubes-empresa no Brasil. Os investidores que injetam dinheiro em busca de melhorar o patamar de performance da equipe. Para o Atlético, isso só foi possível depois que os 4R entraram no clube para reequilibrar as finanças, assim como o Palmeiras havia feito na gestão Paulo Nobre e o Flamengo conseguiu com alguns sacrifícios de performance esportiva durante o mandato de Eduardo Bandeira de Mello.

A SAF não é o único caminho para o futebol brasileiro melhorar, até porque os compradores de clube, pelo mundo todo, não são mais bilionários em busca de fama rápida, mas pessoas interessadas em algum retorno, financeiro ou político, com o investimento. Mas o debate em torno da transformação do Atlético em empresa mostra como faz diferença o clube estar minimamente organizado na gestão para ter maior poder sobre o seu futuro.

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Endrick, do Palmeiras, é uma promessa, não um produto

Erich Beting
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Endrick comemora gol pelo Palmeiras na Copa São Paulo de Juniores
Endrick comemora gol pelo Palmeiras na Copa São Paulo de Juniores Fabio Menotti/Palmeiras

Notícia desta segunda-feira (7) na Máquina do Esporte traz os detalhes do acordo que o atacante Endrick, do time sub-17 do Palmeiras, fechou com a agência Wolff Sports para cuidar de prospecção de patrocínios para o jovem que vem encantando na base alviverde e foi o grande astro da conquista inédita da Copa São Paulo de Juniores no começo deste ano.

Antes mesmo de ter um contrato como jogador profissional, a grande promessa da base palmeirense assinou um acordo para ter um representante comercial. O primeiro “fruto” da parceria foi o patrocínio recém-apresentado com a empresa Odontocompany. Mas será que haverá outras oportunidades?

Endrick é uma promessa, não um produto. Neymar, com essa mesma idade, não pensava ainda em ter um representante comercial. No mercado americano, só agora atletas da Universidade estão liberados para assinar contratos individuais de patrocínio, depois de anos de batalha.

O atacante palmeirense tem tudo para se tornar um grande ativo para as marcas. Mas no futebol, historicamente, qualquer promessa precisa escalar alguns degraus para se transformar num produto. E, no caso do Brasil, um desses importantes degraus a serem escalados chama-se convocação para a seleção brasileira principal. São raros, para não dizer quase nulos, os casos de jogadores que conseguem virar garoto-propaganda de várias marcas sem depender de performance na seleção brasileira para isso. Neymar talvez tenha sido o último caso do gênero, com contratos fechados ainda no Santos. Mesmo assim, à época ele já era maior de idade e era a grande promessa para a seleção brasileira na Copa do Mundo de 2014, no Brasil.

Como bem disse Abel Ferreira quando Endrick foi pedido no Mundial de Clubes, ele ainda é um garoto que mais do que disputar um campeonato desses, precisava conhecer a Disney com a família. É muito cedo para qualquer marca apostar num menino de 15 anos de idade que não tem contrato profissional.

É assustador pensar que sua família e assessores já acham que existe demanda e, por que não, necessidade de expô-lo a atividades comerciais com essa idade. Um dos segredos do sucesso de grandes ícones do esporte mundial é que eles souberam a hora em que precisavam deixar de serem apenas atletas para se tornarem também um produto. Nenhum deles fez isso antes de sequer estrear no time profissional

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Zebras da Copa do Brasil alertam para calendário saturado do futebol

Erich Beting
Erich Beting
Jogadores do Globo-RN, que eliminou o Inter da Copa do Brasil na primeira rodada
Jogadores do Globo-RN, que eliminou o Inter da Copa do Brasil na primeira rodada Facebook - Globo-RN

Bom, antes que os haters já soem as cornetas do apocalipse. Sim, é muito legal ter tanta zebra na primeira rodada da Copa do Brasil. Elas que dão mais graça ao futebol e fazem com que a zoeira never ends. Mas (sempre tem um “mas”) será que essa proliferação de zebras não nos mostra mais alguns dos problemas estruturais do futebol brasileiro?

Não é normal que tantos clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro percam para times de menor expressão. Uma das explicações pode ser a própria mudança do regulamento da Copa do Brasil, que permite ao time “grande” jogar pelo empate na primeira rodada. Como o 0 a 0 não basta, o time da casa vai para cima em busca do gol e, assim, joga para tentar ganhar, não mais para não perder e levar o jogo para os pênaltis.

Mas, para além disso, temos um problema para os chamados times grandes, que é o fato de os jogos da primeira fase da Copa do Brasil estarem no começo da temporada. Ainda estamos com um mês de pós-férias e início dos jogos. É muito pouco. Ainda mais se o time “pequeno” estiver fora de qualquer divisão do Brasileirão.

Enquanto para o grande a primeira rodada da Copa do Brasil representa ainda começo de um trabalho que tem pelo menos mais sete meses pela frente, para o pequeno, que a temporada praticamente fica restrita aos três primeiros meses do ano, o jogo é o popular “tudo ou nada”.

E aí é que entra o ponto. Será que as zebras não são mais um reflexo do nosso calendário capenga? Em que o time grande é sobrecarregado de jogos ao longo de 10 meses do ano, enquanto o pequeno tem de se virar para fazer algo de notável em menos de 3 meses para não correr o risco de só reabrir no começo do próximo ano?

O absurdo do calendário do futebol brasileiro não é a existência dos Estaduais. Mas a incapacidade de termos um equilíbrio na divisão de jogos a serem disputados pelos times que estão nas principais competições do país e daqueles que disputam campeonatos secundários.

Gustavo Berton: Medina deve ser demitido do Inter após fracasso na Copa do Brasil


Não existe uma fórmula fechada para o que deve ser implementado. Mas, do jeito que está, é mais do que claro que o calendário precisa ser revisto. Os Estaduais, para os grandes, não podem ser tão grandes. E, para os pequenos, não podem ser tão pequenos. A Copa do Brasil e o Brasileirão não podem ficar esmagados em sete meses, enquanto os Estaduais ocupam 35% do calendário para termos os mesmos times de sempre buscando o título. É muita data desprezível sendo preenchida.

Isso não é bom comercialmente e esportivamente. Os times, quando estão na elite, não conseguem se preparar adequadamente para jogar o ano todo em alto nível. Já os que são menores, têm apenas três meses para projetar a temporada. Não por acaso, os clubes começam a se preparar em outubro/novembro para o campeonato que só começa em fevereiro.

A zebra na Copa do Brasil é divertidíssima. Mas será que ela não é só mais um reflexo de quão desproporcional, para todos, é o calendário do futebol brasileiro? Esqueça os louros de quem passou de fase. Aqueles que foram eliminados na primeira rodada, o que tem a projetar a partir de agora? O futebol saudável é aquele que tenta dar maior equilíbrio, financeiro e técnico, ao maior número de clubes possível. Ter a zebra é muito legal para a história, mas ter muita zebra num mesmo momento do campeonato é sinal de que a coisa não está tão equilibrada assim...

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Sanção à Rússia pode ser novo paradigma para o esporte

Erich Beting
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A ofensiva de diversos atletas e entidades esportivas contra a participação de atletas e equipes russas das mais diferentes competições é vista com ressalvas por boa parte do mundo. Sempre alheio e avesso a manifestações politicas, o esporte viveu por décadas numa falsa impressão de isenção quando o assunto é política.

Não por acaso, Fifa, COI, Uefa e diversas outras entidades foram sempre cautelosas ao tratar da questão de afastamento de atletas e equipes russas do esporte. Tanto que até agora não há nenhuma decisão definitiva sobre o banimento dos russos de qualquer competição. São suspensões temporárias, com a expectativa de serem revertidas tão logo a invasão à Ucrânia acabe. 

Se a guerra não acabar tão cedo, aí sim os russos sofrerão as consequências, como mostraram os Jogos Paralímpicos de Inverno, que nesta madrugada (3) excluíram russos e bielorrussos da Paralimpíada um dia antes de ela começar. 

Só que a atitude tomada até agora, primeiro por atletas e federações nacionais e, depois, pelas organizadoras de grandes eventos, mostra que estamos diante de um novo paradigma para o esporte

Júnior Moraes chega ao Brasil após liderar saída de jogadores da Ucrânia: 'Só quero abraçar minha família'; assista

A sanção à Rússia pode abrir um precedente histórico ao esporte. O de não ser alheio à política. Em 1980 e 1984, o Comitê Olímpico Internacional cedeu à pressão dos políticos e permitiu o boicote dos Estados Unidos às Olimpíadas de Moscou-1980 e dos soviéticos às de Los Angeles-1984. Foi a partir dali que o esporte colocou-se ao lado da política. Adotou a tática de não se opor a ninguém para seguir seu curso. 

A Copa do Mundo no Catar não deve ser alvo de grandes boicotes, mesmo com a Dinamarca já avisando que fará protestos em favor dos direitos humanos durante a participação no evento. Mas a Fórmula 1 corre sério risco de assistir a uma debandada de pilotos de países como Catar e Arábia Saudita se a lógica usada pelos pilotos agora com a Rússia continuar

É muito mais chocante, para o europeu, conviver com uma guerra no quintal de casa do que no distante Oriente Médio. Mas, se a moda pegar, o futuro será de cada vez mais politização no esporte

Como sociedade, só temos a ganhar com isso. Por pior que seja qualquer sanção ou boicote para o esporte no curto prazo.

Bandeira da Rússia, que teve atletas excluídos das Paralimpíadas de Inverno por conta do conflito com a Ucrânia
Bandeira da Rússia, que teve atletas excluídos das Paralimpíadas de Inverno por conta do conflito com a Ucrânia Fadel Itani/Getty Images

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O corajoso movimento do Schalke 04 contra a Gazprom

Erich Beting
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Schalke 04 conta com o patrocínio da Gazprom há mais de dez anos
Schalke 04 conta com o patrocínio da Gazprom há mais de dez anos Divulgação

Na final da Champions League de 2018, em Kiev, na Ucrânia, o repórter da Máquina do Esporte Wagner Giannella fez uma reportagem sobre um problema político que a UEFA teve de resolver às pressas. A entidade havia montado numa das principais regiões turísticas da capital ucraniana o “Champions Festival”, centro de relacionamento para os torcedores sem ingressos que iam à decisão do torneio.

O espaço, porém, causou um incidente diplomático à UEFA. Ucranianos vandalizaram as propagandas da empresa petrolífera russa Gazprom que haviam sido colocadas no local. A entidade agiu rapidamente, retirou a publicidade de lá e fez “desaparecer” a marca da empresa russa de toda a comunicação visual da decisão do campeonato.

Nesta quinta-feira (24), depois de a Rússia voltar a invadir a Ucrânia, o Schalke 04, da Alemanha, anunciou a suspensão da publicidade da Gazprom na sua camisa. Principal patrocinadora do clube que neste ano disputa a Segunda Divisão alemã, a empresa russa paga € 10 milhões ao ano para o Schalke, que receberá € 20 milhões ao ano se retornar à Bundesliga.

Num intervalo de quase quatro anos, a decisão tomada pelo clube alemão mostra ser muito mais ousada que a da UEFA. A entidade europeia só foi reagir depois de ser “atacada” pelo povo que abrigava a final do campeonato. E, mesmo assim, fez essa ação de forma velada, sem muito estardalhaço. Agora, o Schalke se antecipou às críticas. Já anunciou a retirada da marca do patrocinador e disse que, se os conflitos continuarem, poderá romper o acordo.

É um delicado movimento feito pelo clube alemão, que mostra claramente que não há mais espaço para repetir o tolo mantra de que política e esporte não se misturam. O Schalke sabe que seu uniforme é usado para dar credibilidade e popularidade a empresas. Dessa forma, entendeu que não poderia colocar a sua marca em risco ao defender uma empresa que é um dos pivôs da crise Rússia e Ucrânia.

Até agora, os alemães foram os únicos a publicamente tomar uma posição na história. FIFA, UEFA e várias outras entidades seguem pensando que a vida é um jogo de WAR, em que é preciso esperar a sua vez de fazer o movimento. É hora de o esporte se manifestar. O Schalke já largou na frente.

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“Invasão estrangeira” é o novo 7 a 1 do futebol brasileiro

Erich Beting
Erich Beting


Técnico Abel Ferreira é um dos astros dos treinadores portugueses no Brasil
Técnico Abel Ferreira é um dos astros dos treinadores portugueses no Brasil Cesar Greco / Palmeiras

O Corinthians está perto de se tornar mais um clube brasileiro a contratar um treinador português para comandar o clube na temporada de 2022. Com a confirmação de Vítor Pereira no comando do Timão, serão três treinadores na Série A do Brasileirão da “Terrinha”, enquanto sete dos 20 comandantes de times são estrangeiros. Se o Botafogo confirmar a chegada de Luís Castro, essa lista aumenta.

A invasão estrangeira de treinadores é o novo 7 a 1 que o futebol brasileiro tem de enfrentar. Nada contra a proliferação da mão-de-obra estrangeira, muito pelo contrário. Ela revela, na verdade, uma tremenda defasagem que existe em nosso mercado, que é o de treinador qualificado para trabalhar dentro dos clubes.

Ou melhor. A generalização é incorreta. Existem profissionais qualificados em nosso mercado, mas os clubes não conseguem colocá-los nos cargos de liderança dos seus times. A geração dos treinadores “das antigas” está ficando para trás, enquanto a nova ordem, condenada muitas vezes por ser teórica demais e com poucos resultados práticos, tem sido atropelada pelos estrangeiros.

Onde está o problema?

Talvez mais importante seja olharmos quais soluções foram adotadas em outros países, especialmente em Portugal, para tentarmos encontrar um caminho e finalmente termos uma renovação de treinadores.

O sucesso dos portugueses no mercado não é só no Brasil. São diversos profissionais espalhados nos mais diferentes rincões do mundo. Tudo reflexo de uma mudança vinda da época de ouro de José Mourinho seguida de um investimento pesado da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) na qualificação de seus treinadores por meio de cursos e criação de licenças para atuar nas diferentes divisões do país.

Em 2003, quando Luis Felipe Scolari foi contratado para ser o treinador da seleção portuguesa, houve um enorme questionamento sobre o porquê de se contratar um estrangeiro para comandar o time nacional. Mourinho, à época, era considerado o grande favorito para assumir a seleção. O sucesso de Felipão, porém, fez com que as críticas sobre o treinador da seleção portuguesa cessassem, mas não impediu a FPF de trabalhar para qualificar os treinadores.

Foi a partir de então que Portugal começou a trabalhar para renovar a qualificação. Um investimento pesado em educação, produção de conteúdo sobre a área técnica e muita, muita exigência de qualificação do profissional que quiser trabalhar como treinador. Além disso, houve muita troca de informação entre profissionais e aspirantes a profissionais.

O resultado veio no longo prazo, e hoje Portugal é um dos maiores exportadores de técnicos de futebol no mundo da bola. E por aqui, como estamos tratando a questão?

A CBF tentou, nos últimos anos, seguir o modelo da UEFA, de implementar graus distintos de qualificação de treinadores. Mas o que a entidade tem feito para realmente mudar o panorama dos técnicos no país? O que, de fato, os profissionais do Brasil têm reciclado de conhecimento? Ter a licença A, B, C ou D no Brasil, ao que tudo indica, é apenas a compra de uma licença para poder ser treinador. Educação é fundamental. Mais do que o diploma.

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A perigosa lua de mel do mercado brasileiro com a SAF

Erich Beting
Erich Beting

Desculpe ser desmancha prazeres, mas é preciso colocar um certo freio na euforia que começa a tomar conta do mercado brasileiro pelos anúncios de aquisições, ou pretensões de aquisições, de alguns dos maiores clubes do país por investidores ou fundos de investimentos.

Fui achincalhado aqui no blog e nas redes sociais quando vaticinei que não existiam mais compradores endinheirados para clubes de futebol. O post foi publicado alguns dias antes de Ronaldo ser anunciado como novo dono do Cruzeiro. Foi uma avalanche de críticas para quem só se apegou ao título do artigo dizer que não havia mais compradores de clubes, sem se atentar para que o texto dizia que não haveria um “salvador da pátria” que viesse fazer, no Brasil, o que foi visto no Chelsea, no Manchester City ou no PSG.

Ronaldo, o novo acionista, e Sergio Rodrigues, presidente do Cruzeiro
Ronaldo, o novo acionista, e Sergio Rodrigues, presidente do Cruzeiro XP Investimentos/Divulgação
 

Há alguns dias, foi a vez de o botafoguense me esculachar depois de eu esculachar a maneira como John Textor, o novo dono do clube, tratou os atuais parceiros da equipe e, mais ainda, o time que cuida do marketing do alvinegro atualmente. Textor simplesmente anunciou que rompeu com todos os parceiros, para depois dar entrevista que não era bem assim, que os valores deveriam ser renegociados, que o objetivo era ter só um patrocínio na camisa, etc. 

Agora é a vez de o torcedor do Vasco já propagar, nas redes sociais, que chegou o “Vasco da Grana”, após a notícia de que o fundo de investimentos 777, dono do Genoa, da Itália, chegou a um acordo para ser dono de parte da SAF vascaína. Não me debrucei ainda sobre o projeto para a aquisição do Vasco, mas uma coisa que chama a atenção até agora é o quanto existe, em todos esses anúncios de clubes comprados, muita espuma para pouca onda de fato.

O torcedor brasileiro, cansado de apanhar com gestões temerárias em seus clubes, para dizer o mínimo, vê nas SAFs a saída perfeita para o fim do caos. É, mais ou menos, o caso da pessoa endividada que consegue um empréstimo a juros altíssimos, mas que alivia a conta do curto prazo e depois tenta, literalmente, pagar para ver o problema que vai acontecer.

Existe entre os torcedores a justíssima esperança de que a vida na SAF será melhor que a atual. É correto pensar dessa forma se analisarmos o cenário atual. O problema é que estamos partindo (e incluo nessa conta uma considerável parte da mídia esportiva) de um princípio de que ao virar empresa e ter um dono, um clube resolverá todos os seus problemas e passará a ser um colosso esportivo.

Erramos – e muito – ao analisar o clube-empresa sob a ótica de Chelsea, Manchester City ou PSG. Esses são antiexemplos, de clubes relativamente tradicionais, que estavam quebrados ou sem chances de serem protagonistas e foram comprados por bilionários com projetos megalomaníacos.

SAF Vasco da Gama: Entenda como vai funcionar acordo com a 777 Partners


         
     

Não existe ninguém com esse perfil interessado em clubes brasileiros. Portanto, temos de olhar para os exemplos que pareciam bons em teoria, mas que, na prática, tornaram-se grande fonte de ilusões e frustrações para os torcedores.

O melhor caso atual (e mais parecido com o dos times brasileiros) talvez seja o Arsenal, um clube tão forte e tradicional quanto o Vasco, por exemplo. Veja com o torcedor o que ele pensa sobre Stan Kroenke, dono do clube. É um bilionário americano que possui diversos outros negócios no esporte, entre eles a franquia de futebol americano Los Angeles Rams, que acaba de ser campeã do Super Bowl.

Kroenke decidiu, nos últimos seis anos, apostar em Los Angeles como nova capital do futebol americano. Realocou o Rams na cidade e investiu bilhões na construção de um complexo esportivo que abriga, entre outras coisas, o SoFi Stadium, estádio de US$ 5 bilhões que foi palco do SB LVI. Na última semana, Kroenke foi considerado um visionário no mercado americano. E o torcedor do Arsenal segue querendo vê-lo bem longe do clube que, há vários anos, é lucrativo, mas motivo de chacota dos torcedores rivais pela falta de competitividade esportiva.

A lua-de-mel do botafoguense com John Textor ganhou mais força após a declaração de amor do empresário, que usou a placa de publicidade estática no jogo do Crystal Palace para anunciar o Botafogo. Uma boa “sacada” do americano para afagar o ego do botafoguense, mas uma ação que tem baixíssima (para não dizer nula) efetividade no mercado estrangeiro. O Botafogo é uma marca absolutamente desconhecida e que não tem nenhum produto relevante a ser ofertado atualmente no exterior.

É como a marca de fabricante de celular chinesa Vivo aparecer na publicidade da Copa do Mundo da Rússia no mercado brasileiro. Não teve qualquer impacto para o público daqui, mas tinha sentido na China e outros mercados onde a empresa atuava. A ação de Textor foi legal para o botafoguense. E só.

O ponto é que, até agora, os compradores de Cruzeiro, Botafogo e Vasco são pessoas ou fundos que têm outros clubes e outros negócios no esporte. Com o dólar supervalorizado no mercado brasileiro, é barato comprar e fazer barulho dentro do país.

Mas o que vai acontecer com esses clubes se as outras propriedades se tornarem mais atrativas? Por enquanto, o trio brasileiro é bem mais valioso (ou tem muito mais potencial para ser) do que Valladolid, Crystal Palace e Genoa. Quando qualquer um desses três clubes conseguir uma vaga na Champions League, porém, será que o time brasileiro será matriz ou filial? O Arsenal está aí para mostrar que existe uma perigosa euforia de lua-de-mel do mercado com um investidor bilionário num time de futebol. O dia a dia nunca é tão brilhante como parece. E os torcedores precisam estar atentos a isso. Do contrário, em vez de ser a salvação, a SAF vira um pesadelo. Afinal, num clube-empresa não existe como demitir o dono do negócio. E, ao que tudo indica, teremos no Brasil donos de clubes que têm, no seu time de coração, apenas mais uma oportunidade de negócio entre vários outros.

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