Não fique feliz com Fernando Diniz, Roger e Rogério Ceni desempregados: o futebol seria melhor se eles tivessem sucesso

Paulo Cobos

Rogério Ceni foi demitido pelo Flamengo há quase 3 meses e segue desempregado. Há duas semanas, foi a vez de Roger ser dispensado pelo Fluminense. Neste domingo, quem perdeu o trabalho foi Fernando Diniz, no Santos.

Ceni, Roger e Diniz têm muito em comum.

Uma delas é odiosa. São treinadores que despertam para muita gente uma espécie de celebração quando perdem o emprego.

Eles são "acusados" de serem inventores, como querer ousar em uma profissão em que reina a mediocridade no Brasil fosse um grande pecado.

Fernando Diniz no comando do Santos
Fernando Diniz no comando do Santos Ivan Storti/Santos

Também despertam antipatia por suas entrevistas. Inteligentes e com ótima formação além do futebol, incomodam por suas palavras, assim como acontece com Tite.

No Brasil, entrevista de treinador parece ser boa apenas quando ela é cheia de clichês de boleiro. Diniz vira motivo de chacota por que cita Quixote após um jogo.

Não vou tapar os olhos para os defeitos de Diniz, Roger e Ceni.

Nenhum deles ainda conseguiu engrenar na carreira de forma consistente. O único que já tem um bom currículo de títulos como treinador é Ceni, no Fortaleza e no Flamengo.

Tanto Ceni como Diniz já cansaram de errar na relação com os jogadores.

Mas tenho certeza de uma coisa. Fico muito triste que os três não tenham mais sucesso. E torço para logo eles estarem empregados. O futebol brasileiro vai ficar muito melhor com Diniz, Roger e Ceni em alta.





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Argentina e Brasil tiveram algo em comum no vexame de Itaquera: a mediocridade e a falta de transparência

Paulo Cobos

Esqueça a voz quase oficial da seleção que colocou toda a culpa na Argentina no vexame histórico que aconteceu neste domingo no campo do Corinthians. As duas maiores seleções sul-americanas, e seus cartolas e governantes, saem igualmente chamuscados na mediocridade e na falta de transparência no triste episódio de Itaquera.

Os argentinos deram argumentos para quem adora os acusar de uma soberba absoluta. Como se estivessem acima das regras de um país, ignoraram a norma que brasileira que exige uma quarentena para quem vem da Inglaterra: o caso de quatro jogadores do time que deveria enfrentar o Brasil pelas eliminatórias.

E provavelmente por pura ignorância. Existia um caminho legal para os quatro estarem em campo. Ou alguém duvida que os brasileiros convocados por Tite que jogam na Inglaterra estariam em campo neste domingo se a Premier League tivesse autorizado suas viagens para as eliminatórias?

Jogo entre Brasil e Argentina, pelas eliminatórias, foi suspenso
Jogo entre Brasil e Argentina, pelas eliminatórias, foi suspenso EFE/Sebastião Moreira

Mas é evidente que os argentinos só fizeram essa papelão pelo fato que tiveram algum aval para isso. Como cravou Pedro Ivo Almeida, comentarista dos canais ESPN, havia um acordo entre CBF, Fifa e governo federal para que os argentinos que jogam na Inglaterra pudessem jogar.

A própria CBF, em nota publicada após o papelão,se disse "decepcionada" com os acontecimentos de Itaquera.

O mais fácil nesse vexame histórico é culpar a soberba argentina. Neste caso, realmente ela existe. Mas o que aconteceu neste domingo é algo muito maior, que equivale Brasil e Argentina na mediocridade e na mentira.

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A barriga de Neymar cresceu pelos 'haters', mas só apareceu pela infantilidade do craque

Paulo Cobos

Neymar vinha jogando muito, mas muito mesmo, pela seleção. Mas bastou uma atuação ruim contra o Chile para o melhor jogador da seleção brasileira voltar a ser detonado pelos seus milhares de "haters". 

E como tudo para o camisa 10 é exagerado, o assunto principal da semana virou sua suposta má forma física.

Não importa que ele acabe de ter voltado das férias. Os fiscais da boa forma física alheia viram ele muito acima do peso, e logo partiram para os ataques que falta profissionalismo para Neymar.

E tome comparações descabidas com Cristiano Ronaldo e seu corpo sempre esbelto.

Neymar sem camisa durante treino da seleção
Neymar sem camisa durante treino da seleção Lucas Figueiredo/CBF

Pura bobagem. Se um jogador de futebol não pode chutar o balde no que come e bebe nas férias, estamos criando verdadeiros robôs.

Neymar teve várias contusões, mas nunca pode ter sido acusado de falta de preparo.

Verdade que ele mostrou falta de mobilidade contra o Chile, o que é totalmente natural para quem está voltando ao trabalho que exige do corpo depois de quase 30 dias de descanso.

A tal barriga de Neymar era muito mais uma questão de seus "haters" do que um real problema.

Mas o craque que teima em não crescer transformou o assunto em uma bola de neve.

Primeiro, foi para uma rede social logo após o jogo contra o Chile para colocar a culpa na camisa por sua imagens na partida: "Camisa era G. Próximo jogo peço M".

Neste sábado, em treino na arena corintiana, Neymar resolveu postar uma foto mostrando sua barriga no melhor estilo tanquinho e ironizando os críticos

A barriga de Neymar era só um problema na cabeça de quem sempre prefere criticá-lo. Pela sua infantilidade, virou o principal assunto da seleção brasileira antes do jogo contra a Argentina. Tite agradece.

 





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Chegou no ponto 'se Brasil ganhar Copa, será apesar dele'; não vale a pena para Tite seguir na seleção

Paulo Cobos

Nos seus últimos meses no Flamengo, Rogério Ceni claramente havia perdido uma batalha: a pela conquista dos torcedores do rubro-negro. Quando ele acertava, nada de elogios. Quando errava e o time tropeçava ou jogava mal, era massacrado.

Quando foi campeão brasileiro pelo clube da Gávea, muita gente soltou o "ganhou, apesar de Rogério Ceni".

Um colega de profissão chegou no mesmo ponto de Ceni, que apostou que poderia mudar o jogo e acabou demitido durante a madrugada pela diretoria flamenguista.

Tite claramente perdeu a tal narrativa para ter o mínimo de paz no comando da seleção brasileira.

Tite comandando a seleção brasileira pelas eliminatórias
Tite comandando a seleção brasileira pelas eliminatórias Lucas Figueiredo/CBF

Basta ver a repercussão após a magra vitória sobre o Chile, fora de casa, pelas eliminatórias sul-americanas nesta quinta-feira.

Nas redes sociais ou nos comentários de críticos na televisão, no rádio, em sites e jornais, Tite é desenhando como retranqueiro, covarde, sem repertório, um banana no trato com Neymar.

Não importa que a seleção lidere com 100% de aproveitamento as eliminatórias. E que na sua primeira metade no comando do time, até a queda na Copa da Rússia, o Brasil jogou seu melhor futebol em muito tempo.

Tite merece críticas, sem dúvida. Algumas são absolutamente justas, como a falha grave na relação com Neymar e a indicação do filho para ser seu auxiliar.

Outras passam muito do limite, como a tal aptidão para a retranca. 

Estar no comando da seleção brasileira é o ápice para um treinador. Imagino o quanto deve ser difícil ter esse cargo e simplesmente resolver abrir mão dele. 

Mas Tite deve considerar mesmo se vale a pena seguir no comando da equipe, ainda mais com o caos que é a CBF hoje.

Tite pode até ganhar a Copa do Mundo. Mas vai ouvir muitas vezes o "apesar dele". E ele não tem o perfil de Zagallo para mandar um "vão ter que me engolir".

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A dívida que ameaça existência de Botafogo e Vasco dá pena dos credores; a do Cruzeiro, raiva

Paulo Cobos

Nos últimos dias, três dos maiores gigantes do futebol brasileiro, Botafogo, Cruzeiro e Vasco, receberam um ultimato em decisões da Justiça que  até podem "decretar o encerramento das atividades", como divulgou a diretoria vascaína em nota oficial.

Primeiro, o Vasco recebeu uma execução de dívidas trabalhistas de R$ 93,5 milhões, o que gerou a nota apocalíptica sobre sua existência. Só nesta quarta-feira o clube conseguiu suspender a decisão judicial. Mas um dia essa conta vai chegar. 

O Botafogo seguiu o mesmo roteiro: foi condenado a pagar também quase R$ 100 milhões em débitos trabalhistas, mas conseguiu suspender temporariamente a cobrança.

Mais dramática foi a decisão judicial que condenou o Cruzeiro a pagar R$ 330 milhões em 15 dias aos empresários que contrataram o zagueiro Dedé e que se dizem lesados pelo clube rescindir o contrato do jogador sem nada receber.

Dedé em entrevista coletiva no Cruzeiro
Dedé em entrevista coletiva no Cruzeiro Vinnicius Silva/Cruzeiro

Decisão judicial se cumpre. 

Mas é impossível não ter sentimentos diferentes sobre essas condenações milionárias sofridas por Botafogo, Cruzeiro e Vasco.

Em relação aos clubes cariocas, tenho pena dos credores.

Na montanha de dinheiro que Botafogo e Vasco devem em ações trabalhistas, não estão apenas jogadores com salários de vários dígitos (e estes têm todo direito de acionar os clubes pelo que não receberam).

Na penúria, os dois clubes deixaram também de pagar funcionários com salários modestos, como porteiros e faxineiros.

Triste saber que muitos devem passar dificuldades por cartolas irresponsáveis que levaram esse clubes à bancarrota.

Bem diferente é o sentimento em relação à notícia que o Cruzeiro precisa pagar R$ 330 milhões para empresários.

Não duvido que realmente eles tenham direito a receber dinheiro. Se existe um contrato, ele deve ser cumprido.

Mas é revoltante saber que o clube mineiro, com a administração que o colocou na maior crise de um grande clube brasileiro na história, tenha que pagar o que fatura hoje em quase três anos para um grupo de empresários já muito ricos.

A Justiça é para todos: faxineiros, porteiros, empresários.

Botafogo, Cruzeiro e Vasco não podem acabar. Vou chorar, mas apoiar, que os cariocas sigam no ostracismo em troca de pagar todas suas dívidas trabalhistas, do porteiro do clube ao grande craque.

Não vou lamentar se o Cruzeiro fechar por ter que pagar R$ 330 milhões para empresários.



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Dívida parcelada 'a perder de vista' ou rua: São Paulo tem um 'case' de fracasso na relação com Daniel Alves

Paulo Cobos

O São Paulo teve agora uma ideia para resolver a dívida milionária que tem com Daniel Alves.

Em entrevista aos jornalistas Arnaldo Ribeiro e Eduardo Tironi, o diretor de futebol do clube, Carlos Belmonte, detalhou o plano.

Segundo o dirigente, o clube vai fazer uma proposta para parcela a dívida. 

''Muito mais do Daniel continuar ou sair, nossa vontade é que chegue a um acordo para que todo mundo se sinta confortável. Se o acordo for para o Daniel continuar, com parcelamento da dívida e ele fique satisfeito, ótimo. Se não tiver acordo, porque nossa proposta não agradou e vamos ter que liberar o Daniel para seguir outro caminho, tudo bem também. O que não dá, e isso é o principal, é ficar uma coisa em aberto. Tem que tratar e resolver logo, de um jeito ou de outro'', afirmou Belmonte. 

Aposto que tudo o que o São Paulo quer é que Daniel Alves recuse o parcelamento e deixe o Morumbi.

Daniel Alves em treino do São Paulo
Daniel Alves em treino do São Paulo São Paulo

O São Paulo construiu com Daniel Alves um "case" de fracasso absoluto na relação com um jogador estrelado no futebol.

Começando pelos termos da sua contratação.

O clube fez um acordo que simplesmente não tinha condições de pagar. Exagerou na expectativa que contratos publicitários poderiam bancar a conta.

Daniel Alves chegou para jogar onde ele achasse melhor, não na posição que o consagrou: a lateral direita.

Ganhou a camisa 10, um status de intocável. O direito de opinar quem deveria ser o treinador do clube.

Quando a dívida com ele começou a virar uma bola de neve, a coisa piorou.

O ápice chegou na sua liberação para a Olimpíada, mesmo com o clube sem a obrigação de fazer isso. E o São Paulo ganhou de volta uma humilhação mundial, com o jogador apontando o clube como caloteiro e ingrato.

E tudo isso com silêncio da diretoria são-paulina.

Daniel Alves cansou de errar nos dois anos que está no São Paulo. Mas é fato: o clube, em um misto de covardia e incompetência, errou muito mais na sua relação com ele.


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Já foi loucura, hoje faz muito sentido: você trocaria a seleção brasileira pela portuguesa?

Paulo Cobos

Matheus Nunes nasceu no Rio de Janeiro há 23 anos. Com 12 anos, se mudou para a família com Portugal. Virou jogador de futebol profissional e hoje defende o Sporting, o último campeão português.

Na semana passada, foi convocado por Tite para a seleção brasileira em uma emergência pela recusa dos clubes ingleses de liberarem seus atletas.

Não vai se apresentar. A justificativa oficial é que a convocação foi feita fora do prazo. Mas a imprensa portuguesa crava que o motivo é outro: Matheus Nunes preferiu jogar pela seleção portuguesa e já será chamado pelo técnico Fernando Santos em outubro.

Matheus Nunes em ação pelo Sporting
Matheus Nunes em ação pelo Sporting Getty Images

Há alguns anos, um jogador de futebol seria chamado de lunático se preferisse jogar por Portugal com a chance de defender o único país pentacampeão mundial de seleções.

Hoje, faz sentido a decisão tomada por Matheus Nunes.

Quando o ranking da Fifa foi lançado, em 1992, o Brasil era o 3o colocado. Portugal apenas o 33o. 

Hoje, a seleção brasileira aparece em 2o lugar. O time português não fica longe: oitavo colocado.

Segundo o Transfermarkt, site especializado na avaliação do valor de jogadores, existem hoje no mundo 26 atletas que custam pelo menos 75 milhões de euros. São dois brasileiros: Neymar e Marquinhos. E três portugueses: Bruno Fernandes, João Félix e Rúben Dias.

Jogar por Portugal significa disputar um calendário de seleções mais racional e com competições, fora  Copa do Mundo, muito mais interessantes: basta comparar a Copa América com a Eurocopa.

Por fim, eu desconfiaria de técnico da seleção brasileira que chama um jogador muito mais por evitar que ele possa jogar por outra seleção do que por convicção, como parece acontecer com Tite no caso de Matheus Nunes e com Diego Costa nos tempos de Felipão.

OK. Qualquer um pode dizer que na hora de jogar por seleções, o que importa é o amor à pátria, e que pouco importa quem oferece o melhor pacote técnico. Messi está aí como exemplo: se tivesse preferido a Espanha de Xavi e Iniesta teria sido campeão mundial e europeu.

Respeito muito esse argumento. Mas sinto. O mundo do esporte mudou. Futebol de seleções também virou um assunto profissional.

E, profissionalmente, faz todo sentido jogar pela seleção portuguesa e deixar o Brasil de lado.

Matheus Nunes, do Sporting, é convocado por Tite para a seleção brasileira; veja como ele joga


         
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Corinthians estrelado é mais barato? Se é verdade, é caso de banir responsáveis pelo time da mediocridade

Paulo Cobos

O Corinthians de três meses atrás era de uma mediocridade absoluta. Um time que acumulava eliminações, jogava um futebol indigente e não dava esperança alguma para seu torcedor.

Hoje, tudo mudou. O clube, em um passe mágica, tem agora uma constelação de novos astros: Giuliano, Renato Augusto, Roger Guedes e Willian (este ainda não oficializado).

Willian no Corinthians! Veja como meia brilhou na Premier League com finalizações 'no capricho'

Seria natural achar que o time estrelado seria mais caro que o da mediocridade. Mas não é o que diz a diretoria do clube.

O Corinthians diz que o novo elenco vai custar, em salários, entre R$ 10 milhões e R$ 11 milhões.

Até o final do ano passado, o clube gastava R$ 14,6 milhões por mês, número que rivalizava com o investimento dos bicho papões Flamengo e Palmeiras.

Não tenho argumentos para duvidar do discurso da diretoria do Corinthians. Vou acreditar que um elenco com Renato Augusto, Willian, Roger Guedes e Giuliano é mais barato do que tinha  Sornoza, Cazares, Otero e Sidcley.

Mas, sempre acreditando na boa fé da atual diretoria, não dá perdoar quem montou o elenco corintiano anterior.

O clube deveria banir de suas dependências quem montou um elenco inchado, ruim e caro.

Difícil vai ser decidir o que fazer com Duílio Monteiro Alves. O presidente que agora contrata bem e "gasta menos" era o diretor de futebol que trazia jogadores ruins e caros.

Willian nos tempos de Chelsea
Willian nos tempos de Chelsea Bryn Lennon/Getty Images
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Felicidade por estar no melhor time do mundo ou pela chance de jogar no maior clube do mundo? Mbappé e seu dilema entre PSG e Real

Paulo Cobos

A expectativa era toda pela estreia de Messi. Mas quem ficou com todos os holofotes no primeiro jogo do craque argentino pelo PSG foi Mbappé.

Não só pelos dois gols que marcou na vitória do clube de Paris sobre o Reims. Mas principalmente pela forma como comemorou.

Depois de balançar as redes, Mbappé parecia exalar felicidade, seja pelo sorriso ou pela euforia que abraçou os companheiros.

Mbappé em aquecimento antes de PSG x Reims
Mbappé em aquecimento antes de PSG x Reims FRANCK FIFE / Getty Images

Difícil saber o motivo da felicidade do craque que está perto de tomar a decisão mais difícil da sua carreira.

Mbappé tem todos os motivos para sorrir pela chance de estar hoje no melhor do time do mundo. Nenhum clube tem hoje um elenco com estrelas tão cintilantes como o PSG. E também com a turma de coadjuvantes mais sólida do planeta.

Mas o craque francês pode ter outra razão pela felicidade mostrada neste domingo. Imagine se despedir do clube de seu país natal com uma exibição de gala e sabendo que terá a chance agora de jogar no maior clube do mundo (caso o Real consiga convencer o PSG a aceitar sua oferta pelo camisa 7).

Poucas vezes foi tão difícil para um jogador de ponta escolher qual clube defender como Mbappé precisa fazer agora (ou daqui a um ano, quando não terá mais contrato com o PSG).

O PSG é sim a maior chance de ganhar a Champions. E também o clube que pode jogar o melhor futebol do mundo. 

Mas não mudei de opinião. Mbappé tem mais a ganhar sendo o dono do Real Madrid

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Dia de fúria: a tentação de sempre detonar o 'marrento' Gabigol e absolver o 'bacanudo' Richarlison

Paulo Cobos

Separados por milhares de quilômetros, dois atacantes da seleção brasileiro que esbanjam carisma tiveram uma espécie de dia de fúria.

Em Santos, no clube que foi revelado e na cidade que adotou, Gabigol foi xingado e bateu boca com santistas que não deveriam estar nas arquibancadas. Respondeu com três gols, provocando também e comemorando batendo com a mão no escudo do Flamengo.

"Mexeram com a pessoa errada", falou depois do jogo.

Richarlison discute com companheiros durante jogo entre Everton e Brighton
Richarlison discute com companheiros durante jogo entre Everton e Brighton GLYN KIRK/AFP via Getty Images

Na Inglaterra, foi a vez de Richarlison ter um dia de fúria.

Como se fosse o dono da bola, quis de qualquer forma bater um pênalti na vitória do seu Everton sobre o Brighton, mesmo não sendo o primeiro cobrador da equipe.

Discutiu com os companheiros de forma infantil e foi advertido publicamente pelo treinador.

Para quem nunca jogou futebol profissional, como eu e a maioria esmagadora das pessoas, é difícil entender como um jogador toma decisões e reage a situações vividas como Gabigol e Richarlison neste sábado.

Caímos então na tentação de condenar o "marrento" Gabigol e absorver o "bacanudo" Richarlison.

Nada mais perigoso.

Gabigol tem um histórico de chiliques injustificáveis, mas entendo a reação que teve ao ser provocado na Vila Belmiro.

Richarlison é o jogador brasileiro mais encantador fora de campo hoje. Mas pisou feio na bola ao se mostrar um garoto mimado por querer fazer um gol de pênalti contra um time pequeno na terceira rodada de um campeonato.

Ninguém erra sempre, como muita gente acredita que Gabigol faz em termos disciplinares. E também ninguém sempre acerta, como Richarlison.

Jogadores de futebol são humanos.  Podem errar, podem acertar. Bobagem querer colocar um carimbo eterno neles.

Gabigol diz que ainda mora em Santos, relembra história no clube e explica entrevero


         
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Muitos gols e (quase) mais nada: Cristiano Ronaldo na Juventus foi uma decepção com final melancólico

Paulo Cobos

Cristiano Ronaldo deixou saudades no Sporting, no Manchester United, no Real Madrid. Duvido que o torcedor da Juventus vai ter o mesmo sentimento em relação ao craque português.

Sua chegada tinha um objetivo claro: fazer da Juventus campeã da Europa.

Isso nem de perto aconteceu. 

Nas três edições disputadas da Champions com Ronaldo em campo,  o time de Turim nunca passou das quartas de final. E em todas foi eliminado por clubes que não são hoje do primeiro time do futebol europeu: Ajax, Lyon e Porto.

Cristiano Ronaldo lamenta em partida da Juventus
Cristiano Ronaldo lamenta em partida da Juventus Getty Images

Até no Campeonato Italiano a Juventus perdeu terreno na última temporada com o craque português: na edição 2020/2021, a equipe acabou 13 pontos atrás da campeã Inter de Milão e sofreu para ganhar uma vaga na Champions.

Cristiano Ronaldo também não transformou a Juventus em um clube mais rico. Depois da euforia inicial, há três anos, as ações da equipe negociadas na bolsa de valores despencaram, valendo praticamente a metade do que custavam em 2018.

Nesta sexta-feira, quando deve ser decretada sua transferência para um dos times de Manchester, as ações da Juventus até subiam quase 1%.

O português vai embora com uma montanha de gols com a gloriosa camisa da Juventus: foram 101 em 134 jogos.

No United e no Real, Ronaldo também se cansou de fazer gols. Só que ganhou muitos títulos importantes. E transformou esses clubes. Duas coisas que nem de perto ele conseguiu na Juventus.

Cristiano Ronaldo falou com Guardiola: João Castelo-Branco diz quais ainda são os entraves entre City e Juventus

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Grêmio de 2021 é um 'fracasso': Felipão pode dividir a culpa com Renato Gaúcho, Tiago Nunes e jogadores medalhões

Paulo Cobos

Luiz Felipe Scolari assumiu a culpa pelo "fracasso" do Grêmio no primeiro jogo das quartas-de-final contra o Flamengo pela Copa do Brasil. Parabéns pela dignidade de assumir a responsabilidade que falta para tantos colegas de profissão após derrotas vergonhosas.

E, se serve de alento, Felipão pode ter certeza que ele não é o único culpado pelo fracasso absoluto que o Grêmio é em 2021 (para o time que tem, ganhar o Gaúcho não tem nada de heroico).

O Grêmio é a maior decepção do futebol brasileiro na temporada. E com a assinatura de muita gente.

Começando por Renato Gaúcho, que agora virou carrasco. Foi sob o comando do treinador e com uma preparação frouxa  que o clube foi eliminado na pré-Libertadores pelo Independente del Valle, resultado que arruinou o planejamento de um time que investiu em um projeto ambicioso.

Renato e Felipão conversam antes de jogo
Renato e Felipão conversam antes de jogo RODRIGO GAZZANEL / RM SPORTS IMAGES/Gaze

Renato perdeu o emprego e foi substituído por Tiago Nunes, que até começou bem ganhando o Gaúcho.  Mas, assim como havia feito no Corinthians, foi perdendo o controle do vestiário e acabou demitido com o time na zona de rebaixamento do Brasileiro.

Felipão chegou, e antes da derrota por 4 a 0 que  praticamente eliminou o Grêmio da Copa do Brasil, fez campanha irregular no Brasileiro, e o clube segue no Z-4.

Mas seria muito fácil culpar apenas os treinadores pelo fracasso gremista.

 Rafinha e Douglas Costa, medalhões contratados a peso de ouro, até agora não justificaram o investimento. Veteranos de muito tempo de clube parecem acomodados como nunca.

O fracasso não é só de Felipão.

Copa do Brasil: Flamengo atropela Grêmio por 4 a 0 e encaminha vaga na semifinal; VEJA os gols!

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Crespo x Vojvoda e Renato x Felipão (ou Jorge Jesus): tem algo errado quando os maiores duelos do futebol são entre técnicos

Paulo Cobos

Em 48 horas, entrevistas e a agenda de jogos da Copa do Brasil mostram que tem algo muito errado com o futebol brasileiro.

É certo que no esporte mais popular do planeta a figura do treinador é endeusada muito mais do que em outras modalidades. Até para quem gosta de NBA é difícil lembrar quem eram os treinadores de Milwaukee Bucks e Phoenix Suns, os finalistas da última temporada.

Mas, no Brasil, o que parece importar mais é o duelo entre os técnicos: em campo (o que até faz sentido) ou, muito pior, fora dele.

Jorge Jesus e Renato Gaúcho rivalizaram em 2019
Jorge Jesus e Renato Gaúcho rivalizaram em 2019 Getty Images

O grande assunto da terça-feira foi a entrevista do exagerado Jorge Jesus após jogo do Benfica na Champions.  Ele afirmou que Renato Gaúcho, outro exagerado e que cansou de provocar o português em 2019, "nunca fará" uma história como a dele no Flamengo. 

O mesmo Renato é o personagem principal do confronto entre Grêmio x Flamengo pelas quartas de final da Copa do Brasil. Será o reencontro dele com com o clube onde é mais ídolo, como jogador e treinador.

De quebra, fará um duelo com Luiz Felipe Scolari, outro ídolo imortal gremista.

Na série entre São Paulo x Fortaleza, o que mais gera debate é o duelo entre os técnicos argentinos Vojvoda e Crespo.

Nada contra os treinadores também serem protagonistas. Claro que eles deixam os jogos mais saborosos por suas rivalidades pessoais.

Mas é de doer que o sujeito que fica na beira do campo gritando e reclamando da arbitragem tenha mais holofotes dos jogadores que estão dentro de campo.

Reencontro de Renato, técnicos 'copeiros', estreia e mais: Grêmio e Flamengo se enfrentam pela Copa do Brasil


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Futebol brasileiro não é o melhor do mundo, mas Flamengo é, disparado, a melhor opção para David Luiz

Paulo Cobos

Casagrande pediu para David Luiz pensar bem em uma eventual volta ao futebol brasileiro para jogar no Flamengo. Marcos Braz, o todo poderoso homem forte de futebol do clube carioca, retrucou.

Não vou entrar na discussão se jogar no futebol brasileiro é um acerto ou erro.

Mas afirmo sem um pingo de dúvida: nesse estágio da carreira, não existe melhor lugar no mundo para David Luiz que o Flamengo.

David Luiz em ação durante treino no Arsenal
David Luiz em ação durante treino no Arsenal Getty Images

David Luiz já passou do tempo de jogar em gigantes europeus que jogam pelo título da Champions.

Jorge Jesus está aí para dizer que defender o Benfica é sonhar no máximo com o título do Português. Muito melhor jogar no Flamengo e saber que o céu é o limite em termos de América do Sul.

Se ainda sonha em voltar à seleção brasileira, David Luiz seria tolo de trocar a oportunidade de jogar pelo Flamengo por um clube na Turquia. Duvido que Tite vai olhar para o que acontece no Campeonato Turco. E, aqui no Brasil, convoca Daniel Alves, que está longe de bilhar no São Paulo.

David Luiz pode até ganhar mais dinheiro em um clube europeu, mas o Flamengo paga muito bem, e em dia.

Por fim, existe uma coisa que não dá para ser medida.

David Luiz é um jogador passional. Parece que suas deficiências desaparecem quando é abraçado. Nada melhor do que ser abraçado pela maior torcida do Brasil, que dá sinais claros que quer sua contratação.

Se quer um final de carreira glorioso, o Flamengo é o melhor lugar do mundo para David Luiz.

Marcos Braz diz que Flamengo disputa quatro campeonatos e ironiza CBF: 'Aqui não para na Data Fifa'



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Problema do Corinthians não é gastar o que não tem em Renato Augusto e sim no exército de 'Cafús' que arruinaram o clube

Paulo Cobos

É cada vez mais evidente. O Corinthians mudou de patamar com a chegada de reforços como Renato Augusto e Giuliano. O time que tinha pesadelos com o rebaixamento no Brasileiro agora já é forte candidato para ganhar uma vaga na fase de grupos da Libertadores.

A ressurreição corintiana gera um debate. Um clube que atrasa salários, deixa os jogadores da base sem receber por 3 meses e não paga tantas contas pode se dar ao luxo de contratar atletas que ganham muito dinheiro?

A resposta não é fácil.

Jonathan Cafú ao lado de Gil em treino no Corinthians
Jonathan Cafú ao lado de Gil em treino no Corinthians Rodrigo Coca/Agência Corinthians

Se antes cair para a Série B era um pesadelo muito mais esportivo, ele agora é um desastre financeiro com a mudança nos critérios de distribuição do dinheiro da TV. O Cruzeiro está aí para provar o quanto voltar para  elite é difícil com o cofre vazio.

Assim, investir em bons, e caros jogadores, pode ser muito mais solução do que um problema. Com eles, o clube pode conquistar prêmios, ganhar mais patrocínios e ver dinheiro entrar no caixa para pagar suas dívidas.

Mas a questão corintiana é outra.

Se existe debate se o time poderia ou não contratar Renato Augusto na sua situação financeira, ninguém pode discutir o motivo que levou o clube para a ruína financeira.

O Corinthians virou um balcão de negócios vergonhoso nos últimos anos. Contratações milionárias de jogadores que não valiam isso, como o chileno Araos, o uruguaio Bruno Méndez e o brasileiro Luan.

Buscar jogadores do Fluminense com frequência para logo depois emprestá-los.

Dar um contrato de 3 anos para um jogador como o atacante Jonathan Cafú com quase 30 anos de idade. E vê-lo sair depois de 3 jogos e míseros 103 minutos com a camisa do clube.

O Corinthians se estrepou com seu exército de "Cafús". Que volte a ser respeitado com um Renato Augusto.

Roni faz, e Corinthians vence o Athletico-PR fora de casa; assista

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Problema do Corinthians não é gastar o que não tem em Renato Augusto e sim no exército de 'Cafús' que arruinaram o clube

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Ganhar a Libertadores é a glória eterna, mas o melhor time do Brasil será o campeão do Brasileiro

Paulo Cobos

É fato. O slogan da Conmebol que ganhar a Libertadores é a "glória eterna"  faz todo sentido.

Conquistar a competição sul-americana de clubes é o feito mais saboroso que um clube brasileiro pode ter.  Uma taça que qualquer torcedor irá lembrar para sempre.  Mas não quer dizer que o clube campeão do continente é o melhor time do Brasil.

Renato Gaúcho em Ceará x Flamengo
Renato Gaúcho em Ceará x Flamengo Alexandre Vidal/Flamengo

Nada é mais difícil do que ganhar um campeonato de 38 rodadas em que sobram pedreiras: o Flamengo de Renato Gaúcho  soube  muito bem isso ao empatar com o Ceará de Guto Ferreira em Forteleza.

O treinador flamenguista, aliás, é especialista em não perceber que o Brasileiro pode não ter o peso de uma Libertadores, mas define sim quem é o melhor time do Brasil e o treinador com melhor trabalho do país.

Brasileiro: Ceará sai na frente, mas Flamengo busca empate na Arena Castelão; VEJA gols


Não faz sentido Renato poupar tantos jogadores como fez contra o bom time de Guto Ferreira.

Jorge Jesus está aí para dar o exemplo. Ele conquistou a Libertadores e a glória eterna. Mas não abriu a mão do Brasileiro. Sempre escalou a força máxima possível. E também foi campeão brasileiro. E ninguém vai ter a ousadia de dizer que ele e o Flamengo não foram os melhores de 2019.

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Pode arrebentar, mas fica atrás de Pepe, Dybala e Sterling: europeus escancaram desprezo por Neymar

Paulo Cobos

Se depender da opinião de técnicos e jornalistas europeus, a chance de Neymar ser eleito algum dia o melhor jogador da Europa é mínima.

Isso fica claro na lista dos melhores jogadores de cada temporada preparada pela Uefa, a federação de futebol do continente.

Neymar já tem oito temporada completas na Europa. Em apenas duas delas ficou entre os dez finalistas do prêmio, um quinto lugar na temporada 2014/2015, quando ganhou a Champions pelo Barcelona marcando dez gols, e em 2019/2020, quando foi vice-campeão pelo PSG e acabou empatado com Messi na quarta posição.

Neymar em jogo do PSG
Neymar em jogo do PSG EFE/IAN LANGSDON

Na lista da temporada 2020/2021, Neymar novamente ficou de fora dos dez melhores. Votaram os 24 técnicos da seleções que disputaram a  Euro, os 80 treinadores dos clubes que participaram da fase de grupos Champions e a Europa League e 55 jornalistas, um de cada país membro da Uefa.

Segundo a federação, os eleitores devem levar em consideração as performances dos jogadores, independente da nacionalidade, em todas as competições, domésticas ou internacionais, em clubes e seleções.

Em oito anos na Europa, Neymar é o jogador que mais assistências deu na Champions, e já marcou 41 gols pela principal competição de clubes do mundo. Somando Barcelona e PSG, marcou 192 vezes por clubes europeus.

Basicamente nesse período, se tornou o segundo maior artilheiro da história da seleção brasileira, passando Romário e Ronaldo Fenômeno.

Nada disso importou para jornalistas europeus.

Interessante ver nomes que já figuraram na lista dos dez melhores da Europa em temporadas que Neymar foi esquecido: Pepe, James Rodríguez, Dybala, Griezmann, Varane, De Ligt e Sterling.

A Uefa deveria admitir: além do desempenho em campo, "simpatia" na visão dos europeus deveria contar para eleger o melhor do continente. Só isso explica o desprezo deles por Neymar.

Messi toca para Neymar, recebe de volta e bate de canhota, de primeira, para marcar em treino do PSG


  



         



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Inveja mata? Como encarar que os ricaços Atlético-MG, Flamengo e Palmeiras vão dominar o futebol sul-americano por anos

Paulo Cobos

Se alguém tem certeza que futebol não tem lógica, é melhor rever seus conceitos com o que está acontecendo na Conmebol Libertadores.

Atlético-MGFlamengo Palmeiras, os três times com os elencos mais ricos e estrelados do continente, já estão nas semifinais. Difícil acreditar que o outro semifinalista, Barcelona-EQU ou Fluminense, pode tirar o título do trio milionário.

Com as finanças estruturadas, Flamengo e Palmeiras vão seguir sendo muito acima da média por muitos anos. O Atlético-MG está longe de ser um exemplo financeiro, mas seus mecenas parecem ter compromisso de longo prazo com o clube, que também tem tudo para acertar suas contas tendo sucesso em campo. 

Fica então a pergunta: como encarar que esses três clubes vão dominar o futebol sul-americano por muito tempo?

Jogadores do Flamengo comemoram gol
Jogadores do Flamengo comemoram gol Alexandre Vidal / Flamengo

Não sou torcedor de nenhum dos três clubes. Imagino estar como a maioria dos seguidores dos rivais de Atlético-MG, Flamengo e Palmeiras, com inveja dos esquadrões do trio.

Mas a verdade é que, mais do que inveja, o que o sucesso dos três desperta é admiração.

Principalmente pelo fato que o Brasil tem hoje três times que podem praticar um futebol refinado, que vai proporcionar bons espetáculos e fazer o futebol nacional dominar a Libertadores.

Atlético-MG, Flamengo e Palmeiras têm hoje jogadores que são ídolos e com nível para jogar em grandes clubes europeus.

Também é admirável como Flamengo e Palmeiras se transformaram. O primeiro era afundado em dívidas e muitas vezes lutava para não cair no Brasileiro há dez anos. O segundo estava na Série B. Hoje, são os times mais ricos do país.

Para a concorrência, melhor se espelhar em quem está em outro patamar.

Os outros grandes do país vão ter que trabalhar muito para chegar no nível do trio.

Inveja não mata. Mas tomara que no caso do futebol brasileiro ela sirva para fazer inspirar os rivais de Atlético-MG, Flamengo e Palmeiras. Não vai ser legal ficar batendo palma para os três por muito tempo.

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São Paulo de Crespo perdeu o jogo, mas foi o São Paulo que erra há tantos anos que se apequenou contra o Palmeiras

Paulo Cobos

Hernán Crespo tem uma parcela de culpa importante na derrota de 3 a 0 para o Palmeiras que eliminou o São Paulo nas quartas de final da Libertadores.

Sua escalação foi conservadora demais. A insistência com Pablo é difícil de explicar, assim como Reinaldo ficar no banco o tempo inteiro. Assim como é nebulosa a decisão de não usar o argentino  Benítez, alegando que ele não estava em forma.

O são-paulino pode colocar na conta de Crespo parte do fracasso. Mas o São Paulo que se apequenou no Allianz Parque tem raízes muito mais profundas.

Hernán Crespo em duelo no Morumbi
Hernán Crespo em duelo no Morumbi Rubens Chiri / saopaulofc.net

O São Paulo chegou no momento mais importante do ano se arrastando fisicamente. Um monte de jogadores machucados, muitos deles com lesões musculares. Atletas que demoram para voltar de contusões.

E não adianta culpar a maratona de jogos. Ela existe para muitos clubes grandes, e nenhum teve uma enfermaria tão repleta.

Um vexame para quem já se orgulhou de ter a melhor estrutura do futebol brasileiro, o que hoje é balela.

O São Paulo rivaliza com o Corinthians em contratações equivocadas.  Como é duro ver Pablo perder tantos gols e relembrar que ele custou nada menos do que R$ 26,6 milhões.

Também foi duro ver Daniel Alves não sendo capaz de parar Zé Rafael no primeiro gol do Palmeiras.

Daniel Alves foi contratado com um salário que o São Paulo não tinha como pagar. Não demorou para o clube ficar devendo uma montanha de dinheiro para o lateral-direito, que agora se acha no direito de parecer maior que o clube, como demonstrou após a final da Olimpíada.

A atual diretoria do São Paulo parece que vai acertar mais do que as anteriores.

Que não caia na tentação de repetir erros anteriores. O pior a fazer agora é colocar o trabalho de Crespo sob dúvida. O argentino foi um grande acerto no meio de tantos erros no Morumbi.

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Esqueça, por enquanto, os muitos 'poréns': Leila presidente do Palmeiras é vitória histórica das mulheres no futebol

Paulo Cobos

Agora é oficial: Leila Pereira vai ser candidata à presidência do Palmeiras. Pela força que tem no clube, difícil não acreditar que ela será eleita com um pé nas costas em novembro.

Sim. É muito fácil listar uma série de "poréns" nos planos da empresária milionária.

Ele conquistou poder no Palmeiras com métodos típicos da pior política tradicional, com distribuição de brindes em festas para sócios do clube. Sua relação com a principal organizada do clube, com patrocínios no Carnaval, não é nada saudável.

Será um desafio separar os interesses de patrocinadora e presidente, caso ela realmente ganhe as eleições. A chance do Palmeiras ter uma guerra política é considerável: Paulo Nobre, forte e popular na torcida, é opositor ferrenho de Leila.

Leila Pereira durante coletiva no Palmeiras
Leila Pereira durante coletiva no Palmeiras Divulgação Palmeiras

Mas, pelo menos por enquanto, esqueça esses "poréns" e celebre uma conquista história das mulheres no futebol.

Grandes clubes já tiveram mulheres como presidentes. No Corinthians, Marlene Matheus chegou lá como testa de ferro do marido, Vicente. No Flamengo, Patrícia Amorim chegou com muita expectativa, mas acabou fazendo administração decepcionante.

 Leila tem tudo para ser diferente e fazer história no Palmeiras.

E não só por ter dinheiro de sobra. Ela tem tudo para fazer o clube mais profissional. Tem personalidade para comandar, fazer o Palmeiras um líder na negociação de contratos e na eventual criação de uma liga.

Vai saber se cercar de gente competente em todas as áreas.

Em alguns anos, vamos poder avaliar a Leila presidente do Palmeiras. Por enquanto, prefiro celebrar o empoderamento feminino no futebol, essa instituição tão machista no Brasil.



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Eu não pensaria duas vezes: Mbappé vai acertar em cheio se trocar o PSG pelo Real Madrid

Paulo Cobos

A relação entre Mbappé e o PSG parece estar perto do fim. Vaiado pela torcida do clube no último sábado, o francês dá sinais cada vez mais evidentes que pretende mudar de ares. E o Real Madrid segue como principal destino, seja com uma negociação agora ou em 2022, quando acaba seu contrato.

Se fosse Mbappé, não pensaria duas vezes em trocar o PSG, mesmo com o verdadeiro esquadrão montado com tanta fartura de dinheiro, pelo Real Madrid, que sempre será o maior clube do mundo.

Não faltam motivos para isso.

Francês: com Messi e Neymar na arquibancada e show de Mbappé, PSG vence Strasbourg; veja os melhores momentos


Mbappé tem muito mais chances de se tornar o melhor jogador no mundo no Real Madrid.

Não só por que no clube espanhol ele será o dono do time, enquanto no PSG vai ter que dividir o estrelato com Neymar e Messi.

O futebol espanhol é melhor para quem brilha individualmente, com um jogo muito menos físico do que o Francês, em que os árbitros também são muito mais flexíveis com entradas violentas.

Um trio com Benzema e Hazard, se o belga parar de se machucar, tem tudo para certo para Mbappé.

Em Madri, ele terá em Carlo Ancelotti um técnico mais experiente do que Mauricio Pochettino.

O Espanhol é um campeonato com mais competição do que o Francês, em que  o PSG mais do que nunca tem obrigação de ganhar com várias rodadas de antecedência.

Não que falta dinheiro no PSG. Muito pelo contrário. Mas, no Real Madrid, Mbappé também vai faturar muito e terá o status de jogador mais bem pago do clube.

Mbappé é muito bom para aceitar o papel de coadjuvante no estrelato, que já faz desde que chegou junto com Neymar no PSG.

Chegou a hora de ele ser a estrela principal da companhia. Nesse PSG, ele não será em muitos anos.

Mbappé em treino da seleção francesa
Mbappé em treino da seleção francesa FRANCK FIFE/AFP/Getty Images
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