Na Libertadores, veteranos atacantes foram decisivos nas duas primeiras rodadas da fase de grupos

Gustavo Hofman

A derrota na estreia para o Deportivo Táchira por 3 a 2 colocou enorme pressão sobre o Olimpia na Conmebol Libertadores. Na segunda partida, em casa, contra o Always Ready, a equipe paraguaia precisava dos três pontos para ficar na briga por uma das duas vagas do Grupo B às oitavas de final. No intervalo, do banco, saiu o jogador que definiu a partida.

Aos 39 anos, Roque Santa Cruz é uma referência do Olimpia. O veterano atacante, pela idade, não consegue começar jogando em todas partidas do tricampeão da Libertadores, mas segue muito importante. Já em campo, ele viu os bolivianos fazerem 1 a 0 aos 19 minutos. Não se assustou, assumiu a responsabilidade e empatou aos 26. Pouco depois, aos 35, brigou pelo alto na grande área e a bola sobrou para Richard Ortiz virar. Em 45 minutos, Santa Cruz se tornou o melhor jogador em campo.

Roque Santa Cruz foi decisivo na vitória do Olimpia contra o Always Ready
Roque Santa Cruz foi decisivo na vitória do Olimpia contra o Always Ready Divulgação

Veteranos como o paraguaio não são exceções na competição sul-americana, fazem parte da nossa realidade esportiva-financeira. O atacante, revelado pelo Olimpia em 1997, deixou o Paraguai para se tornar jogador do Bayern dois anos depois e trilhou carreira na Europa. Blackburn, Manchester City, Betis, Málaga, até uma passagem pelo futebol mexicano (Cruz Azul) e o retorno para casa em 2016.

Foram cinco Bundesligas, quatros Copas da Alemanha, uma Champions e um Mundial conquistados com os bávaros, mas na maior parte do tempo entre os reservas. Afinal, à frente dele estavam nomes históricos do Bayern como Élber e Claudio Pizarro. Além disso, Roque Santa Cru teve uma longa trajetória na seleção paraguaia, com a qual foi vice-campeão da Copa América de 2011 e disputou as Copas de 2002, 2006 e 2010. Já não possui mais, naturalmente, a mesma condição física de outrora, mas a qualidade técnica ainda se destaca em jogadas isoladas. Assim como ele, há outros atacantes bem experientes nos gramados da Libertadores sendo decisivos.

Fred já tem três gols na fase de grupos da Libertadores
Fred já tem três gols na fase de grupos da Libertadores Divulgação

Mais "novinhos", Fred e Tevez são dois exemplos de protagonismo em suas equipes. O Fluminense somou quatro pontos nas duas primeiras rodadas do Grupo D ao empatar com o River Plate no Rio de Janeiro e ganhar do Independiente Santa Fe na Colômbia. Os três gols foram marcados por Fred, e um deles com assistência de Nenê, 39 anos.

Já o Boca Juniors tem 100% de aproveitamento após vencer Strongest na Bolívia e Santos na Vila Belmiro. Contra os bolivianos, Carlitos foi poupado pelo técnico Miguel Ángel Russo pelo enorme desgaste físico de se jogar nos 3600 metros de altitude de La Paz. Diante dos brasileiros, porém: um gol, uma assistência e o prêmio de melhor em campo.

Nesta semana, o Olimpia viaja até Porto Alegre, na quarta-feira, para enfrentar o Internacional. O Flu joga na quinta contra o Junior, em Barranquilla, enquanto o Boca atua na terça contra o Barcelona, em Guaiaquil. Todos com seus veteranos e ainda decisivos atacantes prontos.



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Red Bull Salzburg leva o tri na Copa da Áustria e vai em busca do octa no Campeonato para se despedir de Jesse Marsch

Gustavo Hofman

O final de semana foi de festa em Salzburg e em Klagenfurt, onde o Red Bull, no sábado, venceu o LASK Linz por 3 a 0 e conquistou seu oitavo título da Copa da Áustria na história. Todos na era das bebidas energéticas.

Jesse Marsch está de saída para o RB Leipzig
Jesse Marsch está de saída para o RB Leipzig Divulgação


O domínio tem sido absoluto do Red Bull nos últimos anos. O título na Copa foi, na verdade, um tricampeonato, enquanto a sequência na Bundesliga é ainda maior com sete taças consecutivas. A oitava deve ser conquistada em breve, já que o time possui seis pontos de vantagem sobre o Rapid Viena com quatro rodadas ainda por jogar. O Campeonato Austríaco possui fase final, com os seis primeiros colocados da temporada regular, por isso ainda haverá o confronto direto entre os dois primeiros colocados.

No sábado, o Red Bull foi mais uma vez totalmente superior sobre o LASK, que completou seis partidas sem vitória somando o campeonato nacional. Na temporada passada, a equipe de Linz praticamente "entregou" o título para o adversário de Salzburg, com erro administrativo que rendeu perda de pontos, além de incrível queda de rendimento na fase final. Agora, perdeu em campo a chance de conquistar sua segunda Copa da Áustria na história - a outra foi no longínquo ano de 1965.

Taticamente, o técnico Jesse Marsch, de saída para assumir o RB Leipzig, mandou o Salzburg a campo no 4-4-2, com Patson Daka (Zâmbia) ao lado de Mergim Berisha (Alemanha) no ataque. Enock Mwepu (Zâmbia) e Brenden Aaronson (Estados Unidos) compunham o quarteto ofensivo, com Antoine Bernéde (França) e Zlatko Junuzovic (Áustria) como meias centrais. Muita posse de bola e pressão alta deram o controle da partida ao Red Bull. Só que o gol de abertura do placar demorou a sair, somente aos 45 minutos, com Berisha em finalização na entrada da grande área.

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"O primeiro gol foi muito importante. Ele permitiu que nos impuséssemos mais e mais no segundo tempo, e criamos muitas chances como resultado disso. Defendemos bem durante todo jogo e jogamos muito bem. Estou muito feliz pelos garotos com a conquista desse troféu", afirmou Marsch após o jogo.

O LASK, do treinador Dominik Thalhammer, entrou em campo com proposta defensiva, linha de cinco defensores e bloco baixo. Chegou a subir e pressionar a saída de bola do Red Bull em alguns momentos, mas após o 1 a 0 contra foi obrigado a se expor mais no segundo tempo. Assim, aos 21 minutos, após recuperação de bola no campo de defesa e contra-ataque, o Red Bull marcou o segundo gol com Aaronson. 

Se o primeiro foi determinante, o segundo deixou a vitória bem encaminhada. Por isso, mesmo com o pênalti desperdiçado por Daka aos 25, tudo permaneceu sob controle e o compatriota Mwepu fez o terceiro aos 43 minutos em outro contra-ataque com muita velocidade, dando números finais à decisão.

Red Bull Salzburg conquistou a Copa da Áustria no sábado
Red Bull Salzburg conquistou a Copa da Áustria no sábado Divulgação

Há dois brasileiros no elenco, o lateral Bernardo, ex-Brighton, que entrou na segunda etapa, e o zagueiro André Ramalho, ídolo da torcida. André se tornou o primeiro jogador brasileiro a passar por toda estrutura de futebol da Red Bull do Brasil à Áustria - Red Bull Brasil, Liefering e Red Bull Salzburg. Desde que retornou ao clube, em 2018, após passagens por Bayer Leverkusen e Mainz, virou um dos líderes da equipe e referência para os mais jovens. 

Hoje, aos 29 anos e com contrato até o final da próxima temporada, André é um dos vice-capitães no elenco e muito respeitado pelos torcedores na Áustria. Bernardo, posteriormente, seguiu o mesmo caminho pela Red Bull da América do Sul à Europa.

Vale lembrar, ainda, que o LASK Linz é o ex-clube do técnico Oliver Glasner, que conduziu a equipe até a primeira divisão e posteriormente foi contratado pelo Wolfsburg. Ele chegou a ser cogitado nos últimos dias para o cargo do RB Leipzig, após o anúncio do acerto de Julian Nagelsmann com o Bayern, mas no final das contas o escolhido veio da própria estrutura da empresa, como esperado. 

Jesse Marsch está no cargo na terra de Mozart desde 2019, após ter sido assistente justamente em Leipzig e treinador no New York Red Bulls. O substituto dele seguirá o processo natural da Red Bull: será Matthias Jaissle, de apenas 33 anos, ex-técnico do sub-18, que estava à frente do time B, o Liefering desde janeiro, após a saída de Bo Svensson para o Mainz. Tudo em "casa". 

André Ramalho é um dos destaques do Salzburg na temporada
André Ramalho é um dos destaques do Salzburg na temporada Divulgação

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LaLiga tem a disputa mais equilibrada pelo título entre as grandes ligas europeias

Gustavo Hofman

Entre as cinco grandes ligas europeias, a disputa maior e mais equilibrada pelo título está em LaLiga. Enquanto Premier League, Alemão e Italiano contam as horas para coroarem Manchester City, Bayern de Munique e Inter de Milão, respectivamente, na Espanha apenas três pontos separam o primeiro do quarto colocado com cinco rodadas pela frente. Em termos de equilíbrio, apenas o Francês se aproxima, mas com uma equipe a menos na briga pela taça.

O Atlético de Madrid, que caiu muito de rendimento no segundo turno, lidera com 73 pontos. Os colchoneros são seguidos por Real Madrid e Barcelona, ambos com 71, sendo que os merengues levam vantagem no confronto direto, inclusive contra os rojiblancos também. Por fim, o Sevilla, que venceu os últimos cinco jogos, tem a melhor sequência atual da disputa e está na disputa com 70 pontos. 

Haverá dois confrontos diretos entre os quatro: pela 35a rodada, o Barça receberá o Atleti, e o Sevilla jogará no Ramón Sánchez Pizjuán, sua casa, contra o Madrid. 

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Abaixo, como cada time do quarteto se saiu em seus últimos cinco confrontos por LaLiga 

ATLÉTICO, 73 pontos
Últimos cinco jogos: duas vitórias, um empate e duas derrotas (somou 7 pontos em 15 possíveis)

Elche (f)
Barcelona (f)
Real Sociedad (c)
Osasuna (c)
Valladolid (f)

REAL MADRID, 71 pontos
Últimos cinco jogos: três vitórias e dois empates (somou 11 pontos em 15 possíveis)

Osasuna (c)
Sevilla (c)
Granada (f)
Athetic (f)
Villarreal (c)

BARCELONA, 71 pontos 
Últimos cinco jogos: três vitórias e duas derrotas (somou 9 pontos em 15 possíveis)

Valencia (f)
Atlético (c)
Levante (f)
Celta (c)
Eibar (f)

SEVILLA, 70 pontos
Últimos cinco jogos: cinco vitórias (somou 15 pontos em 15 possíveis)

Athletic (c)
Real Madrid (f)
Valencia (c)
Villarreal (f)
Alavés (c)

A melhor tabela, quem depende só de si e a total imprevisibilidade

Real Madrid e Sevilla farão três jogos como mandantes, enquanto Atlético e Barcelona atuarão em seus estádios duas vezes. O Atlético tem a tabela mais equilibrada, levando em conta a atual classificação de LaLiga. Enfrentará dois times que estão entre os sete melhores, um em posição intermediária e dois que lutam contra o rebaixamento. O Barça, além de pegar o próprio Atleti, jogará contra o lanterna Eibar na última rodada, provavelmente já rebaixado, e três times que estão no bloco intermediário. Já o Real Madrid tem a tabela mais forte, com rivais colocados todos a partir da 11ª posição. O roteiro do Sevilla está balanceado, porém complicado pela tradição de alguns rivais.

Somente dois times dependem apenas de si, justamente Atlético e Barcelona. Caso um deles vença todos os cinco jogos que faltam, ficará com a taça. Porém, é impossível afirmar que esse confronto específico seja a final, já que a diferença para os demais é pequena e a última rodada mostrou que a imprevisibilidade impera nesta reta final. O empate merengue com o Betis, no Alfredo di Stéfano, e a derrota culé, no Camp Nou, para o Granada, são provas conclusivas. 

É necessário lembrar, ainda, que os jogadores de Zinédine Zidane têm a partida de volta pelas semifinais da Champions League na próxima quarta-feira (5), contra o Chelsea. Após o empate em 1 a 1 em Madri, a disputa segue totalmente aberta. A classificação para a final, caso conquistada, naturalmente concentrará as maiores atenções do Real Madrid nas próximas semanas e isso vai determinar muito se Karim Benzema e companhia estarão na briga pelo título de LaLiga até o final.

"Hay Liga"

Dentro de campo, a análise positiva recente é maior para Sevilla e Barcelona, apesar do tropeço citado. A evolução da equipe comandada por Ronald Koeman é notória, principalmente desde o estabelecimento do 3-5-2 como plataforma tática principal. Frenkie de Jong e Antoine Griezmann têm sido determinantes, sem falar obviamente em Lionel Messi, mais uma vez com números e desempenho de Lionel Messi. Já Julen Lopetegui, sem necessariamente fazer seu time brilhar, manteve a competitividade e fez do Sevilla um time muito eficiente, com vitórias magras - todas na atual sequência foram por um gol de vantagem.

A surpreendente queda de rendimento do Atlético, que chegou a abrir dez pontos de vantagem sobre Barcelona e Madrid, possui algumas explicações. A variação tática criada por Diego Simeone, com a linha de cinco defensores e Yannick Carrasco pela esquerda, deixou de ser surpresa para os adversários e passou a enfrentar mais dificuldades. Foram muitas lesões e desfalques por COVID-19 que prejudicaram o time em vários jogos. Além disso, Luis Suárez parou de fazer gols como no primeiro turno: foram quatro nos últimos dez jogos por LaLiga, contra 15 em todos anteriores.

Como os espanhóis gostam de falar, para se referirem à disputa pelo título, "hay Liga". E haverá até à última rodada.

O cobiçado troféu de LaLiga
O cobiçado troféu de LaLiga Getty Images
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Como PSG e Manchester City se tornaram peças no tabuleiro da geopolítica do Oriente Médio

Gustavo Hofman

Os olhos do mundo do futebol estarão voltados nesta quarta-feira (28) para o Parque dos Príncipes, em Paris, onde Paris Saint-Germain e Manchester City entram em campo pelo jogo de ida das semifinais da Champions League. De um lado, Neymar, Mbappé e Di María em busca do retorno à decisão europeia; do outro, Guardiola e a perseguição pela inédita final para o time inglês. Por trás de tudo isso, muita política internacional.

Desde 2011, o PSG pertence à Qatar Sports Investment, braço de investimento esportivo do governo catari. O Manchester City possui ligação anterior com o Oriente Médio, já que em 2008 foi adquirido pelo Abu Dhabi United Group, pertencente a Mansour bin Zayed Al Nahyan, membro da família real dos Emirados Árabes Unidos (EAU). Os dois países reataram relações diplomáticas apenas em janeiro deste ano, após a crise que aconteceu no Golfo Pérsico em junho de 2017 e culminou com o isolamento político do Catar, acusado de apoio ao terrorismo, liderado pela Arábia Saudita, com apoio de Egito, Bahrein e EAU.

Após o vice-campeonato da Champions na temporada passada, o PSG também se viu em uma crise. Thomas Tuchel já não conseguia tirar de seus jogadores o melhor e acabou demitido por Nasser Al-Khelaifi, um dos homens mais fortes do futebol mundial na atualidade. O dirigente escolheu Mauricio Pochettino como substituto, e as últimas semanas têm sido positivas. A classificação sobre o Bayern de Munique nas quartas de final e a recuperação na Ligue 1, na qual brigará pelo título contra Lille e Monaco, fortaleceram o time. Al-Khelaifi, ex-tenista profissional, ainda se colocou no lado certo da disputa entre a Superliga e o resto do mundo. Ele herdou o posto de Andrea Agnelli no comando da Associação Europeia de Clubes e aumentou sua relevância nas tomadas de decisão do futebol europeu.

Khaldoon Al Mubarak, responsável pelo controle do Manchester City, não tomou a mesma decisão. Ao ver sua torcida absolutamente contra a Superliga, se viu obrigado a recuar na iniciativa de participar da famigerada liga. Ao menos, em campo, já comemorou na temporada a conquista da Copa da Liga Inglesa (contra o Tottenham, no último domingo) e conta os dias para celebrar a quinta Premier League desta nova era do clube.

Hani Sabra explica objetivos de Catar e Emirados Árabes ao investirem no futebol: 'Eles fizeram de duas formas diferentes'


Muito além do futebol

As glórias, os títulos, os jogadores internacionais destes clubes fazem parte de algo maior, que extrapola o futebol. Catar e Emirados Árabes Unidos usam o jogo mais amado do planeta para fortalecerem e melhorarem a forma como o mundo os vê. Quem afirma é o analista político Hani Sabra, especialista em Oriente Médio e referência no assunto nos Estados Unidos. "Ambos são pequenos países ricos do Golfo, monarquias, e querem fortalecer a própria imagem internacional. Eles decidiram investir em clubes de futebol porque perceberam que uma boa maneira para alcançarem isso era através do futebol, o esporte mais popular do planeta. Realmente veem o futebol como uma rota para melhorarem o próprio status mundial", disse em entrevista exclusiva ao blog.

Sabra é egípcio e torcedor do Liverpool por causa de Mohamed Salah. Em seu escritório em Nova York, lembra da vida no Cairo e brinca que, para se atravessar a caótica cidade de um lado para o outro, é necessário verificar a agenda dos Reds. Quando o Liverpool está em campo, Cairo para. Sem o mesmo caos da maior cidade egípcia, outras duas no Oriente Médio também passaram a se identificar com clubes europeus. "Há 15 anos, quantas pessoas em Abu Dhabi eram torcedoras do Manchester City? Nenhuma. Se você andasse nas ruas de Doha, dez anos atrás, quem era realmente torcedor do Paris Saint-Germain? Ninguém. Atualmente, todos em Abu Dhabi torcem pelo Manchester City, assim como em Doha pelo PSG. Agora há essa conexão emocional com esses dois clubes", explicou.

A tensão gerada pela Superliga aumentou o debate global sobre investimentos de bilionários ou estados no futebol. O modelo alemão, de 50+1, que cria barreiras para investidores estrangeiros entrarem na Bundesliga, se tornou exemplo de resistência nos protestos em Old Trafford, Anfield e em outras partes da Inglaterra. Está longe de ser perfeito, como nenhum é, possui também seus pontos negativos. Muitos alegam que, na Alemanha, é impossível clubes médios ou menores mudarem o equilíbrio de forças no país e alcançarem o topo da pirâmide. O RB Leipzig, driblando essa regra através de burocracia estatutária, tem desafiado isso. Fato é, no entanto, que exemplos como PSG e Manchester City são inviáveis na cultura alemã.

'Não se pode separar a política do esporte': Hani Sabra detalha e analisa os investimentos em Manchester City e PSG


E por que a Champions vale tanto?

Catar e Emirados Árabes Unidos não usam seus clubes para ganharem dinheiro. O objetivo é, claramente, a geopolítica, por isso o confronto pela Champions ganha conotação além das quatro linhas. "Você nunca pode separar o esporte da política. Os dois são tão interligados e misturados que você nunca pode separar um do outro", afirmou Sabra. "A reconciliação que existiu entre os países foi mais entre Catar e Arábia Saudita, e os Emirados Árabes Unidos aproveitaram a carona. Eu diria que a aceitação dos Emirados deste acordo é relutante. Não sei quando, mas acredito que a tensão entre os dois países vai, certamente, voltar em algum ponto nos próximos anos. Basicamente porque os problemas entre eles não foram resolvidos."

Quais são essas questões? Apoio do Catar a grupos islamistas, alinhamento com o Irã, além da própria política internacional ambiciosa dos cataris. É curioso que, voltando para o futebol, é possível que o PSG tenha esse embate político na própria Ligue 1. Na segunda divisão francesa está, atualmente, o Paris FC, clube que tem investimento do governo do Bahrein e está na briga pelo acesso. Por enquanto, o confronto se resume ao jogo da Champions contra o Manchester City e sua ligação com os Emirados Árabes Unidos.

Não há, porém, entre as nações soberanas árabes, tensões parecidas com o cenário dos Balcãs, por exemplo, para citar conflitos ainda muito recentes e marcantes na humanidade. Em 13 de maio de 1990, um jogo de futebol foi um dos estopins para o início dos conflitos na Iugoslávia. Pelo Campeonato Iugoslavo, o Dínamo Zagreb recebeu o Estrela Vermelha, de Belgrado. Dias antes, eleições na Croácia fortaleceram o movimento nacionalista, contrário ao governo. 

Cerca de três mil torcedores sérvios, a maior parte da Delje, grupo de ultras que, posteriormente, se tornou uma organização paramilitar na guerra, fizeram a viagem até Zagreb. Foram muitos conflitos nas ruas da capital croata, que se estenderam para as arquibancadas e o campo do estádio Maksimir, que virou um campo de batalhas. A polícia agiu ferozmente contra a torcida da casa, e um episódio se tornou extremamente marcante na história: Zvonimir Boban, ídolo do Dínamo e um dos maiores jogadores dos Balcãs em todos os tempos, atacou um policial em defesa de um torcedor.

O futebol pode ser usado como ferramenta para melhorar a imagem dos países árabes? Hani Sabra responde e utiliza Salah como exemplo


Jamais será apenas um jogo

Nada perto disso acontecerá em Paris. O Parque dos Príncipes estará com as arquibancadas vazias, devido à pandemia de coronavírus. Pochettino vai mandar a campo seu time mais forte possível, talvez com Ander Herrera no meio-campo, para aumentar a criatividade. O jogador espanhol, em meio à baderna mundial causada pela Superliga, se manifestou ao afirmar ter "se apaixonado pelo futebol popular, pelo futebol dos torcedores, pelo sonho de ver o time do seu coração competir contra os maiores". 

Pelo caminho na Champions ficou Joshua Kimmich, crítico tardio da escolha do Catar como sede do Mundial de 2022. "Acho que estamos dez anos atrasados para boicotar a Copa do Mundo", disse o meia alemão após os jogadores da seleção vestirem camisas que compunham o termo "Human Rights" (Direito Humanos), em alusão às péssimas condições de trabalhadores migrantes no Catar. Já Guardiola deve, mais uma vez, optar por uma escalação sem um centroavante, deixando Sergio Agüero e Gabriel Jesus no banco de reservas. O treinador é um ativista defensor do movimento independentista da Catalunha. Também se posicionou contra a Superliga e, nos últimos meses, tem divulgado e apoiado organizações de defesa dos imigrantes.

Em Doha e em Abu Dhabi, bem distantes de Paris e Manchester, haverá mobilização dos novos torcedores de PSG e City. A partida moverá também muitos interesses das nações envolvidas, não necessariamente França e Inglaterra, no tabuleiro da geopolítica do Oriente Médio. Jamais será apenas um jogo, por mais maravilhoso e apaixonante que seja dentro das quatro linhas.

Neymar, principal estrela do PSG
Neymar, principal estrela do PSG Getty

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América de Cali perde clássico e enfrentará o Galo pela Libertadores pressionado por sequência ruim

Gustavo Hofman

Derrota para o Millonarios foi a terceira nos últimos cinco jogos do América de Cali
Derrota para o Millonarios foi a terceira nos últimos cinco jogos do América de Cali Divulgação

Abril tem sido um mês bem complicado para o América de Cali. No sábado, pelo jogo de ida das quartas de final do Torneo Apertura, a equipe perdeu em casa para o Millonarios por 2 a 1 e largou em desvantagem na briga pela vaga entre os quatro melhores da competição. O adversário do Atlético Mineiro pela segunda rodada da fase de grupos da Libertadores, nesta terça no Mineirão, somou a terceira derrota nos últimos cinco jogos no geral, com apenas uma vitória - já havia estreado na competição internacional com revés de 2 a 0 contra o Cerro Porteño.

Atual campeão nacional, o América rodou o time na comparação com a partida contra os paraguaios. O técnico argentino Juan Cruz Real, que substituiu Alexandre Guimarães em julho do ano passado, fez cinco alterações entre os titulares. O jogo contra o Millonarios é um dos grandes clássicos nacionais da Colômbia por reunir dois dos maiores campeões, 15 títulos para cada. Apenas o Atlético Nacional (16) venceu mais vezes.

A partida começou com o América em cima, pressionando com finalizações de fora da área. A equipe se posicionou no 4-2-3-1 na fase ofensiva, com Luis Sánchez sendo o meia avançado. Rafael Carrascal e o chileno Rodrigo Ureña eram responsáveis pela saída de bola, buscando muitas vezes os atacantes de lado, Santiago Moreno e Duvan Vergara. Foi o Millonarios, porém, que abriu o placar, ao recuperar a bola aos 13 minutos no campo de defesa e contra-atacar com velocidade, até a finalização de Fernando Uribe, ex-Flamengo e Santos.

Faltava organização tática na fase defensiva para o América. Equipe muito espaçada em campo, com os setores bem distantes. Não conseguia encaixar o 4-4-2 sem a bola, com o avanço de Sánchez para pressionar alto, nem o 4-1-4-1, com Ureña se posicionando entre as linhas. Los Embajadores se aproveitaram disso e foram superiores em todo primeiro tempo, mas não transformaram as chances criadas em gols - até marcaram, aos 37 com Emerson Rodríguez, mas bem anulado por impedimento.

No intervalo, Juan Cruz Real fez três substituições nos Diablos Rojos: sacou Sánchez, Diber Cambindo e Jerson Malagón - e colocou em campo Yesus Cabrera, Marco Rodríguez e Luis la Paz. O América, que segue sem o experiente atacante Adrián Ramos (que também não jogará contra o Galo), melhorou e conseguiu o empate rapidamente, aos oito minutos, com lindo chute de longe de Cabrera e assistência do peruano Rodríguez.

A partir daí o jogo ficou aberto, totalmente indefinido. O que acabou se tornando determinante foi a expulsão de um dos personagens do dia. Aos 27 minutos, em jogada totalmente isolada e já perdida na ponta direita, Cabrera atingiu o costarriquenho Juan Pablo Vargas, que precisou ser substituído, com o joelho pelas costas e recebeu cartão amarelo. O VAR entendeu o lance como agressão e chamou o árbitro Carlos Ortega para a revisão. Resultado: cartão vermelho aos 32 minutos.

O castigo final veio pouco depois, aos 35, com jogada trabalhada desde o campo de defesa e que terminou com a cabeçada de Cristian Arango. O Millonarios ainda garantiu emoção no final, após a expulsão de Emerson Rodríguez, mas já era tarde demais.

O América somou a quinta derrota no estádio Pascual Guerrero para o Millonarios, desde quando retornou à primeira divisão colombiana em 2017. A volta entre os representantes de Cali e Bogotá acontecerá no próximo sábado. Nas outras partidas de ida das quartas de final do Campeonato Colombiano, o Junior venceu o Independiente Santa Fé por 3 a 1 e o Tolima fez 3 a 0 no Deportivo Cali. O Atlético Nacional, que teve a melhor campanha na fase de classificação, entra em campo nesta segunda-feira para enfrentar o La Equidad.

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Seleção brasileira prepara duas listas de convocados para jogos das eliminatórias e Copa América em junho

Gustavo Hofman

Com o anúncio da Conmebol, nesta sexta-feira, de jogos das eliminatórias sul-americanas confirmados para junho, pouco antes da Copa América, a comissão técnica da seleção brasileira prepara duas listas de convocados.

Serão 23 jogadores convocados para as partidas contra o Equador, no dia 4 de junho em Porto Alegre (Beira Rio), e contra o Paraguai, quatro dias depois, em Assunção. A comissão técnica trabalha com o dia 14 de maio como provável data de convocação. Para a Copa América, seguindo o padrão estabelecido pela FIFA, será preparada uma lista maior, com cerca de 40 atletas, incluindo os 23 definidos para os compromissos das rodadas sete e oito das eliminatórias.

 A CBF tem até o dia 10 de junho para enviar à organização da Copa América a lista final de 23 jogadores chamados. Assim, a ideia de Tite e de seus assistentes é poder fazer uma avaliação final dos jogadores, após os compromissos pelas eliminatórias, e definir a seleção, dentro da lista maior previamente enviada.

       


     

Técnico da seleção brasileira, Tite toma primeira dose da vacina da COVID-19 

De acordo com a CBF, a escolha por Porto Alegre se deve "ao critério da comissão técnica de aliar bons gramados à facilidade logística para o período". A apresentação na Granja Comary está prevista para 27 de maio e a viagem para Porto Alegre em 2 de junho. Nas eliminatórias para a Copa de 2018, o Brasil também enfrentou o Equador na capital gaúcha, mas na Arena do Grêmio. Após o confronto com os equatorianos, comissão técnica e jogadores seguirão para Assunção no dia 6 e a viagem para a Colômbia, para o início da preparação para a Copa América, no dia 10.

O Brasil não entra em campo desde 17 de novembro do ano passado, quando venceu o Uruguai por 4 a 0, em Montevidéu, pela quarta rodada das eliminatórias. Nos três jogos anteriores, a seleção acumulou três vitórias e lidera a competição com 12 pontos. As rodadas cinco e seis, que seriam realizadas em março, foram adiadas devido à pandemia de coronavírus e serão realizadas entre setembro e novembro, ainda com as datas exatas a serem confirmadas pela Conmebol. A seleção brasileira enfrentará Colômbia, fora de casa, e Argentina.

A Copa América começa para o Brasil no dia 14 de junho, contra a Venezuela, em Medelín. A seleção está no Grupo B, sediado em território colombiano, ao lado também de Colômbia, Equador e Peru. Os quatro primeiros colocados avançam para o mata-mata.

Tite comanda a seleção brasileira desde o segundo semestre de 2016
Tite comanda a seleção brasileira desde o segundo semestre de 2016 Getty

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Futebol e marcas eternas em um jogo de Sarajevo

Gustavo Hofman

Do alto das montanhas que cercam Sarajevo, é possível observar grandes manchas brancas na cidade. São os cemitérios contruídos durante a Guerra da Iugoslávia nos anos 1990, quando a capital bósnia foi sitiada e massacrada por tropas sérvias. Os túmulos se espalham entre casas, praças, ruas no meio da cidade. Foram 1425 dias de cerco a Sarajevo, entre 5 de abril de 1992 e 29 de fevereiro de 1996, com mais de seis mil soldados bósnios mortos, cinco mil civis e marcas eternas na cidade.

O futebol sempre foi uma paixão entre os bósnios e ajudou a seguirem em frente. Esteve presente também nos momentos mais difíceis. Edin Dzeko, atualmente na Roma, nasceu em Sarajevo em 1986. Teve a infância roubada pela guerra e jamais se esqueceu do dia em que jogava bola com os amigos na frente de casa e sua mãe o chamou para entrar, temerosa de que algo ruim pudesse acontecer. Poucos minutos depois, uma bomba explodiu no local e matou algumas das crianças que ali brincavam.

É impossível caminhar por Sarajevo e não observar, em cada esquina, todas essas marcas. Desde os incontáveis cemitérios, até os prédios ainda destruídos ou com marcas de tiros mais de duas décadas depois do fim dos conflitos. O estádio olímpico Asim Ferhatovic - Hase, palco das Olimpíadas de Inverno de 1984, foi parcialmente destruído durante a guerra da década de 1990. Localizado na entrada da cidade, foi totalmente renovado e hoje em dia é a casa do FK Sarajevo.

No último sábado, foi mais uma vez palco de um jogo do Campeonato Bósnio. O Sarajevo recebeu o Borac Banja Luka e foi derrotado por 2 a 0. Com o resultado, a equipe soma agora quatro derrotas nas últimas seis rodadas. No mesmo período, o Borac venceu cinco jogos e, com isso, se aproximou do adversário na luta pelo título com 50 pontos, apenas dois a menos que o Sarajevo, ainda na liderança. Faltam sete rodadas para o fim do Campeonato Bósnio.

Em casa, o Sarajevo foi derrotado pelo Borac Banja Luka por 2 a 0
Em casa, o Sarajevo foi derrotado pelo Borac Banja Luka por 2 a 0 Divulgação

Atual bicampeão nacional, o Sarajevo é o clube com a melhor estrutura do futebol bósnio na atualidade. Passou a receber investimento estrangeiro nos últimos anos, com as compras feitas pelos milionários malaio Vincent Tan e vietnamita Nguyen Hoài Nam. O nível técnico local é bem inferior às melhores ligas europeias e mesmo campeonatos de padrão intermediário. A seleção bósnia é composta por jogadores que atuam espalhados pela Europa, em torneios bem mais competitivos.

Banja Luka é a capital da República Srpska, região no norte e no leste de maioria sérvia, que forma com a Federação da Bósnia e Herzegovina o país contstituído como o conhecemos hoje, com essas duas entidades autônomas. Há rivalidade entre os clubes da cidade e de Sarajevo, por serem as duas maiores de toda Bósnia.

No primeiro tempo, o Sarajevo foi melhor, com mais posse de bola e controlando o ritmo. Criou algumas chances e poderia ter aberto o placar. O Borac adotou estratégia de marcação baixa e tentativa de aproveitar os erros cometidos pela maior exposição do adversário. Conseguiu em um contra-ataque, aos 34 minutos, quando Goran Zakaric aproveitou cruzamento da esquerda e fez 1 a 0 para os visitantes - isso após Bojan Pavlovic, goleiro dos Borac, fazer boas defesas. 

Com a vantagem no marcador, o Borac se sentiu ainda mais à vontade para executar seu plano de jogo. Pouco se arriscou na segunda etapa, enquanto marcaba o Sarajevo no 4-4-2. Assim, aos 25 minutos, conseguiu fazer o segundo gol de novo com Zakaric. Após recuperação de bola no campo de ataque, o camisa 99 acertou lindo chute da quina da grande área, no ângulo do gol defendido por Vladan Kovacevic. Golaço.

A partir daí o jogo ficou bem encaminhado. Além da briga pelo título, há chance ainda dos dois adversários se encontrarem na final da Copa da Bósnia. O Sarajevo bateu o Tuzla City na ida das semifinais por 1 a 0 e decide a vaga em casa nesta quarta-feira, enquanto o Borac goleou o Klis Buturovic Polje por 4 a 1 e precisa apenas confirmar a classificação na partida de volta.

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Futebol e marcas eternas em um jogo de Sarajevo

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Com novas ações de marketing, Shakhtar Donetsk passa a investir também no torcedor brasileiro

Gustavo Hofman

Shakhtar Donetsk aposta em PPV de jogos do Ucraniano no Brasil
Shakhtar Donetsk aposta em PPV de jogos do Ucraniano no Brasil Divulgação

Brandão foi o primeiro jogador brasileiro a defender o Shakhtar Donetsk. Contratado em 2002, na sequência vieram tantos outros históricos, como Willian, Jadson, Fernandinho, Elano e assim segue até os dias atuais, com muito jovens promissores como Tetê e Marcos Antônio.

Neste sábado, pelo Campeonato Ucraniano, o Shakhtar disputa o maior clássico do país contra o Dinamo Kiev. Pela primeira vez, o clube fará a transmissão da partida para fora da Ucrânia via própria plataforma de streaming. O Brasil foi escolhido como foco nos investimentos, pela longa relação de sucesso com os atletas locais.

Alexander Mamalyha, diretor de Marketing do Shakhtar, explica nesta entrevista a estratégia do clube e as dificuldades impostas pelos últimos anos: desde a saída forçada de Donetsk, até os dias atuais de pandemia.

Quais são as expectativas do Shakhtar com a transmissão do clássico contra o Dinamo Kiev através de seu próprio serviço de streaming para o Brasil?
Não temos grandes expectativas, é a primeira vez que estamos fazendo isso. Entendemos que esse jogo é interessante pela perspectiva esportiva, porque é o maior jogo da Ucrânia. Tivemos a oportunidade de transmitir o jogo por streaming, fazer isso acontecer, então será um teste de mercado para nós globalmente. O preço global será de 3 dólares, sabemos que é um pouco caro, mas o mais importante para nós é fazermos esse teste.

O que o clube pode fazer além de ações em redes sociais para aumentar seu relacionamento com o país?
Há coisa que podemos fazer, já que um terço do elenco é de jogadores brasileiros. Pelo aspecto esportivo e pelo aspecto de engajamento de torcedores, é obviamente importante para nós estabelecermos laços como um clube europeu. Por enquanto estamos testando tecnicamente algumas coisas, mas em breve, esperamos, conseguiremos produzir mais conteúdo local para o Brasil, até porque produzimos muito com os jogadores brasileiros para nossas plataformas em ucraniano e inglês. Pretendemos expandir mais isso, atingindo países que falam português e, especificamente, o Brasil. É algo que temos como objetivo para a próxima temporada.

Cada vez mais há jovens que não necessariamente torcem para um time local, mas acompanham e se declaram torcedores de clubes internacionais. Considera isso uma tendência global?
É algo que clubes globais estão tentando conquistar. Clubes diferentes, com objetivos diferentes. Nosso objetivo é mirar em territórios específicos e, obviamente, não chegar e falar 'olha como somos bons', e sim em como podemos fornecer valor específico para os torcedores nesse país. Estamos trabalhando nisso para os torcedores brasileiros. Você pode assistir vários jogos, então é preciso ter algo a mais. É necessário haver a experiência, apresentar a história, o que o clube significa. Talvez comunicação com os jogadores, com os treinadores, coisas assim, e levar aos torcedores.

Qual é a importância dessa área do marketing no planejamento anual do Shakhtar, considerando o time de futebol?
Sou mais respponsável no marketing pelo engajamento de torcedores, mas pela perspectiva do clube, que já tem muitos jogadores brasileiros, atrair mais no futuro é importante, saber atrai-los, mostrando como é o clube, o que é o Shakhtar. Isso aumenta o engajamento com torcedores e jogadores também.

Há muitos anos o Shakhtar não joga em casa. Por causa dos conflitos no leste da Ucrânia, o clube foi obrigado a se mudar para Kiev. O que tem sido feito nesse período para manter a força competitiva do Shakhtar?
Tem sido muito desafiador. Acho que somos o único clube na Europa, com exceção de equipes locais, que foi forçado a se mudar assim. Especificamente a pandemia nos fez pensar mais em engajamento de torcedores, sem termos nossos fãs nas arquibancadas. Começamos a desenvolver nossa própria plataforma de TV, integrada ao nosso site, importante para os torcedores se comunicarem com os jogadores. Fizemos chamadas de Zoom com os jogadores para os fãs também. Começamos a produzir mais conteúdo de vídeo dos jogadores para os torcedores, porque agora, com a pandemia, não podemos levá-los aos treinos, fazer sessões de autógrafos, mas precisamos manter o engajamento. Isso é desafiador, já que não atuamos em casa e precisamos conquistar novos torcedores, sendo que disputamos com playstations, plataformas diferentes, é bem desafiador. 

Você considera o Shakhtar um clube internacional atualmente?
Nós precisamos ser um clube internacional, porque é a única forma de permanecermos relevantes e ser competitivos. A indústria esportiva se volta cada vez mais para o entretenimento esportivo. Precisamos se capazes de realizar muitas coisas além dos resultados esportivos. Em comparação aos grandes clubes, obviamente não temos o orçamento que eles possuem, então precisamos ser muito certeiros em como fazer e o que fazer. Em termos de marketing, temos que descobrir entre os segmentos de fãs o que funciona para nós. Como disse, não estamos disputando apenas com os clubes grandes, mas também com playstations, serviços de streaming, plataformas de jogos, é incrivelmente desafiador.

Espera voltar em breve para Donetsk?
Com certeza. É algo que muitas pessoas realmente querem que aconteça, mas é algo que está fora de nosso controle. Estamos representando todo um país, não apenas uma parte. A missão do clube é representar todo país e, tomara, algum dia vamos voltar um dia. É o que nós esperamos.

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Quatro das cinco grandes ligas europeias formam as semifinais de Champions e Europa League

Gustavo Hofman

Jogadores do Villarreal comemoram a classificação para as semifinais da Europa League
Jogadores do Villarreal comemoram a classificação para as semifinais da Europa League Divulgação

Premier League, LaLiga, Serie ALigue 1 formarão as semifinais de Champions League e Europa League nesta temporada. Com a definição, nesta quinta-feira, dos últimos classificados, apenas representantes das cinco grandes ligas europeias garantiram vaga, com exceção da Bundesliga.

Pela Europa League, Arsenal e Manchester United eliminaram Slavia Praga e Granada sem dificuldades. Enquantos os Gunners empataram na ida em casa em 1 a 1, na volta sobraram com 4 a 0 no placar. Resultado que foi o agregado dos Red Devils contra o estreante em competições continentais e surpreendente Granada.

O Villarreal não conseguiu ampla vantagem, mas na prática avançou para as semifinais sem muitas dificuldades contra o Dinamo Zagreb. Vitórias por 1 a 0 na Croácia e 2 a 1 na Espanha. Já a Roma sofreu mais contra o Ajax: após vencer em Amsterdã por 2 a 1, empatou no Estádio Olímpico em 1 a 1 nesta quinta.

Arsenal e Villarreal voltam a se enfrentar em semifinal continental. Na temporada 2005-06, pela Champions League, os ingleses venceram por 1 a 0 a ida em Highbury, gol de Kolo Touré. Na volta, viram Juan Román Riquelme perder um pênalti no último minuto e manter o 0 a 0 no placar. Além disso, jogaram pelas quartas de final da Champions também em 2008-09 - mais uma vez com classificação dos londrinos.

O Submarino Amarillo é recordista de jogos na Europa League com 86, 11 a mais que o segundo colocado, Red Bull Salzburg (contando a partir da fase de grupos), além de vitórias (48) e gols (149). Unai Emery soma 90 jogos na Europa League, 30 a mais do que qualquer outro treinador. Foi tricampeão com o Sevilla de 2013-14 a 2015-16 e vice com o Arsenal em 2018-19.

United e Roma também já se enfrentaram em quartas de final da principal competição de clubes do planeta, mas jamais pelas semifinais. Em 2006-07 e 2007-08, duas classificações dos Red Devils, incluindo a histórica goleada de 7 a 1 em 2008. Houve também dois confrontos pela fase de grupos dessa temporada, sem vitória italiana. Esta será a 18a vez do United em semifinais continentais (incluindo Copa das Feiras), marca que o deixa entre os ingleses atrás apenas do Liverpool com 19.

Pela Champions, os duelos envolvem Ligue 1 x Premier League (PSG x Manchester City) e também LaLiga x Premier League (Real Madrid x Chelsea). Na temporada passada, somando as duas competições, a Bundesliga teve dois representantes, contra dois da França e um de Espanha, Inglaterra, Itália e Ucrânia - única fora das cinco grandes ligas europeias.

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Antes de definir vaga nas semifinais da Europa League com o Arsenal, Slavia Praga encaminhou o tricampeonato tcheco no dérbi contra o Sparta

Gustavo Hofman

Jogadores do Slavia celebram vitória no dérbi contra o Sparta
Jogadores do Slavia celebram vitória no dérbi contra o Sparta Divulgação

São 125 anos de rivalidade e jogos entre si. No domingo, foi disputado o 298º dérbi de Praga entre Slavia e Sparta, um dos clássicos mais tradicionais de toda Europa. A vitória do Slavia por 2 a 0 ampliou a vantagem da equipe na liderança do Campeonato Tcheco para 17 pontos sobre o grande rival, faltando oito rodadas para o término da competição.

Atual bicampeão nacional, a equipe tem dominado o cenário local e apresentado ótimo desempenho internacional. Na temporada passada fez grandes jogos contra Barcelona, Internazionale e Borussia Dortmund pela Champions League. Em 2018-19 caiu apenas nas quartas de final da Europa League diante do Chelsea e nesta quinta-feira recebe o Arsenal, após empate em 1 a 1 na ida, para tentar a classificação para as semifinais.

Por isso o treinador Jindrich Trpišovský (lê-se Indrijirr Tripshovski), no cargo desde 22 de dezembro de 2017, poupou alguns titulares no domingo. Na comparação com o time que entrou em campo em Londres, foram quatro alterações. Manteve o padrão tático bem estabelecido do Slavia com o 4-3-3 na fase ofensiva e a variação para o 4-1-4-1 sem a bola, mas com linhas bem altas de marcação. O Sparta, do técnico Pavel Vrba, que assumiu há apenas dois meses, se posicionou no 4-2-3-1 quando atacava e usou o 4-4-2 na fase defensiva.

Jogando como visitante, o Sparta começou melhor e poderia ter aberto o placar nos primeiros dez minutos com uma chance clara de gol, evitada pelo goleiro Ondrej Kolar em finalização de Adam Hloek. A partir da metade do primeiro tempo, a partida ficou mais equilibrada, com oportunidades dos dois lados, e assim permaneceu na segunda etapa. O equilíbrio também pode ser constatado pelas estatísticas finais: o Slavia teve um pouco mais da posse de bola (53,5%) e uma finalização a mais (10 x 9, 4 x 3 no alvo). Foi também um jogo muito travado, com 45 faltas no total, apesar da boa técnica das duas equipes, além da organização tática.

O primeiro gol saiu aos 45 minutos, após pressão do Slavia e o erro forçado na saída de bola do Sparta. Após a cobrança de lateral, Tomás Holes e o romeno Nicolae Stanciu tabelaram na entrada da área e o lateral tcheco bateu no canto. Já o segundo tem uma história especial. Não tanto pelo gol em si, absolutamente normal - cruzamento na área, bate-rebate, domínio, giro e finalização -, e sim pelo autor. Stanislav Tecl é um atacante de 31 anos, reserva na maioria dos jogos do Slavia e há muito tempo no clube. Ele entrou em campo aos 23, no lugar de Ondrej Lingr, e 13 minutos depois marcou o primeiro gol dele em um dérbi contra o Sparta. Motivo de muita alegria para o veterano jogador. "Estou esperando por isso há muito tempo. É algo com o qual eu sonhava desde criança, e hoje se tornou realidade", disse Tecl após a partida.

Tecl comemora o gol marcado no clássico
Tecl comemora o gol marcado no clássico Divulgação

Na história, o domínio é do Sparta Praga, 12 vezes campeão tcheco e outras 24 tchecoslovaco. Sempre foi o maior e mais popular clube do país, mas não é campeão nacional desde 2014. De lá para cá, viu a ascensão do Viktoria Plzen e o domínio recente do Slavia. Como Tchecoslováquia, o país foi duas vezes vice-campeão mundial (1934 e 62) e conquistou a Eurocopa de 1976. Nos anos 1990, teve uma geração extremamente talentosa com Pavel Nedved, Karel Poborsky e Patrik Berger, segunda colocada na Euro de 1996. Após o bom time dos anos 2000, que contava com Petr Cech, Tomás Rosicky, Milan Baros e os veteranos remanescentes da década anterior, a seleção vive entresafra de talentos. Não vai a uma Copa do Mundo desde 2006 - aliás, única como Tchéquia.

O Slavia tem colaborado demais com a seleção. Além de fornecer muitos jogadores, recentemente passou a exportar também, casos de Vladimír Coufal e Tomás Soucek, negociados com o West Ham e titulares na equipe inglesa. A experiência internacional para os atletas tchecos é fundamental, já que a liga local apresneta nível bem inferior aos melhores campeonatos da Europa. São 18 times na primeira divisão, aumento de dois em relação à temporada anterior, já que não houve rebaixamento por causa da pandemia de coronavírus. Turno e returno como fórmula de disputa e rebaixamento dos três últimos. Campeão e vice vão para a segunda fase preliminar da Champions League, terceiro e quarto para o mesmo estágio da Europa League.

Na Tchéquia, assim como na maioria dos países, ainda não há permissão para público nas arquibancadas. Em breve, quando isso puder acontecer novamente, o dérbi retomará o clima espetacular criado pelas torcidas de Slavia e Sparta no estádio e também pelas ruas da belíssima Praga.

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Favoritos ao título, curiosidades, adversários mais difíceis para os brasileiros... Definida a fase de grupos da Libertadores!

Gustavo Hofman

Definidos (ou quase) os grupos da Conmebol Libertadores, projeções sobre a vida dos clubes brasileiros na principal competição das Américas começam. Vale ressaltar a especificidade única desta edição do torneio, que será marcado do início ao fim pela pandemia de coronavírus - o que resultará, na prática, com mandos de campo alterados e muitos desfalques.

No grupo A, Palmeiras e Defensa y Justicia-ARG fazem os duelos dos campeões continentais de 2020 e em disputa pela Recopa. Há um time inferior aos demais, o Universitario-PER, mas uma terceira força que virá da terceira fase preliminar. Independiente del Valle-EQU ou Grêmio entrará na chave para brigar pela classificação.

O Internacional teve, teoricamente, vida menos complicada com o sorteio das bolinhas. Enfrentará um gigante do continente, o tricampeão Olimpia-PAR, terá um deslocamento para Táchira, na Venezuela, casa do Deportivo-VEN, e jogará com a grande sensação boliviana, o Always Ready-BOL - clube bancado pelo empresário Fernando Costa Sarmiento, que se tornou presidente da federação boliviana e deixou a equipe sob comando do filho Andrés. Os bolivianos contarão com os quase 4 mil metros de altitude em Potosí.

Assista e conheça os adversários do Flamengo na Libertadores-2021


O grupo C tem um claro favorito, o Boca Juniors, e fica no aguardo do segundo, provavelmente o Santos, que deve eliminar o San Lorenzo após o 3 a 1 da ida. Viagem para as nuvens, em La Paz, e para o nível do mar, em Guaiaquil - casa do Barcelona-EQU. Confirmada a classificação santista, haverá a reedição da semifinal da temporada passada.

Já o Fluminense caiu na chave mais difícil. O River Plate-ARG é um dos favoritos ao título da Libertadores, não apenas de sua chave. Marcelo Gallardo perdeu jogadores importantes, mas segue com uma base fortíssima. O Independiente Santa Fe-COL é o atual vice-campeão colombiano e conta com bons valores individuais, como o meio-campista Kelvin Osorio, artilheiro do time no atual Campeonato Colombiano com seis gols, e o lateral-esquerdo Dairon Mosquera, já bem rodado no futebol latino-americano, que lidera a equipe em assistências com três. Isso sem falar em Sherman Cárdenas, reforço de 2021. Todos sob o comando de Harold Rivera, que assumiu o Santa Fe em agosto de 2019, após subir com o Unión Magdalena e ter trabalhado com as seleções sub-15 e sub-17 da Colômbia.

Por fim, Bolívar-BOL e Junior de Barranquilla-COL jogam ainda para definirem o último classificado - na ida, em La Paz, vitória boliviana por 2 a 1.O  Bolívar foi o terceiro colocado do Apertura e em dezembro anunciou a contratação do treinador espanhol Natxo González, ex-Tondela (Portugal), Deportivo de La Coruña, Zaragoza, entre outros clubes. Ele é o sexto técnico espanhol na história do clube. Já o Junior ficou em primeiro lugar no geral, fora campeão e vice do Colombiano. Possui base já bem conhecida, com o goleiro uruguaio Sebastián Viera e o atacante colombiano Téo Gutiérrez. No ano passado, ficou em terceiro no grupo de Flamengo e Independiente del Valle e depois caiu nas quartas da Copa Sul-Americana para o Coquimbo Unido, do Chile. O time é comandado desde o final do ano passado por Luis Perea, 42 anos, zagueiro do Atlético de Madrid por muito tempo, que passou de assistente técnico a substituto do veterano Julio Comesaña.

O grupo E tem o São Paulo, de Hernán Crespo, como principal força. Naturalmente o Racing-ARG aparece como principal candidato à disputa pela ponta, mas com os dois bem à frente de Rentistas-URU e Sporting Cristal-PER. Os uruguaios, vice-campeões nacionais, ajudaram o time tricolor, porque ao se garantirem na decisão do Uruguaio, fizeram do São Paulo cabeça de chave na Libertadores pelo ranking da Conmebol. Quem tem "vínculo" com o representante brasileiro também é a equipe peruana. O Sporting Cristal, vice-campeão da Libertadores em 1997, é treinado desde o ano passado pelo colombiano naturalizado peruano Roberto Mosquera, em sua segunda passagem pelo clube, onde já conquistou dois títulos nacionais. Mosquera classificou o Binacional para a Libertadores do ano passado, mas deixou o clube antes do torneio e não teve a chance de treinar o time contra o São Paulo.

Assista e conheça os adversários do Palmeiras na Libertadores-2021


O grupo F é o único sem times brasileiros. Toda tradição do Nacional-URU, tricampeão continental, está presente na chave. Nesta sexta-feira (9), el Bolso anunciou a contratação do técnico Alejandro Capuccio. Ele assume no lugar de Martin Ligüera, que estava interinamente no cargo desde o final de março, após a demissão de Jorge Giordano, e treinou em apenas quatro jogos - suficiente para ser campeão uruguaio. O veterano atacante argentino Gonzalo Bergessio, de 36 anos, ainda é a referência ofensiva. Há bons jovens como o lateral-esquerdo Agustín Oliveros, de 22 anos, e o meio-campista Gabriel Neves, de 23 - responsável pela saída de bola da equipe. Além do goleiro Sergio Rochet, todos com convocações pela seleção uruguaia. Universidad Católica-CHI e Argentinos Juniors-ARG já estão garantidos na chave e também aguardam quem passar de Libertad-PAR e Atlético Nacional-COL - 1 a 0 para os paraguaios na ida. A equipe colombiana é comandada pelo experiente Alexandre Guimarães, brasileiro naturalizado costarriquenho, ex-técnico da Costa Rica e do Panamá. Jonatan Álvez, ex-Internacional, é o centroavante.

Por fim, grupos G e H, de Flamego e Atlético Mineiro. Os rubro-negros, principais favoritos ao lado de Palmeiras e River Plate, jogarão contra LDU-EQU, Vélez Sarsfield-ARG e Unión La Calera-CHI (clube no qual joga Jorge Valdivia). Os equatorianos têm um ótimo time, comandado por Pablo Repetto, técnico uruguaio, desde 2017. Cristian Martínez é um dos artilheiros do Campeonato Equatoriano com cinco gols em seis rodadas. Jhojan Julio, 23 anos, e Billy Arce, 22 e emprestado pelo Brighton, são outros destaques ofensivos - o último revelado pelo Independiente del Valle. Já os argentinos possuem no banco uma atração: Mauricio Pellegrino chegou ao Vélez em abril do ano passado para substituir Gabriel Heinze. Foi o retorno dele ao futebol sul-americano após cinco anos na Europa, onde comandou Alavés (vice-campeão da Copa do Rei 2016-2017), Southampton e Leganés. Pellegrino era zagueiro do time campeão em 1994 em cima do São Paulo com Carlos Bianchi como técnico. Juan Martín Lucero está emprestado pelo Tijuana é faz grande temporada, com três gols e quatro assistências até aqui na Argentina. Quem também faz parte da equipe é Ricardo Centurión, ex-atacante do São Paulo.

O Galo tem a qualidade necessária para entrar no top 3 de favoritos. O investimento realizado tem isso como objetivo claramente, ou seja, disputar o título da Libertadores. Nacho Fernández tem sido um dos melhores jogadores do continente nos últimos anos, Hulk é um reforço internacional e assim segue na análise individual do fortíssimo elenco do Atlético. Vai medir forçar com Cerro Porteño-PAR, clube que mais vezes disputou a Libertadores e jamais foi campeão, América de Cali-COL e Deportivo La Guaira, da Venezuela.

O cobiçado troféu da Libertadores da América
O cobiçado troféu da Libertadores da América Amilcar Orfali/Getty Images
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Maior ídolo do futebol macedônio, Goran Pandev também é presidente de clube no país

Gustavo Hofman

Goran Pandev é o maior jogador da Macedônia do Norte em todos os tempos. Na última data FIFA, marcou um dos gols na vitória histórica sobre a Alemanha, por 2 a 1, pelas eliminatórias europeias para a Copa do Mundo. Aos 37 anos, defende o Genoa, segue em alto nível, sonha com a classificação de seu país para o Mundial, mas já se prepara para a disputa da próxima Euro. Sabe, no entanto, que o fim da carreira está próximo.

Quando isso acontecer, Pandev já tem emprego garantido. Ele é o presidente e fundador da Akademija Pandev, um clube profissional de seu país e que desde 2017 frequente a primeira divisão. Neste final de semana, a equipe entrou em campo fora de casa contra o Makedonija GP e conquistou importante vitória por 2 a 1. Após início ruim na temporada, a Akademija Pandev já não perde há cinco rodadas e conseguiu abrir pequena vantagem sobre os adversários na luta contra o rebaixamento.

Vitória por 2 a 1 sobre o Makedonija manteve a boa fase da Akademija Pandev
Vitória por 2 a 1 sobre o Makedonija manteve a boa fase da Akademija Pandev Divulgação

O clube surgiu em 2010, quando Pandev era jogador da Internazionale. Praticamente toda trajetória prossional do atacante foi na Itália. Além da Inter, Lazio e Napoli foram outros times marcantes em sua carreira. Na seleção, ele é o recordista de jogos (117) e gols (37), uma verdadeira lenda do futebol macedônio. Obviamente não está presente no dia a dia de seu clube, já que vive e joga na Itália, mas ajuda a tomar as decisões.

"Eu me comprometi com muitas coisas na Macedônia, coisas grandes como um clube de futebol e um centro esportivo. Tenho que dizer que é muito difícil cuidar do trabalho na Macedônia a partir do exterior. Tenho contatos diários com as pessoas do clube e tento ajudar o máximo que posso em algumas decisões", explicou Pandev em entrevista ao site Macedonian Football, no final de 2020. Quem joga pelo time é o irmão mais novo de Goran, Sasko, que esteve em campo na vitória sobre o Makedonija, saindo do banco. "Falo diretamente com o Sasko e sua ajuda com o clube é de grande importância pra mim. He foi um grande talento e todos imaginavam uma carreira brilhante para ele, mas com a transferência para a Croácia, mudando muito de clubes e sem continuidade e sorte, não alcançou o que se imaginava".

Sasko, de 33 anos, foi revelado pelo Belasica, assim como o irmão. Negociado com o Dinamo Zagreb em 2005 como grande promessa, jamais teve sequência no clube, foi emprestado várias vezes e não justificou as expectativas criadas. Desde 2017 carrega o nome da família no peito e nas costas. Curiosamente, a Akademija Pandev se tornou rival, justamente, do Belasica (lanterna do campeonato), com quem divide o estádio Blagoj Istatov em Strumica.

O técnico da equipe é o ex-zagueiro Aleksandar Vasoski, de 41 anos, que jogou por muito tempo no Eintracht Frankfurt e foi companheiro de Goran na seleção. Ele comemorou quando, aos cinco minutos, Mario Krtovski abriu o placar contra o Makedonija, na capital Skopje, com bela cabeçada após cruzamento da direita. O segundo gol veio ainda no primeiro tempo, aos 26, de novo com Krtovski e mais uma vez de cabeça, mas depois de bola alçada na área pelo lado esquerdo. O Makedonija, que conta com três brasileiro (Fernando Augusto, Charleston e Robson) conseguiu diminuir apenas na segunda etapa, com Samir Fazli aos 16 minutos.

A 25a rodada do Campeonato Macedônio teve ainda a vitória do líder Shkendija por 2 a 1 sobre o Sileks, derrota do vice-líder Shkupi para o Renova também por 2 a 1, além do maior clássico do país, Pelister 2x0 Vardar. São dez pontos de vantagem na ponta da tabela, com oito rodadas para o fim da competição. Trata-se de realidade bem diferente da vivida por Goran Pandev ao longo da carreira. Ao invés de grandes e monumentais estádios, campos ruins e arquibancadas simples. Cenário que ele conhece muito bem e quer ajudar a mudar com sua academia.

Goran Pandev posa na foto oficial do time para a temporada
Goran Pandev posa na foto oficial do time para a temporada Divulgação

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Real Sociedad vence o maior dérbi basco de todos os tempos e volta a ser campeã após 34 anos

Gustavo Hofman

Real Sociedad venceu o Athletic por 1 a 0 e se tornou campeã da Copa do Rei 2019-20
Real Sociedad venceu o Athletic por 1 a 0 e se tornou campeã da Copa do Rei 2019-20 Divulgação

Quando Real Sociedad e Athletic se classificaram para a final da Copa do Rei na temporada 2019-20, jamais imaginariam que precisariam esperar tanto tempo para entrarem em campo. Esperaram, aguardaram pela possibilidade de terem suas torcidas nas arquibancadas, torceram por isso. Não foi possível.

Em um belo e vazio La Cartuja, a Real Sociedad derrotou o Athletic por 1 a 0 e levantou a taça neste sábado. Venceu o maior dérbi basco de todos os tempos e voltou a ser campeã após 34 anos.

A pandemia de coronavírus impediu muitas festas no futebol nos últimos 12 meses. O título do Liverpool na Premier League é um dos maiores exemplos, justamente pela similaridade com o que aconteceu com os txuri-urdin (brancos e azuis em basco). Jejum enorme, torcedores ansiosos pela conquista e a necessidade de ficarem em casa. Houve desrespeito aos pedidos em ambos casos, mas sem o inferno provocado pela COVID-19 a festa seria espetacular.

Não apenas em San Sebastián, uma das cidades mais bonitas da Espanha, mas também pelas rodovias que ligam Euskadi à Andaluzia, que teriam conduzido dezenas de milhares de apaixonados para Sevilha, palco da decisão. Certamente eles teriam, também, transformado o jogo. Faltou a energia da torcida em uma final.

Não foi uma grande partida de futebol. Pouquíssimas chances de gol, duas equipes muito preocupadas em não se exporem, arriscando ao mínimo. A Real Sociedad faz uma temporada melhor na comparação direta com o Athletic. Imanol Alguacil está no cargo há três anos, enquanto Marcelino García Toral assumiu em janeiro, no lugar de Gaizka Garitano - que comandou o time em toda campanha. Há mais valores individuais do lado azul e branco, com Mikel Oyarzabal, David Silva e Alexander Isak, por exemplo.

Jogadores da Real Sociedad levantam taça da Copa do Rei e fazem a festa; lenda do Bilbao vê e aplaude

Os dois rivais tiveram ao longo da história grandes confrontos. Como no início da década de 1980, quando dominaram o futebol espanhol. A Real ganhou a temporada 1981-82 com uma vitória no antigo estádio Atotxa por 2 a 1 sobre o Athletic. O troco aconteceu em 1983-84, com o 2 a 1 dos bilbaínos no antigo San Mamés e a conquista de LaLiga. Jamais, no entanto, tinham se enfrentado diretamente por uma taça.

Machucado, capitão da Real Sociedad larga muletas e sobe escadas com ajuda para receber troféu da Copa do Rei

No final das contas, um troféu que premia um time bem organizado, que preza pelo futebol ofensivo. Começou muito bem em LaLiga, caiu de produção, mas se recuperou e permanece na briga por vaga em Champions League. Carrega a Copa do Rei novamente para o País Basco e leva alegria a uma torcida carente de conquistas. A emoção de Oyarzabal na entrevista depois do jogo e o esforço do lesionado Ilarramendi para subir os degraus das arquibancadas e receber a taça expressam bem o significado do futebol para a comunidade txuri-urdin.

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O exemplo armênio da globalização do futebol

Gustavo Hofman

Henrikh Mkhitaryan é um bom exemplo da globalização do futebol. Jogador armênio, com passagem na base do futebol brasileiro pelo São Paulo, destacou-se na Ucrânia pelo Shakhtar Donetsk, ganhou fama internacional no Borussia Dortmund, jogou a Premier League por Manchester United e Arsenal, atualmente vive e joga em Roma. Sem dúvida alguma, é o jogador nascido na Armênia mais famoso da atualidade e, provavelmente, em toda história pela carreira construída.

Poucos dias antes de se apresentar à seleção neste mês para o início das eliminatórias europeias para a Copa do Mundo, Mkhitaryan sofreu uma lesão muscular. Terrível notícia para uma equipe que jamais disputou uma competição internacional importante e que, na prática, tem história curta ainda - o futebol armênio passou a se organizar de maneira independente somente a partir de 1992, com a dissolução da União Soviética. O sorteio colocou os armênios no grupo J, no qual o favoritismo pertence à Alemanha e há muito equilíbrio entre as demais equipes.

Na estreia, no último dia 25, vitória magra fora de casa sobre Liechtenstein por 1 a 0, graças a um gol contra aos 42 minutos do segundo tempo. Três dias depois, na capital Yerevan, 2 a 0 sobre a Islândia, participante da última Euro. Nessa quarta (31), fechando a data Fifa, triunfo emocionante por 3 a 2 contra a Romênia, com os gols da virada marcados aos 41 (impedido, é verdade) e 44 (pênalti) da etapa final. Nove pontos em três jogos e liderança surpreendente na chave, graças também à outra surpresa: derrota alemã para a Macedônia do Norte. Tudo isso alcançado sem seu melhor jogador, que já disputou 88 jogos com a seleção e marcou 30 gols.

Inacreditável! Alemanha perde para a Macedônia; assista


Resultado da globalização

A globalização do futebol tem permitido a evolução de nações periféricas no mundo da bola. Luxemburgo, por exemplo, outra surpresa deste início de eliminatórias - 1 a 0 sobre a Irlanda e derrota cara por 3 a 1 contra Portugal - possui atletas de relevância em nível intermediário europeu. O atacante Gerson Rodrigues defende o Dínamo de Kiev (Ucrânia), Christopher Martins atua no Young Boys (Suíça), o jovem Leandro Barreiro está na Bundesliga, em que joga pelo Mainz, e o zagueiro Maxime Chanot veste a camisa do New York City na Major League Soccer.

A internacionalização de atletas desses países permite às respectivas seleções maior aproveitamento da experiência deles em centros desenvolvidos de futebol. Algo que não aconteceria se permanecessem jogando em Luxemburgo ou na Armênia, por exemplo. Isso agrega ao time nível de competitividade que jamais alcançaria apenas com atletas locais.

Em 5 de outubro de 2019, Sargis Adamyan colocou seu nome na história do Hoffenheim. Ele marcou os dois gols na vitória sobre o Bayern por 2 a 1, pela Bundesliga, em plena Allianz Arena. Foi a primeira vez que o Hoffenheim bateu o gigante da Baviera em seu campo. Ele foi titular nas duas primeiras partidas da Armênia e entrou no intervalo da terceira. Não marcou, mas traz para o grupo de jogadores a experiência de estar entre os melhores do continente semanalmente.

O companheiro de ataque de Adamyan nas duas vitórias iniciais foi Norberto Alejandro Briasco Balekian - substituído por ele na terceira. O nome latino indica a origem de nascimento do jogador de 25 anos, natural de Buenos Aires e revelado pelo Huracán. Em 2018, foi recrutado pela seleção armênia pela ascendência por parte da mãe. Os dois, além de Mkhitaryan e poucos outros que jogam em ligas mais fortes, formam parte importante do elenco que traz ao grupo qualidade técnica e mentalidade competitiva diferentes. Dos 32 convocados, 19 atuam no Campeonato Armênio, onde a estrutura é absolutamente limitada, e outros seis jogam na Rússia ou no Cazaquistão, espectro soviético.

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Experiente espanhol comanda a Armênia

À frente de todos está um personagem extremamente importante em toda essa história. Desde março do ano passado, o veterano treinador espanhol Joaquín Caparrós é o comandante da seleção. Villarreal, Sevilla, Deportivo La Coruña, Athletic Bilbao e tantas outras equipes da Espanha estão no currículo do técnico de 65 anos. Esta é a primeira vez que ele assume uma seleção, e isso aconteceu em plena pandemia, com pouco tempo de trabalho e enorme dificuldade em reuniar os jogadores. A estreia aconteceu apenas em setembro, derrota para a Macedônia do Norte por 2 a 1 pela Nations League. Depois se recuperou e venceu o grupo que tinha ainda Geórgia e Estônia, pela liga C, e garantiu o acesso. Ao todo, são apenas nove jogos com Caparrós, mas excelente aproveitamento: seis vitórias, dois empates e um único revés.

Em campo o que se vê é um modelo de jogo baseado no 4-4-2, com pressão sobre a saída de bola adversária, organização na recomposição defensiva, compactação sem a bola e transição ofensiva em velocidade. As estatísticas das vitórias nas eliminatórias ajudam a entender a proposta de Caparrós. Contra os romenos, 34,1% de posse de bola e 16 finalizações a gol, sendo oito no alvo. Diante da Islândia, um pouco mais de tempo com a bola (40,5%) e mais uma vez alto número de tentativas a gol (12, seis no alvo). Somente na estreia, contra Liechtenstein, o roteiro da partida foi diferente, com domínio amplo da Armênia, que não permitiu qualquer finalização do adversário e arrematou 26 vezes para o gol, com 69,1% de posse.

Na prática, os itens citados sobre o modelo de jogo aplicado pelo técnico espanhol são básicos e fundamentais para equipes de qualidade técnica limitada, que pretendem ser competitivas em alto nível. Mesmo com os nove pontos somados, os armênios ainda terão árdua missão para buscar uma vaga no Catar em 2022. A tendência é que a Alemanha, já com novo treinador, termine na primeira posição e deixe a briga pela vaga nos playoffs para Armênia, Macedônia do Norte, Romênia e Islândia.

País com cerca de 3 milhões de habitantes, localizado na região do Cáucaso, marcado por guerras e confrontos internos. Se agora a Armênia aparece como "bola da vez" no tema globalização do futebol pelos resultados obtidos, recentemente a Islândia fortaleceu a pauta, assim como em outros momentos da história foram Bósnia, Bulgária e Romênia, para citar apenas algumas seleções europeias. 

Surpresas sempre existiram no futebol e continuarão surgindo. O que aparece, cada vez mais, nesse contexto é a força ascendente de equipes de centros menos tradicionais do futebol, graças ao maior intercâmbio de seus jogadores. Não estamos falando mais apenas de boas gerações ou um grande talento perdido entre atletas medíocres. Há um fortalecimento generalizado, fruto da maior integração futebolística entre as nações. Muito longe de se tornarem potências, mas com potencial para aumentarem as surpresas.

Jogadores armênios comemoram um dos gols sobre a Romênia
Jogadores armênios comemoram um dos gols sobre a Romênia Divulgação

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O exemplo armênio da globalização do futebol

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Nove seleções mantém 100% de aproveitamento com dois jogos nas eliminatórias europeias. Deveriam ser dez...

Gustavo Hofman

Gnabry marcou o gol da vitória alemã contra a Romênia
Gnabry marcou o gol da vitória alemã contra a Romênia Divulgação

Devido à pandemia de coronavírus, as rodadas das eliminatórias europeias para a Copa do Mundo de 2022 terão rodadas triplas. Neste final de semana, em todo continente, aconteceu a segunda. Suécia, Itália, Suíça, Dinamarca, Turquia, Montenegro, Rússia, Inglaterra e Alemanha são as únicas seleções com 100% de aproveitamento em dois jogos.

Zlatan Ibrahimovic mais uma vez esteve em campo e deu assistência na vitória sueca, desta vez sobre Kosovo por 3 a 0, fora de casa. Lidera o Grupo B, à frente da Espanha que, após empatar na estreia com a Grécia, somou três pontos graças a um gol de Dani Olmo, no último minuto, garantir o triunfo sobre a Geórgia por 2 a 1.

A Azzurra ampliou a invencibilidade para 24 jogos com o 2 a 0 sobre a Bulgária. Além disso, a seleção italiana ainda estabeleceu novo recorde histórico para si, com seis partidas seguidas sem sofrer gol como visitante. Italianos e suíços têm seis pontos no Grupo C, graças ao sofrido e inusitado 1 a 0 (Xherdan Shaqiri) da Suíça contra a Lituânia. Além do placar apertado diante um dos times mais fracos do continente, a partida atrasou porque uma das traves precisou ser trocada, já que estava fora das medidas oficiais.

No Grupo F, a maior goleada da competição até aqui: Dinamarca 8x0 Moldávia. Apenas Kasper Dolberg e Mikkel Damsgaard marcaram mais de uma vez, dois gols para cada. Já o Grupo G tem a forte seleção turca na ponta, após o 3 a 0 aplicado na Noruega, com Erling Haaland em campo, no estádio La Rosaleda, em Málaga. Quem divide a liderança é Montenegro, que se aproveitou de duas rodadas iniciais contra adversários fracos (Letônia e Gibraltar). Ambas estão à frente da Holanda, que venceu a primeira ao fazer 2 a 0 nos letões.

Os russos, jogando em Sochi e com dois gols de Artem Dzyuba, bateram a Eslovênia por 2 a 1, adversário direto na briga por uma vaga na Copa de 2022. O primeiro colocado garante lugar no Catar, enquanto o segundo avança para os playoffs. O Grupo H tem ainda a Croácia, atual vice-campeão mundial, que conquistou a primeira vitória. Bateu o Chipre por 1 a 0, em dia histórico para Luka Modric. O meia do Real Madrid atingiu 135 partidas pela seleção e superou Darijo Srna como novo recordista.

Por fim, Inglaterra e Alemanha confirmaram seus favoritismos e venceram suas segundas partidas pelas eliminatórias europeias. Em Tirana, o jogo correu o risco de ser adiado pela alegação da polícia albanesa de que não tinha condições de garantir a segurança das equipes. No final das contas, a partida aconteceu e os ingleses venceram com gols de Harry Kane e Mason Mount. O Grupo I promete uma disputa sensacional até o final, com os bons times de Polônia e Hungria.

Os alemães, em Bucareste, venceram os romenos por 1 a 0, gol de Serge Gnabry. A estreia contra a Islândia (3x0) foi bem convincente, e Joachim Löw repetiu a escalação. Sem ser dominante como no primeiro jogo, Die Mannschaft, mesmo assim, atuou melhor e mereceu a vitória. Manteve a variação tática do 3-5-2 com a bola e 4-4-2 na fase defensiva; correu alguns riscos, mas fez de Florin Nita, goleiro do Sparta Praga, o melhor jogador em campo.

Quem não manteve 100% de aproveitamento, mas deveria, foi a seleção portuguesa. Cristiano Ronaldo marcou o gol da vitória nos acréscimos, mas a arbitragem não viu a bola ultrapassar a linha do gol no Marakana, em Belgrado. Inacreditavelmente, não há VAR ou tecnologia da linha gol disponíveis pela UEFA para as eliminatórias. Assim, com o placar final em 2 a 2, Portugal e Sérvia dividem a liderança do Grupo A com quatro pontos.

Adendo: quem acompanha o blog, já sabe da absoluta imparcialidade na torcida por São Cristóvão e Névis. Pois bem, também estamos com 100% de aproveitamento! Após a vitória por 1 a 0 sobre Porto Rico na estreia, a equipe do técnico brasileiro Léo Neiva fez 4 a 0 contra Bahamas, fora de casa. Vai brigar com Trinidad e Tobago pela primeira posição do Grupo F, único posto que garante classificação a segunda fase.

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Da Suécia de Zlatan Ibrahimovic ao Canadá de Alphonso Davies, um resumão das eliminatórias

Gustavo Hofman

Claesson marcou o gol da vitória da Suécia contra a Geórgia com passe de Ibrahimovic
Claesson marcou o gol da vitória da Suécia contra a Geórgia com passe de Ibrahimovic Divulgação

Um dos games de maior sucesso nos anos 1990 foi FIFA: Road to World Cup 98. O legal do jogo era disputar as eliminatórias para a Copa do Mundo e buscar a classificação. Poderia ser fácil, com a Alemanha por exemplo, ou mais complicado com alguma seleção alternativa. Na vida real, todos lembram bem como terminou aquele Mundial. Agora, para 2022, o caminho começou  para muitas equipes nesta semana. 

A Europa teve a primeira rodada das eliminatórias disputadas. Alguma zebra? Nada alarmante, somente empates de França e Espanha, jogando em casa, contra Ucrânia e Grécia em 1 a 1. A derrota da Holanda para a Turquia por 4 a 2 chama atenção pelo placar, mas não necessariamente pelo resultado.

Portugal venceu o Azerbaijão por 1 a 0 rodando o elenco, enquanto a Bélgica bateu Gales por 3 a 1, a Itália fez 2 a 0 na Irlanda do Norte, a Alemanha venceu tranquilamente a Islândia por 3 a 0 e a Inglaterra com alguns reservas passeou contra San Marino (5x0).

Houve alguns grandes jogos, como os empates em 3 a 3 entre Hungria e Polônia (Robert Lewandowski garantiu co um gol no final) e 2 a 2 entre Escócia e Áustria. A vitória da Sérvia por 3 a 2 sobre a Irlanda também merece destaque. Além disso, vale citar o retorno de Zlatan Ibrahimovic à seleção sueca com assistência no 1 a 0 sobre a Geórgia.

A segunda rodada das eliminatórias da UEFA para a Copa do Catar já acontece neste domingo. Ao todo são dez grupos nesta primeira fase, com os primeiros colocados garantindo vaga no Mundial. Os times na segunda posição das chaves avançam para os playoffs, com mais dois oriundos da Nations League, em três novos grupos.

Seleção canadense quer jogar sua segunda Copa, após participação em 1986
Seleção canadense quer jogar sua segunda Copa, após participação em 1986 Divulgação

A bola não rolou apenas na Europa com os olhos voltados para 2022. A Concacaf deu início ao seu torneio também. Por lá, formato bem diferente: primeira fase com seis grupos de cinco seleções, com a primeira de cada avançando. Na segunda, mata mata entre todos, para definir os três que irão à terceira fase com Costa Rica, Estados Unidos, Honduras, Jamaica e México.

Assim, o mundo alternativo predomina nesse momento nos jogos na América Central e do Norte. A história de São Cristóvão e Névis já foi relatada neste blog, que se declara totalmente parcial na torcida pelos são-cristovenses, que venceram na estreia Porto Rico por 1 a 0.

Curaçao, do técnico holandês Guus Hiddink, começou a trajetória com um 5 a 0 contra São Vicente e Granadinas. Com menos gols, Trinidad e Tobago bateu Guiana por 3 a 0 mesmo placar para o Suriname contra as Ilhas Cayman. São duas seleções com muitos jogadores de dupla cidadania.

Mesmo entre tantas partidas "fora do eixo", é possível encontrarmos alguns dos principais jogadores do futebol mundial. Alphonso Davies, atleta do Bayern, liderou o Canadá na goleada sobre Bermuda por 5 a 1. Toda criação ofensiva da equipe passa pelos seus pés, mas o grande destaque foi o atacante Cyle Larin, do Besiktas, com um hat-trick.

Por fim, houve um jogo isolado das eliminatórias asiáticas. Nesta quinta, pelo Grupo F da segunda fase, o Tadjiquistão bateu a Mongólia sem dificuldades por 3 a 0. Pela primeira vez os mongóis conseguiram avançar, após eliminar Brunei no playoff inicial. Agora, apenas cumprem tabela em uma chave com o Japão, virtualmente classificado, e os tajiques na briga com uzbeques pela segunda vaga.

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No menor país da América, treinador brasileiro inicia 'missão impossível' em busca de vaga na Copa

Gustavo Hofman

São apenas 53 mil habitantes em 261 km2 de terra. Não há país soberano menor na América, em população e território, do que São Cristóvão e Névis. A vida é calma e pacata, como em uma cidade do interior do Brasil. As praias são belíssimas e o governo local, nos últimos meses, combateu a pandemia de Coronavírus com seriedade, baseado na ciência. Foram confirmados apenas 44 casos positivos de COVID-19 em todo período, sem qualquer óbito, segundo dados da Organização Mundial da Saúde.

São Cristóvão e Névis, desde 1983 quando conquistou a independência dos britânicos, faz parte dos Reinos das Comunidades das Nações, logo tem a rainha Elizabeth II como monarca. De qualquer modo, o estado é independente e mantém a economia forte para uma nação tão pequena - 45º melhor PIB per capita no mundo, pouco superior a 19 mil dólares. O futebol, no entanto, ainda precisa evoluir muito.

As duas ilhas, São Cristóvão e Névis, que compõem o país estão localizadas no Caribe
As duas ilhas, São Cristóvão e Névis, que compõem o país estão localizadas no Caribe Divulgação

O futebol local é semiprofissional, ou seja, os atletas possuem um emprego além de jogarem bola. Há um campeonato nacional, com dez times e nome pomposo (Premier League), mas a seleção jamais alcançou qualquer feito notório. A maior conquista pode ser considerada a classificação para a terceira fase das eliminatórias da Concacaf para a Copa de 2006. Terminou massacrada por México e Trinidad e Tobago, que avançaram, e ainda perdeu ambos jogos para São Vicente e Granadinas. Além disso, há um vice-campeonato da extinta Copa do Caribe em 1997.

A Associação de Futebol de São Cristóvão e Névis, para tentar mudar essa realidade, deu um passo importante em fevereiro deste ano, ao contratar o técnico brasileiro Léo Neiva. Carioca, 43 anos, larga experiência na África e na América Central, o treinador aceitou o desafio de conduzir a seleção são-cristovense em uma missão quase impossível, ainda mais em pleno cenário de pandemia no mundo.

"A preparação não está sendo ideal devido ao COVID. As restrições da ilha são muito fortes e exigentes. Não pudemos, por exemplo, fazer amistosos internacionais, porque qualquer seleção que viajasse para lá teria que fazer quarentena de 14 dias, e nós também se jogássemos fora. A preparação começou há duas semanas, apenas". Léo se refere ao país como "lá", porque a seleção de São Cristóvão e Névis irá estrear, contra Porto Rico, nas eliminatórias para o Mundial de 2022 na República Dominicana, como mandante. "Nós viemos para a República Dominicana para podermos chamar os jogadores internacionais. Perdemos o mando de campo, que seria em São Cristóvão. Viemos jogar em campo neutro, como se fosse uma bolha, e conseguimos chamar os atletas que atuam na Inglaterra. Mesmo assim já perdi três, dois por COVID e um por lesão", completa.

Léo Neiva assumiu a seleção de São Cristóvão e Névis no final de fevereiro
Léo Neiva assumiu a seleção de São Cristóvão e Névis no final de fevereiro Divulgação

Quando a Jamaica surpreendeu o mundo e se classificou para a Copa do Mundo de 1998, uma mudança importante aconteceu no futebol caribenho. Renê Simões, treinador brasileiro dos Reggae Boys, foi um dos precursores na busca por jogadores de dupla nacionalidade. Ou seja, filhos e netos de caribenhos que migraram para a América do Norte ou Europa. "Encontrei bar man, motorista de táxi, desempregados, semiamadores no futebol. Os jogadores treinavam só à tarde e não eram pagos mensalmente. Criamos o projeto de adoção de atletas por empresas, pagávamos mil dólares mensais. A empresa podia usar a imagem do jogador. Com isso, criamos a seleção permanente e viajamos a 28 países em todos os continentes, internacionalizando a experiência dos atletas. Depois, já na terceira fase de classificação, trouxemos três jogadores da primeira divisão da Inglaterra, filhos de jamaicanos, mas que nasceram lá", lembra Renê Simões. "Hoje, a seleção jamaicana tem quase todo o elenco jogando fora do país. Esse tem que ser o caminho de outras seleções".

O principal jogador são-cristovense é o meio-campista Romaine Sawyers, de 29 anos, que defende o West Brom na Premier League. "Quando eu tinha 14 anos eles contataram o West Brom para verificar se havia uma ligação. Havia, mas naquela época, o West Brom não queria que eu desse esse passo. Entre 16 e 19 anos apareci em listas da seleção inglesa. Pela perspectiva do clube, como um produto, é melhor se você joga pela Inglaterra, acrescenta mais valor", contou Sawyers em entrevista de 2017 ao portal MyLondon.

Em 2012, porém, ele deu o passo seguinte. O jogador aceitou a convocação de São Cristóvão e Névis para as eliminatórias olímpicas, pelo time sub-23. Na sequência passou a ser convocado, naturalmente, para a seleção principal e se tornou uma referência para o futebol no país. O meio-campista, pelas regras impostas pelo governo britânico devido à pandemia de Coronavírus, não pôde se apresentar ao técnico Léo Neiva e desfalcará a equipe contra Porto Rico e Bahamas, segundo adversário na rodada da data FIFA, fora de casa.

Para a estreia contra os porto-riquenhos nesta quarta-feira, Léo Neiva já sabe como vai armar o time. "Duas linhas de quatro, bloco médio, vou esperar o adversário, até porque Porto Rico está se preparando há muito tempo. Fizeram três amistosos internacionais e, em níveis físico e tático, estão à frente. Busco um futebol mais vertical, minha ideia é chegar no campo adversário com o menor número de passes possíveis, até para não me expor". A missão é complicadíssima, pelo nível de um dos adversários do grupo. "Trinidad e Tobago é a mais forte, com nome internacional, seus jogadores competem nos torneios mais pesados. Além disso, possuem experiência de Copa do Mundo e estão com um trabalho desde setembro. A Guiana tem um técnico brasileiro, Márcio Máximo, que está no cargo há dois anos, com trabalho consolidado". Bahamas é a quinta seleção no grupo F da primeira fase das eliminatórias da Concacaf, onde apenas o vencedor de cada chave segue em frente.

São Cristóvão e Névis mantém scouts fixos na Inglaterra, no Canadá e na Escócia. A busca por atletas que possuam origem familiar no país é constante. "Acabaram de mapear um jogador que é capitão do Leicester sub-23. Já vai ser chamado para a próxima rodada. Menino de 23 anos, imagina a base e a filosofia de trabalho que ele tem? Totalmente diferente do jogador local. Meu objetivo é diminuir essa diferença. O jogador local tem habilidade natural, absurda, mas a parte tática é muito pobre. Jogam um futebol muito velho. A primeira linha de quatro não sobe, jogadores ficam estáticos. Parece o futebol inglês dos anos 1960, 70", relata Neiva. Dos 23 convocados finais, 11 são locais e 12 internacionais. "Pra ser titular, temos apenas dois ou três locais. Meu objetivo é desenvolver o jogador local, para que ele tenha chance de jogar pela seleção e também para tirar o atleta de fora da zona de conforto".

Léo Neiva, que terá o preparador de goleiros brasileiro Gerhard Benthin Jr. ao lado no desafio caribenho, possui uma trajetória curiosa no futebol. Ex-jogador profissional, parou cedo de jogar e iniciou a carreira na comissão técnica do América, no Rio, em 2007, time que tinha Júnior Baiano, entre outros. Foi para a África do Sul contratado para trabalhar na base do Platinum Stars e ficou lá por dois anos. A partir daí acumulou experiências na Tanzânia, em Mianmar, na Tailândia e na Jamaica. No futebol jamaicano, foi campeão nacional no comando do Montego Bay United na temporada 2015-16.

Jamaica enfrentou Croácia, Argentina e Japão na fase de grupos da Copa de 1998
Jamaica enfrentou Croácia, Argentina e Japão na fase de grupos da Copa de 1998 Divulgação

A chegada a São Cristóvão e Névis aconteceu há apenas um mês, sendo que as duas primeiras semanas foram de quarentena. Na prática, teve pouco tempo com os jogadores locais e conheceu, pessoalmente, os internacionais nos únicos treinos antes da partida contra Porto Rico, já na República Dominicana. "A gente consegue acompanhar a minutagem do jogador de fora, passes certos, passes errados, finalizações... Inclusive está vindo um jogador de Honduras, que seria opção para banco, porque o titular é da Inglaterra. Mas pelo acompanhamento do Wyscout (sistema profissional de scout no futebol), sei que ele está sem jogar há muito tempo, então vai dar espaço ao jogador local, que substituirá o 'inglês'", afirma o treinador, cujo contrato vai até fevereiro de 2022.

Atualmente, essa busca por atletas de dupla nacionalidade se tornou padrão para diversas seleções do Caribe. Curaçao é um bom exemplo. A seleção é comandada pelo veterano Guus Hiddink, de três Copas do Mundo (Holanda, 1998; Coreia do Sul, 2002; Austrália, 2006), e possui bom nível internacional graças ao elenco formado, basicamente, por jogadores que atuam na Europa, como os irmãos Leandro (Cardiff) e Juninho Bacuna (Huddersfield), além de Vurnon Anita, revelado pelo Ajax e atualmente no RKC Waalwijk-HOL, e Cuco Martina, lateral de 31 anos, ex-Everton, atualmente sem clube. A Jamaica, já tão citada nesta história, convenceu, recentemente, Andre Gray (Watford) e Michail Antonio (West Ham) aceitaram a convocação da seleção caribenha.

"Quando o jogador tem o DNA do país, ou seja, é filho de pai ou mãe local, eu aceito. Quando lhe é dado o passaporte, parabéns, que jogue, mas não gosto. Mesmo que tenha vivido no país por algum tempo. Falta o sangue correndo na veia", defende Renê Simões, que após a passagem de sucesso pela seleção jamaicana entre 1994 e 2000, comandou Trinidad e Tobago. Pelo atual formato de eliminatórias, Costa Rica, Honduras, México, Estados Unidos e a própria Jamaica entram apenas na terceira e última fase, com as três equipes que avançarem da segunda - composta pelo vencedores dos seis grupos iniciais. As oito seleções jogarão entre si, turno e returno, com as três primeiras garantindo vaga no Catar e a quarta para o playoff entre confederações.

São Cristóvão e Névis, diante dessa "missão impossível, sonha. Para uma nação tão pequena, possui boa estrutura, com campos de futebol em todas escolas e clubes, além de dois estádios maiores. O são-cristovense possui habilidade, mas ainda carece de maior compreensão técnica e tática do jogo. O futebol é o esporte mais popular entre os 53 mil habitantes. Léo Neiva apresentou aos dirigentes a ideia de criação de seleções de base, do sub-11 ao sub-20, já que atualmente trabalham apenas com a última categoria. Ele é parte integrante do sonho de conseguir algo além. "Disse para os jogadores que não adianta ganhar apenas os dois primeiros jogos. Podemos surpreender".

O futebol está acostumado a grandes histórias. Por que não acreditar em mais uma?

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No dérbi de Casablanca, uma rivalidade brasileira também marca presença

Gustavo Hofman

Berço da humanidade e fonte inesgotável de cultura, o continente africano vive o futebol de maneira apaixonante. As seleções há muito tempo competem com as melhores do mundo em igualdade de condições, assim como os principais atletas brilham em grandes clubes da Europa. Já os campeonatos locais não possuem o mesmo destaque.

Mesmo assim, dentro desse universo esportivo, naturalmente surgiram enormes rivalidades nacionais entre equipes do continente. Alguns dos maiores clássicos do mundo estão na África, e um deles aconteceu nesse domingo (21).

Wydad e Raja disputam o dérbi de Casablanca, no Marrocos. A cidade é um símbolo de Magrebe, região noroeste do continente, e possui história milenar - fundada no século XII a.C. Nesse cenário de cultura, história e tradição, os dois clubes disputam a hegemonia do país.

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O formato do Campeonato Marroquino é muito simples, com 16 times e disputa em turno e returno. Em todos os tempos, ninguém venceu mais vezes a Botola Pro - nome oficial da primeira divisão - do que o Wydad, com 20 títulos, seguido de Raja (atual campeão) e ASFAR de Rabat, com 12 troféus.

No final de semana, o Wydad aproveitou duas cobranças de escanteios muito parecidas para, aos quatro e aos 15 minutos de jogo, fazer 2 a 0 no Raja, gols marcados por Ayoub El Amloud e Achraf Dari, respectivamente. 

O stade Mohamed V, normalmente lotado com mais de 60 mil torcedores, esteve vazio pela pandemia de coronavírus e a proibição de público nas arquibancadas. O jogo foi antecipado da décima rodada, que acontecerá daqui dois finais de semana, para que os gigantes do futebol local não tivessem problemas de desfalques pela data Fifa.

As duas equipes possuem treinadores de estilos bem diferentes. O Wydad é comandado por Faouzi Benzatti, veterano de 71 anos, multicampeão por toda África. Já o Raja aposta desde 2019 em Jamal Sellami, de 50 anos e carreira ainda inicial. A partida foi boa tecnicamente, mas com pouca organização tática. O Wydad usou a variação do 4-2-3-1 na fase ofensiva para o 4-4-2 na defensiva, enquanto o Raja tinha o 4-3-3 como base. Há jogadores com potencial dos dois lados, como por exemplo o zagueiro Dari, autor do segundo gol, de apenas 21 anos.

Mesmo depois de abrir dois gols de vantagem, o Wydad manteve postura ofensiva, assim como o Raja em busca do empate. O problema, em ambos lados, foi a qualidade ruim nas finalizações. O Raja ficou mais com a posse de bola (54%) e também teve mais finalizações (8x6), mas com pouca pontaria (1x3). No índice de gols esperados pelas chances criadas (xG), números baixíssimos dos dois lados: 0,79 pelos vencedores e 0,87 pelos derrotados.

Cruzeiro x Atlético-MG na África?

A partida marcou também um fato curioso relacionado ao Brasil. O Raja possui três títulos da Champions League africana, mas em 2013 recebeu o direito de disputar o Mundial de Clubes por ser o atual campeão nacional do país, sede do torneio. Foi protagonista da vitória por 3 a 1 sobre o Atlético-MG nas semifinais e depois acabou batido pelo Bayern de Munique por 2 a 0 na decisão. O ocorrido, naturalmente, aproximou os torcedores do Cruzeiro do time marroquino.

Pois no sábado, 20 de março, data de aniversário do Raja (1972), o Cruzeiro anunciou parceria com os marroquinos para interação e divulgação de ações em redes sociais. No mesmo dia já houve mensagem de parabéns e no domingo de incentivo pré-clássico. Não deu muito certo com a vitória por 2 a 0 do Wydad e a primeira posição do grande rival na tabela, com 22 pontos, três a mais que o Raja, em nove jogos (um a menos).


A história das rivalidades africanas vai além do dérbi de Casablanca. Viaja até a vizinha Tunísia para Club Africain e Espérance; passa pela África do Sul no confronto entre Kaizer Chiefs e Orlando Pirates; obrigatoriamente apresenta Ah Ahly e Zamalek no Egito; reúne Hearts of Oak x Asante Kotoko (Gana), Simba x Young x Africans (Tanzânia) e Asec Mimosas x Africa Sport (Costa do Marfim).

Em 1942, o filme "Casablanca" foi lançado durante a II Guerra Mundial e se tornou um clássico. Estrelado por Humphrey Bogart, Ingrid Bergman e Paul Henreid, dirigido por Michael Curtiz, a obra narra a relação de Ilsa Lund, Rick Blaine e Victor Laszlo no norte da África durante a II Guerra. Ficou eternizado como uma obra prima e um dos maiores filmes de toda história. Culturalmente, segue como uma das maiores referências possíveis da cidade. Para quem vive o futebol, no entanto, o dérbi de Casablanca é o clássico imperdível.

Jogadores do Wydad comemoram no vestiário a vitória sobre o Raja
Jogadores do Wydad comemoram no vestiário a vitória sobre o Raja Divulgação

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As ruas de Lecce, padrões táticos bem estabelecidos e a beleza na Serie B italiana

Gustavo Hofman

Pérola da arquitetura e da cultura no sul da Itália, Lecce é uma cidade belíssima. São mais de dois mil anos de história, com relíquias da influência grega na região do Império Romano espalhadas por suas ruas e igrejas barrocas compondo um cenário incrível. Seus 95 mil habitantes vivem no ritmo harmonioso e ao mesmo tempo agitado do estilo de vida do sul italiano.

Localizada em Salento, bem no calcanhar da "bota", na região da Puglia, Lecce vive a paixão giallorossa. A Unione Sportiva Lecce é um dos clubes mais tradicionais no sul do país, frequentador da Serie A e com diversos títulos nas divisões menores. Na temporada passada, caiu da elite italiana e agora busca o acesso novamente. No último sábado (13), recebeu o ChievoVerona pela 28a rodada da Serie B e não decepcionou sua torcida, que ainda não pode frequentar as arquibancadas do Stadio Via del Mare.

A vitória por 4 a 2 sobre o ChievoVerona mantém o time na briga pelas primeiras posições. O Lecce é o quarto, com 46 pontos, apenas um a menos que Salernitana e Monza, logo acima na tabela. O Empoli abriu vantagem no final de semana e agora soma 53 - os dois primeiros sobem diretamente, enquanto entre o terceiro e oitavo avançam para o playoff de acesso. O Chievo é o sétimo com 42 pontos, mas perdeu fôlego com apenas uma vitória nas seis última rodadas.

Partidas da Serie B italiana são belas demonstrações de padrões táticos bem estabelecidos, treinados e executados. Os donos da casa, comandados por Eugenio Corini, começaram no 4-3-1-2, com o meia escocês Liam Henderson como jogador de ligação na fase ofensiva e de colaboração defensiva na faixa central nas linhas baixas. Alfredo Aglietti, treinador do Chievo, montou seu time com bastante variação tática: atacava no 4-3-3, com o nigeriano Joel Obi (ex-Inter) como responsável pela saída de bola próximo aos zagueiros; marcava no 4-4-2 com linhas altas e recuava para um 4-1-4-1, justamente com Obi entre as linhas.

O primeiro gol saiu em jogada bem tranalhada pelo lado direito do Lecce. Stefano Pettinari saiu do ataque e se deslocou para o setor, próximo a Henderson, que acertou lindo toque de calcanhar para o lateral-direito Christian Maggio, no alto de seus 39 anos, finalizar com o pé esquerdo na entrada da grande área. Maggio esteve no grupo da seleção italiana na Copa de 2010, na Euro de 2012 e na Copa das Confederações em 2013.

Lecce está na região da Puglia, no sul da Itália
Lecce está na região da Puglia, no sul da Itália Divulgação

A vantagem amarela e vermelha durou pouco, já que aos 22 minutos Francesco Renzetti cobrou escanteio e Obi cabeceou forte, sem chances para o goleiro brasileiro Gabriel, campeão mundial sub-20 com a seleção brasileira, desde 2019 no Lecce e de trajetória com muitos empréstimos no Milan. O Chievo não soube aproveitar o momento e rapidamente sucumbiu. Massimo Coda marcou aos 25 e aos 38, alcançou 16 gols e a liderança isolada na artilharia da competição. Aliás, na carreira, aos 32 anos, Coda tem 73 gols em 174 partidas da Serie B.

Com o Chievo em busca da recuperação, o Lecce passou a encontrar mais espaço em campo. Em transição ofensiva rápida, aos 42 minutos, praticamente definiu o jogo. Henderson achou Maggio pela direita, que colocou a bola na cabeça de Pettinari para o quarto gol. O placar de 4 a 1 obrigou os visitantes a saírem mais para o jogo, mas sem se exporem tanto. Terminaram a partida com um pouco mais de posse de bola (52%) e algumas finalizações a mais também (10x8), mas o Lecce marcou nas quatro certas que teve.

Mesmo assim, a segunda etapa teve seus momentos de emoção. Obi saiu no intervalo, dando lugar a Luca Palmiero e definindo o esquema no 4-4-2. O Chievo conseguiu marcar o segundo gol aos oito minutos, com o moldavo Vasile Mogos em cobrança de falta na meia-lua. A situação poderia ter melhorado para a equipe de Verona aos 17, mas o zagueiro francês Maxime Leverbe - que entrou durante a primeira etapa na vaga do finlandês Sauli Väisänen - desperdiçou o pênalti marcado a favor do Chievo, chutando por cima do travessão. Manuel de Luca, que sofreu a penalidade, queria cobrar, mas não convenceu os companheiros. Pouco depois, ele perdeu um gol cara a cara com Gabriel.

No final das contas, vitória por 4 a 2 para o Lecce, que segue embalado na Serie B, com apenas uma derrota nas últimas 14 rodadas, apesar de muitos empates (sete). A cidade de Lecce, aliás, é berço de dois jogadores extremamente marcantes nas últimas décadas do futebol italiano: Antonio Conte e Marco Materazzi. Nenhum deles, no entanto, jogou pelo Lecce. O atual técnico da Inter iniciou a trajetória principal com a camisa do Arezzo, na Toscana, enquanto o anti-herói de Zinédine Zidane passou pela base de Lazio e Messina, antes de se profissionalizar.

O Lecce é o único representante da Puglia nas duas primeiras divisões italianas. Na Serie C, regionalizada, estão outras equipes tradicionais da região, como Bari e Foggia. Faltam apenas dez rodadas para a torcida giallorossa saber se poderá comemorar, certamente com muitas garrafas de vinho Primitivo, o acesso à Serie A do calcio.

Lecce venceu por 4 a 2 o Chievo e segue na briga pelo acesso
Lecce venceu por 4 a 2 o Chievo e segue na briga pelo acesso Divulgação

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Contra Superliga Europeia, Athletic Bilbao busca expansão 'glocal'

Gustavo Hofman

O Athletic Bilbao terá duas finais de Copa do Rei pela frente no mesmo mês, em abril, algo inédito no futebol espanhol. No dia 3, enfrentará a Real Sociedad no clássico basco valendo o título da temporada 2019/2020. Quatorze dias depois, decidirá com o Barcelona qual time fica com a taça de 2020/2021. A temporada deu uma guinada completa com a demissão de Gaizka Garitano e a contratação de Marcelino García Toral. A equipe ainda não está, efetivamente, na briga por vagas continentais, mas a recuperação pode culminar nisso.

Clube grande na Espanha, o Athletic jamais foi rebaixado e tem história de sucesso no futebol local. É o quarto maior campeão de LaLiga, com oito títulos, além de 23 Copas do Rei. Se desconsiderarmos as Supercopas vencidas em 2015 e neste ano, o clube não conquista uma competição nacional desde a histórica temporada do doblete, em 1984/1985. Isso, no entanto, jamais diminuiu a agremiação, que sempre se manteve fiel à política de contratação e formação apenas de jogadores de origem basca.

Nos últimos anos, a diretoria permitiu algumas aberturas na tradição do Athletic. Passou, por exemplo, em 2008, a contar com um patrocinador no uniforme. O clube basco, agora, quer dar passos maiores, em busca de novas fronteiras. 

"Todas as culturas baseadas em identidades locais precisam de ferramentas inovadoras para compartilhar suas histórias com o resto do mundo. A digitalização e o gerenciamento de dados nos ajudarão nisso e nos ajudarão a ser descobertos como uma marca glocal [junção das palavras global e local]", afirmou nesta semana Aitor Elizegi, presidente do Athletic Club, durante um evento virtual com a mídia internacional organizado por LaLiga.

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"Achamos importante compartilhar modelos de responsabilidade social com a comunidade, como proteção e nutrição infantil", afirmou o dirigente. "Queremos compartilhar isso onde quer que formos. Embora respeitando todos os nossos adversários, queremos compartilhar a lenda de como entendemos o futebol e o esporte por 120 anos. Esperamos que esta mensagem, que pode ser compartilhada de forma inteligente por meio de ferramentas digitais e conteúdo de qualidade, possa fornecer retornos sociais e econômicos também."

Lezama, o centro de treinamentos do Athletic, é um caso de sucesso no futebol mundial. Pela política de utilização apenas de jogadores de origem basca, a formação se torna ainda mais importante em Bilbao. Com 50 anos completados recentemente e a revelação incessante de talentos, a cada temporada, Lezama foca muito na formação social de seus jovens também, através da importância da cultura basca para as novas gerações. Algo totalmente identificado com o nacionalismo basco, afinal, o Athletic é um símbolo deste movimento.

"Sabemos que pode ser uma limitação, mas também é a nossa força porque nos permite construir um espírito de equipe quando competimos e essa é a mensagem que queremos espalhar para os outros. Reunir a soma dos esforços individuais pode ser melhor do que uma equipe com muito talento individual", disse Elizagi, no cargo desde 2018. Ao todo, são mais de 130 acordos com clubes da região e olheiros espalhados por Navarra, Álava e Euskadi - estados que compõem Euskal Herria, a grande e histórica região basca, junto com o território no sul da França. Em recente vitória sobre o Cádiz, por exemplo, 14 dos 16 jogadores presentes no elenco do Athletic  passaram pela academia.

Aitor Elizegi preside o Athletic desde o final de 2018
Aitor Elizegi preside o Athletic desde o final de 2018 LaLiga

O Athletic tem realizado várias iniciativas por meio de colaborações em Ásia, América do Sul e África, lideradas pela fundação do próprio clube. 

Aitor Elizegi faz questão de valorizar a cultura local em suas entrevistas, vinculando com sua profissão. Além de empresário e presidente do clube, ele é também chef de cozinha. 

"Podemos olhar para a gastronomia basca para encontrar os valores que estão presentes neste setor, como o respeito pela tradição, pelos produtos locais, pelos fornecedores e pelos colegas. Costumo transmitir a ideia de seguir chefs, personalidades da mídia e escritores que têm uma compreensão real de sua profissão, porque muitas dessas lições são aplicáveis ao esporte de elite", disse. A rica gastronomia basca tem, como um de seus maiores símbolos, os mundialmente famosos pinchos.

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Filosofia é uma palavra muito presente no dia a dia do clube. Muito além do futebol, ela determina como o trabalho é realizado e com qual propósito. O Athletic possui seus valores muito bem definidos e alinhados com as expectativas dos torcedores. Por esse ponto de vista, o clube é radicalmente contra a criação da Superliga Europeia, competição que reuniria grandes clubes do continente e enfraqueceria os campeonatos nacionais. 

"O futebol europeu é ótimo e admirado em todo o mundo justamente porque há grandes times nas competições nacionais. Fanbases criaram rivalidades e histórias pelas quais nos apaixonamos. Para quebrar esse equilíbrio, esse know-how e essa compreensão podem ser perigosos. O produto atual é um ótimo produto", afirmou.

Bilbao é uma das cidades mais importantes para a economia da Espanha. Assim como o Athletic para o futebol espanhol.

Lezama é uma das maiores fontes de talento do futebol espanhol
Lezama é uma das maiores fontes de talento do futebol espanhol LaLiga

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Em um dos dérbis mais tradicionais da Europa, Austria Viena e Rapid não saem do zero; Red Bull Salzburg agradece

Gustavo Hofman

Dérbi de Viena terminou empatado em 0 a 0 neste domingo
Dérbi de Viena terminou empatado em 0 a 0 neste domingo Divulgação

Atualmente, quando se fala em futebol austríaco de clubes, imediatamente o Red Bull Salzburg se destaca. Não à toa, afinal, o representante da gigante de bebidas energéticas domina o cenário nacional e caminha para o octacampeonato. Obviamente não foi sempre assim.

A Europa Central é um dos berços do jogo moderno, com ideias muito avançadas para o futebol na primeira metade do século passado. A Hungria esteve na vanguarda, com sua seleção de ouro, mas a Áustria também teve sua equipe inesquecível, o Wunderteam. Infelizmente, um time que surge nos anos 1930 e acaba marcado pela década perdida de 1940. Na base de tudo isso, Viena. 

A capital austríaca, conhecida mundialmente pelos seus museus e belíssimo centro histórico, é a casa do segundo dérbi mais antigo da Europa. Depois do clássico entre Rangers e Celtic, não há clubes que se enfrentaram mais no Velho Continente do que Austria Viena e Rapid. Neste domingo, o encontro de número 332 foi marcado por empate em 0 a 0, que ajuda o Salzburg na tabela.

Após 20 rodadas, a equipe da Red Bull lidera a Bundesliga austríaca com 46 pontos, cinco a mais que o Rapid. O Austria Viena faz campanha fraca, com apenas 25 pontos, na oitava posição - fora da zona de classificação para a fase final, com os seis primeiros colocados. Não há clube com mais títulos da primeira divisão do que o Rapid com 32. Mesmo com o domínio recente do Salzburg, 14 vezes campeão, o Austria Viena segue tranquilo na segunda posição entre os maiores vencedores com 24 troféus.

Foi no Austria Viena que jogou Matthias Sindelar, maior jogador austríaco de todos os tempos e um dos grandes de sua geração na Europa. O atacante jogou pelo clube vienense de 1924 a 39. Com a anexação da Áustria pela Alemanha nazista, Sindelar se recusou a defender a nova seleção. Em 23 de janeiro de 1939, ele e sua namorada, Camila Castagnola, foram achado mortos em seu apartamento. A causa oficial da morte foi envenenamento por monóxido de carbono, teoricamente causado por um vazamento de gás no local. Sua morte gerou várias teorias conspiratórias e o transformou em mito nacional.

Sindelar se tornou uma lenda em toda Áustria
Sindelar se tornou uma lenda em toda Áustria Divulgação

A realidade atual para Austria Viena e Rapid é menos dramática, mas ainda complicada no âmbito esportivo. Enquanto o primeiro foi campeão nacional pela última vez em 2012-13, o segundo não vence a Bundesliga desde 2007-08. Outrora os dois clubes mais fortes do país, hoje em dia sabem que não possuem mais essa condição e correm atrás do poder financeiro e da organização que a Red Bull implantou no antigo Austria Salzburg.

No clássico deste final de semana, disputado na Generali Arena, os tradicionais uniformes violeta do Austria Viena e verde e branco do Rapid estiveram em campo para um confronto de muita força física e organização tática, marcas características da Bundesliga austríaca. Peter Stöger voltou ao Austria Viena no ano passado. Campeão austríaco com o clube em 2013, o ex-técnico do Borussia Dortmund escalou sua equipe no 4-4-2, com muita compactação, diminuindo ao máximo os espaços para o Rapid trabalhar a bola no ataque. Do outro lado, Dietmar Kühbauer, no cargo desde 2018, montou seu time na variação do 4-2-3-1 na fase ofensiva para as duas linhas de quatro sem a bola. Não há jogadores brasileiros nos dois elencos ou grandes promessas entre jovens austríacos. 

O jogo foi marcado pela força ofensiva do Rapid, que buscou muito mais o gol do que o Austria Viena, que teve 40% da posse de bola e finalizou apenas sete vezes ao gol, com três no alvo, mas índice de expected goals (xG) baixíssimo, apenas 0,24. Já o Rapid teve 18 finalizações, também três corretas, mas índice de 1,94 e muita pressão sobre o adversário - permitiu, em média, trocas de apenas 4,3 passes por ação defensiva.

No final das contas, o goleiro Patrick Pentz, de 24 anos, do Austria Viena, foi o destaque do dérbi com defesas que impediram a vitória do Rapid. Se bem que, aos 45 minutos do segundo tempo, apenas pôde observar a bola cabeceada por Christoph Knasmüllner bater no travessão e definir o empate sem gols.

Pentz, goleiro do Austria Viena, foi o melhor jogador em campo
Pentz, goleiro do Austria Viena, foi o melhor jogador em campo Divulgação

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