Palmeiras e Corinthians fizeram um jogo de encher os olhos de quem gosta de tática: vamos desfrutar!

Erich Beting

Palmeiras derruba Corinthians com Danilo decisivo e segue com campanha absurda no Paulistão; VEJA os gols


Palmeiras e Corinthians fizeram um jogo de encher os olhos de quem gosta de tática no futebol. Um primeiro tempo de absoluto domínio alviverde, uma segunda etapa um pouco mais equilibrada, mas que terminou com a vitória palmeirense para delírio de um Allianz Parque lotado e, infelizmente, com torcida única.

Para além das questões de arbitragem, o que mais foi interessante de se notar na partida foi a mudança de patamar que o jogo teve por conta, muito provavelmente, da área técnica dos dois clubes. O derby da noite de quinta-feira (17) foi o primeiro da história com dois treinadores portugueses comandando os times.

E, se tem uma coisa que Abel Ferreira e Vítor Pereira fizeram, foi lançar suas equipes para tentar a vitória, sem receio de perder o clássico e serem cobrados por torcida, imprensa e dirigentes.

E isso tem um peso enorme para nós, espectadores. O jogo fica mais emocionante, com mais lances de perigo, com mais atratividade para acompanharmos. Será que com treinadores consagrados brasileiros teríamos tido a mesma “audácia” dentro de campo?

A régua de exigência dos clubes brasileiros está maior. Os sucessos de Jesus, Sampaoli, Abel e Vojvoda nos últimos anos impulsionaram os clubes a saírem em busca de treinadores que possam trazer alguma novidade para seus jogadores.

E isso passa, necessariamente, por abandonar a velha guarda dos técnicos brasileiros, que construíram suas carreiras de sucesso dentro de um modelo que começa a ficar ultrapassado. Não existe uma regra definitiva para isso, mas está claro que os sucessos de portugueses, argentinos e treinadores de outras origens no futebol brasileiro revelam que estávamos ficando para trás em campo por faltar novidade na gestão do grupo.

Zé Rafael (esq), do Palmeiras, e Paulinho, do Corinthians, disputam jogada
Zé Rafael (esq), do Palmeiras, e Paulinho, do Corinthians, disputam jogada Cesar Greco/Ag Palmeiras

O que esperar desse momento? Prefiro recorrer a uma expressão usada por Abel Ferreira para seus jogadores e torcedores palmeirenses: "Vamos desfrutar".

O futebol brasileiro, enfim, está buscando novos ares e outras formas de se atuar dentro de campo. O eletrizante Palmeiras 2x1 Corinthians do Paulistão foi um exemplo de como poderemos evoluir por conta de novos treinadores, com novas ideias e, fundamentalmente, contando com o respeito dos atletas. Parece que finalmente começamos a nos livrar do luto dos 7 a 1 e estamos arejando a cabeça dentro do ambiente do futebol. Vamos desfrutar. E, claro, aprender a fazer diferente.

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Quem vai se safar da SAF?

Erich Beting

Ronaldo e XP Investimentos, mais uma vez, colocaram o Cruzeiro contra a parede. A primeira vez tinha sido lá em dezembro de 2021, quando a presença do Fenômeno na Sociedade Anônima do Futebol (SAF) ainda era segredo. Na ocasião, Pedro Mesquita, da XP, disse que somente naquelas condições determinadas pela empresa que um comprador aceitaria colocar dinheiro para chamar o Cruzeiro de seu.

Agora, passados três meses do “Cruzeiro Fenomenal”, é a vez de Ronaldo exigir transferir para a SAF a propriedade dos dois CTs cruzeirenses, que sempre foram referência na formação de jogadores no Brasil. O argumento usado por XP e pelo Fenômeno é técnico. Se a SAF não assumir os terrenos, corre-se o risco de eles serem penhorados pelas dívidas do clube, e esse risco é grande demais para correr.

Claro que existe um risco de penhora do terreno. Mas, tirando clubes completamente falidos e sem qualquer popularidade, qual terreno foi confiscado e perdido até hoje no Brasil? A Portuguesa está aí como exemplo de como é difícil a penhora ser executada, por mais falido que o clube esteja, desde que ele tenha o mínimo de história para contar dentro do futebol.

O problema é que a forma como a Mesa Diretora do Conselho Deliberativo do Cruzeiro reagiu às novas exigências de Ronaldo mostra como o clube está entregue às traças. Sem qualquer responsabilidade, os conselheiros expuseram os detalhes do acordo do Fenômeno com o clube e, mais ainda, muito possivelmente fizeram uma interpretação errada do que significa o investimento a ser feito no clube.

Até agora, Ronaldo já colocou dinheiro do próprio bolso no Cruzeiro. Sanou dívidas esportivas de curto prazo que comprometeriam o andamento do projeto. É uma grana que o Cruzeiro não teria e que precisou aceitar que fosse investida para tentar reordenar a bagunça dentro da casa celeste.


Ronaldo explica por que teve dificuldade em novo pedido ao Cruzeiro


         
     

Agora, porém, as exigências do Fenômeno são maiores. E podem comprometer o longo prazo do clube numa vida sem investidores. E é exatamente esse ponto que deveria estar em discussão. O que o Cruzeiro quer com a SAF? Para a torcida, o destino é claro. Tirar o clube da mão de dirigentes despreparados, para dizer o mínimo, na esperança de que isso devolverá a competitividade em campo.

A questão é. Qual o custo para isso? Mais do que valores investidos ou promessas de performance, o que os clubes precisam entender é o que eles desejam ao ter o futebol, sua maior fonte de arrecadação, transformado em empresa. O segundo passo para se observar é o que o investidor espera do clube. Entregar o controle a alguém pressupõe ter o mínimo de interesse mútuo em comum.

Hoje, comprar um clube como o Cruzeiro, por mais dívidas que existam, é um excelente caminho para se apoderar de um dos principais formadores de atletas do Brasil a custo praticamente zero. Quanto rende a venda de jogadores hoje? Quanto ela pode render dentro de uma entidade bem gerenciada?

Ronaldo, o novo acionista, e Sergio Rodrigues, presidente do Cruzeiro
Ronaldo, o novo acionista, e Sergio Rodrigues, presidente do Cruzeiro XP Investimentos/Divulgação

Está claro que o Cruzeiro, por pernas próprias, não conseguirá atingir um nível de organização e gerenciamento que lhes permita ser dono do próprio nariz. Assim como o clube mineiro estão praticamente todos os outros clubes no Brasil.

Essa situação mostra bem o quanto os clubes estão começando a virar reféns das SAFs e, pelo andar da carruagem, não ficará um para contar história depois que o primeiro vendaval de aquisições passar. Mas, do jeito que as coisas caminham, a SAF elevará o nível da gestão do futebol no Brasil, mas isso não significará melhoria de desempenho para todos os clubes. Esse alinhamento de expectativas, principalmente com os torcedores, precisará ser feito. Urgentemente.

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O que a LaLiga tem a ganhar com uma liga no Brasil?

Erich Beting

Os bastidores do futebol brasileiro prometem esquentar nos próximos dias. Na terça-feira (15), o presidente da LaLiga, Javier Tebas, fará um 'bate-volta' em São Paulo para conversar com os presidentes e dirigentes dos principais clubes do país. Na pauta, programada pelo fundo de investimentos XP, estão os potenciais benefícios da criação da famosa Liga de Clubes, que representaria os 40 times das Séries A e B do Brasileirão.

O que Tebas vem fazer aqui é tentar mostrar para os clubes que o melhor caminho para o futebol ser ainda mais lucrativo e atraente para investidores é unindo os clubes comercialmente e deixando que a rivalidade fique restrita ao campo de jogo.

Algo que é óbvio, mas que precisa da apresentação do case da LaLiga para talvez fazer os dirigentes dos clubes entenderem que é mais fácil remar todos juntos dentro de um mesmo barco do que correr cada um para um lado, olhando o próprio umbigo, sem conseguir assim sair do lugar.

Em 2015, Tebas e a LaLiga tiveram um desafio parecido ao que se encontra agora o Brasil. Clubes ganhando muito mais do que os outros em direitos de mídia, falta de competitividade dentro de campo e penúria financeira para quem não era da 'nata'. Troquemos Atlético de Madrid, Barcelona e Real Madrid por Atlético-MG, Flamengo e Palmeiras e a situação não é muito diferente.


         
     

Lá, porém, havia um agravante. Barça e Real recusavam-se a adotar o modelo de venda coletiva de direitos, que era uma obrigação por lei e que precisa vigorar a partir de 2015. Foi uma greve promovida pelo Sevilla, que se recusou a ter os jogos transmitidos na TV, que fez o cenário de venda de direitos de mídia mudar e permitiu que a LaLiga começasse a crescer.

O que Tebas e a liga espanhola têm a ganhar ao fazerem esse movimento de 'ajuda' ao futebol brasileiro? Há quatro anos, o dirigente esteve no Equador, ajudando a projetar a Liga Pro. A liga equatoriana virou quase que uma cópia sul-americana da LaLiga. E um laboratório de testes para a própria entidade espanhola para pensar em inovações e novos caminhos para o seu produto.

No Brasil, com os mercados de futebol e de mídia amplamente estabelecidos, a LaLiga terá um papel mais de coadjuvante nessa conversa. Mas, para a liga espanhola, é importante mostrar-se como uma entidade líder de mercado. Ter um pouco de seu DNA no nascimento da Liga de Clubes no Brasil é uma enorme vantagem competitiva para os espanhóis, ainda mais com a recente compra do fundo de investimentos CVC de parte dos direitos de mídia da LaLiga.

Tebas não se dispôs a vir para um bate-volta em São Paulo só por ser amigo de Ronaldo. Estar com a imagem associada a grandes projetos de outros esportes ou países é parte importante do projeto de fortalecimento da marca da La Liga no exterior. A LaLiga vem para o Brasil fazer marketing. E o futebol brasileiro precisa saber aproveitar o desejo do parceiro para, quem sabe, começar a gerenciar melhor seus produtos. 

Presidente da Liga Espanhola, Javier Tebas, durante encontro promovido pela Europa Press
Presidente da Liga Espanhola, Javier Tebas, durante encontro promovido pela Europa Press Divulgação
 

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Debate sobre SAF do Galo mostra força dada por grupo de 'mecenas'

Erich Beting

O debate sobre a criação de uma Sociedade Anônima de Futebol (SAF) do Atlético-MG mostra como fez bem para o clube a entrada do grupo dos 4R, ajudando a pagar as dívidas de curto prazo, reorganizando a vida financeira atleticana e dando ao Galo fôlego para buscar a proposta financeira mais vantajosa possível para tornar o time ainda mais competitivo no cenário do futebol brasileiro.

Se a SAF tivesse aparecido na vida do Atlético-MG há dois anos, o clube possivelmente teria negociado rapidamente a primeira proposta que chegasse. Agora, com o dia a dia do clube organizado (o que não significa necessariamente lucrativo), fica mais fácil conversar e projetar um futuro melhor.

E esse é um ponto que precisa ser muito bem esclarecido para os torcedores quando debatemos a formatação do clube-empresa.

Rubens Menin, principal mecenas do Atlético-MG
Rubens Menin, principal mecenas do Atlético-MG Bruno Cantini/Atlético

Já virou um perigoso senso comum dizer que a SAF vai solucionar os problemas do futebol brasileiro. Como sempre costumo dizer aqui, mais importante do que virar empresa, um clube precisa se comportar como uma empresa. Ter uma gestão equilibrada, que consiga isolar a interferência política do dia a dia da tomada de decisão e eleve o nível de quem trabalha em setores que estão distantes do campo de jogo.

Tem muito clube-empresa que quebra exatamente por não ter uma gestão ordenada. Existem clubes que funcionam muito bem sendo uma associação cujo segredo é a gestão equilibrada. Os times da Alemanha talvez sejam os melhores exemplos para a convivência salutar de um modelo de clubes que se mantiveram como associações e são viáveis financeiramente.

Na visão do Atlético, a SAF viria não como uma saída para equilibrar o clube. Isso tem sido feito pelos 4R. O investidor ajudaria a capitalizar mais o negócio e, assim, o Galo pode ficar ainda mais forte e vingador. É uma visão diferente daquela que levaram, até agora, Botafogo, Cruzeiro e Vasco a achar um investidor. Em completa penúria financeira, os três clubes têm nos seus novos donos uma espécie de “tábua de salvação”, que não necessariamente se concretizará, mas que dá nova esperança ao torcedor.

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Caso a SAF do Galo vá para a frente, poderemos entrar num novo modelo de negócios de clubes-empresa no Brasil. Os investidores que injetam dinheiro em busca de melhorar o patamar de performance da equipe. Para o Atlético, isso só foi possível depois que os 4R entraram no clube para reequilibrar as finanças, assim como o Palmeiras havia feito na gestão Paulo Nobre e o Flamengo conseguiu com alguns sacrifícios de performance esportiva durante o mandato de Eduardo Bandeira de Mello.

A SAF não é o único caminho para o futebol brasileiro melhorar, até porque os compradores de clube, pelo mundo todo, não são mais bilionários em busca de fama rápida, mas pessoas interessadas em algum retorno, financeiro ou político, com o investimento. Mas o debate em torno da transformação do Atlético em empresa mostra como faz diferença o clube estar minimamente organizado na gestão para ter maior poder sobre o seu futuro.

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Endrick, do Palmeiras, é uma promessa, não um produto

Erich Beting
Endrick comemora gol pelo Palmeiras na Copa São Paulo de Juniores
Endrick comemora gol pelo Palmeiras na Copa São Paulo de Juniores Fabio Menotti/Palmeiras

Notícia desta segunda-feira (7) na Máquina do Esporte traz os detalhes do acordo que o atacante Endrick, do time sub-17 do Palmeiras, fechou com a agência Wolff Sports para cuidar de prospecção de patrocínios para o jovem que vem encantando na base alviverde e foi o grande astro da conquista inédita da Copa São Paulo de Juniores no começo deste ano.

Antes mesmo de ter um contrato como jogador profissional, a grande promessa da base palmeirense assinou um acordo para ter um representante comercial. O primeiro “fruto” da parceria foi o patrocínio recém-apresentado com a empresa Odontocompany. Mas será que haverá outras oportunidades?

Endrick é uma promessa, não um produto. Neymar, com essa mesma idade, não pensava ainda em ter um representante comercial. No mercado americano, só agora atletas da Universidade estão liberados para assinar contratos individuais de patrocínio, depois de anos de batalha.

O atacante palmeirense tem tudo para se tornar um grande ativo para as marcas. Mas no futebol, historicamente, qualquer promessa precisa escalar alguns degraus para se transformar num produto. E, no caso do Brasil, um desses importantes degraus a serem escalados chama-se convocação para a seleção brasileira principal. São raros, para não dizer quase nulos, os casos de jogadores que conseguem virar garoto-propaganda de várias marcas sem depender de performance na seleção brasileira para isso. Neymar talvez tenha sido o último caso do gênero, com contratos fechados ainda no Santos. Mesmo assim, à época ele já era maior de idade e era a grande promessa para a seleção brasileira na Copa do Mundo de 2014, no Brasil.

Como bem disse Abel Ferreira quando Endrick foi pedido no Mundial de Clubes, ele ainda é um garoto que mais do que disputar um campeonato desses, precisava conhecer a Disney com a família. É muito cedo para qualquer marca apostar num menino de 15 anos de idade que não tem contrato profissional.

É assustador pensar que sua família e assessores já acham que existe demanda e, por que não, necessidade de expô-lo a atividades comerciais com essa idade. Um dos segredos do sucesso de grandes ícones do esporte mundial é que eles souberam a hora em que precisavam deixar de serem apenas atletas para se tornarem também um produto. Nenhum deles fez isso antes de sequer estrear no time profissional

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Zebras da Copa do Brasil alertam para calendário saturado do futebol

Erich Beting
Jogadores do Globo-RN, que eliminou o Inter da Copa do Brasil na primeira rodada
Jogadores do Globo-RN, que eliminou o Inter da Copa do Brasil na primeira rodada Facebook - Globo-RN

Bom, antes que os haters já soem as cornetas do apocalipse. Sim, é muito legal ter tanta zebra na primeira rodada da Copa do Brasil. Elas que dão mais graça ao futebol e fazem com que a zoeira never ends. Mas (sempre tem um “mas”) será que essa proliferação de zebras não nos mostra mais alguns dos problemas estruturais do futebol brasileiro?

Não é normal que tantos clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro percam para times de menor expressão. Uma das explicações pode ser a própria mudança do regulamento da Copa do Brasil, que permite ao time “grande” jogar pelo empate na primeira rodada. Como o 0 a 0 não basta, o time da casa vai para cima em busca do gol e, assim, joga para tentar ganhar, não mais para não perder e levar o jogo para os pênaltis.

Mas, para além disso, temos um problema para os chamados times grandes, que é o fato de os jogos da primeira fase da Copa do Brasil estarem no começo da temporada. Ainda estamos com um mês de pós-férias e início dos jogos. É muito pouco. Ainda mais se o time “pequeno” estiver fora de qualquer divisão do Brasileirão.

Enquanto para o grande a primeira rodada da Copa do Brasil representa ainda começo de um trabalho que tem pelo menos mais sete meses pela frente, para o pequeno, que a temporada praticamente fica restrita aos três primeiros meses do ano, o jogo é o popular “tudo ou nada”.

E aí é que entra o ponto. Será que as zebras não são mais um reflexo do nosso calendário capenga? Em que o time grande é sobrecarregado de jogos ao longo de 10 meses do ano, enquanto o pequeno tem de se virar para fazer algo de notável em menos de 3 meses para não correr o risco de só reabrir no começo do próximo ano?

O absurdo do calendário do futebol brasileiro não é a existência dos Estaduais. Mas a incapacidade de termos um equilíbrio na divisão de jogos a serem disputados pelos times que estão nas principais competições do país e daqueles que disputam campeonatos secundários.

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Não existe uma fórmula fechada para o que deve ser implementado. Mas, do jeito que está, é mais do que claro que o calendário precisa ser revisto. Os Estaduais, para os grandes, não podem ser tão grandes. E, para os pequenos, não podem ser tão pequenos. A Copa do Brasil e o Brasileirão não podem ficar esmagados em sete meses, enquanto os Estaduais ocupam 35% do calendário para termos os mesmos times de sempre buscando o título. É muita data desprezível sendo preenchida.

Isso não é bom comercialmente e esportivamente. Os times, quando estão na elite, não conseguem se preparar adequadamente para jogar o ano todo em alto nível. Já os que são menores, têm apenas três meses para projetar a temporada. Não por acaso, os clubes começam a se preparar em outubro/novembro para o campeonato que só começa em fevereiro.

A zebra na Copa do Brasil é divertidíssima. Mas será que ela não é só mais um reflexo de quão desproporcional, para todos, é o calendário do futebol brasileiro? Esqueça os louros de quem passou de fase. Aqueles que foram eliminados na primeira rodada, o que tem a projetar a partir de agora? O futebol saudável é aquele que tenta dar maior equilíbrio, financeiro e técnico, ao maior número de clubes possível. Ter a zebra é muito legal para a história, mas ter muita zebra num mesmo momento do campeonato é sinal de que a coisa não está tão equilibrada assim...

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Sanção à Rússia pode ser novo paradigma para o esporte

Erich Beting

A ofensiva de diversos atletas e entidades esportivas contra a participação de atletas e equipes russas das mais diferentes competições é vista com ressalvas por boa parte do mundo. Sempre alheio e avesso a manifestações politicas, o esporte viveu por décadas numa falsa impressão de isenção quando o assunto é política.

Não por acaso, Fifa, COI, Uefa e diversas outras entidades foram sempre cautelosas ao tratar da questão de afastamento de atletas e equipes russas do esporte. Tanto que até agora não há nenhuma decisão definitiva sobre o banimento dos russos de qualquer competição. São suspensões temporárias, com a expectativa de serem revertidas tão logo a invasão à Ucrânia acabe. 

Se a guerra não acabar tão cedo, aí sim os russos sofrerão as consequências, como mostraram os Jogos Paralímpicos de Inverno, que nesta madrugada (3) excluíram russos e bielorrussos da Paralimpíada um dia antes de ela começar. 

Só que a atitude tomada até agora, primeiro por atletas e federações nacionais e, depois, pelas organizadoras de grandes eventos, mostra que estamos diante de um novo paradigma para o esporte

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A sanção à Rússia pode abrir um precedente histórico ao esporte. O de não ser alheio à política. Em 1980 e 1984, o Comitê Olímpico Internacional cedeu à pressão dos políticos e permitiu o boicote dos Estados Unidos às Olimpíadas de Moscou-1980 e dos soviéticos às de Los Angeles-1984. Foi a partir dali que o esporte colocou-se ao lado da política. Adotou a tática de não se opor a ninguém para seguir seu curso. 

A Copa do Mundo no Catar não deve ser alvo de grandes boicotes, mesmo com a Dinamarca já avisando que fará protestos em favor dos direitos humanos durante a participação no evento. Mas a Fórmula 1 corre sério risco de assistir a uma debandada de pilotos de países como Catar e Arábia Saudita se a lógica usada pelos pilotos agora com a Rússia continuar

É muito mais chocante, para o europeu, conviver com uma guerra no quintal de casa do que no distante Oriente Médio. Mas, se a moda pegar, o futuro será de cada vez mais politização no esporte

Como sociedade, só temos a ganhar com isso. Por pior que seja qualquer sanção ou boicote para o esporte no curto prazo.

Bandeira da Rússia, que teve atletas excluídos das Paralimpíadas de Inverno por conta do conflito com a Ucrânia
Bandeira da Rússia, que teve atletas excluídos das Paralimpíadas de Inverno por conta do conflito com a Ucrânia Fadel Itani/Getty Images

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O corajoso movimento do Schalke 04 contra a Gazprom

Erich Beting
Schalke 04 conta com o patrocínio da Gazprom há mais de dez anos
Schalke 04 conta com o patrocínio da Gazprom há mais de dez anos Divulgação

Na final da Champions League de 2018, em Kiev, na Ucrânia, o repórter da Máquina do Esporte Wagner Giannella fez uma reportagem sobre um problema político que a UEFA teve de resolver às pressas. A entidade havia montado numa das principais regiões turísticas da capital ucraniana o “Champions Festival”, centro de relacionamento para os torcedores sem ingressos que iam à decisão do torneio.

O espaço, porém, causou um incidente diplomático à UEFA. Ucranianos vandalizaram as propagandas da empresa petrolífera russa Gazprom que haviam sido colocadas no local. A entidade agiu rapidamente, retirou a publicidade de lá e fez “desaparecer” a marca da empresa russa de toda a comunicação visual da decisão do campeonato.

Nesta quinta-feira (24), depois de a Rússia voltar a invadir a Ucrânia, o Schalke 04, da Alemanha, anunciou a suspensão da publicidade da Gazprom na sua camisa. Principal patrocinadora do clube que neste ano disputa a Segunda Divisão alemã, a empresa russa paga € 10 milhões ao ano para o Schalke, que receberá € 20 milhões ao ano se retornar à Bundesliga.

Num intervalo de quase quatro anos, a decisão tomada pelo clube alemão mostra ser muito mais ousada que a da UEFA. A entidade europeia só foi reagir depois de ser “atacada” pelo povo que abrigava a final do campeonato. E, mesmo assim, fez essa ação de forma velada, sem muito estardalhaço. Agora, o Schalke se antecipou às críticas. Já anunciou a retirada da marca do patrocinador e disse que, se os conflitos continuarem, poderá romper o acordo.

É um delicado movimento feito pelo clube alemão, que mostra claramente que não há mais espaço para repetir o tolo mantra de que política e esporte não se misturam. O Schalke sabe que seu uniforme é usado para dar credibilidade e popularidade a empresas. Dessa forma, entendeu que não poderia colocar a sua marca em risco ao defender uma empresa que é um dos pivôs da crise Rússia e Ucrânia.

Até agora, os alemães foram os únicos a publicamente tomar uma posição na história. FIFA, UEFA e várias outras entidades seguem pensando que a vida é um jogo de WAR, em que é preciso esperar a sua vez de fazer o movimento. É hora de o esporte se manifestar. O Schalke já largou na frente.

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“Invasão estrangeira” é o novo 7 a 1 do futebol brasileiro

Erich Beting


Técnico Abel Ferreira é um dos astros dos treinadores portugueses no Brasil
Técnico Abel Ferreira é um dos astros dos treinadores portugueses no Brasil Cesar Greco / Palmeiras

O Corinthians está perto de se tornar mais um clube brasileiro a contratar um treinador português para comandar o clube na temporada de 2022. Com a confirmação de Vítor Pereira no comando do Timão, serão três treinadores na Série A do Brasileirão da “Terrinha”, enquanto sete dos 20 comandantes de times são estrangeiros. Se o Botafogo confirmar a chegada de Luís Castro, essa lista aumenta.

A invasão estrangeira de treinadores é o novo 7 a 1 que o futebol brasileiro tem de enfrentar. Nada contra a proliferação da mão-de-obra estrangeira, muito pelo contrário. Ela revela, na verdade, uma tremenda defasagem que existe em nosso mercado, que é o de treinador qualificado para trabalhar dentro dos clubes.

Ou melhor. A generalização é incorreta. Existem profissionais qualificados em nosso mercado, mas os clubes não conseguem colocá-los nos cargos de liderança dos seus times. A geração dos treinadores “das antigas” está ficando para trás, enquanto a nova ordem, condenada muitas vezes por ser teórica demais e com poucos resultados práticos, tem sido atropelada pelos estrangeiros.

Onde está o problema?

Talvez mais importante seja olharmos quais soluções foram adotadas em outros países, especialmente em Portugal, para tentarmos encontrar um caminho e finalmente termos uma renovação de treinadores.

O sucesso dos portugueses no mercado não é só no Brasil. São diversos profissionais espalhados nos mais diferentes rincões do mundo. Tudo reflexo de uma mudança vinda da época de ouro de José Mourinho seguida de um investimento pesado da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) na qualificação de seus treinadores por meio de cursos e criação de licenças para atuar nas diferentes divisões do país.

Em 2003, quando Luis Felipe Scolari foi contratado para ser o treinador da seleção portuguesa, houve um enorme questionamento sobre o porquê de se contratar um estrangeiro para comandar o time nacional. Mourinho, à época, era considerado o grande favorito para assumir a seleção. O sucesso de Felipão, porém, fez com que as críticas sobre o treinador da seleção portuguesa cessassem, mas não impediu a FPF de trabalhar para qualificar os treinadores.

Foi a partir de então que Portugal começou a trabalhar para renovar a qualificação. Um investimento pesado em educação, produção de conteúdo sobre a área técnica e muita, muita exigência de qualificação do profissional que quiser trabalhar como treinador. Além disso, houve muita troca de informação entre profissionais e aspirantes a profissionais.

O resultado veio no longo prazo, e hoje Portugal é um dos maiores exportadores de técnicos de futebol no mundo da bola. E por aqui, como estamos tratando a questão?

A CBF tentou, nos últimos anos, seguir o modelo da UEFA, de implementar graus distintos de qualificação de treinadores. Mas o que a entidade tem feito para realmente mudar o panorama dos técnicos no país? O que, de fato, os profissionais do Brasil têm reciclado de conhecimento? Ter a licença A, B, C ou D no Brasil, ao que tudo indica, é apenas a compra de uma licença para poder ser treinador. Educação é fundamental. Mais do que o diploma.

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A perigosa lua de mel do mercado brasileiro com a SAF

Erich Beting

Desculpe ser desmancha prazeres, mas é preciso colocar um certo freio na euforia que começa a tomar conta do mercado brasileiro pelos anúncios de aquisições, ou pretensões de aquisições, de alguns dos maiores clubes do país por investidores ou fundos de investimentos.

Fui achincalhado aqui no blog e nas redes sociais quando vaticinei que não existiam mais compradores endinheirados para clubes de futebol. O post foi publicado alguns dias antes de Ronaldo ser anunciado como novo dono do Cruzeiro. Foi uma avalanche de críticas para quem só se apegou ao título do artigo dizer que não havia mais compradores de clubes, sem se atentar para que o texto dizia que não haveria um “salvador da pátria” que viesse fazer, no Brasil, o que foi visto no Chelsea, no Manchester City ou no PSG.

Ronaldo, o novo acionista, e Sergio Rodrigues, presidente do Cruzeiro
Ronaldo, o novo acionista, e Sergio Rodrigues, presidente do Cruzeiro XP Investimentos/Divulgação
 

Há alguns dias, foi a vez de o botafoguense me esculachar depois de eu esculachar a maneira como John Textor, o novo dono do clube, tratou os atuais parceiros da equipe e, mais ainda, o time que cuida do marketing do alvinegro atualmente. Textor simplesmente anunciou que rompeu com todos os parceiros, para depois dar entrevista que não era bem assim, que os valores deveriam ser renegociados, que o objetivo era ter só um patrocínio na camisa, etc. 

Agora é a vez de o torcedor do Vasco já propagar, nas redes sociais, que chegou o “Vasco da Grana”, após a notícia de que o fundo de investimentos 777, dono do Genoa, da Itália, chegou a um acordo para ser dono de parte da SAF vascaína. Não me debrucei ainda sobre o projeto para a aquisição do Vasco, mas uma coisa que chama a atenção até agora é o quanto existe, em todos esses anúncios de clubes comprados, muita espuma para pouca onda de fato.

O torcedor brasileiro, cansado de apanhar com gestões temerárias em seus clubes, para dizer o mínimo, vê nas SAFs a saída perfeita para o fim do caos. É, mais ou menos, o caso da pessoa endividada que consegue um empréstimo a juros altíssimos, mas que alivia a conta do curto prazo e depois tenta, literalmente, pagar para ver o problema que vai acontecer.

Existe entre os torcedores a justíssima esperança de que a vida na SAF será melhor que a atual. É correto pensar dessa forma se analisarmos o cenário atual. O problema é que estamos partindo (e incluo nessa conta uma considerável parte da mídia esportiva) de um princípio de que ao virar empresa e ter um dono, um clube resolverá todos os seus problemas e passará a ser um colosso esportivo.

Erramos – e muito – ao analisar o clube-empresa sob a ótica de Chelsea, Manchester City ou PSG. Esses são antiexemplos, de clubes relativamente tradicionais, que estavam quebrados ou sem chances de serem protagonistas e foram comprados por bilionários com projetos megalomaníacos.

SAF Vasco da Gama: Entenda como vai funcionar acordo com a 777 Partners


         
     

Não existe ninguém com esse perfil interessado em clubes brasileiros. Portanto, temos de olhar para os exemplos que pareciam bons em teoria, mas que, na prática, tornaram-se grande fonte de ilusões e frustrações para os torcedores.

O melhor caso atual (e mais parecido com o dos times brasileiros) talvez seja o Arsenal, um clube tão forte e tradicional quanto o Vasco, por exemplo. Veja com o torcedor o que ele pensa sobre Stan Kroenke, dono do clube. É um bilionário americano que possui diversos outros negócios no esporte, entre eles a franquia de futebol americano Los Angeles Rams, que acaba de ser campeã do Super Bowl.

Kroenke decidiu, nos últimos seis anos, apostar em Los Angeles como nova capital do futebol americano. Realocou o Rams na cidade e investiu bilhões na construção de um complexo esportivo que abriga, entre outras coisas, o SoFi Stadium, estádio de US$ 5 bilhões que foi palco do SB LVI. Na última semana, Kroenke foi considerado um visionário no mercado americano. E o torcedor do Arsenal segue querendo vê-lo bem longe do clube que, há vários anos, é lucrativo, mas motivo de chacota dos torcedores rivais pela falta de competitividade esportiva.

A lua-de-mel do botafoguense com John Textor ganhou mais força após a declaração de amor do empresário, que usou a placa de publicidade estática no jogo do Crystal Palace para anunciar o Botafogo. Uma boa “sacada” do americano para afagar o ego do botafoguense, mas uma ação que tem baixíssima (para não dizer nula) efetividade no mercado estrangeiro. O Botafogo é uma marca absolutamente desconhecida e que não tem nenhum produto relevante a ser ofertado atualmente no exterior.

É como a marca de fabricante de celular chinesa Vivo aparecer na publicidade da Copa do Mundo da Rússia no mercado brasileiro. Não teve qualquer impacto para o público daqui, mas tinha sentido na China e outros mercados onde a empresa atuava. A ação de Textor foi legal para o botafoguense. E só.

O ponto é que, até agora, os compradores de Cruzeiro, Botafogo e Vasco são pessoas ou fundos que têm outros clubes e outros negócios no esporte. Com o dólar supervalorizado no mercado brasileiro, é barato comprar e fazer barulho dentro do país.

Mas o que vai acontecer com esses clubes se as outras propriedades se tornarem mais atrativas? Por enquanto, o trio brasileiro é bem mais valioso (ou tem muito mais potencial para ser) do que Valladolid, Crystal Palace e Genoa. Quando qualquer um desses três clubes conseguir uma vaga na Champions League, porém, será que o time brasileiro será matriz ou filial? O Arsenal está aí para mostrar que existe uma perigosa euforia de lua-de-mel do mercado com um investidor bilionário num time de futebol. O dia a dia nunca é tão brilhante como parece. E os torcedores precisam estar atentos a isso. Do contrário, em vez de ser a salvação, a SAF vira um pesadelo. Afinal, num clube-empresa não existe como demitir o dono do negócio. E, ao que tudo indica, teremos no Brasil donos de clubes que têm, no seu time de coração, apenas mais uma oportunidade de negócio entre vários outros.

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A perigosa lua de mel do mercado brasileiro com a SAF

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Crises no começo do ano são injustificáveis

Erich Beting

Logo pela manhã desta segunda-feira (21) abri os sites e redes sociais para ver o que tinha ficado para trás no final de semana. Confesso que não acreditei ao ver que torcedores do Flamengo foram cobrar e intimidar os jogadores por terem perdido a Supercopa do Brasil nos pênaltis quase eternos em Cuiabá.

Soma-se a essa conta seis treinadores demitidos dos 20 times da Série A apenas nestes primeiros 25 dias de bola voltando a rolar no futebol e temos um cenário completamente surreal.

É injustificável ainda não termos aprendido, em quase 20 anos de Campeonato Brasileiro por pontos corridos, que a temporada do futebol precisa ser planejada com os jogadores ainda em ritmo de começo de temporada nos primeiros três meses do ano para chegar em novembro no ápice da forma física e técnica.

Gabigol gesticula durante Atlético-MG x Flamengo pela Supercopa do Brasil
Gabigol gesticula durante Atlético-MG x Flamengo pela Supercopa do Brasil Marcelo Cortes / Flamengo

Parece simples, mas é algo que o Brasil simplesmente não consegue aprender. O foco maior dos clubes não é mais ser campeão nos primeiros meses do ano, mas preparar seus atletas para chegarem ao último trimestre no auge para as etapas decisivas das diferentes competições que disputar.

Além de prejudicial financeiramente, a troca de treinador no começo da temporada prejudica todo trabalho de planejamento físico para o restante do ano. Sim, trocar comando é necessário quando um time não se organiza dentro de campo, mas será que as crises são tão grandes assim?

Passamos por um momento em nossa sociedade que a cobrança por resultados é imediata. No trabalho, em casa, nos relacionamentos. Queremos sempre o estado de perfeição (que não existe) no menor espaço de tempo. O problema é que esse sensor de urgência é irreal. Não é possível ser tão eficiente quando se está no início de um trabalho.

Cobrar jogadores e treinadores pelo resultado que não se esperava em menos de 30 dias? Será que o torcedor e nós, comentaristas, entenderíamos quando fôssemos demitidos com menos de um mês de trabalho por não estar ainda no auge de nossa entrega? 

É Injustificável cobrar tanto dos clubes, dos dirigentes, dos treinadores e dos atletas neste começo de temporada. Até hoje foram raríssimos os times que começaram o ano voando e terminaram no auge. Geralmente o melhor ganha corpo ao longo do tempo. E, quase sempre, é aquele time em que quase nada mudou ao longo da temporada, por pior que tenha sido o começo dela.

A perfeição não existe. E o título continua sendo possível apenas para uma equipe entre tantas que competem. Que tal darmos mais tempo para todos respirarem?

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Crises no começo do ano são injustificáveis

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Rio Open mostra o quanto ter um produto é vital para o esporte crescer

Erich Beting
Quadra central do Rio Open cheia no primeiro dia de evento
Quadra central do Rio Open cheia no primeiro dia de evento Divulgação/Rio Open

Neste final de semana, o Jockey Club Brasileiro, no Rio de Janeiro, recebe as derradeiras partidas do Rio Open, principal torneio de tênis da América do Sul, o único ATP 500 da região. Primeiro grande evento esportivo do Rio desde o início da pandemia, o Rio Open em 2022 mostra como é importante, para ter sucesso comercial e de público, o esporte olhar o longo prazo.

Desde a primeira rodada o torneio tem visto as arquibancadas cheias como nunca foi comum para os jogos iniciais da competição. Além disso, nas alamedas do Jockey, as pessoas compraram o conceito de “mais do que tênis” da competição. Já os patrocinadores têm aproveitado para fazer ativações como é raro de se ver no universo do esporte.

Qual o diferencial do Rio Open?

Talvez o grande segredo do sucesso para o torneio seja a consistência. Desde 2014 que o Rio Open é realizado no mesmo local, praticamente na mesma data e defendendo o mesmo conceito: mais do que um evento de tênis, a competição é um momento para contemplar também arte, música e gastronomia.

Em 2020, antes da pandemia, o Rio Open já tinha conseguido ser mais consumido do que nos anos anteriores. A ausência do torneio no calendário em 2021, somado ao fato de ter sido o primeiro a voltar em 2022, acabou ajudando para despertar no público a vontade de estar presente.

Não por acaso, mais de 40 empresas hoje estão ligadas à competição de alguma forma. Marcas enormes como Claro, Santander, Shell e Rolex têm no Rio Open sua principal plataforma patrocinada no esporte no Brasil. Conseguir tantas marcas não trabalhando com futebol no país é algo para poucos.

Nem mesmo em 2014, quando começou, ainda com a euforia do pré-Rio 2016, o Rio Open conseguia atrair tanto a atenção do público e das marcas. Oito edições depois, ele mostra um caminho a ser seguido pelas entidades esportivas no Brasil. É preciso insistir, fazer as ações pensando no torcedor e, claro, ter fôlego para conseguir manter o evento em pé mesmo sem ele ainda ser lucrativo.

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Com mesmas ideias de 1987, Liga de Clubes é projeto fadado ao fracasso

Erich Beting

Taça do Campeonato Brasileiro exposta na sede da CBF, no Rio de Janeiro
Taça do Campeonato Brasileiro exposta na sede da CBF, no Rio de Janeiro Lucas Figueiredo/CBF

Na última quarta-feira (16), 10 dos 20 clubes que estão atualmente na Série A do Campeonato Brasileiro divulgaram um manifesto em que pedem um “Futebol Forte”. Com a presença de América Mineiro, Athletico Paranaense, Atlético Goianiense, Avaí, Ceará, Coritiba, Cuiabá, Fortaleza, Goiás e Juventude, a carta é uma mostra clara de como passam-se os anos e a mentalidade de nossos dirigentes não muda.

O baile de dez para lá, dez para cá que começa a se mostrar na Liga de Clubes é a típica situação que o futebol brasileiro adora criar há mais de três décadas, quando o Clube dos 13 foi fundado. Naquela ocasião, a ideia era tirar da CBF o poder de realizar o Brasileirão.

É preciso entender, porém, o contexto de fundação do C13 para perceber um pouco o porquê de termos essa bagunça até hoje na gestão de campeonatos no Brasil. Em 1985, tivemos um Brasileirão com quase 100 clubes. Não existia, ali, a menor condição de se criar um produto do campeonato.

O que fizeram os principais clubes do país foi se rebelar contra a incapacidade da CBF em ser impopular e fatiar em diferentes divisões o futebol do país. Daí veio a ideia do C13, baseada nas ligas americanas que começavam a ganhar espaço mundialmente. Até então, no futebol, praticamente não existiam as grandes ligas para servirem de exemplo para a criação de uma dessas no Brasil.

Só que o princípio do C13 foi errado desde o começo. Os clubes se articularam politicamente e juntaram apenas os 12 que tinham maior torcida. A ideia, claro, era ter um produto mais qualificado para TV, patrocinadores e público. O problema era que isso limitaria o “Brasileirão” a Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. Foi então que o Bahia cavou uma vaga e o C12 virou C13.

O sucesso comercial do torneio foi imediato. A Globo pagou pela transmissão, a Coca-Cola abraçou o campeonato e fechou a cota de patrocínio máster a 11 clubes do C13 (só Corinthians e Flamengo ficaram fora). O dinheiro ainda era ínfimo, o que não gerou briga entre os clubes.

Pedro Torre relata como um torcedor irritou Andreas Pereira, do Flamengo, no estádio 'raiz' do Madureira: 'Entregador de paçoca'


         
     

Só que essa divisão de clubes, bastante elitista, causou um racha político no futebol como um todo que germinou a semente de toda a confusão que temos nos dias de hoje. O resumo de toda essa briga que envolve poder, vaidade e, claro, divisão de receitas, é a famigerada discussão a respeito da Taça das Bolinhas e do título de campeão brasileiro de 1987.

Dessa briga resultou a reordenação de importância do Clube dos 13. A entidade passou a ser meramente comercial e política, negociando os contratos de mídia e patrocínio do Brasileirão, ficando a CBF responsável por decidir quem fazia parte do campeonato.

Isso gerou um novo problema. Os clubes que faziam parte da “panela” do C13 tinham praticamente todo o dinheiro que entrava na entidade, e os demais ficavam com o pouco que sobrava. A força política era maior do que o argumento esportivo, e o equilíbrio de divisão do dinheiro seguia a lógica implementada na liga MG-RJ-RS-SP + Bahia criada em 1987, com a inserção de outros times que ganhavam força política, como o Guarani e o Sport no fim dos anos 80, e a dupla Atletiba no final da década seguinte.

Foi essa salada de frutas em que se transformou o C13, que virou C19 ao longo dos anos, que levou à implosão da entidade em 2010. Mais uma vez por motivação política, sem qualquer preocupação com o negócio em si. Ao longo de todos esses anos, uma coisa era clara. O C13 era um centralizador de verbas e a garantia de manutenção do status quo. Mas, de certa forma, ele protegia os clubes menores quando entravam no Campeonato Brasileiro, já que havia uma mínima lógica na divisão de receitas.

Tudo isso veio abaixo em 2011, quando as negociações individuais com a TV começaram. Foi o começo do abismo que separa cada vez mais o clube grande do pequeno. Porque não foi só a negociação coletiva com a mídia que acabou. Os clubes deixaram de vender patrocínio para os jogos, deixaram de buscar contratos únicos para a competição e, mais ainda, deixaram de ter uma única voz para negociar por todos, tornando muito mais difícil para uma empresa querer investir num campeonato.

Quando os clubes anunciaram mais uma vez a ideia de criar uma liga, parecia que, dessa vez, havia uma clara motivação política (os clubes haviam acabado de perder poder de voto dentro da CBF), mas também existia, pelo menos no discurso, uma intenção dos dirigentes em organizar o Brasileirão economicamente. Isso foi lá em julho de 2021, quando Rodolfo Landim, presidente do Flamengo, e Guilherme Bellintani, presidente do Bahia, foram juntos à CBF comunicar a criação da liga dos clubes.

Desde então, os clubes discutiram muito politicamente, receberam ofertas sem garantia de que os investimentos seriam feitos e, dessa forma, rodaram, rodaram, rodaram e não saíram do lugar.

O episódio de criação de uma liga “dissidente”, representando metade dos clubes da Série A, lembra muito toda a salada de fruta política de 1986. De um lado, os times de maior torcida, que são mais poderosos economicamente e atraem maior interesse do investidor por representar um maior número de consumidores. Do outro, os “renegados”, que têm tido sucesso esportivo, mas não conseguem força política para peitar o status quo. Nossos dirigentes até são outros do que os daquele tempo, mas eles continuam com a cabeça daqueles de 35 anos atrás. E, por conta disso, fazem com que qualquer projeto de Liga de Clubes, no Brasil, esteja fadado a um único objetivo: o fracasso.

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John Textor, que profissional rompe contratos em andamento?

Erich Beting

A primeira medida tomada pelo staff de John Textor na área comercial do Botafogo foi desastrosa. Literalmente da noite para o dia, Textor usou seu site pessoal para comunicar que todos os acordos comerciais do clube seriam rompidos.

Entre as justificativas dadas pelo americano, estavam o fato de que o clube passará por um “novo momento glorioso” e que, por isso, os atuais parceiros botafoguenses não estariam à altura disso.

A medida chegou a ser celebrada por torcedores nas redes sociais, mas ela é completamente estapafúrdia do ponto de vista do negócio em si. Textor terá de investir um bom dinheiro no pagamento da indenização dos contratos vigentes. Essa verba poderia ser alocada diretamente no time de futebol botafoguense, que é o grande objetivo dos torcedores.

Além disso, de uma hora para outra, o Botafogo deixa de ter receita sem os patrocínios. Se a situação financeira já não era boa, agora ficou ainda pior. Sem dúvida que existe dinheiro no bolso de Textor para pagar a conta, mas qual o motivo que o leva a romper os contratos sem ao menos conversar com os parceiros para tentar evoluir em novas negociações?


         
     

Vista à distância, a atitude é um belo cartão de visitas para quem acredita que ter um dono significará vida boa para um clube. Da mesma forma que rompeu os acordos de patrocínio da noite para o dia, Textor pode achar que um jogador vale ou não para o clube num mesmo rompante, o que tornaria a gestão do futebol do clube um caos.

Ao romper os acordos com os parceiros, o americano também ignora que o Botafogo tem, entre seus patrocinadores, grandes empresas multinacionais, como a farmacêutica GSK (dona da marca Centrum) e a cervejaria Ab-Inbev (dona da Brahma). Para quem fala tanto em internacionalização do Glorioso, o mínimo que poderia ser feito era abrir uma conversa com essas empresas para elas ajudarem no projeto global do americano. 

 Uma coisa é certa. Já deveria haver uma placa em General Severiano anunciando que o Botafogo já está "sob nova direção". A drástica decisão tomada com os patrocinadores do clube, porém, indica que o novo dono pode não ser o príncipe encantado que muitos estavam imaginando...

Empresário americano John Textor comprou 90% das ações da SAF do Botafogo
Empresário americano John Textor comprou 90% das ações da SAF do Botafogo Vitor Silva/Botafogo F.R.

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Guardiola não é obrigado a saber sobre absolutamente tudo

Erich Beting

Pep Guardiola deslizou ao querer tirar seu Manchester City da reta ao ter de opinar sobre quem seria “o melhor time do mundo”. O que muitos consideraram uma gafe cometida pelo treinador espanhol do City deveria ser encarado como o problema que são as entrevistas coletivas pós-jogo. Em qualquer esporte e em qualquer lugar do planeta.

O City havia ganho do Brentford e feito sua parte como grande líder da Premier League. Entre as zilhões de perguntas quase todas versando sobre o mesmo tema, Pep precisou responder se aquela vitória credenciava seu time como “o melhor do mundo”.

Veja bem. Antes de atirarmos a pedra para a resposta, temos de entender o contexto da pergunta. Ela partiu de um jornalista que questionou o treinador do time líder do Campeonato Inglês se a vitória sobre uma equipe de menor qualidade credenciava o City como “melhor do mundo”.

Guardiola, então, devolveu a bomba. Não apenas o time dele não era o melhor como esse posto era do Chelsea, que venceu a Champions League. Foi uma resposta contra qualquer “soberba”. O treinador não poderia dizer “sim, meu time é o melhor do mundo”. Qual a alternativa? Apontar para o campeão europeu. E, então, no meio da resposta, ele se lembrou de que, se o futebol não era restrito à Inglaterra, também não poderia ser restrito à Europa. E tentou emendar, junto com a resposta, o nome do time campeão sul-americano. Aí, Guardiola foi traído pela memória. Citou o River Plate, campeão há quatro temporadas. Esqueceu-se de quem era o atual campeão da Libertadores, o Palmeiras.

Josep Guardiola durante a final da Champions entre Manchester City e Chelsea
Josep Guardiola durante a final da Champions entre Manchester City e Chelsea EFE/EPA/Carl Recine

A “gafe” já ocupa as principais manchetes dos veículos de mídia do Brasil. Estamos, nas redes sociais, querendo diminuir o treinador espanhol por ele não saber quem é o atual campeão da América, justamente dois dias antes de ele enfrentar o Chelsea na decisão do Mundial de Clubes.

Mais do que uma gafe, o erro de Guardiola é um resumo de como o futebol precisa, globalmente, elevar o seu nível. Nenhum treinador precisa saber quem são os campeões de várias competições mundiais. Ainda mais se ele não for, no seu trabalho, disputar campeonatos em que estejam esses clubes.

Em 2011, na véspera da final do Mundial de Clubes entre Santos e Barcelona, Guardiola, então treinador do time espanhol, deu uma entrevista coletiva em que explicou como seu time tinha se preparado para jogar e de que forma ele pretendia anular os dois principais jogadores do Santos, na visão dele Ganso e Neymar. “A bola não pode chegar até eles. Ganso não pode ter espaço para lançar Neymar. Nós temos visto o que ele (Neymar) é capaz de fazer quando tem espaço”, declarou o treinador.

Ele não só sabia quem era o campeão da América, mas sabia muito bem quem eram os principais jogadores da equipe. Por quê? Porque o time dele entraria em campo para enfrentar aquela equipe.

Na mesma resposta dada ontem na Inglaterra, Guardiola tropeçou ao citar o campeão da América do Sul, mas na ponta da língua disse que estava focado no Norwich. Quem é o Norwich? O próximo adversário do Manchester City na disputa do Campeonato Inglês.

Guardiola não precisa saber sobre absolutamente tudo, desde que ele saiba muito bem que é o próximo adversário de seu time e, mais ainda, de que forma superá-lo.

Nós jornalistas temos de aprender que não é porque o treinador é fora de série que ele precisa ter opinião sobre tudo e, mais ainda, conhecer todos os times do mundo. Ah, mas nós sabemos quem são os campeões da América e da Europa. Sim, o nosso trabalho é falar sobre os times de diversos campeonatos. O trabalho de um treinador é conhecer os adversários que o time dele enfrentará nas competições que disputa, sem precisar decorar quem são os campeões de cada continente, ainda mais se ele não for jogar contra eles. Ah. Logicamente, outro trabalho importante é evitar “pegadinhas” de perguntas maliciosas que podem levar à impressão de que ele já tem certeza de que é maior do que seus adversários, mesmo liderando com 12 pontos de vantagem um dos campeonatos mais equilibrados do mundo na atualidade...

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Frenesi do Palmeiras em Abu Dhabi não é garantia de internacionalização da marca

Erich Beting

O post de hoje é inspirado num diálogo que tive no Twitter com um torcedor palmeirense que está em Abu Dhabi para acompanhar a saga alviverde no Mundial de Clubes. O relato dele é de que, por onde os torcedores palmeirenses passam, são festejados por moradores locais e até torcedores dos outros clubes que disputam o torneio.

Em seu relato, o torcedor afirma que o Mundial é um caminho mais eficiente para a “internacionalização da marca” do Palmeiras do que a venda de camisa oficial do clube num “outlet de Berlim”. O conceito revelado por ele é interessante, mas evidencia uma premissa errada que todo brasileiro temos sobre os “projetos internacionais” dos times de futebol daqui.

Confundimos aqui no Brasil o sucesso esportivo com o sucesso comercial de um clube. Desde que o São Paulo ganhou o mundo em 1992/1993 caímos no erro de achar que, por disputar o Mundial um time consegue se consagrar internacionalmente. Ainda mais se ele tem sucesso dentro de campo.

'Muito objetivo, direto e reto': Entenda como foi a postura do Palmeiras para enfrentar o Al Ahly no Mundial




Em 2012, o Corinthians e o corintiano invadiram o Japão na conquista do mundo. Os milhares de torcedores do Timão tomaram as ruas de Tóquio e, por qualquer ponto turístico em que passava, ouvia, principalmente dos vendedores ambulantes japoneses, o grito de “Vai, Colintias”. O título mundial veio, mas a marca corintiana segue a ser mais desconhecida que a do Shaktar Donetsk mundialmente.

E é esse o ponto que o futebol brasileiro precisa trabalhar se quiser que seus clubes sejam marcas internacionais. Jogar um Mundial é uma etapa que pode até ajudar na internacionalização da marca, mas só isso, sozinho, não é garantia de que o clube passará a ser conhecido globalmente.

Afinal, não foi o Mundial que fez dos grandes clubes europeus colossos globais. Pelo contrário. O trabalho dos times do Velho Continente para ganhar o mundo começou primeiro com a consolidação da Champions League como um produto de interesse mundial. Passou, depois, pelo fortalecimento das ligas locais e da venda de direitos de transmissão para o maior número possível de países. E, ainda, contou com a realização de excursões de pré-temporada nos países estratégicos para essas marcas.

O Mundial? Por ser disputado no meio da temporada, ele nem conta no projeto de marketing dos clubes para ganhar novos mercados. No fim das contas, ele é só mais um torneio para ganhar em campo e gerar receita (além de desgaste físico nos atletas) do que realmente um momento estratégico para a marca dos clubes.

Mas e no futebol brasileiro, o Mundial não ajuda a fazer a marca conhecida? Bom, para o Brasil, a importância do torneio está no status que ele ganhou por fazer do time brasileiro o rei do mundo. Mas, de fato, ele não contribui com o reconhecimento da marca.

Quando será a próxima vez que o Palmeiras jogará em Abu Dhabi? Quando será a próxima vez que um jogo do Palmeiras poderá ser visto pelo povo de Abu Dhabi? Quando o torcedor do Chelsea, lá na Inglaterra, voltará a ver um jogo do Palmeiras? E o do Al Ahly, no Egito?

Para a marca ser conhecida mundialmente, ela precisa de recorrência. O Mundial não é garantia de exposição recorrente de um clube como seria uma Libertadores ou um Brasileirão, ou mesmo uma excursão em toda pré-temporada dos times daqui.

Dudu e Raphael Veiga levaram o Palmeiras à final do Mundial de Clubes
Dudu e Raphael Veiga levaram o Palmeiras à final do Mundial de Clubes Getty Images

O Mundial é garantia de sucesso esportivo para o clube brasileiro, mas para ter sucesso comercial, o trabalho precisa começar dentro de casa, com a exportação dos campeonatos daqui e, posteriormente, dos times.

É possível, assim, tornar-se mais conhecido mundialmente? Sem dúvida. O problema é que os europeus começaram a fazer isso já se vão 20 anos, quando o Manchester United apostou na marca de David Beckham para o mercado asiático, foi seguido pelo Real Madrid e o time de galácticos e, posteriormente, pelo Barcelona de Ronaldinho Gaúcho... O Mundial não dará fama internacional ao Palmeiras. Mas poderá, sem dúvida, a ajudar o clube a ganhar mais força dentro de seu próprio país. Um trabalho que os clubes parecem pouco se importar em fazer por aqui, mas que será tema para uma próxima coluna.

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Clubes vão ganhando o jogo de xadrez contra a Uefa na Europa

Erich Beting

Quem acompanha o blog há mais tempo já viu por diversas vezes abordarmos por aqui a organização dos clubes europeus e a queda de braço com a Uefa, que se arrasta desde quando foi anunciada a criação e o posterior falecimento da Superliga de Clubes.

Na última semana, a Uefa definiu quem serão as agências que vão comercializar os direitos da Champions League para o período de 2024 a 2027. O contrato, avaliado em US$ 30 bilhões, era um dos mais cobiçados do mercado esportivo e será o maior da história do futebol.

E a escolha feita pela entidade mostra o quanto o jogo de força nos bastidores ainda está dividido entre os clubes e a Uefa. Pela primeira vez, não foi apenas o órgão europeu, organizador da Champions League, quem escolheu os parceiros comerciais. Os clubes tiveram voz ativa dentro do conselho que selecionou os vencedores e, mais ainda, tiveram acesso às propostas que foram feitas.

Essa participação dos clubes, inédita em qualquer tomada de decisão da Uefa, mostra que foi preciso ser feito um ajuste dentro da entidade para que a Superliga não fosse para a frente. Mais do que apenas ter uma liga mais forte financeiramente, os clubes sempre buscaram mais poder na tomada de decisões. A Superliga foi o que se chama de “tempestade perfeita” para que essa acomodação acontecesse.

Para o torcedor, o que muda, na prática, é quase nada. Ou, pelo menos, é a garantia de que a princípio o status quo vigente não será alterado. A Champions League é hoje a competição mais lucrativa do futebol mundial e não deve perder esse posto pela próxima década. A diferença é que os clubes quiseram ter uma fatia um pouco maior do bolo e, para isso, usaram a Superliga para lançar uma ideia e ver o que aconteceria.

Na prática, eles testaram esticar ao máximo a corda para ver se ela arrebentaria ou se daria para ganhar o cabo de guerra. A pressão da opinião pública, contrária à Superliga, fez o projeto minguar. Mas a Uefa teve de fazer concessões como nunca havia feito para acalmar o barulho interno. No fim das contas, o cabo de guerra pendeu para o lado dos clubes.

A mesma eficácia não teve a Fifa quando tentou lançar o projeto da Copa do Mundo bienal. Diferentemente dos clubes, a entidade não conseguiu ganhar nada politicamente com o que fez. Em vez de enfraquecer Uefa e Conmebol, só fortaleceu as duas entidades. E, pior ainda, viu a opinião pública entrar de carrinho na bola contra o projeto. 

A pandemia fez surgir um complexo jogo de xadrez no meio da política do futebol. Até agora, os clubes estão próximos de um xeque-mate. A Toda Poderosa Uefa, pelo menos, já teve de baixar a guarda e recuar.

Faixa contra a Superliga e outros objetos foram colocados em Anfield Road, casa do Liverpool, em protesto à possível nova disputa
Faixa contra a Superliga e outros objetos foram colocados em Anfield Road, casa do Liverpool, em protesto à possível nova disputa Christopher Furlong/Getty Images

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Será mesmo que vai dar liga?

Erich Beting

Perdoe pelo trocadilho infame. Mas, quase um ano depois do rompante dos clubes em se “rebelarem” da CBF e anunciarem a criação da Liga de Clubes, com os 40 times de Séries A e B do Campeonato Brasileiro, o projeto de desenvolvimento da liga parece que cambaleia.

A notícia da semana é que há duas propostas nas mãos dos clubes. Uma feita pelo mesmo grupo que, em outubro de 2021, chegou com uma carta de intenções que lhe assegurou três meses de “exclusividade” na liderança da captação do projeto. O outro, por duas agências que já estão dentro do mercado e que tentam abocanhar um filão maior com o Brasileirão.

O principal problema, nas duas propostas, é o mesmo. As empresas colocaram valores que seriam investidos para comprar parte da liga, mas não garantiram que esse dinheiro já existe no caixa delas para pagar os clubes.

Isso é o que trava a liga neste primeiro instante. Os clubes estão reticentes de fecharem um acordo de longo prazo (cerca de 50 anos) sem ter a garantia de que o dinheiro entre agora nos cofres.

Mas, do outro lado, o receio também é enorme.

Jogadores do Atlético Mineiro celebram durante jogo do Brasileirão
Jogadores do Atlético Mineiro celebram durante jogo do Brasileirão Twitter Oficial Mineirão

Um dos entraves que as agências interessadas na aquisição de um percentual da liga têm tido no mercado é a falta de unidade de pensamento dos clubes. Não há certeza, em quem tem dinheiro para investir, de que haverá consistência no andamento da liga. Basicamente há enorme desconfiança de que, no médio prazo, os clubes desistam do projeto.

Considerando o histórico de (des)organização do futebol brasileiro, a tendência é exatamente essa. Os clubes rompem seus acordos conforme o dirigente da vez. Não existe uma clareza de que é preciso manter um mínimo de ordenamento e de longo prazo na gestão. E isso assusta quem vai colocar o dinheiro.

Para piorar, essa demora dos clubes em se organizarem na liga, usando como “desculpa” a questão do investimento é o que mostra que o caminho que o futebol brasileiro está escolhendo é totalmente errado. Num mundo ideal, a liga não deveria ser criada por um terceiro, mas pelos clubes. Eles deveriam ter a convicção de que o melhor caminho para o futebol crescer é arregaçar as mangas para trabalhar em conjunto. Os interesses comerciais do esporte são coletivos. A disputa individual deve acontecer apenas dentro de campo, quadra, piscina, pista, etc.

E é esse o pensamento que ainda não existe no futebol!

A liga de clubes não precisa de um investidor para existir. Ela precisa de vontade política dos dirigentes para criar uma associação que os represente e trabalhe para gerar mais receita. A negociação individual de direitos, aberração criada com o fim do Clube dos 13, lá em 2010/2011, fez o valor ganho pelos clubes no Brasileirão ficar estacionado enquanto em todo o mundo os direitos de mídia só cresceram.

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A entrada de um investidor como sócio da liga não é uma necessidade. É, na verdade, uma desculpa para a incompetência do futebol brasileiro em se organizar como negócio.

Na Europa quebrada pelo Covid, as ligas foram atrás de sócios para pegar mais dinheiro sem precisar tomar empréstimo a juros altos com os bancos. A única liga entre as grandes que sequer cogitou algo assim foi a Premier League, que há 30 anos reorganizou o bagunçado futebol inglês e, agora, colhe os frutos de um forte trabalho coletivo pela melhoria do esporte.

No Brasil, queremos adotar de partida o modelo que a Europa foi buscar como solução de curto prazo. É sinal de que a liga, se vingar, já começa com vícios. Mas a pergunta, antes, é uma só. Será mesmo que vai dar liga?

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Será mesmo que vai dar liga?

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Tom Brady, Rafael Nadal e a construção dos grandes ídolos

Erich Beting

Tom Brady é um dos grandes ícones do esporte mundial
Tom Brady é um dos grandes ícones do esporte mundial Getty Images

Num intervalo de três dias, tivemos duas provas da grandiosidade de atletas no esporte. No domingo (30), Rafael Nadal deu um show e detonou todos os robôs de inteligência artificial que previam sua derrota para Daniil Medvedev quando o jogo estava 2 sets a 0 e 3 games a 2 para o russo. A conquista do 21° Grand Slam da carreira, o choro comovente, o discurso emocionado e a reverência de diversos ídolos do esporte mostraram o tamanho do feito conquistado por Nadal.

Já nesta terça-feira (1°), Tom Brady anunciou que vai, definitivamente, parar de jogar futebol americano. O maior quarterback da história decidiu se aposentar e já indicou que se dedicará a seus projetos fora dos campos a partir de agora. O mundo do esporte também passou a fazer seus agradecimentos a Brady depois do anúncio, demonstrando sua importância para o futebol americano.

Os dois casos mostram claramente como os grandes ídolos são construídos. O que une Brady e Nadal a diversos outros ícones do esporte, mais do que a performance espetacular nas competições, é um certo respeito que ambos demonstram pelo esporte pelo qual somos apaixonados.

O grande ídolo, quase sempre, é aquele atleta que, acima de qualquer coisa, se coloca numa posição de “inferioridade” em relação ao esporte. O discurso de Nadal após se tornar o maior vencedor do tênis foi de respeito ao esporte, aos atletas, aos fãs. Brady, em sua carta em que comunica a aposentadoria, também enfatiza o quanto é grato pelo futebol americano ter feito parte de sua vida até aqui.


É interessante notar que esse comportamento quase sempre é genuíno. E é também o que aproxima o grande ídolo do torcedor. Afinal, ao fazer reverência ao esporte, o ídolo se coloca menor do que ele. E, ao fazer isso, ele lembra que sempre fomos, em algum momento de nossas vidas, um fã.

Talvez esse tenha sido o grande equívoco de Novak Djokovic no episódio envolvendo o Australian Open. Ele colocou sua convicção pessoal acima do respeito ao esporte, aos demais atletas, ao fã.

Talvez seja essa, além de toda a competência para a prática da modalidade, a característica que diferencie o grande ícone do grande atleta.

O esporte sempre será maior do que um ídolo, por maior que ele seja. Mas são os ídolos que dão grandiosidade ao esporte. Sorte de nós que pudemos, nos últimos anos, acompanhar lendas como Tom Brady e Rafael Nadal em ação. Sorte de nós que vivemos numa época em que o acesso a esses ídolos está ao alcance de um clique na palma de nossas mãos. O futebol americano e o tênis são maiores que Brady e Nadal. E, o que é mais legal é que, por maior que esses caras sejam, eles têm consciência disso.


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Criptomoeda pode ser pesadelo em vez de solução para o esporte

Erich Beting

Nesta semana, o Crystal Palace, da Inglaterra, decidiu acionar na Justiça a Iqoniq, patrocinadora do clube, mas que não pagou € 820 mil pela exposição da marca na camisa do time que tem participação acionária de John Textor, o novo dono do Botafogo.

A Iqoniq é o pesadelo da vez no esporte da Europa. Na mesma semana, além do time de Textor, LaLiga, a Roma, o Olympique de Marselha, a Euroliga de basquete e a equipe McLaren de Fórmula 1, entre outras entidades esportivas, ficaram boquiabertos com o anúncio de que a Iqoniq entrou em falência.

O caso ilustra bem o quanto a febre das empresas de criptomoedas no patrocínio esportivo poderá fazer com que o que era para ser solução se transforme em pesadelo.

Do charuto às conversas nos bastidores: Jorginho abre o jogo sobre como era trabalhar com Eurico Miranda no Vasco

         
     


O mercado de cripto ainda é muito nebuloso. Sem regulamentação, ele vive de uma oscilação maior que a da bolsa de valores. Assim, empresas que podem ser grandiosas num dia se transformam em enormes devedoras no dia seguinte.

Foi, mais ou menos, o que ocorreu com a Iqoniq. Em 2020, a empresa recebeu um aporte de € 200 milhões de um fundo de investimentos de Luxemburgo. Com a verba, correu para o patrocínio esportivo, fechando diversos contratos e apostando na exposição da marca e ações nas redes sociais como ferramenta para crescer seu negócio.

Nem dois anos depois, o que era o sonho de ser uma das maiores empresas de criptomoeda do mundo naufragou. E, agora, o esporte tenta receber o que ficou para trás. Da mesma forma, torcedores que compraram cripto com a Iqoniq, amparados pela credibilidade que o patrocínio a seu time de coração trazia, viram o investimento se perder no garimpo obscuro das criptomoedas.

É fundamental que o esporte entenda a importância de sua marca numa relação de patrocínio. Ver a promessa de qualquer dinheiro entrar no caixa é ótimo, mas saber que nem tudo o que reluz é ouro é muito mais importante.

A credibilidade que o esporte empresta a uma marca é um bem que não pode ser desprezado durante uma negociação. E as empresas de criptomoedas, que enxergaram no esporte o atalho para ganhar relevância e atrair consumidores, precisam ser muito bem analisadas antes de qualquer patrocínio ser fechado. Do contrário, o que era um sonho vai virar, rapidamente, um tremendo pesadelo...

Jogadores da Roma posam com a marca da Iqoniq nas mangas, em 2020
Jogadores da Roma posam com a marca da Iqoniq nas mangas, em 2020 Divulgação/AS Roma

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Infantino me fez desistir da ideia de Copa do Mundo a cada dois anos

Erich Beting

Já tinha escrito por aqui o porquê de eu ser a favor de uma Copa do Mundo a cada dois anos. Fiz um longo texto para tentar defender o que muita gente considera indefensável. Minha visão é de que, com a Copa bienal, as seleções voltam a ser relevantes no cenário mundial com mais frequência do que apenas a cada quatro anos.

A FIFA bem que tentou mostrar argumentos técnicos para balizar sua visão. Eu mesmo, ao escrever meu texto, lancei mão de diversas razões financeiras para tentar defender o projeto. A verdade é que a Copa bienal, porém, é um ultraje ao futebol. Não pelo fato de “banalizar” o Mundial, como muitos argumentam, mas porque nesta semana Gianni Infantino, o infame presidente da FIFA, escancarou que o projeto não trará benefício algum para o futebol.

Ao dizer que a Copa do Mundo a cada dois anos conseguiria fazer com que a imigração de africanos para a Europa diminuísse, Infantino foi absolutamente pedante e, pior ainda, desprovido de qualquer noção de bom senso. A fala do presidente da FIFA entra para os anais de declarações completamente desnecessárias de dirigentes importantes do futebol. 

A Copa do Mundo até pode ter um relativo impacto econômico, mas ela estará longe de significar uma mudança brusca para milhares de pessoas que precisam abandonar sua terra natal para arriscar a vida numa travessia marítima que pode resultar, num cenário um pouco menos desastroso, na deportação para o país de origem.

Gianni Infantino, presidente da Fifa, na abertura do 67º Congresso em Manama
Gianni Infantino, presidente da Fifa, na abertura do 67º Congresso em Manama Getty

A Copa do Mundo a cada dois anos não muda a vida de ninguém, a não ser no jogo de força econômica do futebol. A FIFA teme perder relevância e, logicamente, receita, com o avanço de campeonatos como a Champions League, a Premier League e a LaLiga. O problema é que, em vez de ir ao centro do debate e criar um projeto que melhore todo o sistema do futebol, tanto para quem é grande quanto para quem é pequeno, a FIFA assume uma pedante posição de salvadora da pátria de todos os problemas do mundo moderno quando, na verdade, o que ela quer é ficar com a maior fatia do bolo.

A Copa a cada dois anos pode ser um tremendo produto que eleve a qualidade do futebol e, principalmente, dê protagonismo para as seleções nacionais de forma constante. Essa deveria ser a real preocupação do presidente da FIFA. Em vez de achar que a entidade é capaz de reduzir a imigração de africanos para a Europa, Gianni Infantino deveria descer do pedestal e se preocupar em criar condições para o futebol ser realmente um agente transformador da sociedade.

A Copa bienal, da forma como é pensada, é um projeto que não pode existir. 

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