Premier League começa com faltas claras nos goleiros em lances que resultam em gols; veja vídeos

Renata Ruel
Renata Ruel

A Premier League começou e com ‘suas próprias regras’. Antes do início da competição, foi anunciado pelo chefe da arbitragem inglesa que as linhas de impedimento do VAR serão mais grossas para diminuir a margem de erro da ferramenta, beneficiando, assim, o atacante e o gol.

Outro ponto apresentado foi que os árbitros adotarão critérios mais rígidos para marcar pênaltis.

A questão é quando se deixa de marcar faltas claras, que interferem no resultado final da partida e infringem nitidamente as regras do jogo. E isso aconteceu duas vezes logo na primeira rodada.

No jogo que abriu o campeonato, no segundo gol do Brentford, ocorreu uma ação de bloqueio clara do jogador do time da casa em cima do goleiro Bernd Leno, do Arsenal, impedindo a sua movimentação (VEJA no vídeo abaixo).


         
     

Na partida Burnley 1 x 2 Brighton, houve a mesma ação de bloqueio no goleiro Robert Sanchez, impossibilitando o seu movimento e tentativa de disputar a bola ou, até mesmo, praticar uma defesa.

Ambos os lances resultaram em gols, tornando as situações mais críticas, pois, se os árbitros não marcaram no campo de jogo, o VAR, que requer análises minuciosas em lances de gol, tampouco interferiu sugerindo revisão por falta e os gols ilegais foram validados (ASSISTA ao lance no vídeo abaixo).


         
     

Nos vídeos, notoriamente se veem as ações dos atacantes em cima dos goleiros e o texto da regra diz:

"Impedir o progresso de um adversário significa mover-se para o caminho do adversário para obstruir, bloquear, desacelerar ou forçar uma mudança de direção quando a bola não está a uma distância de jogo de qualquer um dos jogadores. Todos os jogadores têm direito à sua posição no campo de jogo; estar no caminho de um adversário não é o mesmo que mover-se no caminho de um adversário".

Quando esse tipo de situação ocorrer sem contato físico será marcado um tiro livre indireto, se houver contato será assinalado tiro livre direto.

Durante o jogo Norwich x Liverpool, cheguei a falar que seria necessário “trocar o chip" para comentar a Premier League, pois as marcações da arbitragem são muito distintas das que estamos acostumados, justamente por passarem aos árbitros determinações, muitas vezes, diferentes das instruções FIFA.

O que na maioria dos lugares se considera falta, a Premier League muitas vezes deixa seguir, sem entrar no mérito se estão ou não certos em adotar suas “leis do jogo", algumas infrações são claras em todos os lugares que se pratica futebol e devem ser marcadas. E na era do VAR algumas coisas se tornam inadmissíveis.

Declan Rice reclama com Martin Atkinson
Declan Rice reclama com Martin Atkinson Getty Images
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VAR no Brasil = Vamos Aumentar as Reclamações. O de Santos x Ceará é um exemplo desse novo significado

Renata Ruel
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O VAR no Brasil parece que tem uma dificuldade enorme em saber quando interferir no jogo ou não, o que é erro claro e óbvio ou interpretativo, fase de ataque pela posse (APP, na sigla em inglês), cartão amarelo ou vermelho. Claro que não se pode generalizar, há árbitros no VAR com competência, entretanto, a falta de critérios que antes ocorria somente no campo parece que tem aumentado fora dele através do VAR.

Em Santos x Ceará, nesse sábado (21), foram duas intervenções que fogem do protocolo:

- Gol do Santos validado em campo, onde na intermediária jogadores adversários se agarram na frente do árbitro que deixa a jogada seguir, na sequência há um braço de apoio não sancionável. O APP mencionado pelo protocolo do VAR deve ser acionado quando há uma infração na fase inicial de ataque (que também gera interpretação, já escrevi sobre isto aqui), o que não ocorreu no lance, pois na minha visão, o Ceará já tinha passado da fase de transição para organização defensiva quando o ataque realmente começa.

- Expulsão do Richard Coelho não foi uma conduta violenta, foi, sim, falta fora do lance, tem uma mão no rosto que desconsidera o risco para o adversário gerando cartão amarelo, entretanto não há força excessiva, não atinge com cotovelo ou parte dura do braço, foi mais um empurrão no rosto que caracteriza o cartão amarelo.

Ou seja, em ambos os lances que mudaram o jogo, o VAR interferiu de maneira equivocada. E o árbitro em campo, Sávio Pereira Sampaio, poderia sim ter batido no seu escudo da Fifa, que carrega no peito, e tomado as decisões corretas após as análises no vídeo, que foi exatamente o que Raphael Claus fez na final do Paulistão quando o VAR sugeriu revisão em uma possível penalidade do São Paulo contra o Palmeiras.

Em compensação, pela Série B do Brasileirão, o Bahia teve um pênalti claro não marcado a seu favor contra a Ponte Preta em um puxão de camisa dentro da área. Por ser em um lance de escanteio, a visão do árbitro poderia estar encoberta em função de muitos jogadores na área. O VAR deveria ter sugerido revisão, mas se calou.

O VAR no Brasil parece cada vez mais perdido, sem saber quando interferir ou não, e claro que isso vai aumentar as reclamações, pois se continuar sendo usado de forma equivocada seguirá prejudicando o jogo ao invés de ajudar a legitimar os resultados.

Se o produto final, que é o campo, está ruim, é porque há falha no processo que não vemos, e a uniformidade de critérios dentro de campo e no VAR precisa prevalecer.

Uso do VAR durante o Campeonato Brasileiro
Uso do VAR durante o Campeonato Brasileiro Getty
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Confesso que chorei: teremos mulheres e dois árbitros brasileiros na Copa do Mundo Masculina do Qatar

Renata Ruel
Renata Ruel

A FIFA anunciou hoje os 36 árbitros, 69 assistentes e 24 árbitros de vídeo selecionados para a Copa do Mundo do Qatar e são 7 brasileiros nesta lista, incluindo a primeira mulher brasileira Neuza Inês Back. 

Raphael Claus e Wilton Pereira Sampaio são os árbitros, junto com os assistentes Danilo Simon, Bruno Pires, Bruno Boschilia, Rodrigo Figueiredo e Neuza.

Neuza Back à esquerda
Neuza Back à esquerda Getty Images

Nunca antes a FIFA havia escolhido mulheres para atuar em uma Copa do Mundo Masculina. E logo na primeira vez, serão seis no total: as árbitras Stéphanie Frappart (França), Salima Mukansanga (Rwanda) e Yoshimi Yamashita (Japão), e as assistentes, além da Neuza, Karen Díaz Medina (México) e Kathryn Nesbitt (EUA).

Confesso que ao ver a lista não contive o choro. Lágrimas caíram sim e não foram poucas. Quando comecei na arbitragem, era um sonho e utopia imaginar uma mulher na Copa do Mundo Masculina, o que dirá seis. Hoje é realidade, em uma caminhada árdua, difícil de muitas mulheres quebrando barreiras ao longo da história, mas não é mais utopia, é realidade. As minhas lágrimas são por saber o quão difícil foi, ainda é e o tamanho desta conquista. 

É um dia histórico, de comemoração e alegria. Parabéns Neuza! E obrigada à todas as mulheres que tornaram isso possível, começando pela grande Lea Campos, a primeira árbitra reconhecida pela FIFA, mas com muitas outras que sabem que fazem parte de tudo isso, Silvia Regina, Ana Paula de Oliveira entre outras mais.

Veja a lista completa dos árbitros selecionados a seguir:

Árbitros
Árbitros Fifa

Fonte: Renata Ruel

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VAR acertou em São Paulo x Santos, e Edu Dracena acabou relatado: 'Vou colocar o nome de vocês para a torcida'

Renata Ruel
Renata Ruel

O clássico paulista pegou fogo na última segunda-feira, no Morumbi, pela 4ª rodada do Brasileirão. O São Paulo venceu o Santos por 2 a 1, com um gol de pênalti.

 A penalidade foi clara, a bola toca no braço de Rodrigo Fernández, que amplia o espaço corporal de forma antinatural e bloqueia a passagem da bola dentro da área. A arbitragem não viu em campo e o VAR corretamente sugeriu revisão em um erro claro e óbvio de falta.

 A reclamação do Santos ficou no arremesso lateral que dá origem à jogada do pênalti. As imagens não são claras se a bola sai totalmente em sua circunferência do campo de jogo e quem a toca por último. Entretanto, o assistente, a princípio, marca lateral a favor da equipe santista, em seguida aponta o lateral para a equipe do São Paulo, provavelmente corrigido pelo árbitro Leandro Vuaden e/ou quarto árbitro (ambos mais próximos do lance).

 É sabido que o protocolo do VAR permite que seja sugerida a revisão em um erro claro e óbvio de penalidade. Entretanto, o protocolo não permite a revisão de um reinício de jogo  – arremesso lateral, escanteio, tiro de meta, cobranças de infrações – há exceções em casos extremos, mas que não condiz com o que ocorreu ontem no Morumbi.

Edu Dracena
Edu Dracena Ivan Storti/Santos FC

 Segue abaixo pequeno trecho do Protocolo, página 12 do MANUAL PARA ÁRBITROS ASSISTENTES DE VÍDEO (VAR):

 “Não admissível:

 O VAR não poderá fornecer orientações relacionadas aos seguintes casos ao árbitro (ou AA/AR) (já que isso não pertence à filosofia do sistema de VAR):

 - Qual equipe deverá reiniciar a partida;”

 Assim como nas Regras do Jogo, o protocolo do VAR também tem suas complexidades, contudo, neste ponto é claro. Ou seja, se houve ou não erro no campo sobre o arremesso lateral, é uma decisão do campo e o VAR não pode interferir neste quesito, pode somente mostrar ao árbitro as imagens do que considerou erro claro e óbvio para a penalidade, acertando em sua ação no jogo de ontem.

 Tanto tem se falado sobre a violência no futebol nos últimos dias, que não dá para deixar passar o relato do árbitro na súmula deste clássico, como é possível ver na imagem a seguir:

Súmula de São Paulo x Santos
Súmula de São Paulo x Santos Reprodução

Este final de semana vimos o caso do jogador Jean Carlo partindo para cima da árbitra Deborah Cecília, após ser expulso; recentemente, o técnico Rafael Soriano deu uma cabeçada na assistente Marcielly Neto; árbitro não pode voltar para casa após o término de um jogo; uma faca em campo na final da Copa São Paulo; jogadores de vários clubes recebendo ameaças e até sofrendo com emboscadas – famílias de Cássio, Willian, Danilo Fernandes e Villasanti atingidos por estilhaços - exemplos não faltam, infelizmente.

 E aí o Edu Dracena, um dirigente que deveria dar o exemplo, fala essas coisas para a arbitragem, segundo Vuaden: “Vou colocar o nome de vocês para a torcida, para pegarem vocês na rua.”.

 Não está tudo bem no futebol há um bom tempo, alguns estão ‘normalizando’ o que nunca pode ser normal. Vídeos “pedindo desculpas”, notas de repúdio não são as soluções para agressões e ameaças físicas ou verbais.

 Infelizmente, tudo isso é um reflexo do que vivemos em nossa sociedade atualmente, onde quem deveria dar o maior exemplo positivo, faz o contrário, onde arma é mais importante que um livro, do que a educação, onde o respeito e empatia têm sido raros.

 É preciso mudar tudo isso urgentemente e haver punições severas, antes que acabe numa grande fatalidade.

 Futebol não é apenas futebol e nunca será.

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Agressão e 'chuva' de cartões marcam o fim de semana do futebol brasileiro

Renata Ruel
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O Brasileirão começou no sábado (9) dentro da ‘normalidade’ para a arbitragem. Isto é, com algumas polêmicas e ‘chuva’ de cartões. Já o Campeonato Capixaba, por outro lado, ficou marcado pela agressão sofrida por uma assistente.

Nas nove partidas que aconteceram no final de semana pela Série A,  foram distribuídos 3 cartões vermelhos e 53 cartões amarelos, dos quais 15 foram aplicados por reclamações com a arbitragem.

Só no jogo entre Palmeiras e Ceará, o árbitro Caio Max distribuiu 1 vermelho e 16 amarelos, sendo 8 por reclamações. Não me recordo de tantos cartões assim em outros duelos do Brasileiro...

Weverton, do Palmeiras, recebe cartão amarelo durante Palmeiras x Ceará
Weverton, do Palmeiras, recebe cartão amarelo durante Palmeiras x Ceará VILMAR BANNACH/PHOTOPRESS/Gazeta Press

Até mesmo um gandula acabou sendo expulso, mas este não entra nas estatísticas por não receber cartão em função da regra. No fim, o Ceará venceu o jogo por 3 a 2 e recebeu mais cartões por reclamações do que o time da casa, em um confronto com muitos protestos dos dois lados contra as decisões do árbitro.

E realmente a arbitragem do Caio Max foi confusa. Ele deixou de marcar faltas claras no campo de jogo, faltaram critérios em infrações e em alguns cartões. As falhas ou erros nas tomadas de decisões criam uma ‘bola de neve’,  já que as reclamações aumentam e o controle de jogo acabou se perdendo. E não dá para deixar de citar que os jogadores brasileiros nem sempre colaboram, pois reclamação é considerada falta de fair play.

Isso foi apenas na primeira rodada do Campeonato Brasileiro, onde o novo comandante da arbitragem da CBF, Wilson Luiz Seneme, terá muito trabalho pela frente.

E o fim de semana não foi somente marcado por um número altíssimo de cartões por reclamações, mas também por uma agressão no Campeonato Capixaba.

O técnico Rafael Soriano, da Desportiva Ferroviária, protagonizou uma cena covarde, agredindo a assistente Marcielly Netto durante o intervalo do jogo contra a Nova Venécia. Ele acabou sendo expulso pelo árbitro e demitido do clube.

Não está tudo bem no futebol há algum tempo... Na semana passada, Cássio e Gil, do Corinthians, foram ameaçados por torcedores. Recentemente, o Bahia teve uma bomba explodindo no seu ônibus. Paraná, Grêmio, São Paulo entre outros, convivendo com a periculosidade em seu trabalho. Ainda temos a infeliz fala de Abel Braga sobre o protesto no Ninho do Urubu.

Antes mesmo do Brasileirão começar, o árbitro Igor Benevenuto ficou sem voltar para a casa após apitar Atlético-MG x Cruzeiro, pelo Campeonato Mineiro, em função das ameaças recebidas.

A impunidade dá margens para que as coisas se repitam cada vez mais, enquanto vidas de trabalhadores, que são seres humanos sujeitos a cometer erros, estão ameaçadas. Não se pode esperar acontecer algo ainda mais grave para que sejam tomadas providências severas.

Você já se imaginou trabalhando e sendo ameaçado ou até mesmo alguém da sua família correndo esse risco? Cobranças são diferentes de assédios e ameaças. Algo precisa mudar urgente. 

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Futebol feminino cobra melhor arbitragem e VAR, mas tecnologia falha no masculino

Renata Ruel
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As polêmicas de arbitragem são muito discutidas em cima do futebol profissional masculino e de elite, ficando de lado as categorias mais baixas ou até mesmo o futebol feminino.

Entre as polêmicas dos grandes jogos masculinos, um erro grave aconteceu no GreNal, aos 36 minutos do segundo tempo, Bruno Méndez entrou com a trava da chuteira entortando o tornozelo de Campaz, com força excessiva, intensidade, velocidade, lance claríssimo e indiscutível de cartão vermelho direto. O árbitro Jean Pierre aplicou cartão amarelo no campo e o VAR, cometendo um grande erro, manteve a decisão sem sugerir revisão.

Apesar desse erro do VAR no masculino, ele foi muito solicitado este final de semana no Brasileirão Feminino.

A jogadora Cristiane deu uma entrevista, após o término do primeiro tempo de Palmeiras 1 x 0 Santos pelo Brasileirão Feminino, cobrando a CBF um tratamento igual ao masculino e o uso de VAR na modalidade. Cris entendeu que houve um pênalti não marcado pela arbitragem a favor do Santos, desta forma as equipes acabam sendo prejudicadas no geral. 

Uma das frases ditas pela Cris foi:  “Já que vocês (CBF) estão profissionalizando a modalidade, então faz o bagulho direito".

Rosana, treinadora do Red Bull Bragantino, também cobrou uma melhor arbitragem para a modalidade. Sua equipe perdeu jogando fora de casa para o Real Brasília por 3 a 2.

Rosana iniciou o seu texto para falar da arbitragem com a seguinte frase:

“Ao longo dos anos o futebol feminino encontrou muitas dificuldades e sem dúvidas evoluímos muito, mas precisamos falar de algo que ainda está muito distante do aceitável: A ARBITRAGEM”.

A treinadora do Bragantino ainda fala do VAR, da falta de respeito e desmerecimento do futebol feminino.

Na verdade, muitos clubes, inclusive masculinos, acabam reclamando de falta de respeito de alguns árbitros (sem generalizar), de tratamentos inadequados, onde desmerecem normalmente categorias inferiores.

No futebol feminino às vezes são escalados árbitros novos, sem muita experiência e que podem errar mais, porém que também querem mostrar mais trabalho para seus dirigentes. Árbitros mais experientes, que não gostam de apitar o feminino e acabam menosprezando o jogo também são escalados. Porém, há os árbitros que tratam todas as categorias de forma profissional, mas irão cometer erros por fazer parte da profissão.

Atitude profissional independente do árbitro ser profissionalizado ou não, pois é uma atitude que cabe a cada um que leva sua carreira à sério e isso cabe também para dirigentes.

O futebol feminino, as categorias de base, todas as divisões do futebol merecem tanto respeito quanto o futebol profissional masculino de elite. A arbitragem ainda é um ponto a ser melhorado no futebol mundial, assim como as regras. E a cobrança de clubes muitas vezes se fazem necessárias justamente porque um erro para acarretar em um título ou rebaixamento ou demissão entre outros.

Quando se trata bem a arbitragem e se investe, automaticamente se trata bem os árbitros e o futebol.

A comentarista Renata Ruel analisa as polêmicas da arbitragem
A comentarista Renata Ruel analisa as polêmicas da arbitragem Reprodução / Pedro Ernesto Guerra Azeved
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Não é só a idade! Por que árbitro para Palmeiras x Corinthians é um risco e mostra desespero da FPF

Renata Ruel
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A Federação Paulista de Futebol (FPF) escalou o jovem Matheus Delgado Candançan, de apenas 23 anos, para apitar o clássico Palmeiras x Corinthians.

A FPF há algum tempo sofre grande pressão para revelar árbitros, pois Raphael Claus, Luiz Flavio de Oliveira, Flavio Rodrigues Souza, Vinicius Gonçalves que apitam os grandes jogos já passaram dos 40 anos. Desta forma, em 2020 tentaram o promissor Flavio Mineiro, que fez uma excelente estreia, entretanto foi escalado para a sua segunda partida no Morumbi, time grande, São Paulo x Novorizontino, os erros ocorreram e um árbitro acabou 'ficando pelo caminho' muito mais por erro de escala de quem comanda.

Matheus Candançan se tornou árbitro por influencia do pai, Demetrius Candançan, que foi árbitro da Federação por muitos anos e possui uma empresa de arbitragem, através da qual Matheus começou a carreira na arbitragem, atuando como árbitro e assistente desde dos 14 anos. Quem já viu um vídeo que roda o mundo, no qual um jogador de futebol me encara, eu estou com a bandeira erguida e um árbitro chega aplicando o cartão, pode não saber, mas o árbitro é justamente o Demetrius.

Matheus se formou no curso da Federação em 2017, tem apenas 6 jogos pelo Paulistão em toda sua carreira. Apitou a semifinal da Copinha este ano e foi criticado por não encerrar a partida depois da invasão de torcedores e uma faca no campo de jogo na partida entre São Paulo x Palmeiras.


         
     

Atualmente, o departamento de Análise de Desempenho dos clubes fazem a análise dos árbitros que apitarão seus jogos e passam as informações para a comissão técnica e jogadores. Palmeiras e Corinthians sempre vai ser um jogo difícil, mesmo ambos classificados. Por mais que os assistentes e o árbitro de vídeo sejam experientes, quem comanda é o árbitro. Os jogadores entrarão em campo sabendo do histórico do jovem Matheus, ambos os times possuem jogadores experientes e alguns que adoram testar a arbitragem e até mesmo ‘tentar apitar o jogo’.

É natural um árbitro jovem e com poucos jogos profissionais sentir o tamanho do jogo, ainda mais de um clássico.

A escala da Federação Paulista é arriscada. Se o árbitro cometer um erro, o que pode acontecer e acontece até com os experientes, a FPF vai 'segurar a bronca' ou vai queimar um árbitro promissor como fez com Flávio Mineiro?

A escala do árbitro não é mais através de sorteio, a comissão escolhe quem eles querem para apitar cada jogo. Quem escala precisa entender de futebol e não só de árbitro e de regras, precisa fazer leitura de cada jogo, de quem são os técnicos, os jogadores, qual o tamanho do jogo, o que vale e quanto vale este jogo para cada equipe entre outras coisas.

A expectativa para o clássico já era grande e com a escala de Matheus se torna ainda maior.

Será que ao término da partida a s discussões serão sobre Palmeiras e Corinthians, seus esquemas táticos, seus treinadores e jogadores ou sobre a arbitragem?

 Matheus Delgado Candançan apitará o clássico entre Palmeiras x Corinthians, pelo Paulistão 2022
Matheus Delgado Candançan apitará o clássico entre Palmeiras x Corinthians, pelo Paulistão 2022 Matheus Reche/UAI Foto/Gazeta Press
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Nacho faz gol, homenageia a avó e pode ser punido por isso

Renata Ruel
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Atlético-MG e Flamengo  se enfrentaram pela final da Supercopa do Brasilempataram em 2 a 2 no tempo normal e em uma disputa de pênaltis raramente vista, a equipe Mineira se sagrou campeã após 12 cobranças e com o resultado de 8 a 7.

Nacho Fernández abriu o placar do jogo para o Atlético-MG e ao comemorar o gol tirou a caneleira que tinha a foto de sua avó Sara, falecida o ano passado. Ele beijou a imagem e em seguida mostrou para a câmera durante a transmissão da partida.

Para mim toda homenagem a um familiar, amigo ou até mesmo uma personalidade que fez ou faz história são lindas e emocionantes. Entretanto, a regra não permite tais homenagens e o jogador, assim como sua equipe, podem ser punidos quando isso ocorrer.

A “Regra 4 – O Equipamento dos Jogadores” traz o seguinte texto:

“5. Slogans, declarações, imagens e publicidades

O equipamento não pode conter qualquer mensagem política, religiosa ou pessoal. Os jogadores não podem exibir roupa interior com slogans, declarações ou imagens políticas, religiosas, pessoais ou de publicidade, além do logotipo do fabricante. Se for cometida qualquer infração, o jogador e/ou a equipe serão punidos pela entidade de organização da competição, pela respectiva Associação Nacional ou pela FIFA.”

A caneleira é um equipamento obrigatório pela regra, ou seja, nela não pode haver mensagem pessoal como a do Nacho. Outro ponto relevante, como diz o texto acima, é que quem vai punir o jogador e/ou a equipe será a entidade organizadora do torneio e não a arbitragem. Nesse caso não cabe ao árbitro aplicar cartão amarelo, somente relatar em súmula o que aconteceu na comemoração. O jogador deve ser denunciado e o Tribunal pode definir como punição multa e/ou suspensão conforme previstos no Código Brasileiro de Justiça Desportiva.

A única exceção até hoje sobre casos assim aconteceu em 2020, quando os jogadores Jadon Sancho e Hakimi marcaram gols pelo Borussia Dortmund, na Bundesliga, e mostraram uma camisa por baixo da oficial com os dizeres “Justiça para George Floyd”. Foi a única vez que a FIFA se manifestou sobre esse tipo de situação e pediu “bom senso”, pois naquele momento o movimento era de extrema importância em relação aos Direitos Humanos e na luta contra o racismo e preconceito.

 

 

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Por que brasileiro do Arsenal levou dois cartões amarelos no mesmo lance e acabou expulso na Premier League; veja o que diz a regra

Renata Ruel
Renata Ruel

Em lance pitoresco na vitória do Arsenal sobre o Wolverhampton por 1 a 0, entretanto possível e que se repete, o brasileiro Gabriel Martinelli foi expulso após receber duas vezes o cartão amarelo por duas infrações cometidas no mesmo lance.

Aos 68 minutos de partida, o jogador do Arsenal tentou impedir um arremesso lateral dos Wolves. Mesmo com o atleta do Wolverhampton sendo empurrado, a cobrança foi realizada de forma correta – se não, ocorreria a reversão – e o experiente árbitro Michael Oliver aplicou a vantagem. Na sequência do lance, com a bola em jogo, Martinelli comete outra infração ao derrubar o adversário Chiquinho com uma carga nas costas.

Pela regra do jogo, o árbitro pode aplicar os cartões amarelos se ele entender que o empurrão e a carga foram ações temerárias. Ou, se o empurrão não foi temerário, pode ser considerado uma conduta antidesportiva de Martinelli. Pode ainda ser classificado como uma falta tática que impediria um ataque promissor. Ou seja, motivos para a aplicação de ambos os cartões a arbitragem tinha em campo e isso independe se a infração aconteceu em jogadores diferentes ou no mesmo jogador, pois o que conta são as ações do infrator.

Em relação a aplicação dos dois cartões amarelos e na sequência o vermelho, pela regra do jogo a arbitragem pode sim dar a vantagem. No caso específico deste jogo, o primeiro cartão não foi por falta tática, então ele ocorreria de qualquer forma na primeira paralisação.

Gabriel Martinelli é expulso na Premier League
Gabriel Martinelli é expulso na Premier League Nick Potts/PA Images/Getty Images

A Regra 12 traz o seguinte texto:

“Vantagem

Se o árbitro aplicar uma vantagem depois de uma falta punível com Cartão Amarelo ou expulsão, a advertência ou expulsão deve ser aplicada quando a bola estiver fora de jogo. No entanto, se a infração foi por impedir, da equipe adversária, uma clara oportunidade de gol, o jogador deve ser punido com Cartão Amarelo, por conduta antidesportiva. Se a infração foi por interferir ou impedir um ataque promissor, o jogador não deve ser punido com Cartão Amarelo. Não deve ser aplicada vantagem em situações de jogo brusco grave, conduta violenta ou em caso de segundo cartão amarelo, a menos que se trate de uma clara oportunidade de gol. Neste caso, o árbitro deve expulsar o jogador na primeira interrupção de jogo, a não ser que o jogador jogue a bola, a dispute ou interfira em um adversário, caso em que o árbitro deve parar o jogo, expulsar o jogador e reiniciar o jogo com um tiro livre indireto contra a equipe do jogador expulso, a menos que o jogador tenha cometido uma infração mais grave.”

E esse texto ainda mostra outro fator curioso: se o árbitro aplicar a vantagem em uma jogada na qual o jogador cometer uma falta para expulsão direta ou segundo amarelo, a bola seguindo em jogo e este jogador interferir diretamente na disputa, no adversário ou jogar a bola, mesmo que seja em lance sem perigo no meio de campo, imediatamente o jogo será paralisado, este jogador expulso e a partida reiniciada com um tiro livre indireto, pois este jogador não deveria mais pertencer à partida e só seguia em campo em função da vantagem dada para o adversário.

O jogo tem tantas curiosidades que vão muito além do livro de regras.

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E quem expulsa o árbitro que agarrou jogador pelo pescoço em Palmeiras x Água Santa?

Renata Ruel
Renata Ruel

Gol do Palmeiras! Dudu corta para a canhota, finaliza, bola desvia na defesa, trai o goleiro e entra; VEJA

Na partida entre Palmeiras e Água Santa, na última terça-feira (01), pelo Paulistão 2022, mais um episódio pitoresco marcou a arbitragem neste início de temporada. Após desentendimento entre os jogadores de ambas as equipes, principalmente entre Zé Rafael e Rodrigo Sam, o árbitro da partida teve uma atitude inaceitável: Salim Fende Chavez segurou pelo pescoço o capitão do Água Santa na tentativa de apartar a confusão.

Quando fiz o curso de árbitros, já éramos orientados a não encostar em jogador, imagina segurá-lo pelo pescoço. Tentar conter a confusão é diferente de ter um ato hostil e a ação se tornar uma das mais assustadoras que já vi um árbitro ter.

Quando o Diego Ribas segurou Rossi pelo pescoço, em uma ação de revide, pela partida entre Flamengo e Bahia, no Brasileirão 2021, rapidamente o VAR entrou em ação e ambos foram expulsos. Mas quem expulsa o árbitro depois dessa atitude?

Salim havia apitado no domingo São Paulo x Ituano. Teve dificuldade no controle de jogo, marcou um pênalti a favor do Ituano no qual o jogador tinha os braços junto ao corpo, lance que eu não vejo como infração. E ainda deixou de expulsar Miranda após este cometer uma falta tática relacionada a oportunidade clara de gol.

Três dias depois do Morumbi, "ganha de presente" apitar Palmeiras x Água Santa. E, novamente com grandes dificuldades de controlar a partida, na qual foi possível observar alguns desentendimentos entre jogadores e muitas reclamações com a arbitragem durante o jogo.

Árbitro Salim Fende Chavez agarra Rodrigo Sam pelo pescoço durante jogo entre Palmeiras e Água Santa
Árbitro Salim Fende Chavez agarra Rodrigo Sam pelo pescoço durante jogo entre Palmeiras e Água Santa Reprodução

Apitar um jogo vai muito além de um livro de regras. O árbitro precisa ter leitura de jogo, feeling, tomadas de decisões assertivas, autoridade, não autoritarismo e respeito. E todos estes pontos influenciam diretamente no controle do jogo por parte da arbitragem.

Assim como se repudia atitudes agressivas e hostis entre jogadores e/ou de jogadores para com os árbitros, é preciso repudiar também quando essas atitudes partem de árbitros para com os outros.

Futebol raiz não quer dizer futebol agressivo. Nem em futebol amador ou da várzea essa atitude do Salim Fende Chavez seria plausível, o que dirá no futebol profissional

Como eu costumo dizer, o que vemos em campo é somente o produto final, se algo está errado é porque o processo está falho.

Fonte: Renata Ruel

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Árbitros que esqueceram bandeiras e improvisaram são punidos por 4 meses pela Conmebol

Renata Ruel
Renata Ruel

Um fato pitoresco ocorreu com a equipe de árbitros no jogo entre Chile e Argentina pelas Eliminatórias da Copa do Mundo.

Pelo que foi apurado por este blog, a arbitragem brasileira, comandada por Anderson Daronco, não levou para o estádio um dos seus equipamentos básicos para a realização do jogo, as bandeiras utilizadas pelos árbitros assistentes, que teriam sido esquecidas no hotel. Os árbitros, quando perceberam o problema, não tinham mais tempo hábil para buscá-las no hotel, e desta forma acabaram improvisando bandeiras feitas de última hora com coletes fluorescentes presos a tubos de plástico.

Se formos falar das habilidades que o mercado de trabalho atualmente exige dos profissionais, é possível citar que os árbitros utilizaram a criatividade, a resolução de problemas, a adaptabilidade e até mesmo o manejo do tempo ao improvisar as bandeiras e realizar a partida com um equipamento que atendesse a necessidade do momento.

Porém, parece que a Conmebol não levou em consideração as habilidades da arbitragem e resolveu punir somente os assistentes do jogo, Fabrício Vilarinho e Rodrigo Correa, com 4 meses de suspensão em competições organizadas pela Conmebol.

Decisão da Conmebol
Decisão da Conmebol ESPN

Normalmente ocorrem checagens, a conferência de todo o equipamento por toda equipe de arbitragem antes de sair para o estádio. Houve falha, mas não somente dos assistentes, e sim de toda a equipe. Desta forma, não vejo como justa a punição somente para os assistentes, em função da checagem ser responsabilidade de todos.

Outro ponto: quantas vezes já vimos árbitros que durante a partida esqueceram seus cartões no vestiário e foram pegar emprestado com os assistentes ou quarto árbitro? Não me recordo de ninguém ser punido por isso. Até entendo a punição ocorrer, entretanto, 4 meses corresponde à um terço do ano, sendo exagerada na minha visão. Um ou dois jogos estariam de bom tamanho.

É claro que árbitros do quadro da FIFA, querendo ou não, são mais exigidos e precisam dar ótimos exemplos, até por serem ‘espelhos’ para os demais.

Contudo, sigo aqui refletindo sobre algumas questões.

Se o Wilson Seneme, Presidente da Comissão de Árbitros da Conmebol, esquecer um equipamento de trabalho, ele sofrerá alguma punição?

Se você, fã de esporte, esquecer um equipamento de trabalho uma vez, algo que não é recorrente, será punido ou até mesmo demitido por isso?

Se o árbitro não tem vínculo empregatício com as instituições para as quais ele presta serviço, ele pode sofrer punições?

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Árbitros que esqueceram bandeiras e improvisaram são punidos por 4 meses pela Conmebol

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A faca e o olhar de pavor do árbitro na Copinha

Renata Ruel
Renata Ruel

A Copa São Paulo de Futebol Júnior é um dos maiores eventos esportivos do Brasil e com uma visibilidade que alguns torneios da CBF sequer têm. Os estádios lotam, há disputa entre as grandes equipes e clássicos que requerem a atenção.

São Paulo x Palmeiras é um dos maiores clássicos do Brasil e quando se trata de Copinha o jogo tem uma dimensão enorme, igual ao profissional, assim como será a final entre Palmeiras x Santos.

Em 1995, a decisão da Supercopa de Juniores resultou em 1 morte e 102 feridos ao término da partida nos gramados do Pacaembu, após briga entre torcedores de Palmeiras e São Paulo. Ontem a Federação Paulista decidiu por torcida única e a cobrança de ingressos, entretanto isso não impediu a invasão de campo e a aparição absurda de uma faca que poderia ter colocado em risco a vida de alguém.

Cenas lamentáveis! Palmeiras x São Paulo na Copinha é paralisado por invasão com direito a faca apreendida




Quem acompanha e o conhece a Copinha, sabe bem o tamanho dessa competição sabe também a importância e o risco de certos jogos e a FPF também deveria saber ao fazer a escala de árbitros para certos jogos.

O árbitro Matheus Delgado Candançan, de 23 anos, formado na turma da FPF em 2017, havia dado 7 minutos de acréscimos no segundo tempo, 5 minutos destes haviam se passando quando ocorreu os torcedores invadiram o gramado e a faca surgiu. Matheus é um árbitro que atua na várzea desde de adolescente, tem atuado muitíssimo bem nos seus jogos, tido boas oportunidades e correspondido à altura. Contudo, ainda é um árbitro jovem, que está adquirindo experiência em grandes jogos e o seu olhar de pavor e até mesmo de “não sei o que faço, alguém me ajuda, me socorre” ficou nítido para quem acompanhava o jogo no momento da confusão. O que amenizou a situação é ele ter na sua equipe o assistente Daniel Marques e o quarto árbitro Rafael Félix, que são mais experientes e o “socorreram" em algumas tomadas de decisões.

Um dos princípios da regra do jogo é justamente a segurança de todos que participam do espetáculo. Ao ver uma faca em campo, ocorrer invasão de torcedores - e aqui ressalto o quanto o jogador Caio do São Paulo foi gigante ao segurar os torcedores, policiamento e seguranças demoraram uma “eternidade” pata agir - qual a garantia de segurança para seguir com os 2 minutos de acréscimos que faltavam?

Recentemente na França um jogo entre Lyon e Marselha terminou com 5 minutos do primeiro tempo, após um jogador ser atingido com garrafa de água. E na Espanha, no último dia 15, Betis X Sevilla também foi suspenso por um objeto arremessado em campo que atingiu um jogador, ainda no primeiro tempo. Já no Brasil, tem invasão de campo com uma faca e o jogo é reiniciado para disputar 2 minutos finais.

Para quem ainda não entendeu a gravidade da situação, em 1993 aos 19 anos, a tenista Monica Seles jogava o torneio WTA na Alemanha quando um torcedor invadiu a quadra e a esfaqueou pelas costas. Ela quase ficou incapaz de andar, conseguiu retomar a carreira dois anos, porém ela confessa que nunca se livrou do fantasma do atentado.

Matheus Delgado Candançan, árbitro da partida entre Palmeiras e São Paulo pela Copinha
Matheus Delgado Candançan, árbitro da partida entre Palmeiras e São Paulo pela Copinha Jorge Bevilacqua/Código19/Gazeta Press

Sempre digo que apesar da regra e do regulamento dar poder somente ao árbitro para decidir se o jogo deve ou não ser suspenso, o poder do delegado é enorme nesses acontecimentos e um árbitro jovem, com o olhar amedrontado, até em função da sua inexperiência para o tamanho do jogo, foi conduzido a reiniciar a partida e dar os 2 minutos finais de acréscimos que em nada mudaram o resultado final.

Agora é esperar que a FPF tenha a real noção que a final entre Palmeiras x Santos na Copinha é da mesma proporção, tamanho de um jogo dessas equipes no profissional e tenha o devido cuidado que a escala de árbitros merece para essa grande partida.

E mais esse triste episódio vivido no futebol mostra que é preciso melhor a segurança e principalmente evoluirmos como cidadãos e sociedade. Alguém que entra em um estádio armado nunca terá boa intenção.

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Jogadores e comissões não fazem teste de COVID, e casos positivos na arbitragem aumentam na Copinha

Renata Ruel
Renata Ruel

Os casos de COVID-19 tem aumentado no mundo, assim como no Brasil e na arbitragem.

Quem acompanha o futebol inglês percebeu que jogos foram adiados em função de surtos em alguns clubes. No Brasil os jogadores de elite estão se representando em seus clubes, após período de férias e com alguns testando positivo também.

Com a Copa São Paulo de Futebol Júnior em andamento, os estádios muitas vezes estão lotados, onde se percebe muitos torcedores sem máscaras, aglomerados, e nem sempre o comprovante de vacinação é solicitado para a entrada nas arquibancadas. Para piorar, sequer os jogadores e as comissões técnicas foram obrigados a fazer testes antes dos jogos. A única exigência para os integrantes do clubes foi apresentar o comprovante das duas doses da vacinação. Com isso, as chances de contaminação realmente aumentam, e muito.

E o resultado está no número de árbitros que estão testando positivo: mais de 40 desde o início da competição, de acordo com fontes ouvidas pelo blog. Na contramão dos atletas e torcedores, toda equipe de arbitragem precisa fazer o teste de COVID-19 um dia antes de cada jogo escalado, exigência da Federação Paulista.

Como o resultado do teste não sai na hora, acontece que muitos árbitros acabam indo para os seus jogos e recebendo a notificação que testaram positivo instantes antes da partida, o que obriga uma mudança de árbitro em cima da hora. Pela apuração que fiz, um desses casos ocorreu no jogo entre Matonense x Fluminense, onde o juiz foi trocado de última hora em função do primeiro testar positivo para COVID-19, mas ficou sabendo do resultado somente quando já estava no vestiário.

Isso não é novidade na arbitragem: a própria Série A do Brasileirão sofreu com casos assim, de árbitros chegarem a viajar para os jogos e somente depois saberem o resultado de seu teste.

Hoje a CBF realizou teste físico e prova teórica para os árbitros de São Paulo, o que já valeu para o Paulistão, exigiu o teste de COVID-19 antes e desta forma teve 9 baixas, pois estes testaram positivo. Foi uma excelente exigência da CBF e FPF para não colocar todo o grupo em risco.

Entretanto, os árbitros da Copinha estão em risco, sim, e um dos motivos é a falta de exigência de testes para jogadores, comissões e torcedores e o aumento de número de casos, que coloca em risco todos e não somente a arbitragem.

Que o risco não se torne realidade, que a saúde prevaleça e que os órgãos competentes tomem providências para que não haja um caos e colapso no sistema de saúde novamente. Lembrando que a vacina salva vidas.

Sede da FPF
Sede da FPF Reuters
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Quadro de árbitros da Fifa para 2022 tem irmãos brasileiros, mulheres no VAR e aumento de vagas

Renata Ruel
Renata Ruel
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Pertencer ao quadro da Fifa é o ápice da carreira de um árbitro, apesar de ter conhecido pessoas muito capacitadas, que mereciam, mas não tiveram o escudo.

A quantidade de vagas para o Brasil tem aumentando consideravelmente, antes era difícil e raro pertencer ao quadro da entidade máxima do futebol, hoje nem tanto em função deste aumento e também da criação do VAR (Árbitro de Vídeo). Atualmente são 17 árbitros e árbitras no total, 17 assistentes e 12 VAR.

Com a indicação da CBF para 2022, Savio Pereira Sampaio, irmão do também FIFA Wilton Pereira Sampaio (o mais forte candidato brasileiro para a Copa do Mundo no Catar 2022), entra no quadro. Luiz Flávio de Oliveira e Paulo César de Oliveira são irmãos que também conquistaram esse escudo, porém Luiz Flávio, que segue na FIFA, o conquistou após PC de Oliveira deixar a arbitragem. Ou seja, os irmãos Pereira Sampaio são os primeiros a carregar ao mesmo tempo o tão almejado escudo.

Com a criação do Árbitro de Vídeo, vagas na FIFA específicas para essa área foram abertas, porém em um primeiro momento só para os homens e da categoria de árbitros. Não há assistentes com esse escudo, apesar destes atuarem no VAR em todos os jogos. Este ano a CBF incluiu duas árbitras nesse categoria, Daiane Muniz e Rejane Caetano, que já possuíam o escudo como árbitras de campo e agora também como VAR.

É importante ressaltar que no quadro feminino poucas atuam na elite do futebol brasileiro, isto é, série A do Brasileirão. No apito, até o momento, só a Edina Alves é escala para a função. E dentre os homens nem todos atuam em competições internacionais, mesmo tendo Libertadores e Sul-americana.

A responsabilidade desse seleto grupo é grande e tem que ser gratificante, pois árbitros jovens os têm como espelho e exemplo e a grande maioria deseja seus postos. Manter o escudo muitas vezes é mais difícil do que conquistá-lo. Em ano de Brasileirão, Libertadores e Copa do Mundo se sobressair entre os melhores é um grande desafio.

Quadro internacional de arbitragem da FIFA em 2022:

*estreante

**estreante como VAR

Árbitros e Árbitras

Anderson Daronco (RS)

Andreza Helena Siqueira (MG)*

Bráulio da Silva Machado (SC)

Bruno Arleu de Araújo (RJ)

Charly Wendy Straud Deretti (SC)

Daiane Caroline Muniz dos Santos (SP)

Deborah Cecília Cruz Correia (PE)

Edina Alves Batista (SP)

Flavio Rodrigues de Souza (SP)

Luiz Flavio de Oliveira (SP)

Raphael Claus (SP)

Rejane Caetano da Silva (RJ)

Rodolpho Toski Marques (PR)

Savio Pereira Sampaio (DF)*

Thayslane de Melo Costa (SE)

Wagner do Nascimento Magalhães (RJ)

Wilton Pereira Sampaio (GO)

 

Árbitros Assistentes

Alessandro Rocha Matos (BA)

Anne Kesy Gomes de Sá (AM)*

Bárbara Roberta da Costa Loiola (PA)

Brigida Cirilo Ferreira (AL)

Bruno Boschilia (PR)

Bruno Raphael Pires (GO)

Danilo Ricardo Simon Manis (SP)

Fabricio Vilarinho da Silva (GO)

Fabrini Bevilaqua Costa (SP)

Fernanda Nândrea Gomes Antunes (MG)

Guilherme Dias Camilo (MG)

Kleber Lucio Gil (SC)

Leila Naiara Moreira da Cruz (DF)

Marcelo Carvalho Van Gasse (SP)

Neuza Ines Back (SP)

Rafael da Silva Alves (RS)

Rodrigo Henrique Correia (RJ)

 

Árbitros Assistentes de Vídeo (VAR)

Daiane Caroline Muniz dos Santos (SP)**

Daniel Nobre Bins (RS)**

Igor Junio Benevenuto de Oliveira (MG)

José Claudio Rocha Filho (SP)

Pablo Ramon Gonçalves Filho (RN)**

Péricles Bassols Pegado Cortez (SP)**

Rafael Traci (SC)

Rejane Caetano da Silva (RJ)**

Rodrigo D'Alonso Ferreira (SC)

Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral (SP)

Rodrigo Nunes de Sá (RJ)

Wagner Reway (PB)

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Premier League também tem polêmica: faltou fair play ao Arsenal e bom senso da arbitragem e do VAR com o United

Renata Ruel
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Premier League pode ser um exemplo de arbitragem para muitos, mas que as polêmicas também acontecem por lá, não há dúvidas. 

O Manchester United ganhou de 3 a 2 do Arsenal. Entretanto, o primeiro gol do Arsenal gerou uma grande polêmica. Escanteio cobrando, Fred pisa sem querer em seu goleiro, De Gea cai no chão, o árbitro não vê, Smith Rowe chuta de fora da área e a bola entra. 

Martin Atkinson, o árbitro do jogo, assim que percebe o De Gea caído e a bola entrando, apitando paralisando o jogo e não dando o gol. Mas o VAR, após análise, válida a jogada e desta forma saí o zero do placar.

Veja o lance:


A Regra 3 – Os Jogadores, traz logo no início de seu texto que: “As partidas são disputadas por duas equipes compostas por no máximo de 11 jogadores cada, um dos quais jogará como goleiro.” A Regra 4 traz que os goleiros precisam estar com uniformes distintos de todos os outros em campo. 

Muitas outras regras mostram particularidades da posição, por exemplo, a Regra 5 diz que caso o goleiro se lesione, não sairá de campo para atendimento. E ainda que o árbitro tomará decisões de acordo com as regras e o “espírito do jogo”. 

As regras trazem pontos para analisarmos o lance do primeiro gol do Arsenal. O goleiro é diferenciado, em alguns casos, em relação aos outros jogadores. É preciso ser identificado e uma equipe não pode ficar sem goleiro para que a partida tenha andamento. 

Desde a escola de árbitros, é comum escutar a orientação de que goleiro caído o jogo deve ser paralisado pelo árbitro, principalmente se o ataque estiver ocorrendo em seu lado. Isso é orientação, não regra. Entretanto, dentro da regra quando se analisa todas as particularidades do goleiro e ainda o “espírito do jogo” a ser considerado pelo árbitro é de bom senso paralisar o jogo conforme a orientação.

O Fair Play parte das equipes e jogadores, não da arbitragem. Não houve falta no lance, pois o pisão foi do próprio companheiro de equipe. Mas um goleiro estava no chão, o árbitro assim que percebeu apitou e invalidou o gol. O VAR interveio e deu o gol ao Arsenal.

Dentro de todo o contexto de regras, orientações, “espírito do jogo”, bom senso vejo como acertada a decisão do árbitro em campo em um primeiro momento e equivocada a intervenção do VAR. 

De Gea estava caído, sequer viu a bola, o sistema defensivo do Manchester United estava com o seu goleiro lesionado. Faltou Fair Play do Arsenal, faltou o entendimento do “espírito do jogo” e bom senso da arbitragem, que inclui o VAR, ao validar o gol.

A regra não traz todas as situações que possam ocorrer em uma partida, nem tudo está previsto. Como costumo dizer, a regra apresenta  “brechas” e em casos pitorescos como esse é necessário um rápido raciocínio, trazer à mente vários pontos das regras, lembrar das orientações e usar o “espírito do jogo" junto com o bom senso. 

Apitar uma partida é uma arte, que vai muito além do livro de regras.

Jogadores do Arsenal reclamam com o árbitro em partida contra o United
Jogadores do Arsenal reclamam com o árbitro em partida contra o United Stuart MacFarlane/Arsenal FC via Getty I
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Campos do Jordão Open de Futevôlei contará com celebridades do esporte

Renata Ruel
Renata Ruel
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5352989_WEB REDBULLFUTEVOLEI 091117 ESPN

É comum no final do ano ver jogos comemorativos entre amigos, alguns com ações de solidariedade onde famosos participam, entretanto isso não é mais exclusividade do futebol.

O futevôlei é um esporte que também atrai muitos jogadores de futebol, ex jogadores e celebridades e tem ganhado cada vez mais adeptos. No Rio de Janeiro praia é sinônimo de futevôlei, em São Paulo quadras de areias não param de abrir e a demanda por aulas e práticas desse esporte só aumentam.

Campeonatos, torneios de futevôlei aos finais de semana são constantes para todos os gostos, têm para iniciantes, profissionais, master, duplas masculinas, femininas e misto.

Um dos eventos que mostrará a força desse esporte será Campos do Jordão Open Futevôlei, nos dias 26, 27 e 28 de novembro. A cidade do interior paulista é conhecida como a "Suíça brasileira" pelas belas construções em estilo europeu.

A expectativa dos organizadores é levar para a cidade em torno de 5 mil turistas e, com grande apoio do craque Romário, mais de 300 atletas entre os quais estarão o Souza - passagens pelo São Paulo, PSG, Grêmio, Fluminense, Cruzeiro; Cristian Baroni - Flamengo,  Corinthians,  Fernebahçe; Geovane Loubo -  Santos e Arsenal; Jonas - Botafogo; Rodrigo Fabri – Real Madrid,  Atlético de Madrid, São Paulo, Grêmio, Flamengo, Santos Atlético Mineiro; Michel Bastos - Seleção Brasileira, Grêmio, Lyon,  Roma, São Paulo, Palmeiras; Marco Tisu – Santos; Thiago Camilo - Piloto Stock Car. E ainda os craques do Futevôlei Ovelha, Belinho,  Saldanha, Amaury, Gustavo Silva, Zanol, Rafinha.

A História do Futevôlei

O futevôlei nasceu no Rio de Janeiro, na década de 60. No auge da ditadura militar, o esporte surgiu como uma alternativa para contornar uma restrição à prática de algumas modalidades na orla carioca.

O futevôlei foi criado através da tentativa de burlar uma lei das praias cariocas. Em meados dos anos 60, a prática do futebol havia sido proibida nas praias do Rio de Janeiro. Qualquer esporte sem utilização de rede e um espaço seguramente delimitado, não tinha permissão para ser praticado naquele local.

Com isso a criatividade de alguns amantes da prática do futebol na areia, fez com que jogassem o seu futebol em uma quadra de vôlei de praia, esporte que era permitido. Aos poucos, a prática começou a ganhar mais adeptos, que incluía jogadores de peso do futebol brasileiro da época, como Dida e Vavá.

A princípio, a brincadeira consistia em utilizar os movimentos dos pés e da cabeça com a bola, o que se mantém até os dias de hoje, porém com a inclusão de adeptos a usarem movimentos de ombros e peitos. A quantidade de praticantes em cada time não era exatamente precisa: jogava-se em cinco pessoas, em duplas e até sozinho, em cada lado da quadra. Atualmente as regras são bem definidas na modalidade.

Na década de 1990, o futevôlei alcançou projeção mundial, sendo praticado em países como a Argentina, Uruguai, Tailândia, Inglaterra, França, Alemanha, Itália, Grécia, Holanda, Espanha, Áustria, entre outros.

No ano de 2002 foi fundada a Federação Internacional de Futevôlei – FIFV. Em 2003, o esporte foi oficializado pela FIFV, realizando o Primeiro Mundial em Atenas (Grécia), com a participação de 18 duplas dos seguintes países: Brasil, Polônia, Itália, Portugal, Canadá, Espanha, Noruega, Tailândia, Áustria, Alemanha, Holanda, Uruguai, Suíça e Grécia.

Os brasileiros Helinho e Magrão sagraram-se oficialmente os primeiros campeões mundiais de futevôlei. Em 2004 o Brasil sediou pela primeira vez o Campeonato Mundial de Futevôlei,  na cidade de Brasília-DF, e o título foi conquistado pela dupla Belo e Marcelinho (DF/AL) contra os paraguaios.

As Mulheres no Futevôlei

"Comecei a jogar Futevôlei em Maresias há 20 anos, ano  2001. Naquela época,  não tínhamos treinamento específicos, espaços para o mesmo, foi no amor e na raça", conta Dri Louro, uma das primeiras mulheres a praticar o futevôlei.

Hoje muitos lugares oferecem aulas para quem quer aprender a jogar a modalidade.

"Conseguíamos reunir umas 7 meninas, nos finais de semana e muitas vezes para jogar o misto. Tempos difíceis, pois não tinham muitas meninas eram poucas e tinham já milhares de homens que praticavam o esporte no mesmo local na praia, então as duas redes colocadas na praia eram para eles. As vezes ficávamos horas para jogar, mas não desistíamos nunca, até que conseguíamos entrar na quadra. Tínhamos  alguns aliados e alguns fiéis amigos, que jogavam com a gente e que nos apoiavam. Até que virou um hábito ver meninas nas quadras", completa Dri Louro.

Como no futebol, as mulheres também enfrentaram o preconceito, mas isso não foi empecilho para conquistarem o seu espaço e respeito. Atualmente há torneios exclusivos para mulheres.

Louro falou um pouquinho sobre isso: "O preconceito sempre existiu infelizmente e era muito mais difícil, pois éramos bem poucas mesmo, mas me lembro que quando estávamos em quadra , já tínhamos uma plateia para assistir, era muito bacana".

 

Fonte: Renata Ruel

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Por que árbitros no Brasileirão ganham muito menos que em Libertadores e Champions e veem Espanha no topo

Renata Ruel
Renata Ruel

Sabemos que em Brasileirão, Conmebol Libertadores Copa do Mundo não condizem com a realidade do futebol em sua grande maioria, seja em questão de salários de jogadores, treinadores, dirigentes ou arbitragem. Entretanto, aqui irei focar a elite da arbitragem de futebol.

Na Champions League, as taxas variam de acordo com a classificação dos árbitros dentro do quadro da Fifa. Segundo o site Sportekz, os valores para a temporada 2021/2022 são:

Elite: US$ 10.000 (R$ 55.670)
Elite Development: US$ 6.500 (R$ 36.190)
Primeira categoria: US$ 3.000 (R$ 16.700)
Segunda categoria: US$ 2.000 (R$ 11.130)
Terceira categoria: US$ 1.000 (R$ 5.567)

Unzelte critica árbitro por apito em golaço de Arana, mas nega influência: 'Precisava de um drone pra ir atrás dessa bola'

         
     


Os valores recebidos pelos assistentes variam entre US$ 350 (R$ 1948) a US$ 3.000 (R$ 16.700).

Na Libertadores, as taxas variam em função da fase do torneio e não existe uma classificação para os árbitros, como acontece na Uefa.

Fase preliminar e de grupos: US$ 2.550 (R$ 14.200)
Oitavas de final: US$ 3.700 (R$ 20.600)
Quartas de final: US$ 4.000 (R$ 22.270)
Semifinal: US$ 10.000 (R$ 55.670)
Final: US$ 20.000 (R$ 111.340)

Os valores dos assistentes começam com US$ 1.670 na fase preliminar e terminam com US$ 16.000 na final. O árbitro de vídeo (VAR) entra apenas a partir das oitavas de final com o valor de US$ 2.700 e numa final chega ao mesmo valor do assistente, US$ 16.000.

Na Europa, cada lugar tem uma maneira própria. É importante citar que na Inglaterra os árbitros recebem um valor fixo por mês, além de um valor por jogo. Já a Espanha é o país que melhor paga aos árbitros na Europa. Os valores a seguir são da elite da arbitragem europeia:

Inglaterra: £ 1.150 (R$ 8.820) + 'salário' 
Espanha: £ 5.200 (R$ 39.870)
Alemanha: £ 3.150 (R$ 24.150)
Itália: £ 3.000 (R$ 23.000)
França: £ 2.400 (R$ 18.400)
Portugal: £ 1.000 (R$ 7.670)

No Brasileirão Série A masculino, as taxas mudam em função da categoria do árbitro: 

Fifa/Master: R$ 5.252,00 por jogo
Básico: R$ 3.780,00 por jogo

VAR Fifa/Master: R$ 3.150,00 por jogo
Básico: R$ 2.100,00 por jogo

Os árbitros assistentes recebem 60% dos valores dos árbitros de sua categoria. As funções de quarto árbitro e AVAR também são remuneradas, porém as taxas são inferiores, variam de acordo com a competição.

A quantidade de jogos por mês é uma questão significativa, dificilmente a grande maioria dos árbitros chega ou ultrapassa 4 jogos em um mês no apito na Série A do Brasileirão masculino. A média costuma ser de 3 jogos por mês. 

E é muito relevante citar alguns pontos que envolvem a carreira de um árbitro brasileiro: dificilmente terá um trabalho fixo em função das demandas da arbitragem (viagens, aprimoramentos, cursos, testes, pré-temporada); personal trainer, local de treinamento, nutricionista, fisioterapeuta, fisiologista, psicólogo, convênio médico, equipamentos de trabalho (apito, bandeira, chuteira) são por conta do árbitro. 

Ele recebe a taxa do jogo e diária para despesas com hotel e alimentação. O transporte é cedido pela CBF (no caso da Série A). Os árbitro não têm férias, nem 13º salário; se reprovar em teste físico e/ou prova teórica, fica fora de escala até que refaça e seja aprovado.

Luiz Flávio de Oliveira analisa lance de São Paulo x Palmeiras no VAR
Luiz Flávio de Oliveira analisa lance de São Paulo x Palmeiras no VAR Jorge Bevilacqua/Código19/Gazeta Press
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Palmeiras x Flamengo: por que Pitana não é a melhor escolha para a final da Libertadores

Renata Ruel
Renata Ruel

Nestor Pitana, sem estar em sua melhor fase, apita Final da Libertadores entre Palmeiras x Flamengo.

Sem dúvida que Nestor Pitana é um dos maiores árbitros do mundo, apitou a abertura a e final da Copa da Rússia em 2018 e possui um vasto currículo.

Porém, não está em sua melhor fase e tem se envolvido em algumas polêmicas. Uma das mais recentes foi na Copa América, no gol do Brasil contra a Colômbia, na qual levou uma bolada por estar mal posicionado.

Flamengo x Palmeiras: a rivalidade que promete uma final histórica de Libertadores

         
     

É um árbitro que atualmente apita mais com o nome do que com boas condições técnicas. Pode sim fazer uma excelente arbitragem na final, sem polêmicas, principalmente por ter VAR que acaba salvando alguns árbitros em campo.

Contudo, outros árbitros sul-americanos vivem melhores momentos na carreira, como o colombiano Wilmar Roldan e o argentino Fernando Rapallini, que apitou bons jogos na Eurocopa. Eles seriam nomes mais fortes tecnicamente para o momento.

Como sempre, é torcer para que a arbitragem passe despercebida. E que os times com seus jogadores sejam os protagonistas.

Néstor Pitana, árbitro argentino de Flamengo x Emelec pela Libertadores
Néstor Pitana, árbitro argentino de Flamengo x Emelec pela Libertadores Getty
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O polêmico gol de Mbappé que deu título à França: jogadores e treinadores discordam da regra

Renata Ruel
Renata Ruel

A França venceu a Espanha por 2 a 1 e se consagrou campeã da Liga das Nações da UEFA. O segundo gol vem dos pés de Mbappé, que estava em posição de impedimento no momento do passe de seu companheiro, porém como o jogador espanhol Eric Garcia tem uma ação deliberada e toca a bola, isso habilita o jogador francês e torna o lance legal, conforme as orientações que os árbitros recebem sobre ação deliberada no impedimento.

O jogador Eric Garcia se manifestou sobre o lance: “Tocam a bola e eu me jogo. Toco com o calcanhar nela e o Mbappé está impedido. O árbitro me disse que, como toquei com o calcanhar, eu tinha a intenção de jogar, e me disse que eu não deveria disputar (a jogada). Que essa é a regra. É uma jogada que é impedimento claro e onde um defensor nunca na vida pode pensar em não disputar.”

Quem acompanha o meu trabalho, principalmente no Sportscenter, já me viu falar que discordo de vários pontos da regra e de certas orientações, que parece que quem faz a regra não assiste, não entende de futebol. E nesse lance do gol para mim é exatamente isso que acontece.  A fala do Eric Garcia é exatamente o que penso e não é de hoje, finalmente um jogador se manifestou a respeito.

Eric García e Mbappé em Espanha x França
Eric García e Mbappé em Espanha x França Mike Hewitt/Getty Images


O jogo é para ser jogado, não para o jogador ficar estático.

O defensor, na maioria das vezes, ainda mais em lances ajustados, não sabe se o atacante está ou não em posição de impedimento. Desta forma, ele não vai ficar “engessado” no campo torcendo para que seja marcado impedimento. O defensor vai ter uma ação, vai tentar cortar essa bola, isso é o futebol, a dinâmica do jogo.

Entretanto, dentro das orientações/regra quando o jogador ataca uma bola, tem a ação de ir jogar com tempo e espaço, domínio do corpo e toca nessa bola, ele vai habilitar o jogador em posição de impedimento.

Nesse caso do gol do Mbappé, e não é o único, o toque do Eric Garcia muda a rotação, mas não a direção da bola, isto é, ela chegaria com ou sem o toque do defensor da mesma forma ao atacante. Onde a ação do defensor, que não pode jogar “engessado” no campo, interferiu claramente para habilitar um jogador em posição de impedimento, mudou a trajetória da bola? Não, não interferiu de forma alguma para habilitar um jogador em posição de impedimento na minha opinião, e sim, é só a minha opinião e visão de regras e futebol.

Assim, como antigamente a regra de mão na bola e bola na mão pareciam mais claras e justas, ocorre o mesmo no impedimento, que antes sequer cabia interpretação e atualmente ela sobra. Antes para habilitar um jogador em posição de impedimento, teria que ser um passe claro e intencional do defensor, não uma ação deliberada, ir jogar a bola como diz a regra hoje.

Os jogadores recebem muitas informações para serem processadas em segundos durante a partida, como se costuma dizer, o jogo é mais jogado com a cabeça do que com os pés e ainda tem a regra para complicar mais em alguns casos.



Como um técnico vai treinar a sua zaga para possíveis lances de impedimento, se corre o risco de uma ação de seu defensor habilitar claramente um atacante em posição?

“Concordo com sua posição e a do Eric Garcia. Na fração de segundo que ele (defensor) tem para decidir o que fazer, não tem certeza sobre a posição do atacante ser legal ou não. E penso que não podemos incentivar pela regra qualquer atitude do atleta que seja a negação ao jogo (parar de tentar disputar a jogada, por exemplo). É o oposto do que é a essência do jogo”, segundo Leandro Zago, treinador do Joinville e Licença A da CBF.

Em sua conta no Twitter, Pep Muñoz disse em relação ao gol de Mbappé e a regra do jogo: “Sempre pedimos aos jogadores que não parem até que acabe a jogada. A regra contradiz o espírito do jogo e do esporte.”

Como um defensor vai agir em campo em lances de ataques do adversário? Eles têm que se adaptar a esse tipo de regra ou a regra precisa entender de futebol e se adaptar ao jogo?

“Quem faz a regra não joga. Já pensou todos os jogadores deixarem de disputar a bola porque vai deixar o atacante impedido.? Existem vários tipos de situações durante o jogo e no vestiário os jogadores são sempre orientados a não desistir das jogadas, irem até o final. O árbitro agora tem que esperar a jogada se concluir em função do VAR, isso mostra como a partida é dinâmica e é contra a essência do jogo o atleta ficará parado”, opina Zé Elias, ex-jogador de futebol e comentarista nos Canais Esportivos da Disney.


É fundamental ter jogador, ex-jogador, treinador e, atualmente com essas orientações ‘loucas’, até mesmo um profissional especializado em Biomecânica do Esporte para direcionar sobre o que é natural ou não no futebol. Inclusive fazendo parte da equipe do VAR se for o caso, ter um ex-jogador. Quem entende de regra, nem sempre entende futebol e isso precisa mudar, pois se observa muitas marcações que não condiz com o jogo, sua essência e seu espírito.

 

Fonte: Renata Ruel

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O polêmico gol de Mbappé que deu título à França: jogadores e treinadores discordam da regra

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Chocados com violência, árbitros farão protesto em todos os jogos da 25ª rodada do Brasileirão e demais competições da CBF

Renata Ruel
Renata Ruel

A arbitragem brasileira fará protesto em todos os jogos da 25ª rodada do Campeonato Brasileiro e das demais competições organizadas pela CBF, em ação conjunta com o Sindicato dos Árbitros e a Federação Gaúcha. Tudo contra a violência aos árbitros após o triste episódio ocorrido esta semana no Rio Grande do Sul. Eles ficarão de joelhos e erguerão os braços mostrando os apitos. 

Quem não ficou chocado com o aterrorizante caso do árbitro Rodrigo Crivellaro? Ele foi covardemente agredido em jogo pela segunda divisão do Campeonato Gaúcho, saiu desacordado de campo, teve várias lesões e passará por cirurgia - reveja a agressão covarde no vídeo abaixo. 

Árbitro cai, é agredido com chute violento na cabeça e deixa o campo de ambulância na Série B do Gaúcho

Não é a primeira vez que um árbitro é agredido, mas que seja a última. O árbitro é um profissional, ser-humano, que tem família e está sujeito a errar. Imagina você no seu trabalho, em um escritório, trabalhando no seu computador, acaba cometendo um erro e começa a ser agredido. Muitas vezes o árbitro sequer errou e corre o risco de agressão. 

Nada nunca vai justificar a violência, temos que dar um basta nisso!

Nunca sofri a violência física nos gramados, mas fui ameaçada e por muito pouco não fui agredida uma vez por uma equipe de futebol feminino. Conheço muitos árbitros e árbitras que foram agredidos. Quantas vezes as portas de vestiários de arbitragem não são chutadas por dirigentes, jogadores e até torcedores? Arbitragem sair de estádio dentro de viatura ou escoltada pela polícia acontece de forma mais corriqueira do que muitos imaginam. Isso falando de futebol profissional, sem citar o amador.

Que todos se juntem aos árbitros neste protesto, que a empatia prevaleça, que o árbitro Rodrigo Crivellaro se recupere prontamente, receba toda a assistência necessária, inclusive o seguro previsto no Estatuto do Torcedor. E que o jogador agressor William Ribeiro receba a punição devida.

O protocolo de protesto sugerido aos árbitros, por Leonardo Gaciba, chefe da arbitragem nacional, com o apoio do presidente da CBF, é o seguinte:

1. Antes do minuto de silêncio os capitães serão avisados do protesto.

2. Logo após o minuto de silêncio centrais, quartos e quintos árbitros ficarão de joelhos. Assistentes fazem o mesmo com suas bandeiras e equipes de vídeo refletem na cabine a mesma ação.

3. Centrais lançarão em súmula o seguinte texto: “Durante o minuto de silêncio, em nome da paz no futebol, a equipe de arbitragem realizou protesto contra a agressão sofrida pelo árbitro Rodrigo Crivellaro.” 

Chega de violência. Mais respeito e empatia.

O árbitro Rodrigo Crivellaro deixou o hospital de cadeira de rodas e colar cervical após ser covardemente agredido
O árbitro Rodrigo Crivellaro deixou o hospital de cadeira de rodas e colar cervical após ser covardemente agredido William Oliveira/Guarani/Assessoria
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Chocados com violência, árbitros farão protesto em todos os jogos da 25ª rodada do Brasileirão e demais competições da CBF

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Regras do jogo versus orientações e 'espírito do jogo': polêmicas e problemas

Renata Ruel
Renata Ruel

Leis do Jogo, tradução ao ‘pé da letra’ do inglês para o português sobre as Regras do Jogo. A lei é para ser cumprida, mas nem sempre é clara e em alguns momentos deixa margens para distintas interpretações. E então entram as orientações dos instrutores de arbitragem.

No gol do Palmeiras contra o Atlético-MG pela Libertadores, a regra não é interpretativa, a Regra 3 no item 9 é um dos pontos que deixa claro o que a arbitragem deve fazer, sem margem para “achismos”.

Se perguntado em uma prova teórica a situação que ocorreu no gol do Palmeiras, com uma pessoa extra da equipe que marcou o gol em campo, os árbitros que conhecem a regra escolheriam, com certeza, a resposta que anularia o gol.

Invasão de Deyverson foi alvo de polêmica em Atlético-MG x Palmeiras na Libertadores
Invasão de Deyverson foi alvo de polêmica em Atlético-MG x Palmeiras na Libertadores Montagem ESPN Brasil


Mas de repente surgem orientações que não existiam ou se existiam pouquíssimos conheciam, seja no campo ou no VAR, e que contradiz o próprio texto da regra.

Aconteceu agora com uma orientação nova que ninguém sabia sobre o gol do Palmeiras, aconteceu na final da Copa América de 2019 no pênalti marcado contra o Brasil, de Thiago Silva, que era contrário à regra do jogo naquele momento. Orientações que aparecem depois de erros da arbitragem. Seria para ‘justificar’ o injustificável?

A regra é texto, a regra é lei, entretanto por não ser clara em vários pontos acabam sendo necessárias orientações. A questão é que as orientações nem sempre são uniformes, usam o mesmo critério, chegam a todos os árbitros e da mesma forma.

Veja o gol de Dudu que teve invasão de Deyverson!


Muitas vezes as orientações da FIFA brincam de ‘telefone sem fio’, chegam distorcidas ao ponto final. É possível ver como as orientações da Europa diferem das sul-americanas, nem sempre o que é pênalti aqui será infração para os europeus ou um lance para cartão. Nem sempre a orientação passada pela Conmebol é a mesma da CBF.

E o que dizer das orientações entre as federações brasileiras. Só para exemplificar, a Federação Paulista trouxe Jorge Larrionda, instrutor FIFA, para orientar os árbitros durante o Paulistão 2021, porém, os paulistas receberam orientações que os outros árbitros do Brasil não tiveram.

O que dizer dos árbitros do quadro da FIFA que recebem cursos exclusivos e na maioria das vezes não repassam as informações. Claro que há exceções, aqueles que fazem questão de repassar o conhecimento para os colegas, mas são poucos.

Ah, mas e o ‘espírito do jogo’ citado na regra? Sim, ele é mencionado. Mas o que você entende sobre ‘espírito de jogo'? Será que é o mesmo entendimento do outro? O árbitro precisa conhecer o futebol para entender esse espírito, mas quantos têm o mesmo entendimento?

E assim surgem as faltas de critérios, as ‘desculpas’ ou justificativas para erros cometidos principalmente em jogos importantes.

A regra é universal, as orientações e o espírito do jogo não. Se essas orientações diferem de lugar para lugar e nem sempre chegam à todos, como ficam os jogadores,  dirigentes, jornalistas e torcedores para realmente terem noção do que é coerente com a regra ou não?

O texto da regra do jogo deve prevalecer e alguns pontos devem deixar de serem apenas orientações e ‘espírito do jogo’ para se tornarem regras. Se o gol será anulado somente se a pessoa extra, da equipe que o marcou, interferir no jogo isso tem que ser texto/regra e não orientação que ninguém conhecia. Senão, cada vez mais o futebol apresentará falta de critérios e justificativas para erros.

Como eu sempre digo, não concordo com vários pontos das regras, mas ela existe e deve ser cumprida. Assim como parece que, muitas vezes, quem faz as regras e passa orientações não entende, não conhece e não estuda o futebol.

Fonte: Renata Ruel

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Regras do jogo versus orientações e 'espírito do jogo': polêmicas e problemas

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