Dados como aposentados por alguns, Ancelotti, Mourinho e Van Gaal dão resposta ao resultadismo seletivo que celebra Bielsa

Rodrigo Bueno
Rodrigo Bueno

Não sei se você é dos que davam Carlo Ancelotti (62 anos), José Mourinho (58 anos) e Van Gaal (70 anos) como aposentados, mas, de forma bem resultadista, quero dizer que o primeiro lidera LaLiga (com o Real Madrid), o segundo está na ponta do Campeonato Italiano (com a Roma) e o terceiro tirou a Holanda do buraco e a deixou bem perto da Copa do Mundo de 2022, no Catar. Os três têm currículos invejáveis e estão entre os maiores treinadores das últimas três décadas, mas não ganham títulos há alguns anos e foram colocados em segundo plano recentemente por muita gente.

Quando os nomes de Ancelotti, Mourinho e Van Gaal surgem, logo aparece alguém para dizer que estão ultrapassados ou que já não fazem um grande trabalho há muito tempo. O italiano e o português não levantam uma taça desde 2017, ano em que Ancelotti faturou a Bundesliga e a Supercopa da Alemanha com o Bayern de Munique e que o português conquistou a Europa League e a Copa da Liga Inglesa com o Manchester United. O holandês estava de fato aposentado após vencer 'apenas' a Copa da Inglaterra com o Manchester United em 2016. Considerando que nos últimos anos Ancelotti trabalhou no Napoli e no Everton, que Mourinho dirigiu o Tottenham e que Van Gaal saiu mesmo de cena por conta própria, é natural que eles não tivessem títulos.

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Rotulado como egocêntrico, problemático e retranqueiro, o 'Malvadão' Mourinho até levou o Tottenham à final da Copa da Liga Inglesa, mas não pôde tirar os Spurs da fila (não ganham nada desde 2008) porque o demitiram de forma cruel e injusta uma semana antes da decisão, na esteira do anúncio da Superliga de clubes europeus (a que pouco depois naufragou).

O City de Guardiola era favorito na final contra o Tottenham? Era, mas Mourinho
bateu duas vezes o time do espanhol na Inglaterra. E em jogos de mata-mata,
sabemos bem pela Champions League, muitas vezes Guardiola inventa e se dá mal.
Os Spurs deixaram um interino perder a final e até uma possível vaga na
Champions League (após a saída de Mourinho, o time perdeu do Aston Villa em
casa e do Leeds fora, ficando em 7º lugar, jogando assim nesta temporada a
Conference League, não pegou nem Europa League).

José Mourinho, líder do Italiano com a Roma, completou mil jogos como técnico e tem mais de 70% de aproveitamento
José Mourinho, líder do Italiano com a Roma, completou mil jogos como técnico e tem mais de 70% de aproveitamento reprodução Roma Channel

 

O Special One teve um fim de semana histórico ao completar mil jogos como profissional. A Roma bateu por 2 a 1 o emergente e badalado Sassuolo no final, e o português saiu correndo para celebrar com a torcida, que o idolatra desde a sua chegada mesmo com seu passado interista. José Mourinho tem mais de 70% de aproveitamento na carreira de técnico. No Tottenham, seu último trabalho, ele teve 'só' 58,53% de aproveitamento, um número que Marcelo Bielsa não conseguiu em nenhum clube que dirigiu.

E por que eu citei Bielsa aqui e no título? Nada contra o louco argentino, eu o adoro e já encomendei meu livro sobre ele, mas é engraçado ver como alguns profissionais podem ter números ruins, derrotas desastrosas e poucos títulos que logo alguém vai passar aquele pano para essas figuras. Bielsa não tem título de elite no futebol europeu, foi ganhar a 2ª divisão do Campeonato Inglês. Além disso, tem uma medalha de ouro olímpica e três títulos nacionais na Argentina, entre Newell’s e Vélez. Nesta temporada, o Leeds já tomou 5 a 1 do Manchester United e 3 a 0 do Liverpool, a defesa do time está quase sempre exposta pelo jeito mais despojado e ofensivo de Marcelo Bielsa. Até o cruyffista Guardiola o trata como uma lenda e referência.

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O pecado de Ancelotti, Mourinho e Van Gaal seria adotar táticas mais conservadoras, proteger mais as suas defesas? O italiano é discípulo de Arrigo Sacchi, o homem que montou o espetacular Milan que dominou a Europa no final da década de 80. Gosta de um 4-4-2, muitas vezes usando um diamante no meio (não me refiro a um craque, mas sim ao sistema de jogo). Mourinho ficou nove anos sem perder como mandante em campeonatos nacionais e quebrou recordes defensivos na Premier League (apenas 15 gols sofridos em uma edição do Inglês), é verdade, mas o Real Madrid dele tem o recorde de gols (121) em uma edição do Espanhol. Van Gaal, que é visto de forma torta por alguns como um general que odeia brasileiros (foi campeão holandês com o AZ de Ari), venceu a Champions League e campeonatos nacionais em três países diferentes, apenas um a menos do que Ancelotti e Mourinho.

É bom ressaltar que Van Gaal, diferentemente do italiano e do português, teve experiência como técnico de seleção também. Foi mal nas eliminatórias da Copa de 2002 e saiu invicto do Mundial de 2014, ficando em terceiro lugar no Brasil. Voltou agora para salvar a sua Holanda, que estava em situação desconfortável em seu grupo no qualificatório por ter perdido de 4 a 2 da Turquia. Meteu 6 a 1 nessa mesma Turquia e bateu boca em coletiva de imprensa com um jornalista que insistia que a linha de cinco usada por Van Gaal era defensiva (na Holanda, o tradicional 4-3-3 é quase sempre pedido pelos mais românticos e ofensivos).

“Um 5-3-2 ou um 5-2-3 pode ser ofensivo. O Chelsea mostrou isso todo o tempo com diferentes jogadores, e tiro meu chapéu para Tuchel por isso”, respondeu Van Gaal após ser 'acusado' de aplaudir o futebol defensivo querendo jogar como o Chelsea. Thomas Tuchel bateu Guardiola na final da Champions League após superar o espanhol em jogos pela Premier League e pela Copa da Inglaterra. A linha de cinco do técnico alemão amarra a equipe de Guardiola, que tentou sem sucesso até agora uma forma de dobrar o Chelsea de Tuchel, que agora foi colocado na primeira prateleira dos treinadores de futebol da atualidade.

Van Gaal, que voltou à seleção da Holanda e a colocou na liderança nas eliminatórias, bateu boca com jornalista que o chamou de defensivo
Van Gaal, que voltou à seleção da Holanda e a colocou na liderança nas eliminatórias, bateu boca com jornalista que o chamou de defensivo Matthew Ashton - AMA/Getty Images

 

Aí preciso voltar para a questão do resultadismo. Tuchel chegou a ser ridicularizado por só vencer campeonatos nacionais com o Paris Saint-Germain durante duas temporadas. Bastou se mudar neste mesmo ano de 2021 e ganhar a Europa para ser rotulado como técnico top, rival de Guardiola. Coisa parecida já tinha acontecido anteriormente com Jürgen Klopp. Alguns grandes treinadores parecem só ter espaço na primeira prateleira quando vencem nobres torneios. Já Bielsa pode ir mal no México, na Espanha e na França (na Itália, acertou com a Lazio, mas pulou fora quando não teve os reforços pedidos) que está tudo certo. E Guardiola pode completar uma década sem ganhar a Champions League mesmo com fortes e endinheirados clubes que não há problema. Mas ai de Ancelotti, Mourinho e Van Gaal se não conquistam títulos de ponta, estão condenados a ficar no passado.     

Sinceramente, acho que Ancelotti tem grande chance de ser campeão espanhol, o que o tornaria vencedor das cinco principais ligas nacionais da Europa. Ele ganhou a Champions com o Real, mas faltou o principal título nacional. Tem um bom elenco para brigar com o Atlético, detentor do título, e o Barcelona, em fase maior de reconstrução. Mourinho mal pode hoje sonhar com o scudetto, mas pode muito bem brigar pelas copas (incluindo a nova Conference League), além de travar bons duelos táticos com outros estrategistas do calcio. Van Gaal já terá méritos por recuperar a Holanda e levá-la de volta à Copa, mas não estará entre os favoritos ao título mundial. Possivelmente, retornará à aposentadoria após o Mundial de 2022, mas sem se sentir um técnico pior do que a imensa maioria dos que estão no topo hoje.

Confesso que estou na torcida por Ancelotti, Mourinho e Van Gaal, seja por clubismo, seja por 'selecionismo', seja por egocentrismo, seja porque admiro mesmo esses três grandes estrategistas, dos maiores que eu vi como jornalista e amante do futebol. Eles fazem bem ao esporte e ainda têm muito valor, podem sim realizar grandes trabalhos, ganhando ou não troféus.

Carlo Ancelotti, que lidera o Espanhol com o Real Madrid, pode ser campeão das cinco principais ligas nacionais da Europa
Carlo Ancelotti, que lidera o Espanhol com o Real Madrid, pode ser campeão das cinco principais ligas nacionais da Europa Bryn Lennon/Getty Images

 

 

  

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Por causa de Leco, São Paulo paga mais por Ricardinho do que por Daniel Alves até o fim desta gestão

Rodrigo Bueno
Rodrigo Bueno

 Será mesmo que Daniel Alves é a pior contratação da história do São Paulo? O tema é polêmico e pode ser tratado de diversas formas, mas entendo quem pensa assim, sobretudo pela forma como ocorreu a saída do jogador do time, com ele atacando a instituição, colocando-se como maior que o clube, dando clara preferência à seleção e não aparecendo para trabalhar, embora esteja no seu direito, pois a dívida com ele existe e é alta. Só que, financeiramente falando, a contratação de Ricardinho, ex-meia e que hoje é comentarista, é ainda pior para o São Paulo. E um detalhe importante: Leco, considerado por muita gente o pior presidente da história são-paulina, responde pelos dois negócios.

As informações dão conta de que o São Paulo vai pagar algo como R$ 400 mil por mês para Daniel Alves (a partir de janeiro) pelos próximos cinco anos, o que significa fizer que a dívida atravessará a atual gestão do presidente Julio Casares, que termina no fim de 2023. Só que a dívida com o lateral-direito não é a única herança maldita de Leco para quem está agora no poder.

Daniel Alves, que vai receber R$ 400 mil por mês do São Paulo nos próximos 5 anos, em derrota para o Bragantino
Daniel Alves, que vai receber R$ 400 mil por mês do São Paulo nos próximos 5 anos, em derrota para o Bragantino Julio Zerbatto/MyPhoto Press/Gazeta Pres

 

O São Paulo fez um acordo em novembro de 2019 (quando Leco ainda era o presidente) para pagar R$ 30 milhões às empresas RES Empreendimentos e Participações e Time Traveller Turismo, os investidores que ajudaram na contratação de Ricardinho em 2002. O valor, diluído por quatro anos, faz com que o São Paulo pague, atualmente, R$ 685 mil por mês por essa contratação de quase duas décadas atrás, mais do que pagará a Daniel Alves. Leco era o diretor de futebol do clube em 2002 e foi o principal responsável pela contratação de Ricardinho na época.

Em valores absolutos, a dívida a ser paga com Daniel Alves ficou em R$ 24 milhões. Na rescisão contratual, ficou acertado que o clube não pagará tudo o que deveria até o fim de contrato, cujo término previsto era o final de 2022. Só que a maior parte do que Daniel Alves recebia vinha de direitos de imagem. Creio que não se deve pagar mesmo direito de imagem para um jogador que não está mais no clube e que logo estará com outra camisa (e Daniel Alves mostrou para o mundo uma imagem bem ruim do Tricolor do Morumbi, agora com fama, verdadeira, de caloteiro).

 Pelo acordo feito em 2019 em torno da negociação polêmica de Ricardinho, que chegou ao São Paulo vindo do Corinthians após ser campeão do mundo pela seleção, o clube ficou de pagar uma entrada de R$ 200 mil, depois 46 parcelas de R$ 685 mil e então dez parcelas finais de R$ 514 mil. Caso não aceitasse isso, o São Paulo corria o risco de ter um bloqueio integral de R$ 35 milhões em suas contas. A ação judicial contra o São Paulo nesse caso começou ainda em 2004, quando o valor da causa era de “apenas” R$ 5 milhões. Os juros cresceram, e as empresas venceram na Justiça o clube, que ficou sem poder entrar com novos recursos.

 Ricardinho, assim como Daniel Alves, chegou ao time em um período por cobrança de títulos, só que de torneios nacionais e internacionais. Não ganhou nem o Paulista, algo que o lateral-direito conseguiu, mesmo sem ser protagonista (nem estava em campo na final contra o Palmeiras, o grande desafio no Estadual). Se na chegada ao Morumbi o passado corintiano de Ricardinho era seu maior obstáculo, depois começou a pesar o apelido de “Trezentinho” que ganhou por ter alto salário e um rendimento em campo pouco compatível com o valor investido. Mais uma grande semelhança de sua contratação com a de Daniel Alves.

Ricardinho, ex-meia que hoje é comentarista, custa ainda hoje R$ 685 mil por mês ao São Paulo, que pagará por ele até o fim de 2023
Ricardinho, ex-meia que hoje é comentarista, custa ainda hoje R$ 685 mil por mês ao São Paulo, que pagará por ele até o fim de 2023 Reprodução/ESPN

No Brasileiro de 2002, o São Paulo teve grande momento, chegou a encaixar dez vitórias seguidas, em boa fase de Rogério, Kaká, Luis Fabiano e Reinaldo (o atacante, não o lateral “King” dos dias atuais). Mas o título que parecia pintar ruiu diante do Santos de Diego e Robinho nas quartas de final, foi o último ano do mata-mata no principal campeonato nacional. Daniel Alves teve seu melhor momento em meio ao Brasileiro de 2020, quando ajudou o time de Fernando Diniz a abrir sete pontos de vantagem na competição. Só que a equipe se perdeu na reta final e terminou em quarto lugar, além de ter caído na semifinal da Copa do Brasil.

No fim das contas (que estão bem longe ainda de terminar), o São Paulo acabará tendo mais prejuízo em seus cofres com Ricardinho do que com Daniel Alves. Pela questão econômica, a contratação do ex-meia foi a pior de todas (algumas outras badaladas que não deram o resultado esperado foram as de Didi, Falcão, Bobô, Sierra, Rivaldo, Lúcio e Maicon, que ao menos deu um retorno financeiro depois). Nenhum desses contratados desrespeitou mais a instituição do que Daniel Alves. Nesse sentido, acho que ele é mesmo imbatível. Ricardinho, na época anterior de Corinthians, na passagem posterior pelo Santos e na fase atual de comentarista, procura tratar com respeito o São Paulo, que falhou em não pagar um valor menor por ele no passado e falhou de novo ao assinar um contrato impagável com Daniel Alves recentemente.

Não acho louco quem diz que Daniel Alves é a pior contratação da história do São Paulo. Também não considero louco quem fala que Ricardinho é o pior negócio que o Tricolor já fez. Acho menos louco ainda quem afirma que Leco é o pior de todos os presidentes do clube. Ele saiu do poder e ficou uma conta de mais de R$ 1 milhão por mês por dois atletas que não jogam mais no time! Resumo da gestão de Carlos Augusto de Barros e Silva, o nada popular Leco: nenhum título e dívidas que não acabam mais. 

Leco contratou Ricardinho quando era diretor de futebol do São Paulo e Daniel Alves quando era presidente do clube
Leco contratou Ricardinho quando era diretor de futebol do São Paulo e Daniel Alves quando era presidente do clube DJALMA VASSÃO/Gazeta Press
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Em lista de devedores do fisco espanhol, Daniel Alves contesta multa que seria de R$ 13 milhões

Rodrigo Bueno
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Daniel Alves é credor do São Paulo, que deve ao lateral-direito R$ 15 milhões (segundo apuração de André Plihal), mas o jogador está em lista de devedores do fisco espanhol e contesta um valor que seria chegaria perto do ele tem para receber do clube do Morumbi, que nesta sexta-feira (10) anunciou que ele não jogará mais pela instituição.

 O atleta é o sexto nome (pessoa física) que mais deve ao governo espanhol, segundo a lista divulgada no dia 28 de junho pela Agência Tributária da Espanha. Ele teria que pagar € 2,1 milhões, o que hoje daria aproximadamente R$ 13 milhões. Segundo a assessoria de imprensa do atleta, ele já pagou todos os impostos, apenas há uma multa que está sendo contestada.

“O Daniel Alves já pagou todos os impostos cobrados na Espanha. O que falta é uma multa que surgiu após os impostos pagos e que será julgada. Ainda não existe prazo para esta decisão. A questão não é o valor. A multa que está errada”, respondeu a assessoria ao blog.

São Paulo anuncia que Daniel Alves não joga mais pelo clube: ‘Ninguém é maior que o São Paulo’; assista

Não é novidade o nome de Daniel Alves aparecer em lista de devedores do fisco espanhol. Em 2016, ano em que ele saiu do país para jogar na Juventus, constava que a dívida do lateral-direito era de € 1,3 milhão. Normalmente, são divulgados os nomes dos que devem mais de € 1 milhão. Neymar já figurou nessa lista de devedores (devia € 34,6 milhões até 2020), mas o craque do Paris Saint-Germain não teve seu nome citado este ano.  

Em 2016, Dinorah Santana, empresária de Daniel Alves, contestou a dívida em uma entrevista para o UOL. “A imprensa espanhola quer prejudicar a imagem dele. O Daniel não tem nenhuma dívida”, disse ela, que também é ex-mulher dele.

Curiosamente, a relação de Daniel Alves com  São Paulo começou a ficar muito complicada após o nome dele ser divulgado com devedor do fisco espanhol no final de junho, dias antes do clássico contra o Corinthians pelo Campeonato Brasileiro (0 a 0 em Itaquera) e pouco depois de ele ser convocado pela seleção para disputar a Olimpíada de Tóquio.

Daniel Alves viveu na Espanha entre 2002, quando saiu do Bahia para o Sevilla, até 2016, quando se despediu do Barcelona. Vários esportistas renomados já tiveram problemas com o fisco espanhol, inclusive Cristiano Ronaldo e Messi. CR7 assumiu ser culpado de fraude fiscal e concordou em pagar ao governo espanhol uma multa de € 18,8 milhões. Messi chegou a ser condenado em 2016 a 21 meses de prisão por fraude fiscal, além de receber uma multa de € 3 milhões, mas uma brecha na lei espanhola permitiu ao astro argentino cumprir a sentença em liberdade por ter recebido punição inferior a dois anos e não ter antecedentes criminais.

Daniel Alves está em lista de devedores do fisco espanhol
Daniel Alves está em lista de devedores do fisco espanhol Divulgação/Twitter Oficial/São Paulo F.C

 
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Após sustos, grandes seleções europeias encaminham classificação para a Copa do Mundo de 2022

Rodrigo Bueno
Rodrigo Bueno

Após alguns sustos, as principais seleções europeias terminam esta Data Fifa com suas classificações para a Copa do Mundo de 2022 muito bem encaminhadas. Todas as cabeças-de-chave estão neste momento na liderança e definirão em casa a passagem para o Mundial, aproveitando-se também do tropeço recente de concorrentes.

Se o qualificatório europeu terminasse hoje, como diria algum poeta, estariam classificadas de forma direta as boas seleções de Portugal, Espanha, Itália, França, Bélgica, Dinamarca, Holanda, Croácia, Inglaterra e Alemanha. A tendência agora é de uma forte disputa pela segunda vaga nos grupos e para definir quem vai disputar os playoffs mais tarde. Sérvia, Suécia, Suíça, Noruega, Turquia e Rússia ainda possuem possibilidades razoáveis de desbancarem os favoritos de seus grupos, mas estão em situação de inferioridade na tabela, seja pela pontuação, seja pelos duelos diretos na casa do adversário a serem travados na chave.

Portugal, em meio a algumas críticas ao conservadorismo do técnico Fernando Santos, sofreu para virar no fim contra a Irlanda (2 a 1 com gols de Cristiano Ronaldo) quase tanto quanto havia sofrido no empate com a Sérvia (2 a 2 com um gol de CR7 mal anulado, o que deveria ter ampliado o recorde do português como maior artilheiro da história das seleções). A Irlanda e a Sérvia, as desafiantes dos lusos, ficaram no 1 a 1 em Dublin e permitiram a Portugal abrir frente na pontuação. Na última rodada, a Sérvia decide a vaga em Lisboa no dia 14 de novembro, com a seleção da casa possivelmente jogando pelo empate.

A Espanha tinha se complicado bastante após perder da Suécia de virada por 2 a 1 fora de casa, mas a situação mudou na medida em que os suecos perderam da Grécia, também por 2 a 1. Com isso, os espanhóis voltam a depender apenas das próprias forças para se classificarem de forma direta. Há um jogo perigoso contra os gregos na condição de visitante (a Espanha amargou um empate contra a Grécia em casa por 1 a 1, o que a deixou em situação desconfortável na chave), mas na última rodada a seleção de Luis Enrique vai receber a Suécia em Sevilha, no dia 14 de novembro, e tudo indica que esse confronto direto vai definir o classificado.

A Itália, que ficou de fora da última Copa do Mundo, lidera seu grupo nas eliminatórias e vai decidir em casa contra a Suíça
A Itália, que ficou de fora da última Copa do Mundo, lidera seu grupo nas eliminatórias e vai decidir em casa contra a Suíça EFE/EPA/Andrew Medichini

 

A Itália, agora invicta há 37 partidas e sem perder faz três anos, escorregou em casa ao ficar no 1 a 1 com a Bulgária, o que permitiu à Suíça tomar a ponta do grupo C. Só que os suíços tiveram dois jogos sem gols em sequência (contra a própria Itália, em casa, e contra a Irlanda do Norte, fora). Agora, a Azzurra terá a chance de selar sua classificação no Olímpico de Roma no dia 12 de novembro, possivelmente jogando pelo empate.

A França não conseguiu vencer a Ucrânia nem em casa nem fora (foram dois 1 a 1), seu futebol não está à altura de suas várias individualidades, mas a vaga direta na Copa está praticamente garantida. Os ucranianos, que posam de segunda força da chave, não venceram ninguém ainda: são cinco empates em cinco jogos. Não há mais o confronto direto, e a Finlândia, que ainda poderia sonhar com a liderança, acaba de perder de 2 a 0 dos franceses.

A forte seleção da Bélgica prova mais uma vez ser um leão nas eliminatórias. São 16 pontos em 18 disputados em um grupo que poderia ser mais equilibrado, uma vez que conta com a República Tcheca e o País de Gales. Os belgas fizeram 21 gols em seus seis jogos e bateram a rival mais ameaçadora agora por 3 a 0: os tchecos não têm mais confronto direto e vão lutar apenas pela segunda posição da chave contra o time de Gareth Bale.

Mesmo antes da boa Eurocopa que fez, a Dinamarca já era apontada como a força destacada do grupo F. E a campanha até aqui é perfeita em um grupo muito acessível: os 100% de aproveitamento continuam mesmo sem o meia Eriksen. Os dinamarqueses deverão se classificar matematicamente antes mesmo da rodada final, quando irão visitar a Escócia. Ressalto que apenas a Dinamarca venceu todos os seus jogos nas eliminatórias europeias, uma prova da competitividade da disputa.

A Holanda estava desfalcada e com muitas dúvidas quando perdeu de 4 a 2 da Turquia com Frank de Boer no comando. Ele caiu em meio à Eurocopa, e Van Gaal, em três jogos e com Van Dijk em campo, mostrou que a Laranja podia ser muito melhor. Atropelou a mesma Turquia por 6 a 1, goleou também a seleção de Montenegro por 4 a 0 e segurou a Noruega de Haaland fora de casa (1 a 1) na estreia do experiente treinador que estava aposentado. Com um saldo de gols expressivo (+16), tudo indica que a Holanda vai definir sua sorte contra a Noruega, de Haaland, em Roterdã no dia 16 de novembro jogando por um empate para se classificar.

A Holanda, que ficou de fora da última Copa, assumiu a liderança de sua chave após a volta de Van Dijk em campo e Van Gaal no banco
A Holanda, que ficou de fora da última Copa, assumiu a liderança de sua chave após a volta de Van Dijk em campo e Van Gaal no banco Getty

 

A Croácia, vice-campeã mundial na Rússia, é a líder do grupo das eliminatórias em que a briga pela primeira posição está mais equilibrada, justamente porque a Rússia tem os mesmos 13 pontos e apenas um gol a menos de saldo do que os croatas. Só que o confronto direto na Rússia já aconteceu e terminou sem gols. Isso dá a entender que o jogo da volta, na última rodada, dia 14 de novembro, em Split, permita à Croácia avançar, talvez com um empate. Croatas e russos vão buscar o melhor saldo possível de gols até este confronto do leste europeu que pode ser o mais quente da rodada derradeira do qualificatório europeu.

A Inglaterra perdeu sua condição de 100% de aproveitamento ao levar o empate da Polônia no final do jogo em Varsóvia (1 a 1). Só que sua vantagem é bem significativa no grupo, que tem em segundo lugar no momento a Albânia, quatro pontos atrás dos ingleses. Não há mais confronto direto entre Inglaterra e Polônia, e a vice-campeã da Europa pode carimbar seu passaporte para o Catar no confronto em Wembley contra a Hungria ainda no dia 12 de outubro, um duelo em que o racismo será de novo um tema importante após os 4 a 0 dos ingleses em Budapeste recheados de ofensas e ataques deploráveis dos ultras húngaros.

A Alemanha, em processo de reconstrução com Hansi Flick, deu bom passo para a vaga na Copa ao golear a Islândia por 4 a 0 fora de casa. A derrota surpreendente em casa para a Macedônia do Norte (1 a 2) não deve ter consequências maiores em termos de classificação. Ainda em outubro, no jogo em casa contra a Romênia e na partida de volta contra a Macedônia do Norte, a Alemanha pode garantir sua participação em mais um Mundial. São quatro pontos de vantagem hoje para o segundo colocado, a Armênia. Os alemães já passaram pelo seu pior momento.

E no resto do mundo?

Se as coisas estão muito bem encaminhas nas eliminatórias europeias, no resto do mundo ainda existem muitos jogos e dúvidas. Mas quase todos os favoritos estão bem colocados, começando por Brasil, Argentina e Uruguai na América do Sul (mesmo com o recente jogo suspenso dos dois primeiros em Itaquera). Na Concacaf (Américas Central e do Norte e Caribe), México, Estados Unidos e Canadá, os países-sede da Copa de 2026, estão nas primeiras posições. Na Ásia, Irã e Austrália mostram força, e Coreia do Sul e Japão se recuperaram. Na África, Argélia, Tunísia, Nigéria, Mali e Senegal estão na liderança de suas chaves. A briga promete ser boa entre Costa do Marfim e Camarões, entre África do Sul e Gana, entre Líbia e Egito e entre Marrocos e Guiné-Bissau. Na Oceania, o qualificatório ainda nem começou, deve ser só em 2022.

Europa ainda mais favorita para 2022 que em 2018

Para quem acha que a Europa vai dominar mais uma Copa do Mundo, o cenário está muito bem desenhado em termos das principais forças. Não deveremos ter ausências de grandes seleções, o que aconteceu em 2018 com a Itália e a Holanda. Isso significa dizer que o resto do mundo vai ter bastante dificuldade. Olho atento com os playoffs envolvendo os segundos colocados dos grupos europeus, de onde podem sair outras ameaças para times de fora do Velho Continente. 

O Brasil passou por um grupo com Suíça e Sérvia em 2018, mas é melhor evitar algo assim. A Europa está chegando para o Mundial de 2022 ainda mais favorita do que chegou para a Copa de 2018.

 

   

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Copa do Qatar tem artilheiro emiradense nas eliminatórias e pode sofrer com rivalidade árabe

Rodrigo Bueno
Rodrigo Bueno

A Copa do Mundo do Qatar será a primeira da história disputada em um país árabe. E, pelo caminhar das eliminatórias, vários outros países árabes poderão estar no Mundial do ano que vem, inclusive os Emirados Árabes, que construíram forte rivalidade com o Qatar recentemente e que contam com o artilheiro isolado do qualificatório: o artilheiro Ali Mabkhout, com 11 gols na disputa, segundo jogador em atividade com mais gols por seleção, ficando atrás apenas do recordista Cristiano Ronaldo.

A Arábia Saudita é uma das favoritas a uma das vagas diretas na Ásia e largou bem na terceira fase da disputa. O país que tem feito força para a Copa do Mundo bienal fez 3 a 1 no Vietnã em casa. Omã surpreendeu e derrotou o Japão fora de casa, resultado que pode complicar a vida da seleção nipônica, uma das favoritas. Já os Emirados Árabes passaram em branco diante do Líbano, outro país árabe que está na disputa, assim como Iraque e Síria.

Ali Mabkhout, artilheiro das eliminatórias da Copa do Mundo, é festejado nos Emirados Árabes, rival do Qatar
Ali Mabkhout, artilheiro das eliminatórias da Copa do Mundo, é festejado nos Emirados Árabes, rival do Qatar Getty Images

Na África, Argélia, Egito, Marrocos e Tunísia estão bem em seus grupos na segunda fase das eliminatórias e devem brigar por vaga no Mundial. A Líbia corre por fora, mas está no grupo do time de Salah e tende a ser eliminada nesta fase ainda. Sendo bem realista, pelo menos seis seleções árabes poderão estar na Copa do Mundo do ano que vem, incluindo o país-sede. O que poderia ser uma festa árabe, no entanto, tem componentes de forte rivalidade, especialmente se os Emirados Árabes conseguirem classificação.

O futebol mundial tem visto uma disputa intensa entre o Paris Saint-Germain, time francês ligado ao Qatar, e o Manchester City, clube inglês ligado aos Emirados Árabes Unidos. Essa briga na Europa entre dois “clubes-Estado” é só um pedaço da rivalidade entre qatarianos e emiradenses. Em 2019, as seleções dos dois países se enfrentaram pela Copa da Ásia, e o Qatar goleou então por 4 a 0. A torcida emiradense atirou sapatos (algo grave na cultura árabe) nos qatarianos, que estavam proibidos de entrar no país. Em junho de 2017, os Emirados Árabes romperam relações diplomáticas com o Qatar. Também tomaram essa medidas os governos de Arábia Saudita, Bahrein, Egito, Líbia, Maldivas e Iêmen. Todos acusaram o Qatar de apoiar grupos terroristas.

Essa crise foi amenizada neste ano, mas a relação próxima do Qatar com o Irã xiita e o poderio da Al Jazeera, mais influente rede de televisão da região, ainda incomoda muitos vizinhos. O Qatar, primeiro país-sede que nunca disputou uma Copa do Mundo (exceção feita às duas primeiras edições, em 1930 e 1934), participou só das duas primeiras fases das eliminatórias asiáticas. Há o entendimento de que o pequeno país usou de sua força econômica e política para conseguir a sede do Mundial, que mais uma vez terá 32 seleções. Já há algum tempo o Qatar tem investido pesado em esporte como forma de propaganda.

Há uma chance pequena ainda de Israel se classificar para a Copa de 2022. O país disputa as eliminatórias europeias e tende a brigar pelo segundo lugar do grupo da Dinamarca, que deve pegar uma vaga direta no Mundial. Israel, que vive tradicionalmente a tensão entre judeus e muçulmanos, tem como principais adversários em sua chave a Áustria e a Escócia, seleções que estiveram na última Eurocopa. Caso Israel avance para os playoffs das eliminatórias da Uefa e chegue ao Mundial, seria mais um componente de rivalidade na Copa que deve ser a mais árabe de todos os tempos.

O Mundial do Qatar será o primeiro realizado no final do ano, por questões climáticas. As distâncias entre todos os estádios do torneio são pequenas devido ao tamanho diminuto do país. A primeira Copa no Oriente Médio também será a primeira após a pandemia. Não há dúvida, por diversos fatores, de que em 2022 veremos uma Copa do Mundo bastante diferenciada.

 

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Copa do Qatar tem artilheiro emiradense nas eliminatórias e pode sofrer com rivalidade árabe

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Dados da Fifa confirmam que empresários estão ganhando muito mais do que clubes formadores

Rodrigo Bueno
Rodrigo Bueno

Estamos vivendo agora, em meio à pandemia, talvez o período de transferências mais bombástico da história do futebol, e a Fifa, a entidade que rege o esporte mais popular do mundo, divulgou números que mostram bem como os empresários passaram a dominar o cenário nos últimos dez anos. As comissões pagas a agentes em transações passaram de US$ 131,1 milhões em 2011 para US$ 640,5 milhões em 2019. A longo desta última década, os empresários de futebol receberam um total de US$ 3,5 bilhões em comissões, muito mais do que alguns clubes podem sonhar.

Em contrapartida, houve uma queda no valor pago aos clubes formadores. Segundo os dados da Fifa, as reformas no sistema de transferências fizeram com que a contribuição de solidariedade dada aos clubes formadores ficasse em baixa, embora vejamos uma estabilidade entre os valores de 2011 (US$ 38 milhões) e 2020 (US$ 38,5 milhões). A entidade ressaltou a necessidade de contar com a Câmara de Compensação da Fifa para atingir indenizações que alcancem a meta de US$ 300 milhões por ano.

Messi estreia pelo PSG: veja tudo o que o argentino fez no seu primeiro jogo pelo clube francês




         
     

O estudo divulgado pela Fifa nesta segunda-feira é o mais amplo até agora do tipo. Foram computadas transações de 200 federações nacionais filiadas à máxima entidade do futebol. Foram movimentados US$ 48,5 bilhões em transferências na última década em 133.225 transações. Os 30 clubes que mais gastaram com contratações, como era de se imaginar, são todos europeus. Em 2011, foram registradas 11.890 transferências internacionais. Esse número pulou para 18.079 em 2019.

 Um total de 66.789 jogadores foram negociados mundo afora por 8.264 clubes. Os atletas brasileiros foram de longe os que mais movimentaram o mercado, com 15.128 transferências. Na sequência, os mais vendidos são argentinos (7.444), britânicos (5.523), franceses (5.027) e colombianos (4.287). Nessa última década, o número de clubes fazendo negociações internacionais cresceu 30%, passando de 3.167 em 2011 para 4.139 em 2019. No top 30 dos clubes que mais contrataram no planeta nos últimos dez anos, estão 12 ingleses, cinco espanhóis, cinco italianos, três alemães, dois franceses, dois portugueses e um russo. Apenas esses 30 times gastaram US$ 22,8 bilhões no período, o que representa 47% do total na década.

O português Jorge Mendes, hoje o principal empresário de futebol no mundo, levou Cristiano Ronaldo de volta ao Manchester United
O português Jorge Mendes, hoje o principal empresário de futebol no mundo, levou Cristiano Ronaldo de volta ao Manchester United Reuters

 

Não é à toa que os temas econômicos têm dominado cada vez mais o noticiário esportivo. Não é à toa que cada vez mais se faz necessário um limite de gastos na linha do fair play financeiro (que tem sido driblado por alguns poderosos que não se importam de pagar eventuais multas de tanto dinheiro que têm). Não é à toa que muitos clubes estão nas mãos de empresários, que colocam seus atletas e treinadores onde bem entendem. Não é à toa que os clubes devem hoje fortunas para os endinheirados agentes. Não é à toa que figuras como o português Jorge Mendes viraram algumas das pessoas mais importantes e influentes no esporte.

Você quer ver seu filho rico e pensa em colocá-lo para jogar futebol? Melhor pensar em incentivá-lo a ser agente de jogador.

 

 

 

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Freguesias históricas e tabus agitam os grupos da Champions League

Rodrigo Bueno
Rodrigo Bueno

Graças à globalização e à internet, hoje podemos pegar uma série de dados e estatísticas de forma instantânea sobre o mais popular dos esportes. Quem segue a “família Opta” no Twitter e loucos por futebol, como o espanhol Mister Chip, rapidamente consome uma dose absurda de futebol internacional, em termos históricos e atuais. Assim, fica bem mais fácil a vida de quem vai falar ou escrever sobre o tema, dá até para posar de expert no assunto.

Eu farei aqui um post sobre os grupos da Champions League apenas com informações adquiridas dessas fontes, que nem sempre ganham o crédito, e do site da Uefa. Vamos aos grupos e algumas curiosidades dos duelos, aviso que há muita freguesia e alguns tabus em jogo no principal interclubes europeu.

Messi, agora craque do PSG, é o jogador que mais fez gols no Manchester City na Champions (seis em seis jogos)
Messi, agora craque do PSG, é o jogador que mais fez gols no Manchester City na Champions (seis em seis jogos) Getty Images



GRUPO A (Manchester City, PSG, Leipzig e Brugge)  

Nos últimos 13 jogos do City contra equipes alemãs, 12 vitórias do time inglês e um empate. E são oito triunfos do time de Guardiola nos últimos oito embates contra clubes da Alemanha.

Nenhum jogador fez mais gols no Manchester City na Champions League do que Messi. O craque argentino, agora no PSG, balançou seis vezes as redes do clube azul de Manchester em seis partidas.  

O Manchester City enfrentou o PSG quatro vezes na Champions e nunca perdeu (três vitórias e um empate). Apenas o Borussia Mönchengladbach jogou mais vezes contra o City sem vencer nenhum jogo (foram seis duelos, com cinco triunfos do time inglês e um empate).

Os adversários contra os quais o PSG mais jogou e não venceu são justamente o Manchester City e o Milan (quatro vezes).

O Paris Saint-Germain enfrentará o Leipzig pela terceira vez consecutiva na Champions, inclusive passou pelo rival alemão na semifinal da temporada 2019/2020. Antes, só o Chelsea havia enfrentado o PSG em três temporadas seguidas na principal competição interclubes da Europa (entre 2013 e 2016).

O Brugge nunca enfrentou o City nem o Leipzig no torneio, mas pegou o PSG na fase de grupos na temporada 2019/2020. O endinheirado time francês goleou na Bélgica por 5 a 0, com um hat-trick de Mbappé. Em Paris, o placar foi apenas 1 a 0.


Qual grupo ficou mais equilibrado na Champions League? Comentaristas analisam e opinam no Futebol no Mundo

 

GRUPO B (Atlético de Madri, Liverpool, Porto e Milan)  

Os Reds são carrascos do time português e nunca perderam do rival na competição: em 8 jogos, tem 5 vitórias e 3 empates. Não tem nenhum outro adversário na Champions que tenha enfrentado tantas vezes o Liverpool sem obter uma vitória. Os Reds fizeram 2 a 0 e 4 a 1 nas quartas de final de 2018/2019, quando o time inglês acabou sendo campeão pela sexta vez na história.

Em contrapartida, o time da terra dos Beatles leva a pior contra os colchoneros: em 6 encontros em competições europeias, apenas uma vitória do Liverpool sobre o Atlético de Madri, que eliminou a equipe de Klopp na temporada 2019/2020. A única vitória dos Reds no duelo (2 a 1 em Anfield) aconteceu na semifinal da Liga Europa na temporada 2009/2010.

Milan e Liverpool se encontraram apenas duas vezes na história da Champions, as duas vezes em finais. Em 2005, o Liverpool levou a melhor no “Milagre de Istambul” (3 a 3 com triunfo nos pênaltis). O rossonero deu o troco dois anos depois em Atenas (2 a 1).

O Atlético venceu o Porto por 2 a 1 fora e por 2 a 0 em casa na temporada 2013/2014 na fase de grupos. Foram as primeiras vitórias colchoneras sobre o rival na disputa: até então, eram dois triunfos do Porto e dois empates.

O Liverpool de Klopp nunca perdeu do Porto na Champions, mas é freguês do Atlético de Madri
O Liverpool de Klopp nunca perdeu do Porto na Champions, mas é freguês do Atlético de Madri ESPN
 


GRUPO C (Sporting, Borussia Dortmund, Ajax e Besiktas)  

O Ajax venceu os últimos quatro jogos que disputou em competições europeias contra equipes da Turquia.

O Borussia Dortmund bateu o Besiktas na primeira fase da antiga Recopa, na temporada 1989/1990, por 1 a 0 e por 2 a 1.

O Sporting somou quatro pontos nos jogos contra o Besiktas na fase de grupos da Liga Europa em 2015/2016: 1 a 1 e 3 a 1.


GRUPO D (Inter, Real Madrid, Shakhtar e Sheriff)  

O Real ganhou quatro dos últimos cinco jogos que disputou contra a Inter em competições europeias. Nos 12 encontros anteriores com a equipe de Milão, havia conseguido só quatro vitórias.

Carlo Ancelotti irá enfrentar a Inter pela 7ª vez na Champions League como técnico (duas vitórias, dois empates e duas derrotas até aqui). Nos dois últimos encontros, na temporada 2009/2010, ele perdeu os dois jogos para a equipe de Milão (comandava o Chelsea).

Uma das campanhas do Sheriff na fase de classificação da Champions terminou justamente contra o Shakhtar: na temporada 2003/2004, levou a pior com empate em 0 a 0 e derrota por 2 a 0.


Quem se deu bem no sorteio da fase de grupos da Champions League? Comentaristas analisam caminhos dos clubes

 

GRUPO E (Bayern, Barcelona, Benfica e Dynamo de Kiev)  

Pela segunda vez na história apenas, os gigantes Barça e Bayern vão se enfrentar na fase de grupos Champions League. O primeiro encontro aconteceu na temporada 1998/1999, e o time catalão não passou de fase na ocasião, pois foi  terceiro colocado da chave.

O Benfica venceu três dos quatro jogos que fez contra o Dynamo, incluindo os últimos dois encontros em 2016/2017: 2 a 0 e 1 a 0.

Benfica e Bayern estavam no mesmo grupo na temporada de 2018/2019. O gigante da Baviera venceu o duelo tanto em Munique (5 a 1) quanto em Lisboa (2 a 0).

Dynamo e Bayern já se encontraram dez vezes na história das competições europeias, mas a última vez foi no século passado, na temporada 1999/2000, quando cada time ganhou seu jogo como mandante. O confronto é equilibrado, com cinco vitórias do Bayern e quatro do Dynamo. Duas das vitórias ucranianas vieram na Supercoopa da Europa de 1975 (1 a 0 e 2 a 0).

 

GRUPO F (Villarreal, Manchester United, Atalanta e Young Boys)  

Os Red Devils enfrentaram o Submarino Amarelo quatro vezes em Champions e nunca saiu gol nesses duelos. Na final da Liga Europa na temporada, deu 1 a 1, com vitória espanhola em uma interminável disputa de pênaltis.

Nas duas vezes em que o Villarreal caiu no mesmo grupo do Manchester United na Champions, ele avançou longe na competição. Na temporada 2005/2006, foi às semifinais, e, em 2008/2009, parou nas quartas de final.

O Young Boys encontrou o Manchester United na sua outra participação na fase de grupos da Champions. Na temporada 2018/2019, o poderoso clube inglês venceu por 3 a 0 fora de casa e por 1 a 0 no Old Trafford.

 

GRUPO G (Lille, Sevilla, Salzburg e Wolfsburg)  

O Lille venceu dois dos seus três jogos contra o Sevilla em competições europeias, porém perdeu o duelo mais recente entre os dois: 0 a 2 na Liga Europa na temporada 2005/2006.

O Sevilla se classificou em cinco das seis vezes em que esteve na fase de grupos da Champions, inclusive passou para as oitavas nas últimas três vezes em que entrou no torneio.

O Wolfsburg somou quatro pontos contra o Lille na fase de grupos da Liga Europa na temporada 2014/2015 (1 a 1 e 3 a 0). O time alemão nunca enfrentou Sevilla e Salzburg.

O técnico mais jovem a classificar um time para a fase de grupos da Champions League foi o alemão Matthias Jaissle, que, aos 33 anos e 142 dias, guiou o time austríaco da Red Bull até esta nobre fase do torneio europeu.

GRUPO H (Chelsea, Juventus, Zenit e Malmö)  

Nas últimas dez vezes em que a Velha Senhora enfrentou times ingleses em torneios europeus, apenas uma vez ela saiu derrotada: foi em 2018, diante do Manchester United.

O único time campeão da Champions que não passou da fase de grupos na temporada seguinte foi o Chelsea em 2012/2013. E o Chelsea é o detentor do título de novo agora.

O Chelsea nunca perdeu de times suecos em competições da Uefa. São três vitórias e três empates. Contra o Malmö, foram dois jogos e duas vitórias (2 a 1 e 3 a 0) na Europa League da temporada 2018/2019, quando os Blues acabaram com o título.

Chelsea e Juventus têm equilíbrio na história. Em quatro encontros, uma vitória para cada lado e dois empates. Os Blues avançaram no mata-mata contra a Juve na temporada 2008/2009.

 

 


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Jogador tem direito de defender seu país e deveria ser ao menos ouvido pela Premier League

Rodrigo Bueno
Rodrigo Bueno

A Premier League informou que os clubes ingleses não vão liberar seus jogadores para a próxima Data Fifa. A decisão afeta 60 jogadores de 26 países diferentes, inclusive o Brasil. Entendo todas as razões dos empregadores que pagam os salários dos atletas diante da pandemia e das imposições do governo britânico (os jogadores precisariam ficar em quarentena após a volta ao Reino Unido), mas ressalto que é um direito jogar por sua nação.  

Na queda de braço entre a Fifa, máxima entidade do futebol, e os poderosos clubes, o jogador não deve ser penalizado. Imagina o que o Salah representa para o Egito e vice-versa. A seleção brasileira pode muito bem se classificar para a Copa de 2022 (já está quase lá) se não puder contar com Alisson, Ederson, Fabinho, Firmino, Fred, Gabriel Jesus, Raphinha, Richarlison e Thiago Silva, mas outras seleções perdem muito sem seus craques. E ainda tem muito atleta que ama defender seu país, algo que parece estar sendo colocado em segundo plano por alguns agora. 

Salah Comemora Classificação Egito Copa-2018 08/10/2017
Salah Comemora Classificação Egito Copa-2018 08/10/2017 Islam Safwat/NurPhoto via Getty Images

Richarlison, tão envolvido com causas sociais, demonstra um prazer real de defender o Brasil. Ele está na briga para estar entre os convocados para o Mundial do Qatar e, ainda mais por isso, creio que deve ser algo muito importante mesmo para ele estar no grupo do Tite em todos os momentos. O que dizer então de Raphinha, do Leeds United, que chega agora cheio de sonhos e esperança para vestir a tradicional camisa pentacampeã do mundo? Não é cruel impedir o atleta de realizar um desejo pessoal e profissional que é garantido historicamente no mundo do esporte?

Na época da Eurocopa, eu citei o caso de Van Dijk, que não quis jogar pela Holanda para atender bastante a vontade do Liverpool e do técnico Jürgen Klopp. Outros destacados jogadores, por lesão (De Bruyne) ou por COVID-19 (Busquets), não abriram mão de jogar por suas nações na nobre competição europeia de seleções. O querido Liverpool foi o primeiro clube da Premier League a se posicionar fortemente contra a liberação dos atletas para a próxima Data Fifa, que ganhou até dois dias a mais de lambuja na América do Sul por conta de jogos adiados das eliminatórias no primeiro semestre. Mas será que os atletas dos Reds foram ouvidos? Será que os atletas dos outros clubes deram sua opinião? Me parece um tanto quanto autoritário determinar que jogadores não vão ser liberados para as seleções em Datas Fifa quando estarão em jogo vagas na Copa do Mundo.

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De forma unânime, os clubes da Premier League bateram o pé agora, afinal apenas um dos 19 clubes do campeonato não teve nenhum jogador convocado para um país da chamada “lista vermelha”. Só que o governo britânico poderia contornar a situação (e ainda pode) dando uma condição especial para esses atletas de alto nível. Outras regras, como para ganhar licença de trabalho no Reino Unido, por exemplo, sempre levaram em conta a excelência dos jogadores e participação em seleções nacionais.

Ainda vivemos um período de exceção no planeta, a pandemia não acabou, e alguns sacrifícios estão sendo feitos por todos. Normal um clube reclamar por perder alguns atletas por três ou quatro jogos, mas isso não é o fim do mundo, especialmente na elite do futebol. A Premier League é a liga mais rica e globalizada do planeta, deve entrar agora em mais uma briga com a Fifa que respingaria até na Copa do Mundo de 2030, que pode ir para a América do Sul (meu voto seria esse pelo centenário do primeiro Mundial, disputado no Uruguai) ou para o Reino Unido (deve ser a sede da próxima Copa do Mundo a ser jogada na Europa).

Eu não sei qual seria a punição para um jogador que ousar servir a seleção do seu país agora quebrando a proibição da Premier League, mas eu entenderia e defenderia o direito desse atleta. 


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Com CR7, Ibra e Mourinho, Campeonato Italiano começa cheio de marra

Rodrigo Bueno
Rodrigo Bueno

Se o italiano andava nos últimos anos meio de cabeça baixa, pouco orgulhoso de seu futebol, agora a coisa se inverteu completamente. A Serie A renasce firme e forte, assim como a Squadra Azzurra, campeã europeia. Dos 26 jogadores que conquistaram a Europa no meio do ano, 22 atuam na liga local, que já foi o Eldorado da bola nos anos 80 e boa parte dos anos 90. Só quatro atuam em outras ligas: três na França (Donnarumma e Verratti no endinheirado Paris Saint-Germain, e Emerson Palmieri no Lyon) e um na badalada Premier League (Jorginho, que concorre ao prêmio de melhor atleta da temporada europeia).

Reconhecida como uma pátria da tática, a Itália também pode se gabar de ter um campeonato quase inteiro de treinadores locais. São 17 italianos comandando os times, e os três estrangeiros têm ligação histórica com o calcio: Mihajlovic (Bologna) e Juric (Torino) jogaram e treinaram na Serie A por várias temporadas, e José Mourinho (Roma) fez história guiando a Inter a uma Tríplice Coroa em 2010, ano em que faturou o seu segundo scudetto.

José Mourinho, multicampeão dirigindo a Inter, volta à Itália para tentar mudar o patamar da Roma
José Mourinho, multicampeão dirigindo a Inter, volta à Itália para tentar mudar o patamar da Roma reprodução Roma Channel

 

O Special One é mais uma das grandes atrações do Campeonato Italiano que começa neste final de semana. Ele atrai holofotes para si e para seu time, mesmo que esse não esteja entre os grandes favoritos para o título. Conhecido por ser marrento, Mourinho é um dos grandes estrategistas deste século, um especialista em sistema defensivo bastante respeitado pela escola mais célebre em defender: a Itália. Em uma liga onde a aplicação tática e a disposição física têm grande peso, o personalista técnico português pode extrair bastante de seus atletas e ter menos problemas de vestiário, lembrando que a lista de jogadores que amam Mourinho é maior do que a lista dos que o odeiam (Materazzi inclusive chorou quando ele deixou Milão).

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Outro português bastante midiático desfila ainda no calcio. Cristiano Ronaldo postou recentemente que muitas inverdades estão sendo ditas sobre seu futuro. Continua na Juventus mesmo com toda a onda sobre sua saída para Madri, Paris, Manchester ou até mesmo Lisboa. CR7 deve cumprir mais um ano de contrato e entregar um pacote de 30 ou mais gols na temporada, algo muito mais significativo na terra da pizza, onde a marcação costuma ser mais forte e competente. Também pelo craque português, a Juve é favorita para recuperar o trono (tem o melhor elenco, que conta com cinco campeões da Eurocopa, inclusive Locatelli agora).

Cristiano Ronaldo, que tem feito mais de 30 gols nas temporadas no Italiano, ainda é a grande estrela da Juventus
Cristiano Ronaldo, que tem feito mais de 30 gols nas temporadas no Italiano, ainda é a grande estrela da Juventus Federico Tardito/Getty Images

 

Há uma outra figura, um sujeito muito mais mascarado do que Mourinho e Cristiano Ronaldo juntos, que também é atração da Serie A. Ibrahimovic, mesmo aos 39 anos, não consegue passar despercebido. Não deverá atuar em todas as partidas, claro, mas agora o Milan tem o galã francês Giroud para ser referência no ataque também. O gigante rossonero, clube italiano de maior sucesso internacional, está de volta à Champions League e terá de novo uma temporada especial, onde terá bastante visibilidade.  

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A Inter passou à frente do Milan em títulos italianos (19 a 18) e joga por uma segunda estrela agora (dez scudettos equivalem a uma estrela), porém perdeu força dentro (Lukaku) e fora do campo (Antonio Conte). Simone Inzaghi terá a missão de manter Milão na moda na Itália, que não está nada fácil diante dos novos modelos na passarela (Atalanta e Sassuolo). No mercado, a tradicional neroazzurra pegou Çalhanoglu do rival da cidade, o que também aumentará a curiosidade no Derby dela Madonnina.

Na capital, para bater de frente com Mourinho, estará ninguém menos do que Maurizio Sarri na Lazio. Os duelos entre eles prometem bastante, seja na parte tática, seja em eventuais alfinetadas, discursos, provocações e “mind games”. Tem até técnico brasileiro agora na Serie A: Thiago Motta, que já virou italiano faz tempo, estará à frente do Spezia nesta temporada. Ele gosta de um jogo mais moderno e ofensivo, com goleiro iniciando muitas das jogadas. Thiago pode dar sua contribuição para a oxigenação do calcio, que se reinventou e está na crista da onda.

Como sempre fui um defensor dos mascarados, egocêntricos e marrentos no esporte, estou curtindo esta nova fase do futebol italiano com o nariz em pé. A Itália e seu tradicional campeonato têm muitas razões para se achar mesmo. Como já cantou bem Beyoncé, o que “alguns chamam de arrogância, eu chamo de confiança”. Que as outras ligas nacionais se cuidem, pois a boa e velha Serie A (120 edições, 90 neste formato clássico) desfila com pompa (de novo na ESPN e no FOX Sports). E que o mundo abra os olhos mesmo, pois a chance do penta em 2022 é grande.

O mascarado Ibrahimovic, mesmo aos 39 anos, continua sendo atração do Milan e do Campeonato Italiano
O mascarado Ibrahimovic, mesmo aos 39 anos, continua sendo atração do Milan e do Campeonato Italiano EFE

 

 

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Volta do público e primeiras impressões apontam para domínio dos grandes na Europa

Rodrigo Bueno
Rodrigo Bueno

A temporada passada nos principais campeonatos europeus, ainda muito afetada pela pandemia e ausência de grande público, teve uma cara de novidade. Fim da hegemonia da Juventus na Itália, Atlético de Madrid campeão na Espanha, Lille faturando a taça na França, Sporting saindo da fila em Portugal, Rangers retornando ao trono na Escócia etc. Mas, com o público de volta, a retomada de investimentos e as primeiras impressões nos jogos, creio que a tendência é de uma supremacia dos grandes e endinheirados. Há uma margem menor para as surpresas no Velho Continente.

O clube mais badalado do planeta virou mesmo o Paris Saint-Germain, que trouxe Messi, Sergio Ramos, Wijnaldum, Achraf Hakimi para um grupo que já era dos mais fortes e caros da Europa. Mesmo sem contar ainda com todo esse elenco estelar, o time da capital já fez seis pontos em dois jogos na Ligue 1. O Lille, atual campeão, soma só um ponto após duas rodadas. Lyon e Monaco também não venceram ainda na competição. O Olympique de Marselha de Sampaoli investiu bem, mas também já perdeu pontos no Francês. Difícil imaginar o PSG sem a taça.


Mbappé recebe Messi no Paris Saint-Germain, favorito disparado no Francês e candidato forte à Champions
Mbappé recebe Messi no Paris Saint-Germain, favorito disparado no Francês e candidato forte à Champions Reprodução/ Twitter/@KMbappe

 

Na Espanha, logo na primeira rodada temos o G-4 que parece ser definitivo: Real Madrid, Sevilla, Barcelona e Atlético de Madri. Dos quatro, quem venceu com mais dificuldade foi o time de Simeone, o campeão vigente. Mas a equipe está acostumada a vencer com placar apertado, mantém a sua base e o seu estilo competitivo. O Real de Ancelotti começa com Alaba bem na lateral e com Bale e Hazard dando algum sinal positivo, além da figura artilheira de Benzema. O Barça pós-Messi começa a desfrutar de Memphis Depay, que tem a total confiança de Koeman, cujo trabalho de reconstrução da equipe já começou até com título da Copa do Rei na temporada passada. O Sevilla de Lopetegui brigou pelo título espanhol no primeiro semestre, não sei se a equipe de Diego Carlos, Navas e Rakitic repetirá a dose.

Na Itália, a Inter se desfez de peças importantes, começando pelo técnico Conte e terminando com o artilheiro Lukaku. O caminho fica ainda mais aberto para a Juventus de Cristiano Ronaldo pegar a coroa de novo. O Milan, ainda com Ibra, chegou a liderar na temporada passada e ensaia brigar pelo scudetto, só que ainda não está no patamar da Juve. E agora o rubro-negro ainda terá olhos para a Champions League, que sentia saudade do Milan. Quem tiver mais elenco (a Juve) deverá ter ainda mais vantagem.

Cristiano Ronaldo em ação pela Juventus, que deve se aproveitar do enfraquecimento da Inter para ganhar o scudetto
Cristiano Ronaldo em ação pela Juventus, que deve se aproveitar do enfraquecimento da Inter para ganhar o scudetto Federico Tardito/Getty Images

Na Inglaterra, apenas dois times do chamado Big Six estrearam com derrota. O Manchester City, atual campeão e talvez o grande favorito ao título, perdeu do Tottenham fora, ou seja, caiu diante de um outro integrante do bloco de elite da competição. Não chega a ser algo surpreendente, tanto que os Spurs bateram duas vezes o City de Guardiola quando era treinado por Mourinho.  O Arsenal também perdeu, porém ninguém acredita que os Gunners do questionado Arteta vão brigar no topo. A queda diante do motivado caçulinha Brentford indica que o Arsenal sofrerá até para se classificar para alguma competição europeia. Chelsea, Liverpool e Manchester United estrearam com vitória categóricas e esses sim vão brigar com o Manchester City pelo título inglês.  

Na Alemanha, o Bayern largou com um empate diante do Gladbach fora de casa, mas esse confronto tem sido um dos mais enroscados para o gigante da Baviera. Lewa deixou o dele e deverá ser só o primeiro de muitos. O Borussia Dortmund de Marco Rose, com Haaland voando, estreou com goleada, mas perdeu Sancho e talvez falte algo de novo para tirar o título do Bayern. O Leipzig, nem preciso falar, perdeu seu excelente técnico (Julian Nagelsmann) para o... Bayern de Munique!

Nagelsmann, que trocou o Leipzig pelo poderoso Bayern, recebe o prêmio de melhor técnico de 2016 na Alemanha
Nagelsmann, que trocou o Leipzig pelo poderoso Bayern, recebe o prêmio de melhor técnico de 2016 na Alemanha Thomas Lohnes/Bongarts/Getty Images

 

Em Portugal, os três grandes mantêm 100% de aproveitamento após duas rodadas. Aquela disparada solitária do Sporting na temporada passada parece mais difícil de acontecer agora. Desta vez o Benfica, que investiu alto em seu elenco e em Jorge Jesus, não deve cometer tantos erros e promete mais entrosamento. Na Escócia, Celtic e Rangers já tiveram uma derrota, mas ambos vão brigar pelo título, com ligeira vantagem para a equipe de Gerrard.  


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Na Holanda, o Ajax já lidera na primeira rodada após fazer 5 a 0 no NEC. O gigante de Amsterdã tirou Berghuis, jogador da seleção holandesa, do rival Feyenoord, que fica mais uma vez para trás em termos de favoritismo e protagonismo. O PSV também perdeu um jogador de seleção: Malen, que foi para o Borussia Dortmund. Por mais que o time de Eindhoven tenha goleado o Ajax na Supercopa da Holanda, não será fácil destronar na Eredivisie o time de Tadic, Haller, Antony e David Neres.

O dinheiro faz sim muita diferença no futebol. O público também tem sua parcela (menor) de contribuição para o sucesso de um time. Essa combinação de grana e força nas arquibancadas praticamente impede surpresas nos campeonatos de pontos corridos. Atlético-MG, Flamengo e Palmeiras não brigam à toa pelo título do Brasileiro nesta temporada, são os times com melhor elenco do país. Até mesmo nos mata-matas, onde há mais chance de zebras, o cenário não parece muito favorável para os menos cotados. PSG e City sonham de verdade com o primeiro título da Champions League. E na Libertadores o título está muito bem encaminhado, mais uma vez, para algum clube brasileiro.

 

 

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Quem seriam os clubes brasileiros da Série A na Premier League que começa agora?

Rodrigo Bueno
Rodrigo Bueno

Há cerca de dois meses, o pessoal do site da ESPN me pediu para fazer uma comparação dos 20 clubes da Série A do Brasileiro com os 20 clubes da Premier Leagueque começa agora. A missão não era das mais fáceis, pois nem sempre as semelhanças são tão claras assim, não é só pegar a tabela de classificação desses dois bacanas campeonatos e dizer quem seria quem. Eu levei em conta argumentos históricos e atuais para relacionar as equipes.

As similaridades passam pela grandeza dos clubes, pelos elencos, pelas condições financeiras, pelas cidades, pelas fundações, pelos treinadores, pelas torcidas, pelas mascotes, vale de tudo nessas comparações. É fácil ver o Chelsea como o Palmeiras hoje, por exemplo, pois são os campeões continentais vigentes e clubes com grande injeção de dinheiro por conta de seus patronos. Não é difícil imaginar quem é o Manchester City atualmente no Brasil também. Mas quem seria o Leeds, o Norwich, o Burnley, o Southampton, o Brighton, o Crystal Palace, o Brentford, o Watford ou o Wolverhampton do Campeonato Brasileiro?

Modestamente, como de costume, fiz um trabalho diferenciado em um vídeo de quase 20 minutos detalhando por que cada clube brasileiro tem seu “espelho” na Premier League. Deixarei aqui abaixo neste post o link para vocês acompanharem quem é quem. Em muitas transmissões de jogos do futebol inglês, fãs de esporte perguntam quem seria o Liverpool, o Manchester United ou Newcastle no Brasil. Agora, você poderá saber o que este humilde comentarista mascarado pensa sobre cada clube. Democrático que sou, eu aceito opiniões contrárias, sugestões e críticas. 

Boa Premier League para todos nós! Enjoy it!  

https://youtu.be/tySXsjUkqcw

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Paris Saint-Germain de Messi rivaliza no papel com os primeiros galácticos do Real Madrid

Rodrigo Bueno
Rodrigo Bueno

Quando alguém pensa no melhor time deste século que algum clube tenha montado, muitos vão citar o Barcelona de Messi, Xavi, Iniesta, Busquets e Piqué e outros irão lembrar do Real Madrid tricampeão europeu com Cristiano Ronaldo, Benzema, Bale, Modric e Kroos. Só que no papel o melhor esquadrão deste século foi o time galáctico montado por Florentino Pérez entre 2000, quando ele contratou Figo, e 2007, quando Beckham deixou o clube merengue. O atual Paris Saint-Germain, com a chegada de Messi, é quem mais rivaliza com esse timaço.

O post aqui visa comparar mesmo essas duas grandes uniões de craques e jogadores consagrados. O primeiro Real Madrid galáctico reuniu quatro jogadores que ganharam a Bola de Ouro: Figo, Owen, Ronaldo e Zidane. O atual PSG tem o jogador que mais vezes ganhou a Bola de Ouro: Messi, seis vezes eleito o melhor do mundo. O esquadrão merengue contava com três jogadores que ficaram em segundo lugar na Bola de Ouro: Beckham, vice em 1999, Raúl, segundo colocado em 2001, e Roberto Carlos, só atrás de Ronaldo em 2002. No Paris Saint-Germain de hoje, quem chegou mais perto da Bola de Ouro além de Messi foi Neymar, terceiro colocado em 2015 e 2017. O craque brasileiro é potencial vencedor do prêmio mais tradicional do futebol no futuro, assim como o amigo francês Mbappé.

Sergio Ramos, curiosamente, integra essas duas verdadeiras seleções mundiais. O zagueiro saiu do Sevilla e chegou ao Real Madrid em 2005 após ser comprado por € 25 milhões. Agora, saiu do Real como lenda e chegou ao PSG livre, assim como Messi. Um ainda jovem Donnarumma (22 anos) desembarcou em Paris para fazer história no gol. Aquele primeiro Real galáctico revelou Casillas, que virou titular da equipe aos 18 anos no fim de 1999. Se o gigante de Madri já desfrutava desde a década anterior de Roberto Carlos (saiu da Inter por € 6 milhões em 1996) e Raúl (veio da base em 1994), o atual PSG já conta com Di María desde 2015 (deixou o Manchester United e teria custado £ 44 milhões) e com Verratti desde 2013 (foi comprado ainda com 19 anos do Pescara, não custou uma fortuna para o clube francês).  

O Real galáctico trazia uma grande estrela por ano quando ainda não havia o fair play financeiro no futebol europeu. Figo (em 2000, € 61 milhões para o Barcelona), Zidane (em 2001, € 75 milhões para a Juventus), Ronaldo (em 2002, € 45 milhões para a Inter), Beckham (em 2003, € 35 milhões para o Manchester United) e Owen (em 2004, € 12 milhões para o Liverpool).

Sergio Ramos chegou ao Real Madrid galáctico em 2005 e agora defende o endinheirado Paris Saint-Germain do ex-rival Messi
Sergio Ramos chegou ao Real Madrid galáctico em 2005 e agora defende o endinheirado Paris Saint-Germain do ex-rival Messi PHILIPPE DESMAZES/AFP/Getty Images

 

O Paris Saint-Germain vem driblando o fair play financeiro contratando Neymar (pagou em 2017 por ele € 222 milhões, a contratação que até hoje é recorde na história), Mbappé (saiu do Monaco em 2017 por empréstimo sendo adquirido em definitivo em 2018 por um valor total de € 180 milhões, na segunda maior contratação da história) e agora Messi, que estava livre no mercado mas cujo salário alcança € 40 milhões por ano, superando o que ganha Neymar (o argentino ganharia ainda um bônus de € 30 milhões pela assinatura do contrato). Dos quatro maiores salários do futebol mundial hoje, três são pagos pelo PSG, apenas Cristiano Ronaldo não está na folha do time francês.

Há um outro jogador em comum nos dois times além de Sergio Ramos: o galáctico Beckham também fez parte do projeto bilionário do PSG. O inglês foi contratado para a temporada 2012/2013 e ajudou a tirar o time da fila na França. Tanto o Real Madrid quanto o Paris Saint-Germain apostaram nessas fases endinheiradas em vários brasileiros. Os espanhóis investiram em 2005 € 25 milhões em Robinho, que prometia brigar para ser melhor do mundo quando era estrela do Santos e da seleção, e outros € 25 milhões em Júlio Baptista, vindo do Sevilla. Os dois não corresponderam como era esperado no gigante merengue. O PSG foi mais feliz contratando Marquinhos (€ 31,4 milhões para a Roma) e Thiago Silva (€ 42 milhões para o Milan). Um outro brasileiro fez sucesso no PSG vindo da Itália, mas esse virou italiano mesmo: Thiago Motta (€ 10 milhões para a Inter). O Real, que queria Totti, não foi feliz contratando um italiano, pois Cassano (€ 24 milhões para a Roma) não convenceu em Madri.


Beckham, que jogou no Real Madrid galáctico e foi campeão no PSG, abraça o amigo francês Zidane no gigante espanhol
Beckham, que jogou no Real Madrid galáctico e foi campeão no PSG, abraça o amigo francês Zidane no gigante espanhol AFP



O novo fair play financeiro na França, seguindo os moldes do que vemos na Liga espanhola, foi adiado para a temporada 2023/2024. Ou seja, o PSG pode gastar com sua folha salarial mais de 70% do valor de seu faturamento até lá. O clube francês pegou Messi, Donnarumma e Wijnaldum livres no mercado agora, mas teve custo para contratar Achraf Hakimi (o valor total do negócio, incluindo bônus, pode chegar a € 71 milhões) e Danilo Pereira (tem obrigação de compra e renderá € 20 milhões para o Porto).

Florentino Pérez, o dirigente dos galácticos, é um dos líderes da Superliga que não emplacou na Europa. Nasser Al-Khelaifi, o manda-chuva do PSG, foi contra a Superliga e integra o Comitê Executivo da Uefa (é o primeiro asiático a assumir tal posto na entidade que rege o futebol europeu). Os dois responsáveis pelos dois maiores esquadrões montados neste século travam uma briga agora pelo poder no Velho Continente, uma vez que Pérez ainda não desistiu do plano da Superliga e Al Khelaifi assumiu a presidência da ECA (Associação Europeia dos Clubes).

Não sabemos ainda o que o Paris Saint-Germain do trio MMN (Messi, Mbappé e Neymar) vai conquistar a partir de agora, mas já dá para comparar no papel esse timaço com aquele Real Madrid galáctico que não triunfou tanto quanto se esperava (1 Mundial, 1 Champions League, 1 Supercopa da Europa, 3 Espanhóis e 2 Supercopas da Espanha). Talvez seja ultrapassado medir hoje em dia as equipes no papel, até porque vivemos na era digital, mas fica aqui a pergunta: Real Madrid galáctico ou o PSG de agora?   

Neymar e Mbappé, as duas maiores contratações da história, agora são parceiros do melhor do mundo neste século
Neymar e Mbappé, as duas maiores contratações da história, agora são parceiros do melhor do mundo neste século Getty

 

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Paris Saint-Germain de Messi rivaliza no papel com os primeiros galácticos do Real Madrid

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Messi deixa milhões de viúvas e, até na despedida do Barcelona, é comparável a Pelé e Maradona

Rodrigo Bueno
Rodrigo Bueno

Os santistas mais da antiga sofreram durante muitos anos com o apelido de “viúvas do Pelé”. Após a saída do Rei do clube praiano, ficou um grande ponto de interrogação sobre o futuro do Santos, o clube de menor torcida dentre os grandes paulistas e o único deles com sede fora da capital. Claro que o time perderia competitividade e relevância sem o maior jogador da história. A mesma coisa está acontecendo agora com o Barcelona sem Messi, apesar de o clube catalão atualmente ter mais protagonismo global e potencial financeiro do que o time da Vila Belmiro. Creio que é possível sim comparar as duas situações, assim como não dá para esquecer que Maradona deixou milhares de “viúvas” em Nápoles.

O que era o Santos antes de Pelé? Um clube simpático que tinha, basicamente, três títulos paulistas, um deles em 1935, quando houve dois campeões em São Paulo. Com Pelé, ganhou torneios nacionais em série, virou bicampeão da América e do mundo. O que era o Napoli antes de Maradona? Um clube simpático do sul da Itália que ostentava, basicamente, dois troféus da Copa da Itália. Com Maradona, o time virou bicampeão italiano e ganhou a Copa da Uefa. O que era o Barcelona antes de Messi? Um clube grande que tinha sete títulos internacionais reconhecidos pela Uefa. Com Messi, acumulou mais dez troféus internacionais oficias, virou tricampeão mundial e faturou quatro vezes a Champions League (antes, só tinha um título da disputa, em 1992, quando o nobre interclubes europeu nem tinha o atual nome).

Messi está fora do Barcelona! Craque foi artilheiro da última LaLiga; veja os gols

Messi não transformou tanto o Barcelona como Pelé fez com o Santos e como Maradona fez com o Napoli apenas porque o time espanhol já era uma potência mundial quando a “Pulga” chegou ao clube. Pelé e Messi sempre tiveram ótimos companheiros nos seus clubes históricos. Maradona sofreu bem mais com isso ao longo da carreira, precisando carregar mais nas costas a sua equipe. 

Pelé foi quem lucrou menos com exposição global, pois o mundo não tinha muito como ver seus jogos no Brasil. Maradona viveu o auge no calcio, o Eldorado da Bola na década de 80 e até em parte dos anos 90, sendo muito mais visto e seguido. Mas nada que se compare a Messi, que surfou na era das TVs a cabo, da internet e das mídias sociais. Ele foi muito mais consumido do que foram Pelé e Maradona. Gerações se acostumaram a admirar Messi ao vivo duas vezes por semana com a camisa do Barça.

 O número de “viúvas” do Messi é incalculável, vai muito além da torcida do Barcelona. O genial argentino tem pouca rejeição, talvez só os fãs mais ardorosos de Cristiano Ronaldo peguem no pé do camisa 10 que virou o maior jogador da história do Barça, superando ninguém menos do que Cruyff. Dos 26 títulos espanhóis que a equipe catalã conquistou, dez foram na era Messi. No Barcelona, há quem diga que Ronaldinho iniciou essa nova fase no clube, mas quem merece mesmo ser associado a uma era é Messi, mais longevo, mais vitorioso, mais premiado e quase tão artístico quanto o craque gaúcho.

Messi está para a história do Barcelona assim como outros craques estão para outros clubes que viraram lendários. Cruyff começou a mudar a história do Ajax e a colocar o clube holandês no mapa-múndi, dando hoje seu nome à arena em Amsterdã. Beckenbauer ajudou a transformar o Bayern na potência que é hoje, lembrando que até os anos 60 o time de Munique não era grande nem na Alemanha. Sir Bobby Charlton sobreviveu, literalmente, e reergueu o Manchester United a ponto de ser campeão europeu com o clube inglês. 

Messi não continua no Barcelona! Assista top 5 do craque argentino contra o Real Madrid

Puskás, que dá nome ao prêmio da Fifa de melhor gol da temporada, fez do Honvéd uma lenda muito além da Hungria, com mais de um gol por jogo no clube (foram 379 gols em 367 partidas entre os anos 40 e 50). Coisa parecida fez Eusébio no Benfica, com 471 gols em 440 jogos, sendo o astro do time português campeão europeu 1961/62. O Real Madrid virou o gigante e dominante que a Europa e o mundo reverenciam por conta, sobretudo, de dois nomes: Di Stéfano, no século 20, e Cristiano Ronaldo, no século atual.

Messi ainda não se aposentou. Seus números, feitos, recordes e títulos devem continuar com outra camisa agora. Mas já dá para dimensioná-lo na história. O luto que boa parte do planeta vive agora com a sua saída do Barcelona mostra bem o quanto ele cativa, o quanto ele representa. Não há quem não queira Messi em seu clube de coração. O maior talento que o futebol produziu neste século caminha para o final da carreira e terá um novo desafio pela frente. Ainda tem muita lenha para queimar e até uma última Copa do Mundo no ano que vem para tentar vencer.

Se nós contarmos gols na base e em amistosos, como Romário fez, Messi já ultrapassou a marca dos mil gols na carreira. Seriam 1163 gols em 1307 partidas. Sendo mais honesto e tirando os gols dele como juvenil, seriam “apenas” 824 gols em 1024 jogos. As contas oficiais apontam “só” 748 gols e 314 assistências em 929 partidas. Isso ignorando a seleção argentina sub-23 (ele foi campeão olímpico), a seleção argentina sub-20 (ele foi campeão mundial) e os amistosos pelo Barcelona, que aqui no Brasil seriam contados por quase todos os jogadores. São 38 títulos relevantes na carreira, sendo a maior ameaça ao recorde de Daniel Alves, como eu destaquei em meu último post aqui neste blog.

Como sou maluco por listas, pensei em fazer um ranking com os jogadores que mais mudaram a história de um clube de futebol. Não é uma tarefa fácil, então, eu aceito sugestões e todo tipo de ajuda. Com bons argumentos, posso mudar de boa a lista que posto aqui, que engloba apenas grandes craques da história.

1º Pelé (Santos)

2º Beckenbauer (Bayern de Munique)

3º Cruyff (Ajax)

4º Di Stéfano (Real Madrid)

5º Puskás (Honvéd)

6º Maradona (Napoli)

7º Messi (Barcelona)

8º Eusébio (Benfica)

9º Zico (Flamengo)

10º Bobby Charlton (Manchester United)

11º Yashin (Dinamo Moscou)

12º Cristiano Ronaldo (Real Madrid)

13º Garrincha (Botafogo)

Pelé, Messi e Maradona mudaram clubes e deixaram milhões de 'viúvas'
Pelé, Messi e Maradona mudaram clubes e deixaram milhões de 'viúvas' Fotos: Getty Images / Montagem: ESPN.com

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Messi deixa milhões de viúvas e, até na despedida do Barcelona, é comparável a Pelé e Maradona

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Multicampeão Daniel Alves pode ampliar recorde de títulos e ter o ano mais feliz da carreira

Rodrigo Bueno
Rodrigo Bueno

Messi, enfim campeão com a seleção principal da Argentina, é a maior ameaça em atividade ao recorde de títulos de Daniel Alves, o jogador mais vezes campeão de torneios oficiais no futebol. Os dois são amigos e ostentam um título mundial sub-20, que entram em algumas contas e ficam fora de outras listas de taças dos dois grandes parceiros na época de Barcelona. Messi possui também uma medalha de ouro olímpica, algo que Daniel Alves poderá conquistar neste sábado na final contra a Espanha no Japão.

Há quem diga que o título olímpico não deveria contar na lista de títulos profissionais, assim como as disputas sub-20, pois são competições com restrição de idade. Eu entendo que devem sim entrar na conta, sobretudo o ouro olímpico, que acertadamente está sendo a prioridade de Daniel Alves no momento. E não é porque ele disse, em entrevista à Fifa, que planeja chegar a 50 títulos na carreira, apontando para a Copa do Mundo de 2022.

Daniel Alves conquistou 23 títulos oficiais com o Barcelona, incluindo três Mundiais de Clubes da Fifa
Daniel Alves conquistou 23 títulos oficiais com o Barcelona, incluindo três Mundiais de Clubes da Fifa Shaun Botterill/FIFA via Getty Images

Uma medalha de ouro olímpica vale muito mais do que muitos dos títulos que o lateral-direito e meio-campista do São Paulo já faturou em sua carreira. Ele tem cinco Supercopas da Espanha e uma Supercopa da França. São taças oficiais, mas torneios de menor importância, disputas que servem simbolicamente mais para abrir a temporada de um país. O primeiro e o último título de Daniel Alves nem são nacionais, mas certamente valem mais do que Supercopas para o folclórico ala baiano. Ele ganhou a Copa do Nordeste com seu querido Bahia em 2002 e conquistou o Paulista com seu amado São Paulo em maio deste ano, ajudando a tirar o time do coração da fila e realizando um sonho de criança.

Registros frios indicam 33 títulos para Cristiano Ronaldo e Xavi, 34 taças para Piqué e Vítor Baía, 35 troféus para Kenny Dalglish e 36 conquistas para Giggs. Messi tem 37 títulos, assim como Iniesta e Maxwell, se não contarmos seu Mundial sub-20. Mas, se usarmos esse critério, Daniel Alves teria 41 títulos, e não 42, como muitos divulgam. O gênio argentino ganhou 35 de seus troféus oficiais com o Barcelona. O lateral brasileiro, decisivo na semifinal olímpica contra o México, experimentou sucesso em várias frentes e pode ser capitão de mais uma conquista do Brasil. São duas taças da Copa América para ele (a de 2019 como capitão e melhor do torneio) e duas edições da Copa das Confederações.


'A vitalidade do Daniel Alves é impressionante', diz Eugênio Leal após classificação do Brasil à final olímpica


  


         
 


    

 

Com a esperada permanência de Messi no Barcelona, o argentino tem boa chance de chegar aos 40 títulos oficiais na carreira. Aos 38 anos, Daniel Alves tem menos tempo e menos chance de empilhar mais troféus. Ele voltará ao São Paulo para tentar uma Libertadores e talvez uma Copa do Brasil (o Brasileiro está fora de cogitação nesta temporada). Qualquer título pelo time de seu coração será muito festejado, seja pela importância, seja pelo sentimento, seja pelas estatísticas pessoais. No melhor dos mundos para Daniel Alves, ele ganharia o ouro no sábado, a Libertadores neste ou no próximo ano e fecharia a conta dos principais títulos do futebol mundial com a Copa de 2022.

Daniel Alves, que já tem títulos da Copa América e da Copa das Confederações pela seleção, tenta agora o ouro olímpico
Daniel Alves, que já tem títulos da Copa América e da Copa das Confederações pela seleção, tenta agora o ouro olímpico Lucas Figueiredo/CBF

Listas de títulos às vezes têm mais quantidade do que qualidade. Mas cada um sabe melhor do que ninguém o real valor de cada troféu conquistado. Daniel Alves, que tem se comportado como um garoto faminto na primeira Olimpíada, sabe aproveitar a vida e seus troféus. Mesmo que não vença mais nada na carreira, seu currículo já é histórico. Resta saber agora aonde ele vai acabar?

 

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Torneio olímpico de futebol, tratado como Estadual por alguns, mantém sua adorável globalização

Rodrigo Bueno
Rodrigo Bueno

Chegaram às quartas de final do torneio masculino de futebol olímpico representantes de todos os continentes. São dois países asiáticos (Coreia do Sul e Japão), dois africanos (Costa do Marfim e Egito), um europeu (Espanha), um da América do Norte (México), um da América do Sul (Brasil) e um da Oceania (Nova Zelândia). Muita gente destacou as eliminações de algumas potências da bola (Alemanha, Argentina e França) na fase de grupos, mas eu tentarei aqui valorizar essa globalização maior dos Jogos Olímpicos, algo que acompanha historicamente a disputa.

 O esporte mais popular do mundo tem na Copa do Mundo o seu grande evento. A relação da Fifa com o Comitê Olímpico Internacional nem sempre foi das melhores e, claro, não há o interesse da máxima entidade do futebol de permitir uma segunda Copa do Mundo em meio a outras modalidades durante uma Olimpíada. A restrição de idade surgiu justamente por isso, assim como havia no passado o veto a jogadores profissionais. Entre 1948 e 1992, 23 das 28 medalhas foram conquistadas por times do Leste Europeu, que tinham muitos de seus principais times e jogadores bancados por governos e figuravam como amadores.

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Suécia, (ouro em 1948 e bronze em 1952), Dinamarca (bronze em 1948 e prata em 1960) e Japão (bronze em 1968) foram as nações que se intrometeram no pódio nesse período de hegemonia do antigo bloco comunista. Em 1992, começou o uso de jogadores sub-23, e então o que se viu foi a globalização da disputa. Foram várias medalhas para a África. Gana levou o bronze logo em 1992. A Nigéria teve ouro em 1996, prata em 2008 e bronze em 2016. Camarões ficou com o ouro em 2000. A Ásia teve uma disputa de bronze em 2012, e a Coreia superou o Japão. O México deu um título para a Concacaf nessa Olimpíada de Londres.

Em termos sul-americanos, Chile (2000) e Paraguai (2004), que têm dificuldades para ir longe em Copas do Mundo, ganharam as suas medalhas. O nosso continente foi além de Argentina (2004 e 2008) e Brasil (2016), que quebraram o jejum que tinham em títulos olímpicos no futebol nesse período mais recente dos Jogos Olímpicos. Desde 1992, a fase sub-23 do torneio olímpico, só houve uma medalha de ouro para a Europa, continente que tem dominado a Copa do Mundo de 2006. E esse título europeu nos Jogos veio com a Espanha jogando em casa (Barcelona-1992).

Os espanhóis, os únicos do Velho Continente que alcançaram as quartas em Tóquio, foram os que mais levaram a sério a disputa dentre os europeus. A seleção levou para a Olimpíada seis jogadores que estiveram na Eurocpa: Unai Simón, Pau Torres, Eric García, Pedri, Oyarzabal e Dani Olmo. O elenco conta até com atletas do Real Madrid (Asensio, Dani Ceballos e Vallejo), coisa que faltou na Roja na Euro. Mas nada garante que isso bastará para a Europa voltar ao ponto mais alto do pódio.

Pedri, um dos jogadores que estiveram na Eurocopa pela Espanha e que tentam acabar com o jejum europeu na Olimpíada
Pedri, um dos jogadores que estiveram na Eurocopa pela Espanha e que tentam acabar com o jejum europeu na Olimpíada Fran Santiago/Getty Images

 

Já são 19 os países que foram campeões olímpicos no futebol. E há cinco possibilidades de um 20º ouro inédito. Talvez as maiores chances estejam com o Japão, anfitrião do torneio. Na Copa do Mundo, sabemos bem, há apenas oito países campeões mundiais e eles estão concentrados em só dois continentes. Sei que essa disputa mais aberta e democrática na Olimpíada não cativa muita gente nas nações mais tradicionais do futebol (e isso explica muito os resultados diferenciados), mas vejo com muito interesse e curto essa globalização da modalidade. Meus amigos do Egito estão enlouquecidos com a campanha do país, por exemplo.

Alguém pode dizer que o torneio olímpico de futebol é o Estadual das seleções, mas o Estadual para muitos times é um sonho, uma conquista possível. Daniel Alves, multicampeão no futebol, está certo em valorizar bastante a disputa olímpica. Uma medalha nos Jogos vale demais. E, dependendo do país e da modalidade, algumas medalhas valem mais do que outras. O Brasil ainda está longe do topo do quadro de medalhas, não é de fato uma potência olímpica, e também por isso as poucas conquistas do país são espetaculares, fruto de heroísmo e valor individual de atletas que sofrem durante anos em busca de apoio. Da mesma forma, o valor de uma medalha no futebol para os países de fora de América do Sul e Europa (os que não estão no Eixo) é maior. Olimpicamente, gosto de ver todos os continentes sonhando e competindo para valer em um torneio do esporte mais popular do planeta.  


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Entre elogios e críticas, trabalho de Pia pode ser comparado com o de Tite na seleção

Rodrigo Bueno
Rodrigo Bueno

Sendo bem honesto, eu tenho pensado sobre Pia e Tite faz alguns dias. Queria fazer um post comparando o trabalho dos dois. São duas figuras completamente diferentes, mas que ocupam cargos similares. Os dois têm seus defensores ardorosos, talvez pelo jeito sincero como tentam se relacionar com as pessoas e as situações. Ambos treinam seleções brasileiras e se espera muito dessas, mas nem sempre os comandantes conseguem fazer seus times aliarem resultado e desempenho. Se na Copa América os olhos estavam muito voltados para Tite (e desde antes da competição, até por razões extracampo), agora a Pia é quem está carregando o piano.

Há uma animação e uma esperança em torno da seleção feminina, que estreou bem nas Olimpíadas contra a China (5 a 0) e merecia ter vencido a Holanda (3 a 3), atual vice-campeã mundial. Fez um jogo ruim contra a Zâmbia (1 a 0) nesta terça-feira (27) em uma partida em que vencer bem não era o que muitos queriam, uma forma de garantir a segunda posição do grupo, evitar os Estados Unidos nas quartas e pegar o Canadá, mais acessível historicamente. Essa decisão de tirar o pé e escolher adversário já é algo bastante questionável, há quem defenda essa estratégia de abraçar um caminho melhor para garantir uma medalha e há quem critique também essa postura.

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Enquanto Pia encantava no piano com “Anunciação” para a admiração de suas atletas e dos jogadores da seleção masculina, eu ouvia não só a bela canção de Alceu Valença mas também algumas críticas à experiente treinadora sueca. Um colega de trabalho me disse que a “Pia é tão teimosa quanto Tite”. Isso após ela garantir a permanência de Bárbara como goleira titular, mesmo com a arqueira de 33 anos não estando em sua melhor forma e tendo falhado de forma decisiva contra as holandesas.

Lelê deveria ser a titular, ela ganhou praticamente tudo com o Corinthians e hoje está no Benfica, pedindo passagem. Ela é mais alta do que a Bárbara e está com 26 anos, em melhor forma. São 66 partidas da Letícia pela seleção, sem contar seu histórico em Mundiais sub-17 e sub-20. A experiência maior da Bárbara não deveria bastar para mantê-la no time. Sabemos que a posição de goleiro e goleira é de confiança (Tite apostou muito tempo em Alisson e só agora abriu a disputa entre seus três grandes arqueiros - Ederson e Weverton são os outros), mas essa decisão da Pia é mesmo arriscada. Pode consagrá-la, caso Bárbara vire heroína no mata-mata (talvez nos pênaltis), ou pode ser o calcanhar de Aquiles da treinadora.

Pia conta com a guerreira Formiga aos 43 anos, mas abriu mão da experiência e dos gols de Cristiane, que jurava estar bem fisicamente e “voando” aos 36 anos. Não sei o quanto essa decisão surpreendeu outras atletas, como Marta, Andressa Alves e Debinha, que mandaram mensagens de apoio para a goleadora que hoje defende o Santos. Marta tem atuado no meio mais aberta, participando menos do jogo em relação ao que fazia no passado. Debinha, em grande momento, e Bia Zaneratto cuidam do ataque. Há mais movimentação na frente assim. Pia diminuiu a dependência do time de uma ou de duas jogadoras, talvez porque Marta (assim como Cristiane) já não esteja no auge da carreira.

Caso venha a ganhar o inédito ouro olímpico, a seleção feminina vai ser justamente celebrada, e Pia será ainda mais endeusada no Brasil. Suas decisões serão compreendidas (assim como Felipão deixou Romário de fora de 2002 e foi campeão mundial) e seu esquema tático não será tão questionado (assim como Parreira ganhou o tetra em 1994 de forma mais pragmática). O hipotético título em Tóquio das mulheres talvez aumente os pedidos para que a seleção masculina tenha também um técnico estrangeiro. Tite não consegue fazer o Brasil resgatar seu futebol romântico, seu estilo mais europeu não encanta muita gente. Mas o estilo de jogo da europeia Pia está encantando na seleção feminina?

Vivemos muito de resultado no Brasil, essa é a cultura do nosso futebol e do nosso esporte como um todo. Pia vai sentir isso muito na pele nos próximos dias, ela está muito perto do céu e ao mesmo tempo do inferno. Tite já está calejado com isso, embora goze de uma rara estabilidade em seu cargo, muito por ter o apoio dos jogadores. Os dois acertaram seus contratos atuais com Rogério Caboclo, que teve sua condição de presidente da CBF interrompida por conta de mais um escândalo na entidade que rege o futebol brasileiro. Os comandantes das seleções feminina e masculina estão literalmente sem comando no momento.   

Pia tem apenas duas derrotas em mais de 20 jogos à frente da seleção feminina. Seu aproveitamento é bom, assim como o de Tite. Pia conta com a Marta mais para o fim da carreira, enquanto Tite desfruta do auge de Neymar. Pia já coleciona três medalhas olímpicas (duas de ouro) e uma final de Mundial. Tite possui um título mundial de clubes, uma taça e um vice de Copa América. A sueca já foi eleita uma vez a melhor técnica do mundo pela Fifa. Tite ainda não teve o mesmo reconhecimento internacional. Se a sueca medalhar no Japão, terá feito mais do que o gaúcho conseguiu na Copa do Mundo (foi eliminado nas quartas de final).

E aí, dá para comparar mesmo Pia com Tite? Quem faz um trabalho melhor à frente da seleção brasileira? Se quiser responder apenas após a Olimpíada de Tóquio, eu vou entender. É Brasil.

Dá para comparar Tite e Pia?
Dá para comparar Tite e Pia? Fotos: Getty Images / Montagem: ESPN.com

 

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Inchaço da Libertadores e grana brasileira ajudam Palmeiras e Renato a bater recordes

Rodrigo Bueno
Rodrigo Bueno

Vivemos de fato uma nova fase da Conmebol Libertadores, muito mais verde e amarela do que no passado. Nunca o principal torneio do continente foi tão brasileiro como agora. Com o inchaço da competição e a invasão brasileira na disputa, ficou mais fácil para os clubes, treinadores e jogadores do país escalarem os rankings históricos da disputa. Palmeiras e Renato Gaúcho são talvez os melhores exemplos desse domínio nacional na Libertadores.

O Palmeiras, recordista de títulos nacionais no Brasil, é o clube do país que mais disputou a competição (21 vezes, empatado com Grêmio São Paulo), o que mais vitórias conseguiu (115), o que mais gols marcou (385) e o que possui maior saldo de gols (170). Com a vaga nas quartas de final, vai no mínimo empatar em número de jogos com o Grêmio (207) e pode superá-lo em pontos (está 354 a 347 a favor dos gremistas) ainda na edição deste ano.  

Marcos Rocha, autor do gol que levou o Palmeiras às quartas de final da Libertadores, torneio em que o clube paulista vem batendo recordes
Marcos Rocha, autor do gol que levou o Palmeiras às quartas de final da Libertadores, torneio em que o clube paulista vem batendo recordes Cesar Greco / Palmeiras

Líder do atual Brasileiro, o Palmeiras deve disputar em 2022 a Libertadores pela sétima vez consecutiva, igualando o recorde nacional do país, que pertence ao São Paulo. Desde 2017, o nobre torneio da Conmebol passou a ter 47 participantes, isso facilitou a presença constante de mais clubes. O Grêmio também joga todas as edições da Libertadores desde 2016, mas começou muito mal o atual Campeonato Brasileiro e corre o risco de ver essa atual série de participações ser quebrada. O São Paulo também largou mal no Brasileiro e pode ver seu rival nas quartas, o Palmeiras, ficar de forma isolada em 2022 como o que mais vezes participou.

O Palmeiras ascendeu em todos os rankings da Libertadores na era Crefisa, com muito investimento. Mesmo tendo a metade de participações de Cerro Porteño e Olimpia, está se aproximando dos dois gigantes paraguaios na classificação histórica do torneio. E vai encurtando a diferença em pontos, vitórias e gols para Nacional e Peñarol, os grandes do Uruguai que são os recordistas em participações na mais tradicional disputa da América. Se o alviverde paulista ganhar o terceiro título continental, empatará em taças com Grêmio, Santos e São Paulo e poderá ser visto de fato como o mais bem-sucedido time do país na Libertadores por liderar quase todos os rankings possíveis na disputa.  

Expert em fazer grandes campanhas nas fases de grupos da competição, o Palmeiras estabeleceu um novo recorde de invencibilidade como visitante na Libertadores. São 13 jogos seguidos sem derrota jogando fora de casa, superando a marca que pertencia ao River de Plate de Gallardo, que tinha ficado 12 partidas consecutivas sem ser batido no campo do adversário. O próximo jogo como visitante do Palmeiras será desafiador, pois acontecerá no Morumbi, estádio do rival onde perdeu as quatro vezes em que enfrentou o São Paulo pela Libertadores.


  


Veja os gols da vitória do Palmeiras na Libertadores!





         
     





Muito pelas participações seguidas e longevas com o Grêmio, Renato Gaúcho já virou o segundo técnico com mais vitórias na história da Libertadores. São 46 triunfos, o último deles à frente do Flamengo (4 a 1 no Defensa y Justicia). Renato precisa de apenas mais três vitórias para igualar o recorde do colombiano Gabriel Ochoa Uribe. Ele já deixou para trás técnicos dos mais vitoriosos da história do torneio, como Carlos Bianchi (44 vitórias), Luiz Felipe Scolari (42) e Marcelo Gallardo (40). Neste ano ainda o treinador do Flamengo pode chegar a 50 vitórias.

Renato Gaúcho, agora no Flamengo, pode se tornar o treinador com mais vitórias na história da Libertadores ainda neste ano
Renato Gaúcho, agora no Flamengo, pode se tornar o treinador com mais vitórias na história da Libertadores ainda neste ano Alexandre Vidal / Flamengo

 

Em post anterior neste blog, eu já tinha destacado como Fred, do Fluminense, e Gabigol, do Flamengo, estão escalando a lista de artilheiros históricos da Libertadores. Ambos continuam na disputa e podem se aproximar de Luizão, principal goleador brasileiro no torneio em todos os tempos, com 29 gols. Sobretudo Gabigol, por ser ainda jovem e atuar em um clube com alto poder de investimento e favorito a todos os títulos, tende a se colocar a médio e longo prazo entre os maiores artilheiros da história.



O Brasil, além de ter a mais forte economia da América do Sul, é o país com mais vagas na Libertadores. Neste ano, há uma boa chance de uma inédita semifinal 100% brasileira na competição. A edição passada já teve uma final apenas com clubes brasileiros. Com os títulos recentes dos endinheirados Flamengo e Palmeiras, o Brasil chegou a 20 títulos de Libertadores, encurtando a vantagem da Argentina, que conquistou 25 troféus. O domínio recente brasileiro na disputa tem gerado já revolta de alguns vizinhos e personagens que marcaram época na Libertadores, como Chilavert e Riquelme, que enxergam favorecimento da Conmebol e da arbitragem agora para os clubes brasileiros.

O fato é que a Libertadores hoje, maior e mais rentável, virou uma espécie de Copa do Brasil turbinada. Os uruguaios, que não ganham o torneio desde 1988, não conseguiram vaga nas oitavas de final. A Colômbia também ficou de fora neste ano dessa fase. O Atlético-MG hoje compra Nacho Fernández, destaque do River Plate, e o utiliza para eliminar o Boca Juniors, historicamente um carrasco dos brasileiros na competição. O Flamengo, que antes penava para chegar ao mata-mata da competição, agora é uma figurinha carimbada na fase mais aguda da disputa.

“Eles hablan, nós falamos.” Era o que diziam na Libertadores. “Eles participan, nós ganhamos.” É o que se diz agora. 

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Inchaço da Libertadores e grana brasileira ajudam Palmeiras e Renato a bater recordes

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Carisma e simpatia são virtudes poderosas no esporte, Renato e Rogério que o digam

Rodrigo Bueno
Rodrigo Bueno

Renato Gaúcho e Rogério Ceni foram grandes jogadores de futebol, considerados por muitos os maiores ídolos de dois dos maiores clubes do país: Grêmio e São Paulo, respectivamente. Viraram treinadores muito pela liderança que tinham em seus times e também pelo carisma que ambos carregam. São pessoas admiradas, o sucesso esportivo ajuda a ser ídolo e a inspirar outras pessoas. Mas carisma é algo diferente de simpatia, e é justamente neste ponto que os dois se diferem bastante.

Renato é visto como um boa-praça, um paizão, um amigo para sair, tomar uma cerveja, curtir uma praia, levar uma vida mais relaxada; Rogério é um exemplo de workaholic, um profissional obstinado, metódico, sério, estudioso, 'caxias', como alguns costumam dizer de forma pejorativa. Na hora de avaliar uma pessoa para um cargo, como o de técnico, o normal é observar o currículo, os feitos, o histórico, o caráter e o carisma também. Tudo isso tem peso. Contratar um Hernán Crespo como treinador é diferente de acertar com um outro promissor profissional que não represente tanto no futebol. Mas onde entra a simpatia?   

Zinho diz que 'linguajar de vestiário' e estilo de Renato Gaúcho ajudam com 'elenco bicudinho' do Flamengo; veja

Se Renato sempre enfrentou o preconceito de que não é aplicado ou muito interessado no trabalho e no estudo, ele sempre gozou da simpatia de quase todas as torcidas pelo seu jeito despojado. Isso se vê em boa parte da imprensa. Não é estranho ver gente contestando até hoje sua capacidade como técnico e ao mesmo tempo desfrutando de sua maneira de ser. Por isso ele foi e ainda é um ótimo contraponto para Tite, o treinador da seleção brasileira que se assemelha mais ao estilo de Rogério Ceni, um profissional muito dedicado, que tenta ser sempre correto e que tem certa dificuldade de ser agradável, de se comunicar mais informalmente.

Eu poderia dizer que Rogério e Tite são técnicos demais. Há uma certa rejeição (de quem não curte tanto o futebol moderno e seu cientificismo) a ambos por isso, assim como há o reconhecimento de que os dois são trabalhadores que tentam melhorar e que têm méritos para chegar aonde chegaram. Talvez Rogério e Tite sejam os mais europeus dos treinadores brasileiros, e o que mais se tem feito no país nos últimos anos, compreensivelmente, é admirar o futebol do Velho Continente, inclusive os técnicos. Renato, na linha contrária, seria o mais brasileiro de todos, o gaúcho mais carioca que temos. Apesar da origem no Rio Grande do Sul (os técnicos gaúchos dominam nosso cenário há tempos), o 'Rei do Rio' não tem quase nada de Dunga, Felipão, Mano Menezes, etc.

Renato tem empatia com a torcida do Flamengo e do Fluminense, uma coisa rara. Ele tem até o respeito e a admiração de alguns colorados, o que é praticamente impossível por ser uma estátua gremista. Ele não chega a ser um São Marcos, que é amado por palmeirenses e querido por muitos corintianos e são-paulinos por ser um cara legal e divertido. Mas Renato é o cara que fica de boa na praia por dois anos e depois, meio do nada, retoma a carreira de técnico em grande estilo, brincando com a imprensa como brincou tantas vezes no Campeonato Brasileiro como treinador.

O sucesso de Renato poderia ser maior como jogador e como técnico se ele se esforçasse mais, essa é a impressão que eu e que alguns outros têm dele. No entanto, se ele fosse o profissional que muitos esperam e cobram talvez ele não tivesse tanta simpatia assim, não fosse esse personagem tão marcante do nosso futebol. Que outra pessoa faria uma disputa de Mundial contra o Real Madrid e diria ser melhor do que o Cristiano Ronaldo? Perto disso, dizer no Flamengo que é melhor do que o Gabigol é fichinha. Eu sempre fui fã dos egocêntricos e mascarados, sobretudo no esporte. Renato tenta de vez em quando sair desse personagem, mas ele não consegue, ainda mais no Rio.

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Renato é folclórico mesmo, e isso não é algo ruim muitas vezes. Pode ter prejudicado a carreira de um Joel Santana ou um Lisca Doido em algumas oportunidades, mas a simpatia tem muito valor, ainda mais no Flamengo. Rogério sempre foi admirado no Rio, percebi isso vivendo nove anos na Cidade Maravilhosa, só que ele não conseguiu nunca ter uma empatia com a maior torcida do Brasil. Nem vitórias e títulos deram jeito nisso. Não houve a tal química que, com Renato, é muito mais fácil de alcançar.

Pelos títulos, números e regularidade, Rogério Ceni é superior a Marcos, mas é difícil achar alguém que considera o ídolo são-paulino mais legal do que a lenda palmeirense. E isso pesa sim na avaliação das pessoas. Marcos muitas vezes é apontado como melhor do que Rogério, imagino, por causa da rejeição a Ceni. Maradona tem mais carisma do que Messi, que é mais simpático. Se levarmos para outros esportes, Piquet e Senna são igualmente tricampeões mundiais, mas o primeiro leva a fama de antipático e o outro de semideus. Eu tento não me influenciar pelos rótulos, muitas vezes errados e injustos, só que essas imagens construídas ao longo dos tempos interferem, sim, na vida das pessoas.

O futebol, assim como a sociedade, está repleto de estereótipos. Isso é bonito, aquilo é gordo, esse é legal, aquele é ultrapassado etc. Não sei o quanto incomoda ao Rogério ser visto como arrogante, prepotente, chato ou até como “pessoa ruim”, como disse um analista de desempenho do Flamengo. Mas é fato que isso joga contra ele em muitos momentos, em avaliações, em julgamentos, em sua vida profissional. Da mesma forma, a leveza de Renato o ajuda a driblar certas situações, a melhorar algumas relações pessoais, a blindar um time, a comandar um grupo.  

Não entendo nada de recursos humanos nem sou fã de coaching, mas já ouvi falar muito de inteligência emocional. Essa é uma competência cada vez mais exigida e valorizada no mercado, pois responderia por boa parte do sucesso e da capacidade de liderança de um ser humano. Imagino que Rogério Ceni já deva ter lido algo sobre esse tema e estou achando que Renato tenha, juntamente com a simpatia, essa tal inteligência emocional.

Rogério Ceni e Renato Gaúcho, tão iguais e tão diferentes ao mesmo tempo
Rogério Ceni e Renato Gaúcho, tão iguais e tão diferentes ao mesmo tempo Gazeta Press

 
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Só um time fez mais do que um gol nas oitavas da Libertadores, não há bicho-papão na América

Rodrigo Bueno
Rodrigo Bueno

Era relativamente normal imaginar um certo equilíbrio nos jogos das oitavas de final da Conmebol Libertadores, mas eu não esperava tanto assim. Apenas um dos 16 times envolvidos fez mais do que um gol, o Fluminense, que foi o único a vencer por mais de um gol de diferença e que, portanto, é quem mais encaminhou mesmo sua classificação para as quartas de final. Mas foi justamente no jogo do Tricolor das Laranjeiras que foi beneficiado com um erro de arbitragem, uma vez que o Cerro Porteño deveria ter aberto o placar no duelo em Assunção. Justiça seja feita, o Fluminense era melhor antes desse gol e foi melhor depois desse gol, só que o juiz de campo, o bandeirinha e o árbitro de vídeo tiveram atuação desastrosa no lance, mereceram a suspensão.  

Os três melhores elencos do Brasil, e consequentemente, do nosso continente renderam abaixo do que podem. Atlético-MG, Flamengo e Palmeiras colheram bons resultados, mantendo suas defesas intactas, porém havia uma expectativa bem maior de desempenho por parte deles. Seus goleiros foram destaques nas partidas, assim como foi Daniel, do Internacional, no 0 a 0 fora de casa contra o Olimpia. Na fase de grupos, o Colorado chegou a meter 6 a 1 no Rei de Copas paraguaio, mas agora as diferenças se encurtaram. E, com a regra do gol fora de casa como critério de desempate, nenhum desses brasileiros que seguraram o zero no placar no campo rival estão absolutamente seguros e tranquilos.

 

Diego Alves salvou o favorito Flamengo na partida de ida das oitavas de final contra o Defensa y Justicia
Diego Alves salvou o favorito Flamengo na partida de ida das oitavas de final contra o Defensa y Justicia Gilvan de Souza/Flamengo

O fato de os times estrangeiros estarem sem ritmo por falta de jogos oficiais não resultou na prática em uma grande vantagem para os clubes brasileiros, alguns deles reclamando demais do excesso de partidas e de desfalques. O São Paulo enfrentou o Racing sem importantes peças e mais uma vez não superou o adversário argentino. Já são oito confrontos na história entre os dois times e não há registro de vitória tricolor. São cinco triunfos da Academia e três empates. Três desses duelos aconteceram na atual Libertadores, e o time de Crespo não conseguiu ser superior em nenhum desses duelos, o que dá poucas esperanças de uma classificação na Argentina, onde o São Paulo venceu apenas uma vez na história da Libertadores (3 a 2 no River Plate em 2005).

Fui chamado a palpitar sobre o mata-mata da Libertadores para as mídias sociais dos canais ESPN e FOX Sports. Em uma aposta de segurança, arrisquei uma semifinal 100% brasileira, o que seria inédito: Flamengo x Fluminense e Atlético-MG x Palmeiras. Pelos resultados dos jogos de ida das oitavas, esta fase semifinal que previ tem boa chance de acontecer, mas, pelo desempenho geral, não há certeza dessa supremacia brasileira, lembrando que a última final foi 100% brasileira. Apenas o Fluminense venceu de fato com autoridade nas oitavas (mesmo contando a arbitragem).

Sormani diz quais times se classificarão na Conmebol Libertadores!

Para quem achava que o Brasil era o favorito disparado da Copa América, ainda mais jogando em casa com força máxima, a organização argentina mais uma vez parece colocar o talento e o investimento brasileiro em dificuldade. Vejo gente chamando o Racing de time ruim, desmerecendo o adversário. O que seria então o São Paulo de Pablo e Vitor Bueno? O Defensa y Justicia perdeu peças importantes, mas manteve o seu modelo de jogo com Beccacece, que não viu, como quase ninguém, superioridade do Flamengo de Renato no jogo de ida entre eles. A volta será com alguns torcedores rubro-negros em Brasília, onde o time verde e amarelo da Argentina já conquistou Recopa de virada.

O Boca está sendo chamado de limitado, de fraco, de pior Boca dos últimos tempos. Pode até ser verdade mesmo, mas ele pode também muito bem sair do Mineirão classificado, uma vez que joga pelo empate diante do Galo. Na pior das hipóteses, tem a chance de decidir nos pênaltis no caso de um novo 0 a 0. E os xeneizes reclamam bastante do gol anulado no jogo de ida. O River, também enfraquecido, talvez corra tanto risco de eliminação neste momento quando o seu maior rival.

Cuca comanda o Atlético-MG
Cuca comanda o Atlético-MG Pedro Souza / Atlético

O Olimpia, que já machucou bastante o Inter na Libertadores de 1989, pode eliminar o Colorado sem vencê-lo em nenhuma das quatro partidas que disputará com ele nesta edição. Empate com gols no Beira-Rio dá vaga ao time paraguaio. Outro 0 a 0 leva tudo para os pênaltis, e o Inter não está firme ainda com Aguirre no comando. Muita coisa mudou desde a fase de grupos nos times, e os brasileiros não estão sobrando na turma agora.

Os quatro brasileiros que estão na Copa Sul-Americana (Athletico, Bragantino, Grêmio e Santos) estão, na média, em situação melhor (somando resultado e desempenho) para se classificar às quartas do que os representantes do país na Libertadores. Claro que há desculpas para alguns clubes, sobretudo os com muitos desfalques, para performances não tão boas no momento mais agudo do principal torneio. Isso tem que ser levado em conta, mas é bom sempre lembrar que as competições sul-americanas não são aquela baba que muitos brasileiros acreditam ser. Os nossos vizinhos também têm suas desculpas, agora a falta de ritmo e a arbitragem, que, na dúvida, acabou sim ajudando alguns clubes do nosso país nesta semana.



Top 5 dos golaços das oitavas da Libertadores!

Se o título da Itália na Eurocopa vai inspirar e fortalecer ainda mais os clubes italianos nas competições no Velho Continente, o quanto o fim da fila da seleção argentina (que triunfou em pleno Maracanã quando não era a mais cotada) vai animar os clubes da Argentina nos torneios da Conmebol? Creio que isso pode sim ter algum efeito, afinal não há mesmo bicho-papão na América.

 

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Só um time fez mais do que um gol nas oitavas da Libertadores, não há bicho-papão na América

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Southgate e Tite, vices em casa, têm muita coisa em comum à frente de suas seleções

Rodrigo Bueno
Rodrigo Bueno

Há quem diga que Southgate e Tite não estão na mesma prateleira e não cabem na mesma frase. Creio que isso se deva muito pelo currículo de ambos no comando de clubes, pois, em termos de seleção, vejo muita similaridade entre os dois treinadores.

Para começar as comparações, os dois técnicos que foram vice-campeões continentais decidindo em casa neste fim de semana têm exatamente o mesmo número de partidas no comando de suas tradicionais seleções. São 61 jogos. Tite tem aproveitamento melhor (79,78% contra 70,49%), mas é preciso relativizar isso porque ele vem enfrentando, na média, adversários mais tranquilos, uma vez que os europeus estão jogando quase que só entre eles.

O treinador da seleção brasileira venceu 45 partidas e perdeu cinco vez apenas, três delas para a Argentina, a maior rival. Uma dessas derrotas, a última, foi histórica, pois fez o país perder o tabu de sempre vencer a Copa América na condição de anfitrião. Falando nisso, Tite se beneficiou de jogar duas edições do torneio em casa. Ganhou a primeira em cima do Peru após empatar com a Venezuela, superar o Paraguai nos pênaltis e eliminar a Argentina na semifinal com a ajuda da arbitragem. Dos 61 jogos de Tite, 25 foram no Brasil, o que é um luxo nesses tempos modernos em que a seleção estava acostumada a jogar quase sempre fora de casa (muitas vezes em Londres).


Messi manda áudio para apresentador da ESPN

 

         

 

    


 

Southgate, que tem muito menos experiência como treinador do que Tite e viu o emprego atual cair em seu colo, perdeu dez vezes à frente da Inglaterra, três para a Bélgica, que também dobrou o Brasil e seu treinador na Copa de 2018. O atual técnico da seleção inglesa disputou 34 jogos como mandante e perdeu duas vezes como local. Nesta Eurocopa, a Inglaterra teve a vantagem de fazer todas as suas partidas em Wembley, exceção feita ao jogo das quartas de final em Roma. A atmosfera no estádio londrino, com o público de volta, ajudou a equipe britânica no torneio, inclusive na semifinal com arbitragem polêmica contra a Dinamarca.   

Tanto Southgate quanto Tite são criticados muitas vezes por certo conservadorismo, preocupação maior com o sistema defensivo, pouca ousadia. Parece que o espetáculo fica mesmo em segundo plano para eles. Só que Southgate desfruta de uma seleção cheia de talentos, quase todos destaques da liga nacional mais badalada do mundo e que é associada a um jogo atraente e ofensivo. E Tite treina a mais vitoriosa das seleções, cuja história pede futebol-arte, o tal jogo bonito que até os estrangeiros e os publicitários esperam sempre que veem a camisa amarelinha dentro de campo.

Tite começou voando à frente da seleção, creio que boa parte disso se deva à união dos atletas que não aguentavam mais o Dunga, incluindo alguns dos principais jogadores do país (Marcelo e Thiago Silva nem vinham sendo convocados). Com a fama de bom gestor, o técnico da seleção abraçou o grupo e permitiu, por exemplo, que Neymar e seu pai fizessem o que bem entendessem até na Copa do Mundo. Tite ganhou ainda mais os atletas neste episódio do “manifesto” antes da Copa América, acho que essa união da comissão técnica com os jogadores vai garantir sua presença até o Mundial do Qatar.

 

Southgate, que levou a Inglaterra longe em três torneios mesmo com certo conservadorismo, empatou em 0 a 0 com Tite
Southgate, que levou a Inglaterra longe em três torneios mesmo com certo conservadorismo, empatou em 0 a 0 com Tite Stephen Pond - The FA/The FA via Getty

Southgate, com seu jeito meio estranho, cativou boa parte da torcida inglesa e virou um personagem. Por ter levado a Inglaterra à semifinal de uma Copa do Mundo pela primeira vez desde 1990, por ter guiado a seleção inglesa a um terceiro lugar na Nations League (desde 1968 o país não pegava um pódio) e agora por ter conduzido a equipe a uma final inédita de Eurocopa, ele apresenta resultados que muitos nomes mais badalados tentaram e não conseguiram. A Inglaterra está sem perder há 13 jogos e nesse período levou apenas três gols, até Pickford bateu recorde de Banks em minutos sem ser vazado com a camisa da seleção. Isso deve bastar para Southgate continuar à frente do time até a Copa do ano que vem.

 Houve um confronto direto entre Southgate e Tite. Adivinha o placar? 0 a 0! O jogo foi no final de 2017, em Wembley, uma vantagem para o treinador inglês, mas o time da casa estava bastante desfalcado, inclusive sem o capitão e artilheiro Kane. Mesmo contando com Neymar (um craque que os ingleses criticam e invejam), Tite não venceu aquele que foi seu primeiro teste europeu à frente da seleção, o que deixou um certo ar de frustração. O Brasil teve três chances de gol, e a Inglaterra apenas uma. Resumindo, jogo fraco.

Tite criticou duramente simulação de Neymar quando o enfrentou pelo Corinthians contra o Santos, mas na seleção passou a mão na cabeça do astro com seu cai-cai na Copa da Rússia, algo que virou até meme mundial. Já o correto Southgate disse entender o “soft pênalti” que Sterling sofreu na semifinal contra a Dinamarca, lembrando que os ingleses normalmente abominam  o chamado “diving”, aquela cavada, aquela simulação mais comum no futebol brasileiro.

Tite, que perdeu a primeira Copa América em casa com o Brasil, tem cinco derrotas na seleção, três para a Argentina
Tite, que perdeu a primeira Copa América em casa com o Brasil, tem cinco derrotas na seleção, três para a Argentina Getty


E agora eu pergunto: quem faz um trabalho melhor até agora em sua seleção? Southgate ou Tite? Nos números gerais, vantagem para o brasileiro, menos exigido. No confronto direto, empate. Em termos históricos, o treinador inglês tem conseguido chegar longe em todas as competições e batido marcas à frente de sua equipe (inclusive foi mais longe na Copa de 2018 do que Tite mesmo chegando com uma jovem seleção que não era favorita).

 

 

 

 

 

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As previsíveis finais imprevisíveis da Eurocopa e da Copa América

Rodrigo Bueno
Rodrigo Bueno

Sem querer me gabar mas já me gabando, eu esperava mesmo um Inglaterra x Itália na decisão da Eurocopa, o que não era tão simples de acontecer, e um Brasil x Argentina na final da Copa América, algo que a lógica apontava até pelas limitações dos outros adversários. O Jean Santos, meu chefe aqui no ESPN.com.br, é testemunha dos meus palpites para a Euro, tenho tudo arquivado no meu WhatsApp inclusive. 

Cravei Inglaterra e Itália na final e apontei placar de 1 a 1 na decisão (vitória britânica nos pênaltis, apesar de eu não confiar no Pickford). Os meus outros parceiros de Disney eliminaram a Itália no confronto contra a Bélgica. Só eu apostei de fato na Azzurra na final neste bolão interno.

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Por que eu apostei na Inglaterra? 

Primeiro, pela boa geração. Os ingleses estão amadurecendo um trabalho que passa pelos títulos dos Mundiais sub-20 e sub-17, pelas boas campanhas na Copa da Rússia e na primeira edição da Nations League. O futebol inglês acaba de fazer a final da Champions League, e a tabela da Euro estava montadinha para levar o time de Southgate até à final, sendo que a Inglaterra só sairia de Wembley para jogar nas quartas de final em Roma. E deu sorte de pegar a Ucrânia ali. Contando cada vez mais com público, Wembley seria uma arma inglesa, inclusive ajudando a pressionar a arbitragem, algo que historicamente tende a favorecer anfitriões em grandes torneios.

Por que eu apostei na Itália?

Como já escrevi em outro post aqui, passei a respeitar demais o time de Mancini quando a minha querida Holanda foi amassada por ela em Amsterdã na Nations League. Defesa sólida, como de costume, e repertório ofensivo, coisa que nem sempre acompanha a Azzurra. Uma equipe cheia de fome e intensidade após ficar fora da última Copa do Mundo. Dá para ver nos olhos dos italianos, e não só na hora do hino, essa competitividade que fez a seleção chegar a 33 jogos sem perder. É muito difícil bater a atual Itália. Só a via caindo em disputas de pênaltis, algo que imagino que vai acontecer na final de domingo. Seria vice-campeã invicta e estaria bem perto de bater o recorde mundial de jogos sem derrota de uma seleção em toda a história.

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E não é preciso explicar muito por que apostei em uma final entre Brasil e Argentina na Copa América

Acho que quase todo mundo apostava nisso, especialmente por conta de Neymar e Messi, os dois craques que carregam suas seleções nas costas, mais o argentino do que o brasileiro. Com o torneio no Brasil em cima da hora, Tite optou por usar força máxima na disputa e manter o tabu do país de ganhar sempre o torneio continental quando é anfitrião. A Argentina está desesperada por qualquer título para sair da fila que vem desde 1993 em torneios com o time principal. Eu diria até que as duas finalistas da competição da Conmebol sofreram mais do que o esperado para chegar à final, uma sofrendo contra Chile e Peru, e a outra passando pela Colômbia só nos pênaltis.  

E por que imprevisíveis?

Expliquei até aqui a razão de ter chamado no título deste texto as duas finais de previsíveis. Eu contava com elas, afinal. Mas agora vou tentar explicar por que eu considero imprevisíveis os dois jogos que vão parar o planeta neste fim de semana. Primeiro, claro, porque são dois clássicos mundiais, há muitos bons jogadores de ambos os lados e tudo se resolve em apenas um jogo. Mas há outros fatores que entram também nessa conta.

A Inglaterra não tem um time tão bem armado e pronto como o da Itália, mas ela decide em casa e tem toda a motivação de um país que não chegava a uma final importante desde 1966, quando ganhou a Copa do Mundo com a ajuda de uma arbitragem polêmica. Muita gente entende que, na dúvida, haverá uma ajuda ao time da casa, algo que aconteceu na semifinal contra a Dinamarca. Apenas lembro aqui que isso não é privilégio da Inglaterra, os anfitriões normalmente são mais protegidos mesmo ao longo dos tempos. A Argentina chorou muito com razão pela arbitragem contra o Brasil na semifinal da última Copa América.

A imprensa argentina tem chamado o VAR da Conmebol de “VAR-sil”. Messi deixou a entender em 2019 que a força brasileira nos bastidores é muito grande. Imagine então agora, quando o governo brasileiro e a CBF salvaram a realização da Copa América deste ano. Os jogadores brasileiros, por sua vez, não gostaram de ver a punição de dois jogos dada a Gabriel Jesus, que está fora da final. Ele acertou uma voadora na cabeça de Mena nas quartas de final e deve ser substituído de novo por Paquetá. Tanto na Inglaterra quanto no Brasil há um clima pesado em cima da arbitragem, com temor de favorecimento a alguém.

Se o favorito Brasil perdeu Jesus na reta final (um atacante que não faz gol e marca lateral no time do Tite), a favorita Itália perdeu Spinazzola, um dos melhores laterais-esquerdos do mundo na atualidade. Não há um grande craque na Itália, enquanto a Inglaterra tem um postulante à Bola de Ouro como capitão, o centroavante Kane, que pode ser até artilheiro da Eurocopa. Por mais que os italianos estejam radiantes com Jorginho, é forçar demais a barra dar o prêmio de melhor da temporada para o volante brasileiro da Azzura. Messi, sim, pode faturar mais uma Bola de Ouro se for campeão continental com sua seleção. Ele tem temporada bem mais constante do que Neymar, por exemplo.

Diante de todo esse cenário que descrevi, com favoritos e desafiantes em boas condições de sair com a glória no final, arrisquei dois empates com gols (decisões nos pênaltis, portanto) nos palpites para as decisões na Europa e na América no tradicional Futebol no Mundo, o programa mais antigo dos canais ESPN ainda em atividade, um espaço que cultua todas as equipes deste planeta tão diverso e que, democraticamente, aceita torcidas e opiniões contrárias.

Sorte de nós, amantes do futebol e fãs do esporte, ter duas grandes finais para assistir em um espaço tão curto de tempo. A Euro, do começo ao fim, foi um belo torneio, apesar do susto do Eriksen, de certo deslize no combate à LGTBfobia e do aumento no número de casos de COVID-19 com os deslocamentos de torcedores, a maioria sem máscara. A Copa América, bem ao contrário, começou sendo bombardeada por vários motivos e termina com uma final que, não fosse o seu horário, em especial, rivalizaria em audiência global com a nobre decisão europeia.

Wembley e Maracanã são talvez os dois mais icônicos templos do futebol mundial. Que seus míticos gramados ofereçam espetáculo e esperança para o mundo neste diferenciado final de semana.

 

Neymar, Sterling, Jorginho e Messi, destaques de Brasil, Inglaterra, Itália e Argentina, finalistas de Copa América e Eurocopa
Neymar, Sterling, Jorginho e Messi, destaques de Brasil, Inglaterra, Itália e Argentina, finalistas de Copa América e Eurocopa Fotos: Getty Images / Montagem: ESPN.com

 
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