Paulo André, do BBB, e a dura rotina do atleta Camilo no Brasil

Erich Beting
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Paulo André não saiu vencedor do Big Brother Brasil. Na 22ª edição do principal reality show do país, o jovem de 23 anos mostrou que sabe competir. Mesmo sem levar o título do programa e embolsar o prêmio de R$ 1,5 milhão, PA saiu da casa muito maior do que chegou. Com 100 vezes mais seguidores nas redes sociais, com histórias para compartilhar com o público e com a fama trazida pelos três meses de rotina numa casa fechada.

A nova vida que se abre para Paulo André fora da casa mostra o abismo que separa o atleta de alto rendimento no Brasil dos esportes olímpicos dos jogadores de futebol. Antes de se tornar o 'PA do BBB', Paulo André era Camilo, o velocista que ganhou medalha de ouro no Pan-Americano de Santiago 2019, que esteve nas semifinais dos 100m rasos nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 (disputados em 2021 por conta da pandemia de COVID-19) e que seguia sua vida com um relativo status, que lhe garantia um contrato com a Nike e o amparo do programa federal Bolsa Atleta.


Quando foi anunciado como um dos participantes do reality, Camilo foi duramente criticado. Por receber o incentivo federal e abandoná-lo para competir num programa 'vazio' de TV. Por esquecer-se dos compromissos de atleta para se dedicar a algo destinado a pseudocelebridades ou pessoas que já tiveram alguma fama, mas ficaram presas nesse passado.

Três meses depois, Camilo se transformou em Paulo André. Ou PA. Virou um fenômeno nas redes sociais e agora tem um novo patamar para dialogar com o público e as marcas. Não dá para julgar a decisão tomada por ele ao decidir entrar no programa. Cada um tem a sua história e a sua necessidade.

A única coisa que é possível dizer, por tudo o que aconteceu nesses últimos três meses e pela repercussão de suas atitudes dentro do programa, é que Paulo André desnudou como é dura a rotina de ser Camilo no Brasil.

O atleta precisa de fama para crescer, ter mais patrocínios e uma vida mais confortável financeiramente, que lhe permite ao mesmo tempo ter melhor performance esportiva. Em alguns mercados, como o do futebol, isso é muito mais fácil de acontecer. Mas, nos esportes olímpicos do Brasil, é mais certeiro tentar ser Paulo André do que Camilo.

Agora, Paulo André Camilo poderá ocupar um novo patamar entre os atletas brasileiros, mesmo se não conseguir a mesma performance de antes do BBB. Mas uma coisa é certa: foi preciso desabrochar o talento dele como uma celebridade dentro de um reality show para tudo isso acontecer.

A história de Paulo André mostra como é difícil ser Camilo no Brasil...

Paulo André Camilo em ação durante os Jogos Olímpicos de Tóquio
Paulo André Camilo em ação durante os Jogos Olímpicos de Tóquio Comitê Olímpico Brasileiro
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Dorival no Flamengo e o modo de looping eterno do futebol brasileiro

Erich Beting
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Dorival Junior ficou 2 meses à frente do Flamengo durante o Campeonato Brasileiro de 2018
Dorival Junior ficou 2 meses à frente do Flamengo durante o Campeonato Brasileiro de 2018 Gilvan de Souza/Flamengo

Ao que tudo indica, nas próximas horas Dorival Junior deverá ser efetivado como treinador do Flamengo. A contratação do treinador, que vinha fazendo um bom trabalho no Ceará, é uma tentativa desesperada do Rubro Negro de reencontrar o rumo, perdido antes mesmo da chegada conturbada de Paulo Sousa ao comando do time, em janeiro deste ano.

Há dois anos e meio, pouco depois de conquistar a América e tentar ganhar o mundo contra o Liverpool, o Flamengo parecia viver em 'Oto Patamar', como eternizou Bruno Henrique. Um time recheado de estrelas que encantava dentro de campo, estraçalhava recordes e conquistava o Brasileirão e a Copa Libertadores em dois dias. Fora de campo o Mengão parecia ser o exemplo a ser seguido.

O sucesso de Jorge Jesus e cia. ajudou a abrir os olhos de diversos outros clubes para a necessidade de refrescarmos os ares das direções técnicas. A sequência do Palmeiras de Abel Ferreira fez aumentar a legião estrangeira nos bancos de reservas Brasil adentro. Após a saída indesejada de Jesus, o Flamengo tentou um estrangeiro e fracassou. Buscou Rogério Ceni e foi novamente campeão brasileiro. Depois, naufragou com Renato Gaúcho. E decidiu voltar a uma aposta do exterior.

O fiasco com Paulo Sousa, que foi mais um treinador a não domar o vestiário rubro-negro, faz o clube voltar para a aposta nacional. Vai dar certo? É uma incógnita, assim como foi com Jorge Jesus lá em 2019, que acabou abençoado pela pausa da Copa América. 

O problema é que o Oto Patamar do Flamengo virou pó. O clube é mais do mesmo. Aposta, como todos os demais dirigentes, em trabalhos que tragam resultados imediatos. Sem adotar, dentro do clube, um processo. O Palmeiras, até achar Abel Ferreira, vivia na mesma toada. Entrava e saía temporada um treinador novo era contratado e, pouco tempo depois, rifado.

O Flamengo agora aposta em Dorival Junior. O mesmo Dorival que foi chamado para encerrar o trabalho no clube em 2018, depois de mais uma troca de treinador por conta de um desempenho abaixo do esperado em campo. O mesmo Dorival que fez um acordo de R$ 13 milhões com o Flamengo em novembro de 2019 pelo fim de débitos existentes desde 2012...

O futebol brasileiro vive num looping eterno. 

Dorival Junior embarca em aeroporto de Belo Horizonte para ir assinar com o Flamengo; VEJA
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Brasil retrocede mais 30 anos com divisão da liga em dois grupos

Erich Beting
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Dirigentes de 25 clubes se reuniram na CBF e sacramentaram o racha entre os clubes brasileiros
Dirigentes de 25 clubes se reuniram na CBF e sacramentaram o racha entre os clubes brasileiros CBF

Quem acompanha o blog sabe que, há alguns meses, já havíamos apontado por aqui que a tendência que existia nos bastidores da bola era da divisão em dois blocos de clubes para negociar os direitos comerciais do Campeonato Brasileiro das Séries A e B

O racha, que até então era iminente, mas não claro, virou realidade na tarde de quarta-feira (8), quando cerca de um ano após os clubes anunciarem o "rompimento" com a CBF e a "criação imediata de uma liga", 25 dessas agremiações estiveram representadas por seus presidentes, na sede da mesma CBF, anunciando a criação de um grupo para ser "opositor" da Libra, que tem outros 13 clubes reunidos e pretendia ser a Liga do Futebol Brasileiro.

O racha entre os clubes é a síntese do despreparo do dirigente esportivo brasileiro. Ao acharem que, num grupo de 25 e outro de, no máximo, 15, os clubes estarão mais fortes para negociar seus direitos, nossas cartolas furadas atuam para derrubar de vez qualquer tentativa de evolução do futebol como negócio no país. Pior ainda. Depois da implosão do Clube dos 13, lá em 2010-2011, da criação da "Lei do Mandante" em 2020-2021, esse foi o terceiro passo para regredirmos cerca de 30 anos na questão da venda de propriedades comerciais de uma competição.

O modelo que o Brasil tenta implementar agora, com venda de direitos dividida em dois grupos distintos, é aquele que naufragou o futebol da Espanha e da Itália nos anos 90 e primeira década de 2000. A mídia sempre pagou menos pela transmissão dos jogos, ao passo que a disparidade de arrecadação entre os clubes só se acentuou ao longo dos anos. Nos dois países, foi preciso que o governo interviesse e exigisse a negociação em conjunto com todos os clubes dos direitos para que as coisas começassem a se reorganizar. 

Por aqui, a legislação atual impede a interferência estatal na criação de uma liga. Será que precisaremos nos enterrar ainda mais no poço para mudar a mentalidade dos clubes? Do jeito que o cenário caminha para a liga partida em dois, o buraco é ainda mais baixo.

Nesse cenário, quem se diverte é a CBF. Corremos o risco de, em 2024, sem os clubes se organizarem, a entidade chamar para si a responsabilidade de organizar e vender o Campeonato Brasileiro. Dado o sucesso da Copa do Brasil do outro lado, essa parece ser, por incrível que pareça, a melhor alternativa para o futebol no Brasil. Ou a menos pior... 


         

    

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Copa do Brasil conseguiu se tornar o principal produto do futebol brasileiro

Erich Beting
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As redes sociais estão pulsando neste momento. Os principais portais têm em suas páginas de abertura notícias sobre o tema. Todos estamos, de alguma forma, repercutindo quais são os confrontos das oitavas de final da Copa do Brasil, que só começam em duas semanas. Um evento numa tarde vazia de terça-feira foi o suficiente para colocar todos em discussão sobre quem vai entrentar quem, quais os duelos mais esperados, etc.

O fato é que a Copa do Brasil, que tinha tudo para ser o evento secundário do calendário do futebol brasileiro, se transformou hoje no principal produto do país. Com remuneração atrelada unicamente à performance do time na competição, o torneio ganhou ares de "Eldorado" para clubes e torcedores, ganhando assim maior atenção da mídia e, naturalmente, dos patrocinadores.

Não é apenas o formato mata-mata, que aumenta a imprevisibilidade, que torna a competição tão atrativa. Nenhum outro campeonato no Brasil tem um trabalho tão organizado de gestão da comunicação e dos patrocínios quanto a Copa do Brasil. Mas por que isso acontece?

Festival de clássicos estaduais e Flamengo x Atlético-MG: veja os confrontos das oitavas de final da Copa do Brasil

         
     

Há vários anos que a CBF delega a uma agência a gestão comercial do torneio. A entidade vende (e muito bem) o contrato de mídia e delega para um terceiro a responsabilidade de fazer dinheiro com o campeonato. Isso obriga a Klefer, que é a agência responsável pela gestão comercial do torneio, a ter de trabalhar para que o negócio valha a pena. 

Na prática, o modelo que funciona na Copa do Brasil é o que destoa quando o assunto é o Brasileirão. Se, na competição eliminatória, todas as vendas são centralizadas, no torneio em pontos corridos a adoção do "cada um por si" na venda das propriedades comerciais é um desespero para quem compra, para quem vende e para quem consome.

No fim das contas, o que existe na Copa do Brasil é um interesse conjunto de vender bem o torneio e fazer com que ele seja o mais emocionante possível, já que isso garante mais atratividade para o público, para a mídia e para as marcas. E, quando o produto fica bem organizado, até mesmo o sorteio de confrontos das oitavas de final vira um evento a ser visto e repercutido pelo torcedor e pela imprensa.

Ainda mais depois de garantir histórias tão fantásticas já nas oitavas de final na edição deste ano, a Copa do Brasil conseguiu assegurar o posto de principal competição do país por pelo menos mais uma temporada.

Não é o modelo de disputa de uma competição que faz dela um grande produto. Logicamente que isso ajuda. Mas o sucesso da Copa do Brasil tem, por trás, a adoção de um modelo comercial parecido com o das ligas americanas e das principais competições europeias. O que prova que basta ter vontade para que o negócio tenha sucesso.

Galo comemora título da Copa do Brasil
Galo comemora título da Copa do Brasil Pedro Souza /Atlético-MG

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Marcas trocam patrocínio por intervenções urbanas

Erich Beting
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Nike montou quadra no Parque do Ibirapuera para celebrar 50 anos
Nike montou quadra no Parque do Ibirapuera para celebrar 50 anos Divulgação/Nike

A notícia não é das melhores para quem busca patrocínio. Mas, nos últimos meses, uma tendência começa a ser vista no mercado. Diversas marcas começaram a adotar uma nova estratégia de patrocínio. Em vez de buscar eventos ou propriedades que tenham grande alcance de mídia, as empresas têm colocado dinheiro em projetos de intervenção urbana, que não têm grande exposição de marca, mas asseguram um relacionamento direto com o consumidor.

Esse modelo começou nos primeiros meses de retorno da pandemia. A plataforma de investimentos Genial, que tem o ex-tenista Gustavo Kuerten entre os acionistas, apostou em quadras de beach tennis para patrocinar. O crescimento da prática do esporte e o sucesso da estratégia fizeram outras marcas irem atrás, patrocinando os "beach clubes" que têm surgido em vários centros urbanos.

Agora, Centauro e Nike, ambas dentro do guarda-chuva do Grupo SBF, passaram a investir em quadras públicas. A Centauro fechou com a Vitacon um projeto para colocar quadras em espaços de grande concentração urbana, como a avenida Paulista, em São Paulo. E a Nike inaugurou, neste final de semana, alguns espaços dentro do Parque do Ibirapuera, em São Paulo.

“Ao longo dos últimos 50 anos, a Nike sempre defendeu os atletas e o esporte, e seguiremos fiéis a esse princípio. Mas esse não é um momento de olhar só para trás: é um momento para buscar inspiração no nosso passado e ressignificar o esporte para uma nova geração. Os novos equipamentos esportivos são resultado de uma parceria que visa incentivar que a prática esportiva se torne um hábito diário na vida das pessoas. O Ibirapuera já é um polo esportivo muito importante para a cidade, e queremos contribuir para que seja ainda mais frequentado pelos amantes de esporte”, disse Gustavo Viana, diretor de marketing da Nike, para a Máquina do Esporte.

A visão é clara. A marca precisa que as pessoas pratiquem esportes para vender mais. Assim, em vez de apoiar os grandes, é mais barato, e eficiente, investir na base, no dia a dia da prática esportiva. 

Para quem vende patrocínio, essa é uma notícia preocupante. Mas, ao mesmo tempo, abre um leque muito maior de opções para quem busca um investidor. O jogo está mudando bastante. É necessário observar o que as marcas estão fazendo para saber como adequar seu produto a isso. Uma coisa é certa. Para vender, é preciso criar conexão com as pessoas. Do contrário, as marcas buscarão, cada vez mais, caminhar por pernas próprias.

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Caos da final da Champions mostra como ingleses lideram gestão de torcedores no mundo

Erich Beting
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Policial usa gás de pimenta antes da final da Champions League entre Liverpool e Real Madrid
Policial usa gás de pimenta antes da final da Champions League entre Liverpool e Real Madrid Getty Images

O caos envolvendo polícia francesa, torcedores do Liverpool e a final da UEFA Champions League mostrou como os ingleses, hoje, estão à frente de todo o mundo no que diz respeito ao gerenciamento de multidões durante grandes eventos esportivos.

A bagunça no entorno da entrada dos ingleses no estádio Saint-Denis é o grande assunto da mídia francesa nesta segunda-feira (30). Uma das indagações feitas pelos jornalistas é se Paris está pronto para abrigar os Jogos Olímpicos daqui a dois anos se a polícia mostrou enorme despreparo num teste relativamente mais simples que foi a final da Champions.

Os franceses estão indignados com as cenas de violência policial, com as imagens de torcedores pulando o alambrado do estádio para entrar a tempo de ver o jogo e com os relatos de que houve diversos casos de furtos no meio da confusão na entrada para o estádio.

Nesse contexto, é fundamental ler o que Joao Castelo-Branco, correspondente da ESPN em Londres, ponderou em sua conta no Twitter. Existe toda uma cultura de torcer na Inglaterra que precisa ser observada e analisada antes de sair apontando os dedos para quaisquer lados. E, ao que tudo indica, essa inabilidade dos franceses em planejarem que o comportamento do torcedor inglês seria diferente daquele que eles estão acostumados foi o estopim para o caos.

A Inglaterra tem, há décadas, uma polícia especializada em cuidar de multidões em eventos esportivos. Os policiais já sabem como o torcedor se comporta, de que forma é possível conter as barbáries dos hooligans e como fazer com que a experiência de ir a um jogo de futebol seja a mais agradável possível em meio a tantas diversidades.

A UEFA poderia ter intermediado um diálogo entre policiais franceses e ingleses antes da partida para prever melhor como seria o comportamento do torcedor no jogo. Afinal, foi só de um lado da torcida que houve problema. E, definitivamente, a polícia britânica deveria exportar pelo mundo seu conhecimento em gestão de torcedores nos estádios. É inegável que a Inglaterra está à frente de qualquer outra nesse quesito.

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A precaução da Uefa jogou contra ela na final da Champions

Erich Beting
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A final mais aguardada do futebol atrasada em quase 1h por diversos problemas de segurança na entrada de torcedores no estádio. Como seria nossa reação se isso acontecesse na América do Sul?

Muito possivelmente não teríamos vivenciado o problema que a Uefa teve com a final da Champions League entre Real Madrid e Liverpool se fosse uma partida em torneios sul-americanos. E o motivo é um só.

Quando vimos, alguma vez, um jogo sul-americano começar atrasado porque o torcedor não conseguiu entrar no estádio?

A Uefa retardou o começo de seu jogo mais importante na temporada para tentar preservar a relação com o torcedor que comprou ingresso mas, por diferentes motivos, não conseguiu chegar no horário marcado para a partida.

         
     

É prematuro dizer se a Uefa acertou ou errou ao tomar tal atitude. Mas é interessante ver como a entidade mostrou que seu torcedor que pagou ingresso para ver a final está à frente até mesmo dos contratos publicitários e de TV que pagam a maior parte dessa conta. Além disso, a entidade não se preocupou com um eventual prejuízo de imagem pelo atraso do início da partida.

No fim das contas, os acontecimentos em Paris não podem ficar por isso mesmo. A Uefa precisa entender que é inadmissível um atraso tão grande sem qualquer motivação do imponderável. A precaução da Uefa em atender o torcedor com ingresso jogou contra ela na final da Champions. Resta saber qual resposta ela dará para tamanho vexame.

Policial usa gás de pimenta antes da final da Champions League entre Liverpool e Real Madrid
Policial usa gás de pimenta antes da final da Champions League entre Liverpool e Real Madrid Getty Images
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Lista dos mais ricos do mundo mostra força de futebol e basquete

Erich Beting
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PSG foi campeão francês em 2021-22 com seu trio badalado formado por Messi, Neymar e Mbappé
PSG foi campeão francês em 2021-22 com seu trio badalado formado por Messi, Neymar e Mbappé FRANCK FIFE/AFP via Getty Images


Na última semana, a revista Forbes divulgou a lista dos atletas mais bem pagos de 2021. Após alguns anos e graças a um polpudo contrato com o PSG, o argentino Lionel Messi voltou a ser o atleta que mais ganhou dinheiro com salários e patrocínios na temporada. O ranking é completado por Cristiano Ronaldo, Neymar, LeBron James e Stephen Curry nas cinco primeiras posições. 

O resultado evidencia dois fatores: o primeiro é o reflexo da pandemia nos ganhos de atletas de esportes individuais. Tenistas, boxeadores e lutadores de MMA caíram na lista, já que seus eventos foram cancelados e eles não possuem um salário fixo como os atletas dentro de clubes.

O segundo fator importante a ser ressaltado é o quanto a popularidade de basquete e futebol vai interferir no resultado da lista da Forbes. 

Os dois esportes, não por acaso os dois mais populares do planeta, devem dominar por vários anos o topo da lista da Forbes. 

Com salários cada vez mais turbinados pelos novos contratos de mídia assinados pelos clubes, os atletas de futebol e basquete sobrarão nas listas. Da mesma forma, a presença maciça nas redes sociais ajuda a levar mais dinheiro para esses astros com ações publicitárias.

Nunca o futebol e o basquete ganharam tanto dinheiro. Nunca seus atletas ganharam tanto como agora. A lógica da grana no esporte segue a da popularidade das modalidades e dos atletas. A pandemia só veio acentuar essas diferenças. 

No ano que vem, com mais dinheiro entrando nos clubes e novos contratos sendo firmados, a lista deve ter novas mudanças. Mbappé e Haaland deverão subir ao Top 10. Resta saber se o basquete conseguirá acompanhar o ritmo.

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Debate sobre contratações de PSG e City deveria ir além do Fair Play Financeiro

Erich Beting
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Halaand escolheu o Manchester City entre várias opções para seguir a carreira, enquanto Mbappé preferiu continuar no Paris Saint-Germain e adiar o sonho de infância de defender o Real Madrid. Decisões que foram motivadas, logicamente, por dinheiro e por projeto esportivo, e que reacenderam o debate sobre o Fair Play Financeiro.

Inconformados com o descalabro da proposta feita pelo PSG para manter sua jovem estrela, o Real Madrid e a LaLiga ameaçam recorrer à Uefa para investigar o time comandado pelo governo do Qatar.

O problema é que, ao que tudo indica, o PSG usou a tática de Tom Brady e as franquias por onde jogou na NFL. Para burlar o teto salarial imposto pela liga de futebol americano, o grande astro da modalidade costuma ter um salário fixo baixo e um bônus atrelado à performance altíssimo. Assim, seus times conseguem contratar outros jogadores e permanecer quase sempre no topo.

Mbappé no PSG e Haaland no City
Mbappé no PSG e Haaland no City ESPN

Aparentemente, foi isso que o PSG fez com Mbappé. Um salário alto, mas dentro da realidade financeira do clube e sem ferir a proposta de Fair Play imposta pela Uefa. Mas o francês recebeu uma bonificação altíssima para apenas colocar sua assinatura no contrato por mais três temporadas.

Pode-se condenar a conduta moral dessa prática, mas aparentemente ela não tem nada de ilegal. E ela servirá para reacender todo o debate sobre os novos ricos da bola e sua capacidade quase ilimitada de pagar muito aos jogadores.

Na última lista divulgada pela Forbes dos atletas mais bem pagos do mundo, o futebol passou a dominar o top 5. Em 2023, possivelmente Mbappé se tornará o atleta que mais fatura no esporte mundial. De longe, porém, o francês não está entre os que mais geram retorno publicitário. Mas por trás do “fico” dele em Paris está um enorme projeto do governo do Qatar para o mercado europeu.

Da mesma forma, o Manchester City e seus donos de Abu Dhabi estão fissurados no projeto de serem campeão da Europa pela primeira vez. A contratação de Haaland é quase que um xeque-mate para que o objetivo seja alcançado. 

Muito mais do que questionar o Fair Play Financeiro, o futebol deveria se colocar uma outra pergunta. Até quando ele aceitará, sem qualquer restrição, ser um brinquedo de bilionários que querem usar o esporte como plataforma para alcançar outros propósitos?

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Moisés e as 'razões para acreditar' num futebol diferente

Erich Beting
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Moisés, atacante do Fortaleza, em ação contra o Fluminense
Moisés, atacante do Fortaleza, em ação contra o Fluminense Divulgação/Fortaleza

Seu time é o último colocado do campeonato, não conquistou nenhuma vitória em sete rodadas e vê a cada nova partida aumentar o risco de ter uma temporada aterrorizante. Mesmo assim, Moisés, atacante do Fortaleza, preferiu parar o lance em que disputava contra Nino, zagueiro do Fluminense, que sofreu um estiramento muscular quando saiu para disputar corrida contra o adversário.

O que Moisés fez é digno de ganhar o Prêmio Fair Play do ano no futebol mundial. O ato do jogador foi de completo respeito. Não só pelo adversário, mas pelo jogo em si.

Talvez um dos maiores problemas que o Brasil enfrenta no combate à violência no futebol é o desrespeito que existe pelo jogo. Queremos vencer a qualquer custo, sem respeitar oponentes, arbitragem ou quem quer que seja.

Em vez de nos preocuparmos em preservar o espírito do jogo, ficamos obcecados pelo resultado. Dessa forma, moemos técnicos, jogadores, comentaristas e árbitros a cada nova rodada em que as coisas não acontecem conforme o desejado.

Moisés foi o sopro de esperança no meio dessa selvageria que vivemos no futebol, em especial no Brasil. O atacante do Fortaleza entendeu que não valia a vitória a qualquer preço. Soube ter respeito pelo princípio do jogo, que é colocar 11 atletas de cada lado e aquele que tiver maior qualidade sairá vencedor.

A mudança na qualidade do futebol apresentado por aqui passa, necessariamente, por uma mudança de mentalidade em quem trabalha e consome o esporte. Moisés nos dá razão para acreditar que a transformação é possível.

Há cinco anos, Rodrigo Caio foi execrado do São Paulo ao corrigir um erro do juiz Luiz Flávio de Oliveira, que havia dado cartão amarelo para o atacante Jô, do Corinthians, acreditando que ele houvesse pisado no pé do goleiro rival Renan Ribeiro. Rodrigo explicou que ele havia pisado sem querer no pé do companheiro de time. O cartão foi retirado, Jô seguiu jogando e não foi afastado da segunda partida da semifinal do Paulistão entre os dois times, já que aquele seria seu terceiro cartão amarelo. O acontecimento acabou rotulando Rodrigo Caio, que saiu pela porta dos fundos para o Flamengo, onde foi bicampeão brasileiro e da Libertadores.

Cinco anos depois, é a vez de Moisés tentar dar o exemplo para todo o futebol brasileiro de como se comportar. Será que agora estamos maduros para entender que, no fundo, o resultado de um jogo é o que menos importa?

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Vítor Pereira, Liverpool, Corinthians e o choque de realidade no futebol brasileiro

Erich Beting
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“Eu também queria treinar o Liverpool, mas não posso. Se você perguntar para mim, eu ia correndo treinar o Liverpool. Com todo respeito ao Corinthians, mas o Liverpool é o Liverpool”.

A frase usada por Vítor Pereira, técnico do Corinthians, para justificar a ausência do atacante Roger Guedes do jogo contra o São Paulo caiu como uma bomba no meio futebolístico brasileiro. O modo sincerão ativado pelo treinador português foi visto por uma parte da mídia e por grande parte dos torcedores alvinegros como uma ofensa ao clube.

Vítor Pereira, Paulo Sousa, Luís Castro e Abel Ferreira têm protagonizado, sistematicamente, respostas desse tipo em entrevistas coletivas pós-jogo ou em entrevistas pontuais. É um choque de sinceridade a um futebol acostumado a jogos de cena, de entrevistadores e entrevistados, há várias décadas.

Vítor Pereira foi sincerão ao dizer que trocaria o Corinthians pelo Liverpool
Vítor Pereira foi sincerão ao dizer que trocaria o Corinthians pelo Liverpool Seskim Photo/MB Media/Getty Images

A invasão de treinadores estrangeiros ajuda a mudar um pouco a maneira como encaramos o futebol no Brasil. A revolta a uma opinião sincera de Vítor Pereira mostra que não estamos preparados para o óbvio: o futebol no Brasil está num nível inferior à Europa. E não há nada de errado em aceitar isso.

Isso não significa ter uma visão tacanha de inferioridade, mas a humildade em reconhecer que é preciso trabalhar – e muito – para que consigamos igualar os níveis de futebol aplicados na Europa.

Começamos a fazer essa mudança a partir da aceitação dos treinadores estrangeiros. Eles estão mais bem preparados e atualizados do que os nossos.

Temos, agora, de ter ouvidos para escutar. Para quem trabalha no futebol, o Corinthians não é maior do que o Liverpool. E obrigatoriamente quem quiser ter sucesso na carreira pode almejar, sem ofender ninguém, trabalhar num dos maiores clubes do mundo atualmente.

Vítor Pereira nega ter problemas com Róger Guedes e explica ausência do atacante: 'Dificuldade nos treinos'

O primeiro passo para mudar a realidade do futebol brasileiro é aceitar o patamar em que ele se encontra. A presença de treinadores do exterior no país se dá por eles perceberem que há uma oportunidade de treinar equipes de ponta, conhecer mais de perto a realidade do maior exportador de pé-de-obra do mundo e, claro, ganhar bastante dinheiro. Mas ficar no dia a dia do futebol brasileiro requer muita renúncia e muito esforço. Tanto que Jorge Jesus não quis ficar, assim como Jorge Sampaoli saiu na primeira oportunidade mais concreta de ir para a Europa.

O Brasil é uma escola para os treinadores de fora, e temos de aproveitar para aprender bastante com esses professores como mudar a nossa realidade. Não é errado querer treinar os maiores da Europa. Qualquer jogador brasileiro deseja jogar lá fora, por que um treinador não iria querer o mesmo? Para terminar, vale a reflexão. Se Vítor Pereira fosse treinador do basquete do Corinthians, ele estaria errado em dizer que desejaria treinar o Los Angeles Lakers?

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Flamengo mostra como a política pode ruir qualquer projeto de um clube

Erich Beting
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O Flamengo garantiu na terça-feira (17), com relativa tranquilidade, uma vaga nas oitavas de final da Conmebol Libertadores. Dois dias depois, o clima dentro da Gávea é caótico. Uma queda de braço entre o goleiro Diego Alves e o treinador Paulo Sousa tirou qualquer harmonia dentro do Rubro-Negro, e hoje o foco está em tudo que é lugar, menos no que realmente importa, que é o campo.

Essa bagunça toda acontece meses depois de o Flamengo se tornar o primeiro clube do Brasil a faturar R$ 1 bilhão numa temporada. Como pode uma entidade que consegue gerar tanto dinheiro assim estar, internamente, uma bagunça?

O Flamengo escancara um problema que mina qualquer projeto de longo prazo dentro do futebol brasileiro. As interferências políticas, quase sempre, levam a gestão para um caminho de descontrole em questão de tempo, e sem desempenho esportivo, entramos num espiral de mudanças constantes que fazem com que o campo e, consequentemente, o torcedor, sofram bastante.

Hoje existem dois erros conceituais dentro do Flamengo.


         
     

O primeiro, crônico, o de que só porque o time tem dinheiro ele sempre vai ter de ser campeão do que for disputar. Esse é um trabalho de comunicação que precisa ser feito na Gávea para limpar essa pressão de jogadores, dirigentes e torcedores. O clube tem sempre de competir entre os melhores. Ganhar é consequência de um ambiente relativamente tranquilo e de estar em melhor momento na hora decisiva. Tudo isso, porém, demanda planejamento.

O segundo envolve a direção do clube, que se pauta pela política, em vez do negócio. Uma mostra disso veio recentemente, quando os sócios-torcedores de fora do Rio de Janeiro foram praticamente impedidos de interferir na vida política do clube.

Enquanto se pautar pela manutenção de status e indicação política para cargos-chaves do clube, o Flamengo ficará extremamente dependente da política para prosperar. Ou do resultado esportivo para aliviar a pressão do caldeirão político. Um dos maiores segredos de clubes associativos na Europa foi de isolar a política de dirigentes eleitos da gestão de dia a dia. Recentemente, Palmeiras e Grêmio conseguiram atingir esse status. Prova de que não é isso que, necessariamente, trará desempenho esportivo. Mas que ajuda, sem dúvida ajuda...

Paulo Sousa ao lado de Marcos Braz, Rodolfo Landim e Bruno Spindel
Paulo Sousa ao lado de Marcos Braz, Rodolfo Landim e Bruno Spindel Twitter Oficial do Flamengo

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Clubes finalmente entenderam que, sem liga, todos perdem

Erich Beting
Erich Beting
John Textor no Estádio Nilton Santos
John Textor no Estádio Nilton Santos Vítor Silva/Botafogo FR

A divisão em dois grupos na discussão da formação de uma liga de clubes do Brasil parece que vai acabar com um final feliz. Parece porque nunca é fácil prever o que acontecerá dentro da cabeça dos dirigentes do futebol do país.

Mas as conversas dos mandatários dos clubes encaminham para, finalmente, entrarmos num consenso. Agora, o grupo dos clubes que ainda não aderiram à Libra decidiu levar para a mesa de interlocução duas consultorias contratadas com o objetivo de analisar o negócio proposto pelo grupo que conta com dez clubes.

É um movimento que pode dar novo rumo ao debate, deixando de lado a subjetividade do peso político dos clubes e de seus dirigentes e seguindo para o caminho de observar qual o melhor negócio para todos.

Essa é a mudança de conceito que precisava acontecer. Em vez de sermos guiados pela política, temos de dirigir a criação da liga pelo negócio. Os clubes entenderam que, sem uma liga, todos perdem. O negócio fica menor, a disparidade fica maior, e o futebol perde.

Agora chegou a hora que o debate precisa mudar de lugar. Tem de sair do campo de quem vai aderir a liga para como será dividida a verba da liga. Enquanto isso não acontecer, o futebol só vai perder. E a possibilidade de se ter um investidor para o projeto fica ainda mais distante. Nesta semana, a mídia mexicana noticiou o interesse de um grupo investidor em pagar US$ 1,25 bilhão por parte da Liga MX. Sem uma liga, isso nunca seria possível...

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Racha de clubes e Lei do Mandante podem deixar cenário devastador no futebol

Erich Beting
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Diego Costa posa com a taça do Brasileirão conquistada pelo Atlético-MG
Diego Costa posa com a taça do Brasileirão conquistada pelo Atlético-MG Pedro Souza/Atlético-MG

O racha deflagrado entre os clubes das Séries A e B do Brasileirão, exemplificado pela divisão em dois grupos distintos que discutem a fundação de uma Liga de Clubes, pode gerar um efeito devastador para o futebol no médio prazo.

O cenário de ruptura entre as entidades, somada à mudança recente de legislação, com a entrada da Lei do Mandante, pode levar a um cenário em que os dirigentes ficarão cada vez mais separados em grupos, em vez de se unirem para constituir uma única liga.

Sim, ainda é um cenário hipotético. Mas, por enquanto, ele aparece como o mais factível. De um lado ficarão os fundadores da Libra. Do outro, os clubes do Forte Futebol e outros que eventualmente queiram fazer frente.

Todos com seus argumentos para pender para um ou outro lado, mas com uma coisa em comum: nenhuma necessidade de reduzir a pedida e se chegar a um acordo. Por que isso acontece?

A sensação de que a Lei do Mandante dá poder ao time para negociar pelo menos 50% dos seus jogos, quando antes ele tinha de obrigatoriamente conversar com o adversário para ter um acordo para a transmissão da partida, faz com que o dirigente siga “peitando o sistema” até o final.

Só que essa situação já se provou um desastre na Itália e na Espanha, países em que a concentração de receita de mídia em pouquíssimos clubes gerou um desequilíbrio esportivo enorme que ainda tem suas consequências.

Na Itália, com uma legislação que permitia a “Lei do Mandante”, Inter, Juventus e Milan negociavam junto com outros 11 clubes os direitos de mídia do Italiano. Do outro lado, ficavam seis clubes que vendiam sua cota para outras TVs. O resultado? O trio de grandes, que liderava as negociações, ficavam com 75% da receita de mídia. E o restante que lutasse por uma parte dos direitos. Isso só foi acabar com a instituição da venda unificada de direitos, após os clubes quebrarem pela falta de receita.

Na Espanha, o modelo era similar ao atual no Brasileirão. Os clubes vendiam por conta própria os direitos, sem aglutinar em grupos e com direito apenas sobre os jogos em que era o mandante. Assim, Barcelona e Real Madrid tinham 80% do valor de mídia. O restante? Que lutasse.

Isso durou até o Sevilla decidir promover um boicote e proibir transmissão de seus jogos. Em um ano em que o Barcelona foi campeão, o jogo decisivo não foi mostrado por nenhuma emissora, porque o Sevilla se recusou a liberar a transmissão da partida, acusando o sistema de prejudicar os menores, por mais performance esportiva que ele tivesse.

O caso foi a gota d’água para o governo intervir e exigir da LaLiga uma negociação coletiva de direitos. Desde então, os espanhóis ganham muito mais da venda de direitos de mídia, inclusive Barcelona e Real. Ao mesmo tempo, a distância dos mais ricos para os menos ricos ficou cada vez menor. Se a proporção era de 1 para 18, hoje está em 1 para 3,5 vezes o valor recebido.

Por aqui, a Lei do Mandante é usada como argumento vitorioso dos clubes do Forte Futebol para “peitar o sistema”. Como fizeram o “Clube dos 6” da Itália ou o Sevilla lá atrás. O resultado dessa desunião foi a desvalorização constante dos direitos de mídia e o enfraquecimento dos clubes e do futebol como um todo.

A Lei do Mandante não dá mais poder aos clubes. Ela permite ainda mais desunião e a falsa sensação de poder. É esse o maior risco do futuro do futebol brasileiro nesse instante. Em breve, será preciso o governo intervir mais uma vez para consertar o erro cometido em junho de 2020, ao fazer a medida provisória que resultou na Lei do Mandante.

Mundialmente está comprovado que somente a venda coletiva de direitos é eficiente para aumentar a arrecadação dos clubes e evitar um desequilíbrio esportivo. Tanto dos grandes quanto dos pequenos. Se o cenário é ruim hoje, poderá ficar muito pior num futuro próximo. E não será por falta de aviso.

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Libra, o sugestivo nome para a Liga de Clubes

Erich Beting
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Clubes tentam uma inédita união para fundar a liga que organizaria o Brasileirão
Clubes tentam uma inédita união para fundar a liga que organizaria o Brasileirão Lucas Figueiredo/CBF

Os principais clubes do Brasil se reúnem na manhã desta terça-feira (03), em São Paulo, para aprovar a criação da Libra, empresa que será responsável pela gestão da liga de clubes que, por sua vez, seria responsável pela organização do Campeonato Brasileiro da Série A a partir de 2025.

A condicional é importante para entender todo o contexto. Por mais que a liga seja fundada nesta terça-feira, ela não necessariamente significa de fato ser a entidade responsável pelo Brasileirão. Hoje, 15 anos depois da união histórica dos clubes de basquete para dar origem à Liga Nacional de Basquete, organizadora do NBB, o futebol brasileiro tenta dar o passo mais concreto em direção a uma unidade.

O nome de Libra dado para a liga pressupõe uma tentativa de unir os dois grupos que hoje estão separados no debate sobre o projeto. O signo de libra, representado pela balança da Justiça, tenta mostrar que há uma ponderação dentro da entidade que está prestes a nascer.

É exatamente esse sentimento de que sempre há uma divisão desigual de receitas entre os clubes que rachou de vez os 20 times da Série A, hoje separados basicamente em dois grupos.

Um deles, que passou a ser chamado de “Clube dos 6”, foi quem marcou a reunião para a fundação da Libra. Ele é formado por Flamengo e os cinco times paulistas na Série A: Corinthians, Palmeiras, Red Bull Bragantino, Santos e São Paulo.

O outro é o Forte Futebol, movimento criado no ano passado reunindo dez equipes: América-MG, Athletico-PR, Atlético-GO, Avaí, Ceará, Coritiba, Cuiabá, Fortaleza, Goiás e Juventude. Nos últimos meses eles ganharam a companhia de Atlético-MG e Fluminense. O clube mineiro, inclusive, tomou a dianteira nas interlocuções com o Clube dos 6 para tentar um acordo que viabilize a criação da liga.

A simbologia da Libra, no fim das contas, é a mostra de como o assunto ainda vai render. A criação da empresa, que seria uma Sociedade Anônima fechada, é uma tentativa de mostrar que haverá equilíbrio na gestão da liga, algo que já era dado como improvável desde o ano passado, quando os clubes começaram a debater quanto cada um ganharia numa possível venda de parte da liga para um investidor.

É isso mesmo. Antes mesmo de existir a empresa e o produto, os clubes tinham rachado na divisão de um dinheiro em potencial, que ainda não apareceu e não há até agora garantia de que aparecerá. Libra é um nome sugestivo. O problema é saber se existe alguma cabeça pensante no futebol brasileiro que realmente entenda que o bolo só ficará maior se as fatias forem repartidas da forma mais justa possível. 

 O nome pode ser um acerto de marketing. Mas, na prática, a teoria é outra...

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Libra, o sugestivo nome para a Liga de Clubes

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Conmebol precisa definir o que espera da Libertadores

Erich Beting
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Rony, do Palmeiras, comemorando gol sobre o Emelec, no Equador, pela fase de grupos da Conmebol Libertadores 2022
Rony, do Palmeiras, comemorando gol sobre o Emelec, no Equador, pela fase de grupos da Conmebol Libertadores 2022 Cesar Greco/S.E. Palmeiras

O debate rolou na noite de quinta-feira (28), depois da rodada da Copa Libertadores, dentro do Linha de Passe. O "gramado" onde o Flamengo ganhou da Universidad Católica estava abaixo da crítica. Da mesma forma, diversos outros campos da Libertadores têm ficado abaixo do padrão que o torneio já adquiriu.

Nos últimos anos, a Conmebol tem investido bastante para dar uma nova cara à Libertadores. Começou com a criação de um padrão para as transmissões, evoluiu com ações de marketing e de ativação de patrocínio para além do campo de jogo e atingiu um novo patamar com uma série de produção de conteúdo a partir deste ano.

O crescimento da Libertadores, hoje, parece ter chegado ao teto. Não por falta de ideias ou de recursos, mas pelo desnível que existe entre os clubes que disputam a competição.


         
    

Há algumas décadas, a UEFA começou a nivelar por cima a Champions League criando uma série de pré-requisitos para os clubes terem licença para jogar a competição. Assim, padronizou o principal: a qualidade do campo de jogo. A criação da categorização dos estádios europeus tem um peso fundamental nisso.

Foi a partir dela que a Champions foi se tornando cada vez mais sinônimo de evento de primeira grandeza no futebol mundial.

Hoje, a Conmebol encontra-se no estágio da UEFA de 20 anos atrás. O produto Libertadores já está bem posicionando no mercado. É hora de promover um ajuste fino.  Isso começa, necessariamente, pela qualidade do campo de jogo. 

É o momento de a Conmebol definir o que ela quer para a Libertadores.

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Abel Braga é vítima do próprio sistema que ajudou a criar

Erich Beting
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Abel Braga não resistiu a mais um resultado abaixo do esperado no Fluminense. A demissão do treinador, que vinha sendo desenhada desde o início do Campeonato Brasileiro, há longínquas três semanas, nada mais é do que o reflexo de um sistema que o próprio Abelão ajudou a criar.

Há algumas semanas, quando ainda estava empregado e feliz com a conquista do Campeonato Carioca pelo Fluminense, Abel agiu de forma completamente deselegante ao comentar um resultado ruim do Flamengo. O desrespeito ao rival e aos que trabalham no clube pode até ser uma resposta que estava entalada na garganta de Abelão desde a demissão do Rubro-Negro em 2019 para a chegada de Jorge Jesus. Mas nada justifica.

Técnico que há mais tempo está em atividade na Série A do Brasileirão, Abel é mais uma vítima do sistema. Mas um sistema que ele mesmo fez questão de mostrar que não só faz parte, como é um legítimo representante.

Menos de duas semanas depois de desdenhar do Flamengo, Abel entra na lista de treinadores disponíveis no mercado. Já declarou que não pretende continuar atuando no Brasil, que cada vez mais tem fechado as portas para treinadores das antigas.


         
     

Os sucessos seguidos de Jorge Sampaoli, Jorge Jesus e Abel Ferreira fez com que o sistema virasse os olhos para um novo componente. A invasão estrangeira de treinadores é um reflexo de uma cartolagem acostumada a andar em bando.

Se, antes, Abel, Felipão e Luxemburgo eram as soluções para o dirigente se defender de qualquer crítica pela escolha de treinadores, agora o escudo é o estrangeiro.

A revolta de Abelão a algo que antes era seu anteparo é mais uma mostra de que o sistema é bruto. Não serão os treinadores estrangeiros que vão mudar isso. É preciso uma reeducação de todos nós que trabalhamos com futebol.

Sair atirando, ou desrespeitando os colegas de trabalho e times concorrentes, é só agir da mesma forma como se foi tratado.

A demissão de Abel Braga era questão de tempo. E o próprio treinador sabia disso ao assinar contrato com o Fluminense. Todo profissional que trabalha no Brasil sabe disso.

BR futebol copa sul-americana abel braga fluminense flamengo 251017
BR futebol copa sul-americana abel braga fluminense flamengo 251017 MAURO PIMENTEL/AFP/Getty Images
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Mais do que silêncio, futebol precisa de ação contra a violência

Erich Beting
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O Corinthians entrou mudo e saiu calado da acachapante derrota por 3 a 0 para oPalmeiras neste sábado (23). O silêncio imposto pelo clube, que desde a sexta-feira (22) parou de se manifestar nas redes sociais, em seu site e por meio da imprensa, faz parte de um protesto corintiano contra a violência dos torcedores sobre os atletas alvinegros.

O silêncio corintiano vai resolver? Sinceramente, em meio a um dérbi, em que o time sai derrotado por 3 a 0 sem esboçar qualquer chance de superar o Palmeiras, o silêncio parece muito mais uma boa saída do que propriamente uma estratégia brilhante de comunicação.

O futebol precisa de ação contra a violência.


         
     

Identificar maus torcedores, afastá-los do ambiente do clube e, acima de tudo, trabalhar em conjunto com o poder público para criminalizar a violência entre torcedores e sobre atletas, dirigentes e funcionários de times de futebol são algumas das medidas óbvias que precisam ser tomadas desde 1992, quando o primeiro torcedor morreu vítima de uma briga de torcidas num estádio brasileiro.

Estamos há 30 anos fazendo um jogo de esconde-esconde com a violência no futebol. Afastamos os torcedores dos estádios para dizer que não há brigas. Enclausuramos as arquibancadas com uma única torcida com medo do confronto entre quem pensa diferente. E o que resolveu desde então?

O futebol é um ambiente que cultiva a violência. Com ações beligerantes entre atletas, dirigentes, na imprensa. Quantos comentários definitivos veremos sobre Vitor Pereira e o Corinthians após os 3 a 0 deste sábado? De que forma criaremos, na cabeça do torcedor, um ambiente saudável se detonamos atletas e treinadores a cada resultado ruim?

Não adianta silenciar-se como forma de protestar. É preciso ser contundente em resolver o problema. O torcedor hostil não é o único violento no ambiente do futebol. O dirigente, o atleta, o treinador, o jornalista... Todos somos responsáveis por criar um clima de guerra onde deveria ser de diversão.

Damos ao resultado do jogo de futebol uma importância maior do que ao ambiente do esporte. Em vez de cultivarmos o bom jogo, as boas práticas, a amizade dentro desse ecossistema, incentivamos o jogo do tudo ou nada. Do bom ou ruim. Do bestial ou da besta.

Ficar em silêncio não vai resolver o problema da violência. Precisamos de ação. Começando por uma grande estratégia de comunicação que transforme o futebol em algo muito maior. Ele não pode ser resumido ao resultado de um jogo, mas transformado num espetáculo em que podemos ganhar, perder ou empatar. Para começar a fazer isso, não dá para ficar calado. É preciso arregaçar as mangas e trabalhar. 

Cássio durante jogo entre Corinthians e Atlético-MG, pelo Brasileirão
Cássio durante jogo entre Corinthians e Atlético-MG, pelo Brasileirão Rodrigo Coca/Ag Corinthians
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Piqué precisa definir em qual lado do jogo está: homem de negócios ou jogador?

Erich Beting
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A revelação de áudios de Gerard Piqué negociando comissões e locais de jogos de clubes espanhóis nos últimos anos caiu como uma bomba no mercado da Espanha. Sócio mais midiático da agência de marketing esportivo Kosmos, Piqué já é, há alguns anos, não apenas zagueiro do Barcelona e da Espanha, mas um respeitável homem de negócios do ramo do entretenimento em seu país.

Foi o zagueiro quem aproximou a Rakuten do Barcelona lá atrás. É da Kosmos os direitos comerciais da Copa Davis de tênis. A agência é produtora de diversos documentários esportivos no mundo. E, ainda, é quem também comercializa a Supercopa da Espanha em parceria com a Real Federação Espanhola de Futebol.

Piqué é zagueiro do Barcelona e dono da agência de marketing esportivo Kosmos
Piqué é zagueiro do Barcelona e dono da agência de marketing esportivo Kosmos Getty

Não haveria qualquer problema em tudo isso não fosse o fato de que Piqué ainda é zagueiro do Barcelona. Ele negociou o local para realização da Supercopa da Espanha com o Real Madrid como dono da Kosmos, mas será que o chip de zagueiro do Barcelona foi deixado de lado nessa hora?

Não há absolutamente nada de errado em existir a Kosmos e em a agência crescer no mercado e ganhar clientes. Mas o grande problema é quando seu sócio precisa entrar em campo e distribuir o jogo das negociações.

Não parece que Piqué esteja sendo desonesto em todo esse negócio. Até porque ele desde sempre foi claro ao anunciar a criação da agência e em ser um sócio ativo dentro da empresa. O problema é que, num mundo tão passional quanto o do futebol, qualquer áudio vazado pode virar uma crise inexplicável. Ou com difíceis argumentos favoráveis ao zagueiro...

Piqué precisa definir em qual lado do jogo ele está. É no do zagueiro que ainda lidera um Barcelona em reconstrução? Ou é o executivo de negócios que costuma pensar alto e executar grandes projetos?

Golaço de Borré, dois de Kostic e pintura de Busquets: veja como foi a vitória do Eintracht Frakfurt sobre o Barcelona na Europa League


O pós-carreira do zagueirão espanhol está mais do que bem definido. Ele talvez seja um dos primeiros jogadores de futebol que já começou a construir, ainda no auge da forma física, o que faria ao se aposentar.

O problema é que, com o negócio da Kosmos cada vez mais solidificado, especialmente no mercado espanhol, o questionamento sobre o limite de atuação de Piqué ficará cada vez maior. Não basta ser honesto, mas é preciso mostrar que se é honesto. 

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Quem é o dono? 'Briga das placas' escancara como Brasileirão precisa ser muito mais organizado

Erich Beting
Erich Beting

A briga entre clubes e Sport Promotion pela venda de placas de publicidade do Campeonato Brasileiro ganhou novos contornos com a entrada da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) na história. Um ofício enviado pela CBF e revelado nessa quinta-feira (14) pela Máquina do Esporte mostra que a entidade decidiu se precaver de ser processada numa eventual disputa dos clubes com a agência.

E, ao fazer isso, a CBF simplesmente disse que ela é a verdadeira detentora dos direitos de vender as placas de publicidade ao redor do gramado na principal disputa nacional de agremiações. Seria cômico, não fosse trágico, todo o enrosco envolvendo essa disputa.

O Brasileirão é o principal produto do futebol brasileiro. Único campeonato disputado durante oito meses do ano todas as semanas, é o maior torneio do país. Não por acaso, os direitos de transmissão do torneio são os mais valiosos da América do Sul. Mas o potencial comercial da competição, hoje, é sufocado pelos clubes e pela CBF.

Brasileirão: Com Atlético-MG e Palmeiras à frente do Flamengo, equipe da ESPN aponta quem pode surpreender os favoritos


         
     

Quem é o 'dono' do Brasileirão? O naming right do torneio foi vendido pela CBF para o Assaí. As placas de publicidade estão hoje sendo comercializadas em três frentes: Sport Promotion, a recém-criada Brax e, isolado nessa história, o Botafogo, que rompeu todos os acordos comerciais e decidiu fazer uma gestão própria das placas. Os direitos de mídia são vendidos individualmente pelos clubes e, agora, com a Lei do Mandante em vigor, eles só podem comercializar as partidas que fazem dentro de casa.

Só que no meio dessa briga, a CBF interfere e diz que é ela quem detém os direitos de venda do torneio. Ora, ao fazer isso, a entidade puxa para si uma responsabilidade que não assume de fato. A CBF diz que é ela quem tem o direito de vender as placas, mas ela terceirizou isso, de forma mambembe, num contrato com alguns clubes junto com a Sport Promotion.

O Brasileirão, hoje, é um catado de direitos fatiados entre diversas empresas e clubes. Enquanto isso, a Copa do Brasil deita e rola com patrocínios milionários e um contrato de TV polpudo, que permite aos clubes receberem uma premiação enorme. O modelo da competição é muito parecido com aquele que a Uefa aplica na Champions League. Tudo centralizado na entidade, que repassa aos clubes valores milionários, ajudando-os a terem cada vez mais recursos financeiros.

Está na hora de alguém assumir para si a responsabilidade de ser o 'dono' do Campeonato Brasileiro. Tanto faz se forem os clubes ou a CBF. Só precisa ser alguém que esteja comprometido em transformar o principal torneio de futebol do 'país do futebol' num produto que justifique seu tamanho. 

 O Brasileirão não precisa necessariamente de uma liga - embora possa ser tocado por uma. O que ele precisa mesmo é de organização. 

Estreia do Botafogo no Campeonato Brasileiro
Estreia do Botafogo no Campeonato Brasileiro Vítor Silva / Botafogo

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Brasileirão estreia com guerra de bastidores por causa de placas de publicidade

Erich Beting
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Botafogo foi o único clube sem qualquer agência para vender publicidade ao redor do campo na estreia do Brasileirão
Botafogo foi o único clube sem qualquer agência para vender publicidade ao redor do campo na estreia do Brasileirão Rodrigo Coca/Ag Corinthians


A primeira rodada do Campeonato Brasileiro da Série A foi marcada por uma guerra nos bastidores entre duas agências de marketing esportivo que impactaram diretamente nas placas de publicidade estática que apareceram em volta dos gramados dos estádios onde aconteceram 9 dos 10 jogos da abertura do Brasileirão.

Na noite da última quinta-feira (7), a agência Sportpromotion, que até 2021 tinha acordo com 19 dos 20 clubes que disputam a Série A (só o Athletico Paranaense não estava fechado com ela), conseguiu uma liminar suspendendo um acerto de 11 clubes com a recém-criada agência Brax.

No dia 31 de março, América-MG, Atlético-GO, Atlético-MG, Avaí, Ceará, Coritiba, Cuiabá, Fortaleza, Fluminense, Goiás e Juventude notificaram a Sportpromotion de que iriam romper o acordo firmado com a agência e assinar com a Brax, fruto da fusão de três outras empresas especializadas em placas de publicidade estática: Esportecom, Market Sport e Printac.

Depois de pagarem a multa rescisória do contrato, no dia 2 de abril os clubes oficializaram o acordo com a nova parceira. Foi então que a Sportpromotion acionou a Justiça, alegando que tinha sido prejudicada pela pandemia nos dois anos anteriores e, mesmo assim, tinha honrado todos os pagamentos aos clubes. Agora, quando iria faturar mais com a venda das placas de publicidade, a Sportpromotion foi surpreendida com a rescisão do contrato. A juíza deu uma primeira liminar com ganho de causa à agência, iniciando uma guerra jurídica entre clubes e agência.

Sem terem tido sucesso na sexta-feira em cassar a liminar, os clubes entraram no sábado trabalhando para manter o novo parceiro na ativa. Isso fez com que, nos nove jogos que aconteceram no final de semana, quatro tivessem placas dos anunciantes da Sportpromotion, outros quatro estivessem com os patrocínios da Brax e apenas um time tivesse uma propaganda própria.

Dos times que haviam rompido com a Sportpromotion, apenas Fluminense e Fortaleza cumpriram a decisão judicial de manter o antigo parceiro como dono dos espaços. Atlético-GO, Atlético-MG, Avaí e Coritiba conseguiram fazer valer o novo acordo, e estamparam as marcas da Brax nas placas de publicidade.

O único clube que não terá vínculo com nenhuma das duas empresas até agora é o Botafogo. Recém-comprado pelo americano John Textor, o Botafogo rompeu todos os acordos comerciais e foi em busca de novos parceiros. As placas de publicidade na derrota para o Corinthians tinham apenas propaganda de produtos do clube.

A novela, porém, deve continuar nas próximas partidas. Até agora, no primeiro fim de semana do Brasileirão, deu empate. Na segunda-feira, o Juventude recebe o Red Bull Bragantino para fechar a primeira rodada. Teoricamente, o clube gaúcho assinou com a Brax, mas estaria impedido de colocar as propagandas da nova agência pela liminar da Sportpromotion. O Brasileirão de 2022, ao que tudo indica, seguirá com um longo duelo ao redor do gramado.

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