Com Piqué de centroavante e 54 cruzamentos na área, Barcelona empatou em casa com o Granada

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

No fechamento da quinta rodada de LaLiga, o Barcelona teve uma de suas piores atuações nos últimos anos. No Camp Nou com pouco mais de 27 mil pessoas nas arquibancadas, empatou em 1 a 1 com o Granada em noite heróica de Ronald Araujo.

A rodada teve ainda vitória de virada do Real Madrid sobre o Valencia, que deixou a equipe merengue isolada na liderança de LaLiga. Confira abaixo resumos dos dez jogos - a sexta rodada já começa nesta terça-feira.

Barcelona e Granada empataram em 1 a 1 no Camp Nou, com 27 mil torcedores nas arquibancadas
Barcelona e Granada empataram em 1 a 1 no Camp Nou, com 27 mil torcedores nas arquibancadas Barcelona

Celta 1x2 Cádiz

 

 

Jogo muito bom no Balaídos, que abriu a quinta rodada de LaLiga. Primeira vitória do Cádiz na temporada, e primeira de outras que acontecerão com o mesmo roteiro: muita marcação e bom aproveitamento dos erros adversários. Esse é o Cádiz do técnico Álvaro Cervera, que começou no 4-1-4-1 na fase defensiva e terminou com linha de cinco defensores. Fez 2 a 0 no primeiro tempo com um gol em jogada de bola parada e outro em rebote de um polêmico pênalti marcado - e, na minha avaliação, gol irregular por o lateral Alfonso Espino pisou na linha da grande área, o que configura invasão.

Já o Celta tem um péssimo início de temporada, com quatro derrotas em cinco rodadas. Havia enorme necessidade de somar três pontos na sexta-feira por jogar em casa e contra um adversário que tem como objetivo principal, a permanência em LaLiga - antes perdera para Atlético, Athletic e Real Madrid. Eduardo Coudet viu um time inoperante no primeiro tempo se transformar na segunda etapa, contando também com suas substituições - principalmente Nolito, que entrou muito bem. Diminuiu, criou várias oportunidades, teve 78% de posse de bola, mas parou na trave ou no goleiro argentino Jeremías Ledesma, eleito melhor em campo. 

Rayo Vallecano 3x0 Getafe

 

 

Foi uma tarde de sábado muito especial em Vallecas. Diante de seus torcedores, o Rayo Vallecano venceu o rival regional Getafe por 3 a 0 e comemorou a segunda vitória na temporada. Além disso, a torcida ainda celebrou a tão aguardada estreia de Radamel Falcao García, que saiu do banco aos 26 minutos e marcou aos 36. Já o Getafe permanece sem vencer em LaLiga, ainda carente de José Bordalás e com um trabalho bastante contestável do técnico Míchel.

Em campo a posse de bola ficou totalmente equilibrada, 50% para cada lado, assim como o número de finalizações (11 x 13). O aproveitamento do Rayo, no entanto, foi excepcional com três gols marcados em cinco arremates certos. Aos poucos a equipe do técnico Andoni Iraola vai encorpando e jogando bem. Bebé foi titular, de maneira merecida após as últimas boas atuações; Óscar Trejo mantém o nível alto no meio-campo; Dimitrievski tem sido um goleiro bem seguro; e agora, com a chegada de Falcao, o time ganha mais uma boa opção para o ataque, além do francês Roger Nteka.

Atlético de Madrid 0x0 Athletic

 

 

Diego Simeone mudou o time. Com os desfalques de Thomas Lemar e Koke, Geoffrey Kondogbia e Rodrigo de Paul começaram entre os titulares; além disso, Renan Lodi voltou a ganhar oportunidade na ala esquerda do 3-5-2, que teve Ángel Correa e Antoine Griezmann no ataque. Não funcionou. O Atlético foi apático no ataque e praticamente não criou chances de gol no primeiro tempo, enquanto o Athletic, sempre bem organizado no 4-4-2 de Marcelino García Toral, não correu grandes riscos.

No segundo tempo, cinco mudanças para cada lado e um jogo bem mais aberto. O Atlético aumentou a pressão e passou a tocar melhor a bola no ataque, já com Luis Suárez e Yannick Carrasco em campo, além de Héctor Herrera. Marcos Llorente mandou uma bola na trave, só que o Athletic teve as duas melhores chances da partida: dois gols perdidos por Iñaki Williams e Asier Villalibre. João Félix, que também entrou na segunda etapa, foi expulso e deixou o Atleti com um a menos nos últimos 15 minutos, mas não mudou muito o cenário. Empate sem gols, segundo consecutivo contando a Champions League, e algumas vaias no Wanda Metropolitano.

Elche 1x1 Levante

 

 

Na estreia de Javier Pastore, que entrou no segundo tempo, o Elche não conseguiu vencer o Levante em casa pela quinta rodada de LaLiga. O empate em 1 a 1, no final das contas, é um resultado ruim para as duas equipes, já que o Levante ainda não ganhou e o Elche vinha da primeira vitória na rodada passada. Lucas Pérez marcou pela segunda partida seguida, aos 33 minutos, mas o veterano José Luis Morales deixou tudo igual aos dez do segundo tempo - em uma das seis finalizações certas, que obrigaram Kiko Casilla a trabalhar bastante.

Alavés 0x2 Osasuna

 

 

O Alavés está com uma partida a menos que o Getafe, mas o mesmo aproveitamento na temporada de LaLiga: 0%. O Osasuna, fora de casa, impôs a quarta derrota para a equipe de Vitoria-Gazkeis e subiu para a sétima posição. David García e Roberto Torres, cobrando pênalti, marcaram para o time comandado por Jagoba Arrasate, que teve menor posse de bola (44%), mas arriscou mais a gol (13 x 8 nas finalizações, 5 x 3 no alvo) dentro da proposta de transição - o jogador do Osasuna com o maior número de passes foi o lateral-direito Nacho Vidal, com somente 38.

Mallorca 0x0 Villarreal

 

 

Unai Emery mexeu no time titular do Villarreal, até mesmo pela sequência pesada de jogos desde o final de semana passado. Danjuma foi titular no ataque, Dani Parejo ganhou descanso no meio campo, Francis Coquelin ficou responsável pela saída de bola... E mais uma empate, o quarto em quatro jogos disputados pelo Submarino Amarelo na competição. O Mallorca, de ótima campanha até aqui, se armou no 4-4-2, acertou o gol defendido por Gerónimo Rulli apenas uma vez e saiu de campo satisfeito com o ponto conquistado, contra um adversário tecnicamente superior.

Real Sociedad 0x0 Sevilla

 

 

Pela qualidade das duas equipes, havia bastante expectativa para um bom jogo entre Real Sociedad e Sevilla. No final das contas, o 0 a 0 foi decepcionante, mas não surpreendente. No total, foram 22 finalizações - 11 para cada lado, assim como quatro certas para cada equipe. Sem David Silva, lesionado, Imanol Alguacil optou por armar o time com quatro atacante e a entrada de Alexander Sorloth para atuar ao lado de Alexander Isak, com Portu e Mikel Oyarzabal pelos lados. De qualquer modo, sequência pesada para os espanhóis que também estão nas competições continentais, casos de Real Sociedad e Sevilla.

Betis 2x2 Espanyol

 

 

Um dos jogos mais emocionantes da quinta rodada de LaLiga aconteceu no estádio Benito Villamarín. O Espanyol fez 1 a 0, levou a virada do Betis e buscou o empate aos 52 minutos do segundo tempo. Willian José marcou pela primeira vez pelo Betis, que buscou muito mais o gol do que a equipe de Barcelona: foram 23 finalizações contra apenas nove do Espanyol (mesmo número de finalizações certas do time de Sevilha). Apesar da comemoração no final, o Espanyol ainda não sabe o que é vencer no Campeonato Espanhol. Já o Betis perdeu a oportunidade de vencer pela terceira vez seguida e subir na tabela.

Valencia 1x2 Real Madrid

 

 

Em um dos jogos mais aguardados da rodada, no duelo entre José Bordalás e Carlo Ancelotti, o técnico italiano comemorou muito no final. Virada e vitória emocionante do Real Madrid no Mestalla sobre o Valencia por 2 a 1, que deixou a equipe merengue como líder isolada de LaLiga após cinco rodadas. Para completar, mais uma grande atuação da dupla Viniciuss Júnior e Karim Benzema.

O 4-4-2 foi repetido no Real Madrid, com Federico Valverde e Vinicius pelos lados, Luka Modric e Casemiro por dentro, tendo Eden Hazard como segundo atacante ao lado de Benzema. A rigidez tática do Valencia foi mantida, mas com a força na transição ofensiva apresentada nesta temporada. Hugo Duro colocou os donos da casa à frente aos 21 minutos do segundo tempo e depois o Valencia tentou se defender até o final com todas suas armas. Vinicius marcou aos 41 e Benzema virou aos 43, com assistência do brasileiro.

Barcelona 1x1 Granada

 


 


No sufoco, o Barcelona salvou um ponto em pleno Camp Nou contra um adversário que ainda não venceu em LaLiga. O gol marcado por Ronald Araujo, melhor em campo, garantiu o empate em 1 a 1 com o Granada em noite de muitas críticas a Ronald Koeman, que optou por terminar a partida com Gerard Piqué como centroavante. Foi uma atuação muito ruim do Barça, que piora a imagem do time após o 3 a 0 do Bayern e aumenta as dúvidas sobre a capacidade do treinador.

O Barcelona voltou ao 4-3-3, com os jovens Alejandro Baldé e Yusuf Demir ganhando oportunidades entre os titulares, assim como Philippe Coutinho. Com dois minutos já perdia por 1 a 0, e apenas no final do primeiro tempo reagiu - já com Mingueza na lateral-direita e Sergiño Dest improvisado na esquerda, após a lesão de Baldé. No segundo tempo colocou Luuk de Jong e Riqui Puig em campo, além de Piqué no ataque. No final das contas, em um dos 54 cruzamentos na área, a bola achou a cabeça de Araujo. Único jogador que se salvou em um (mais) dia de absoluta falta de inspiração barcelonista. Em muitos momentos, o Barcelona parecia um catado de jogadores lançando a bola para o ataque.

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A Liga das Estrelas está de volta, e com boa briga pelo título

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Os três favoritos ao título de LaLiga, que volta nesta sexta, estão mais fortes nesta temporada do que na passada. Cada um ao seu estilo, mas com energias e algumas peças renovadas. A começar pelo atual campeão, Real Madrid.

Marcelo, maior vencedor na história madridista, foi embora, assim como Isco e Gareth Bale. Todos jogadores importantes em outras épocas do clube, mas que já não vinham sendo aproveitados com regularidade por Carlo Ancelotti. Chegaram Antonio Rüdiger, sem custo do Chelsea, e o jovem meio-campista francês Aurélien Tchouaméni, ao custo de 80 milhões de euros do Monaco.

Real Madrid foi campeão espanhol pela 35a vez na história na temporada passada
Real Madrid foi campeão espanhol pela 35a vez na história na temporada passada Real Madrid

Rüdiger, no mínimo, aumenta a profundidade do elenco na defesa, já que agora Nacho passa a ser apenas o quarto zagueiro na lista de Ancelotti e não mais a primeira opção no banco. Além disso, quando Benjamin Mendy se ausentar, David Alaba pode ser deslocado para o setor sem drama, já que a defesa permaneceria em alto nível com Rüdiger e Éder Militão. Há também, naturalmente, a opção de jogo com três zagueiros desde o início, algo improvável neste momento, mas que não deixa de ser uma variação tática possível, além de uma arma circunstancial.

O meio-campo histórico formado por Casemiro, Toni Kroos e Luka Modric ganhou uma opção a mais para rotação, com a chegada de Tchouaméni, que passa a ser o principal reserva do brasileiro. Na prática, o Real Madrid tem a reposição de gerações pronta com Tchouaméni (22 anos), Eduardo Camavinga (19) e Federico Valverde (24). O uruguaio, aliás, é um caso a parte, já que ele abre a temporada como titular, assim como terminou a última.

Valverde dá o equilíbrio defensivo necessário para o time manter a automatização de jogo com Vinicius Júnior. Sempre que a equipe recupera a posse de bola, a ligação com o atacante brasileira é quase automática. Assim como a busca de Vini por Karim Benzema para finalizar as jogadas. A dupla ofensiva segue sendo o ponto forte do Real Madrid comandado por Ancelotti.

Dupla 'BenzeVini', Real campeão e mais: o melhor da temporada 21/22 de LaLiga e o que esperar da próxima


Já o Barcelona passa por enorme reformulação. São cinco reforços e a renovação de Ousmane Dembélé, que ainda aguardam serem inscritos em LaLiga, o que deve acontecer até o final de semana - o clube acionou nesta sexta-feira sua quarta alavanca econômica e aguarda o aval final da liga. Os problemas extra-campo persistem e serão tema durante a temporada, pela estratégia arriscada adotada por Joan Laporta. Dentro de campo, porém, Xavi ganhou um dos melhores elencos da Europa.

Jules Koundé e Andreas Christense foram reforços necessários para a defesa, que ainda conta com Gerard Piqué, Ronald Araújo e Eric García. O meio-campo ganhou a força de Franck Késsie e apostará alto em Pedri e Gavi, enquanto a situação de Frenkie de Jong não se define e a chegada de Bernardo Silva não se concretiza. As laterais precisam de avanços ainda, mas Marcos Alonso está muito próximo; na direita, um ponto fraco, com Sergiño Dest e Sergi Roberto, e as opções Araújo ou Koundé.

O ataque culé gera expectativa absurda, já que contratou o atual vencedor do prêmio The Best da FIFA, Robert Lewandowski, e o uniu a Dembélé motivado e em boa forma e o brasileiro Raphinha, nome certo na Copa do Mundo. Xavi tem ainda Pierre-Emerick Aubameyang, Ansu Fati e Ferrán Torres, além de Memphis que é outro com situação indefinida. Enfim, são várias peças que formam um elenco fortíssimo e que a partir de agora precisará se provar como time. Parênteses para outro tópico: a briga pela artilharia da competição será uma atração à parte, com Benzema x Lewandowski.

Na teoria, está evidente que Real Madrid e Barcelona são os dois grandes favoritos ao título, mas o Atlético de Madrid tem potencial para crescer e competir com os dois. Na temporada passada, Diego Simeone ganhou reforços de peso, como Rodrigo de Paul e Antoine Griezmann, que demoraram para encaixar. Nesta, foram duas chegadas, Axel Witsel e Nahuel Molina, e três saída, Sime Vrsaljko, Héctor Herrera e Luis Suárez. Pelo maior adaptação de alguns, crescimento de outros, como Matheus Cunha, o time do Atleti está mais forte.

Simeone seguirá variando taticamente: do 3-4-3 para o 3-5-2 e também o 4-4-2. Além de Matheus, João Félix, Griezmann e Ángel Correa serão os responsáveis por gols. Álvaro Morata também, ao menos por enquanto, e só teremos certeza de sua permanência após 1o de setembro, fechamento do mercado na Espanha. O meio com Koke, Kondogbia, Thomas Lemar, Marcos Llorente e De Paul permanece de alto nível.

Um problema para o Atlético pode ser o que já foi seu ponto forte: a defesa. Não há tantas opções de zagueiros para um time que costuma jogar com três. A torcida espera a contratação de mais um defensor, que se una a Stefan Savic, José María Giménez, Felipe (de contrato renovado) e Mario Hermoso. Reinildo seguirá sendo utilizado como um zagueiro pela esquerda, e na pré-temporada Witsel atuou na posição também. Já as laterais estão bem cuidadas com a chegada de Molina para a direita e a manutenção de Renan Lodi na esquerda, onde brigará com Yannick Carrasco.

O bloco seguinte demonstra o alto nível técnico de LaLiga, principal marca da competição. Sevilla, Betis, Real Sociedad, Athletic Bilbao e Villarreal são times muito bons, que ocupam a mesma prateleira e podem competir com os melhores da Europa. Não vão brigar pelo título, mas protagonizarão bela disputa pelas vagas nos torneios continentais.

O Sevilla, que buscou Isco, livre no mercado, e conseguiu o empréstimo de Alex Telles, no Manchester United, deve ainda se movimentar mais nesta janela de transferência. Monchi, diretor esportivo, tem cerca de 100 milhões de euros para gastar e deve gastá-lo até o último minuto. O Betis buscou o zagueiro Luiz Felipe, ex-Lazio, e manteve a base da forte temporada passada.

A Real Sociedad fez um mercado muito bom, com objetivo de subir mais um degrau e efetivamente brigar por vaga em Champions. Brais Méndez veio do Celta, Takefusa Kubo do Real Madrid e a promessa francesa Mohamed-Ali Cho, de 18 anos, desembarcou do Angers. Seu grande rival, o Athletic, mudou totalmente o comando: novo presidente, Jon Uriarte, e velho novo técnico, Ernesto Valverde. Por fim, o Villarreal terá como novidade o retorno do veterano goleiro Pepe Reina, de 39 anos.

A Liga das Estrelas está de volta, que comece a temporada.

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Curiosidades e muitas informações sobre a temporada 2022-23 de LaLiga

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Nesta sexta-feira, Osasuna e Sevilla abrem em Pamplona, na região de Navarra, a temporada 2022-23 de LaLiga. O atual campeão, Real Madrid, jogará em Vigo, na Galícia, no domingo, enquanto o Barcelona atua no sábado, em casa, diante do Rayo Vallecano

Desde a temporada 2012-13 LaLiga não tinha um encerramento previsto tão tardio; a última rodada termina em 4 de junho, um domingo. A Copa do Mundo criará uma interrupção entre os dias 10 de novembro e 30 de dezembro. A competição será retomada com a rodada 15 e estão previstos jogos para o Réveillon.

Levante, Alavés e Granada caíram na temporada passada. Estavam há cinco, seis e três anos consecutivos, respectivamente, na primeira divisão. Foram substituídos por Almería, que não jogava na elite há sete temporadas, Valladolid, que ficou apenas um ano fora, e o Girona, vencedor dos playoffs da segunda divisão, de volta à LaLiga depois de três anos.

A nova temporada de LaLiga
A nova temporada de LaLiga ESPN

Abaixo, separamos algumas informações e curiosidades para a temporada que está por começar.

- Muitos times do interior do Brasil costumam vestir verdadeiros abadás, tamanha a quantidade de patrocínios. Na Espanha isso não é comum, mas o Mallorca terá na temporada 2022-23 seis marcas estampadas em seu uniforme.

- Adidas e Nike possuem o maior número de times em LaLiga com seus uniformes, quatro cada uma. Joma, Macron, Castore e Puma têm dois cada; Kelme, Hummel, New Balance e Umbro um cada uma.

- Seis dos 20 times que abrem LaLiga estão com técnicos estrangeiros: Diego Simeone (ARG) no Atlético de Madrid, Eduardo Coudet (ARG) no Celta, Javier Aguirre (MEX) no Mallorca, Manuel Pellegrini (CHI) no Betis, Carlo Ancelotti (ITA) no Real Madrid e Gennaro Gattuso (ITA) no Valencia.

Gattuso comandará uma equipe na Espanha pela primeira vez na carreira
Gattuso comandará uma equipe na Espanha pela primeira vez na carreira Valencia

- Apenas quatro jogadores estrangeiros são os capitães principais de seus times: Djené (TOG) no Getafe, Christian Stuani (URU) no Girona, Óscar Trejo (ARH) no Rayo Vallecano e Karim Benzema (FRA) no Real Madrid.

- A Andalusia e a Comunidade de Madri são as regiões autônomas com mais times em LaLiga: Almería, Cádiz, Sevilla e Betis como representantes andaluses e Atlético de Madrid, Getafe, Rayo Vallecano e Real Madrid na região central do país.

- Na sequência aparecem Catalunha (Barcelona, Girona e Espanyol) e Comunidade Valenciana (Elche, Valencia e Villarreal), País Basco (Athletic Bilbao e Real Sociedad) e por fim Ilhas Baleares (Mallorca), Castilla e León (Valladolid), Galícia (Celta) e Navarra (Osasuna).

- O estádio com maior capacidade na primeira divisão espanhola é o Camp Nou com 99.354 torcedores. Já o Montilivi, também na Catalunha, casa do Girona, é o menor com 11.810.

- Oito dos 20 estádios de LaLiga possuem naming rights. São eles: Cívitas Metropolitano (Atlético de Madrid), Spotify Camp Nou (Barcelona), ABANCA Balaídos (Celta), RCDE Stadium (Espanyol), Visit Mallorca Estadi (Mallorca), Reale Arena (Real Sociedad), Power Horse Stadium (Almería) e Estadio de la Cerámica (Villarreal).

Power Horse Stadium é a casa do Almería, de volta à primeira divisão
Power Horse Stadium é a casa do Almería, de volta à primeira divisão Almería

- A maior distância entre duas cidades na primeira divisão espanhola, em linha reta, é entre Vigo, na Galícia, e Mallorca, nas Ilhas Baleares: 999 km.

- Madrid é a cidade com o maior número de times (três) e, consequentemente, de estádios (também três). É possível chegar na porta de todos - Santiago Bernabéu, Cívitas Metropolitano e Vallecas - através das linhas de metrô da capital espanhola.

- As obras no Santiago Bernabéu continuam e foram intensificadas entre as temporadas. Para conseguir avançar ainda mais, o Real Madrid pediu para jogar em casa apenas na quarta rodada, contra o Betis. Em agosto fará três partidas como visitante (Almería, Celta e Espanyol);

- Os clássicos entre Real Madrid e Barcelona estão previstos para os dias 16 de outubro, pela nona rodada, no Santiago Bernabéu, e em 19 de março, 26a rodada, no Camp Nou.

- Os quatro primeiros colocados se garantem na fase de grupos da Champions League. O quinto entra na fase de grupos da Europa League e o sexto nos playoffs da Conference. O campeão da Copa do Rei também vai para a fase de grupos da Europa League, por isso pode mudar essa ordem ao final do campeonato se estiver entre os seis primeiros colocados.

- Assim como nas últimas temporadas, o primeiro critério de desempate em LaLiga é o confronto direto, considerando também saldo de gols nos confrontos em si (sem gol como visitante).

Joaquín pode se tornar o recordista de jogos em LaLiga
Joaquín pode se tornar o recordista de jogos em LaLiga Betis

- Esta será a 92a temporada de LaLiga. Em 1929, quando começou, eram apenas dez times. Maior número foi entre 1995 e 97 com 22.

- Atual campeão, o Real Madrid possui a maior quantidade de títulos de LaLiga na história com 35, seguido de Barcelona (26) e Atlético de Madrid (11).

- Lionel Messi é o maior artilheiro na história de LaLiga com 474 gols. Entre os jogadores que abrem a atual temporada, Karim Benzema é o mais próximo: nono na lista com 219.

- O histórico goleiro Andoni Zubizarreta é o recordista de jogos em LaLiga com 622. Ele defendeu Athletic Bilbao, Barcelona e Valencia entre 1981 e 98. Porém, Joaquín vem logo na sequência com 600 e pode quebrar a marca nesta temporada pelo Betis.

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Protagonistas, apostas e ídolos: conheça os brasileiros da temporada 2022-23 de LaLiga

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Oficialmente, são 20 brasileiros relacionados pelos 20 times de LaLiga para a temporada 2022-23 que se inicia na próxima sexta-feira. Nem todos inscritos ainda, como é o caso de Raphinha na complicada situação financeira do Barcelona, mas todos treinando regularmente com seus times. A lista ganhará um veterano reforço nos próximos dias: Diego Costa será novamente jogador do Rayo Vallecano.

Ainda não é oficial, mas o atacante de 33 anos, cujo último clube foi o Atlético Mineiro em 2021, já voltou a morar em Madri e se acertou novamente com o Rayo, onde jogou em 2012. Ele é uma aposta do presidente do clube, Raúl Martín Presa, para oferecer ao técnico Andoni Iraola mais uma opção no ataque que já conta com Radamel Falcao García, com quem Diego atuou no Atlético de Madrid, o francês Randy Nteka e o jovem Sergio Camello, emprestado justamente pelo Atleti.

A primeira partida do Rayo Vallecano será neste sábado, contra o Barcelona, fora de casa. Osasuna e Sevilla abrem a competição na sexta, em Pamplona, na região de Navarra.

Favoritos ao título

Diego Costa se soma a uma lista variada de atletas brasileiros em LaLiga. O já citado Raphinha chegou à Catalunha em condição de super contratação. Aos 25 anos, o gaúcho de Porto Alegre se destacou no Leeds United, recusou proposta do Chelsea e aguardou o Barcelona, como o proprietário do Leeds, Andrea Radrizzani, afirmou.

O troféu Joan Gamper foi uma demonstração de força desse novo Barça e seu poderoso ataque formado por Ousmane Dembélé, Robert Lewandowski e Raphinha, além de Pierre-Emérick Aubameyang, Ansu Fati e Ferrán Torres no banco de reservas. Há confiança no Barça de que todos os reforços serão inscritos a tempo da estreia em LaLiga, apesar da necessidade de negociação de alguns atletas ainda - o goleiro brasileiro Neto foi um dos jogadores já negociados, acertou com o Bournemouth.

No Real Madrid, a esquadra brasileira perdeu um dos mais importantes elementos em toda história merengue. Marcelo, aos 34 anos, deixou o clube como maior campeão (25 títulos) e lenda eterna; ainda não se acertou com outra equipe. Permaneceram em Valdebebas o zagueiro Éder Militão, o meio-campista Casemiro e os atacantes Vinicius Júnior e Rodrygo. Os quatro são nomes prováveis na Copa do Mundo deste ano.

Vinicius Jr. é um dos protagonistas da temporada 2022-23 de LaLiga
Vinicius Jr. é um dos protagonistas da temporada 2022-23 de LaLiga David S. Bustamante/Soccrates/Getty Imag

Militão ganhou forte concorrência na defesa de Carlo Ancelotti com a chegada de Antonio Rüdiger. Casemiro tem agora um jovem e talentoso reserva, Aurélien Tchouaméni. Vini Jr. abre a temporada como protagonista da equipe após marcar 17 gols e dar dez assistências na temporada passada de LaLiga. Rodrygo foi decisivo em vários jogos da Champions League e busca a vaga de titular absoluto do time.

O Atlético de Madrid viveu alguns momentos de incerteza com Renan Lodi, mas uma reunião na semana passada entre os representantes do jogador e a diretoria definiu a permanência do lateral-esquerdo, no clube desde 2019. Ficará no Atleti ao lado do zagueiro Felipe, que renovou contrato por mais um ano, e o atacante Matheus Cunha.

Renan e Felipe devem brigar pela posição de titulares na equipe de Diego Simeone, enquanto Matheus Cunha tem expectativa de já começar jogando após a saída de Luis Suárez e mesmo com a concorrência de Antoine Griezmann e João Félix. A variação tática do 3-5-2 para o 3-4-3 pode favorecer o trio ofensivo colchonero.

Próximos da lista

No pelotão seguinte aos favoritos pelo título, se destacam Betis e Sevilla com atletas brasileiros. As duas equipes da Andaluzia possuem dois e três, respectivamente. O Betis, que já contava com Willian José, se reforçou com o jovem Luiz Henrique, de 21 anos, ex-Fluminense e opção de velocidade para o treinador chileno Manuel Pellegrini. Luiz Felipe, contratado da Lazio, nasceu em Colina, no interior paulista, mas se naturalizou italiano e já defendeu a Azzurra.

No Sevilla, Fernando permanece como uma das lideranças do elenco e agora terá o compatriota Alex Telles ao seu lado, além do zagueiro Marcão, que veio do Galatasaray para substituir Diego Carlos.

Alex Telles chega do Manchester United por empréstimos de uma temporada ao Sevilla
Alex Telles chega do Manchester United por empréstimos de uma temporada ao Sevilla Sevilla

O lateral-esquerdo foi emprestado pelo Manchester United por uma temporada e chega ao Ramón Sánchez-Pizjuán para buscar a minutagem necessária e conseguir boa sequência de jogos para convencer o técnico Tite a levá-lo para o Mundial - Renan Lodi também está nessa disputa. Telles, no entanto, terá concorrência com Marcos Acuña, lateral-esquerdo da seleção argentina.

O Valencia também aumentou seu contingente brasileiro com o empréstimo de Samuel Lino, atacante contratado pelo Atlético de Madrid ao Gil Vicente, de Portugal, e imediatamente repassado aos Ches. Terá ao seu lado no ataque Marcos André, que chegou ao clube na temporada passada procedente do Valladolid, e o experiente zagueiro Gabriel Paulista, que se naturalizou espanhol, mas ainda não foi convocado pela Furia.

Fora do radar principal

Dois jogadores que possuem vínculo com o City Football Group desembarcam em LaLiga nesta temporada. O lateral-direito Yan Couto acertou seu retorno por empréstimo ao Girona, que conquistou o acesso. Yan, formado no Coritiba, tem contrato com o Manchester City, mas vem sendo emprestado consecutivamente há três anos - em 2020-21 atuou na equipe da Catalunha na segunda divisão. O meio-capista Vinicius, cuja base foi no Flamengo, possui vínculo com o Lommel, clube belga integrante do City Football Group, e também chega por empréstimo de uma temporada, mas com o Espanyol.

Kaiky em jogo de pré-temporada com a camisa do Almería
Kaiky em jogo de pré-temporada com a camisa do Almería Almería

Por fim, outro novo membro de LaLiga conta com os últimos brasileiros da competição. O Almería, que já teve o goleiro Diego Alves como ídolo, tem os zagueiros Rodrigo Ely, que chegou em março após passagem pelo Nottingham Forest, e o jovem Kaiky, de 18 anos, comprado do Santos por sete milhões de euros.

Assim que Diego Costa for anunciado pelo Rayo Vallecano, serão 21 jogadores brasileiros espalhados em dez dos 20 times de LaLiga para a temporada 2022-23. Atletas que precisarão honrar a linda história brasileira construída na competição com nomes como Mauro Silva, Ronaldo, Roberto Carlos, Djalminha, Rivaldo, Bebeto, Ronaldinho Gaúcho, Luís Pereira e Evaristo de Macedo

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Bayern, PSG e Manchester City se destacam na primeira rodada das grandes ligas europeias

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Agora já dá para afirmar que a temporada 2022-23 começou. Premier League, Bundesliga e Ligue 1 iniciaram seus campeonatos com grandes jogos e algumas confirmações de favoritismo. Nesta semana, será a vez de LaLiga e Serie A abrirem suas temporadas para termos novamente as cinco grandes ligas europeias em atividade.

Na sexta-feira, o Bayern deu uma bela demonstração de força contra um dos times fortes da Bundesliga. Diante do atual campeão da Europa League, Eintracht Frankfurt, goleou por 6 a 1 como visitante; no intervalo já vencia por 5 a 0. Julian Nagelsmann nos apresentou ao menos uma novidade para a temporada, com Thomas Müller jogando aberto pela direita e Serge Gnabry centralizado, próximo a Sadio Mané.

Fora de casa, o Bayern passou por cima do Eintracht Frankfurt
Fora de casa, o Bayern passou por cima do Eintracht Frankfurt Bayern

Taticamente o Bayern não atuou de maneira diferente do que já vinha fazendo na temporada passada, mas algumas peças ganharam funções distintas. Sem Robert Lewandowski, o atacante senegalês atuou como atacante central, mas até mesmo pelas suas próprias características, se movimentando muito, buscando tabelas e abrindo espaço para os companheiros.

Com Müller saindo da direita e armando o jogo por dentro, Gnabry como segundo atacante, Musiala fazendo a movimentação pela esquerda, tendo o apoio de Alphonso Davies e a construção sob responsabilidade de Joshua Kimmich, o Bayern variou do 4-2-3-1 para 4-4-1-1 e 4-4-2 com enorme facilidade, envolvendo totalmente a defesa adversária com trocas rápidas de passe e muita velocidade nas transições - além da pressão imediata quando perdia a bola. Fora disso, a movimentação de Mané faz todo sentido quando há jogadores com presença de área como Gnabry e o próprio Müller

Vitória incontestável de um super time, que vai evoluir muito ainda e teve no banco Ryan Gravenberch, Noussair Mazraoui, Matthijs de Ligt, Leroy Sané...

Já no sábado foi a vez do Paris Saint-Germain entrar em campo, ainda sem Kylian Mbappé, machucado, mas com Neymar e Lionel Messi inspirados. Está evidente que o brasileiro abre a temporada muito motivado: seja pela Copa do Mundo, seja pelo suposto interesse do clube em negociá-lo. Enquanto isso, o argentino já está bem adaptado ao futebol francês e sem dúvida alguma terá rendimento melhor que em seu primeiro ano. 

Messi marcou um dos gols contra o Clermont de bicicleta
Messi marcou um dos gols contra o Clermont de bicicleta PSG

Contra o Clermont, manutenção dos três zagueiros com Sergio Ramos, Marquinhos e Presnel Kimpembe, liberando totalmente os alas Achraf Hakimi e Nuno Mendes. À frente da defesa, bem posicionados, Vitinha e Marco Verratti, que tinham o apoio de Pablo Sarabia na recomposição defensiva, deixando Neymar e Messi livres, leves e soltos. A variação do 3-4-3 na fase ofensiva para o 5-3-2 sem bola deve ser o padrão do time sob o comando de Gaultier; quando Mbappé estiver de volta, essa será uma questão a ser resolvida, já que contra adversários mais fracos da Ligue 1 é possível marcar com sete jogadores nas duas primeiras linhas, mas diante de times mais fortes, isso se torna um perigo.

Neymar marcou um gol e deu três assistências, atuação monumental. Messi mostrou como está bem e garantiu mais dois gols, um de bicicleta, e outra assistência. O quarto gol da equipe é uma prova material do companheirismo que existe na relação dos dois. Um PSG que sobrou em campo do início ao fim.

No domingo, Erling Haaland estreou na Premier League em grande estilo. Marcou os dois gols do Manchester City na vitória por 2 a 0 sobre o West Ham, em Londres. Índice de posse de bola da equipe de Pep Guardiola ficou em incríveis 75% contra uma das boas equipes da competição, imposição total, mesmo sem um número tão alto de finalizações (14), praxe muitas vezes do City. 

Primeiros dois gols marcados por Haaland na Premier League
Primeiros dois gols marcados por Haaland na Premier League Manchester City

Sobre Haaland, dois gols que mostram um de seus pontos fortes: a explosão em alta velocidade. Há muitas dúvidas sobre como o City conseguiria explorar essa característica do norueguês, sendo uma equipe dominante e enfrentando adversários com bloco baixo de marcação. No pênalti sofrido por Haaland, que ele mesmo converteu, a marcação do West Ham estava concentrada no primeiro terço da equipe e, mesmo assim, Kevin de Bruyne achou espaço para dar o passe a Haaland. A aceleração do novo atacante da equipe impediu qualquer reação dos defensores, apesar do curtíssimo espaço, e o fez chegar antes na bola do que Lukasz Fabianski.

Já o segundo gol foi mais clássico de Haaland. Em um breve momento de troca de passes do West Ham no último terço do campo, o City recuperou a bola, atraiu o adversário para a marcação alta e em nove passes fez a bola rodar no campo de defesa, parar nos pés de De Bruyne na intermediária defensiva e terminar na finalização do norueguês dentro da grande adversária; "Master class", como diriam os comentaristas ingleses.

Bayern, Paris Saint-Germain e Manchester City serão garantia de futebol no mais alto nível possível nesta temporada. E olha que o Real Madrid ainda não jogou e o Barcelona apresentou uma belíssimo cartão de visitas diante do Pumas.

Bayern de Munique, Paris Saint-Germain e Manchester City
Bayern de Munique, Paris Saint-Germain e Manchester City Matthias Hangst/Getty Images | Catherine
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Bayern, PSG e Manchester City se destacam na primeira rodada das grandes ligas europeias

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Com Nahuel Molina, Atlético de Madrid se torna o time mais sul-americano de LaLiga

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

A relação entre LaLiga e o futebol sul-americano é histórica. Alguns dos maiores jogadores da competição saíram da América do Sul rumo à Europa para brilharem em gramados espanhóis, como Romário, Alfredo di Stéfano, Diego Forlán, Ronaldo "Fenômeno", Lionel Messi, Falcao García, Ronaldinho... E tantos outros. Em 1º de agosto, faltando menos de duas semanas para o início da temporada 2022/23, o Atlético de Madrid é o time mais sul-americano da competição neste momento.

Com a chegada do lateral-direito argentino Nahuel Molina, procedente da Udinese e reforço fundamental para a posição, são sete sul-americanos no elenco rojiblanco - os compatriotas Rodrigo de Paul e Ángel Correa, os brasileiros Renan Lodi, Felipe e Matheus Cunha e o uruguaio José Giménez. Poderiam ser mais, caso Samuel Lino, atacante brasileiro contratado do Gil Vicente, não tivesse sido emprestado ao Valencia ou se Diego Simeone contasse com o lateral colombiano Santiago Arias, que na temporada passada esteve no Granada, possui um ano de contrato com o Atleti, mas está fora dos planos.

Nahuel Molina, apresentado no Atlético de Madrid
Nahuel Molina, apresentado no Atlético de Madrid Atleti

O treinador argentino, aliás, é o desempate sul-americano do Atlético de Madrid. Isso porque Elche e Sevilla também possuem sete jogadores oriundos da América do Sul, mas contam com treinadores espanhóis, Francisco Rodríguez e Julen Lopetegui, respectivamente. Além do Atlético, há outras duas equipes com técnicos sul-americanos neste início de temporada em LaLiga: Celta com o argentino Eduardo Coudet e Betis com o chileno Manuel Pellegrini.

Somente dois clubes não possuem, atualmente, jogadores sul-americanos em seus elencos: os bascos Athletic Bilbao e Real Sociedad. No primeiro caso, já houve um venezuelano que defendeu o Athletic, o zagueiro Fernando Amorebieta, filho de pais bascos, natural de Cantaura (Anzoátegui) e que optou por defender a seleção venezuelana. 

Real Madrid e Barcelona, favoritos ao título, têm três sul-americanos (Neto, Ronald Araújo e Raphinha) e cinco (Éder Militão, Casemiro, Federico Valverde, Rodrygo e Vinicius Júnior), respectivamente.

Ao todo, neste momento, são 75 jogadores sul-americanos nos elencos principais dos 20 times de LaLiga para a temporada 2022/23. Esses números podem mudar até o início da competição, no próximo dia 12, ou até o final deste mês, quando se encerra a janela de transferências na Espanha. Alguns podem chegar e outros podem sair, como Renan Lodi, por exemplo, que ainda tem situação indefinida no próprio Atlético de Madrid.

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Apresentado pela manhã, autor do gol da vitória à tarde: atacante brasileiro viveu um domingo especial na Europa

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

O ano tem sido bastante intenso para Lucas Rangel. O atacante de 27 anos, nascido em Alvorada, no Rio Grande do Sul, assim como tantos outros brasileiros, precisou fugir da guerra na Ucrânia em março. O caso de Lucas ganhou notoriedade, porque ele ajudou a mãe da namorada do influencer Anderson Dias a escapar do país e assim embarcou no avião fornecido por ele. Lucas era atacante do Vorskla Poltava até então, contratado em 2021, mas sua vida se transformou naquelas semanas.

A fuga da Ucrânia foi dura e marcante para o jogador brasileiro, que manteve esposa e filhos no Brasil. Pouco depois de retornar para casa, com a possibilidade oferecida pela FIFA de suspender seu contrato com o Vorskla, Lucas recebeu proposta de três meses do Sabah, do Azerbaijão. Viajou novamente para mais um clube e outro país em sua extensa lista europeia. Cumprido o período previsto na equipe azeri, mais um retorno para o território brasileiro e férias com a família. Na última semana, no entanto, outro convite para incrementar o currículo alternativo de jogador.

Apresentação de Lucas Rangel aconteceu na manhã de domingo, em Riga
Apresentação de Lucas Rangel aconteceu na manhã de domingo, em Riga FC Riga

Através de contatos feitos por seu empresário e um intermediário na Letônia, o FC Riga, da primeira divisão, se interessou pelo atacante. A boa proposta, com contrato de dois anos, seduziu o jogador, que precisava ainda negociar a rescisão com o Vorskla. Tudo aconteceu nos últimos dias e Lucas Rangel embarcou para a bela capital letã, onde foi apresentado como novo jogador do clube neste domingo. O que ele não imaginava é que cinco horas depois de posar para fotos com a camisa do novo time, já estaria em campo marcando o gol da vitória.

O técnico croata Sandro Perkovic, logo após a apresentação de Lucas, conversou com o jogador e disse que o relacionaria para a partida que seria disputada à tarde, em casa, contra o lanterna do Campeonato Letão, Supernova. Já eram duas rodadas sem vitória para o Riga, o que permitiu com que Rigas e Valmiera abrissem vantagem nas duas primeiras posições da tabela, por isso os reforços já teriam que jogar.

À tarde no domingo, Lucas Rangel entrou em campo e fez o gol da vitória do Riga
À tarde no domingo, Lucas Rangel entrou em campo e fez o gol da vitória do Riga FC Riga

"Eu estava há um mês e meio no Brasil sem treinar, sem fazer praticamente nada. Expliquei isso para ele, que me disse para entrar e fazer o meu melhor". O brasileiro começou no banco, mas com o 0 a 0 no intervalo foi chamado para a vaga do atacante argentino Marcelo Torres - que também foi apresentado no domingo e fazia a estreia pelo Riga. Aos 25 minutos do segundo tempo, de cabeça Lucas marcou o gol que garantiu o suado triunfo por 1 a 0 contra o Supernova. "Já saiu um hoje, da vitória", enviou mensagem para o blog logo após o jogo. O próximo compromisso será internacional, na próxima quinta-feira, contra o Ruzomberok na Eslováquia, pela segunda fase qualificatória da Conference League.

O FC Riga é o sétimo clube europeu na carreira alternativa de Lucas Rangel, que atuou no Brasil por Grêmio Barueri e Itumbiara. Antes da Letônia, o atacante defendeu o Kukësi, na Albânia, o Kapfenberger, na Áustria, duas vezes o KuPS, na Finlândia, onde viveu seu melhor momento, o Adana Demirspor, na Turquia, e por fim as experiências no Vorskla, antes do início da guerra, e os poucos meses de Azerbaijão, no Sabah.

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Aula de geopolítica e história com a primeira fase qualificatória da Conference League

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Sessenta times, 30 jogos, 26 países, um continente e incontáveis histórias. Esta é a primeira fase qualificatória da Conference League, temporada 2022-23, sorteada nesta semana pela Uefa e com jogos nos próximos dias 7 e 14 de julho. Apresentada abaixo.

Alashkert (ARM) x Hamrun Spartans (MAL)

Fundado em 1990, o Alashkert chegou a encerrar as atividades em 2000, mas foi reativado em 2011. O nome Alashkert é uma homenagem à cidade com o mesmo nome em armênio, mas localizada em território turco como Eleskirt e reinvidicada historicamente pelo povo armênio. Inicialmente o clube foi estabelecido em Martuni e em 2013 se transferiu para a capital, Yerevan. Terá pela frente o Hamrun Spartans, que volta a jogar uma competição continental após 20 anos - pôde disputar o qualificatório da Champions League em 2021-22 como campeão nacional, mas foi excluído da competição devido a um escândalo de manipulação de resultados.

Lechia Gdansk (POL) x Akademija Pandev (MAC)

O Lechia foi fundado em 1945, após a II Guerra Mundial, pela população expulsa de Lviv, no oeste da Ucrânia, e que se deslocou para Gdansk, na Polônia - cenário bem similar ao vivido atualmente por milhões de ucranianos obrigados a deixar o país por causa da guerra com a Rússia. Mesmo sendo um clube muito tradicional no país, jamais foi campeão polonês; possui dois títulos da Copa da Polônia, conquistados em 1982-83 e 2018-19. A Akademija Pandev, como o próprio nome indica, pertence ao lendário Goran Pandev, maior jogador norte-macedônio de todos os tempos. Com apenas 12 anos de história, mas bem administrado, o clube subiu rapidamente de nível na estrutura local e foi vice-campeão nacional na última temporada, além de ter conquistado a Copa em 2018-19. 

Goran Pandev, algumas vezes, aparece para conversar com os jogadores de seu clube
Goran Pandev, algumas vezes, aparece para conversar com os jogadores de seu clube Pandev

Inter Turku (FIN) x Drita (KOS)

Apenas Inter para seus torcedores, o glorioso representante da cidade de Turku, sexta maior da Finlândia com 195 mil habitantes, venceu em toda história apenas um jogo em fases preliminares de Champions, Europa League ou Conference. Foi em 2019, quando surpreendeu o Brøndby, da Dinamarca, por 2 a 0, mas foi goleado na volta e acabou eliminado na primeira fase qualificatória da Europa League. Já que citamos Turku, a cidade foi capital da Finlândia por um breve período em 1809, logo após a Guerra Finlandesa travada entre o Reino da Suécia e o Império Russo - a cultura finlandesa é extremamente influenciada pelos dois países vizinhos. O Drita, fundado enm 1947, tem sua história vinculada às guerras nos Balcãs, já que em 1991 se dividiu em duas instituições, uma ficando com o iniciante ainda profissionalismo em Kosovo - região que não tem sua independências reconhecida pela Sérvia. O nome "Drita" tem origem na língua albanesa e significa "Luz".

Dinamo Tbilisi (GEO) x Paide Linnameeskond (EST)

Maior clube da Geórgia, com 18 títulos nacionais, foi também uma potência no período soviético. Ganhou duas vezes o Campeonato da URSS, em 1964 e 78, além de duas Copas (1976 e 79) e jamais foi rebaixado, assim como Dinamo Moscou e Dinamo Kiev. Tanto é que se tornou o único representante georgiano, até hoje, a ser campeão continental: venceu a Recopa de 1980-81, deixando pelo caminho Kastoria (GRE), Waterford United (IRL), West Ham (ING), Feyenoord (HOL) e Carl Zeiss Zena, da Alemanha Oriental, na decisão em Düsseldorf. Pela frente, agora, terá o modesto Paide Linnameeskond, cujo estádio possui capacidade para 500 torcedores em uma cidade de oito mil habitantes. O clube surgiu como filial do Flora Tallinn e mantém atualmente parceria com o Real de Banju, de Gâmbia, o que explica a presença de alguns jogadores gambianos no elenco atual e nos últimos anos.

Panevežys (LIT) x Milsami Orhei (MOL)

Confronto de dois clubes jovens, algo muito comum no leste da Europa. No caso do Panevežys, fundado em 2015, na cidade com o mesmo nome, e que disputa a primeira divisão lituana há apenas três anos. A quarta colocação na última temporada foi a melhor na pequena história da equipe. O Milsami, que surgiu em 2005, se orgulha de ser o primeiro fora fora da capital da Moldávia, Chisinau, e de Tiraspol, capital da Transnístria e casa do poderoso Sheriff, a conquistar o Campeonato Moldavo (2014-15).

Laçi (ALB) x Iskra (MON)

Na temporada passada, o Laçi foi longe nas fases qualificatórias da Conference League: eliminou Podgorica, de Montenegro, e Universitatea Craiova, da Romênia, até cair na terceira fase para o forte Anderlecht, da Bélgica. O escudo do clube tem claríssima inspiração no antigo da Juventus, de Turim. O Iskra, de Montenegro, é da cidade de Danilovgrad, que leva esse nome em homenagem a Danilo I, príncipe de Montenegro entre 1851 e 1860 - nas línguas eslavas, o sufixo "grad" significa "cidade".

Liepaja (LET) x Gjilani (KOS)

O veterano atacante brasileiro Dodô, de 34 anos, é ídolo do Liepaja. Natural do Rio de Janeiro, Dodô foi indicado por Eduardo da Silva, que defendeu a seleção croata, ao Inter Zapresic e lá iniciou sua trajetória profissional. Desde janeiro de 2019 está na Letônia e já marcou 39 gols em 96 jogos pelo Liepaja (até maio deste ano). Também tem grande fama no Azerbaijão, onde defendeu o Gabala entre 2011 e 2016. É a esperança de gols contra o Gjilani, que faz o maior dérbi do Kosovo contra o Drita, outro representante do país na Conference League.

Sfintul Gheorghe (MOL) x Mura (ESL)

Após o inédito e incrível título esloveno conquistado na última rodada da temporada 2020-21, o Mura foi quarto colocada na última edição e se classificou para a primeira fase qualificatória da Conference. O técnico atual é Damir Contala, de apenas 37 anos, que treinava o sub-21 no ano passado e substituiu Ante Šimundža. Será um dos confrontos de menor população, já que Murska Sobota, na Eslovênia, possui população de 11 mil habitantes e Suruceni, casa do Sfintul Gheorghe na Moldávia, tem 3 mil habitante.

KuPS (FIN) x Dila Gori (GEO)

Paulo Ricardo, revelado pelo Santos, defende o KuPS desde 2021
Paulo Ricardo, revelado pelo Santos, defende o KuPS desde 2021 KuPS

Paulo Ricardo, zagueiro revelado pelo Santos, defende o KuPS, abreviação para Kuopion Palloseura, desde 2021. Ele mesmo fala sobre a importância da Conference League. "É uma competição que chegou para abrir portas para clubes que não estavam acostumados a disputar competições europeias. No ano passado tivemos uma boa campanha no qualificatório, caímos na última fase para o Union Berlim. Acredito que será um grande confronto contra o FC Dila, que pelo que vi tem quatro brasileiros no elenco. Será um confronto bem equilibrado, com sete brasileiros no total, três do nosso lado. Seria um grande marco para o clube jogar pela primeira vez a fase de grupos de uma competição europeia. Estamos nos preparando muito para essa competição, temos dois grandes objetivos na temporada: conquistar a Veikkausliiga e se classificar para a fase de grupos da Conference. Particularmente, a Conference é um campeonato muito especial pra mim, porque marcou minha chegada no clube. Meu segundo jogo foi contra o Union Berlim"

Ružomberok (ESV) x Kauno Žalgiris (LIT)

O esporte de maior sucesso na pequena cidade de Ružomberok é o basquete feminino, com o time local bicampeão europeu nas temporadas 1999 e 2000. A equipe masculina de futebol jamais chegou perto disso e soma apenas quatro vitórias em torneios continentais, a última conquistada em 2017. Enfrentará um clube cujo esporte mais forte tambem não é o futebol, e sim o basquete masculino, onde o Zalgiris Kaunas é extremamente tradicional (revelou, entre outros, Arvydas Sabonis) e vitorioso (campeão da Euroliga em 1998-99).

Buducnost Podgorica (MON) x Llapi (KOS)

Dois dos maiores nomes na história do futebol iugoslavo foram revelados pelo Buducnost: Dejan Dejan Savicevic e Predrag Mijatovic. Ambos nasceram em Titograd, nome da atual Podgorica nos tempos de comunismo - homenagem ao General Josip Broz Tito. Mesmo sem jamais ter vencido um campeonato nacional na época da Iugoslávia, foi o representante montenegrino de maior sucesso na primeira divisão. Montenegro é um país alinhado ideologicamente à Sérvia, que não reconhece a independência de Kosovo.

Gzira United (MAL) x Atlètic Club d'Escaldes (AND)

Na primeira fase qualificatória da Europa League 2019-20, o pequeno Gzira United, de Malta, recebeu o tradicional Hajduk Split. Em casa, perdeu o jogo de ida por 2 a 0 e viajou para a Croácia desacreditado por todos. De virada, com três gols no segundo tempo, um deles marcado aos 51 minutos, bateu o Hajduk por 3 a 1 e se classificou pelos gols marcados fora. Na fase seguinte acabou elimindo pelo Ventspils, da Letônia, mas a história já estava feita. O Atlètic Club d'Escaldes não tem nenhuma história como essa.

Borac Banja Luka (BOS) x B36 Tórshavn (FAR)

Um dos mais alternativos confrontos, reunindo equipes da Bósnia e das Ilhas Faroe, com as cidades, Banja Luka e Tórshavn, distantes 2464 km uma da outra em linha reta. São também duas capitais, mas com status diferentes, já que no caso feroês é a capital nacional, enquanto no caso bósnio é a capital da Republika Srpska, parte do território da Bósnia de influência sérvia. Em campo, dois clubes com títulos nacionais nos últimos anos em seus países.

Olimpija Ljubljana (ESL) x Differdange (LUX)

Robert Prosinecki nos tempos de Estrela Vermelha
Robert Prosinecki nos tempos de Estrela Vermelha Divulgação

O técnico do Olimpia Ljubljana desde março deste ano é uma lenda no futebol do Leste Europeu. Robert Prosinecki, campeão europeu com o Estrela Vermelha em 1991, ex-jogador do Real Madrid, ídolo da seleção iugoslava e depois da Croácia, tem a missão de levar o Olimpia à fase de grupos da Conference League e de conquistar novamente o Campeonato Esloveno, algo que não acontece desde 2018. É o favorito contra o Differdange, do técnico Paolo Amodio, ex-atleta da seleção de Luxemburgo e há três anos no cargo.

Larne (IRN) x St. Joseph's (GIB)

Gibraltar é um pedaço de terra com aproximadamente 6,7 km2, cuja maior parte é coberta por uma gigantesca rocha. Nele vivem aproximadamente 34 mil gibraltarinos que, nos momentos de lazer, torcem por seus clubes de futebol. O St. Joseph's não é um dos preferidos ou mais vitoriosos com apenas um título nacional, conquistado em 1995-96 - muito distante do recordista Lincoln Red Imps, com 25.  Coincidentemente, seu rival, o Larne, também possui apenas um título nacional na Irlanda do Norte, mas conquistado há menos tempo, em 2018-19.

Breidablik (ISL) x Santa Coloma (AND)

A base mais famosa do futebol islandês pertence ao Breidablik. Johann Gudmundsson chegou ao clube com apenas sete anos e saiu com 16 para o futebol inglês, Gylfi Sigurdsson atuou pelas equipes menores do Breidablik entre 2003 e 2005 e Alfred Finnbosagon se profissionalizou no time e trilhou carreira pela Europa, para citarmos apenas três exemplos de atletas formados no clube. Curiosamente, o mesmo sucesso não se repete nos resultados do time principal, já que o Breidablik possui um único título nacional (2010). Enfrentará o Santa Coloma, de Andorra, que disputará a primeira fase qualificatória de uma competição da UEFA pela nona vez: soma 14 derrotas em 14 partidas.

DAC Dunajská Streda (ESV) x Cliftonville (IRN)

O antigo estádio Mestský, casa do DAC Dunajská Streda, construído em 1953, passou por enorme reforma entre 2016 e 2017 ao custo de 22 milhões de euros. Tornou-se uma arena moderna, com capacidade para 12700 torcedores e classificada com quatro estrelas pela UEFA. Será palco de um dos confrontos contra o Cliftonville, tradicional time de Belfast, fundado em 20 de setembro de 1879, o que lhe garante a condição de clube mais antigo da Irlanda do Norte.

Víkingur (FAR) x Europa (GIB)

Terceiro colocado na temporada 2021 da Betrideildin, o Campeonato Feroês, o Víkingur possui boa estrutura de futebol, mantendo times em todas categorias de base, além das equipes princinpais no masculino e no feminino. Surgiu em 2008, a partir da fusão de dois outros clubes e já soma dois títulos nacionais (2016 e 2017) e cinco da Copa das Ilhas Faroe. Terá pela frente um clube que, dentro de sua pequena realidade regional, também faz trabalho similar e amplo com o futebol local, que é o caso do Europa FC, fundado em 1925, em Gibraltar.

Bala Town (GAL) x Sligo Rovers (IRL)

O curioso nome, ao menos em português, de "Bala Town" tem origem na cidade com a mesma nomenclatura, localizada na região leste do País de Gales e com população inferior a 2 mil habitantes. E não é a única Bala no mundo! Em 1868, em Ontario, no Canadá, foi fundada uma comunidade rural com o mesmo nome, em homenagem à irmã galesa. Quem estará na cidade é o Sligo Rovers, clube irlandês, cujos proprietários são os cidadãos de Sligo, cidade de 20 mil habitantes no norte do país, que formam uma cooperativa local de sócios minoritários.

Tre Fiori (SMR) x Fola Esch (LUX)

San Marino, país de origem do Tre Fiori, está na última posição do ranking de coeficiente de clubes da UEFA. Já Luxemburgo vem apresentando evolução e ocupa hoje a 37ª posição, muito graças à campanha do próprio Fola Esch na última Conference League. A equipe caiu na primeira fase qualificatória da Champions para o Lincoln Red Imps, de Gibraltar, e seguiu para a nova competição, onde eliminou Shahktyor Soligorsk (Belarus) e Linfield (Irlanda do Norte), antes de cair nos playoffs para o Kairat (Azerbaijão).

Dinamo Minsk (BEL) x Decic (MON)

O Dinamo Minsk, fundado em 1927, fez parte da Sociedade Esportiva Dinamo, que abrangia todos os clubes "Dinamos" da União Soviética. Foi o único time bielorrusso a alcançar a primeira divisão soviética, e não apenas isso: foi campeão na temporada de 1982. Por causa da guerra na Ucrânia e o papel de Belarus no conflito, a UEFA determinou a proibição do mando de campo das equipes bielorrussas em seu país. Com isso, precisará enfrentar o Decic, de Montenegro, em outro país, muito provavelmente a Sérvia, onde a seleção de Belarus mandou seus jogos recentes pela Nations League. Sérvios, montenegrinos e bielorrusso são aliados ideológicos dos russos.

Tre Penne (SMR) x Partizani (ALB)

A primeira experiência internacional do Tre Penne, representante de San Marino, aconteceu na segunda fase qualificatória da Europa League de 2010-11. O sorteio colocou o Zrinjski Mostar, da Bósnia, pela frente. Fora de casa, goleada sofrida por 4 a 1, mas em seu estádio veio o pior, com um atropelamento de 9 a 2 para os bósnios. Doze anos depois, o time samarinês voltará a enfrentar um adversário bósnio, desta vez o Tuzla, atual vice-campeão de seu país - batido, justamente, pelo Zrinjski.

Saburtalo Tbilisi x Partizani

Fundado em 1999 na capital georgiana, Tbilisi, o Saburtalo foi comprado seis anos depois por um grupo empresarial local, que representa no país várias marcas automotivas internacionais, como Volkswagen, Audi, Skoda, Seat, Kia Motors e Mitsubishi Motors. O proprietário desse grupo, e também do time, é Tariel Khechikashvili, que chegou na última década a se tornar Ministro dos Esportes. Alcançou a primeira divisão apenas em 2015, mas de lá para cá ganhou o campeonato uma vez (2018) e se mantém entre os mais forte do país. Jogará contra o Partizani, na Albânia, na Arena Kombëtare, palco da final da Conference League entre Roma e Feyenoord na temporada passada.

A Roma conquistou a edição inaugural da Conference League na Arena Kombëtare
A Roma conquistou a edição inaugural da Conference League na Arena Kombëtare UEFA

Shkëndjia (MAC) x Ararat Yerevan (ARM)

O Shkëndjia surgiu em 1979 como uma forma de representação e união dos albaneses de Tetovo sob o regime iugoslavo. Inicialmente não teve aprovação para funcionar, por parte das autoridades locais da Iugoslávia, mas resistiu. Atualmente é um dos clubes mais importantes da Macedônia do Norte, joga em uma moderna arena, que pertence a um grupo dos Emirados Árabes Unidos, e enfrentará um clube histórico do período soviético. O Ararat, que leva esse nome por causa do Monte Ararat (montanha localizada em território turco, vista da capital armênia, Yerevan, e símbolo dos conflitos entre esses povos) foi campeão da URSS em 1973 e na Champions League da temporada 1974-75 alcançou as quartas de final, caindo apenas para o Bayern.

Floriana (MAL) x Petrocub Hincesti (MOL)

Malta é o menor membro da União Europeia em território, com apenas 316 km2. Isso faz com que, em média, 1633 pessoas vivam na ilha, antiga colônia britânica, por km2. O Floriana é um dos clubes mais populares entre todos habitantes, disputa a preferência principalmente com o Valletta e o Sliema Wanderers. Os clássicos com os rivais, em décadas passadas, foram motivo de enorme preocupação para o governo maltês por um problema que veio com os colonizadores: o hooliganismo.

Pogon (POL) x KR (ISL)

O uniforme alvinegro listrado do KR, abreviatura de Knattspyrnufélag Reykjavíkur, é inspirado na clássica vestimenta do Newcastle. Clube mais dominante do futebol islandês com 27 títulos, não vence a competição desde 2019. É também o maior campeão no basquete masculino da Islândia, com 18 conquistas. O KR é de Reykjavík, capital da Finlândia, país com a população considerada a mais feliz do mundo em 2021, pelo organização Global Citizen - que produzi esse ranking baseado em farores sócio-econômicos, incluindo expectativa de vida, saúde, liberdade e tantos outros essenciais para compater a pobreza global.

HB (FAR) x Newtown (GAL)

O proprietário do Havnar Bóltfelag, mais conhecido como HB, é o ex-primeiro ministro das Ilhas Faroe, Kaj Leo Johannesen, que liderou o país entre 2008 e 2015. Sua vida pregressa, no entanto, não está ligada à política feroesa, mas sim ao futebol. Johannesen foi goleiro do HB de 1984 a 2004 e é considerado uma lenda no clube. Além disso, chegou a disputar quatro jogos pela seleção das Ilhas Faroe também na década de 1990.

Bruno's Magpies (GIB) x Crusaders (IRN)

Entre tantas histórias curiosas que a Conference League nos oferece, a origem do Bruno's Magpies talvez seja a mais alternativa de todas. O quarto colocado do último Campeonato Gibraltarino foi fundado em 2013 por um grupo de amigos que se reuniam sempre no Bruno's Bar & Restaurant, em Gibraltar. A brincadeira foi se tornando séria, bons resultados foram acumulados e o time se profissionalizou. A ponto de, em 2019, ter parte vendida para o ex-patinador olímpico britânico Haig Oundjian, que chegou a ser dirigente do Watford também, e permanece como um dos proprietários do Bruno's Magpies até hoje.

Flora (EST) x SJK (FIN)

O SJK conta com alguns jogadores de boas histórias. O atacante ucraniano Denys Oliynyk, de 34 anos, está por lá desde 2018, foi destaque do Metalist Kharkiv e do Dnipro Dnipropetrovsk nas duas últimas décadas e chegou à seleção também. Já o meio-campista Matej Hradecky tem um irmão muito famoso na Finlândia, Lukás, goleiro do Bayer Leverkusen e também da seleção finlandesa. Por fim, claro, há um jogador brasileiro: Pablo Andrade, que esteve na campanha de acesso para a segunda divisão do Racing de Santander na última temporada.

Derry City (IRL) x Riga (LET)

O Derry voltará a jogar em Riga, belíssima capital da Letônia, após 13 anos. Em 2009, pela segunda fase qualificatória da Europa League, arrancou empate em 1 a 1 com o Skonto fora de casa e garantiu a classificação em Derry, segunda maior cidade da Irlanda do Norte, ao vencer por 1 a 0 - depois caiu para o CSKA Sofia, da Bulgária. O clube já foi tema de capa de disco da banda de punk The Undertones e a torcida, nos clássicos com o Finn Harps, Teenage Kicks, famosa canção do grupo formado na década de 1970.

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Negociação com Newcastle não avança, e Renan Lodi tem futuro indefinido no Atlético de Madrid

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

As conversas que aconteciam entre os representantes de Renan Lodi e o Newcastle, que despontava como favorito na contratação do lateral brasileiro, não avançaram. O staff do jogador já descarta totalmente a transferência para o clube do norte da Inglaterra, pelo que soube a ESPN. Assim, Renan permanece com o futuro indefinido no Atlético de Madrid.

O jogador perdeu espaço na última temporada no time titular e o clube, como publicado anteriormente pela ESPN, justamente pelo papel secundário de Renan no elenco colchonero e a chegada de Reinildo, está disposto a ouvir propostas pelo brasileiro. Há interesse de clubes franceses, italianos e outros ingleses, mas neste momento sem qualquer contato oficial, apenas sondagens.

 Veja os gols de Renan Lodi!


         
     

 

 Além disso, os representantes de Renan entendem que o Atlético de Madrid não aceitará qualquer proposta inferior a 30 milhões de euros, cerca de R$ 158 milhões, o que abre margem para um possível empréstimo. Renan Lodi tem contrato até 2025 e ainda está na disputa por uma vaga na seleção brasileira para a próxima Copa do Mundo. No entanto, precisa jogar com maior frequência para efetivamente concorrer com Alex Sandro (Juventus), Alex Telles (Manchester United) e Guilherme Arana (Atlético Mineiro).

Desde quando chegou, em 2019, contratado por 20 milhões de euros ao Athletico Paranaense, Renan Lodi viveu altos e baixos no Atlético de Madrid, variando muito de acordo com o esquema tático utilizado por Diego Simeone - com linha de quatro ou cinco defensores. Além de Reinildo, que terminou a temporada jogando como zagueiro pela esquerda, a disputa é intensa com Yannick Carrasco, titular na ala do Atlético pelo lado esquerdo.

Essa situação fez com que Renan Lodi, após a atual temporada, pensasse muito sobre a sequência da carreira, porque sabe que precisa jogar com maior regularidade para disputar uma vaga no Catar.

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Negociação com Newcastle não avança, e Renan Lodi tem futuro indefinido no Atlético de Madrid

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Valorizado por grande temporada, Vini Jr. negocia novo contrato de 5 anos com aumento significativo no Real Madrid; acordo está próximo

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Real Madrid e Vinicius Jr. seguem em negociação para um novo contrato e a expectativa é que o novo acordo seja fechado até a próxima semana. Os valores oferecidos pelo clube espanhol agradam o jogador, mas o tempo de duração do novo vínculo ainda gera impasse. Os merengues querem no mínimo cinco anos de contrato, mas fizeram proposta até 2028; os representantes do atacante brasileiro preferiam inicialmente acordo até 2026, mas estão propensos a fechar por um ano mais, ou seja, 2027.

O entendimento de pessoas que trabalham com Vini Jr. é que, neste momento, ele não conseguirá um "salário de Mbappé", mas com a evolução apresentada na última temporada e a perspectiva de crescimento ainda maior para as próximas, um eventual vínculo tão grande o deixaria preso a um patamar salarial já não condizente com seu tamanho no time - como é a realidade atual, ainda com o primeiro contrato assinado em 2018 e vínculo até 2024, o que jamais foi um problema para o jogador, sempre muito consciente de seu status na equipe. 

Um dos heróis do título, Vinicius Júnior comemora a conquista da Champions League pelo Real Madrid
Um dos heróis do título, Vinicius Júnior comemora a conquista da Champions League pelo Real Madrid Getty Images

Representantes do atacante estiveram pela última vez reunidos com a diretoria do clube antes do segundo jogo contra o Chelsea, pelas quartas de final da Champions League, como informado anteriormente pela ESPN. Desde então, todas as conversas aconteceram por telefone. Vinicius, após os compromissos da seleção brasileira contra Japão e Coreia do Sul pela última Data FIFA, passa férias nos Estados Unidos.

Foram 52 jogos para Vinicius Jr em 2021-22 pelo Real Madrid, com 22 gols e 20 assistências. Na prática, foi a temporada de explosão técnico do jogador de 21 anos, que faz aniversário no próximo dia 12 de julho; apenas em LaLiga, Vini teve o segundo melhor aproveitamento em finalizações (57,33%), foi líder isolado em jogadas de 1x1 (347) e primeiro em chances claras de gol criadas (35). Na Champions colocou seu nome na história merengue ao fazer o gol na final contra o Liverpool, que garantiu o 14º título da competição para o clube, e também se consolidou nas convocações da seleção - nome certo no Catar.

Além disso, Vinicius investiu muito em toda equipe que trabalha consigo em Madri, como mostrado pela reportagem da ESPN em abril, que vai bem além da parte esportiva - o que lhe permitiu evoluir muito como atleta profissional.

Sobre o processo de cidadania espanhola, que dará a Vinicius o passaporte europeu, o Real Madrid informou o staff do atleta que não será possível obtê-lo antes do início da próxima temporada. O brasileiro tem direito por viver há pelo menos dois anos de maneira consecutiva na Espanha e já ter realizado a prova de conhecimento da língua e da cultura espanhola, ainda durante a temporada 2020-21. Os processos de cidadania em território espanhol estão mais lentos, porque se acumularam durante o período de pandemia.

Top 5 de Vini Jr. pelo Real Madrid: arrancada imparável, 'toco y me voy' e bomba no ângulo em LaLiga 21/22


         
     

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Volante, gamer e empresário: a vida de Casemiro além do futebol

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman
Casemiro é fundador da equipe Case eSports
Casemiro é fundador da equipe Case eSports Divulgação

Qualquer semelhança entre o Real Madrid e a Case Esports não é mera coincidência. Quando fundou sua própria equipe de esportes eletrônicos no final de 2020, o volante Casemiro se inspirou em tudo que aprendera como madridista, da mentalidade vencedora em Chamartín a todos os cuidados existentes com os atletas.

O investimento de jogadores de futebol em eSports tem se tornado cada vez mais comum. César Azpilicueta (Chelsea), Mesut Özil (Fenerbahçe), Antoine Griezmann (Atlético de Madrid), Bernd Leno (Arsenal), Eduardo Salvio (Boca Juniors), Douglas Costa (LA Galaxy) e Gareth Bale, companheiro de Casemiro no Real Madrid, são alguns exemplos que variam proprietários de equipes ou apenas investidores no ramo.

Casemiro é proprietário da Case Esports
Casemiro é proprietário da Case Esports Divulgação

A conexão é natural. O carteado de antigamente nas concentrações da equipe foi substituído pelos videogames há muito tempo. As atuais gerações já cresceram dentro do universo eletrônico - desde os mais velhinhos com o universo Nintendo e Sega, até as modalidades online mais praticadas atualmente. Fora, é claro, a enorme ligação que existe entre o futebol e os jogos eletrônicos, com os sucessos de franquias como FIFA e PES.

A Case Esports conta com 21 jogadores e três treinadores, sendo 19 homens e cinco mulheres, representantes de sete países (Espanha, Brasil, Polônia, Rússia, Tchéquia, Lituânia e Bulgária). Todos estão divididos em cinco equipes de acordo com o game - CS:GO, League of Legends, FIFA e Valorant

Casemiro, CEO da empresa, sempre foi fã de Counter-Strike: Global Offensive, pontapé de partida na Case. Todos que o assistem em campo, com as camisas do Real Madrid e da seleção brasileira, percebem seu nível de competitividade. Defender essas duas equipes exige nível altíssimo de concentração e absoluta dedicação, já que nada além de títulos é suficiente na cobrança exercida. 

"Quero que eles sejam os melhores" foi uma das frases usadas por Casemiro na época do lançamento da Case Esports e explica muito bem todo conceito envolvido no projeto.

Duas séries documentais lançadas nos últimos anos abordam bastante o madridismo. "Galácticos" e "La Leyenda Blanca" tratam as ideias que moldam o espírito do clube, suas ambições e o constante objetivo de ser o mais importante do mundo. Casemiro vivencia esse cenário há quase 10 anos, com três títulos de LaLiga, uma Copa do Rei, três Supercopas da Espanha, três Mundiais, duas Supercopas europeias e quatro Champions Leagues, em busca da 5ª no próximo sábado (28), contra o Liverpool

O brasileiro conhece bem a pressão existente e as melhores formas de se lidar com isso, por isso entende que, para seus atletas de eSports, é fundamental oferecer toda estrutura possível para que se concentrem apenas nos jogos.

A sede da Case Esports fica em Madri e conta com ampla estrutura para os atletas, dividida entre Game House e Game Office. A primeira possui serviços de apoio para maior comodidade dos jogadores, cozinha, funcionários das áreas de fisioterapia, administrativo e mobilidade. Já o Game Office, onde Casemiro mantém uma sala, é a área de treinamento diário. A ideia é realmente que eles tenham rotina de atletas profissionais, saindo de casa e indo para o CT, como Casemiro faz na Ciudad Deportiva do Real Madrid.

Equipe feminina da Case Esports na estrutura da empresa em Madri
Equipe feminina da Case Esports na estrutura da empresa em Madri Divulgação

Tamanho da equipe

Dentro do universo de eSports, a Case Esports é vista com enorme potencial, apesar de ainda estar distante das melhores equipes, até pelo curto tempo de existência. Na Espanha, por exemplo, a potência no ramo se chama DUX Gaming, empresa que pertence a outros dois jogadores: Thibaut Courtois, companheiro merengue de Casemiro, e Borja Iglesias, atacante do Betis. 

"No dia a dia nós acabamos não falando muito sobre esse assunto, mas acho muito legal que outros jogadores tenham esse mesmo objetivo de investir e agregar valor pro cenário dos games", afirma Casemiro, em conversa exclusiva com a ESPN.

As equipes foram montadas em conjunto com Carlos García, manager da equipe, em quem o brasileiro confia muito, mas como presidente, o meio-campista do Real Madrid teve participação direta na contratação dos jogadores.

"Eu sempre quis ter minha equipe, pois desde garoto eu gostava muito de jogos eletrônicos. Quando a ideia de montar a equipe amadureceu, eu vi que poderia ajudar o cenário dos games com a minha imagem e com a minha conduta profissional. Mais do que uma mentalidade vencedora, o que eu tento passar para todos que atuam na minha equipe é que eles sejam bons exemplos, tanto jogando quanto no dia a dia", garante o madridista.

Resultados começaram a aparecer. Vitória na primeira etapa de LOL, 2º lugar na primeira etapa de Valorant, colocação entre os 10 do NA do CS:GO... Sempre dentro do universo espanhol de eSports

O investimento em atletas talentosos também foi determinante. Lucas 'Steel' Lopes, de 29 anos, está na Case Esports desde agosto de 2021. Ele é o capitão da equipe de Counter Strike e se lembra bem das primeiras conversas com Casemiro. 

"Ele é um profissional em atividade, e que ganhou muita coisa. Sabe o caminho para ser campeão. O curioso é que, no meu caso, sou o capitão do time, e quando conversamos sobre entrar na equipe, gostei muito da forma como ele pensa. Entende que a competição é dura, que para chegar lá necessita de todo um processo. Ele entende bastante as nossas dificuldades, tira bastante da pressão que normalmente teríamos em outras organizações", salientou.

Steel, ao centro, é o capitão da equipe de Counter Strike da Case Esports
Steel, ao centro, é o capitão da equipe de Counter Strike da Case Esports Divulgação

A rotina de Casemiro é puxada no Real Madrid, é impossível participar ativamente no dia-a-dia da Case Esports. Carlos García foi fundamental para tirar o projeto, que existia há três anos, do papel em 2020. Antes, houve a possibilidade de parcerias, todas recusadas por Casemiro, porque desejava ter o próprio projeto com seu nome e seus conceitos. 

"Achei muito legal porque ele traz muita coisa do futebol para o e-Sports em questões contratuais mesmo. Nunca tinha visto em outras organizações. Ele ofereceu coisas que eu nunca tinha visto antes, em sete anos como profissional, é uma injeção de motivação", relata Steel.

"Hoje nós temos mais de 40 pessoas envolvidas na estrutura da Case Esports, é uma grande responsabilidade. E o conceito principal é que não vamos cobrar títulos, mas sim comprometimento, entrega. Até porque eu sei que quando há compromisso, os resultados vêm naturalmente. Peço para cada um que trabalha na equipe, não só os jogadores, que façam com paixão, com prazer o trabalho do dia a dia", explica Casemiro.

Futuro como gamer

Casemiro tem o costume de convidar os jogadores para almoços na sua casa e em restaurantes na capital espanhola. As conversas variam entre futebol, e-Sports e a rotina como atletas profissionais. Além disso, todos da Case Esports estão praticamente em todos os jogos no Santiago Bernabéu.

A ideia de criar a Case Esports surgiu, naturalmente, da relação de Casemiro com os jogos eletrônicos. Desde garoto nos tradicionais videogames até os dias atuais no Counter Strike, o madridista é apaixonado pelas modalidades online. A dúvida que fica é: sabe jogar ou é melhor ficar só no futebol?

"Por incrível que pareça, e eu não vou puxar o saco, ele joga super bem. O Casemiro é muito bom em CS, bastante inteligente jogando. Acho que vem da personalidade dele no futebol. Tenho muita curiosidade sobre a parte tática do futebol, e eu perguntava muito para ele. Parece que ele traz isso para o CS. Joguei algumas partidas com o Casemiro e ele tenta ter um estilo de jogo bastante constante, sem loucura, um jogo funcional. Assemelha-se bastante com a característica dele no futebol", garante Steel.

Na última terça-feira, quando questionado sobre quais jogadores do Real Madrid possuem perfil para se tornarem treinadores de futebol, Carlo Ancelotti citou Casemiro. Daqui a muito anos, quando decidir se aposentar, ao que parece, o brasileiro terá algumas opções para a sequência da carreira profissional.

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Seleção da temporada 2021-22 de LaLiga: dois brasileiros e o melhor do mundo

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

A temporada de LaLiga começou indefinida. O então campeão, Atlético de Madrid, manteve a base do título e buscou reforços como Rodrigo de Paul, Antoine Griezmann e Matheus Cunha. O Barcelona seguia com Ronald Koeman e muitos problemas, enquanto o Real Madrid contratou novamente Carlo Ancelotti. Ao grupo de favoritos permanecia o Sevilla, que brigara pela taça até o final na temporada anterior.

Com o passar das rodadas, o favoritismo de uma equipe ficou claro. Com regularidade, força coletiva, excelentes desempenhos individuais e muitos tropeço dos rivais, o Real Madrid se tornou o melhor time de LaLiga em 2021-22 com sobras e conquistou sua 35ª LaLiga. Adversários melhoraram, principalmente o Barça a partir da virada de ano, com a chegada de Xavi, os reforços no ataque e a ressurreição de Ousmane Dembélé - a goleada sobre o Real Madrid foi a maior prova, apesar da queda técnica logo na sequência.

Real Madrid foi campeão espanhol pela 35a vez na história
Real Madrid foi campeão espanhol pela 35a vez na história Real Madrid

A principal característica de LaLiga, mais uma vez, foi a técnica. Trata-se de uma competição de altíssimo nível de jogo, onde mesmo os times que lutam contra o rebaixamento possuem qualidade e oferecem duelos equilibrados com as melhores equipes. Um bom exemplo foi o incrível Sevilla 5x3 Levante, partida com mais gols na temporada ao lado de Mallorca 2x6 Granada. A média de gols do campeonato ficou em 2,5 por jogo e de público em 22,829 torcedores por partida.

Abaixo está a seleção da temporada baseada nas análises individual, coletiva, empírica do jogo e estatística (base de dados do Wyscout).

Thibaut Courtois (Real Madrid)

Foram 29 gols sofridos em 36 jogos, grandes atuações e defesas monumentais. Courtois se coloca novamente entre os melhores goleiros do mundo com atuações de altíssimo nível na equipe campeã - e mesmo assim foi o nono no total de defesas com 95. Há uma estatística avançada chamada "Gols evitados", na qual o goleiro belga se destacou também: quarto em LaLiga com média de 4,69.

Héctor Bellerín (Betis)

Emprestado pelo Arsenal, Bellerín teve alguns problemas com lesões que o impediram de alcançar um número maior de partidas - foram somente 23 nesta temporada de LaLiga. De qualquer modo, aos 27 anos, recuperou o bom nível apresentado na Premier League. Importante no ataque do Sevilla, como é sua característica, mas bem também na defesa, onde alcançou média de 4,27 interceptações por jogo, 6,9 recuperações no campo adversário e 6,36 duelos defensivos vencidos por partida.

Diego Carlos (Sevilla)

Representante da melhor defesa de LaLiga, com apenas 30 gols sofridos, Diego Carlos mais uma vez atuou em altíssimo nível. Nenhum jogador bloqueou mais finalizações do que ele (28), sétimo em aproveitamento nos duelos aéreos (65,1%) entre os zagueiro com pelo menos 20 jogos, terceiro entre todos jogadores com mais passes (2068) e ainda colaborou no ataque com três gols. Em sua terceira temporada pelo Sevilla, um dos destaques de LaLiga.

 

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David Alaba (Real Madrid)

Melhor contratação da temporada de LaLiga. O Real Madrid não precisou pagar ao Bayern de Munique para levar o defensor austríaco, solução imediata para uma defesa que abriu mão de Sergio Ramos e Raphaël Varane. Excelente zagueiro, cobrindo também a lateral-esquerda quando Carlo Ancelotti precisou, se tornou um elemento estratégico na fase ofensiva da equipe, aparecendo na grande área para finalizar (dois gols e três assistências em 30 jogos). Adaptação muito rápida e ótimo entrosamento com Éder Militão.

Jordi Alba (Barcelona)

O tempo passa, o tempo voa e o Jordi Alba continua numa boa. Com ou sem Lionel Messi, com Ronald Koeman ou Xavi, tanto faz, o lateral-esquerdo segue como uma das referências ofensivas do Barcelona. Nove assistências (terceiro em LaLiga), segundo com maior número de passes (2414) em LaLiga e também com segunda maior média por partida (75,7), terceiro em passes para o último terço (343)... Muitos números que ajudam a mostrar a eficiência do lateral de 33 anos.

Dani Parejo (Villarreal)

Foram oito assistências na temporada 2021-22, quarto jogador com mais passes para o último terço (332) e, acima de tudo, absoluta regularidade. Em mais uma temporada de longa campanha continental para o Villarreal, o veterano meio-campista de 33 anos esteve em campo 33 vezes pelo Submarino Amarelo em LaLiga. A última vez que Parejo disputou menos que 30 partidas no campeonato foi em 2012-13.

Luka Modric (Real Madrid)

Luka Modric, mas pode chamar de Benjamin Button tranquilamente. O meia croata, de 36 anos, teve uma das melhores temporadas da carreira. Controla o meio-campo como poucos jogaodores no mundo, além de ser uma das lideranças madridistas e um dos atletas mais respeitados de LaLiga. Bem além das estatísticas acumuladas em 28 jogos, com dois gols e dez assistências, sexto com maior média de passes por jogo (65,9), uma referência na equipe de Carlo Ancelotti.

Karim Benzema e Luka Modric antes de partida do Real Madrid
Karim Benzema e Luka Modric antes de partida do Real Madrid Gonzalo Arroyo Moreno/Getty Images

Iker Muniain (Athletic Bilbao)

Sempre iniciando as jogadas pela esquerda e flutuando por dentro como um meia-central, Muniain foi o principal jogador do Athletic na temporada, retomando aos 29 anos o alto nível de jogo que apresentou no início carreira. Mesmo em uma equipe onde a posse de bola (47,1%) não era o padrão, apareceu em índices importantes como passes para a área adversária (quarto com 62) e passes em profundidade (quinto com 49), sétimo em chances claras de gol criadas (26) e foi o terceiro em assistências com nove.

Iago Aspas (Celta)

A temporada do Celta ficou abaixo das expectativas, após o ótimo primeiro ano dp técnico Eduardo Coudet. Individualmente, porém, Iago Aspas foi mais uma vez um dos destaques de LaLiga. Líder técnico da equipe, ídolo da torcida e decisivo em vários jogos com 17 gols e seis assistências, jogador espanhol com maior participação direta em gols nesta temporada.

Karim Benzema (Real Madrid)

Melhor jogador do mundo na temporada 2021-22, consequentemente de LaLiga também. Benzema teve participação direta em 37 dos 80 gols marcados pelo Real Madrid no campeonato; foi o artilheiro da competição com 27 e ainda deu dez assistências, segundo no quesito. Foi também o jogador que mais finalizou no campeonato (125).

Vinicius Jr (Real Madrid)

Foi a temporada da explosão técnica de Vini Jr. O atacante brasileiro se tornou um dos protagonistas do Real Madrid e o reflexo disso aparece nas estatísticas: vice-artilheiro do campeonato com 17 gols (bem acima do xG dele de 10.73), terceiro em assistências com nove, segundo melhor aproveitamento em finalizações (57,33%) e líder isolado em jogadas de 1x1 (347) e chances claras de gol criadas (35).

Vinicius Jr. comemora gol em Real Madrid x Celta de Vigo
Vinicius Jr. comemora gol em Real Madrid x Celta de Vigo David S. Bustamante/Soccrates/Getty Imag

Técnico: Carlo Ancelotti

A principal característica deste time do Real Madrid sob o comando de Carlo Ancelotti é a adaptabilidade ao que o jogo exige. Melhor ataque (80 gols), segunda maior média de posse de bola (58,6%), segunda melhor defesa (31), mas acima de tudo uma equipe que atuava de acordo com o que acontecia em campo. Muitas vezes controlando o ritmo com a bola nos pés, tantas outras vezes jogando em transição. Tudo sob a liderança tranquila do italiano.

Equipe reserva

Luis Maximiniano (Granada), Iván Balliu (Rayo Vallecano), Ronald Araujo (Barcelona), Éder Militão (Real Madrid) e Javi Galán (Celta); Casemiro (Real Madrid), Carlos Soler (Valencia) e Sergio Canales (Real Betis); Yannick Carrasco (Atlético de Madrid), Raúl de Tomás (Espanyol) e Ousmane Dembélé (Barcelona).

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Haaland tem potencial para se tornar um jogador geracional

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Vivemos a transição de eras no futebol. Estamos saindo do período dominado por Lionel Messi e Cristiano Ronaldo como melhores jogadores do mundo para uma nova época ainda sem os protagonistas definidos. Luka Modric, Robert Lewandowski e, muito provavelmente, Karim Benzema foram jogadores veteranos que se aproveitaram dessa transição para, com excelentes temporadas, serem coroados. Quem assumirá o trono agora?

Há dois jogadores jovens com potencial geracional, e um deles é Erling Haaland. O outro se chama Kylian Mbappé e merece outro texto apenas para ele; talvez com uma transferência para o Real Madrid... Sobre o norueguês, bem além dos números que serão detalhados mais abaixo, está o talento evidente. Aos 21 anos, completará 22 pouco depois de assinar contrato com o Manchester City em julho, já é um dos melhores atacantes do futebol mundial, provado em ligas de alto nível.

Haaland saudando a torcida do Borussia Dortmund
Haaland saudando a torcida do Borussia Dortmund Bernd Thissen/picture alliance via Getty

Haaland surgiu nacionalmente bem no Molde e rapidamente os scouts do Red Bull Salzburg o levaram para a Áustria. Tornou-se um fenômeno no futebol austríaco ao marcar 29 gols e 27 partidas para o Salzburg durante menos de um ano, tempo de sua passagem pelo clube. Na chegada à Alemanha, a confirmação da explosão de talento com, praticamente, a manutenção da média de gols que tinha em ligas inferiores. Está, neste momento, com 85 gols em 88 jogos com a camisa do Borussia Dortmund.

Poucos jogadores possuem a capacidade de finalização de Haaland. Com ambos pés, de cabeça ou na incrível aceleração que possui. Somente na atual temporada, somando Bundesliga, DFB Pokal e Champions League, Haaland marcou 28 gols com índice de xG de 24,5, a partir de 101 finalizações no total e 52 no alvo (aproveitamento de 51,5%).

Engana-se, porém, quem o classifica como centroavante à moda antiga. Haaland é um atacante central, que sabe se movimentar, oferece o passe curto, aparece para as triangulações e auxilia na armação no campo de ataque muitas vezes - como um excelente atacante central que o futebol atual exige, com pouco espaço para os grandalhões típicos. Nos passes, foram 535 tentativas com 378 certos, índice de acerto de 70,7% no geral - fora as sete assistências para os companheiros. Os gráficos abaixo mostram a capacidade de movimentação do atacante. 

Passes certos e errados de Haaland na temporada 2021-22
Passes certos e errados de Haaland na temporada 2021-22 ESPN

Direção dos passes de Haaland na temporada 2021-22
Direção dos passes de Haaland na temporada 2021-22 ESPN

Aproveitamento dos passes de Haaland por setor na temporada 2021-22
Aproveitamento dos passes de Haaland por setor na temporada 2021-22 ESPN

Os gráficos e os números acima são importantes para demonstrar como Haaland evoluiu desde quando chegou ao Dortmund, na temporada 2019-20. Passou a competir com atletas melhores, em duelos de nível maior, nas grandes competições e cresceu como atleta. É bem verdade que, na atual temporada, lesões prejudicaram seu desempenho.

No Manchester City, precisará se adaptar a uma nova ideia de jogo, com o técnico Pep Guardiola, bem diferente de tudo que viu no Borussia Dortmund nesses últimos anos. Terá que se adaptar, também, à Premier League, mas ele sai de uma grande liga europeia, onde o nível de exigência e enfrentamento é também altíssimo. Apesar da pouca idade ainda, o planejamento de carreira é muito bem feito, pensando na evolução pessoal, de clube e de liga; na prática, em cinco anos saiu da Eliteserien, o Campeonato Norueguês, passou pela Bundesliga austríaca, causou estrago na alemã e agora terá pela frente a Premier League.

Como em qualquer contratação no futebol, há o risco de não dar certo. Em qualquer caso isso existe, a própria transferência de Lionel Messi para o Paris Saint-Germain, com o desempenho abaixo do esperado do argentino na França, é uma prova de que transferências na vida real são diferentes daquelas que fazemos nos video games. É possível minimizar a probabilidade do erro com scout bem feito, análise completa da pessoa e tudo mais que as tecnologias oferecem atualmente. O risco Haaland é pequeno, muito pequeno, e a chance de dar muito certo é enorme. Erling Haaland poderá se tornar um jogador geracional a partir de agora.

         

    

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Real Madrid 35x campeão espanhol: título marcado por individualidades e marcas históricas

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

O 35º título espanhol do Real Madrid será lembrado por marcas individuais. A temporada de melhor do mundo de Karim Benzema, o recorde de Marcelo, a explosão de Vinicius Jr, Luka "Benjamin Button" Modric e as recordes alcançados por Carlo Ancelotti.

O Real Madrid foi o melhor time de LaLiga em 2021-22. No início, não havia um grande favorito, mesmo com o atual campeão, Atlético de Madrid, se reforçando muito bem. Já o Barcelona, com Ronald Koeman, não era considerado candidato e, com Xavi, apenas ameaçou. Os merengues foram mais regulares e consistentes durante toda temporada, mesmo sem brilharem. A prova final veio com um time misto, repleto de reservas, que fez 4 a 0 no Espanyol sem dificuldade no Santiago Bernabéu. Há 15 anos o Real Madrid não celebrava um título espanhol em casa.

Marcelo foi o capitão do Real Madrid na temporada
Marcelo foi o capitão do Real Madrid na temporada EFE

Karim Benzema é o melhor jogador do mundo na atual temporada. Não serão os dois jogos finais na Champions League que farão de outro jogador melhor do que o atacante francês, autor até aqui de 42 gols e 13 assistências em 42 jogos, somando todas competições, na temporada. Números dignos de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi. Benzema atingiu um nível de jogo altíssimo e capacidade absurda de decidir jogos grandes.

Já Marcelo consolida ainda mais o seu lugar entre os maiores na história blanca. O lateral brasileiro, que há 15 anos defende o Real Madrid, se tornou o maior campeão com 24 títulos, superando a lenda Paco Gento. Não é oficial, mas notória internamente a informação que ele não seguirá em Madri na próxima temporada. Encerrará seu ciclo como merengue como começou: com título. E ainda há a Champions pela frente.

Vinicius é um dos casos de maior resiliência no futebol mundial nos últimos anos. Foran três temporadas de muitas críticas para um garoto que há pouco tempo se tornara profissional com a camisa do Flamengo. Hoje, ainda com apenas 21 anos, demonstra maturidade e força mental de um veterano. Amparado por excelente estrutura montada por ele na capital espanhola e a confiança determinante de Carlo Ancelotti (algo que não havia com Zinédine Zidane), Vini explodiu. São 18 gols e 19 assistências em 47 partidas, contando todos os torneios, e a melhor parceria do futebol mundial com Benzema.

O curioso caso de Luka Modric é inspirador. Para muitos, a temporada 2021-22 do meia croata é superior à 2017-18, quando foi eleito o melhor do mundo pela FIFA. Modric é a referência técnica da equipe, o jogador que controla o ritmo, acalma os companheiros, domina o meio-campo e joga sem se esforçar. O futebol parece simples em seus pés.

Por fim, Carlo Ancelotti. Aos 62 anos, se tornou o primeiro treinador na história a conquistar as cinco grandes ligas europeias: LaLiga, Premier League (Chelsea, 2009-10), Bundesliga (Bayern, 2016-17), Serie A (Milan, 2003-04) e Ligue 1 (Paris Saint-Germain, 2012-13). Além disso, em seu currículo de Real Madrid, considerando os principais troféus, faltava apenas LaLiga. Outra marca inédita alcançada pelo italiano, já que nenhum técnico em toda história merengue centenária vencera Champions, LaLiga, Copa do Rei, Supercopa espanhola, Mundial e Supercopa europeia. 

Outros nomes merecem a menção também nesta conquista de LaLiga. Thibaut Courtois teve uma temporada com nível para figurar entre os principais da posição. David Alaba é a melhor contratação da temporada, projetando custo-benefício principalmente. Rodrygo, na reta final, se mostrou decisivo com gols (como os dois contra o Espanyol) e assistências e prova ser uma das peças vitais para o futuro blanco. Casemiro permanece como uma fortaleza no meio-campo merengue. Também há quem decepcionou, sem surpresa para a maioria, como Eden Hazard e Gareth Bale. No final das contas, título incontestável.

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Seleção brasileira visita centros de treinamento de Real Madrid e Juventus como opções antes da Copa

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

O coordenador da seleção brasileira, Juninho, e integrantes da comissão técnica visitaram nesta semana os centros de treinamentos de Real Madrid e Juventus. As cidades de Madri e Turim encabeçam a lista de favoritas para hospedarem a seleção nos dias anteriores à Copa do Mundo no final do ano. Outras possibilidades ainda não estão descartadas.

Juninho esteve ao lado de César Sampaio, assistente técnico de Tite, Fabio Mahseredjian, preparador físico, Luís Vagner, gerente de planejamento e operações, e Vinicius Rodrigues, assessor de imprensa. A vistoria começou na capital espanhola, analisando a estrutura que seria disponibilizada pelo Real Madrid em sua Ciudad Deportiva, na região norte da cidade. Posteriormente, a viagem seguiu até a Itália, onde o mesmo trabalho foi realizado no Juventus Training Center Continassa.

Ciudad Deportiva do Real Madrid é uma das principais candidatas a hospedar a seleção brasileiraq
Ciudad Deportiva do Real Madrid é uma das principais candidatas a hospedar a seleção brasileiraq Real Madrid

Todos jogadores serão liberados pelos clubes sete dias antes da abertura do Mundial, ou seja, em 14 de novembro. A FIFA exige que as seleções estejam no Catar cinco dias antes da estreia, o que no caso da seleção brasileira significa desembarcar no Oriente Médio no dia 19, já que o primeiro jogo acontece em 24 de novembro, contra a Sérvia, em Lusail, ao norte de Doha.

Como o Brasil ganhou cinco dias de preparação livres da exigência de já estar no Catar, a comissão técnica decidiu realizar esse período de treinamentos na Europa. No Catar, após vistoriar 17 opções, a CBF optou pelo estádio Grand Hamad e o Westin Doha Hotel & Spa como os locais que receberão a seleção brasileira.

Em 2018, com tempo bem maior já que a Copa do Mundo aconteceu no meio do ano, a seleção brasileira se hospedou no centro de treinamentos do Tottenham, em Londres. Na Rússia, teve a cidade de Sochi como base para os muitos deslocamentos longos e necessários, algo que não acontecerá no Catar pela pouca distância entre os locais de jogos.

Centro de treinamentos da Juventus foi uma das opções vistoriadas pela seleção
Centro de treinamentos da Juventus foi uma das opções vistoriadas pela seleção Juventus

Três jogadores do Real Madrid são nomes certos na lista de convocados de Tite: Éder Militão, Casemiro e Vinicius Jr; já Rodrygo está na disputa por uma vaga no ataque. Na Juventus, Danilo tem lugar garantido na seleção brasileira e Alex Sandro é um dos favoritos na lateral-esquerda, enquanto Arthur seria uma surpresa no meio-campo.

De todos integrantes da comissão técnica, apenas César Sampaio e Fábio Mahseredjian continuam na Europa. Os dois seguiram para a Inglaterra, onde acompanharão já neste sábado Manchester City x Watford, pela Premier League, e nos próximos dias LiverpoolVillarreal (Champions) e Aston Villa x Norwich (Premier League). Depois retornam para a Itália e assistem Juventus x Fiorentina em 20 de abril, pela Serie A.

Tite e Juninho Paulista em vistoria no estádio Grand Hamad, que será a base de treinos no Catar
Tite e Juninho Paulista em vistoria no estádio Grand Hamad, que será a base de treinos no Catar CBF

A seleção brasileira tem previsto amistosos contra Coreia do Sul e Japão em junho, além da partida contra a Argentina - que por enquanto também é um amistoso, obrigação contratual com a empresa que detém os direitos de jogos do Brasil, mas que pode virar a partida oficial restante das eliminatórias sul-americanas. Após isso, há previsão de mais duas partidas amistosas em setembro. Adversários europeus não serão possíveis, pela impossibilidade de calendário dessas equipes com a Nations League.

         

    


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Seleção brasileira visita centros de treinamento de Real Madrid e Juventus como opções antes da Copa

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Prestes a completar 100 jogos pelo Real Madrid, Rodrygo vive melhor momento pelo clube e pela seleção

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Se entrar em campo pelo Real Madrid contra o Osasuna nesta quarta-feira, no estádio El Sadar, em Pamplona, o atacante Rodrygo completará 100 jogos pelo clube. Com a atual sequência de gols decisivos e grandes atuações, o ex-jogador do Santos vive seu melhor momento na Espanha.

Na última rodada de LaLiga, Rodrygo saiu do banco no intervalo contra o Sevilla. O Real Madrid perdia por 2 a 0 e virou no segundo tempo com um gol e uma assistência - para o gol da vitória marcado por Karim Benzema - do brasileiro. Cinco dias antes, diante do Chelsea na Champions League, foi chamado aos 33 minutos da segunda etapa e, logo na sequência, marcou o gol que colocou os merengues na prorrogação, onde eliminariam os atuais campeões da competição.

Ao todo, Rodrygo soma 13 gols e 18 assistências em 99 jogos pelo Real Madrid. Em sua primeira temporada, 2019-20, impressionou positivamente com sete gols e três assistências em 26 partidas em todas competições; já em 2020-21 os números variaram para dois gols e sete assistências em 33 aparições.

LaLiga: Rodrygo merece ser titular do Real Madrid? VEJA a comparação do brasileiro com Marco Asensio

A atual temporada já registra para "O Rayo", como é chamado, a melhor marca de jogos com 40 e de assistências com oito. Antes dos dois gols marcados na última semana, o atacante também comemorara contra a Inter de Milão em setembro e o o Shakhtar Donetsk em outubro pela Champions League. Na prática, já é a temporada com mais participações diretas em gol (12) de Rodrygo desde quando ele desembarcou em Madri.

Bem além dos números frios, nas estatísticas avançadas (fonte: Trumedia) o jovem atacante também se destaca. Contando todos os torneios, LaLiga, Copa do Rei, Supercopa e Champions, são 100 recuperações de posse de bola, aproveitamento de 85,5% nos passes (654 de 765), 826 passes recebidos, 52 finalizações e índice de xG (gols esperados) 5,18. Durante toda temporada o lado direito do ataque madridista tem sido bem disputado por Rodrygo, Marco Asensio e, mais recentemente fazendo outra função, Federico Valverde.

O bom rendimento fez com que Rodrygo entrasse nos planos da seleção brasileira para a Copa do Mundo deste ano. O atacante saiu do banco nos jogos contra Bolívia e Paraguai pelas eliminatórias sul-americanas, nas duas últimas datas FIFA. Marcou contra os paraguaios no Maracanã e agradou a comissão técnica pelo desempenho em campo - apesar dos poucos minutos somados, apenas 21 - e também nos treinamentos na Granja Comary. Desde 2020 ele não atuava pela seleção principal.

Rodrygo foi decisivo nos jogos recentes contra Chelsea e Sevilla
Rodrygo foi decisivo nos jogos recentes contra Chelsea e Sevilla Real Madrid

Rodrygo tem forte concorrência no setor ofensivo da seleção brasileira. Diretamente, pelo lado direito, concorre com os favoritos Raphinha (Leeds United) e Antony (Ajax), sem falar em Gabriel Jesus (Manchester City). Para uma lista de 23 nomes, é bem difícil estar no Catar, apesar de haver ainda toda primeira parte da próxima temporada pela frente; se a lista for ampliada para 26, como deseja Tite, as chances aumentam consideravelmente.

Com apenas 21 anos, Rodrygo já comemorou pelo Real Madrid o título de LaLiga em 2019-20 e duas Supercopas da Espanha (2020 e 21). Vai certamente celebrar a conquista de mais um Campeonato Espanhol nas próximas semanas, e certamente sonha com um ano praticamente perfeito, que inclui a conquista da Champions League e também um lugar entre os convocados para o Catar.

Rodrygo comemora com os companheiros de seleção no Maracanã
Rodrygo comemora com os companheiros de seleção no Maracanã Lucas Figueiredo/CBF

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Neymar, Copa mais curta e relacionamento com clubes: conheça detalhes da preparação física da seleção brasileira

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

É comum falarmos como o jogo de futebol mudou nos últimos anos, e um dos principais fatores dessa mudança é o aspecto físico. A evolução da preparação física é notória, o que torna os jogadores de futebol atletas cada vez mais bem preparados para o ritmo intenso de um jogo e também do calendário. A Copa do Mundo deste ano será um capítulo especial nesse cenário, por vários motivos, que vão desde a sua curta duração até o período em que será realizada. Desafios a mais para a seleção brasileira e, especificamente, para Fábio Mahseredjian.

Aos 55 anos, o experiente profissional é o preparador físico na comissão técnica liderada por Tite. Nesta entrevista concedida à ESPN antes do jogo contra a Bolívia, Fábio falou sobre a evolução do jogo pelo aspecto físico, sua relação com os clubes, abordou casos específicos dentro da equipe, como Neymar, Thiago Silva e Daniel Alves, e entrou em detalhes sobre a Copa e como preparar o time para a principal competição de 2022.

Jogo, recuperação, treino, jogo. Qual é o intervalo necessário entre eles para obter o máximo rendimento físico do atleta de elite no futebol?

Muitos estudos nos mostram que o desgaste físico desse atleta é enorme em uma partida de futebol. As reservas de carboidrato, que são o combustível para o atleta jogar, a gasolina do atleta,  depletam após uma partida de futebol. E você precisa de aproximadamente setenta e duas horas de intervalo entre o jogo e outro. Isso não impede que seja menos. Para que você tenha, como você me perguntou, a máxima performance desse atleta, deveria ser em torno de setenta e duas horas.

O CIES Football analisou 7855 jogos de 31 campeonatos entre 2020 e 2021. LaLiga, na Espanha, lidera em média de distância percorrida pelos atletas de linha com 103,7 km por jogo, seguida de Suécia (103,6km) e Holanda (103,5 km). A Serie A italiana é a quarta, a Champions League sétima e a Premier League 11a. Na parte de baixo, a Copa Sul-Americana e o Brasileirão estão empatados na última posição com 95,8 km cada, seguidos pela Libertadores (96,8 km). Quando analisadas as corridas em alta intensidade, LaLiga também lidera com 803,9 m por jogador, seguida de Polônia, Inglaterra, Itália e Suíça. Nas três últimas posições: Copa Sul-Americana (647,3 m), Libertadores (671,1 m) e Brasileirão (673,9 m). São dados relevantes? Que leitura você faz desses resultados?
Primeiramente eu faço uma crítica ao sistema utilizado para analisar essas distâncias percorridas. Sejam elas em termos de volume, sejam elas distâncias percorridas em alta velocidade. Normalmente, o que é mais fidedigno para nós, são os traqueamentos dos campeonatos europeus, como a Premier League e a Ligue 1. Porque são câmeras colocadas em todos os estádios, em volta do gramado, onde você tem as distâncias percorridas, em alta velocidade ou não, de forma mais fidedigna. Esse sistema utilizado nessa reportagem publicada em uma revista, que não é um artigo científico, utiliza uma câmera de televisão que monitora o campo e, por vezes, perde onde está especificamente um jogador. Então não monitora os dois times ao mesmo tempo, isso pode coincidir com erros drásticos nessa medida. Mesmo assim, vamos supor que os erros são iguais ao erros de traqueamento da Premier League e de LaLiga, por exemplo. Quais hipóteses podemos levantar? Uma hipótese pra mim dessa diferença grande de distância percorrida entre a liga espanhola e a liga brasileira é que, no Brasil, o jogo para muito. Uma segunda hipótese é a condição dos gramados, que nós aqui na seleção tanto lutamos para que seja melhor. O gramado pior faz com que o jogo pare mais também e isso pode acarretar essas enormes diferenças de distâncias percorridas entre o Campeonato Brasileiro e o Campeonato Espanhol.

Esses dados reforçam a percepção, muitas vezes do torcedor, de que o futebol jogado nas grandes ligas europeias parece outro esporte, na comparação com o praticado na América do Sul?
Nós também pensamos assim por vezes. Chegamos na CBF na segunda-feira pela manhã e conversamos sobre isso. Parece outro esporte, é muito mais intenso, a bola não para. Uma outra hipótese que eu ia citar, o árbitro para muito o jogo e lá não. O atleta aqui reclama muito do árbitro e lá não. Volto a dizer, as condições do gramado lá são completamente diferentes daqui. E posso levantar outras hipóteses, mas com certeza esses são as principais hipóteses que fazem com que o jogo lá seja mais intenso do que no Campeonato Brasileiro.

Como funciona a sua comunicação com os departamentos físicos dos clubes europeus e também brasileiros? Você tem acesso aos relatórios internos referentes aos jogadores da seleção?
Vou fazer um pequeno histórico para explicar como conseguimos essa colaboração dos clubes brasileiros e europeus. Quando chegamos na CBF, para o dia a dia, não existia essa comunicação, tivemos que criar um canal de comunicação. Como foi criado isso? Ao final de cada Data FIFA, mandávamos para cada clube um relatório pormenorizado com tudo que o atleta fazia aqui. Quando ele se apresentava, quantas horas de fuso percorreu, quantas horas de voo ele teve, quantos treinos ele fez, cada treino que foi feito, o GPS dele. Isso fez com que conseguíssemos um canal de comunicação com esses clubes. Hoje, o Guilherme Passos Ramos, que é o nosso fisiologista e responsável por essa área, antes do atleta chegar aqui nós recebemos esses dados dos clubes europeus também. Além disso, com as viagens que fazemos de observação, conhecemos o preparador físico da Juventus de Turim, Simone Folletti, o preparador físico do Manchester City, Lorenzo Buenaventura, e o head of Sports Science, que é o Sam Erith, o preparador físico do Liverpool, o Andreas Kornmayer. Então todos esses profissionais, temos ligação direta com eles. Qualquer dado que o Tite me pede, com uma ligação, uma mensagem de WhatsApp, em menos de 24 horas eu consigo o dado que precisamos. Por isso essa relação foi muito importante para que obtivéssemos os dados do atleta lá onde ele joga, tanto no Brasil como no exterior.

Veja também!  Tite torce pelo aumento no número de jogadores convocados para a Copa do Mundo:


Haverá apenas uma semana de preparação para a Copa do Mundo, ou um pouco mais dependendo do sorteio dos grupos. Já é um Mundial diferente por ser o primeiro em um período de pandemia, que afetou todos atletas em seus treinamentos nos últimos dois anos. Além disso, será uma Copa no meio da temporada europeia, diferentemente de todas as últimas. Na comparação com 2018, o que muda no seu trabalho?
Existem prós e contras. No que diz respeito à pandemia, sou muito otimista nesse aspecto. Acredito que isso vai zerar ao final desta temporada. Aquela carga de jogos excessivos à qual os atletas foram expostos agora acaba. Todos terão as férias no meio do ano, voltam no final de julho para a pré-temporada nos clubes e começam a temporada em agosto normalmente. Então, assim, acredito que acaba eximindo o problema que foi a pandemia. Quanto à competição começar em novembro e não no meio do ano como era antes, o grande pró pra mim é que eles não estarão em final de temporada como na Copa de 2018. Alguns atletas, como o Douglas Costa, se apresentou aqui na seleção brasileira com uma lesão de posterior sofrida no último jogo da Juventus. Eu estava assistindo o jogo, vi que ele saiu, liguei para ele ao final do jogo. Ele estava no caminhão de bombeiros, porque tinham sido campeões, e me disse para ficar tranquilo que estava tudo bem. Quando ele chegou aqui, porém, tinha uma lesão de iscotibial do bíceps femoral da coxa dele. Então, essa incidência de lesões acredito que será absurdamente menor em ano de Copa do Mundo. A grande preocupação nossa, da preparação física e da fisiologia, não é quanto ao treinamento desses atletas, não é evolução de potência aeróbia, de potência e resistência anaeróbia, dos fatores neuromusculares, mas sim quanto à recuperação dos jogos que eles tiveram antes de se apresentarem. Como teremos de uma semana a dez dias, é plausível, entre aspas, simples, recuperar esses atletas para o início da Copa do Mundo. A grande dificuldade é que essa Copa do Mundo será realizada em 28 dias, menos que os 33 ou 34 dias das outras Copas. Então você pode esperar um jogo a cada três dias. Jogou, três dias de descanso. Então precisamos acelerar a recuperação desses atletas entre um jogo e outro. 

Quais são os jogadores da seleção brasileira que mais se preocupam em obter dados, informações sobre a preparação física?
Hoje é difícil pontuar um ou outro. A conscientização do atleta é tão grande nos dias atuais, que isso me deixa muito feliz. Quase todos vêm nos perguntar qual foi a distância que ele percorreu, quanto ele correu em alta velocidade, os dados dele. Então fica muito difícil nomear A, B ou C. Eu posso lhe dizer que a grande maioria se preocupa com sua performance física.

Thiago Silva e Daniel Alves são dois veteranos e atletas exemplares, aos 37 e 38 anos, respectivamente. Você, que tem acesso a todos os dados de análise física deles, como explica carreiras tão longevas e em tão alto nível?
Simples, eles sempre se cuidaram. Conheço o Thiago Silva desde quando trabalhei no Fluminense, em 2007 e 2008, ele tinha 23, 24 anos. Continua um atleta exemplar, se cuidando, não usa álcool, só de vez em quando com o objetivo de relaxar. Fisicamente está sempre antes para fazer os exercícios, não preventivos porque não gosto desse nome, mas as ativações para entrar em campo. Preocupa-se com o pós jogo, em fazer tudo que diz respeito a sua recuperação, para tentar acelerar esse processo. Assim como é o Daniel Alves. Conheci o Dani em 2006, quando estive pela primeira vez na seleção brasileira. É impressionante o cuidado que ele tem com seu corpo. O Dani é lépido, rápido, lógico que, com a idade seus níveis de potência caem um pouco, mas ele compensa com sua inteligência. São atletas de futebol na sua essência. Hoje em dia não existe mais o jogador de futebol, ele vem perdendo cada vez mais espaço para o chamado atleta de futebol.

Vocês têm enorme atenção com todos jogadores, naturalmente. Um especificamente, nos últimos anos, tem sofrido com muitas lesões, que diminuíram sua presença em campo pelo clube: Neymar. Pelo Barcelona, em quatro temporadas, jamais disputou menos do que 41 jogos - e isso aconteceu na temporada inicial. Pelo PSG, não passou de 30 e na atual temporada está com somente 21. Há preocupação maior com a situação física do Neymar, pensando nos dois últimos meses deste ano?
Não foi a quantidade de lesões. Tudo isso temos planificado. Trabalhamos direto com o Ricardo Rosa, que é seu preparador físico e que trabalha conosco aqui também. Aliás, conheço o Ricardo há 30 anos, passou por Corinthians, Santos, time da Arábia, então é um profissional experiente. E o Rafa, que é seu fisioterapeuta. O problema é que cada lesão o deixou afastado por um longo período. No Paris Saint-Germain ele teve a lesão do quinto metatarso, que o afastou por aproximadamente 90 dias. Novamente uma lesão do quinto metatarso, que o deixou afastado por mais um tempo. Agora essa lesão no tornozelo que o deixou afastado por aproximadamente 74 dias. Então, a quantidade de lesões, principalmente traumáticas, lesões de contato, o fizeram perder um tempo grande devido à gravidade dessas lesões. É claro que isso nos preocupa, claro queremos acelerar o processo dele de recondicionamento físico. Mas nós acreditamos que com essa parada, o final de temporada, e acreditamos que ele vai estar à disposição, as férias e o início da próxima temporada, se ele não tiver nenhuma outra lesão de contato, vai fazer com que ele esteja na sua melhor performance na Copa do Mundo.

Como é sua relação com o Tite? Quando você começou a trabalhar com ele e como foi o processo de construção de confiança na relação entre vocês?
Eu conheci o Tite em 2004, quando ele foi para o Corinthians e eu estava lá, e me dei muito bem com ele e sua comissão técnica. Como trabalho. Não esqueço quando ele me disse "Não somos amigos, somos companheiros de trabalho". Olhei para ele e falei "Tá bom, vamos trabalhar então". Fiquei meio assim... No final de 2004, ele me deu um livro onde na dedicatória ele colocou "Agora nós somos amigos". Falei "Tá bom, vamos continuar trabalhando". Ele respira futebol 24 horas por dia. Sempre digo isso, o trabalho de uma comissão técnica multi-disciplinar, e ele respeita muito o trabalho de todas as áreas: preparação física, fisiologia, departamento médico. Essa é uma virtude enorme dele.

No linguajar boleiro, antigamente tinha jogador que dava muito migué nos treinamentos. Corria pouco, reclamava de algumas dores... Hoje em dia isso é impossível, por causa de todas as medições feitas durante as atividades e os jogos. Já pegou algum caso desses na época de clube? Jogador atualmente dando migué no treino e depois desmascarado pelo GPS?
Sabe que, como te disse, não há mais espaço para o jogador, para o boleiro. Hoje eles são atletas. E se, por ventura, alguém exagerou, e não estou dizendo sobre ambiente de seleção e sim de clube, onde sempre estive, exagerou na noite anterior ou, como boleiramente a gente fala, emburacou na dia anteior, eles vêm e te contam. Prefiro assim. Tenho vários atletas com quem eu trabalhei, que chegavam pra mim e falavam "Fábio, morto". Não precisa falar mais nada, fica aí! Houve até um atleta uma vez no Corinthians, a gente já tinha sido campeão, não vou falar o nome dele, teve um churrasco na quarta-feira. Na quinta-feira, quando nos reapresentamos, sempre entro no vestiário e começo "Vambora, vamos trabalhar, horário é horário, conversa fiada matou carambola". Na hora que eu olhei, esse atleta estava sentado no banco, parecia que tihha sido atropelado na Marginal Tietê, o cabelo todo atrapalhado. Falei "Meu Deus, o que aconteceu com você?" e ele baixou a cabeça de novo. "Fica no DM, não entra no campo" (risos). Como falei, eles te contam. Se não te contarem verbalmente, fisicamente você percebe no ato.

Fábio Mahseredjian em coletiva de imprensa na CBF
Fábio Mahseredjian em coletiva de imprensa na CBF Lucas Figueiredo/CBF
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Seleção brasileira deve ter sete mudanças no time titular para enfrentar a Bolívia

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Tite prepara a seleção brasileira com muitas novidades para enfrentar a Bolívia na próxima terça-feira, pelas eliminatórias sul-americanas. Na atividade deste domingo na Granja Comary, o treinador escalou a equipe titular com Alisson, Daniel Alves, Marquinhos, Éder Militão e Alex Telles; Fabinho e Bruno Guimarães; Antony, Lucas Paquetá e Philippe Coutinho; Richarlison.

São sete alterações na comparação com o time que goleou o Chile por 4 a 0, sendo duas por obrigação, já que Vinicius Júnior e Neymar estão suspensos para o compromisso com os bolivianos. Fora os dois, Danilo, Thiago Silva, Guilherme Arana, Casemiro e Fred devem começar no banco de reservas em La Paz.

Técnico Tite em treino da seleção brasileira na Granja Comary antes de partida contra a Bolívia pelas eliminatórias
Técnico Tite em treino da seleção brasileira na Granja Comary antes de partida contra a Bolívia pelas eliminatórias Lucas Figueiredo/CBF

No treinamento, com muita neblina, houve atividade em campo reduzido com o time principal enfrentando os reservas, completados também por dois garotos do sub-20 do Vasco. Depois, a seleção treinou os movimentos defensivos para pressionar a saída de bola da Bolívia a partir do 4-1-3-2 em bloco alto, variando para o 4-2-3-1 e depois o 4-4-2 em bloco baixo.

As mudanças na equipe titular são importantes, principalmente, para Alex Telles. Nas oportunidades anteriores, o lateral do Manchester United foi muito bem. Contra o Chile, Guilherme Arana foi um dos destaques do time. Os dois brigam por duas vagas na Copa do Mundo com Alex Sandro, que ficou de fora por problemas físicos e também por COVID, e Renan Lodi, que recuperou a boa forma nas últimas partidas do Atlético de Madrid.

No meio-campo, Bruno Guimarães terá também outra oportunidade para se firmar entre os possíveis convocados para o Catar. Com o descanso dado a Fred, o jogador do Newcastle será titular outra vez e sabe que precisa de mais uma boa atuação para seguir forte na disputa por uma vaga com Gerson e Arthur. Outra mudança relevante é a presença de Richarlison como centroavante, abrindo mão do falso nove que foi Neymar contra os chilenos.

A atividade deste domingo foi marcada também pela presença de muitos amigos e familiares de jogadores e membros da comissão técnica, além de integrantes do Movimento Verde Amarelo - uma espécie de torcida organizada da seleção -, que ficou responsável pelo batuque e pelas músicas de apoio ao time.

A seleção brasileira faz mais um treino em Teresópolis, nesta segunda às 10h, antes da viagem para Santa Cruz de la Sierra, em voo fretado. A ida para a capital boliviana está programada apenas para o dia do jogo, na terça, para evitar ao máximo os problemas ocasionados pelos 3.625 metros de altitude.


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Thiago Silva torce por venda rápida do Chelsea e elogia Tuchel na condução da crise

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Um dia após entrar em campo pela seleção brasileira na goleada por 4 a 0 contra o Chile, o capitão da equipe, Thiago Silva, retornou ao Maracanã nesta sexta-feira para ser homenageado. O zagueiro do Chelsea colocou os pés na Calçada da Fama do estádio, imortalizando seu nome entre os grandes na história do futebol brasileiro.

A recepção contou com antigos companheiros de Fluminense, políticos que queriam aparecer mais que o jogador e até a bateria da Salgueiro. Ao lado da mãe, Ângela Maria, e da esposa, Belle Silva, Thiago fez o molde dos pés e depois atendeu a imprensa. Questionado sobre a atual situação de seu clube, que nesta semana recebeu a autorização do governo britânico para voltar a vender ingressos. Por conta das sansões impostas ao proprietário do Chelsea, Roman Abramovich, em meio a todo conflito envolvendo Rússia e Ucrânia, os Blues estão com suas operações extremamente limitadas.

Ao lado da mãe e da esposa, Thiago Silva foi homenageado no Maracanã
Ao lado da mãe e da esposa, Thiago Silva foi homenageado no Maracanã Maracanã

Abramovich, por isso, colocou o clube à venda e há vários interessados na aquisição do atual vencedor da Champions League. "Espero que, o mais rápido possível, alguém possa comprar para que a gente possa ter um pouco mais de sossego", afirmou Thiago Silva.

O zagueiro de 37 anos chegou ao Chelsea em 2020 e recentemente ampliou seu contrato até o término da temporada 2022-23. É um dos melhores zagueiros da Premier League e se tornou um dos líderes do elenco. "Temos um excelente treinador e uma excelente gestão por trás, que impedem que essas notícias cheguem na gente. Até porque, desde quando deu a notícia das sansões, não perdemos nenhum jogo. Isso mostra o quanto a gente estava forte mentalmente para não deixar essas coisas de fora entrarem no grupo. Então é dar sequência e esperar".

Thiago Silva se prepara para disputar sua quarta Copa do Mundo. A boa atuação da seleção contra o Chile mostrou, mais uma vez, a condição de uma das favoritas ao título mundial. Desde que se mudou para Londres, após ser informado pelo Paris Saint-Germain que não teria o contrato renovado - algo que o PSG se arrependeu depois -, a adaptação foi muito rápida.

O foco imediato está, agora, no próximo adversário do Brasil: a Bolívia, na altitude de La Paz. Depois que cruzar novamente o Oceano Atlântico, terá o Brentford em 2 de abril e o Real Madrid, quatro dias depois, pelo jogo de ida das quartas de final. Como ele mesmo ressaltou, o trabalho de Thomas Tuchel mantém a equipe concentrada no campo. Mesmo assim, é impossível se desligar de tudo que acontece ao redor em Stamford Bridge. "É claro que de alguma forma traz muitas dúvidas. A gente, na verdade, não sabe o que vai acontecer". Ninguém sabe.


         
     

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Oportunidades bem aproveitadas e mais uma boa atuação da seleção brasileira

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

A principal característica da seleção brasileira na atualidade é a competitividade. Trata-se de uma equipe extremamente bem organizada taticamente, com movimentos bem treinados e executados, e talento individual suficiente para colocá-la entre as melhores do mundo. Faltando menos de oito meses para a Copa no Catar, é possível afirmar com tranquilidade sua condição de uma das favoritas ao título - assim como é fácil afirmar que não há uma seleção sobrando no futebol mundial.

Talvez o mais importante neste momento seja perceber evolução. A seleção viveu, recentemente, um período de estagnação. Conquistava resultados, mas em campo via-se um time com poucas opções e falta de criatividade ofensiva. Com a evolução e o fortalecimento internacional de Raphinha, Vinicius Júnior, Lucas Paquetá, Antony e Matheus Cunha, a seleção ganhou novas peças para assumirem posições que nos últimos anos rodavam entre Gabriel Jesus, Roberto Firmino, Willian, Douglas Costa... Na prática, houve renovação.

Brasil atropela o Chile no Maracanã; veja análise no Linha de Passe

         
     

Contra o Chile, quem melhor aproveitou a oportunidade dada pela comissão técnica foi o atacante do Ajax. Antony deu uma assistência e foi o ponta que a equipe precisava pelo lado direito com e sem a bola: deu uma assistência, criou várias jogadas no um-contra-um e ficou atrás apenas de Casemiro e Fred em recuperações de posse de bola (5).

Vinicius recebeu o passe para gol de Antony e foi muito bem na finalização. Por tudo que vem fazendo no Real Madrid e por ter atuado em casa, no Maracanã lotado com quase 70 mil pessoas, veste hoje em dia a camisa da seleção brasileira com naturalidade. Executou no jogo tudo que fez nos treinamentos na Granja Comary nos últimos dias.

Quem também merece destaque pelo bom jogo e pela oportunidade aproveitada foi Guilherme Arana. No primeiro tempo liderou o time em passes certos com 35 e terminou o jogo com duas finalizações, terceiro que mais arrematou na equipe brasileira. Acima de tudo, se mostrou muito confortável na função de criação por dentro, como é o pedido por Tite ao lateral-esquerdo.

Coletivamente, o time funcionou também sem um centroavante - principalmente nos 45 minutos iniciais. Neymar e Paquetá ocuparam bem a faixa central, sempre com o apoio de Fred na fase ofensiva. A profundidade era dada muitas vezes pelo jogador do Lyon. O objetivo da comissão técnica era ganhar mais uma opção tática e de formação: ganhou.

Os substitutos que entraram também mostraram serviço, casos principais de Philippe Coutinho - que jogou mais minutos, 27 no total - e Richarlison, que voltou a marcar pela seleção. Contra a Bolívia, na altitude de La Paz, qualquer nova oportunidade precisa ser bem mensurada pela comissão técnica. Afinal, as condições são muito adversas para qualquer atleta. De qualquer modo, o jogo contra o Chile, adversário de porte médio hoje em dia na América do Sul, em um estádio lotado, serviu bastante para avaliação.

Vini Jr marcou o primeiro gol com a camisa da seleção brasileira
Vini Jr marcou o primeiro gol com a camisa da seleção brasileira Lucas Figueiredo/CBF

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Oportunidades bem aproveitadas e mais uma boa atuação da seleção brasileira

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Sobre seleção brasileira, esquemas táticos e responsabilidades do jornalismo

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Alisson, Danilo, Marquinhos, Thiago Silva e Guilherme Arana; Casemiro e Fred; Antony, Lucas Paquetá e Vinicius Júnior; Neymar. Essa será a formação titular do Brasil contra o Chile nesta quinta-feira, no Maracanã, pelas eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo. Há algumas novidades.

A começar pela presença inédita de Antony iniciando uma partida pela seleção brasileira. Com o corte de Raphinha, desconvocado por ter testado positivo para COVID-19, o atacante do Ajax ganhou a oportunidade para fazer o lado direito do ataque. Em grande fase na Holanda, Antony tem enorme concorrência por um lugar no setor ofensivo entre os convocados para o Mundial.

Casemiro será titular mais uma vez no meio-campo da seleção brasileira
Casemiro será titular mais uma vez no meio-campo da seleção brasileira Lucas Figueiredo/CBF

Na frente, ainda, Neymar atuará mais uma vez como "falso 9". Partirá de um posicionamento central, abrindo espaços para os companheiros e oferecendo o jogo apoiado, com muita liberdade de movimentação. Já na defesa, Guilherme Arana foi o escolhido para começar na super concorrida lateral-esquerda e ser testado em uma partida com nível maior de enfrentamento.

Movimentação ofensiva

Desde quando Tite assumiu, no segundo semestre de 2016, a seleção brasileira já apresentou muita variação tática. Tudo que é executado em campo passa por intenso debate entre os membros da comissão técnica, que inclui avaliação dos adversários, observação dos atletas brasileiros em seus clubes e, acima de tudo, muito estudo. Nada é feito por mera intuição. Há razões e motivos para cada decisão tomada.

Contra o Chile, o plano tático estará baseado na plataforma do 4-2-3-1 e suas variações possíveis. Haverá muita similaridade com a partida contra o Uruguai na forma como a seleção atacará os chilenos: na construção de jogo o 3-3-4, com Danilo sendo um zagueiro pelo lado direito e Arana se posicionado próximo a Casemiro e Fred. Antony e Vini serão os responsáveis pela amplitude, o jogo forte pelo lado buscando o um-contra-um; Paquetá e Neymar atacando por dentro.

À medida que o time avança com a bola em campo, Arana e/ou Fred sobem e reforçam a construção ofensiva em linhas médias ou altas, tornando-se quinto e/ou sexto jogador no ataque (3-2-5 e 3-1-6). Tudo depende muito, também e obviamente, do posicionamento do adversário e como este vai se comportar nas fases do jogo: defensiva, transição defesa-ataque, ofensiva e transição ataque-defesa. Sempre, de qualquer modo, pensando em potencializar as individualidades dos jogadores brasileiros.

Mais detalhes táticos

A saída de bola, chamada pela comissão técnica da seleção brasileira de "iniciação sustentada", segue o padrão destas eliminatórias: sete jogadores, somando o goleiro, os quatro defensores e os dois meio-campistas centrais. Bola no chão e passes curtos, se aproveitando da qualidade técnica dos jogadores.

O Chile deve atuar dentro da plataforma do 3-5-2. Ciente disso, a comissão técnica realizou movimentações específicas no treino de terça-feira, na Granja Comary, para anular pontos fortes do adversário. Atenção especial foi dada aos atacantes de lado de campo para pressionarem o Chile no campo de ataque e cortarem as linhas de passe para os alas chilenos, que devem ser Mauricio Isla e Gabriel Suazo.

Na marcação alta, o Brasil pressionará no 4-2-1-3, justamente com Antony e Vini adiantados. A partir daí, de acordo com o avanço do adversário, o sistema defensivo é alterado para o 4-2-3-1 na marcação média, com os externos na linha do Paquetá, e o 4-4-1-1 no bloco baixo.

Deveres do jornalismo

Cada vez mais, dentro dos estudos de futebol em universidades ou nos cursos de formação de treinadores, a especificação dos desenhos táticos tem aumentado. No Brasil, historicamente, o 4-4-2 sempre foi o esquema tático padrão. Nas últimas décadas, mesmo com as equipes alterando suas formações, nas transmissões televisivas e nas escalações divulgadas no rádio, a leitura dos nomes seguia o desenho das duas linhas de quatro e dois atacantes.

Há, hoje, quantidade de informações disponíveis que não havia em um passado nem tão distante assim. Para explicar sobre posições, funções e as já citadas fases do jogo, tornam-se necessário tantos números e combinações. O jogo mudou. Nos quatro campos principais de análise - tático, técnico, físico e anímico - houve mudanças naturais aos nossos tempos: evolução tecnológica, aprimoramento das ciências, inovações digitais e novas formas de relações pessoais. Como escreveu Belchior, o novo sempre vem. 

Assim como não podemos olhar para o passado com os olhos do presente na análise de futebol, não devemos analisar o futebol atual somente com as ideias do passado, o que demanda maior preparação. Tudo isso sem jamais descartar, naturalmente, a experiência de profissionais que viveram outras épocas do esporte e do país ou ignorar que o futebol, para a maioria, seja somente entretenimento.

Termos considerados "chatos" por muitos estão cada vez mais presentes em entrevistas de treinadores e jogadores. Nesse contexto, cabe ao jornalismo esportivo explicá-los ao invés de ironizá-los. É necessário, sempre, transmitir a informação da maneira mais clara possível, sem reduzi-la a discursos comuns se esta exigir maior complexidade.

A opinião é livre, mas se torna mais completa quando baseada em informações bem apuradas ou estudadas. O puro "achismo" pode gerar grandes debates e polêmicas fáceis, mas carece de responsabilidade no trato.

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Sobre seleção brasileira, esquemas táticos e responsabilidades do jornalismo

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