Euro 2020: o que cada seleção precisa fazer na última rodada da fase de grupos; veja as contas

Gian Oddi
Gian Oddi

Encerrada a segunda rodada de jogos da Eurocopa, chega o momento em que todas as seleções não classificadas começam a fazer as contas para avaliar a possibilidade de avanço às oitavas de final.

Num torneio em que os quatro melhores dos seis terceiros colocados avançam à próxima fase, é muito provável que 4 pontos sejam suficientes para ir adiante. Matematicamente, porém, só Itália, Bélgica e Holanda já estão classificadas – os holandeses com a liderança da chave assegurada. E só uma seleção, a Macedônia do Norte, está eliminada. Os demais fazem contas. Restam 13 vagas.

Contas que publicamos abaixo para facilitar a compreensão do que cada seleção precisa fazer para avançar matematicamente ou, pelo menos, ter boas chances de fazê-lo mesmo que seja como terceira colocada de sua chave.

Devido aos inesperados tropeços da França contra a Hungria e da Inglaterra diante da Escócia, fica difícil prever como serão formadas as chaves que levam à final da Euro, um exercício que o blog também pretendia fazer. O que dá para afirmar, hoje, é que na provável hipótese de Itália e Bélgica confirmarem suas lideranças, italianos e belgas ficarão do mesmo lado da chave, podendo se enfrentar logo nas quartas de final, enquanto a Holanda estará do outro lado.

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Vamos às contas para cada equipe, lembrando que o confronto direto é o primeiro critério de desempate:

GRUPO A

1) ITÁLIA (6 pontos)
Já classificada, joga por um empate com Gales para ser líder do grupo.

2) PAÍS DE GALES (4 pontos, saldo 2)
Tem boas chances de ir às oitavas mesmo se perder (seja em 2º como em 3º), mas para garantir a vaga em 2º sem depender de Turquia x Suíça precisa ao menos empatar com a Itália. Se vencer, toma a liderança da chave.

3) SUÍÇA (1 ponto, saldo -3)
Precisa vencer a Turquia para ter chances. Se conseguir, tem boas possibilidades de avançar em 3º . Para ser segunda, está difícil: tem que vencer, torcer para a Itália bater Gales e ainda superar os galeses no saldo (hoje está 5 atrás).

4) TURQUIA (0 ponto, saldo -5)
Praticamente eliminada, teria que golear a Suíça por ampla margem e ainda torcer por uma improvável combinação de resultados nas outras chaves para conseguir avançar como um dos melhores 3ºs . Para não depender do saldo, precisaria vencer e torcer para que pelo menos dois 3ºs colocados não superem os dois pontos nas outras chaves. Improvável. 

GRUPO B

1) BÉLGICA (6 pontos)
Já classificada, garante a liderança com um empate contra a Finlândia.

2) RÚSSIA (3 pontos, saldo -2)
Vencendo a Dinamarca, avança em 2º. Um empate também lhe basta para isso, se a Finlândia não ganhar da Bélgica. Já se empatar seu jogo e a Finlândia vencer, tem boas chances de avançar em 3º. Com uma derrota a classificação em 3º seria improvável..

3) FINLÂNDIA (3 pontos, saldo 0)
Pode até ser líder da chave, mas para isso precisa vencer a Bélgica. Com um empate, tem ótimas chances de avançar, nem que seja em 3º; mas, se a Rússia não bater a Dinamarca, o empate lhe daria o 2º lugar. Com nova derrota vai secar os rivais de outros grupos, mas fica com chances pequenas.

4) DINAMARCA (0 ponto, saldo -2)
Se a Finlândia perder da Bélgica (provável), precisará apenas vencer a Rússia por qualquer placar que não seja 1 x 0 para garantir a vaga em 2º lugar; caso a vitória seja por 1 a 0, tudo dependeria do placar de Bélgica x Finlândia e de quem vai ter o melhor saldo geral entre Rússia, Finlândia e Dinamarca. Empate ou vitória da Finlândia no outro jogo deixa a situação bem mais complicada, porque o avanço precisaria ser em 3º e com apenas 3 pontos. 

GRUPO C

1) Holanda (6 pontos)
Já está classificada em primeiro.

2) UCRÂNIA (3 pontos, saldo 0)
Precisa apenas de um empate com a Áustria para avançar em segundo, porque tem 1 gol marcado a mais.

3) ÁUSTRIA (3 pontos, saldo 0)
Precisa vencer a Ucrânia para se garantir como 2º lugar. Em caso de empate, tem boas chances de avançar como 3º. Já uma derrota diminui consideravelmente as chances de avanço na terceira colocação, porque ela teria que ocorrer com 3 pontos e saldo negativo.

4) MACEDÔNIA DO NORTE (0 ponto)
Já está eliminada, por causa dos confrontos diretos.

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 GRUPO D

1) REPÚBLICA TCHECA (4 pontos, saldo 2)
Com um empate ou vitória diante dos ingleses, garante a liderança da chave, mas mesmo com derrota tem boas chances de avançar, em 2º ou 3º, dependendo do resultado da Croácia.

2) INGLATERRA (4 pontos, saldo 1)
Se quiser ser líder da chave terá que derrotar os tchecos. Um empate lhe classifica, mas no 2º lugar. Mesmo se perder, avança em 2º se a Escócia não vencer a Croácia e ainda tirar a diferença de saldo (3) para os ingleses.

3) CROÁCIA (1 pontos, saldo -1)
Tem que vencer a Escócia. Assim, tem boas chances de avançar, nem que seja no 3º lugar; mas pode ser até em 2º caso a Inglaterra derrote a República Tcheca e assim os croatas consigam tirar também a diferença de saldo para os tchecos (hoje -3).

4) ESCÓCIA (1 pontos, saldo -2)
Outra que precisa de uma vitória para ter boas chances de avançar nem que seja em 3º. Mas, nesse caso, poderia até ser em 2º: para isso a República Tcheca teria que vencer a Inglaterra, e os escoceses ainda conseguirem tirar a diferença de saldo para os ingleses (hoje -3)

 GRUPO E

1) SUÉCIA (4 pontos, saldo 1)
Se vencer será líder da chave. Empatando com a Polônia garante pelo menos o 2º lugar, que pode ser primeiro caso não haja vencedor em Eslováquia x Espanha. Empate no outro jogo seria bom para os suecos até em caso de derrota, porque assim eles seriam 2º colocados e nem precisariam brigar como 3º.

2) ESLOVÁQUIA (3 pontos, saldo 0)
Se vencer se classifica, podendo ser até em 1º caso a Suécia não vença a Polônia. Se empatar, deve avançar ao menos como 3º, mas pode ser em 2º caso a Polônia não derrote a Suécia (nesse haveria empate triplo entre suecos, poloneses e eslovacos com a definição indo para saldo ou gols marcados). Com uma derrota teria chances reduzidas de avançar em 3º.   

3) ESPANHA (2 pontos, saldo 0) Precisa ganhar da Eslováquia para se classificar ao menos em 2º,  mas poderia ser 1º caso a Polônia derrote a Suécia (ou até empate, dependendo dos placares). Se empatar, terá pequenas chances de avançar em 3º e pode até acabar em último do grupo.

4) POLÔNIA (1 ponto, saldo -1) Precisa ganhar da Suécia: assim, em caso de vencedor no jogo Eslováquia x Espanha, o 2º lugar é certo. E em caso de empate no outro jogo, a decisão de 1º, 2º e 3º entre suecos, eslovacos e poloneses iria para o saldo de gols, mas com boas chances de todos avançarem com 4 pontos ganhos.

GRUPO F

1) FRANÇA (4 pontos, saldo 1)
Com um empate diante de Portugal assegura a vaga, mas não a liderança da chave: para isso terá que vencer os portugueses ou então empatar e torcer para a Alemanha não ganhar da Hungria. Mesmo em caso de derrota tem grandes chances de avançar em 3º.   

2) ALEMANHA (3 pontos, saldo 1)
Com uma vitória diante da Hungria, se classifica. E pode até ser como líder se a França não bater Portugal. Um empate mantém grandes chances de avanço, seja em 2º, caso Portugal não ganhe da França, ou até mesmo em 3º, no caso de vitória portuguesa. Perdendo, pode acabar em último da chave ou ficar em 3º sem pontuação suficiente para avançar.    

3) PORTUGAL (3 pontos, saldo 1)
Em caso de vitória contra a França, garante a vaga e ao menos o 2º lugar, que pode ser 1º caso a Alemanha não ganhe da Hungria. Empatando com os franceses fica em boas condições para avançar ao menos em 3º, mas poderia ser em 2º caso a Alemanha não consiga ganhar da Hungria. Se perder da França também se complica muito, até mesmo na busca da vaga como 3º do grupo.     

4) HUNGRIA (1 ponto, saldo -3)
Precisa ganhar da Alemanha. Neste caso, pode até ser 2º do grupo caso Portugal perca da França; mas mesmo se os portugueses pontuarem, os húngaros ficariam com boas chances de avançar, na terceira colocação. 

Alemanha: grupo com França, Portugal e Hungria está totalmente indefinido
Alemanha: grupo com França, Portugal e Hungria está totalmente indefinido Harry Langer/Getty Images)

 
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Onze anos depois, o Milan é campeão italiano: veja o peso de cada um dos 26 jogadores na conquista do scudetto

Gian Oddi
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Após 11 anos de espera, o Milan enfim encerrou seu jejum e voltou a conquistar um scudetto: no último domingo, ao derrotar o Sassuolo por 3 a 0, a equipe terminou a competição com dois pontos de vantagem em relação à campeã anterior, a Internazionale.

Stefano Pioli foi merecidamente eleito o melhor técnico da Série A após levar um time que não estava entre os dois favoritos à conquista do título no início da competição. Entre os jogadores, foram 26 aqueles que entraram em campo em pelo menos um minuto dos 38 jogos disputados.

O blog faz abaixo uma avaliação sobre o peso da participação de cada um deles na conquista que impediu a Inter de estampar sua segunda estrela na camisa e ainda fez com que o Milan se igualasse à rival no número de scudetti conquistados. 

O Milan, campeão italiano 2021/22
O Milan, campeão italiano 2021/22 ESPN

***** (5 ESTRELAS)

Maignan – Atuações e defesas monstruosas, não tomou gol em 18 dos 32 jogos que disputou. Eleito, claro, o melhor goleiro do campeonato.

Tomori – Foi o jogador de linha que mais minutos esteve em campo. Primeiro com Kjaer, depois com Kalulu, foi fundamental para o Milan ostentar a melhor defesa do campeonato junto com o Napoli.

Theo Hernandez – Essencial tanto na defesa quanto no ataque, marcou 5 gols e fez 6 assistências. Infernizou as defesas adversária junto com Rafael Leão pelo lado esquerdo.

Tonali – Aos 22 anos, nesta temporada entregou tudo que se esperava dele: consistência, qualidade de passe e até, na reta final do campeonato, gols decisivos contra Lazio, Verona e Atalanta.

Rafael Leão – Um dos artilheiros (11 gols) e líder de assistências do time, sua eleição como melhor jogador da Série A fala por si. Sem ele, dificilmente haveria título.

**** (4 ESTRELAS)

Kalulu – Poderia estar na primeira prateleira pelas atuações, só não está porque jogou menos minutos. Aos 21 anos, tomou conta da defesa ao lado de Tomori logo após a lesão de Kjaer.

Giroud – Os problemas físicos de Ibra o obrigaram a jogar mais que o esperado. Entre os 11 gols que lhe deram a artilharia do time ao lado de Leão, estão aqueles da virada do derby do returno contra a Inter. Gols fundamentais para o scudetto, como Giroud.

Ibrahimovic – Com problemas físicos, jogou pouco mais de 1000 minutos e mesmo assim somou 8 gols e 3 assistências no campeonato. Mas está entre os 4 estrelas também por sua importância fora de campo: tornou-se, enfim, um cara de grupo.  

Kessié – Apesar das críticas sofridas por não renovar contrato, foi sempre profissional: esteve entre os top 5 jogadores de linha com mais minutos, jogando como volante ou, depois, meia avançado. E ainda marcou seis gols.

*** (3 ESTRELAS)

Calabria – Questões físicas o impediram de ter o mesmo rendimentos da temporada passada, mesmo assim foi importante: 26 jogos, 2 gols e 3 assistências.

Bennacer – Alternativa sólida no meio de campo sempre que Pioli não podia contar com Tonali ou Kessié. Foi titular em 15 jogos e uma opção sempre importante para entrar no decorrer dos jogos e manter o fôlego da equipe.

Brahim Diaz – Começo de temporada muito bom, entregava criatividade ao time. Depois da COVID não foi o mesmo, mas mesmo assim atuou em 31 dos 38 jogos. Marcou 3 gols e deu 3 assistências.

Saelemaekers – Passou a maior parte da temporada disputando a titularidade com Júnior Messias; no fim do campeonato levou a melhor, até por marcar mais que o brasileiro. Marcou 1 gol e deu 3 assistências.

Júnior Messias – Foram 26 jogos, dos quais 14 como titular. Marcou 5 gols e deu 2 assistências. Teve sua importância na conquista de um scudetto que há três ou quatro anos lhe pareceria um sonho inalcançável.

Krunic – Alternativa para Pioli na maior parte da temporada, ganhou a titularidade na reta final como meia central mais avançado, até pela consistência que acrescentava ao meio-campo.

Kjaer – Atuou em apenas 11 dos 38 jogos da campanha, mas num nível muito alto. Assim como Ibra, foi outro nome importante fora dos gramados, trazendo experiência e tranquilidade para um elenco jovem.

** (2 ESTRELAS)

Rebic – Apenas 805 minutos em campo no total, ainda assim fez 2 gols e deu 2 assistências. Na reta final jogou como falso 9. Tivesse atuado mais tempo, mereceria três estrelas.

Romagnoli – O capitão que ergueu a taça até participou de 19 jogos, mas Tomori, Kjaer e Kalulu estiveram sempre à sua frente.

Florenzi – Outro que sofreu muito com problemas físicos. Foi titular em 12 dos 38 jogos da temporada e marcou 2 gols.

* (1 ESTRELA)

Tatarusanu, Gabbia, Ballo-Touré, Stanga, Bakayoko, Daniel Maldini e Castillejo – Os setes jogadores variaram entre 2 minutos (caso de Stanga) e 540 minutos (caso de Tatarusanu) em campo. Seus nomes já estão, também, na história do Milan, mas é impossível dizer que se algum deles não estivesse no elenco as coisas poderiam ter sido diferentes para o time de Stefano Pioli.  


 
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Título, Champions, Liga Europa e permanência: o que cada time precisa na última rodada da Premier League (e onde ver cada jogo)

Gian Oddi
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Jürgen Klopp e Pep Guardiola: a disputa do título é entre eles
Jürgen Klopp e Pep Guardiola: a disputa do título é entre eles Getty Images


Chegou o momento da última rodada da Premier League, com todos os jogos sendo disputados às 12h (de Brasília) deste domingo e todas as brigas possíveis ainda abertas: falta definir quem será o campeão, quem ficará com a última vaga na Champions, quem serão os representantes ingleses na Europa e Conference League e, por fim, quem será o último dos três rebaixados à Championship.

O blog traz abaixo o que todos os times envolvidos nessas disputas necessitam na última rodada, além de informar onde serão transmitidas as oito partidas com importância em algumas dessas brigas.


BRIGA POR TÍTULO
MANCHESTER CITY, 1º, 90 pontos / LIVERPOOL, 2º, 89
Com vitória sobre o Aston Villa fora de casa, o City será mais uma vez campeão inglês. Se houver empate ou derrota do City, o Liverpool ficará com o título no caso de vitória em casa sobre o Wolverhampton.

Onde ver:
Aston Villa x Manchester City - domingo, ESPN e Star+, 12h
Liverpool x Wolverhampton - domingo, Star+, 12h


BRIGA POR CHAMPIONS
TOTTENHAM, 4º, 68 / ARSENAL, 5º, 66
Na prática (esqueça a matemática), o Tottenham só precisa empatar a partida contra o já rebaixado Norwich, fora de casa, para se garantir na Champions League. Ao Arsenal, que neste caso ficaria com a vaga na Liga Europa, a única possibilidade de chegar à Champions é vencer o Everton e torcer por uma derrota do Tottenham.  

Onde ver:
Norwich x Tottenham - domingo, ESPN3 e Star+, 12h
Arsenal x Everton - domingo, Star+, 12h


BRIGA POR LIGA EUROPA
MANCHESTER UNITED, 6º, 58 / WEST HAM, 7º, 56
Com uma vitória sobre o Crystal Palace, o Manchester United vai à Liga Europa e deixa o West Ham com a vaga na Conference League. Se o United não vencer, e ao mesmo tempo o West Ham derrotar o Brighton, as vagas se invertem: United na Conference e West Ham na Liga Europa.   

Onde ver:
Crystal Palace x Manchester United - domingo, Star+, 12h
Brighton x West Ham - domingo, Star+, 12h


BRIGA PARA NÃO CAIR
BURNLEY 17º, 35 / LEEDS 18º, 35
A conta é simples: o Leeds precisa conquistar ao menos um ponto a mais que o Burnley para conseguir se salvar. Ou seja: se o Burnley perder, o Leeds precisa ao menos empatar; se o Burnley empatar, o Leeds tem que ganhar. Uma vitória do Burnley rebaixa o Leeds, qualquer que seja seu resultado contra o Brentford.

Onde ver:
Brentford x Leeds - domingo, Star+, 12h
Burnley x Newcastle - domingo, Star+, 12h

 
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Título, Europa e rebaixamento: veja o que cada time precisa na última rodada do Italiano e onde assistir cada jogo

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Começa nesta sexta-feira, com o confronto entre Roma e Torino, a última rodada do Campeonato Italiano que pode definir o Milan como campeão nacional após 11 anos de espera. Já se sabe que Milan, Inter de Milão, Napoli e Juventus serão os times que representarão a Itália na próxima Champions League; a Lazio já tem um lugar na próxima Europa League assegurado, enquanto Venezia e Genoa estão matematicamente rebaixados para a Série B. 

Ibrahimovic: único jogador do Milan que estava no título de 11 anos atrás
Ibrahimovic: único jogador do Milan que estava no título de 11 anos atrás EFE

Destinos definidos à parte, além da disputa pelo scudetto entre Milan e Inter, ainda estão em jogo duas vagas europeias para serem disputadas entre Roma, Fiorentina e Atalanta, além da briga para escapar da última vaga do rebaixamento, entre Cagliari e Salernitana. Confira abaixo o que cada uma dessas equipes precisa fazer para alcançar seu objetivo na última rodada e onde assistir cada uma das sete partidas ainda relevantes nestas disputas.  

Lautaro Martinez, um dos destaques da Internazionale, atual campeã da Serie A
Lautaro Martinez, um dos destaques da Internazionale, atual campeã da Serie A Getty Images

BRIGA POR SCUDETTO
MILAN 1º, 83 pontos  /  INTER 2º, 81
O Milan precisa pelo menos empatar com o Sassuolo, fora de casa, para ficar com o título sem depender do jogo da Inter. Caso perca, torce para a Inter não derrotar a Sampdoria no San Siro.

Onde ver:
Sassuolo x Milan - domingo, ESPN4 e Star+, 13h
Inter x Sampdoria - domingo, Star+, 13h


         
     





BRIGA POR LIGA EUROPA/CONFERENCE
ROMA 6º, 60  /  FIORENTINA 7º, 59  /  ATALANTA 8º, 59

Desconsiderando a final da Conference League, a Roma precisa vencer o Torino nesta sexta para garantir sua vaga na Liga Europa sem depender dos placares de Fiorentina e Atalanta; o time de Florença, com uma vitória sobre a Juve, assegura ao menos o lugar na Conference, mas pode ser Liga Europa se a Roma não bater o Torino; já a Atalanta, que tem desvantagem em qualquer confronto direito e precisa de mais pontos que Roma e Fiorentina para superá-las, tem que vencer o Empoli e torcer por tropeços das rivais para assegurar vaga na Liga Europa (6º) ou Conference (7º). 

José Mourinho durante jogo da Roma no Campeonato Italiano
José Mourinho durante jogo da Roma no Campeonato Italiano Matteo Ciambelli / Getty Images

Importante destacar que, caso a Roma não vença o Torino e termine em 8º lugar (o que só ocorre caso Fiorentina e Atalanta vençam seus jogos), a Itália pode ter 8 representantes em copas europeias na próxima temporada, isso se a Roma seja campeã da Conference League contra o Feyenoord no próximo dia 25.

Onde ver:
Torino x Roma - sexta-feira, ESPN4 e Star+, 15h45
Fiorentina x Juventus - sábado, ESPN e Star+, 15h45
Atalanta x Empoli - sábado, Star+, 15h45        

Éderson e Ribéry, companheiros de Salernitana
Éderson e Ribéry, companheiros de Salernitana Getty Images



BRIGA PARA NÃO CAIR
SALERNITANA, 17º, 31 / CAGLIARI, 18º, 29
Aqui a conta é simples: jogando em casa, basta à Salernitana vencer a Udinese para se manter na Série A e rebaixar o Cagliari. Em caso de empate ou derrota da Salernitana, o Cagliari se salva do rebaixamento e rebaixa a Salernitana apenas se derrotar o Venezia fora de casa.

Onde ver:
Salernitana x Udinese - domingo, Star+, 16h
Venezia x Cagliari - domingo, Star+, 16h



 
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Ironizar a insatisfação de Pedro era tão irracional quanto é, agora, exagerar na relevância das suas manifestações

Gian Oddi
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Não foram polêmicas, não trazem um teor surpreendente e não parecem gerar consequências negativas as manifestações do centroavante Pedro, do Flamengo, após a vitória por 2 a 1 sobre o Altos pela Copa do Brasil, jogo no qual o atacante marcou um dos gols de sua equipe.

Em síntese, Pedro disse que gostaria de atuar mais, o que parece óbvio para um jogador da sua qualidade que é apenas o 20º mais utilizado do elenco se considerarmos as partidas do Flamengo no Brasileirão e na Libertadores.

Pedro em ação com a camisa do Flamengo
Pedro em ação com a camisa do Flamengo Gilvan de Souza/Flamengo

Por outro lado, apesar da sinalização pública a respeito desse desejo em um post no Instagram e na entrevista ao fim do jogo, Pedro fez questão de isentar nominalmente o treinador atual, falou a respeito de escolhas de “quem aqui estava”, prometeu manter empenho total para conquistar mais espaço e, o que talvez pudesse gerar mais turbulência, falou que, se for o caso, “no meio do ano”, quando ocorre a janela de mercado, “a gente conversa”.

Embora seja evidente que suas manifestações têm o intuito de colocar alguma pressão para que suas entradas em campo sejam mais constantes, a forma e o método utilizado não ultrapassam qualquer limite legal ou ético. A comunicação é parte de sua estratégia, e se as ações são feitas dentro desses limites não há problema algum, faz parte do jogo.

Copa do Brasil: veja os gols de Altos-PI 1 x 2 Flamengo

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Assim como não fazia sentido usar termos como “tristeza” ou (o insuportável) “mimimi” para ironizar as notícias divulgadas por repórteres que seguem o clube de perto, também não faz sentido, a partir de agora, imaginar um ambiente de turbulência, crise ou desconforto por causa das manifestações deste domingo.

Como muitas vezes costuma ocorrer no futebol, o episódio das declarações de Pedro parece gerar uma repercussão bem maior que o tamanho do fato, que a relevância da notícia.

Se for o caso, como disse o próprio Pedro, no meio do ano clube e jogador podem conversar. Sempre levando em consideração que sua eventual saída só poderá ocorrer com o consenso das duas partes, que têm contrato assinado válido até dezembro de 2025. E que essa saída, se viesse a acontecer, teria que ser para destino e por valor também acordado com todos os lados.

Qualquer especulação, incitação ou ironia que desconsidere a conjuntura acima não se baseia nos fatos, mas em desejos.

 
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Mesmo que por inveja, precisamos mudar

Gian Oddi
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Jürgen Klopp e Pep Guardiola: símbolos de uma ideia bem mais saudável do futebol
Jürgen Klopp e Pep Guardiola: símbolos de uma ideia bem mais saudável do futebol Getty Images

Quis o destino que o Campeonato Brasileiro deste ano começasse no mesmo fim de semana de um dos jogos mais brilhantes, se não o mais brilhante, da temporada europeia: o confronto entre Manchester City e Liverpool, líder e vice-líder da Premier League separados apenas por um ponto na liga nacional mais rica do planeta.

Enquanto as duas equipes inglesas jogavam o melhor futebol possível, os velhos e compreensíveis chavões sobre a tal “outra modalidade” em relação ao esporte que se disputa por aqui imediatamente tomaram conta das redes sociais.

É justo constatar que, por maiores que fossem os esforços e as boas intenções, existem aspectos diretamente relacionados ao dinheiro que tornam os patamares da Premier League inatingíveis para o cenário brasileiro e sul-americano – a compra dos melhores jogadores do planeta, claro, é o principal deles. 

Deveriam nos interessar, portanto, todos os outros aspectos, todos aqueles cuja quantidade de dinheiro não tem relação direta com um melhor espetáculo em campo.

O cumprimento eufórico de Pep Guardiola e Jurgen Klopp ao final do empate por 2 a 2, um resultado que não agradou plenamente a nenhum dos dois treinadores, diz muito sobre o jogo e o porquê dele ter sido o que foi. Diz muito sobre a intenção de ambos, sobre aquilo que os satisfaz, sobre o que e como seus jogadores são orientados a fazer quando pisam no gramado.

Em um jogo de futebol que na nossa visão habitual teria todos os ingredientes para ser “brigado, falado, pegado, pressionado e violento”, o que vimos foram 90 minutos de puro futebol. Foram 20 faltas no jogo, média de uma a cada 4,5 minutos (a média na rodada inaugural do Brasileirão foi de uma a cada 3 minutos). O VAR, quando necessário, agiu com agilidade e sem contestações. E o árbitro foi quase tão notado em campo quanto a bandeira de escanteio.

Não há avaliação de árbitro que resista àquilo que ocorre no Brasil: por melhor que seja uma arbitragem em campo, não há imagem que não saia destruída diante dos infindáveis bolos de atletas e técnicos protagonizando contestações na quantidade e intensidade que vemos por aqui, em quase qualquer partida.

Gabriel Jesus encerra jejum, e City e Liverpool empatam em Manchester; veja os melhores momentos


Essas cenas imediatamente costumam gerar, tanto em torcedores como em jornalistas e influenciadores de clubes, as avaliações de que o árbitro "não está sabendo conduzir a partida”, “está confuso”, “invertendo faltas”, “não teve pulso” e tantos outros clichês aos quais costumamos recorrer quando não há erro de arbitragem claro e inquestionável para apontar.

Nossa arbitragem merece inúmeras e contundentes críticas, mas isso não deveria nos impedir de perceber quantas vezes transferimos para ela um problema que está essencialmente no comportamento de técnicos e jogadores. A ideia de que futebol se ganha com gritos, peitadas e virilidade é onipresente por aqui e não traz benefício algum para o nosso futebol.   

O Campeonato Brasileiro pode ser espetacular. Em sua primeira rodada, dois dos três favoritos já tropeçaram. Pelo menos quatro times que não pertencem a esse trio fizeram excelentes jogos. Passamos a ter alguns clubes bem estruturados, e novos investimentos estão chegando para outros. Bons jogadores, jovens e veteranos, não faltam. As torcidas são numerosas. O clima ajuda, a grama prospera. Temos vários novos estádios e, acima de tudo, uma população com mais de 210 milhões de pessoas para a qual o futebol é o esporte nacional. Sem falar na (ainda) admiração dos estrangeiros por nossa capacidade técnica.

O potencial do futebol brasileiro, e sobretudo de seu campeonato nacional, é gigante.  

CBF, clubes e treinadores precisam agir, juntos, para mudar esse panorama de comportamento insano que predomina por aqui. Não é missão das mais complicadas e tampouco carece de grande investimento: bastam orientações, comunicação clara e punições. 

A compreensão de que tornar os jogos de futebol no Brasil mais atrativos trará um campeonato bem melhor e, portanto, mais interesse e mais dinheiro, parece não ser simples, mas precisa acontecer. Nem que a motivação parta da simples inveja do que vimos neste domingo em Manchester.


 
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Mesmo que por inveja, precisamos mudar

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O incompreensível ódio por Abel Ferreira

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Os termos “idiota” e “boçal”, usados por Paulo Roberto Martins para criticar o técnico Abel Ferreira, a quem o comentarista classifica como “uma desgraça de ser humano”, foram apenas parte de mais um episódio entre os tantos que têm tratado o treinador português do Palmeiras de maneira não apenas desrespeitosa, mas violenta.

Antecipo-me, antes de prosseguir no tema, para dizer que discordo da postura da diretoria palmeirense ao vetar entrevistas para a rádio Transamérica “enquanto o comentarista fizer parte do quadro da emissora”, conforme informa o UOL Esporte nesta terça-feira (15).

Embora o ato agrade boa parte da torcida e não seja prática rara no universo do futebol brasileiro, pedir cabeças de profissionais não deveria fazer parte do procedimento de clubes, que têm muitos caminhos para cobrar e eventualmente penalizar um profissional por seus excessos – começando pela recusa em conceder-lhe entrevistas e chegando às vias jurídicas.

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Dito isso, é preciso tentar entender: por que tanto ódio por Abel Ferreira? Por que as críticas ao treinador do Palmeiras têm passado do ponto tão frequentemente, extrapolando o que acontece no campo?

Ser um técnico vitorioso, como Abel passou a ser desde que chegou ao Palmeiras, não deveria lhe garantir imunidade em relação às críticas, que, porém, seguiram em volume e contundência surpreendentes para um treinador cujos méritos nas conquistas são tão evidentes quanto a qualidade técnica superior de adversários que ele eliminou em seus títulos.

Mas isso pouco interessa. Criticar Abel, suas estratégias, escalações e modelo de jogo é um direito de quem quer que seja, e cabe a quem consome essas críticas concordar ou não com elas e com as motivações e justificativas de quem as elabora. Faz parte do jogo.

Bem mais surpreendentes e inexplicáveis são as críticas furiosas, cheias de veias saltadas, perdigotos e excessos verbais, que dizem respeito aos aspectos pessoais de Abel Ferreira; ou as críticas que condenam suas ótimas entrevistas coletivas e seu posicionamento sempre claro e firme contra o que há de pior no futebol do Brasil.

Exceção feita aos seus arroubos e indiscutíveis exageros contra a arbitragem na beira do gramado, onde Abel é apenas mais um entre tantos por aqui, o treinador português vai prestando inestimáveis serviços ao futebol brasileiro – e não apenas ao Palmeiras.

Afinal, não é bom ter quem nos ajude a perceber a forma violenta e tóxica com a qual temos nos relacionado com o futebol, ainda que para isso tenha que criticar seu próprio torcedor? Não queríamos alguém relevante que falasse constante e contundentemente contra o insano calendário da CBF sem temer retaliações? Não é positivo que um técnico faça questão de explicar suas escolhas da forma como ele faz, falando sobre futebol e deixando inclusive um livro publicado a esse respeito? Não é bom, em meio à nossa ode à ignorância e malandragem, ver celebrado um treinador obcecado pelo trabalho, aplicado e estudioso? Além de tudo isso, um sujeito que é tão exaltado por faxineiros, cozinheiros, roupeiros e seguranças do clube pode mesmo ser essa “desgraça de ser humano”?

Abel Ferreira não é perfeito. Já cometeu seus deslizes em coletivas, exagera na beira do gramado e, para muitos, recua o time mais que o necessário. Mas não há como negar: para o futebol brasileiro, o saldo de sua passagem é muito positivo.

Por que, então, o técnico português sofre o tipo de crítica que tem sofrido, com tanta contundência e continuidade? É a simples busca de audiência em cima de um personagem relevante? É por ser estrangeiro? É a praga do clubismo? É por se contrapor a um modelo que consagrou figuras relevantes e ultrapassadas, mas ainda bem relacionadas?

Difícil dizer. O ódio por Abel Ferreira é incompreensível.

Abel Ferreira no Brasil: títulos e críticas na mesma medida
Abel Ferreira no Brasil: títulos e críticas na mesma medida Cesar Greco / Palmeiras

 

 
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O incompreensível ódio por Abel Ferreira

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Gostem ou não, a Bola de Ouro é relevante. E muda, de novo, para melhor

Gian Oddi
Gian Oddi

Você pode até não gostar, mas precisa admitir que as premiações individuais de jogadores de futebol parecem ter cada vez mais relevância no contexto da modalidade. Os principais jogadores do planeta almejam sempre mais essas premiações, e há até mesmo quem troque de clube vislumbrando protagonismo e um aumento na chance de conquistar troféus como a Bola de Ouro, da France Football, e o The Best, da Fifa.

Essa realidade torna relevante o anúncio feito hoje pelo diretor de redação da revista France Football, Pascal Ferré, a respeito dos critérios de escolha do prêmio Bola de Ouro, o mais antigo e, ao menos na Europa, ainda o mais prestigioso dos prêmios.

Ele informou que serão duas as principais novidades na escolha anual dos vencedores da Bola de Ouro:

1) A partir de agora o prêmio passa a considerar o desempenho dos jogadores na temporada europeia, que costuma acontecer de agosto até maio/junho, e não mais no ano solar. Dessa forma, a premiação passará a ser concedida em setembro ou outubro, e não mais em dezembro.

2) Haverá também uma significativa redução no colégio eleitoral que definirá os vencedores do prêmio: seguirão votando apenas jornalistas, mas, a partir de agora, apenas aqueles que pertencerem aos 100 países mais bem colocados no ranking da Fifa – até hoje votavam jornalistas de 170 países para o futebol masculino. Já para o futebol feminino votarão jornalistas dos 50 primeiros países no ranking.

Ronaldo e Messi, com 3 troféus, são os maiores vencedores da Bola de Ouro ao lado de Cruijff, Van Basten e Platini
Ronaldo e Messi, com 3 troféus, são os maiores vencedores da Bola de Ouro ao lado de Cruijff, Van Basten e Platini Alexander Hassenstein/Getty Images

 

“Essa é a oportunidade para dar uma nova guinada no prêmio. Até ontem julgávamos os jogadores baseados em duas metades de temporada. Com o novo formato a escolha ficará mais compreensível”, afirmou Ferré.

A confusão na compreensão das escolhas em várias temporadas recentes, nesta última inclusive, corrobora a justificativa de Ferré. Assim como as tabelas de votos específicos dos representantes de cada país justifica a escolha de reduzir o colégio eleitoral a países com “grande cultura futebolística e legitimidade histórica”, como escreve a própria France Football.

Outras mudanças anunciadas, mas que devem ter menor ou nenhum impacto no resultado final do prêmio, dizem respeito aos critérios que devem nortear os votos de cada um e à forma como será definida a lista prévia de candidatos. 

Criada em 1956, esta não é a primeira vez que a Bola de Ouro muda seus critérios. Em 1995, por exemplo, o prêmio, que até então era restrito a cidadãos europeus, passou a permitir vencedores de qualquer nacionalidade; em 2007, jogadores que atuavam fora da Europa também puderam entrar na disputa, algo que até então não era permitido (não que isso tenha mudado muito na prática); em 2018, houve a criação da Bola de Ouro feminina.

Mesmo quem não se importa com premiações individuais precisa admitir que, hoje, elas têm considerável relevância do futebol. Diante disso, o ideal é que esses prêmios se aprimorem para refletir da forma mais justa possível o que aconteceu na temporada. Foi o que fez a France Football.

 
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O principal valor da Supercopa

Gian Oddi
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Bruno Henrique e Vargas, em lance da ótima Supercopa entre Flamengo e Atlético
Bruno Henrique e Vargas, em lance da ótima Supercopa entre Flamengo e Atlético Pedro Souza/Atlético

Após a grande partida de futebol jogada por Atlético-MG e Flamengo no último domingo, como aliás já ocorrera em 2021 após o jogo entre Flamengo e Palmeiras, a discussão sobre o valor e a importância da Supercopa do Brasil mais uma vez vem à pauta.

Seu valor, contudo, parece óbvio: é o valor de uma taça, de um jogo apenas, algo incomparável àquilo que vale o título de competições duríssimas e disputadas como a Conmebol Libertadores, o Brasileirão e a Copa do Brasil. Algo que, portanto, não deveria gerar crises, revoltas ou mesmo chiliques do lado perdedor.

A Supercopa serve, também, para que clubes, técnicos, jogadores e direções acrescentem números aos seus currículos de conquistas. Assim, eventualmente, nas infinitas (e muitas vezes divertidas) comparações entre fulano e cicrano, torcedores (e jornalistas também) lançarão mão destes números para justificar suas preferências.

O fato de o Atlético ter vencido as duas competições que credenciam um time a jogar a Supercopa pode, sim, fazer com que se discuta a necessidade – ou a justiça – de o jogo ser disputado nesse contexto, sem ao menos uma vantagem para o duplo campeão. Embora infantis, as brigas dos dirigentes de Flamengo e Atlético ajudaram a colocar foco neste debate.

Mas o mais relevante das últimas edições da Supercopa disputada no Brasil, seu principal valor, não diz respeito a um time ou contexto específico, e sim ao futebol brasileiro de maneira geral. A Supercopa, basicamente, escancara o quanto desperdiçamos do nosso futebol, e do prazer que ele pode gerar, a cada semana da temporada.

Porque tem ficado claro nas edições dessa disputa, ainda mais no cenário atual em que vários clubes têm (ou terão) condições de montar boas equipes, o quanto o nosso principal campeonato, o Brasileiro, pode ser forte e divertido. O quanto seus jogos podem ser tecnicamente bons, bem jogados, com qualidade e intensidade física.

Para que assim seja, porém, não dá para os jogos importantes da temporada se concentrarem em 7 meses, enquanto outros três são dedicados primordialmente aos estaduais. Não dá para times perderem seus principais jogadores para seleções quando jogam partidas importantes no cenário nacional. Não dá pra jogar bola em certos gramados, com certos árbitros. Não dá pra os estádios estarem vazios porque o torcedor precisa escolher em qual partida gastar seu dinheirinho, já que um time pode chegar a fazer 91 (!) jogos num só ano.

Definitivamente, assim não dá. E as lições da Supercopa, para a qual dois bons times se preparam e jogam com condições mais próximas do ideal, escancararam isso. 

São lições óbvias e batidas, mas que, no Brasil, insistimos em ignorar.

 
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Embora imparcial, filme sobre Neymar tem pouco a revelar

Gian Oddi
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Ao saber do lançamento de “Neymar, o Caos Perfeito”, resolvi encarar as 2h45 de filme, dividido em três episódios, apenas como obrigação profissional. Primeiro, por certo desinteresse a respeito daquilo que Neymar produz, diz e faz fora dos campos. Segundo, por considerar suspeito o valor jornalístico de uma série produzida com o aval do jogador e, sobretudo, de seu pai.

O segundo motivo, porém, mostrou-se infundado, pelo menos quanto à presença dos episódios negativos envolvendo a carreira e a vida de Neymar: há no filme uma avalanche de críticas e xingamentos de torcedores, muitas opiniões negativas retiradas de programas de TV, um depoimento crítico gravado com Juca Kfouri, o soco no torcedor do PSG, os memes que zombavam de suas simulações. Está tudo lá. Até a denúncia de estupro, que pela inconsistência das acusações poderia ter sido omitida, está presente.

As críticas são ali apresentadas como a força motriz de Neymar. Desde o início do filme, quando o jogador sugere que um compilado delas abra o documentário, a narrativa é a de que sem essas críticas Neymar não teria o tamanho que tem. O mantra adolescente “FODA-SE O QUE VÃO PENSAR DE MIM” é repetido várias vezes pelo atleta, para quem as críticas são sempre insensatas. Ainda assim, elas o motivam, ele diz – e isso lhe basta.

Mesmo que os episódios e opiniões desfavoráveis a Neymar cumpram esta função específica no roteiro do filme, ninguém pode acusar a edição final de omitir, ironizar ou minimizar esses momentos para favorecer o jogador. A falta de isenção ou imparcialidade na abordagem dos temas não é um problema do documentário.

Seu problema é revelar pouco, não surpreender, não apresentar nenhuma faceta ou aspecto até então desconhecido de Neymar. Já cansamos de conhecer o Neymar craque. O baladeiro. O superstar. O moleque. O autossuficiente. E todos eles estão mais uma vez bem retratados no filme.

É até justo ponderar que mostrar muito além disso talvez seja missão impossível diante da superexposição de Neymar: tudo a respeito dele já foi dito, analisado e mostrado, não só pela mídia como em suas próprias (frenéticas) redes sociais.

Relação entre pai e filho é o que há de novo na série sobre Neymar. Mas é pouco
Relação entre pai e filho é o que há de novo na série sobre Neymar. Mas é pouco EFE

Há um ponto do filme, contudo, que caberia ressaltar: as passagens que abordam o mundo empresarial em torno do craque. As reuniões nas quais Neymar pai – com enfadonhos clichês corporativos – demonstra deslumbramento com seu papel de empresário acabam por mostrar também, em contrapartida, um Neymar filho cansado disso tudo. Porque, para o pai, a prioridade parece ser a tal “marca” e o futuro de sua empresa após o fim da carreira do jogador.

Percebe-se tensões entre ambos, e a intransigência e incapacidade de ouvir do interlocutor são apontadas pelos dois lados como um problema na relação. É o filho, porém, que em determinado momento admite ser aquele que acaba sempre por ceder para “não entrar em conflito”. São breves diálogos, estes sim reveladores, mas o filme não avança nessa questão que talvez o tornasse bem mais interessante do que é.

“Neymar, o Caos Perfeito” tem suas qualidades, e suas quase 3 horas são um bom passatempo sobretudo para quem curte o personagem Neymar. É muito bem filmado e traz bastidores pessoais (mais) e profissionais (menos) que podem interessar a muita gente. Mas a impressão final é que, a exemplo de seu protagonista, o filme poderia ter sido ainda mais relevante do que é.


 
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O raro caso do erro de arbitragem que comoveu o time prejudicado

Gian Oddi
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Girroud e Rebic reclamam com o árbitro Marco Serra em Milan x Spezia
Girroud e Rebic reclamam com o árbitro Marco Serra em Milan x Spezia reprodução TV

Para quem não viu: o jogo era Milan x Spezia, no estádio San Siro, e o placar da partida que levaria o time milanista à liderança do Campeonato Italiano em caso de vitória apontava 1 a 1, aos 47 minutos do 2º tempo. O Milan buscava o gol quando o atacante Rebic sofreu falta na entrada da área. Menos de dois segundos depois, porém, a bola já estava nas redes após uma linda finalização do brasileiro Junior Messias, que entrara no jogo havia pouco tempo.

O gol, contudo, foi invalidado, porque, sem aplicar de lei da vantagem no lance, o árbitro Marco Serra apitara freneticamente antes mesmo do chute de Junior Messias. Não cabia VAR, não havia discussão: o nítido som do apito, ainda que em nada tenha influenciado a ação dos jogadores envolvidos no lance, invalidava o gol. O primeiro erro não justificaria um segundo com a sua validação.

Junior Messias caiu ajoelhado no gramado, tão calado quanto inconformado. Girroud, Theo Hernandez e Rebic correram em direção a Serra para reclamar. O árbitro, percebendo a bobagem cometida, imediatamente levantou os braços para pedir desculpas a todos eles. Rebic segurou a cabeça do árbitro com as duas mãos, chegou a encostar sua testa na de Marco Serra, para perguntar já com mais decepção do que revolta: “Por que você apitou? Por que você apitou?”

No lance seguinte ao da cobrança da indesejada falta, 96 minutos de jogo, contra-ataque do Spezia e gol: 2 a 1, de virada. O Milan, que em caso de vitória chegaria à liderança, perdia em casa para o modesto 15º colocado do campeonato.

Veja os gols de Milan 1 x 2 Spezia:   


Ocorre, então, o fato menos corriqueiro e mais surpreendente de todo o episódio.

Enquanto o árbitro Marco Serra saía de campo já com lágrimas nos olhos, recebíamos, na transmissão que fazíamos do jogo para o Brasil, mensagens de espectadores afirmando que Serra não conseguiria sair “vivo do gramado”.  

Os jogadores do Milan, liderados por Ibrahimovic, de fato se aproximaram do árbitro como muita gente esperava. Para surpresa dessas mesmas pessoas, porém, a aproximação foi tranquila. Aos 40 anos, um a mais que o árbitro, o centroavante sueco dirigiu suas primeiras palavras a Marco Serra: “Todos erram”. Frase completada, no instante seguinte, pelo capitão milanista Theo Hernandez: “Eu errei um pênalti hoje”.

Parte menor da surpreendente reação dos jogadores do Milan poderá talvez ser atribuída à maturidade do veterano Ibrahimovic, que em seu livro “Adrenalina” afirma o seguinte: “Sempre considerei os árbitros como um 12º adversário em campo. Hoje, quando posso, eu tento ajudá-los.”

Mas é evidente, acima de tudo, que a reação compreensiva do grupo de jogadores do Milan tem mais a ver com a reação do árbitro, com a humildade das desculpas públicas ainda em campo; com o reconhecimento de que, sim, erros fazem parte da vida de todos nós, mas pior que o erro em si é não o reconhecer e manter diante dele uma postura de arrogância e prepotência, como fazem tantos árbitros. 

Basicamente, os jogadores do Milan, num gesto humanista raro no futebol atual, estavam sendo solidários à tristeza de Marco Serra.

O episódio de Milan x Spezia diz muito sobre como a postura de árbitros e jogadores, em certas praças bem mais do que em outras, pode ajudar na evolução da arbitragem e nas relações dentro de um jogo de futebol.

Marco Serra, aos 39 anos e com apenas 9 partidas dirigidas na Série A italiana, trabalhará nesta quarta no VAR de Cagliari x Sassuolo pela Copa da Itália, fato previsto antes do fatídico jogo de Milão. Será, então, suspenso para mais tarde voltar a dirigir jogos da Série B. Os pontos do Milan não serão recuperados e podem até custar o título. O prejuízo é irreparável.

Como consolo, porém, ainda que autor de um grave erro técnico, o jovem árbitro de Turim poderá um dia olhar todo o imbróglio sob um outro prisma: o de ter sido protagonista de um episódio que deveria servir de exemplo de postura. Para árbitros e jogadores.

 
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Fossem outras, cobranças a Leila Pereira fariam sentido

Gian Oddi
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Em sua trajetória até assumir a presidência do Palmeiras, Leila Pereira pouco foi questionada a respeito de temas muito relevantes. Alguns exemplos: qual o valor do documento assinado apenas por Mustafá Contursi que lhe permitiu virar conselheira, seus métodos para conquistar os votos dos associados e as possíveis consequências da dívida que o clube de uma hora para outra passou a ter com sua empresa.

Grosso modo, para muita gente, a impressão passada foi a de que seu dinheiro bastou para qualificá-la ao cargo que hoje ocupa.

Seja como for, Leila Pereira é hoje a presidente do Palmeiras. E não deixa de ser curioso que, mal iniciada sua gestão, muitos dos que fizeram vistas grossas a todo o processo que a levou à cadeira que ocupa, e que foram inclusive beneficiados por sua farta distribuição de dinheiro e mimos, façam questionamentos ou cobranças tão irrelevantes como a do time para o qual torce seu assessor de imprensa.

Não se trata de novidade no clube, é verdade. Paulo Nobre já havia passado pelo mesmo, mas a irrelevância do assunto não justifica mais que uma breve menção neste artigo.

Mais relevantes e compreensíveis seriam as cobranças pela contratação de um centroavante à altura do atual elenco bicampeão sul-americano, algo de que o Palmeiras, hoje, realmente não dispõe.

Seriam cobranças compreensíveis não fossem em grande parte intensificadas pela pressa e pela obsessão da chegada de um nome conhecido, uma estrela daquelas que trazem o nome e tantas vezes oferecem pouco mais que este nome quando estão em campo. Como ocorreu com Luiz Adriano, para ficar apenas em um exemplo recente (são muitos) do próprio Palmeiras.

Num país onde a temporada do futebol começa praticamente em abril, a pressa baseada no Mundial de Clubes não tem justificativa racional, seja porque o Mundial não é maior que o restante da temporada, seja porque, numa eventual decisão contra o poderoso Chelsea, as chances do Palmeiras passam bem mais por uma infinidade de outros fatores do que pela contratação de um único jogador – ou esse camisa 9 por acaso seria Robert Lewandowski?

Fazer uma bobagem agora pode comprometer a temporada inteira, e se é preciso esperar para contratar melhor, que assim seja.

O Palmeiras já deixou claro julgar necessária a contratação do camisa 9, e ela de fato é. A busca por nomes como Taty Castellanos e Alário aliada à chegada de jogadores úteis embora pouco badalados para outras posições indicam um clube atento ao mercado e que hoje busca seus reforços não por grife, mas por uma lógica baseada em estudo, prospecção e responsabilidade financeira – como deveria ser padrão.

Entre tantas cobranças e questionamentos possíveis, os que são feitos a Leila Pereira neste início de mandato não fazem muito sentido, embora seja preciso ponderar e compreender que sua gestão midiática, populista e ávida por likes colabore para isso.  

Leila Pereira, ainda com pouco conhecimento sobre a dinâmica do futebol nacional, passa a impressão de ter se tornado presidente do Palmeiras em grande parte por vaidade, pela visibilidade que o cargo lhe dá. O absurdo post nas redes sociais em que ela praticamente atribui para si todos os méritos da guinada dada pelo clube nas gestões de Paulo Nobre e Maurício Galiotte é completamente desconexa da realidade.

Quem sabe as cobranças atuais, ainda que pouco fundamentadas, tenham pelo menos o mérito de conectá-la à realidade do futebol brasileiro. Uma realidade insensata e truculenta na qual o trabalho com discrição costuma ser muito bem vindo.

Leila Pereira, nova presidente do Palmeiras, conversa com o elenco
Leila Pereira, nova presidente do Palmeiras, conversa com o elenco Cesar Greco/Palmeiras

 
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Ronaldo tem razão e não tem culpa

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Ronaldo, o novo acionista, e Sergio Rodrigues, presidente do Cruzeiro
Ronaldo, o novo acionista, e Sergio Rodrigues, presidente do Cruzeiro XP Investimentos/Divulgação

 

Não há o que se discutir sobre a importância de Fábio na história do Cruzeiro. Seus 17 anos de serviços prestados ao clube e sua trajetória de conquistas tornam a idolatria da torcida compreensível, justa e até obrigatória. Relações assim são em grande parte as responsáveis por dar ao futebol a dimensão que ele tem.

Portanto, após a dispensa do goleiro pelos novos gestores do Cruzeiro, é preciso compreender, também, que muitos torcedores tenham corrido às portas da Toca da Raposa gritar “Ronaldo, gordão, vem dar satisfação”, para que o velho conhecido e novo proprietário do clube explicasse o término do vínculo com Fábio.

Alguns dias depois, Ronaldo foi. E não poderia ter sido mais claro.

"O Cruzeiro é um paciente em estado grave, estamos oferecendo o tratamento" e "encontramos um cenário realmente trágico no clube, mas temos que estancar o sangramento” foram suas duas frases mais contundentes que, verdadeiras, resumem com precisão o atual cenário do clube.

É até normal que, após um episódio como o corrido com Fábio, surjam infinitas acusações de insensibilidade e desrespeito. A chegada dos gestores cruéis, dos capitalistas impiedosos e inescrupulosos em busca do lucro incessante é uma narrativa comum e muitas vezes verdadeira no universo do futebol, mas não se aplica ao caso Fábio.

Fossem novos gestores assumindo Flamengo ou Palmeiras e agindo da mesma maneira com algum de seus ídolos, a discussão caberia. No Cruzeiro, não. O Cruzeiro de hoje precisa lutar para sobreviver. Se manter. Se estruturar. Crescer de forma sustentável. E, claro, subir para um dia voltar a ocupar os patamares que já ocupou no futebol brasileiro.

Não há outras prioridades e, dentro dos caminhos legais, não importa o que seja preciso fazer, não importa quão doloroso seja o tratamento. O foco do Cruzeiro passou a ser apenas um, e se as coisas chegaram neste ponto a responsabilidade não é de seus novos gestores.   

A necessidade da dispensar um jogador com alto salário aos 41 anos de idade não é culpa de Ronaldo. É dos wagners, gilvans, itaires, zézés e tantos outros que no passado, com cargos maiores ou menores, não lançaram mão de tratamentos menos invasivos para que o Cruzeiro evitasse chegar ao ponto que chegou, o triste ponto de adotar um remédio tão amargo como a dispensa de Fábio.

 

 
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José Mourinho, com sua obsessão pelo mal, está pronto para o Brasil

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Mourinho á beira do campo durante Roma x Juventus
Mourinho á beira do campo durante Roma x Juventus Matteo Ciambelli/DeFodi Images via Getty

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Quem assistiu à ótima série documental All or Nothing a respeito do Tottenham e da passagem de José Mourinho pelo clube já sabe: o vitorioso técnico português está obcecado pelo mal.

Em diversos episódios do documentário, Mourinho alterna as palavras para repetir a Harry Kane, Son e companhia uma reclamação exatamente com o mesmo teor: “vocês são um grupo pessoas incríveis, muito boas mesmo, mas no futebol isso é um problema, vocês são bonzinhos demais”.

Chama atenção, pelo menos segundo o que é retratado na série, o quanto suas preleções, falas e orientações são muito mais de ordem motivacional do que tática e técnica (o oposto do que se vê na mesma série ao retratar o Manchester City de Pep Guardiola).

Após a incrível e absurda virada da Juventus sobre sua Roma no domingo, num jogo em que o time da capital viu um placar favorável por 3 a 1 ser revertido para 4 a 3 em apenas 7 minutos, o teor das entrevistas de Mourinho seguiu mais ou menos a mesma linha daquilo que se vê no documentário do Tottenham. Ele quer um time mau.

Veja os gols de Roma 3 x 4 Juventus:

José Mourinho não é o culpado pelo desastre no Olímpico. Com formação e desempenhos acima da média para o que tem sido a temporada, mesmo toda desfalcada, a Roma produziu até mais que a Juve. Por seu carisma e história, a chegada do português ao clube no início da temporada surtiu efeito e, mesmo sem tantos motivos técnicos para tal, gerou euforia que há tempos não se via entre torcedores (leia texto a respeito no blog).

No cômputo do saldo atual, sua passagem não é desastrosa apesar da modesta 7ª colocação no Campeonato Italiano e de uma goleada vexatória diante do norueguês Bodo Glimt. Mourinho, claro, não deveria ser substituído. Reclamar de foco, concentração e comprometimento é não apenas seu direito, mas também sua função e responsabilidade.

Porém, ao manter essa lógica materazziana do futebol, ao insistir na máxima de que jogos se ganham no grito, na intimidação do adversário, nas chegadas mais dura e nas rodinhas em torno do árbitro (a Roma já exagera neste aspecto), Mourinho contraria o que se vê, hoje, nos principais times e campeonatos do continente. Em 2022, aliás, nem mesmo na Libertadores, antes exaltada por seu caráter bélico, os jogos se ganham dessa forma – embora muitos ainda joguem assim.

Aos 58 anos, José Mourinho precisa mudar. Caso contrário, entres as ligas relevantes do planeta, ao buscar um lugar onde sua visão de futebol ainda é razoavelmente compartilhada, só lhe restará o Brasil. 


 
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8 previsões (infalíveis) para o futebol brasileiro em 2022

Gian Oddi
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Robério de Ogum e Lene Sensitiva que se preparem, está chegando concorrência nova na praça. Se dois dos mais midiáticos videntes do país têm alternado acertos e erros em relação àquilo que projetam para o futebol brasileiro nos últimos anos, eles mesmo ficarão boquiabertos quando perceberem que, no final de 2022, este blog terá acertado 100% das oito previsões abaixo feitas para a temporada que começa em alguns dias, com o início dos campeonatos estaduais. 

Voleio de Milik, milagre de Ter Stegen, chutaço de Kovacic e mais: o top 10 do final de semana

         
     

1.  O absurdo do calendário do futebol brasileiro e dos jogos nas datas Fifa, tudo definido desde já, será percebido como verdadeiro problema pelos clubes mais importantes do país apenas e tão somente quando seus jogadores começarem a ser convocados para as seleções sul-americanas.

2.  A incompetência da arbitragem, pela qual pouco se fez, também surgirá como se fosse uma surpresa, inesperada, no primeiro pênalti ou impedimento mal marcado contra seu clube. Que vai reclamar para o jogo seguinte, quando poderá ser beneficiado. Para depois ser prejudicado novamente...

3.  Técnicos e times hoje vencedores e exaltados serão tachados como incompetentes, mercenários ou “sem vergonha” na primeira perda de taça pouco relevante ou na primeira sequência de maus resultados em jogos desimportantes que tenham pela frente nos campeonatos estaduais.

4.  Na sequência a esse momento ruim surgirão (e serão amplamente divulgadas) listas de dispensas de jogadores promovidas por torcidas organizadas, as mesmas que dali a alguns meses não terão o menor pudor em exaltar como deuses os nomes que desejavam ver expurgados do time no início da temporada.    
 
5.  Clubes devendo para Deus e o Mundo contratarão ninguém menos que Deus e o Mundo sob o argumento de que é preciso investir para arrecadar. De que é preciso “ousadia”. Muita gente defenderá a ousadia no seu próprio clube ao mesmo tempo em que, curiosamente, condenará a irresponsabilidade financeira do rival.

6.  No que nos diz respeito, refiro-me à imprensa esportiva, a ditadura da contundência (ou, no melhor e mais inofensivo dos casos, a pieguice popularesca) seguirá imperativa em uma busca inegavelmente bem sucedida por audiência, cliques e likes.

7.  Esse fato de certa forma ajudará a explicar que entrevistas coletivas de clubes estejam cada vez mais recheadas por canais clubistas – alguns sérios e outros subsidiados sorrateiramente pelos próprios clubes –, tornando os questionamentos sempre mais vazios e confortáveis.

8.  Para encerrar, uma previsão estatística: o número de técnicos a trabalhar no próximo Campeonato Brasileiro será no mínimo, numa previsão modesta, 80% maior que o número de times a disputar a competição.

Sei que não existe lá um grande mérito nisso, mas podem conferir e cobrar.

E um feliz 2022 a todos.   ;  )

Sem ajuda de clubes e atletas, e com poucas ações da CBF, arbitragem seguirá contestada
Sem ajuda de clubes e atletas, e com poucas ações da CBF, arbitragem seguirá contestada Jorge Bevilacqua/Código19/Gazeta Press

 
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Melhor da temporada: o número mais incrível de Hulk não foi o de (36) gols

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Hulk pelo Galo: muito futebol em qualidade e quantidade
Hulk pelo Galo: muito futebol em qualidade e quantidade Pedro Souza/Atlético-MG

Após a conquista da Copa do Brasil pelo Atlético Mineiro, a temporada do futebol brasileiro está finalmente encerrada e não deixa dúvida alguma sobre quem foi o melhor jogador de futebol no país em 2021: todos os critérios apontam para Hulk, eleito o melhor do Brasileirão e da Copa do Brasil, além de ter sido artilheiro das duas competições e, portanto, da temporada.

Hulk marcou apenas 2 gols no irrelevante Campeonato Mineiro, mas fez 7 pela Libertadores, 8 pela Copa do Brasil e 19 no Brasileirão. A soma de 36 gols, contudo, não foi a mais impressionante das marcas que ele obteve em sua temporada inaugural após a volta ao Brasil.

Em um país com um calendário futebolístico insano, onde muitos jogadores já veteranos como Douglas Costa, Diego Costa e Eder têm enorme dificuldades de manter uma sequência de partidas, Hulk, aos 35 anos, foi exatamente o oposto: somados os minutos jogados nas três competições importantes disputadas pelo Atlético em 2021, entre todos os jogadores de linha, foi ele quem mais atuou.

Hulk esteve em campo por nada menos que 4.598 minutos entre Campeonato Brasileiro, Copa Libertadores e Copa do Brasil. Allan, o segundo na relação, jogou 4.237 minutos, 361 a menos que o paraibano, e foi seguido por Junior Alonso (3.780), Guilherme Arana (3.665) e Matías Zaracho (3.594).

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A marca de Hulk, aliás, não é superior apenas aos seus companheiros de time: mesmo na comparação com todos os jogadores de Flamengo e Palmeiras, respectivamente 2º e 3º colocados do Brasileirão e finalistas da última Libertadores, ele leva a melhor. No Palmeiras, quem mais atuou nas três competições entre os atletas de linha foi o zagueiro Luan, com 3.342 minutos. No Flamengo, William Arão, com 4.054.

Para efeito de média de jogos na temporada, que para o Atlético durou 339 dias do início do Campeonato Mineiro ao final da Copa do Brasil, podemos somar também os 768 minutos jogado pelo atacante no campeonato estadual. Dessa forma, Hulk atuou, na temporada inteira, por nada menos que 5.366 minutos, o equivalente a 60 jogos completos. 

 É realmente incrível, Hulk.  


 
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Melhor da temporada: o número mais incrível de Hulk não foi o de (36) gols

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Para o Brasil, grandes na repescagem europeia não é sinal de alívio. Pelo contrário

Gian Oddi
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A presença de importantes seleções europeias como Itália, Portugal e Suécia na repescagem das Eliminatórias Europeias para a Copa do Mundo de 2022 serviu para que muita gente passasse a propagar devaneios a respeito de certa debilidade das principais forças do futebol no Velho Continente.

É fato que a atual campeã europeia, assim como a seleção de Cristiano Ronaldo (entre tantos outros talentos), irá disputar uma duríssima repescagem dentro de cinco meses. E também é fato que se uma delas ou mesmo as duas ficarem de fora da Copa do Catar o nível de dificuldade a ser encarado na competição pode vir a ser (um pouco) menor.

Entretanto, tratar isso como sinal de fraqueza dos selecionados europeus seguindo a distorcida lógica de um nivelamento por baixo porque “a campeã continental nem mesmo conseguir se classificar” é, no melhor dos casos, falta de informação.

Não faltou nem mesmo quem, com o intuito de ressaltar o nível do Brasil, usasse o fato de seleções como San Marino, Malta ou Cazaquistão disputarem as Eliminatórias Europeias para ironizar o nível da competição na comparação com a briga travada nas Eliminatórias Sul-Americanas entre suas 10 seleções – das quais metade deve ir ao Catar.

Não faz sentido algum.

Ronaldo lamenta
Ronaldo lamenta Getty Images

Ainda que seleções como as citadas acima joguem as Eliminatórias na Europa, elas não passam de figurantes cuja importância se dá, eventualmente, no cômputo de saldo de gols das equipes que as goleiam a cada rodada.

Bem mais significativo é notar que a disputa europeia obriga, por exemplo, a campeã continental a brigar por UMA vaga direta contra uma seleção como a Suíça, que chegou às quartas de final da Euro após eliminar ninguém menos que a França. Ou perceber que a Espanha, outro time de excelente futebol na Euro e na Nations League, precisou disputar sua vaga contra a Suécia – correndo risco de ir à repescagem até os minutos finais de sua derradeira partida.

Se o formato (um tanto quanto enfadonho) das Eliminatórias Sul-Americanas tem o mérito de ser indiscutivelmente mais justo e fazer com que avancem as melhores seleções do continente, o formato europeu, até por necessidade devido ao grande número de equipes, acaba por funcionar melhor como preparação à Copa, por maior similaridade com o Mundial.  

Não há o que se discutir em relação ao bom nível de competitividade da seleção brasileira e suas chances de conquistar o título no Catar. São muitos os motivos para isso: o formato da Copa, a importância e respeito do Brasil, a qualidade de seu elenco e, por que não, o ótimo aproveitamento de Tite, com 50 vitórias, 12 empates e apenas 5 derrotas com a seleção.

Reafirmar suas chances de título, porém, não deveria hoje significar favoritismo. Sobretudo, e apesar dos resultados das Eliminatórias, pela comparação do futebol das melhores seleções europeias com o futebol jogado pelo time de Tite.

O mesmo Tite que, aliás, por tantas vezes já lamentou e continua lamentando que o calendário da Uefa o impeça de enfrentar seleções da Europa durante sua preparação. Afinal, ao contrário dos que defendem cegamente o próprio técnico ou a seleção brasileira, Tite assiste atentamente às partidas de seus rivais e sabe muito bem de onde virão os adversários mais duros na briga pelo hexa. 


 
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Ronaldo garantirá em prêmios ao United pelo menos mesmo valor que o clube pagou por ele à Juventus

Gian Oddi
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Apesar da liderança em um dos grupos mais difíceis da atual Champions League, o futebol do Manchester United não convence. Em quatro jogos disputados, foram duas vitórias (contra Villareal e Atalanta), um empate (também contra a Atalanta) e uma derrota (contra o Young Boys). Sete pontos conquistados.

O curioso é que, dos sete pontos, nada menos que cinco foram garantidos por gols de Cristiano Ronaldo já nos finais dos jogos: ele fez um gol aos 50 minutos do 2º tempo na vitória por 2 a 1 contra o Villareal, outro aos 36 do 2º na vitória por 3 a 2 sobre a Atalanta em casa e, por fim, no empate por 2 a 2 desta terça fora de casa, mais um aos 46 do 2º, novamente contra os italianos.

Pelo fato de os gols terem saído todos nos finais das partidas, não é exagero algum dizer que o português transformou dois empates em duas vitórias e uma derrota em um empate nesta fase de grupo da Champions League.

O último gol de Cristiano Ronaldo contra o Manchester City com a camisa do United

         
     

Segundo a tabela de premiações estipulada pela Uefa, uma vitória na fase de grupos garante ao time vencedor 2,8 milhões de euros (cerca de R$ 18,4 milhões), enquanto um empate vale 930 mil euros (cerca de R$ 6,1 milhões). A diferença do que o United receberá com duas vitórias e um empate (6,53 milhões) para o que receberia com dois empates e uma derrota (1,86) é, portanto, de 4,67 milhões (cerca de R$ 30,7 mi).

Também vale notar como estaria a classificação do grupo sem os três gols de Ronaldo marcados nos minutos derradeiros das partidas: Atalanta e Villareal teriam 8 pontos cada, o Young Boys estaria com 3 e o Manchester United, virtualmente eliminado, teria apenas 2 pontos.

Dessa forma, também não é exagero dizer que a classificação da equipe inglesa, muito bem encaminhada após o empate desta terça e um jogo para fazer em casa na última rodada contra o Young Boys, só se dará devido aos gols de Ronaldo. Uma classificação que, pela tabela de premiação da Uefa, vale nada menos que 9,6 milhões de euros.

Somada a mencionada diferença de premiação pelos resultados na fase de grupos e o valor agregado pelo iminente avanço às oitavas temos, por causa dos gols do português, nada menos 14,27 milhões de euros garantidos na conta do Manchester United, clube que, segundo anúncio oficial feito pela Juventus, pagou ao time italiano 15 milhões de euros para contratá-lo.

E aí, compensou? Lembrando que ainda há muita Champions para ser disputada e, portanto, muito dinheiro a ser distribuído...

Só com gols no final, Ronaldo transformou dois empates em vitórias e uma derrota em empate
Só com gols no final, Ronaldo transformou dois empates em vitórias e uma derrota em empate Matthew Peters/Manchester United/Getty I

 
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Se não forem covardes, invasores gremistas ainda estão em tempo de provar suposto amor pelo clube

Gian Oddi
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Imbecis como os que deram voadoras em monitores, se engalfinharam com cabos de energia e massacraram pedaços de acrílico no último domingo, na Arena do Grêmio, não são exclusividade da torcida gremista, nem do futebol, tampouco do Brasil. Eles estão por toda parte, são onipresentes, como podemos comprovar diariamente ao caminhar pelas ruas, ler jornais ou acessar a Internet.

Era, portanto, presumível que os imbecis estivessem também na Arena do Grêmio no jogo deste domingo contra o Palmeiras. Estando o time gaúcho na situação que está, não chegava a ser difícil prever que eles agissem como agiram, o que por sua vez torna óbvia a falta de efetivo policial ou de seguranças particulares suficientes para combater a inevitável estupidez humana.

Fossem os invasores um bando de egocêntricos tentando satisfazer suas vaidades em busca de algum protagonismo ou meros frustrados desopilando no estádio a revolta por suas vidas vazias e sem sentido, as duas ou três dezenas de torcedores provavelmente passaram a noite porto-alegrense a se vangloriar pelo feito e a justificar suas atitudes infantis sob o pretexto da “paixão pelo Grêmio”.

Torcedores gremistas invadem o campo após o final de Grêmio x Palmeiras
Torcedores gremistas invadem o campo após o final de Grêmio x Palmeiras Raul Pereira/AFP/Getty Images

Pois, se é assim, ainda está em tempo de os atores do patético episódio provarem seu suposto amor pelo clube, deixando a covardia de lado e se apresentando ao Grêmio para assumir o que fizeram: entreguem ao clube seus números de RGs e endereços para que que os mesmos sejam repassados às autoridades, responsabilizem-se pessoalmente pelos atos cometidos e não façam o Grêmio pagar por seus erros pessoais.

Afinal, diante da incompetência das autoridades do futebol (e não só) brasileiro em identificar e punir criminosos, esta é provavelmente a única chance de o clube gaúcho não ser prejudicado com a perda de mandos de campo, o que complicaria ainda mais a sua já suficientemente complicada reta final de campeonato.

Bem mais corajoso do que agir com a certeza da impunidade como fizeram os invasores da Arena do Grêmio no último domingo é assumir as consequências do que fizeram para pagar pelos próprios atos. Contudo, para desgosto do Grêmio e de seus milhões de torcedores que não compactuam com o que aconteceu, é de se desconfiar que, entre a coragem e a covardia, os invasores do domingo ficarão com a segunda opção.


 
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Renato Gaúcho é outra prova da supervalorização dos técnicos num cenário onde eles (ainda e infelizmente) fazem pouca diferença

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É questionável que um técnico de futebol não demonstre a menor capacidade de explicar, numa entrevista, suas decisões, mudanças e preferências táticas após uma partida. E é por isso que sempre me pareceu no mínimo estranho tanta gente atribuir às mudanças e escolhas estratégicas de um treinador como Renato Gaúcho os melhores momentos do Flamengo sob seu comando.

Renato pode ter – e provavelmente tem - suas qualidades como técnico, sobretudo para aquilo que os jogadores exigem de um treinador no Brasil. Entretanto, sua capacidade de leitura de jogo, de escolher, montar e alterar a equipe baseando-se em conceitos táticos elaborados nunca foi e, diante do seu desinteresse pelo tema, provavelmente nunca será seu forte.

Há tempos vivemos no Brasil uma supervalorização do trabalho dos treinadores do ponto de vista tático, atribuindo primordialmente a essas escolhas os méritos ou deméritos pelos resultados dentro de campo, como se os aspectos técnicos, psicológicos, físicos e até metafísicos tivessem uma parcela menos significativa nos números que o placar mostrará após o apito final – o que não é verdade.

Renato no Fla: ele merecia os elogios recebidos há poucas semanas?
Renato no Fla: ele merecia os elogios recebidos há poucas semanas? Alexandre Vidal/Flamengo

Não deixa de ser ainda mais curioso que isso ocorra justamente num país onde a capacidade dos treinadores não é nem de longe um diferencial na relação com outras praças importantes do futebol mundial.

Nossa escola de técnicos, é preciso admitir, ainda não faz cócegas em escolas como a italiana, portuguesa, argentina ou alemã. Mesmo assim, é por aqui que impera uma espécie de tecnicocentrismo: sob argumentações vagas como “falta padrão”, “não faz um bom trabalho” ou “não vemos evolução”, tudo é quase sempre responsabilidade das escolhas táticas dos treinadores, o que explica suas constantes e infinitas demissões.

Não se trata de refutar a importância do treinador em pleno século 21. Não faria sentido algum, por exemplo, negar que trabalho tático de um técnico como Pep Guardiola (é só um exemplo) faz toda diferença nos resultados finais de um time por ele dirigido. Assim como não fazia sentido algum atribuir grandes méritos táticos a Renato Gaúcho ou esperar dele, para o futuro, grande brilho nesse aspecto.

Torcida do Flamengo xinga Renato Gaúcho e grita por 'Mister' Jorge Jesus no Maracanã


A recente prevalência das análises e da leitura do futebol no Brasil sob o aspecto tático talvez tenha surgido, compreensivelmente, como contraposição à pobreza que por anos imperou nessas mesmas análises. Mas não se pode forçar a barrar: ao exaltar (ou depreciar) trabalhos de técnicos com tanta facilidade o que se constata é uma completa aleatoriedade no que é classificado como “sucesso” ou “fracasso” desses mesmos técnicos por aqui.

O gênio de hoje é o burro de amanhã (Valentim?), o burro de hoje é o gênio de amanhã (Renato, se campeão da Libertadores?). Tudo dependerá dos resultados: méritos ou deméritos táticos em seus trabalhos sempre serão encontrados, ainda que não sejam eles a decidir os jogos. E dessa forma os principais responsáveis pelos sucessos ou insucessos serão quase sempre os técnicos, mesmo num país em que eles, ainda e infelizmente, fazem pouca diferença.


 
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À espera da aurora boreal, brasileiro do Bodo resume goleada na Roma: 'Maior vitória da história do clube'

Gian Oddi
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A pequena cidade de Bodo, na Noruega
A pequena cidade de Bodo, na Noruega divulgação (site oficial Bodo)

Não são poucos os jogadores de futebol de várzea que sonham um dia poder jogar futebol profissionalmente na Europa. São bem menos, porém, aqueles que imaginam a possibilidade de exercer a profissão praticamente dentro do Círculo Polar Ártico, numa pequena cidade de cerca de 55 mil habitantes bem ao norte da bela e gelada Noruega.

Foi esse o destino de José Vitor Rodrigues da Silva dos Santos, conhecido como Pernambuco, atacante de 23 anos do pequeno Bodo-Glimt, atual (pela primeira vez) campeão norueguês e que conquistou nesta última quinta-feira um dos maiores feitos dos seus 105 anos de existência: uma goleada por 6 a 1 sobre a Roma, de José Mourinho, pela fase de grupos da recém-criada Uefa Conference League, competição oficial da Uefa.

“A torcida foi à loucura porque essa foi a maior vitória da história do clube. Em todos os jogos por aqui os torcedores fazem muita festa. Mas desta vez foi especial porque foi contra uma grande equipe, a Roma, e com um treinador como o Mourinho. Foi espetacular”, afirmou o único brasileiro do elenco, que ficou no banco durante todo o confronto.

Vitor, atacante do Bodo-Glimt, na cidade de Bodo
Vitor, atacante do Bodo-Glimt, na cidade de Bodo arquivo pessoal do jogador

Aos 23 anos, Vitor, que depois de descoberto na várzea só atuou profissionalmente por Portuguesa e Jaguariuna em território brasileiro, jogou também no Lyiv, da Ucrânia, e no Dínamo Tblisi, da Geórgia, antes de ser emprestado pelo campeão georgiano ao Bodo-Glimt, em março deste ano.

Apesar de viver numa cidade próxima ao Polo Norte, com cenários tão isolados quanto espetaculares, Vitor explica que não conseguiu explorar a região por um problema bem conhecido por seus colegas brasileiros: “Não tive tempo de conhecer muito por aqui porque é muito jogo, a cada três dias: domingo, quarta, domingo... Mas andei pela cidade e ela é muito bonita!”

Apesar do frio (temperatura média anual de 2,4º celsius) e do isolamento, Pernambuco conta que não titubeou quando recebeu a proposta para jogar em Bodo: “Não pensei duas vezes porque era o time campeão nacional e que ia jogar a Champions League [eliminado na fase preliminar do torneio, pela qual o brasileiro chegou a marcar um gol, a equipe ganhou o direito de jogar a Conference League]”.

Aurora Boreal em Bodo, Noruega
Aurora Boreal em Bodo, Noruega divulgação (site oficial Bodo)

Apesar da aproximação do mês de dezembro, quando os dias em Bodo passam a ter menos de 2 horas de luz solar a cada 24, Pernambuco não parece muito preocupado com eventuais dificuldades de adaptação. E não só porque seu time está na liderança tanto no Campeonato Norueguês como em sua chave na Conference League.

Mas também porque, com a escuridão que vem por aí, aumentam suas chances de ver a aurora boreal, o deslumbrante fenômeno óptico comum em regiões polares: “Eu já vi a aurora boreal, é um negócio muito bonito, incrível. Estou querendo ver de novo, só que ela não apareceu mais”.


Veja os gols de Bodo-Glimt 6 x 1 Roma


Vitor comemora gol contra o Legia Varsóvia, pela Champions League
Vitor comemora gol contra o Legia Varsóvia, pela Champions League arquivo pessoal do jogador


 
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